sábado, 28 de abril de 2012

Heróis latino-americanos

Como o papel aceita tudo, até mesmo a minha opinião pouco preparada e academicamente nula, sou muito cauteloso ao indicar esse ou aquele livro ou leitura.
Recentemente, no entanto, ganhei de um colega de trabalho, promovido a amigo e recentemente ocupante do posto de "camarada", tendo por esta denominação a definição de um fiel parceiro (ou simpatizante) da ideologia marxista, o livro "Guia Politicamente Incorreto da América Latina".
Trata-se de um trabalho produzido por dois jornalistas que tiveram ou têm estreitas ligações com a Revista Veja (o que me preocupa), mas que chama nossa reflexão para alguns personagens que compõe nosso "rol" de heróis latino americanos.
Seria o Che um homofóbico?  Pancho Villa um latifundiário cruel?  Simon  Bolívar não queria negros no poder?
Convido o visitante deste blog a uma leitura, para poder discutir depois sobre estas e outras afirmações perversas, quem sabe sem embasamento, que os autores fazem no decorrer das páginas.



As muitas vidas do videogame


Meus filhos estão fissurados em tecnologia. 
X-box, Tablit, Notebook, celular.  Não fazem outra coisa quando estão em casa.

Se vão pra casa de amiguinhos, fico sabendo depois que lá estavam a utilizar tais equipamentos que os colegas também possuem.

Falta de firmeza minha e da mãe em não darmos ou deixarmos este exagero de luzes, cores, sons e adrenalina que compõem os joguinhos e aplicativos dos mais diversos, tomarem conta de suas vidas.  Mais minha é verdade.

Mas como se briga contra a realidade? 

Trabalho em um emprego no qual saio de casa antes das 7h30 e até devido a morar longe, não volto pra casa antes das 20h30, quando cedo. 

Minha mulher também trabalha e fica fora o dia todo, então tentamos suprir nossa ausência com atividades extras como música, esporte e uma escola séria que toma conta de boa parte do dia dos meninos.

Resta-nos a noite para conversarmos, dedicarmo-nos a uma boa leitura, quando muito cansados um filme juntos, mas este seria o mundo perfeito de Walt Disney.

Pois o fato é que todos, todos os cinco, cansados pelo dia alucinante, queremos nos recolher a nós mesmos e ao invés de tarefas coletivas, nos damos o direito de nos fecharmos na leitura de e-mails, facebooks, programas vazios na TV que cada um assiste em separado ou mesmo ao cochilo no sofá.

Assim, as crianças, por exclusão de opções, dedicam-se ao que fazem muito bem.  Jogar e jogar.

Não teria nada demais, se não fossem algumas questões:

a)     Desligamento total da realidade e alienação;

b)    Prática estressante que dissolve energia e vitalidade, enquanto agride o organismo com excessos de adrenalina e outras substâncias;

c)     Banalização (simplificação e normalização) de agressividade, terror, palavras de baixo calão, erotismo e outros componentes presentes em boa parte destes joguinhos vendidos até em padarias.

Tem também a falsa ideia de eternidade e imortalidade provocada pelas inúmeras chances ou “vidas” que o protagonista possui ao tentar isso ou aquilo, matar e lutar, destruir-se e começar de novo.

Não seria esse último problema uma forma de dizer aos dominados viciados no videogame que tudo é permitido, pois qualquer coisa basta “resetar” e lá estão de volta?

Queria muito ouvir a opinião de psicólogos.  Mas uma opinião concreta e formada, pois outro dia, vendo um debate entre profissionais da área na TV, enquanto um dizia que o jogo era anti estressante, o outro afirmava que era altamente estressante.  Enquanto um dizia que não aumentava a agressividade no adolescente, o outro pregava o totalmente contrário.

Quem poderia me ajudar nisso?

E de posse desta opinião, quem me faria capaz de estabelecer uma regra em casa, mas efetiva e plausível e não “faz de conta” como naquelas famílias de pentecostais que não permitem aos filhos ver TV, maquilar-se ou trajar isso ou aquilo e o que mais vemos são jovens oriundos destes berços vendo TV na casa dos amigos, meninas se maquilando no trabalho e se limpando para voltar para casa etc.? (Tinha uma amiga qdo. jovem que ia de calças compridas ou bermudas na escola, mas antes de chegar em casa passava no shopping ou outro lugar para se trocar e colocar saia até os joelhos para não contrariar os pais).  Mentia pra eles e sofria bastante num mundo onde o vestir tem importância quase zero se compararmos com as informações recebidas 24 horas pela mídia e outros meios.

