segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Se acha novo, mas é o mesmo de sempre.

Enquanto a mídia distraia a população tentando "enfiar" goela abaixo da opinião pública uma visão de polarização eleitoral entre os candidatos Lula e Bolsonaro (esquerda e direita), testava em silêncio algumas figuras para correrem por fora no próximo pleito.  Dentre elas, o prefeito de São Paulo e o apresentador Huck, que não colaram de jeito nenhum.  Aliás, graças a Deus.
Moral da história, restou-lhes apelar para os tradicionais candidatos da sua preferência. 
É inegável o quanto tucanos estão na lista dos "mais bem-vindos" de alguns setores que controlam a comunicação no país.  A nossa sorte é que estes cidadãos estão decrépitos, seja na própria condição física, quanto nas ideias que defendem.
O ex-candidato Aécio Neves não consegue se sustentar nem para síndico de prédio.  Sua única força é mesmo dentro do próprio partido, onde alguns aliados ainda o mantém vivo, sabe-se Deus por que. 
José Serra, comprovadamente não agrega simpatia de ninguém e não resistiria a um debate onde suas vitrinas já trincadas se romperiam definitivamente.
Sobrou o governador paulista, que embora inteligente, tem uma vaidade que supera esta qualidade. Mesmo diante de um péssimo governo à frente do Estado de São Paulo, acredita que conseguirá se impor aos seus correligionários.  E penso mesmo que consegue.  Mas só ali, no ninho tucano. Só não vai conseguir convencer o norte e nordeste brasileiros de que é capaz de administrar a nação.
O PSDB está tão desarrumado e encrencado como qualquer outro dos partidos enlameados que a gente vê na TV.  A diferença é que a mídia e parte da justiça, que servem aos mesmos interesses, o deixam isento de prisões chamativas e aliviam noticiários resvalando apenas em fatos que os envolvem.  Com isso, a legenda ganha uma sobrevida, que se colocará aos eleitores como "o diferente", ou a terceira via.  Aquele que não é lá, nem cá.
O fato, no entanto,  bem diferente disso é que o PSDB tem lado sim.  E atualmente, seu lado é o mesmo de Temer.  Jogou em seu favor para livrá-lo das acusações e investigações.  Joga em seu favor na aprovação de projetos insanos, entreguistas e inimigos da classe trabalhadora.  Coloca soldados dentro do governo, participando das benesses do poder e regalias do grupo intocável.  E faz amarras perigosas com agentes de fora.
Penso que assim que Geraldo sair às ruas, irá experimentar um dissabor imenso, qual seja o de perceber que certas coisas não colam mais para o público.
Por mais acomodado, silente e imobilizado que o povo esteja, a temperatura está alta e o estopim está curto.  Colocar-se em público com aquele seu discursinho fácil e o sorriso maroto de sempre, no meio das multidões, pode lhe ser bastante arriscado.
Mesmo que parte dos brasileiros, hoje "ferrados", pareça estar feliz, porque tirou o PT do governo, também é nítido que não quer graça com o partido de FHC e outras figurinhas carimbadas da má gestão.
Esta tolerância momentânea de nossa gente aos desmandos de Temer e sua galera (que inclui os tucanos) é simplesmente, embora equivocada, pelo fato de acreditarem que o governo está no final.  Só que um ano de Temer tem valido 100 em retrocessos e ladroagem, custando muito caro às futuras gerações e de certa forma, já à nossa.

sábado, 9 de dezembro de 2017

O anúncio de Bilac

Contam este fato como tendo ocorrido de verdade.
Não tenho como garantir, mas vale até pela sua mensagem.
Consta que um comerciante qualquer, procurou certa vez o poeta Olavo Bilac para encomendar-lhe um anúncio.

– Sr. Bilac, estou precisando vender o meu sítio. Será que poderia redigir o anúncio para o jornal? 

O poeta então teria anunciado:

"Vende-se encantadora propriedade, onde cantam os pássaros ao amanhecer no extenso arvoredo, cortada por cristalinas águas de um ribeirão. A casa é banhada pelo sol nascente, oferece a sombra tranquila das tardes, na varanda".

Tempos depois, ao encontrar o comerciante, ocasionalmente, Bilac lhe perguntou se havia vendido a propriedade, ao que foi surpreendido com a resposta:

– Nem penso mais nisso! Quando li seu anúncio foi que percebi a maravilha que eu tinha!

É... Tem muita gente assim com relação a saúde, empresa, família, esposa (marido) etc.  É preciso olhar com olhos externos para valorizar o que já possui.

domingo, 26 de novembro de 2017

San Martin: Seguros, Franquias e Sucessos.

