segunda-feira, 24 de dezembro de 2012


As noites de natal na minha família seguem uma tradição muito especial.

Não consigo me lembrar ao certo, quando tudo isso começou.  Mas desde que me conheço por gente, os dias 24 de dezembro de meu passado traziam consigo uma atmosfera especial já  ao amanhecer.  Música bonita começava a tocar logo cedo.  Um perfume de assados se espalhava pelo ar.  Doces eram feitos com cuidado por minha avó enquanto as tias e minha mãe decoravam a casa com os temas natalinos.

À noite, chegavam os parentes e amigos.  Entre os comes e bebes, alegria e harmonia, uma pausa para reflexão dos presentes.  Em roda, minha avó materna, Lydia, sem ter frequentado escola, nos tecia algumas palavras de profunda sabedoria que só eram traduzidas por seu filho mais velho, Elpídio.

Depois de algum tempo, esta missão passou para mim.  Após ler sua mensagem, eu soltava algum comentário sem maiores pretensões.

Afeito a cerimônias, quase sempre tentei enfeitar um pouco mais, o que nem sempre condizia com o tema por ela abordado.

Após sua morte, tentei resgatar alguns dos melhores textos que guardara, até entender que era necessário seguir adiante.  Por certo, ela preferiria assim.

Assim, pouco antes da noite em família, rogo por inspiração e se surge o convite, realizo a tradução do “sopro” recebido.

Longe de mim ser perfeito, puro ou digno de ensinar quem quer que seja.  Quase sempre, as palavras ditas servem mais como autocrítica, do que realmente como mensagem de final de ano.

Este ano as palavras me vieram mais cedo.  Talvez porque grande parte dos presentes estarão em outras casas.  Estou menos apreensivo.  Mas se for convidado a falar, para manter esta tradição, falarei sobre a família.

Lembrarei a todos que não temos a família que escolhemos, mas a família que precisamos para nosso progresso evolutivo.  Pais, irmãos, filhos, cunhados, genros e noras, tios e sobrinhos, somos todos integrantes de uma grande família espiritual na qual os atritos servem para desbastar nossa pedra bruta, transformando-a em brilhante polido.

Cada um com sua diferença, seu gênio, sua genética e seu caráter, garantindo a individualidade que faz de cada um especial em si mesmo.

E pedirei orações.  Não por quem está chorando, mas por quem está causando as lágrimas.  Não por quem está solitário e abandonado, mas por quem fora o causador do abandono.  Não por quem esta doente ou triste, mas por quem promoveu a tristeza ou a dor.

Nisso consistirá minha mensagem de hoje a quem estiver por perto.  O mesmo que desejo a ti e aos seus.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Boletim Informativo do PCB - lembranças


Em 28 de fevereiro de 2003, era publicada a edição número 1 do Boletim Informativo da Comissão Provisória do PCB – Partido Comunista Brasileiro de São José do Rio Preto.

O partido foi refundado na cidade em 30 de agosto do referido ano após ter sido mantido fielmente vivo na figura e na luta quase solitária do inesquecível camarada Antônio Roberto Vasconcelos, o velho Vasco.

Junto com a executiva eleita, foi criado também o Instituto de Formação Política Lúcia Galli, que foi inicialmente presidido pelo camarada Marcelo Gomes, hoje Doutor em Ciências Sociais pela UNICAMP-SP.

Na primeira edição do boletim a matéria interessante que reproduzo abaixo:

“ATO CONTRA A GUERRA EUA X IRAQUE GANHA ADESÃO DOS PODERES E DA SOCIEDADE RIOPRETENSE

Levado ao Presidente da Câmara de Rio Preto, pela Direção Municipal do PCB, o assunto Guerra EUA x Iraque achou respaldo imediato.  O Chefe do Legislativo Municipal programou uma Sessão Solene durante a Primeira Sessão da Câmara, onde enviou para o presidente Lula e para o Ministério das Relações Exteriores, um manifesto assinado pelos vereadores e presidentes de partidos, além do Prefeito Municipal, Edinho Araújo, texto de autoria de nosso camarada Manoel Messias.

O presidente Gerson Furquim, ainda convocou toda a sociedade rio-pretense para compor um grupo e definir uma ação maior em desagravo à ofensiva militar Norte-americana.

O grupo definiu por uma passeata pela paz, com ato ecumênico, que ocorreu no sábado, dia 15, tendo como ponto de concentração a Praça Cívica de Rio Preto.

Uma estimativa da Polícia Militar afirmou a participação de cerca de 800 pessoas.

O ato foi divulgado pelos integrantes do PCB e outros voluntários  nos terminais rodoviários e coletando assinaturas em um abaixo assinado que rendeu, só conosco, 950 nomes.”

O boletim informativo do PCB era enviado a todos os membros do partido com informações internas, panoramas nacionais e outras informações.

Vale lembrar a presença e atuação guerreira de seus membros.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Causa Palestina