Não quero criar pequenos transgressores que mintam para mim ou façam coisas pelas minhas costas.  Não quero criar crianças que terão menos assuntos para tratar com os amiguinhos nas rodas de discussão nos intervalos da escola.  Alienígenas que jamais serão intelectuais só porque eu quero ou sonhei.

Mas tudo me parece exaustivo e sem saída, até por ter chegado onde chegou. 

Sinto às vezes a vontade de que a vida fosse como um desses joguinhos em que, ao errar o caminho, simplesmente começamos de novo “startando” outra vidinha.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Uma Revolução está Ocorrendo na Europa


Islândia: do ardor revolucionário à descrença

"Manifestações derrubaram governo e prenderam banqueiros no início da crise
Por João Moreira Salles

Recentemente surpreenderam-nos os acontecimentos de Tunísia que desembocaram na fugida do tirano Ben Ali, tão democrata para ocidente até anteontem e aluno exemplar do FMI. No entanto, outra “revolução” que tem lugar desde faz dois anos foi convenientemente silenciada pelos meios de comunicação ao serviço das plutocracias europeias.

Ocorreu na mesmíssima Europa (no sentido geopolítico), num país com a democracia provavelmente mais antiga do mundo, cujas origens remontam ao ano 930, e que ocupou o primeiro lugar no relatório da ONU do Índice de Desenvolvimento Humano de 2007/2008. Adivinhais de que país se trata? Estou seguro de que a maioria não tem nem ideia, como não a tinha eu até que tomei conhecimento por acaso (apesar de ter estado ali em 2009 e 2010). Trata-se de Islândia, onde se fez demitir a um governo ao completo, nacionalizaram-se os principais bancos, decidiu-se não pagar a dívida que estes criaram com Grã-Bretanha e Holanda por causa de sua execrável política financeira e se acaba de criar uma assembleia popular para reescrever a sua constituição.

E todo isso de forma pacífica: a base de caçarola, gritos e certeiro lançamento de ovos. Esta foi uma revolução contra o poder político-financeiro neoliberal que nos conduziu até a crise actual. Aqui está o motivo por que não se deram a conhecer estes factos durante dois anos ou se informou frivolamente e de passagem: Que passaria se o resto de cidadãos europeus tomasse exemplo? E com isto também confirmamos, uma vez mais por se ainda não estava claro, ao serviço de quem estão os meios de comunicação e como nos restringem o direito à informação na plutocracia globalizada de Planeta S.A.

Esta é, brevemente, a história dos factos:

  • - No final de 2008, os efeitos da crise na economia islandesa são devastadores. Em Outubro nacionaliza-se Landsbanki, principal banco do país. O governo britânico congela todos os activos da sua subsidiaria IceSave, com 300.000 clientes britânicos e 910 milhões de euros investidos por administrações locais e entidades públicas do Reino Unido. A Landsbanki seguir-lhe-ão os outros dois bancos principais, o Kaupthing e o Glitnir. Seus principais clientes estão nesse país e na Holanda, clientes aos que seus estados têm que reembolsar suas poupanças com 3.700 milhões de euros de dinheiro público. Por então, o conjunto das dívidas bancárias de Islândia equivale a várias vezes seu PIB. Por outro lado, a moeda desaba-se e a carteira suspende sua actividade depois de um afundamento de 76%. O país está em bancarrota.
  • - O governo solicita oficialmente ajuda ao Fundo Monetário Internacional (FMI), que aprova um empréstimo de 2.100 milhões de dólares, completado por outros 2.500 milhões de alguns países nórdicos.
  • - Protestantes em frente ao parlamento em Reykjavik sempre a aumentar. Em 23 de Janeiro de 2009 convocam-se eleições antecipadas e três dias depois, as caçaroladas já são multitudinárias e provocam a demissão do primeiro-ministro, o conservador Geir H. Haarden, e de todo seu governo em bloco. É o primeiro governo que cai vítima da crise mundial.
  • - 25 de Abril celebram-se eleições gerais das que sai um governo de coalizão formado pela Aliança Social-democrata e o Movimento de Esquerda Verde, encabeçado pela nova Primeira Ministra Jóhanna Sigurðardóttir.
  • - Ao longo de 2009 continua a péssima situação econômica do país e no ano fecha com uma queda do PIB de 7%.
  • - Mediante uma lei amplamente discutida no parlamento propõe-se a devolução da dívida a Grã-Bretanha e Holanda mediante o pagamento de 3.500 milhões de euros, soma que pagarão todas as famílias islandesas mensalmente durante os próximos 15 anos ao 5,5% de interesse. Os cidadãos voltam à rua e solicitam submeter à lei a referendo. Em Janeiro de 2010 o Presidente, Ólafur Ragnar Grímsson, nega-se a ratificá-la e anuncia que terá consulta popular.
  • - Em Março celebra-se o referendo e o NÃO ao pagamento da dívida arrasa com um 93% dos votos. A revolução islandesa consegue uma nova vitória de forma pacífica.
  • - O FMI congela as ajudas económicas à Islândia, à espera de que se resolva a devolução da sua dívida.
  • - A tudo isto, o governo iniciou uma investigação para dirimir juridicamente as responsabilidades da crise. Começam as detenções de vários banqueiros e altos executivos. A Interpol dita uma ordem internacional de detenção contra o ex-Presidente do Kaupthing, Sigurdur Einarsson.
  • - Neste contexto de crise, elege-se uma assembleia constituinte no passado mês de Novembro para redigir uma nova constituição que recolha as lições aprendidas da crise e que substitua a actual, uma cópia da constituição dinamarquesa. Para isso, recorre-se directamente ao povo soberano. Elegem-se 25 cidadãos sem filiação política dos 522 que se apresentaram às candidaturas, para o qual só era necessário ser maior de idade e ter o apoio de 30 pessoas. A assembleia constitucional começa o trabalho este mês de Fevereiro de 2011 e apresentará um projecto de carta magna a partir das recomendações acordadas em diferentes assembleias, que celebrar-se-ão por todo o país. Deverá ser aprovada pelo actual Parlamento e pelo que se constitua depois das próximas eleições legislativas.
  • - E para terminar, outra medida "revolucionária" do parlamento islandês: a Iniciativa Islandesa Moderna para Meios de Comunicação (Icelandic Modern Média Initiative), um projecto de lei que pretende criar um marco jurídico destinado à protecção da liberdade de informação e de expressão. Pretende-se fazer do país, um refúgio seguro para o jornalismo de investigação e a liberdade de informação onde se protejam fontes, jornalistas e provedores de Internet que hospedem informação jornalística; o inferno para EEUU e o paraíso para Wikileaks.



Pois esta é a breve história da Revolução Islandesa: demissão de todo um governo em bloco, nacionalização da banca, referendo para que o povo decida sobre as decisões económicas transcendentais, encarceramento de responsáveis da crise, reescritura da constituição pelos cidadãos e um projecto de blindagem da liberdade de informação e de expressão.

Disseram algo os meios de comunicação europeus? Comentou-se nas repugnantes tertúlias radiofónicas de políticos de médio cabelo e mercenários da desinformação? Viram-se imagens dos factos pela TV?

Claro que não. Deve ser que aos Estados Unidos de Europa não lhes parece suficientemente importante que um povo pegue as rédeas da sua soberania e plante contra o rolo neoliberal. Ou quiçá temam que se lhes caia a cara de vergonha ao ficar uma vez mais em evidência que converteram a democracia num sistema plutocrático onde nada mudou com a crise, excepto o início de um processo de socialização das perdas com recortes sociais e precarização das condições de trabalho. É muito provável também que pensem que ainda fique vida inteligente entre as suas unidades de consumo, que tanto gostam em chamar cidadãos, e temam um efeito contágio. Ainda que o mais seguro é que esta calculada desvalorização informativa, quando não silêncio clamoroso, se deva a todas estas causas juntas.

Alguns dirão que Islândia é uma pequena ilha de tão só 300.000 habitantes, com uma estrutura social, política, económica e administrativa muito menos complexa que a de um grande país europeu, pelo que é mais fácil organizar-se e levar a cabo este tipo de mudanças. No entanto é um país que, ainda que tem grande independência energética graças a suas centrais geotérmicas, conta com muito poucos recursos naturais e tem uma economia vulnerável cujas exportações dependem num 40% da pesca.

Também haverá quem dirá que viveram acima de suas possibilidades endividando-se e especulando no casino financeiro. Igual que o fizeram o resto dos países guiados por um sistema financeiro liberado até o infinito pelos mesmos governos irresponsáveis e suicidas que agora se jogam as mãos à cabeça. Eu simplesmente penso que o povo islandês é um povo culto, solidário, optimista e valente, que soube rectificar-lhe mostrando valentia, indo contra ao sistema e dando uma lição de democracia ao resto do mundo.