Rumo aos novos tempos, prometidos pela renovação de conceitos a que abraçou a empresa, a San Martin Corretora de Seguros se prepara para uma revolução a marcar seu 4º ano de atuação no franchising brasileiro.
Após duas décadas como corretora convencional de seguros, a San Martin se lançou no mercado de franquias em início de 2014.  De lá pra cá, seu crescimento foi incrível e hoje está em mais de 280 municípios brasileiros, com seus quase 300 franqueados.
Sim é verdade que alguns vieram e acabaram não se adaptando ao ramo.  Como outros que necessariamente foram distratados pela gestão da marca por prática não permitida.  E deste modo, com um crescimento mais assistido e bastante sustentável, a rede chega agora a sua maturidade.
No segundo ano realizou sua primeira convenção nacional de franqueados, na própria cidade sede, São José do Rio Preto, com cerca de 180 presentes. Este ano foi a vez do primeiro congresso nacional em São Paulo, avenida Paulista, que já congregou um número bastante maior de participantes.  Foram 268 unidades presentes.
Em 2018 a marca reunirá seus franqueados em um navio, no litoral brasileiro, para três dias de debates e confraternizações onde toda a família dos participantes também está convidada a estar presente.
Mas além desta parte mais ostensiva de participação, vale dizer que não há descanso nos escritórios da franqueadora, num prédio de 5 pavimentos na principal avenida da cidade, onde cerca de 70 colaboradores se dedicam diariamente aos mais diversos formatos de suporte aos franqueados.
Logo no térreo, uma equipe comercial cuida dos produtos financeiros, uma inovação entre os corretores de seguros.  Financiamentos, refinanciamentos, microcréditos, empréstimos consignados e consórcios, compõem este portfólio. Apesar de vida própria, o Banneg, marca detentora destes produtos e que é do mesmo grupo da San Martin, disponibiliza aos franqueados da marca irmã, essa grande gama de soluções para comercializarem junto aos mais de 120 produtos no ramo de seguros que já praticam.
Ainda no térreo, funciona o Departamento de Apoio de Vendas, composto por técnicos que calculam, aplicam descontos, vasculham o melhor modelo para a necessidade dos clientes e controlam a produção de seguros de toda a rede.  O departamento ajuda a assistir as renovações de apólices a vencer e ficam de olho no crescimento da carteira.
Salas de reuniões, cozinha e convivência, preenchem o resto do espaço.
Já no primeiro andar estão os departamentos ligados ao Administrativo da empresa.  O Jurídico, cuja atuação não se limita às questões internas, mas oferece também auxilio e orientações a franqueados e segurados que o necessitem.  O Departamento Financeiro que cuida da gestão financeira da franqueadora é vizinho do Departamento de Operações que lança, cobra, acompanha e repassa as comissões de toda a rede e acompanha inda a emissão de boletos dos contratos de seguros, garantindo-lhes também o recebimento.  Por fim, compõe o primeiro andar a Diretoria Administrativa que também gerencia e fiscaliza as atuações dos demais setores negociais.
No segundo andar estão a expansão, responsável pela capilaridade da empresa e a Inteligência que congrega Marketing, TI, o SAF e a Academia Corporativa.
Inovador e bastante preparado, o grupo de marketing da empresa está colocando a empresa bem a frente de seu tempo.  Na utilização do marketing digital, no aprimoramento do próprio conceito da marca e na reforma de toda a identificação visual, prepara infográficos e ferramentas de auxilio imediato e eficiente na conquista de mais Mercado para o desfrute e aplicação dos franqueados.
O TI gerencia a segurança da rede, e-mails, mecanismos de comunicação interna e externa e ainda os sistemas terceirizados.  O de gestão de carteira, a que todo franqueado tem acesso para visualizar sua produção e a situação de seus clientes, o recebimento de comissões etc. e os sistemas de apoio técnico.
A academia, chamada de UNISAN, oferece cursos variados EAD de produtos, técnicas comerciais, orientações variadas, tutoriais e um arquivo de áudios conferências, entrevistas e palestras de diversos especialistas nas áreas e produtos comercializados pela marca.
Bem junto da UNISAN está o SAF, responsável por socorrer os franqueados em casos de dúvidas específicas quando dispostos à frente de seus clientes, na rua, em ambiente que não lhes proporcione a consulta à UNISAN ou área restrita dos franqueados no site.
No mesmo andar também podem ser encontrados os dois sócios da empresa, cujas salas são acessíveis a qualquer colaborador ou visitante do prédio.
É no terceiro andar, no entanto, que o "bicho pega".  Lá está o Departamento Técnico que cuida das efetivações, acompanhamento de apólices, atendimento de sinistros e implantação dos seguros recém produzidos.  Com certeza, o mais importante dos andares.
Também no terceiro andar funciona o estúdio de gravações onde são produzidos vídeos e estão os equipamentos de informática, segurança e TI.
O último andar, com capacidade de 40 pessoas confortavelmente sentadas é composto por um auditório no qual se ministram os treinamentos iniciais de novos franqueados, bem como reuniões gerais de colaboradores ou mesmo de atendimento a franqueados visitantes.
Mas a empresa não se limita a estrutura física.
Mais de 30 das mais sólidas companhias de seguros do Brasil são fornecedoras dos nossos produtos e sua parceria é umbilical.  Bancos e financeiras também empresam seu prestígio para a consecução de vendas dos produtos financeiros.
Vídeos, imagens, material gráfico, uniformes e outros instrumentos reforçam este apoio e suporte.
Mas e o lado de lá?  Como operam os franqueados da rede San Martin?
Trabalhar com vendas não é pra qualquer um.  Isso é deixado bem claro já no primeiro dia de treinamento presencial.  Inclusive, os franqueados são levados à rua em dos momentos deste treinamento para testarem seu "corpo a corpo" com pessoas estranhas.
Quase sempre o resultado é muito bem avaliado por eles que vêem quebrado o paradigma de timidez ou de má receptividade das pessoas em geral, que trazem de casa.
Mas isto não basta.  É preciso se familiarizar com termos específicos do ramo, conhecer o básico do Mercado de Seguros, ser apresentado às ferramentas e sistemas de apoio e por fim planejar-se para uma atuação concreta e diferenciada, já que o Mercado de Seguros é um ambiente enormemente competitivo.
Tudo isso faz parte desse encontro de 5 dias úteis (uma semana inteira) na sede da empresa logo que a unidade franqueada é adquirida.
O resto da transferência de know-how se dará permanentemente via UNISAN e mesmo nas constantes áudios, reuniões e encontros regionais.
E por falar em encontros regionais, este é outro diferencial da marca.
A San Martin opera com Máster-Franqueados.  O franqueado máster é um franqueado habitual que investiu um pouco mais e portanto tem por baixo de seu "cobertor" várias unidades de uma determinada região a assistir.  A elas deverá apoiar, ajudar e orientar, acompanhando-lhes o desempenho, em contrapartida de uma remuneração da franqueadora.  Cabe também ao máster o aumento da capilaridade daquela região na qual está inserido.
Num país de grandes proporções territoriais como o Brasil, poder contar com este escritório de apoio regional faz destacar o nível de preocupação da San Martin na gestão do todo.
Os franqueados, aos poucos, vão entrando no clima.  Entre negócios conquistados e frustrados, vão vendo crescer as possibilidades de ganho.  Assim, enquanto uns desanimam a ponto de desistir, boa parte progride. Saem da condição "home" operando da própria casa, para escritórios e lojas de rua.  Adquirem uma segunda unidade e ainda almejam subir no conceito entre seus pares.
É o que será proporcionado a partir de janeiro com a inauguração do grupo denominado "premium".  São franqueados especiais que, atingindo um determinado número de pontos, acessam a condição de deterem mais privilégios junto a marca, que irão de descontos nos royalties, até autoridade para finalizarem seus contratos com senhas especiais.  Os franqueados premium contarão ainda com atendimento por canal exclusivo e mais ágil de suas necessidades.
São incontáveis os diferenciais que foram agregados ao negócio desde seu início em fevereiro de 2014 (ano de lançamento da marca no franchising) para os dias atuais.
E não param aqui as novidades.  Contratado e criado há mais de um ano, estão sendo finalizados os testes de um aplicativo inteligente que permite a agilidade no atendimento ao cliente, a visualização dele próprio de seus contratos e ainda a possível indicação de seus amigos para a rede, aumentando a capitação de segurados para o franqueado.
Por tudo isso, investir na San Martin é uma "grande tacada" e nos próximos meses, poderá trazer aos seus ingressantes a possibilidade de um ano muito diferente nas suas vidas profissionais.




sábado, 21 de outubro de 2017

Contraditórios

I -

Estes dias me deparei com uma pergunta muito cruel:

"Não é incoerente um empresário se dizer comunista ou de esquerda?"

É sou empresário.  Tenho uma corretora de seguros que também é uma franqueadora, tenho uma intermediadora de negócios, que também é franqueadora, uma consultoria empresarial e uma empresa recém montada de atendimento assistencial. Todas com um sócio. Mas que fique bem claro: ser empresário não é sinônimo de ser rico ou ser acumulador.  Não sou rico, nem acumulador.  Que bom!

Eu tenho sempre muito cuidado em não transparecer perfeição, pois não sou perfeito e muito menos tenho esta pretensão.  Por isso também jamais me disse comunista, mesmo tendo participado da reorganização e depois dirigido o PCB em minha cidade.  Tenho aliás enorme simpatia por partidos de esquerda como PCO, PSTU, PSOL, PCdoB e sou, até o momento, filiado ao PT. É... me considero de esquerda.
Para mim, por exemplo, desigualdades sociais são injustas, inadmissíveis e nada cristãs.  As combato com veemência.  Acho abominável o analfabetismo e a desinformação sendo usados como meios de dominação. 
Penso que haverá um dia, no futuro, em que o Homem viverá  com mais dignidade, onde servir seja uma honra, uma prova de afeto e não mais uma necessidade ou obrigação. 
Acredito ainda que qualquer preconceito é desvio mental, problema a ser tratado como doença de fato.  Acho o mando, fruto de insegurança, de maldade irracional ou simplesmente falha de caráter.

Pois bem.  Como conciliar isso com minha atividade atual?

Moro em meio ao capitalismo, mas mesmo como empresário, tenho apenas salário fixo e mensal.  Jamais faço de possíveis lucros ou ganhos inesperados da corporação que ajudo a dirigir, uma nova forma de renda particular.  Em nossas empresas (digo nossas pois tenho sócio), há comissionamento para boa parte das pessoas, uma boa participação nos resultados para franqueados e outros envolvidos.  Do que sobra disto, empregamos imediatamente na própria manutenção do negócio para permitir sua continuidade e solidez.
Tentamos promover uma política de RH bastante humana, em que pese permanecer dentro do modelo corporativo vigente.  No entanto, os colaboradores podem atestar nossos procedimentos e modo de tratar a gestão de pessoal.

Respondo a pergunta cruel dizendo que há contradições piores.  Como ser, por exemplo, um proletário favorável às desigualdades, à meritocracia, contrário à política de cotas, a programas como Bolsa Família e a outras formas de minimizar as terríveis dívidas sociais acumuladas ao longo de anos sem fim.  Também é impróprio e contraditório ser, proletário ou não, e defender a repressão, o autoritarismo, a liberação de armas ou qualquer outra proposta que ameace a vida, limite as liberdades, restrinja o pensamento ou represente algum tipo de "mando" ou exploração.

II -

Com vontade de assistir a um filme em família, convidei minha mulher e meus filhos para irmos ao cinema neste sábado.  O filma, Tempestade, desaconselhável para menores de 12 anos.  Meu menorzinho tem 9.
Juntos, já vimos muitos filmes mais complicados e com idades de classificação mais altas.  Destaco gêneros como X-Man, Homem Aranha e alguns outros.  Assim, nem me preocupei com este fato.

Fomos ao shopping onde almoçamos e compramos, com boa antecedência, os ingressos nestas máquininhas que substituíram os bilheteiros.  Sem qualquer aviso adicional, a não ser o simples fato de mencionar a classificação do filme, imprimimos os papelotes e fomos fazer hora até a abertura da sala.