Senhor presidente, senhoras e senhores Deputados,
Nas últimas semanas, o sangue do povo palestino voltou a ocupar as páginas dos jornais de todo o mundo. A mais recente ofensiva do Exército de Israel sobre Gaza, iniciada no começo do mês, computou quase 150 palestinos mortos e centenas de feridos, para 5 israelenses mortos atingidos pelos foguetes lançados do outro lado da fronteira. O estado judeu fala de “assassinatos seletivos”, mas a proporção de mortes é vergonhosa: 30 para 1, sendo 40%, de mulheres, idosos e crianças palestinas, o que revela, mais uma vez, a desproporcionalidade da brutalidade de Israel.
Nesta quarta-feira, mediado por representantes dos Estados Unidos, do Egito e de mais de 50 países muçulmanos, foi anunciado um cessar-fogo. Mas os detalhes do acordo ainda não foram divulgados. Sabe-se, por ora, que o bloqueio econômico imposto por Israel a Gaza continua.
O cessar-fogo, no entanto, está longe de resolver os problemas do povo palestino. Incontáveis famílias ainda tentam fugir de Gaza, amedrontadas pelas bombas e pelos panfletos lançados esta semana no norte pela aviação israelense, recomendando à população que deixe a região, porque ela seria atacada.
Nos hospitais de Gaza, a situação é ainda mais desesperadora. O bloqueio naval e aéreo e o fechamento comercial da área desde 2005 impedem até mesmo que equipamentos médicos, remédios e ajuda humanitária cheguem à população palestina. Ou seja, por mais que os bmbardeios parem temporariamente, os palestinos já atingidos continuarão a morrer. Assim, em pouco mais de 360 km quadrados, mais de 1,6 milhão de pessoas lutam pela vida.
Os últimos conflitos em Gaza tiveram início depois que um grupo de adolescentes ligados aos “Comitês de Resistência Popular” lançou pedras e paus contra uma patrulha do Exército de Israel na fronteira, composta de quatro carros blindados. A patrulha israelense invadiu o território de Gaza e atirou no grupo de adolescentes. Um menino de 12 anos morreu. Organizações palestinas em Gaza lançaram então foguetes – e não mísseis – sobre Israel, sem fazer vítimas. E então Israel respondeu com ataques aéreos e mísseis, em larga escala, atingindo alvos do Hamas, de outras entidades de resistência e a população civil. Um dos mortos nos ataques de Israel foi o Comandante do Hamas Ahmed al-Jabri, que vinha negociando um acordo de paz. A situação saiu então de qualquer controle.
É importante lembrar que a volta dos ataques ocorreu às vésperas de o Presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmud Abas, do Al Fatah, apresentar na ONU o pedido de admissão plena da Palestina. A agenda está prevista para o dia 29 de novembro, e tudo indica que a Assembléia Geral da ONU aprovará a entrada. A admissão da Palestina permitirá, por exemplo, que seu governo coloque Israel nos bancos do Tribunal de Haia, ou então peça a formação de uma força de paz da ONU no território, além, claro, de passar a receber os impostos e recursos da Palestina e Gaza, que hoje são recolhidos por Israel. Mahmoud Abbas afirmou que a violência na faixa de Gaza visava afundar seu plano de uma solução diplomática para a região.
O primeiro ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, já se mostrou contrário a um tratado de paz definitivo e afirmou sua vontade de derrubar a Autoridade Palestina, inclusive liquidando sua direção, se o país se tornar membro das Nações Unidas. Como precisa de força para resistir a uma eventual pressão da ONU, Netanyahu, além dos ataques, convocou eleições gerais em Israel para janeiro e anunciou a aliança de seu partido com o líder de extrema-direita Avigdor Lieberman.
A verdade, senhoras e senhores deputados, é que os palestinos já tentaram de três maneiras diferentes se libertar da ocupação de Israel: as armas, a diplomacia e a resistência não violenta. E Israel disse não às três. Em 2008-2009, durante a operação “Chumbo Fundido”, também às vésperas de uma eleição, o Exército israelense matou 1.500 palestinos. E, apesar do cessar-fogo, também conseguido na época por intermediação egípcia, e respeitado pelos palestinos até o assassinato do líder do Hamas, os ataques de Israel continuaram.
Já passou da hora, portanto, de a comunidade internacional exigir o fim desta onda de violência criminosa e punir Israel pelos ataques indiscriminados contra a população civil. É urgente também acabar com o bloqueio à Faixa de Gaza e cumprir as resoluções da ONU que apontam para a criação de um Estado palestino. Se a diplomacia não agir agora, a catástrofe será maior. Não é possível se contentar com esta trégua temporária.
Por isso, senhor presidente, estaremos, no próximo domingo, reunidos em São Paulo para protestar contra mais essa ação do governo de Israel e exigir que o governo brasileiro rompa os acordos militares com Israel, e se posicione de forma consistente no cenário internacional contra o massacre do povo palestino.
Manifestamos também nosso apoio ao Fórum Social Palestina Livre, que acontecerá em Porto Alegre de 28 de novembro a 1 de dezembro, tendo como principal objetivo a manifestação da solidariedade internacional a este povo.
Chega de bombardeios e de assassinatos! Por uma Palestina livre, soberana e em paz!
Muito obrigado.
Ivan Valente
Deputado Federal PSOL/SP

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Pondo as coisas no devido lugar - leia tudo se for capaz.


Eu fico cansado de tantas vezes explicar a mesma coisa.  E nem precisava ser eu a falar se as pessoas tivessem o hábito de ler mais e principalmente de guardar na mente as informações que recebem sem deixar se influenciar pela mídia que utiliza de seus artefatos permanentes de distração e desvirtuamento da verdade ao seu bel prazer e interesses.

Nesta última semana, alguns brasileiros declararam estar de “alma lavada” após ouvirem as sentenças que lançaram penas aos condenados políticos do processo denominado Mensalão.

Dentre elas, a mais clara e gritante, foi a pena de prisão ao ex-ministro Chefe da Casa Civil do Governo Lula, José Dirceu.

A história e vida de Dirceu é fruto de outra postagem minha, portanto não vou aqui “chover no molhado”.  Mas vou aproveitar para lembrar os possíveis visitantes deste blog, de alguns casos  de corrupção só nos últimos 20 anos e que ficaram no esquecimento da maioria, que acabam aceitando as manchetes que afirmam ser o “mensalão” o maior caso de escândalo e corrupção no Brasil.

Vamos falar em ordem crescente de valor:

18 milhões de reais – A Máfia dos Fiscais ocorrida entre 1998 à 2008 e envolvia fiscais da Prefeitura e Vereadores de São Paulo que cobravam propinas sob a ameaça de apreensão de mercadorias de comerciantes e ambulantes.

 – 55 milhões de reais – O caso do Mensalão ocorrido em 2005 onde Deputados recebiam R$ 30 mil mensais para votarem projetos da Presidência da República.  O esquema foi denunciado pelo Deputado Roberto Jefferson acusado de se envolver em fraudes nos correios.

– 140 milhões de reais – Os Sanguessugas ocorrido em 2006 envolvendo Prefeituras e Congresso.  Os parlamentares recebiam propina de empresa para favorece-la em emendas de compra de ambulâncias.

– 214 milhões de reais – O caso SUDAM (Superintendência de Desenvolvimento da  Amazônia) ocorrido entre 1998 e 1999 envolvendo o Senado Federal e a União.  Dos 143 réus do caso apenas 1 foi condenado e recorreu.  O pivô do caso, o Senador Jader Barbalho, foi reeleito em 2011.