O país já iniciou negociações para entrar na União Européia. Aguardo, por seu bem e tal e como se estão a pôr as coisas no continente com a praga de vigaristas que nos governam, que o povo islandês complete sua revolução recusando a adesão. E oxalá ocorresse o contrário, que fosse a Europa a aderir à Islândia, porque essa sim seria a verdadeira Europa dos povos."

Fonte: NSMB
Tradução do Diário Liberdade, rectificado

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Marcelo, marmelo, martelo.

Nem todo mundo tem o privilégio de ter irmãos.
Entre aqueles que os possuem, há uma diminuição do número entre aqueles que possuem apenas um.
Por fim, entre as pessoas que possuem apenas um irmão é diminuto o número dos que tendo este único irmão, o possam considerar como irmão de fato, alguém além dos laços de consanguinidade. 
Eu tenho esta felicidade.  Tenho um irmão verdadeiro, amigo leal e dedicado, sincero e valoroso, que sempre esteve por perto quando precisei e inclusive se antecipando às minhas possíveis necessidades.
Geralmente, os irmãos mais novos admiram os mais velhos.  No meu caso é o contrário.  Tenho um profundo respeito e admiração pelo meu caçula.
Marcelo Gomes, Doutor em Ciências Sociais formado pela UNESP de Araraquara e Doutorado pela UNICAMP, pai de Annia Yeva e companheiro leal e fiel de Vanessa Andrade, defensor ardoroso das causas humanas, marxista convicto, nem sempre foi estudioso.
Fugia da escola, repudiava acordar cedo e sobretudo, amava e ama a natureza.  Tinha e tem tudo para ser um biólogo, no mínimo um morador da floresta ou dos mares distantes.
Mas enveredou-se pelas lutas sociais e abraçou sua formação acadêmica com fervor.
Respeitado entre os seus, dá de si para outrem, independente de quem seja.  Não nutre os vícios do consumismo desenfreado, não engole as imposições midiáticas ou oriundas de modismos. 
Capaz sempre de um bom debate é voz firme contra injustiças.
Abre os olhos e ouvidos dos que têm a satisfação de conviverem próximos e não raramente nos ajuda a pensar melhor diante posições.
Os laços fraternos que nos unem são inquebrantáveis e sua existência para nós é uma benção.
Corinthiano, ariano (no signo) e defensor do Comunismo de Marx, fez aniversário neste 10 de abril.
Receba meus cumprimentos e homenagens.

domingo, 8 de abril de 2012

Fórum de Associações de Moradores de Bairros de São José do Rio Preto

Estou muito feliz.  Dia desses ao chegar em casa, já por volta das 21h, encontrei-me no portão com o amigo Carlos Feitosa, ex-vereador, que trazia consigo um pequeno quadro.
Tratava-se de uma homenagem do Fórum das Associações de Moradores dos Bairros de São José do Rio Preto, certificando-me como fundador dessa instituição.
O Certificado trazia a data de 18 de março, exatamente 10 anos depois da fundação que se deu em 2002.
Agradeço este reconhecimento, pois não é sempre que somos reconhecidos por algumas atitudes no campo político e cumprimento aqui os subscritores Cida Maracanã, David Cardozo e Donizetti Donaire, este último, seu atual presidente.
Auguro sucessos ao Fórum, cujo papel fundamental é o fortalecimento da sociedade organizada frente a interesses contrários que possam submetê-la.

Páscoa

Páscoa para mim sempre foi um momento muito especial do ano.
Desde que aprendi que devemos comemorar a morte do velho homem e o nascimento do novo "eu", modificado pela reflexão quaresmal, tenho encarado a Páscoa como mais importante que o Natal, para um Cristão.
Nesta ano, como fazia antigamente, fui até minha antiga comunidade, na vila Maceno.  A Paróquia de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento do Mont Serrat, dirigida divinamente pelo seu responsável o Padre Antônio Valdecir Dezidério.
Foi lá que nasceu o GEAPOL e lá que retornei também ao berço da Igreja após um longo hiato em minha caminhada.
Valdecir teve importância fundamental nisso, pois deu-me responsabilidades, ajudou-me na reflexão e sobretudo foi um ótimo dirigente.  Levou-me com ele à Rede Vida, nos seus primórdios, onde mais de 50 missas contaram com meus comentários.  Apresentou-me ao amigo e grande pastor que o é sem dúvidas D. Orani Tempesta, Bispo de Rio Preto, hoje Arcebispo do Rio de Janeiro.
Trabalhei com grande honra à frente da Pastoral Social Diocesana, onde com certeza contribui pouco, mas cresci muito.  Tudo devido a este amigo e companheiro, verdadeiro guia.
Foi ali, na Igreja do Santíssimo Sacramento, e pelas mãos do Padre Valdecir que casei e batizei dois de meus três filhos.
Nesta noite de Vigilia Pascal, a emoção de retornar, contudo, não foi igual a emoção de participar de uma celebração linda, emocionante, dirigida com fervor pelo seu presidente e por todos os seus colaboradores.
Uma verdadeira alma viva tomou conta de todos e a espiritualidade, tão marginal em alguns cultos católicos, ali se fez presente com força total.
Revi amigos, me emocionei muito e ao lado de minha mãe que estava comigo, aprendi que há pessoas, como Valdecir, que são realmente chamados a seguir um caminho e ao dizerem sim, o vivem na sua plenitude.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Palestra, América e Rio Preto - frutos de gestões danosas.