Daí veio a surpresa, meu filho não pôde entrar mesmo estando acompanhado por mim, minha mulher, além dos irmãos.  Tudo bem.  Posso aceitar que haja este tipo de cuidado.  Mas da noite para o dia, com 5 ingressos nas mãos, pipocas e refrigerantes, fomos barrados sem aviso prévio.  Claro que fiquei nervoso.  Mas sou ou não um pai responsável?

Procurei pela gerente do Cine Araújo do Rio Preto Shopping para tentar explicar e também assumir a responsabilidade.  Nada.  Nem os colaboradores do cinema a encontraram.  Eu queria apenas uma reparação ou justificativa.  Algo para me conformar com o prejuízo e a frustração.  Fiquei no vácuo.

O fato é que na noite anterior, ao assistir TV em casa, fomos surpreendidos com a notícia de que jovens haviam atirado em amigos no colégio em Goiânia.  Acho isso história pavorosa e que criança não devia ver.  Quanto seria a classificação de uma notícia destas?  16, 18, 21 ou 50 anos?  A mesma talvez que da notícia sobre o atentado de Las Vegas.

Aliás, novelas e outros programas, mesmo vespertinos, com certeza assustam mais, ou transmitem menos exemplos positivos que um filme sobre catástrofes naturais.

Acho extremamente contraditório que crianças tenham acesso livre nas escolas, celulares, computadores e televisão aberta, andando pelas ruas ou em qualquer outro lugar, nos quais possam ver notícias, apelos sexuais ou outras barbaridades e ao mesmo tempo, acompanhadas dos pais, em uma tarde de sábado, sejam privadas com tanta ênfase de algo menos grave como um filme destes.

É bem igual ao fato da "sociedade" brasileira se incomodar que um homem esteja nu em um museu, perto de crianças, mas não ligar a mínima que uma verdadeira pornografia, consubstanciada em um bacanal de propinas seja mostrada dia e noite a "céu aberto".  Moralismo seletivo?

III -

Acho incrível como as pessoas saíram fácil às ruas para protestar contra a corrupção neste país, após ter sido colocado, em suas mentes, que um governo que trabalhou durante 14 anos para os trabalhadores e menos favorecidos, poderia ter roubado ou promovido atos de corrupção.  Com razão ou não, afinal há 500 anos se rouba neste país,o que me causa espécie é notar que os "patriotas" de verde e amarelo agora se calam diante de um governo coberto de lama, de pura vergonha, escândalos, roubos, afrontas envolvendo gente graúda e de todos os partidos e poderes, sem falar nos desmandos e entreguismo.

Acho incrível como a imprensa trabalhou para derrubar Dilma e não atua da mesma maneira para derrubar uma quadrilha organizada, descarada e reprovada pela opinião pública que, embora não se movimente para a "degola", não deixa de estar atônita.

Acho ainda incrível ver como a polícia e a justiça agem ao prender um "pé de chinelos" em comparação como procedem ao prender um figurão, um colarinho branco destes aí.

E não é menos incrível, que bandidos ricos, poderosos e cheios de artimanhas, envolvidos com drogas e desvios de dinheiro para o exterior, continuem com mandato, gozem do direito da diminuição de suas penas por delações premiadas, cumpram pena domiciliar e tenham suas mulheres, filhas ou irmãs liberadas para cuidar de filhos ou viajar ao exterior, enquanto outros, sobretudo os delatados por estes, ficam à mercê da cadeia e do foco, merecendo ou não.

Indignação seletividade, moralismo desigual e justiça parcial.

IV -

Vi o mundo comemorando, dias atrás, a reeleição para mais um mandato da Chanceler Alemã Angela Merkel que completará seus 16 anos como chefe do governo daquele país.
Se Chavez, Maduro, Lula, Mojica, Cristina ou Evo passassem de 4 anos em seus mandatos, já eram  considerados ditadores, implantadores do comunismo, do bolivarianismo e por aí vai.

A análise da política internacional tem olhos diferenciados, né? 

Bem como quando a mídia internacional e líderes de algumas nações, trataram de uma forma o cruel atentado aos jornalistas franceses do jornal Charlie Hebdo e agora se limitam, quando muito a comentar o terrível atentado na Somália do domingo passado.  Sem passeatas, sem comoção e sem grandes documentários, a mídia pareceu não "sofrer" tanto para noticiar o fato.
Neste sentido, boa parte da opinião pública vai no embalo.  Ninguém mudou o perfil nas redes sociais ou acrescentou bandeirinhas coloridas no fundo de suas imagens.

Alemães e outros europeus de pele e olhos claros, parecem despertar mais comoção do que latino-americanos e africanos.  Coisas do humanismo contraditório.







quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Avante Camaradas

Por conta do fracasso do capitalismo, seus reflexos no cenário mundial são terríveis.  Crises econômicas, políticas e instabilidade na segurança e paz mundial são sentidos por toda parte.
Ao mesmo tempo o imperialismo avança desmedidamente para aplacar esta falha estrutural do capitalismo, buscando a retomada dos mais retrógrados e conservadores modelos de gestão, principalmente em áreas que haviam ganhado fôlego e momentânea soberania, sobretudo na América Latina.
Por outro lado, não se pode negar uma resistência também crescente de forças revolucionárias, em que pese a propaganda sempre nociva e destrutiva lançada contra as esquerdas, nas suas mais diversas formas ou nações.
Solidarizar-se assim, com países e povos que resistem às investidas do grande capital e do imperialismo é não só condição sine qua non de nossa luta, mas ativa fidelidade às nossas mais sérias defesas.
No Brasil, não é à toa que a perseguição tenha se dado na forma de um golpe contra o governo próximo passado, encabeçado pelo Partido dos Trabalhadores. 
Ao apoiar e fortalecer o impeachment que derrubou a presidenta Dilma, com financiamento e os mais variados fomentos, os adversários recolocaram a súcia no poder, barraram os poucos avanços e fizeram retroceder conquistas importantes.
Reconhecemos as falhas do governo, sua condescendência com o inimigo.  Suas ligações espúrias e inclusive a permissividade perante os maus companheiros e sua conduta reprovável, inaceitável.
Mesmo com tudo isso, em todo este cenário, a conduta parceira de alguns partidos aliados nas propostas encaminhadas angariaram orgulho e confiança nos simpatizantes de esquerda, mesmo os mais desconfiados.
Mas fazer autocrítica, imperativo no momento, não pode substituir a necessária e urgente reconstrução do projeto nacional que não pode parar.
Falta jornada, falta luta e por isso fortalecer combatentes e trincheiras já.
Temos um governo não reconhecido a derrubar.  Desigualdades a diminuir e a classe proletária a salvar.
Judiciário, legislativo e executivo federal, em transparente conluio, acabam se fazendo inimigos ferozes.
Só um partido forte ou amparado por bases sólidas será capaz de criar as condições objetivas para a resistência.
Ao lado das minorias, mulheres, trabalhadores de toda sorte, orientá-los e iluminá-los nos objetivos concretos.  Estes grupos promoverão barricadas vitoriosas contra o avanço do fascismo, do nacionalismo e do imperialismo.
Em parceria com as grandes mobilizações, o processo eleitoral será importante mecanismo estrutural de luta.  Por isso a necessidade do pragmatismo aliado ao pensamento.
Há ferramentas as mais variadas disponíveis e ao alcance, que deveremos utilizar sem demora, mas jamais esquecendo que a mais importante é a união de braços entre todos nós.
Como já disseram no passado, avante camaradas!

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

As peripécias de Baía - Remanescências de Carlos Alberto Gomes (Gomes de Castro)



As peripécias de Baía.
 