– 610 milhões de reais – A Operação Navalha em 2007 que apurou facilitação em Licitações Públicas de Obras em que os 46 presos foram soltos.

– 800 milhões de reais – O lendário caso dos Anões do Orçamento ocorrido entre 1989 a 1992 no Congresso Nacional.  Tratava-se de emendas de Lei que emitiam dinheiro para Instituições Filantrópicas de parentes e cobravam propinas para empreiteiras.  Ficou famoso, neste episódio, o caso da lavagem de dinheiro do Deputado João Alves que ganhou diversas vezes na loteria.

– 923 milhões de reais – O escândalo do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo entre 1992 e 1999, no qual o fórum jamais foi concluído.  O juiz Nicolau dos Santos Neto (famoso Lalau), dava aval para repasses milionários para a empresa que perdeu a licitação de propriedade de Luis Estevão.

1,8 bilhão de reais – O banco Marka em 1999 envolvendo o Banco Central.  O proprietário do banco, Salvatore Cacciola comprava dólar mais barato, ao que uma CPI comprovou tráfico de influência do Banco Central.

2,4 bilhões de reais – O caso dos Vampiros da Saúde entre 1990 a 2004 onde funcionários e lobistas do Ministério da Saúde desviaram dinheiro público em fraudes de licitação na compra de derivados de sangue utilizados para tratamento de hemofílicos.  Os 17 presos já saíram da cadeia.

Nestes 20 anos, ainda tem o caso do Banestado, num montante de 42 bilhões de reais.  Tudo isso sem citar a vergonhosa compra de votos para garantir a reeleição de FHC, o absurdo processo de privatização de empresas durante o governo tucano e o caso que culminou com o impeachment do ex-presidente Collor.

Mesmo assim a mídia incorretamente destaca o processo do mensalão como o maior caso de corrupção do país.  O Supremo Tribunal Federal é ovacionado como o grande baluarte da nova era brasileira.  José Dirceu, que viveu uma história dedicada ao país, foi preso, extraditado, perdeu a família quando contou a verdade sobre sua vida, agora é condenado sumariamente enquanto políticos, dentre eles acusados contumazes de desvio de dinheiro público e suspeitos de manter contas em paraísos fiscais, estão soltos e são eleitos naturalmente.

Só queria estabelecer estes fatos e pedir aos amigos que em seus comentários, fizessem a devida justiça ao invés de simplesmente ressonar o que diz a imprensa irresponsável.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Guaranis Kaiowás

Por Frei Betto, no sítio da Adital:
Correio do Brasil - Ano XII - 4694

A Justiça revogou a ordem de retirada de 170 índios Guarani-Kaiowá das terras em que habitam no Mato Grosso do Sul. Em carta à opinião pública, eles apelaram: “Pedimos ao Governo e à Justiça Federal para não decretar a ordem de despejo, mas decretar nossa morte coletiva e enterrar nós todos aqui. Nós já avaliamos a nossa situação atual e concluímos que vamos morrer todos, mesmo, em pouco tempo”.
A morte precoce, induzida – o que nós, caras-pálidas, chamamos de suicídio – é recurso frequente adotado pelos Guarani-Kaiowá para resistirem frente às ameaças que sofrem. Preferem morrer que se degradar. Nos últimos vinte anos, quase mil indígenas, a maioria jovens, puseram fim às suas vidas, em protesto às pressões de empresas e fazendeiros que cobiçam suas terras.
A carta dos Guarani-Kaiowá foi divulgada após a Justiça Federal determinar a retirada de 30 famílias indígenas da aldeia Passo Piraju, em Mato Grosso do Sul. A área é disputada por índios e fazendeiros. Em 2002, acordo mediado pelo Ministério Público Federal, em Dourados, destinou aos índios 40 hectares ocupados por uma fazenda. O suposto proprietário recorreu à Justiça.
Segundo o CIMI (Conselho Indigenista Missionário), vinculado à CNBB, há que saber interpretar a palavra dos índios: “Eles falam em morte coletiva (o que é diferente de suicídio coletivo) no contexto da luta pela terra, ou seja, se a Justiça e os pistoleiros contratados pelos fazendeiros insistirem em tirá-los de suas terras tradicionais, estão dispostos a morrerem todos nela, sem jamais abandoná-las”, diz a nota.
Dados do CIMI indicam que, entre 2003 e 2011, foram assassinados, no Brasil, 503 índios. Mais da metade – 279 – pertence à etnia Guarani-Kaiowá. Em protesto, a 19 de outubro, em Brasília, 5 mil cruzes foram fincadas no gramado da Esplanada dos Ministérios, simbolizando os índios mortos e ameaçados.
São comprovados os assassinatos de membros dessa etnia por pistoleiros a serviço de fazendeiros da região. Junto ao rio Hovy, dois índios foram mortos recentemente por espancamentos e torturas.
A Constituição abriga o princípio da diversidade e da alteridade, e consagra o direito congênito dos índios às terras habitadas tradicionalmente por eles. Essas terras deveriam ter sido demarcadas até 1993. Mas, infelizmente, a Justiça brasileira é extremamente morosa quando se trata dos direitos dos pobres e excluídos.
Um quarto de século após a aprovação da carta constitucional, em 1988, as terras dos Guarani-Kaiowá ainda não foram demarcadas, o que favorece a invasão de grileiros, posseiros e agentes do agronegócio.
Participei, no governo Lula, de toda a polêmica em torno da demarcação da Raposa Serra do Sol. Graças à decisão presidencial e à sentença do Supremo Tribunal Federal, os fazendeiros invasores foram retirados daquela reserva indígena.
No caso dos Guarani-Kaiowá não se vê, por enquanto, a mesma firmeza do poder público. Até a Advocacia Geral da União, responsável pela salvaguarda dos povos indígenas – pois eles são tutelados pela União – chegou a editar portaria que, na prática, reduz a efetivação de vários direitos.
O argumento dos inimigos de nossos povos originários é que suas terras poderiam ser economicamente produtivas. Atrás desse argumento perdura a ideia de que índios são pessoas inúteis, descartáveis, e que o interesse do lucro do agronegócio deve estar acima da sobrevivência e da cultura desses nossos ancestrais.
Os índios não são estrangeiros nas terras do Brasil. Ao chegarem aqui os colonizadores portugueses –equivocamente qualificados nos livros de história de “descobridores” – se depararam com mais de 5 milhões de indígenas, que dominavam centenas de idiomas distintos. A maioria foi vítima de um genocídio implacável, restando hoje, apenas, 817 mil indígenas, dos quais 480 mil aldeados, divididos entre 227 povos que dominam 180 idiomas diferentes e ocupam 13% do território brasileiro.
Não adianta o governo brasileiro assinar documentos em prol dos direitos humanos e do desenvolvimento sustentável se isso não se traduzir em gestos concretos para a preservação dos direitos dos povos indígenas e de nosso meio ambiente.
Bem fez a presidente Dilma ao efetuar cortes no projeto do novo Código Florestal aprovado pelo Congresso. Entre o agrado a políticos e os interesses da nação e a preservação ambiental, a presidente não relutou em descartar privilégios e abraçar direitos coletivos.
Resta agora demonstrar a mesma firmeza na defesa dos direitos desses povos que constituem a nossa raiz e que marcam predominantemente o DNA do brasileiro, conforme comprovou o Projeto Genoma Humano.

