quarta-feira, 6 de abril de 2016

As pessoas do meu país estão cansadas. Cansadas desta oposição irresponsável que após perder as eleições de 2014, vem trabalhando incessantemente para a desestabilização política e econômica do Brasil.
Muitos resultados funestos deste vandalismo político são claramente perceptíveis.
Mais de um ano se completou sob a convulsão provocada por políticos inoperantes, que não tendo sequer a competência de ganhar o pleito nos dois primeiros turnos, criaram um terceiro que não tem fim.
Enquanto distraem a população com seus gritos em “prol da moralidade”, do "impeachment" sem força e sem razão, estes imorais obnubilam a vista desta mesma população perante as canalhices cometidas em votações perigosas no Congresso.
Bradando pelo fim da corrupção, ao mesmo tempo blindam corruptos de carteirinha e comprovada falta de honestidade dos mais diversos partidos.
Desenterram intolerâncias já vencidas propagando o separatismo, o racismo, o fascismo, o nazismo e todas as demais bandeiras de ódio que o mundo já repudiou.
Celebrando a impunidade, jorram de “gozo” quando seus adversários são punidos, quase sempre com desigualdade de julgamentos e provas.
Destemperam os debates, maculam os movimentos de rua, distorcem julgamentos, criam notícias fantasiosas com o mais absoluto conluio e apoio dos mandatários midiáticos e promovem o caos, a insegurança, o desânimo, a descrença e sobretudo abatem a esperança da classe trabalhadora e produtora.
Não percebem estes que seu mise-em-scéne, em que pese o talento indiscutível, já cansou? Que seu lamuriar já não carreia unanimidade? Que o que fazem de fato é prestar um desserviço à democracia? Claro que percebem, mas são tolos demais para voltar atrás enquanto é tempo e salvar-se, ainda que em parte.
Deviam saber que o brasileiro de verdade quer trabalhar, suar a camisa, vencer a luta do dia a dia, construir sua vida como sempre fez, sem contar com a ajuda de ninguém e sobretudo, sobreviver ainda que com a pouca dignidade que, pelo menos os governos de Lula e Dilma lhe garantiram. Coisas que antes eram impensáveis como acesso às universidades, um salário um pouco mais digno, possibilidade de conquista da moradia própria e outras atrasadas conquistas.
Quem diz o contrário o faz porque está deslumbrado pela mobilização que encanta, ou então desconhece todas as estatísticas. Será que vão ter que esperar pelos livros de história do futuro, já que parecem não ter lido os de agora?
Pobres infelizes, são partidários do "quanto pior melhor", ou apenas arautos da terceirização de suas incapacidades, buscando culpados fora de si mesmos, por aquilo que não conquistaram. Esquecem, talvez, que o Brasil somos todos nós.
Sempre houve quem idolatrasse os modos de vida europeu, americano e neste quesito, não dá mesmo para querer que joguem a favor do próprio país. Mas pra piorar, capitaneados por figuras de "certo prestígio" e muita lábia, são rapidamente cooptados pela ideia do "e se".
A somatória dos impropérios lançados nos palanques, TVs, jornais e internet, mesmo no parlamento e nas ruas, são por si só uma demonstração cabal de desinformação e ressonância.
Só tenho a lamentar que boa parte de nossa gente não tenha ainda acordado e muitas vezes repita chavões que são instrumentos subliminares de domínio.
Ao lançarem seus gritos de “vão pra Cuba”, "petralhas", “bolivarianos”, "comunistas" e outras palavras de ordem, estas pessoas estão na verdade fazendo o jogo dos que sonham e sempre sonharam em soterrar qualquer possibilidade de uma revolução verdadeiramente humana e promotora da igualdade. Revolução esta, que o mundo ainda não conheceu e possivelmente nem conhecerá. Não enquanto a tirania e a gana por poder e riqueza permanecerem como objetivo primário dos vaidosos políticos do mundo, que ocupam o lugar que os bons e justos lhes outorgaram, talvez até por omissão.
Caberia portanto aos herdeiros de mandato, no mínimo o compromisso com esta confiança, com a verdade e com a Constituição.
É preciso agora anotar à caneta os nomes destes “eloquentes opositores ao governo”. Nomes de quem tanto tem prejudicado nossa nação. Desvalorizado as conquistas dos trabalhadores. Jogado por terra tanta batalha vencida. Sujado a imagem pujante do Brasil no exterior.
Nomes de quem defende o entreguismo, o esvaziamento do Estado, o golpismo, a manutenção dos privilégios e principalmente a repressão na figura dos que pedem o retorno da ditadura.
Anotar para não esquecer. Para que em momento oportuno, se faça a faxina completa, que por mais que esteja se verificando hoje, como nunca dantes, diga-se de passagem, ainda precisa alcançar os apaniguados do poder tradicional e secular que imperou por mais de 500 anos. Conservadores empoeirados e cobertos de ranhuras e rugas do atraso. Raivosos e sem folha de serviços prestados ao nosso Brasil.
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sexta-feira, 1 de abril de 2016