              "É desnecessário que se diga o porquê do apelido desse rapaz. Muito pouco crédito se deu ao que dizia “Baia”, porém pelas suas características físicas não há como discordar que fosse oriundo da “boa terra”. Tive o “prazer” de tê-lo como colega em 1950, na terceira série do antigo curso primário, hoje ensino fundamental. Na verdade, ele foi meu colega por apenas três semanas. Eu disse que tive prazer de tê-lo- como colega pelo fato de ele nos ter brindado com algumas atitudes dignas de serem relembradas. Nesse ano, não sei se estou certo, mas foi o último em que o Grupo Escolar funcionou lá, no bairro São Benedito, local da fundação de Nova Granada, e apesar de ainda existir o prédio, já naquela época ele se apresentava bastante desgastado e necessitando de reformas, que devem ter sido realizadas, pois eu lembro que em determinada época, ali funcionou a Escola de Comércio, a popular “Escola do Jucão”.
              Suas portas eram bem altas, com quase dois metros de altura e, de modelo antigo, possuía duas folhas de madeira. As janelas, como as portas, também eram maiores que as atuais, sendo venezianas compostas por duas folhas cujas trancas eram ferrolhos do tipo Cremona. Obviamente, as janelas eram de madeira.
Nosso diretor, se não me falha a memória chamava-se Nelson. Nossa professora era dona Olga, esposa do diretor. O servente – hoje denominado inspetor de alunos – era o senhor Guy. Para mim, todos saudosos!
              No primeiro dia de aulas, ao formarmos fila para adentrarmos à sala de aulas, nós tivemos a surpresa de saber que entre nossos colegas se encontrava o endiabrado maquiavélico “Baía”.
Nosso horário de aulas era o vespertino. Um belo dia nossa professora havia faltado e a substituta, apesar de que naquela idade não percebíamos, parecia estar insegura. Após o Hino Nacional, naquela época o cantávamos todos os dias antes de entrar em classe, fomos autorizados a entrar em sala de aulas. Cada qual procurou sua carteira e assentou-se. Minha carteira ficava junto à parede, mais ou menos no meio da sala. A carteira ocupada por Baía ficava na mesma fila que a minha, mas no final, junto à parede detrás da sala. Há alunos que adoram quando a professora é uma substituta, pois gostam de aprontar.
              Meia hora foi o suficiente para que acontecesse! A professora passava pelas carteiras a fim de corrigir os exercícios que nos passara. Ao chegar junto à carteira de Baía ela percebeu o espelhinho colocado estrategicamente por ele, no solo. Pisoteou o espelho fazendo-o em mil pedaços e, para complicar, deu um tremendo tapa na cara de Baía, solicitando em seguida que um dos alunos fosse chamar o servente. Esquecia-me de dizer que Baía era um garoto de físico avantajado em seus já doze, treze anos.
              Naquela época nossas canetas eram compostas de um pedaço de madeira roliço com um encaixe onde colocávamos a pena – de metal – e que para escrever, molhávamos no tinteiro. A lousa era de madeira pintada de preto, colocada bem à frente da sala.
              A professora, após ter dado o tapa nele, pegou um giz e foi à lousa, onde começou a escrever enquanto aguardava a vinda do servente. Baía pegou sua caneta e – acredito que ele poderia ficar mais dez anos jogando-a que não conseguiria a proeza que acabava de fazer – atirou-a em direção às costas da professora. Por sorte, não conseguiu seu intento, mas como disse acima, a caneta, por incrível que possa parecer, ficou cravada na lousa. Foi então que tanto o servente quanto o diretor entraram na classe, pois ambos foram atraídos pelo grito de terror da professora ao ver aquela caneta fincada na lousa, próxima a sua cabeça. Corre daqui, corre dali e Baía pulou pela janela, passando a ser o primeiro caso de aluno evadido que tive conhecimento em minha vida."


Mais um dos textos de meu pai em seu livro de remanescências.  
Desejo que publique em breve.  Vale à pena.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Pátria Amada, Idolatrada, Salve Salve...