sábado, 3 de novembro de 2012

Dia de Finados



“Há tempo para plantar e tempo para colher. Há tempo para chorar e tempo para sorrir. Há tempo para nascer e para morrer”(Eclesiastes). Vivemos com a ajuda do dinheiro, inegavelmente, o que colabora para sermos felizes nesta vida. Entretanto, o dinheiro não é tudo. Um autor desconhecido escreveu certa vez: “O dinheiro pode comprar a cama, mas não compra o sono; uma casa, mas não um lar; o remédio, mas não a saúde; um lugar no cemitério, mas não no céu.”. Se você como eu crer, pense nisto no decorrer da vida.O dia de Todos os Santos comemorado ontem nos remeteu à nossa vocação universal: sermos santos como o Pai é santo. Aliás, o apelo à santidade perpassa toda a Bíblia. O que é, porém, a santidade? Como ser santo, hoje? Santidade, antes de tudo, é um estilo de vida. Não é apenas observar normas e leis. Nem é igualmente a simples ausência do pecado. Está na caminhada, no “levanta-te e anda”, na recomendação “vai e não tornes a pecar”, na compreensão da fraqueza humana “Quem não tiver pecado atire a primeira pedra”. Santidade é viver o dia a dia no seguimento de Jesus. Caminho, Verdade e Vida numa integração total que nos leva a dizer: “Não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim”. Hoje dia de Finados. É um dia de reflexões mesclado pela saudade. Quem não tem mortos a chorar? Cemitério cheio e em cada túmulo o mesmo ritual: flores, lágrimas, orações e muita saudade. Saudade de momentos vividos, de momentos inesquecíveis, de companheirismo e solidariedade, de amor filial, maternal e paternal. Flores em abundancia. Lá estão os túmulos enfileirados, túmulos frios, nivelando pobres e ricos, doutores e analfabetos, magnatas e miseráveis. Este é o dia em que nós prestamos homenagens aos nossos entes queridos. Mesmo não estando mais presentes, eles nos inspiram a dignidade, a solidariedade, a benevolência e a eterna luta contra o preconceito, a miséria e a discriminação seguida de autoritarismo. Dois de novembro. Dia de Finados. Bate em mim uma enorme saudade diferente e sem fim. Um vazio onde o coração aperta e na mente como um teipe, passam personagens queridas que há muito não as vejo. São entes não esquecidos que nas pegadas do tempo deixaram marcas e uma solidão infinda. A saudade deixa sequelas e renasce dentro da gente uma vontade louca de rever essas pessoas que não existem mais. Caso, me fosse permitido fazer um pedido a Deus, eu pediria a repetição da cena de Betânia.Ah, quem me dera! Como eu gostaria de rever meu pai e minha mãe. Quem não tem saudades das palmadas pedagógicas do pai? Quem não tem saudades do maior e melhor colo do mundo? Saudades são flores que nunca murcham. Tenho convicção, pela confiança que tenho em Deus, que nossos entes queridos que já morreram, aqueles a quem amamos muito, continuam a nos proteger, revivendo ao nosso lado, por essa humilde e invisível presença de cada dia, de cada momento, com que iluminamos de esperança a nossa saudade. Saudade perene na eternidade. Permanente no tempo. No Dia de Finados deixemos que a esperança cristã invada nossos corações. Não morre nunca quem no coração dos outros vive. Minha mãe e meu pai estão vivíssimos em mim.

 
Manoel Antunes

domingo, 28 de outubro de 2012


Lá vou eu com minha costumeira “falação” sobre política.  Gostaria de lembrar que nem sempre consigo agradar amigos, clientes, parceiros de negócios e mesmo familiares.  Aqui fica expresso o meu ponto de vista, que pode sim ser diferente do seu, ou de qualquer outro que leia estas linhas.

No entanto é aqui, neste espaço, onde encontro a possibilidade de desaguar algumas considerações que acredito preciosas para ajudar na reflexão.

O jornal de Rio Preto (Diário da Região) publicou hoje as despesas e salários dos Deputados Federais e Estaduais que representam a região.

Realmente os custos com estes mandatos são de assustar.  Não que eu não compreenda a necessidade de alguns gastos e que também não ache importante remunerar bem um parlamentar que, afinal, cuidará de criar leis para nosso país e ajudará na fiscalização contundente do Executivo.

O fato é que, pelo valor que gastam, estão realmente fazendo isso?  E estas despesas extras (ajuda de custos)?  Quais são estes critérios, direitinho, para podermos acompanhar sua aplicação?

Cumprimento enquanto isso os que menos gastaram nesta amostragem, não querendo isso dizer que gastaram pouco.  Mas João Paulo Rillo e Edinho Araújo se comportaram muito bem perante outros como o Deputado Vaz de Lima, campeão em gastos.

Seria bom continuarmos acompanhando isso, né?

No cenário internacional, estou usando meu facebook para divulgar algumas fotos absurdos das constantes agressões silenciosas do exército de Israel contra Palestinos diariamente, longe dos holofotes mundiais e da imprensa.