Nasci, me criei e crio meus filhos em São José do Rio Preto.  A cidade é linda, sempre me ofereceu acolhida e trabalho. 
Seu clima é extremamente quente, mas embora incomodado, dou um jeito nisso.
Aqui tenho família grande e muitos amigos. 
Já militei politicamente e por conta disso fiz muitos contatos valiosos aqui e acolá.
Agora, tenho que declarar-me plenamente envergonhado por morar aqui.  Não que a discussão esportiva ou sobre futebol supere todas as demais que já elenquei acima.  O fato em si é que denota a falta absurda de uma participação mais ativa da população.
Se por um lado, o riopretense aprendeu a se mobilizar quanto a certos casos de negativo destaque no cenário político (meus cumprimentos ao Vergonha Rio Preto, por exemplo), por outro ainda há coisas que passam a salvo de nossa indignação.
Aqui saliento o caso do rebaixamento dos dois times da cidade, América e Rio Preto.
Aparentemente sem importância, a questão que fica disso é o descaso, incompetência, irresponsabilidade entre outros adjetivos, com que os administradores dos dois clubes encararam sempre sua conduta.
Já não bastava terem acabado com o grande Palestra, clube que representou um enorme potencial para todo o coletivo de nossa cidade, pelos mesmos motivos acima, tratar como foram tratados América e Rio Preto pelos seus gestores mereceria um ato público.
Enfim, não sei nem bem o que defender aqui, já que o certo seria nossa imprensa desnudar o passo-a-passo desse processo de degeneração dos 3 clubes para que todos soubessem quem esteve presente ali e quem fez o que.
Será que conseguimos isso?

domingo, 1 de abril de 2012

Homenagem ao Mestre

Mundo Moderno

por Chico Anysio

Mundo moderno, marco malévolo, mesclando mentiras, modificando maneiras, mascarando maracutaias, majestoso manicômio.
Meu monólogo mostra mentiras, mazelas, misérias, massacres, miscigenação, morticínio – maior maldade mundial.
Madrugada, matuto magro, macrocéfalo, mastiga média morna. Monta matungo malhado munindo machado, martelo, mochila murcha, margeia mata maior.
Manhãzinha, move moinho, moendo macaxeira, mandioca.
Meio-dia mata marreco, manjar melhorzinho.
Meia-noite, mima mulherzinha mimosa, Maria morena, momento maravilha, motivação mútua, mas monocórdia mesmice. Muitos migram, macilentos, maltrapilhos. Morarão modestamente, malocas metropolitanas, mocambos miseráveis. Menos moral, menos mantimentos, mais menosprezo. Metade morre.
Mundo maligno, misturando mendigos maltratados, menores metralhados, militares mandões, meretrizes, maratonas, mocinhas, meras meninas, mariposas mortificando-se moralmente, modestas moças maculadas, mercenárias mulheres marcadas.
Mundo medíocre. Milionários montam mansões magníficas: melhor mármore, mobília mirabolante, máxima megalomania, mordomo, Mercedes, motorista, mãos… Magnatas manobrando milhões, mas maioria morre minguando. Moradia meia-água, menos, marquise.
Mundo maluco, máquina mortífera.
Mundo moderno, melhore. Melhore mais, melhore muito, melhore mesmo. Merecemos.
Maldito mundo moderno, mundinho merda.

As peripécias de Baía - Remanescências de Carlos Alberto Gomes (Gomes de Castro)

As peripécias de Baía.                 "É desnecessário que se diga o porquê do apelido desse rapaz. Muito pouco crédito se de...