Sinceramente eu estou muito preocupado com a vida de minha família, com os destinos das pessoas de bem que conheço e sobretudo, com meus negócios.
Pronto, eis aqui um egoísta.  Alguém que só pensa em si e no que tem relação com a própria vida.
Só que não.
Embora eu tivesse, se assim fosse, muito mais amigos, simpatizantes e clientes, este não sou eu.  Não sou tão umbilical assim.  Não penso só nos meus.  Penso em minha pátria.  Penso na minha gente e de um modo peculiar, penso nas pessoas mais fracas do mundo todo.  Trabalhadores, excluídos de toda sorte, marginalizados.
Santo?  Não, de forma alguma.  Não sou mais especial que ninguém.  Sou apenas humanista, como tantos outros que conheço.  Pessoas que gostam mais de gente do que de dinheiro, de carro, de iates ou até de viagens.  Que gostam mais de seres humanos do que de posição social ou prestígio.  Humanistas são assim.
E é por ser assim que vivo essa aflição.  Essa indignação com tudo o que está acontecendo nos cenários mundial, nacional e ameaçam homens e mulheres em geral.
Deixa ver se me faço entender. 
Por exemplo:
Pode um transloucado chefe de Estado norte coreano, ficar brincando de desafiar outros loucos, ainda mais destemperados que ele, sem que de algum modo, acabe sobrando pra todos nós?  Será que Kim Jong-un acha mesmo que não fará nenhuma diferença, para ele ou para o mundo, se algo acontecer em virtude de suas provocações irresponsáveis?  Ele não vê que Americanos e Russos, já-já vão estragar sua brincadeira e de quebra destruir o playground onde ele se diverte com seus brinquedinhos genocidas? 
E nós, em virtude desta ameaça real, como podemos acordar tranquilamente numa manhã de quarta-feira e pegar nossa condução para o trabalho, sem saber se psicopatas poderosos vão “ferrar” com tudo a qualquer momento?
Quem não pensa, pelo menos alguns minutos do dia em coisas como essa, padece de alienação grave.
Faz tempo, no entanto, que outras guerras verdadeiras já acontecem.  A da Síria, é um exemplo, que dizima inocentes crianças e civis de todas as idades, agora mesmo enquanto escrevo estas linhas.  Outra que dura anos e provoca o esmagamento continuado de palestinos, pelas forças de Israel, conta com a condescendência da ONU.  E se andarmos de traz para frente na história, iremos nos deparar com Bósnia, Iraque, Vietnã, Hiroshima, mais atrás a Armênia e assim vai. E enquanto isso, muitos eram os que pensavam somente na compra do carro novo ou daquele vestido lindo da vitrina.
Tudo bem.  Que ninguém se mate ou deixe de viver por que outros morrem.  Mas ignorar a gravidade disso tudo não é muito normal, é?
Guerras quase sempre, pra não dizer sempre, são conduzidas por nefastos gananciosos que usam desculpas as mais variadas.  Matam e trucidam alegando fé, liberdade, soberania e sabe-se lá mais o quê.  Mas tudo, na verdade, por conta de petróleo, ouro, diamantes, poder e dinheiro.
Ainda falando de humanismo o que dizer da fome que devasta, ainda hoje, boa parte da África?   Continente já tão judiado pelos imperialismos Francês, Português, Inglês e outros povos, como árabes que invadiram, dominaram, escravizaram e exploraram até secar.  Isso te incomoda ou também não?  Se não, você pode estar gravemente doente.  Ou então é daqueles que gostam mais de animais, de anéis, do que de crianças.  A gente não percebe, mas o mundo está cheio destes.  Uma tristeza.
Mas se quisermos falar só de Brasil, então lá vai.  Vamos começar do início.
Quinhentos anos de história.  Mas que história?  Aquela que conta como um iminente navegador português errou seu destino chegando na costa da Bahia?  Que teria, misteriosamente “descoberto” nossas terras que misteriosamente já eram habitadas por quem a “descobriu” primeiro?
Tudo já começa muito errado por aqui.  A invasão pelos portugueses, a forma com a qual eles tiveram que agir ao longo do tempo para garantir a posse das terras, tanto perante os nativos, quanto perante outros países em franca expansão marítima (espanhóis, ingleses, holandeses e franceses).
Como a coroa, a Igreja e a mídia daquela época mantinham tudo sob controle?  Com barganha e manipulação, trocas e privilégios.  Já era propina, em todas as suas formas.  Ah, a canalhice é antiga por aqui.
E de lá para cá, o que foi diferente? 
O filho do rei de Portugal declarou independência ao voltar de um passeio e pronto.  A poderosa coroa portuguesa abriu a guarda, deixando para trás episódios insanos como a “derrama” e a “inconfidência”.  E lá na frente, depois que tudo deu errado pro “playboy”, o ilustre filho volta pro colo do papai.  Quem acredita numa “novelinha tão simples destas”?
E quem não se lembra das capitanias “hereditárias” que, de certo modo, sobrevivem até hoje rincões afora?  Em outro formato, claro.  Sim, sobrenomes “sangue azul” que se sobrepõem ao esforço e talento de silvas e outros humildes de sangue avermelhado, também são comuns na história contemporânea.
Manipuladores que escrevinhavam cartas a “El Rei” já existiam e também já havia a prevalência da mídia, que se mudou de patrões, não mudou de donos.  Ainda hoje suas matérias estão incorporadas ao material didático distribuído nas escolas públicas a deseducar desde a tenra idade toda uma população de subservientes expectadores.
Pois é com este tom e mesmo sabor que diversos foram os governos que se sucederam.
Se a declaração da independência não foi assim, tão gloriosa, tampouco o foi a declaração da República, fruto de uma traição do próprio Marechal Deodoro ao amigo, depois de sucumbir a boatos, pondo fim a um governo que, de forma até razoável, se apresentava como “novo”, sob a visão avançada de Pedro II.
E o que dizer de Getúlio e um suicídio questionável, num emaranhado de farpas onde mais uma vez a mídia se esforçou para remodelar as cenas, depois é claro de exercer o papel de protagonista, em que pese disfarçado, culminando com a morte do presidente?
Poderíamos prosseguir.  Falar de JK e seus devaneios.  Mas esbarraríamos num papelão, pois então não se poderia deixar de dizer que ele, atacado com apoio geral, precisou voltar a Brasília, capital fruto destes seus sonhos, escondido, a noite e sob a chuva, para vislumbrar emocionado a materialização de seu visionário projeto.  Sua morte, ou a de Jango, até hoje ficaram como mero acaso do destino.  Ninguém jamais se ergueu para pedir “maiores esclarecimentos” ou para restituir-lhes o honrado lugar na história.
É... O Brasil é cheio de ingratidões.  De substituir seus ídolos ao sabor dos ventos... Mais precisamente ao sabor das “ondas” que transmitem som e imagem pelos canais de TV, Rádio e outros veículos.
Mas a fila anda.
Depois de tudo isso e uma briga demorada de anos sem fim, um trabalhador é finalmente içado ao governo.  Não foi fácil.  Teve que tomar um banho de marketing, “podar” a grande barba e vestir uns terninhos mais ajeitados para ser “engolido” pela classe média brasileira (grande colégio eleitoral).  O duro é que o comportamento mais contraditório de sua figura não foi a mudança de seu visual.  Para governar teve que sentar, negociar e conchavar com algumas figuras “de sempre”. 
Partidos costumeiramente “mandantes” como PMDB e outros, chefiados por oligarcas e “coronéis” do Nordeste, foram mantidos por perto, sob a graça e as luzes do palácio.  Com isso, os ranços destas legendas permaneceram e sua atuação historicamente criminosa, foi agora disfarçada sob a fantasia e a maquiagem de progressistas, quiçá de esquerda.
Mas coadjuvantes?  Jamais.  Essa gente não aceita.  Por um tempinho, tudo bem.  Mas começaram então a perceber que um mandato inteiro, pelo menos, iria durar este “governo do metalúrgico”.  O que fazer?
O primeiro passo era “quebrar as pernas” deste projeto.  E começaram ”cortando as cabeças” de toda a possível linha sucessória de Lula. Se valeram de um processo que desnudou o tradicional e galvanizado balcão de trocas entre legislativo e executivo, agora chamado de mensalão, dando fim a diversas carreiras políticas.  Pensadores, soldados de um partido inteiro, foram para presídios sentados nos mesmos camburões que tradicionais e contumazes, porém descartáveis picaretas do cenário político.
Aparentemente este ataque seria suficiente para barrar um projeto romântico criado por intelectuais, movimentos sociais e comunidades eclesiais de base.  Mas não.  Houve a reeleição.  E mesmo diante de uma chuva de denúncias envolvendo amigos e pessoas próximas do presidente, o mandato teve sequência. 
Novamente era necessário golpear e de maneira precisa as lideranças do PT.  Só que então, a cizânia começa a surgir.  Fruto talvez da decepção de alguns, ou da falta de espaço.  O resto dos eloquentes partidários do presidente foram saindo de fininho.  Uns, talvez com medo de que se lhes descobrissem algo.  Outros embalados pelo discurso comum que, lamentavelmente, pregava que o governo se desviara para a direita, fomentando a indústria e privilegiando banqueiros em detrimento a aposentados e a movimentos de apoio, como o MST, por exemplo.