Os maus tratos contra civis, idosos e crianças é cena corriqueira naquele ambiente de guerra sem fim.

Seria muito importante as pessoas se interessarem mais pela causa palestina e buscarem compreender o que realmente tem acontecido por lá.

E no Brasil o nosso Supremo virou berço de heróis. 

Incrível como uma votação destas ganha reflexos na nossa tão patriota mídia.

Queria ver nossos ministros com essa voracidade julgando o comportamento viu de instituições de comunicação que estão sempre a serviço deste ou daquele interesse particular gerando fatos e boatos que viram regra.

Já pensou o Ministro Barbosa tendo que julgar os criadores do Caçador de Marajás que depois virou bode expiatório e criadores de tantos outros casos abomináveis de desvirtuação da notícia.

E respondendo aos amigos que insistem em me questionar os motivos de eu defender o mensalão.

Eu não defendo o mensalão ou qualquer outra prática de desgoverno ou irresponsabilidade administrativa. 

Não defendo corrupção em nenhuma de suas formas.

Apenas explico os fatos como o são, longe da avaliação da oposição e sobretudo longe do discurso midiático.

Apenas questiono o peso que está sendo aplicado a este caso em particular em detrimento a tantos outros que nossa história já viveu, alguns dos quais até hoje sem julgamento.

Questiono que comparação há entre os Dirceus da vida e o senhor Maluf, por exemplo, que continua disputando eleições.

Questiono os malefícios do mensalão comparados aos malefícios da privataria tucana ou mesmo do mensalão tucano que ainda não foi julgado.

Enfim... queria um pouco de bom senso generalizado e não só ressonância de gente que nem sequer sabe o que está falando quando simplesmente repete as “contigo” da vida.

É preciso muito mais coragem para remar contra esta maré populista e hipócrita do que para fazer show para a mídia e os paparazzis de plantão.

Sem nenhuma comparação, mas seguindo a lógica de raciocínio por semelhança é como se alguém no meio da plateia gritasse para soltar o Cristo enquanto todos os judeus, articulados e regidos pelos fortes do Sinédrio, gritavam “Soltem Barrabás”. 

Qual é o grito mais corajoso?

Mas repito.  Não há santos ali neste imbróglio.  E cada um deverá pagar por sua ação ou omissão.  Mas que não se faça disso um falso episódio das “Bruxas de Salém”.

Pra variar eu só queria ver um grande líder brasileiro reconhecendo publicamente que estas pessoas foram importantes na governabilidade no início do mandato e que, o que fizeram, o ajudou a governar. 

Será que viverei para ver esta cena?

E bom seria que, além dos que fizeram o mensalão, estivessem julgados na mesma proporção os que se beneficiaram dele.  Se cheques foram emitidos, onde estão os que receberam os cheques?

Enfim... “Tudo vale à pena se a alma não é pequena”.

Meu pequeno pedaço de mundo

Não é a primeira vez que vou abordar este assunto aqui no blog.
Moro em um condomínio de chácaras há mais de 8 anos.
Neste espaço de tempo, gente chegou e se foi.
Como em qualquer outro condomínio ou mesmo bairro, não se pode precisar que tipo de pessoa construirá ou habitará a casa ao lado.
Mas no Monte Carlo, situado entre os municípios de Guapiaçu e São José do Rio Preto, algumas coisas são predefinidas em um estatuto.
Faze-lo vigorar é que são outros quinhentos.
Enquanto a direção passada estava no controle, era possível acionar o Poder Público ou mesmo gerar certo desconforto aos moradores que achassem por bem derrubar uma árvore sem a menor necessidade.
Atualmente, após a nova administração tomar posse, não se vêm mais atitudes austeras neste sentido, o que por vezes tem me causado muito aborrecimento.
Cidadãos que estão aqui de passagem, arrancam árvores que estão a décadas servindo de descanso para aves e outros animais.  Frondosas sombras que serviam para refrescar nosso clima, sempre muito seco e quente e sobretudo para nos oferecer a paisagem bucólica que nos atraiu para cá.
Não raramente, após a devastação, estes indivíduos se vão e retornam para seus apartamentos ou residências pavimentadas, deixando-nos por legado sua passagem nefasta e egoísta.
Pior que estes, são aqueles que não morando aqui, fazem uma limpa nos terrenos e os deixam assim. Não sabemos se vão construir no local, morar, implodir, abandonar.  É o cúmulo do descaso, do desrespeito e da falta de compromisso com a natureza.
Se não gostam de tucanos e macacos, se odeiam o verde ou a paisagem natural que encontraram ao chegar, não viessem pra cá e continuassem onde estão bem.
Cercam suas propriedades com muralhas fechadas, amputam pequenos bosques de frutas sem a menor cerimônia, pavimentam as calçadas tirando deste lugar paradisíaco a condição quase que rara de um oásis no desértico clima desta região.
Ainda hoje fiquei sabendo que uma proprietária, que sequer mora no condomínio, pediu permissão para cortar duas árvores da casa vizinha, porque as mesmas estão sujando sua piscina.
Faça-me um grande favor...

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Nota de José Dirceu


NUNCA FIZ PARTE NEM CHEFIEI QUADRILHA


Mais uma vez, a decisão da maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal em me condenar, agora por formação de quadrilha, mostra total desconsideração às provas contidas nos autos e que atestam minha inocência. Nunca fiz parte nem chefiei quadrilha.

Assim como ocorreu há duas semanas, repete-se a condenação com base em indícios, uma vez que apenas o corréu Roberto Jefferson sustenta a acusação contra mim em juízo. Todas as suspeitas lançadas à época da CPI dos Correios foram rebatidas de maneira robusta pela defesa, que fez registrar no processo centenas de depoimentos que desmentem as ilaçÍ es de Jefferson.

Como mostra minha defesa, as reuniões na Casa Civil com representantes de bancos e empresários são compatíveis com a função de ministro e em momento algum, como atestam os testemunhos, foram o fórum para discutir empréstimos. Todos os depoimentos confirmam a legalidade dos encontros e também são uníssonos em comprovar que, até fevereiro de 2004, eu acumulava a função de ministro da articulação política. Portanto, por dever do ofício, me reunia com as lideranças parlamentares e partidárias para discutir exclusivamente temas de importância do governo tanto na Câmara quanto no Senado, além da relação com os estados e municípios.