Pai, o que é "direita" e "esquerda" na política?

É claro que diante das discussões tão abertas dos últimos dias, as crianças em geral começam também a prestar mais atenção nas mesmas e nos seus detalhes.
Meu filho mais novo, dia destes, após ver alguma coisa na TV, me acorreu com esta dúvida: "O que é direita e esquerda, que estão falando?"
Pensei que eu tinha mesmo que responder, mas minha resposta não poderia ser de forma desleixada. Nem tão simplificada, mas muito menos complicando, querendo dar um sentido muito teórico.  E também eu devia ter cuidado para não ser tendencioso, pois óbvio, tenho minha convicção.
Enquanto eu falava, do meu jeito, fiquei imaginando que muitas pessoas também não sabem esta diferença, nem a importância de conhece-la, supondo inclusive que utilizem estes "rótulos" em alguma manifestação da qual participem, sem ter muita noção do que defendem.
Mas nem sei se há culpa neles, pois quem poderá dizer, diante do fim da Guerra Fria, ou mesmo do aparente adormecimento do nazi-fascismo que se pode classificar facilmente direita e esquerda?
O cientista político italiano Norberto Bobbio, morto em 2004, já citou que a dicotomia está subdividida em esquerda, centro-esquerda, centro, centro-direita e direita.  Contudo, ele mesmo sempre reforçou direita e esquerda, lembrando que ambas são muito claramente divididas.
Só que falar para meu filho conceituando, não seria muito útil.  Até porque se tentarmos entender direita e esquerda como dois pontos de uma reta, poderemos entender que, sendo opostos, não se cruzam.  Mas quando prestarmos mais atenção, veremos algumas semelhanças entre a extrema esquerda e a extrema direita, podendo então imaginar um "U".  É o que defendem alguns teóricos.  Eu mesmo compro esta ideia.  Mas claro, com reservas.  Fascismo e comunismo, não são as mesmas coisas.  A maior semelhança entre as duas extremas está no autoritarismo excessivo e no uso da violência como solução para conflitos. No mais, direita e esquerda são mesmo lados opostos.
Para não ficarem dúvidas maiores na cabecinha do meu filho, expliquei primeiro o que busca a esquerda.  A minoração das desigualdades humanas.  Enquanto isso a direita prega a manutenção das tradições e o entendimento de que as desigualdades são fruto da condição humana.
Sei que parece muito simplista e até com caráter maniqueísta, esta minha colocação.  Mas no fim é isto mesmo.  Então emendei que há partidos não tão facilmente classificáveis. Só pra constar, podemos dizer que há entre esquerda e direita, o centro.  No centro podemos colocar todos aqueles reformistas conhecidos como o liberalismo, a social democracia e alguns outros nomes que pegam carona nas ideologias mais explícitas, confundindo todo mundo depois.  Jurei que um dia ia escrever e separar num papelzinho, todos os Ps de centro, de direita e de esquerda do Brasil. (Como se fosse possível).
Só que eu sei, neste meu jeito de falar ficam faltando peças na minha resposta, principalmente sobre a diferença entre esquerda e direita.
Alguém um pouco mais informado que meu filho, irá perguntar onde está abordada a questão da propriedade privada e do controle dos meios de produção.