Destes dissidentes surgiram novos partidos que, embora no mesmo campo, eram contrários ao governo.  Os poucos companheiros que restaram na base do PT, se dividiam então entre fiéis, militantes aguerridos e não se pode esquecer dos interesseiros, dos que viviam das sobras da mesa, dos carguinhos, chamados de os “da boquinha”.  Já as estrelas disputavam no palitinho a possível vaga de substituto na chapa majoritária.  Foi quando a oposição deu algum tempo de trégua.  Quem sabe eles se matam sozinhos, pensaram.
Por outro lado, não havendo “baluartes”, só restava a indicação de vultos opacos, ou “postes”, segundo alguns.  Foi quase que desafiando a este desafio dos adversários que Lula resolveu indicar uma de suas técnicas, a ministra Dilma Roussef.
De história intocável, iluminada pelos belos números alcançados pelos 8 anos de PT no governo, ela foi eleita.  Menos hábil e menos conciliadora, não demorou para caminhar com poucos amigos, deixando para trás os pouquíssimos aliados que sobraram.  Mas de enfrentamento em enfrentamento e contando com forte bancada, no início pelo menos, conseguiu mostrar que tinha “colhões”.
Seu primeiro mandato foi bom e de certo modo resultante de uma caminhada de sucesso, sobretudo na política externa, um dos grandes legados do governo de seu antecessor.
Só não se contava que, para os inimigos, tinha bastado.  Era preciso, para eles, retomar o controle.  A classe trabalhadora, em que pesem suas parcas conquistas, já tinha ficado bastante tempo no “mando do campo”.  Estava na hora de devolver o poder a quem ele sempre pertencera.  Os oligarcas, os donos dos canais de TV, Rádio e Jornais, além da elite suja (pois existe uma elite razoável), aquela que é submissa a Washington, mas mora em Miami.
Secando os apoios, fechando as gavetas, sangrando dia a dia, ameaçando e extorquindo a presidenta, se valeram de tudo.  Aproveitaram até dos movimentos juvenis contrários ao aumento de passagens.  Os oportunistas invadiram as ruas tomadas por estes jovens, tomaram-lhes os microfones e reescreveram sua pauta de reivindicações.  Como resultado, aplicaram o golpe.  Amplamente apoiados pelo povo, pela mídia e pela comoção incandescente.
Com panelaços, patos e camisas da seleção brasileira, implantaram um falsificado movimento patriótico que culminou na devolução do poder a quem ele sempre pertencera.
E para que?
Para que agora permanecessem.  Mesmo com um histórico de corrupção ainda maior, mais permanente e voraz que os que serviram de pretexto para o impeachment, estava bom.  Afinal, o PT saiu. 
O poder lhes foi devolvido para reintegrarem o inacabado desmonte do país pelos neoliberais tucanos que não conseguiram terminar sua missão, pois um mandato que previa 16 anos, durou apenas 8. 
Para destruir a CLT e minguar os direitos trabalhistas.  Abalar as estruturas da liberdade de manifestação.  Impedir o acesso dos mais pobres às faculdades, aeroportos, restaurantes e salões de beleza.  Ou seja, devolver-lhes aos guetos.  Ao servilismo.
Como resultados auxiliares, envergonharam o país perante o mundo.  Enojaram a opinião pública dos decentes com notícias pavorosas de desvios e por fim, dissolveram qualquer chance de um governo popular retomar na gestão do país.
Mesmo cometendo os mesmos crimes que denunciaram, em proporções até maiores e mais descaradas, nada lhes acontece.  Os três poderes nunca foram tão unidos e para o mesmo objetivo.  E o povo, sei lá do povo.  Desapareceu.
Hoje, quando nos encontramos com amigos em barzinhos ou na feira da rua, não é incomum ouvir desabafos, opiniões quase sempre “muito bem embasadas” sobre este ou aquele fato político.  Mas quanto desta opinião não está sob a mácula da deformação intelectual amalgamada aos pesados interesses de sempre, desde o Brasil colônia?  E é opinião apenas, não revolta.  De gente que depois volta para o sofá de casa afim de anestesiar-se diante da novela ou do futebol.
Ser humanista implica também em pensar nisso tudo.  Pois por trás disso tudo estão as pessoas.  As vítimas, que dirigidas como “gado” ou não, sofrem consequências diárias no preço do combustível, no desemprego crescente ou na perda da soberania do seu país.  Trabalhadores alijados de direitos e conquistas antigas, estudantes de universidades sem verbas, aposentados ameaçados por uma reforma previdenciária assassina e pacientes relegados a corredores de hospitais sucateados.
Eu sei que esta é uma discussão complicada.  Que muitos amigos, familiares, colaboradores e até mesmo parceiros de negócios divergem de minha ótica.  Mas ela não é só minha.  Ela acompanha a opinião de jornalistas estrangeiros, estrategistas políticos e muita gente séria, inclusive de militância sóbria e sensata.
Mas não há como eu não defender esta narrativa.  Não há como não assinar embaixo de textos que descrevem este roteiro.  Boa parte dele foi vivido de perto por mim.  Tenho 49 anos de idade e milito politicamente desde os 14.
Criei afeição muito grande pelo tema e com atuação prática no dia a dia de comunidades, aprendi um bocado.  Não é falácia de quem apenas viu algo pelas páginas da Veja ou ouviu pela voz de Willian Bonner. Tem estrada aqui.
Mas olha, também sei fazer autocrítica e examinar pontos contrários.  Também sei estar alerta e cobrar a verdade doa em quem doer.
É importante também valorizar conquistas.  E sobretudo comparar.  Sei olhar para outros tempos em que vivemos inflação de 80% ao mês, corrupção colorida, anões do orçamento, bloqueio de poupança e privataria criminosa.
Dá também para se avaliar o contexto.  Medir a força da lei e seus reflexos sobre aqueles a quem sobram provas concretas, enquanto se vê o que acontece sobre aqueles sobre quem só pesam delações.
Não fica claro, pra todo mundo, quando se vê que diante de um helicóptero recheado de drogas, malas cheias de dinheiro, contas na Suíça, fitas gravadas com a própria voz dos bandidos e outras tantas provas materiais, a perseguição incansável e implacável da justiça é só sobre alguns que foram apenas delatados?  E sempre os mesmos?
Posso até morder minha língua.  Ter que me humilhar ao vir declarar meu equívoco, caso algo seja finalmente provado contra Dilma e Lula.  Mas não dá pra “jogar a toalha” simplesmente por que um ex-aliado, ou um ex-capacho como Palocci fala isso ou aquilo. 
Pessoas de caráter fraco abundam na política onde quem não é vaidoso, quase sempre é ganancioso e portanto, de caráter frágil. 
A delação e a “entrega de comparsas” são típicas ações de quem pratica a infidelidade, a mentira e a covardia.  Delação é outra forma de pilantragem oportunista. Não que a polícia não deva usar deste expediente, mas dar crédito total e afrouxar a pena de quem comete mais este ato de “bandidagem” é demais.
Eu prefiro continuar minha busca pela verdade e enquanto isso, embalar meu canto na direção de minha intuição.  Repito, até que se me PROVE o contrário.
Não vale dizer que tenho “bandido de estimação”, pois assim como jamais me aproveitei de R$ 1 real alheio, não conseguiria respirar o mesmo ar de quem o faz. 
Mas conclamo aos que me contradizem a examinar também os julgadores e delatores para avaliar o crédito que se lhes impõem.  Quem são eles?  E sua história, qual é?  Ministros do Supremo e juízes de primeira instância, membros do Ministério Público, foram ou são avaliados na mesma medida de seus réus?  Pelo menos por você.  Faça isso, por favor.  Nome por nome.  Eu tenho tentado e não é difícil.
Por que digo isso?  Porque dei uma passada d’olhos sobre alguns julgamentos da história.  E agora sei que é tênue demais a fronteira entre justiça e injustiça.
Peguemos os julgamentos de Jesus, de Joana d’Arc, de Jacques De Molay, das bruxas de Salem.  O que eles tiveram em comum?
Os condenados foram bons por um tempo.  No início eram aclamados, seguidos e aplaudidos.  Até que provocaram poderosos, arranharam os interesses e privilégios destes.  Daí, foram acusados, presos e sofreram escárnio, descrédito e até o apoio do povo à sua condenação.  Povo este que, com a vista obnubilada e a cabeça atordoada pela falácia dos algozes, gritavam nas praças e tribunais pedindo-lhes a condenação e a morte.  Parte de seus julgadores, fora comprada, com dinheiro, cargos ou perdão de algum mal feito.  Por fim vieram as delações de seus parceiros e sobretudo, uma inocência improvável, só demonstrada após o cometimento da injustiça irreversível.  A condenação à morte.
Eu que não quero correr o risco de participar deste show.  Desta festa infame. E por isso permaneço firme nas minhas convicções até que fatos as destruam.
Temo pelo que está por vir.  Temo pelas sombras do nacionalismo, do militarismo, do fascismo, que já rondam os céus por conta do descrédito geral e da decepção que visitam os bem intencionados.   Mas creio e espero que esta gente toda de minha pátria, no final de todas as contas, abra bem os olhos, a garganta e grite novamente pela independência, agora verdadeira a nos libertar da manipulação, da servidão, da ignorância e a quebrar as correntes da apatia que nos mantém tolhidos de força e coragem revolucionárias.