Sem provas, o que o Ministério Público fez e a maioria do Supremo acatou foi recorrer às atribuições do cargo para me acusar e me condenar como mentor do esquema financeiro. Fui condenado por ser ministro.

Fica provado ainda que nunca tive qualquer relação com o senhor M arcos Valério. As quebras de meus sigilos fiscal, bancário e telefônico apontam que não há qualquer relação com o publicitário. 

Teorias e decisões que se curvam à sede por condenações, sem garantir a presunção da inocência ou a análise mais rigorosa das provas produzidas pela defesa, violam o Estado Democrático de Direito. 

O que está em jogo são as liberdades e garantias individuais. Temo que as premissas usadas neste julgamento, criando uma nova jurisprudência na Suprema Corte brasileira, sirvam de norte para a condenação de outros réus inocentes país afora. A minha geração, que lutou pela democracia e foi vítima dos tribunais de exceção, especialmente após o Ato Institucional número 5, sabe o valor da luta travada para se erguer os pilares da nossa atual democracia. Condenar sem provas não cabe em uma democracia soberana.

Vou continuar minha luta para provar minha inocência, mas sobretudo para assegurar que garantias tão valiosas ao Estado Democrático de Direito não se percam em nosso país. Os autos falam por si mesmo. Qualquer consulta às suas milhares de páginas, hoje ou amanhã, irá comprovar a inocência que me foi negada neste julgamento. 


São Paulo, 22 de outubro de 2012

José Dirceu

domingo, 14 de outubro de 2012

A morte de Fidel Castro - La muerte de Fidel Castro


No último sábado, dia 13, uma onda de boatos sobre a morte do líder cubano Fidel Castro, movimentou alguns perfis do Facebook e outras redes sociais.

Um jornalista teria dado a notícia que o filho de Fidel tratou de desmentir correndo.  No entanto, não tardou para a imprensa do México e da Argentina garantirem que é fato e que o mesmo será oficializado até a próxima terça-feira.

El Comandante Fidel Castro é uma das figuras mais extraordinárias da história recente.  Sua luta pela libertação de Cuba do julgo de Fulgêncio Batista em janeiro de 1959, libertou a ilha também da influência dos Estados Unidos que a utilizavam como Motel e centro de diversão para grandes empresários americanos.

Cuba era, em tudo, dependente do Tio Sam e por isso apresentava uma gigantesca desigualdade social com a grande maioria da população vivendo na mais absoluta miséria, sem qualquer educação.

Com a revolução, Fidel pôs fim à corrupção e implantou no país um governo socialista sob a sua régia liderança.

A revolução não foi fácil, mas surpreendente.  Fidel organizou um grupo de guerrilheiros enquanto estava exilado no México.  Com cerca de 80 combatentes, instalou-se em 1957 nas florestas da Sierra Maestra.

Muitos guerrilheiros morreram em combates com as forças do governo, outros tantos foram presos.  Mesmo assim, Fidel que contava com a ajuda de Ernesto Che Guevara, não deixou o grupo desistir.  Os guerrilheiros usavam o rádio para transmitir e divulgar as idéias revolucionários e com isso passaram a contar com o fundamental apoio de toda a população cubana.

Diante de um salário extremamente baixo, desemprego alto, falta de terras, analfabetismo e doenças em demasia, a população aderiu e um número imenso de camponeses e operários entrou firmemente para a guerrilha.

Aos poucos foram tomando as cidades e dizimando o exército de Batista que acabou fugindo de Cuba.

Numa política corajosa, Fidel nacionalizou bancos, empresas, fez a reforma agrária com a expropriação dos grandes latifúndios, reformou o sistema de educação e saúde.

Com isso, passou a contar com o apoio da União Soviética e portanto a perder qualquer apoio ou simpatia dos Estados Unidos, que desde então promoveu a maior contra propaganda já vista durante e depois da Guerra Fria.

O embargo econômico promovido pelos Estados Unidos é tão forte, que se um navio aportar em Cuba, não poderá aportar nos Estados Unidos.  A ilha passou a contar apenas com recursos próprios, principalmente com o final da União Soviética em 1989.

Mesmo assim, Cuba zerou o índice de analfabetismo e apresentou para o mundo uma medicina referencial.

Pela austeridade da política adotada e pelo combate violento aos opositores do regime castrista, há uma imensa crítica por parte da maioria dos países que acusam Fidel de ditador e não aceitam o sistema eleitoral de Cuba que tem confirmado o presidente no Poder até 2007 quando extremamente doente, o comandante foi substituído por seu irmão Raul Castro.

Fala-se de Cubanos que abandonam a Ilha por conta de perseguição política, pois o Governo Norte-americano adora divulgar quantos deles tentam entrar no seu território recebendo-os como heróis enquanto prendem, perseguem e matam outros estrangeiros que tentam o mesmo.  Um número muito maior (proporcional) de Mexicanos tenta atravessar a fronteira diariamente e não se fala nada sobre o regime mexicano.

Há um pavor por parte das gerações que cresceram durante a contra propaganda americana, quanto ao nome do grande líder, mas ninguém sequer sabe dizer o motivo.

domingo, 30 de setembro de 2012

Fenômeno


Uma amiga foi logo “chutando o pau da barraca”... E concordo com ela.  Pra quem se viu envolto com travestis em um motel, mostrar um pouquinho de banhas na TV não é nada.

Mas na verdade, Ronaldo Fenômeno é um cara que todo mundo gosta e para nós, corinthianos, poder contar com sua passada pelo time, onde encerrou a carreira é uma honra.

Domingo passado, ao vê-lo num programa de televisão que julgo bastante vazio (em que pese o tempo que fica no ar), lamentei o fato de ele estar se dispondo a um papel desnecessário, qual seja, realizar publicamente, esforços para emagrecer.  Pior que isso, exibir ali algumas fragilidades e intimidades.

Pareceu-me, de cara, uma autopromoção de alguém que já fechou e com “chave de ouro”, sua carreira estelar como jogador de futebol.

Quem sabe, pensei eu, tratar-se de Assessores de Imprensa ou agentes, que de forma imprudente o fariam passar por esse desgaste.