É que quando eu tenho que explicar a uma criança, dá pra resumir e dizer que a esquerda, no combate às desigualdades se valerá inclusive da mudança da ordem social.  Isto quer dizer que os conceitos de propriedade também podem ou devem ser revistos.  Já a direita, que não compactua com este rompimento, não apoia esta mudança, mas se finca na conservação.
No Brasil, como em boa parte do mundo, temos por vezes partidos que se denominam "de esquerda" fazendo defesas conservacionistas, ao mesmo tempo não é raro encontrar partidos caracterizados como "de direita" pregando algumas mudanças agressivas.  Mas isso se dá mais pela conveniência do que pela ideologia, penso eu.
Haja cabeça, né?
Quando acabei de explicar, meu filho conferiu:  "Qual é do bem e qual é do mal?"
Como eu queria simplesmente falar o que eu penso...  Mas não podia.
De algum modo eu tentei novamente explicar sem tender para um dos lados.  Mas eita como é difícil.
Falei que a busca pelo fim da desigualdade, supera a luta pelo simples crescimento individual.  Que só é possível haver a igualdade se todos formos mais parecidos no exercício dos nossos direitos e deveres.  E por parecidos, devemos ver tanto os aspectos físicos como sociais, ou seja, a igualdade independe do sexo, da cor, da raça, da nacionalidade e também da classe do indivíduo.  E que o mais difícil é, sem dúvidas, a igualdade entre pessoas de classes diferentes, pois como pode alguém que tem tudo ser igual a outro que não tem nada?  A distribuição de renda justa é um dos caminhos para isso.
Como nas crianças, a curiosidade é ilimitada, a satisfação ainda não era completa.  Ele quis saber onde estão os maus políticos, como os corruptos, por exemplo.
Eu não podia mentir para meu filho.  Corruptos estão em toda parte.  Nos partidos de esquerda, de direita, de centro e mesmo fora dos partidos, nas associações, igrejas, entre alguns membros do judiciário, escolas etc.
Falei ainda que o corrupto não tem cor, não tem ideologia e não tem "amor", pois só quer pra si, independente de quem pague por isso.
Antes de eu terminar, meio que não prestando muita atenção nesta parte, ele me veio com outra pergunta:  "Por que o pessoal da esquerda usa o vermelho e não o verde e o amarelo?"
A pergunta é simples, em que pese não ser necessariamente uma regra.  Mas aqui também não há como não tender para um lado.
O vermelho é a cor do sangue.  Todos os indivíduos o tem na mesma cor.  Não existe sangue azul. Mas ninguém é contra o verde e amarelo, ou qualquer outra cor de bandeira.  Só que quando estamos de verde e amarelo, estamos passando o recado de que, aquilo que buscamos é só para os brasileiros. Já quando estamos com o vermelho, a mensagem é de que desejamos o que buscamos para todo o gênero humano.
E deixei escapar que os sentimentos de fraternidade, igualdade e respeito ao próximo são assim mesmo. Não distinguem cara, nem credo ou qualquer outra característica.
O menino comentou que se era simples assim, parecia que não havia muito o que discutir.
Terminei então preocupado.  Acabei sem saber se meu filho entendeu tudo.  No final, ele fez uma cara de interrogação enorme.  Mas daí soltou:  "Ah, então eu já sei.  Você é de esquerda."
Juro que não confirmei, mas o abracei de forma muito especial.


A rainha caipira.

A partir de hoje, me dedicarei a publicar, de quando em quando, contos e crônicas escritos por meu pai, Carlos Alberto Gomes, que assina com...