Em dias da Pátria, o único orgulho verde e amarelo que me resta é o de ser brasileiro apesar dos pesares. E do desfile cívico, o único cordão que faz sentido é o dos excluídos gritando por inclusão, pois esta sim, já longínqua, está quase condenada para sempre.

sábado, 12 de agosto de 2017

Sombras e Luz

Parece inacreditável, mas é real.
A futura Procuradora Geral da República, Raquel Dodge é uma das figuras que visitaram Michel Temer (o não eleito), fora da agenda oficial, às 22h no Palácio do Jaburu.
De fato é um hábito do sinistro ex-vice da república, receber pessoas na "penumbra" para algumas reuniões cujo teor só as sombras sabem.
Temer nomeou Raquel para antecipar publicamente a visão da saída de Janot, cujo mandato se encerra em setembro, com a finalidade clara de enfraquecer as denúncias apresentadas pelo atual procurador contra si.  Denúncias aliás que todos conhecemos, mas que o Congresso que não nos representa insiste em dizer que "não são consistentes".
Contrariando a tradição de nomear o mais votado na eleição interna do Ministério Público Federal, a indicação da nova Procuradora se justifica por este próprio encontro.
Acabou a vergonha e não existe decência, sequer há tentativa de esconder maus feitos.  Escancarou-se de vez, no Brasil, a falta de compromisso com a seriedade.
E o mais estranho é ver que aqueles que bradaram, gritaram, "rasgaram as roupas", encheram praças e avenidas, vestiram a "gloriosa" camisa verde e amarela, além de bater panelas e inflar um ridículo pato, não estão ligando pra mais nada.  Quietos e disfarçando qual "criança cagada".
O que queriam, óbvio, era tirar o PT do governo.  Agora, o resto é resto.  E este resto leva de arrasto o país, as instituições, os direitos trabalhistas e o bom nome que nossa nação amealhou no exterior.
Não consigo ficar silente vendo conhecidos, amigos e críticos vorazes, com postagens ridículas, insensatas, desviarem do foco principal e meio que esconder seu apreço pelo estrago realizado ou fingindo que "não votaram em ninguém".
Sim... boa parte composta por eleitores dos piores partidos como PSDB e PMDB, além de legendas satélites destes, que construíram sua história durante muitos e muitos anos se locupletando do poder.
Do outro lado, eu já fiz coro a alguns companheiros tentando explicar para alguns desentendidos da política como tudo isso começou.
Busquei mostrar que a direita, vendo a "viola em cacos", decidiu deixar que o PT tomasse posse em 2003 para logo em seguida retomar o governo diante da "quase certa" catastrófica gestão, pois assim estava previsto e encaminhado pela criminosa privataria.
O que não contavam é que Lula faria um bom governo e elevasse nossa economia e de brinde, a qualidade de vida das classes menos favorecidas.  Surgiu a preocupação primeira.  "Se estes caras do PT consertarem o país, perderemos nossa grande teta".
Realizou-se então a primeira tentativa de golpe e para impedir a reeleição de Lula, fez-se de tudo.
Nasceu o processo do mensalão, que ao mesmo tempo que evitaria a segunda eleição de Lula, quebraria as principais cabeças do PT eliminando sua possível linha sucessória.  Líderes como Dirceu, Palocci, Genoíno e outros, foram alijados de suas funções e tirados de cena.
Mas, para desgosto destes estrategistas anti-Lula, houve a reeleição e mais um mandato brilhante.  Sem nomes, no entanto, para dar sequencia a um governo "de uma única personalidade", tudo acabaria por ali, acreditaram.  E deixaram terminar os quatro anos.  Afinal, não seria permitida a reeleição.  Mas Lula elegeu sua sucessora.  "Um poste", segundo adversários.  Mas um poste que prosseguiu em grande parte na mesma linha e conseguiu ser reeleita no "mata mata" do segundo turno, quando os projetos são enfim confrontados sem os reflexos de uma oposição diversificada.  E o povo brasileiro escolheu o projeto que queria.  Não só o nordestino, como fez crer a mídia, mas um percentual importante de toda a população que, somado, entendeu o que era melhor para o nosso futuro.
Daí então, já era demais.
Não interromperam o primeiro mandato de Lula, não impediram sua reeleição e ainda por cima, embora desacreditados, assistiram sua sucessão.
"Agora chega" - devem ter gritado, em coro, Serra, Fernando Henrique e o quarto poder.
Por sorte, para eles, apareceu um protesto juvenil contra aumentos de tarifa de ônibus, que cresceu numa "comoção gigante".
Exato.  Sob medida.  Invadindo a "festa", estes abutres tomaram de assalto o microfone das mãos dos jovens.  Montaram uma pauta que foi rapidamente potencializada e injetada na sociedade com o apoio irrestrito da mídia serviçal.  As massas, cuja indefinição ideológica e de classes, não soube entender ou controlar, foram rapidamente envolvidas.
Mas faltava a cereja do bolo.  Viria rápido e na forma de um sangramento do governo, bem planejado e provocado por seus inimigos (deputados e senadores sem favores especiais ou não comprados) e pronto!  Eis o golpe.
Na pessoa do vice, um político medíocre, mas capaz de cumprir um ritual desfavorável pra si mesmo e sua popularidade, em nome sabe-se lá de que, fecharam geral e empoderaram, com ele, uma súcia. Esta, gananciosa e apressada em atingir sua meta, até com certa aflição, iniciou a "toque de caixa" o desmonte das conquistas populares, o distanciamento entre as classes e sobretudo a entrega de nossas riquezas, abrindo os cofres e "rasgando contratos".
Só não contavam, penso eu, que um dia a população começaria a sair do "torpor".
Já não cola mais o discurso da ética e da decência.
Vejo que alguns passam a se questionar e se perguntam: "Como estávamos há 5, 7 ou 9 anos atrás?  O que foi que fizemos?"
Resultado dessa dúvida, Lula volta vigoroso a despontar como grande solução, única saída, embora alguns ainda o odeiem vorazmente sem mesmo entender o por quê.
As forças ocultas se juntam, estudam, se reinventam, mas não conseguem enlameá-lo. Usando a história de um apartamento na praia e um sítio nas montanhas, escrevinham uma sentença primária, beirando roteiro de novelas, ridicularizada por juristas sérios do país e do mundo, no último suspiro para tentar impedir que Lula concorra às eleições de 2018.
Só que não.  Lula mal começou a percorrer o país e já movimenta montanhas.
Antes, no final dos anos 90, a caravana do petista enfrentava a febre do "medo", provocada pelo discurso anti-comunista das Reginas Duartes da vida, que diziam ao pobre, já quase sem nada, que os "vermelhos" dividiriam o pouco que possuíam.  Agora, a jornada de Lula pelo país enfrenta a febre da "corrupção", cujo maior combate da história, na verdade, ocorreu em seu governo, quando Polícia Federal e Ministério Público puderam atuar sem qualquer interferência.  E isso já está ficando claro pra todos.
Lula sempre foi inteligente.  Um político sem iguais.  E começou bem.  Já no ponta-pés inicial, soltou um discurso afiado e perfeito, inclusive super esperado pelos seus defensores.
"Vamos regular a imprensa" - afirmou ele em recente encontro na UFRJ.
A imprensa foi, sem dúvidas, não a causadora, mas a grande propagandista do golpe que arrebatou conquistas, afundou nossa imagem e está destruindo a esperança de nossa gente.
Sua regulação, que não é censura, precisa garantir que o papel da imprensa mantenha compromisso com a verdade, com os limites e com a ética.  Faltou essa coragem em Dilma e tudo teria sido bem diferente.
Estamos voltando a ver o despontar do sol.
Mesmo que eu acredite na força das ruas, como antídoto ao golpe, tenho que crer na capacidade eleitoral de Lula e na República enfim.
E parece que vou começar até a respirar aliviado, pois esta manhã já falei com gente que, até ontem irredutível, já foi capaz de afirmar:
"Sabe que Lula não é essa coisa feia que tanto pintam"?
Sorri, tomei meu café, bati nas costas do vizinho de balcão e silenciosamente retruquei (em pensamento): Demorou, hein?
Ganhei meu presente de dia dos pais.

sábado, 15 de julho de 2017

A rainha caipira.

A partir de hoje, me dedicarei a publicar, de quando em quando, contos e crônicas escritos por meu pai, Carlos Alberto Gomes, que assina com o pseudônimo de Gomes de Castro.
Estas remanescências que ele transcreveu em um caderno, são momentos bastante curiosos e que vale à pena partilhar.
                                                                                 
             

"Qualquer atividade que nos propusermos realizar, por mais simples que ela seja, nos apresenta determinado grau de dificuldade. Seja lá qual for. Dormir um neto, por exemplo. Não aquele que ainda é bebezinho e ao qual você oferece uma chupeta que, como todo bom ferrenho chuparino, fica horas a sugar. Também não vamos considerá-lo ou compará-lo a uma criança hiperativa, pois não há necessidade de chegar a tanto.              
Mas, foi pensando dessa maneira que tive minha atenção despertada por inúmeras atitudes de meus netos que, anotadas junto a atitudes ou expressões ditas por meus filhos, quando pequenos, formariam um extenso glossário de fatos correlatos.
Busquei então na memória, juntar o máximo possível e quando tive a atenção despertada por estes fatos, comecei anotá-los, a princípio com o título de “coisas de pirralhos”. Dei então início a uma coletânea do que ouvi de meus netos assim como os que recordei ter ouvido de meus filhos. 
Gostaria então de relatar um deles, acontecido há alguns anos atrás, quando meu neto mais velho estava com seis anos e seu irmão, com quatro.              
Em determinado dia, em que meu filho e minha nora precisaram viajar para São Paulo, pediram que eu e minha esposa ficássemos com os garotos. Isto, para nós era muito prazeroso, pois dificilmente nós tínhamos oportunidade de tê-los conosco. Geralmente, quando vinham, o faziam acompanhados dos pais e quando estes se iam, também se iam eles.
No dia seguinte, logo pela manhã, minha esposa já se pôs a fazer um bolo, procurando recheá-lo com guloseimas que os meninos gostavam: chocolate; castanhas; creme...
Durante todo o dia, assim que chegaram, eles brincaram pra valer, de tudo que pudéssemos imaginar. Como moramos em uma chácara de grande dimensão, eles puderam se “soltar” jogando futebol e correndo durante todo o dia. Até aí, a única dificuldade que encontrei foi adquirir fôlego para acompanha-los.
À tarde, quando a avó serviu-lhes café eles se esbaldaram ao comerem o bolo. Continuaram brincando até quase a hora do jantar quando a avó os encaminhou para o banheiro.
Ao anoitecer, após o jantar, assistimos alguns programas de TV e, tendo eles tomado leite e escovado os dentes, minha esposa pediu-me que os fizesse dormir. 
A princípio não gostei muito da ideia, pois não costumo deitar-me muito cedo e, analisando bem, a tarefa não era lá tão fácil assim. Afinal, para mim, essa tarefa cabia à avó e não ao avô.               
Mais de uma vez eu tentei me esquivar, porém ela insistia para que eu me incumbisse da missão, alegando que eu tinha boa capacidade imaginativa e poderia inventar alguma história que os faria dormir. Acabei por me curvar ante sua vontade.              
Fomos para o quarto e ainda a caminho, comecei a forçar a memória a fim de lembrar-me de alguma história que eu ouvira quando criança. 
De repente, ocorreu-me a história do “isqueiro mágico” que eu ouvira quando ainda menino. Apelei então com toda sofreguidão para minha mente e, por fim, comecei a crer que atingia meu objetivo. Não mais precisava apelar para invenção e nem promover a uma verdadeira miscelânea de fatos com a finalidade de forjar uma história na qual eles prestassem atenção. Foi assim que dei início a minha narrativa:              
Certo dia, um soldado voltava da guerra e caminhava pela estrada quando, próximo a um grande carvalho encontrou-se com uma velha toda vestida de preto e usando um avental quadriculado de preto e branco amarrado em sua cintura. Ao vê-lo, ela, toda vergada para frente, se dirigiu a ele dizendo...               
Bem! Por incrível que pareça acabei por lembrar-me da história do isqueiro mágico inteirinha. Só que as coisas se complicaram! Insatisfeitos, e ainda sem sono, eles pediram para que eu contasse outra. De nada valeram as minhas desculpas e tentativas de me escusar.              
Desta feita, não houve outra forma que não apelar verdadeiramente para a minha imaginação e, a miscelânea agora, se fez necessária na junção de minha criatividade com a história da Branca de Neve e os sete anões que, logo percebi terem ficado totalmente fora da história.
Em determinada altura de minha narração, simplesmente a Branca de Neve e os sete anõezinhos já não faziam parte do contexto de minha brilhante e inigualável história.  Eu agora falava sobre um diálogo entre um príncipe e sua mãe, a rainha.              
A certa altura de meu relato, o príncipe, educadamente se dirigia à mãe, com estes dizeres:              
__ Mamãe, - dizia o príncipe à rainha – eu vou viajar e percorrer outros reinos. Preciso conhecer novas pessoas, novos lugares e, quem sabe eu encontre uma bela princesa da qual eu possa me enamorar e até mesmo, me casar com ela. A senhora não acha que eu deva fazer isso?              
A rainha, concordando com o filho, lhe disse - (Sem que eu percebesse, minha fala saiu com termos bem próprios):
__ Vai sim meu fio, vai conhecê outros reinos e outras pessoas. Que Deus te ajude e assim, quem sabe ocê também...              
Nesse momento veio a bomba disparada pelo meu neto:             
 __ Uai, vô! A rainha era caipira?              
Minhas gargalhadas foram tão exageradas que acabaram por levá-los também a rir. Isto acabou por atrair minha mulher que agora, também ria sem sequer saber “do que” e “porque” nós estávamos rindo.              
Lembro-me que em outras ocasiões, como meus netos adoravam ouvir pequenos relatos, principalmente quando o agente fazia suas artes e era pego pelo pai que o castigava, eu lhes contava muitas artes que fiz em criança, narrando sempre na terceira pessoa, exceto, o final, quando o sujeito da façanha era pego. Daí em diante era narrado na primeira pessoa e, assim eu lhes contava o final das minhas histórias. Como no exemplo, abaixo:              
__ Aí, o pai do garoto chegou e sabendo que ele tinha quebrado a vidraça, o pegou pelo braço e, retirando a cinta, me deu uma surra que durante uma semana eu senti as dores dessa sova!              
Então, eles perguntavam:              
__ Uai, vô! Foi o senhor quem quebrou a vidraça? 
Daí, eles riam a valer..."