Mas hoje, ao conversar com uns e outros, desmantelei minha quase decepção.  Ronaldo estaria, segundo algumas opiniões, prestando um serviço à saúde e dispondo-se a ser exemplo perante seu público e seus fãs.

Vamos então pensar assim, mas me privarei de vê-lo em cena fazendo este personagem que não combina muito consigo.

AVA - Associação de Viajantes da Araraquarense


Ainda hoje, quando chega outubro eu me lembro de instantes preciosos na infância quando eu e outros amigos festejaríamos, com nossas famílias, o dia do Viajante Comercial na AVA – Associação de Viajantes da Araraquarense.

Bastante ativo, o clube fora dirigido por alguns dos amigos preciosos de meu pai, dentre eles Carlos Feitosa, ex-vereador rio-pretense.

Na época, meu próprio pai pertencia aos quadros diretores da agremiação que, além de defender e lutar pela classe dos viajantes, representantes comerciais e vendedores em geral, realizava grandes bailes na cidade de Rio Preto.

Os jantares da AVA faziam sucesso e no dia 1º de outubro, era famosa a “carreata” em comemoração ao dia do viajante comercial.

Saudades do clube que hoje já quase não tem patrimônio e o pouco que tem está cedido ou alugado para um banco e um estacionamento.

Lamentável a situação da mesma.  Faz falta.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

E-mail e corporações


Um dos maiores desafios da administração moderna é poder identificar as pessoas certas para comporem o quadro de Homens de confiança da empresa.

Geralmente há pessoas com qualidade de caráter, mas lhes faltam profissionalismo e eficiência.   Outras são ótimas no que fazem, mas sua índole é horrível.   Ou seja, não é raro existir certa dificuldade de se encontrar alguém que é ótimo profissional e ao mesmo tempo, uma pessoa de bom caráter.

Avaliar diariamente o comportamento do segundo escalão era fácil antigamente, quando se tinha um contato mais direto com o funcionário.

Hoje, com o advento do computador, tudo é tratado por e-mail. 

Colegas se falam num mesmo prédio, sem levantar de suas mesas e não é pelos ramais telefônicos, onde pelo menos a voz era sentida.

A relação ficou completamente desumana e conseguimos despedir uma pessoa sem que essa sequer saiba se estamos suando frio ao faze-lo, ou gostando da atitude.

Há quem defenda que a comunicação está presente 80% nos gestos.  Imagine quanto se perde num e-mail onde só há palavras escritas.  Sem voz, sem olhar, sem gestos.

Mas o e-mail está em ordem.

Em certas corporações, o bom funcionário é aquele que responde rápido e a todos os seus e-mails.  Ele nem precisa ter opiniões formadas, desde que apresente respostas prontas e curtas para mostrar a todos e aos chefes que está lendo e acompanhando as determinações.  Um “yuhuu” já o coloca na frente daqueles que preferem debater melhor o assunto antes de simplesmente assentir ou concordar com tudo.

Mas qual é o grande diretor (se verdadeiro profissional) de um negócio que não gosta de ser contrariado?  Não é na dialética que se aperfeiçoam as ações e muitas vezes se afiam as opiniões?

Jack Welch, o CO mais respeitado do mundo corporativo afirma categoricamente que prefere contratar pessoas inteligentes, que pensam, que debatem e que, vez ou outra, o fazem mudar de idéia. 

Claro que nem sempre estão certos, mas o projeto nunca fica como o original, segundo ele e recebem acréscimos pra lá de interessantes.

É o próprio Welch que rebate o uso do e-mail pra tudo.  “Falta o olho no olho entre os colegas e para com os clientes.”

Eu enfim concordo plenamente com ele.  Hoje, ninguém mais fala com ninguém ou telefona. 

Em que pese a tecnologia ser indispensável, se você quiser se destacar como profissional deve estar atento para entender as ferramentas disponíveis no campo da informática e sobretudo, evitar ao máximo rebater ou prolongar discussões.

Uma pena, já que as pessoas não são eletrodomésticos ou aparelhos pré definidos para dizer isso ou aquilo, mas mentes brilhantes e com potencialidades inimagináveis.

Se o líder souber aproveitar essas potencialidades, sua equipe jamais será igualada.

Organizado por Estudantes


Estamos bastante próximos do dia 7 de outubro, momento em que, mais uma vez, escolheremos o prefeito e vereadores de nossa cidade.

Ontem, estive presente em um debate organizado por estudantes da Coopen em São José do Rio Preto, com os candidatos a prefeito da cidade.

A iniciativa é louvável, pois sei das dificuldades de se organizar um evento como tal.

Pra variar, o atual prefeito Valdomiro Lopes, apontado pelas pesquisas como “já eleito” no 1º turno, mais uma vez não compareceu evitando o olho no olho com as pessoas.  Estratégia de marketing?  Compromisso anterior?  Não há marketing melhor do que o debate, quando se é articulado e se tem conteúdo para expor e enfrentar.  E não há compromisso mais importante em um processo eleitoral que o debater das idéias livre dos roteiros de TV.

Fica aqui o meu repúdio a esta atitude.  O pessoal da cúpula da campanha do candidato ausente sequer teve a preocupação em enviar uma justificativa ainda que “amarela”.

Mas valeu pela oportunidade de se fazer perguntas da plateia.  Mandei logo a minha sobre o comprometimento do candidato com a sociedade organizada.  Associações, conselhos e outras ferramentas de representação popular.  Respondido por Rillo, o questionamento evidencia seu compromisso com as bases o que me deixou muito feliz.

Na contrapartida, ficou evidente que a atual administração conseguiu cooptar ou destruir a organização popular que existia antes.

O Governo no qual participei, do então prefeito Edinho Araújo, foi marcado pela organização das Associações de Moradores de Bairros, Fórum de Associações e Conselhos.  Hoje, o prefeito manteve apenas os conselhos obrigatórios (Segurança, Educação e Saúde), deixando claro que em todos eles a truculência é visível.

Algumas coisas no debate me chamaram a atenção:

1 – Bellodi se esforçou muito para derrubar a pecha de candidato de direita.  Mas não tem jeito.  Seu discurso de conciliação entre Capitalismo e Socialismo não decolou.  Bem articulado, o candidato é bom de discurso e ainda vai se destacar muito na política local.