Gomes de Castro
Contos e Crônicas

sábado, 1 de julho de 2017

República

Amigos, parentes, clientes e parceiros de negócios... Colegas de militância e fraternos companheiros... Permitam-me desabafar.
O político safado, bandido, corrupto, de algum modo assassino, sem pudor e sem caráter, inimigo público e sujo, não tem medo de povo. Aposta na memória curta do eleitor, que repete os mesmos erros a cada 4 anos, votando muitas vezes por conta da compra vil e pobre de votos a que é submetido.
Este servo da desordem e modelo vivo da decadência da espécie humana, não tem medo da justiça. Anda de braços dados com os mesmos amigos que seus julgadores cultivam. Quando não, juiz e julgado servem aos mesmos patrões.
Esse canalha não tem medo da mídia. Ela opera por força de poderes invisíveis aos olhos comuns, mas que reforçam o "status quo" que sustenta a classe política e a mão pecaminosa do Estado.
Nefasto e cruel, hipócrita e demagogo, o mal político se enfastia da indecência de empresários inescrupulosos que compram tudo à sua volta. Corruptores e sonegadores são estes senão iguais, até piores que suas crias, os políticos de "rabo preso".
Políticos degenerados, vendem a nação... Vendem nossas riquezas naturais... Entregam a preço de banana ou de graça, nossa soberania e nosso orgulho pátrio.
Parece não haver como combater este mal.
De quando em quando sucumbem diante um escândalo, uma gravação, um vídeo ou uma ligação rastreada, elevando-se logo em seguida com apoio irrefreável da classe média, desconhecedora de seu lugar na sociedade e portanto, confusa quanto à classe a que pertence, pois jaz iletrada e arrogante.
Fico cansado e lamento pelas gerações futuras. Que país lhes sobrará? Que moral ser-lhes-á legada?
Num tríduo de poderes corrompidos, sangra nossa constituição e soçobram seus preceitos.
Lamentável momento de nossa história em que notamos ao nosso redor o esvaziar das ruas, a inexistência do ideal revolucionário e sobretudo a condescendência de um povo que prefere tocar, na individualidade, sua vida pessoal sob o silêncio e prostrado.
Deixo ainda o alerta para quem só vê uma nuance, ou só repele um partido. Tudo está debulhado. As instituições falidas e os ideais cambaleantes. Só nos restaria a união entre nós, os ditos "de bem", mas esta já foi quebrada, cuidadosa e ardilosamente abatida com a desculpa de se "mudar o governo" que passou.
Que retrocesso... Que vergonha... Que tragédia.
O fora já não é mais pro Temer. Invade os três poderes. Resvala na mídia vendida, na indignação seletiva do cidadão e sobretudo a este monstruoso e ultrapassado formato de República.

domingo, 18 de junho de 2017

Desiderata

Vá placidamente por entre o barulho e a pressa e lembre-se da paz que pode haver no silêncio.
Tanto quanto possível, sem sacrificar seus princípios, conviva bem com todas as pessoas.
Diga a sua verdade calma e claramente e ouça os outros, mesmo os estúpidos e ignorantes, pois eles também têm sua história. Evite as pessoas vulgares e agressivas, elas são um tormento para o espírito.
Se você se comparar aos outros, pode tornar-se vaidoso ou amargo, porque sempre existirão pessoas superiores e inferiores a você.
Usufrua suas conquistas, assim como seus planos. Manter-se interessado em sua própria carreira, mesmo que humilde, é um bem verdadeiro na sorte incerta dos tempos.
Tenha cautela em seus negócios, pois o mundo é cheio de artifícios, mas não deixe isso te cegar à virtude que existe. Muitos lutam por ideais nobres e por toda parte a vida é cheia de heroísmo.
Seja você mesmo. Sobretudo, não finja afeições.
Não seja cínico sobre o amor, porque, apesar de toda aridez e desencantamento, ele é tão perene quanto a relva.
Aceite gentilmente o conselho dos anos, renunciando com benevolência às coisas da juventude.
Alimente a força do espírito para ter proteção em um súbito infortúnio. Mas não se torture com temores imaginários. Muitos medos nascem da solidão e do cansaço.
Adote uma disciplina sadia, mas não seja exigente demais. Seja gentil consigo mesmo.
Você é filho do Universo, assim como as árvores e as estrelas
Você é filho do Universo, assim como as árvores e as estrelas. Você tem o direito de estar aqui.

E mesmo que não lhe pareça claro, o Universo, com certeza, está evoluindo como deveria.
Portanto, esteja em paz com Deus, não importa como você O conceba.
E, quaisquer que sejam as suas lutas e aspirações no ruidoso tumulto da vida, mantenha a paz em sua alma.
Apesar de todas as falsidades, maldades e sonhos desfeitos, este ainda é um belo mundo. Alegre-se. Empenhe-se em ser feliz!

(Desiderata, do latim "coisas desejadas", é um poema que foi encontrado num livro da igreja de Saint Paul, em Baltimore, nos EUA. Muitos o atribuíram a um autor anônimo, e a data de sua publicação é igualmente considerada por muitos como o ano de 1692. Na realidade, se trata de um poema do escritor americano Max Ehrmann (1872–1945), e que foi escrito em 1927. O motivo da confusão é que em 1956 o poema foi inserido numa compilação de textos devocionais pelo reverendo que na época presidia a igreja de Saint Paul. 1692 é, em realidade, o ano de fundação desta igreja. Isso tudo, entretanto, não retira a grandiosidade e beleza do poema."

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