2 – Manoel Antunes continua firme em seus propósitos e mais combativo que nunca.  Uma pena não ser candidato a vereador, pois seria o mais votado e sua presença na Câmara a garantia de fiscalização contundente.

3 – João Paulo Rillo conta com a forte e grande militância do PT e seu segundo lugar nas pesquisas podem fazer o quadro reverter caso a disputa vá para o segundo turno.  Melhor em argumentos e um debatedor nato, João diante de Valdomiro no mano a mano não vai deixar sobrar ossos do outro candidato.

4 – Marcelo Henrique fez um excelente trabalho de divulgação dos ideais de esquerda, representando muito bem seu partido PSOL, que sai fortalecido e os demais companheiros do PCB e PSTU.  A exemplo do que fez Plínio de Arruda na campanha para presidência, não desviou a atenção do propósito principal um só momento durante todo o processo.

Por estas e outras que lamento a opção dos rio-pretenses.  Mas é como salientaram amigos, como meu colega Eduardo Pirré.  “Só se fala em educação profissionalizante e em formar o Homem pra trabalhar.  Não o ensinam a pensar”.  Um outro próximo arrematou: “Por isso muitos votam em Valdomiro, pois não aprenderam a pensar”.   Valter de Lucca, presidente do PCB e candidato a Vice na chapa de Marcelo finaliza: “Quando o tema é educação, pensam no Homem apenas do pescoço pra baixo”. 

E viva a democracia!

terça-feira, 25 de setembro de 2012


Como Deus queria que as crianças aprendessem a ser fortes,

E que não tivessem medo se as coisas dessem errado,

Ele pôs em cada coração um desejo de fazer parte,

De pertencer a um lugar onde todos se sentissem necessários – e ainda assim – livres...

Então acrescentou paciência, confiança, aceitação, amor sem egoísmo, carinho e devoção, num lugar onde a discussão é natural, a alegria é fundamental e a harmonia brilha...

E chamou sua grande dádiva de família.

domingo, 23 de setembro de 2012

Sinceridade


Quando conversamos em um encontro casual, eu e você, algumas coisas podem ficar no campo do fingimento.

Eu finjo que acredito naquele peixão que você fisgou.  Você finge que acredita naquela história que eu contei sobre a garota que flertou comigo naquela festa. 

Mas tem coisas, numa conversa entre nós, que não ficam no campo do fingimento.  Elas entram no campo da sinceridade, pois não há como acreditar no diferente.

Exemplo: não adianta eu dizer o contrário.  Você sabe que gosto de ser bem atendido quando chego em uma loja, em um banco.

Assim, eu também sei que você gosta de ser tratado com respeito e agilidade quando chega com seu filho, que não está muito bem, em uma unidade básica de saúde.

Eu sei que você quer que seu filho tenha uma educação completa na escola pública, que lhe garantirá oportunidades de formação no futuro.

Estas e outras coisas são verdades que não adianta fingir.  Não entre nós. 

Pois bem.  Eu sei que você quer que seja prefeito de nossa cidade uma pessoa séria, responsável, honesta, combativa.  E eu também sei que você sabe que essa pessoa é João Paulo Rillo.  Sendo assim, pra que fingir?

Vamos ser honestos um com o outro?

Segundo Turno


Ah... hoje foi a glória de alguns amigos em Rio Preto que insistem em acreditar que votar no “poder reinante” é garantir-se na elite dos eleitores.

É tão irracional o pensamento do “perder o voto” que eu sinceramente não consigo acreditar que haja pessoas que ainda pensem que votar legal é votar em quem vai vencer.

É como torcer para um determinado time só porque está ganhando.  Não se tem nenhuma emoção nisso.

No caso da eleição, isso é ainda pior, afinal de contas, o voto não tem nada de comparável a um jogo.

Os jornais soltaram a pesquisa que mostra, por enquanto, uma vantagem que daria a vitória já no primeiro turno ao candidato Valdomiro, atual prefeito.

Eu insisto que o 2º turno é importante, pois proporciona um debate mais justo, de igual para igual, olho-no-olho, “mano a mano”.

Mesmo tempo de televisão e as atenções da população voltadas para um ou outro.

Se os eleitores entenderem esta importância, mesmo com suas preferências, vão proporcionar esta oportunidade.  Se o seu candidato for mesmo fruto de uma escolha consciente, ele será confirmado pelos eleitores que já definiram.

Enfim, não há nada a perder.

Por isso é importante agora que todos possamos aderir a esta proposta.  Que a eleição alcance o 2º turno.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Ainda Resta uma Luz

 

Foi um sucesso a festa de lançamento do livro Ainda Resta uma Luz de meu pai, Carlos Alberto Gomes.

Em conversa com os entendidos no assunto, o público surpreendeu e a obra, pelo seu conteúdo voltado ao romantismo, abre espaço para quem sente falta do gênero.

“Autoajuda, magia e mesmo biografias, estão sempre em evidência e isto deixa vago um espaço para leitores que preferem histórias mais próximas com a realidade de suas vidas”, afirmou um grande amigo e amante da boa literatura.

Amigos, parentes e alguns frequentadores da livraria prestigiaram a noite de ontem na Nobel em Rio Preto.

“O tio Carlos me ligou e fiquei surpreso, pois não sabia deste talento. Não deixaria de vir saudá-lo por este trabalho tão bonito”, arremata um sobrinho.

O livro continuará exposto e comercializado na loja Nobel do Plaza Avenida Shopping.

Carlos Gomes que já é autor de diversas poesias, algumas publicadas em coletâneas, está preparando outros títulos. 

Sua infância em cidade pequena, um casamento feliz e a ligação com a educação (aposentou-se como diretor de escola), juntam-se ao convívio diário com a natureza, onde mora, para ajudar na sensibilidade que gera o amalgama às suas ideias.
 
Como filho e admirador, receba meus cumprimentos pela coragem, determinação e qualidade do trabalho.

A rainha caipira.

A partir de hoje, me dedicarei a publicar, de quando em quando, contos e crônicas escritos por meu pai, Carlos Alberto Gomes, que assina com...