quinta-feira, 19 de maio de 2011

Reflexões de um quarto de hotel

Esta semana estive no sul do país.  De Brasília, terra do Palocci e suas explicações sobre o seu henriquecimento, até Porto Alegre, passando por Floripa e agora Curitiba.  Então trago alguns comentários  destes momentos de reflexão solitária dos quartos de hotel.

Fiquei espantado ao rever as cidades satélites de Brasília.  Estão maravilhosas.  Aguas Claras, Taguatinga... como tudo está bonito e grande.  Desde a minha última estada por lá, quando das históricas passeatas, até hoje, cerca de 15 anos depois, a diferença é gritante.  Dá pra notar a grande megalópole que vai virar tudo aquilo.  Tive oportunidade de trombar com políticos nos corredores do hotel, no café da manhã e ouvir uma frase interessantíssima de um prefeito para o presidente da câmara da sua cidade, que era de oposição:  "Sua mulher trabalha pra mim e vossa excelência não me defende na tribuna?"

De lá fui ver o São Paulo perder em Florianópolis para o Avaí... Estava em uma pizzaria com amigos, quando o jogo começou.  Foi duro dormir.  Fogos vararam a noite, como vitória definitiva de final de campeonato.  Mal sabia eu que no domingo meu Corinthians padeceria nas mãos do "peixe" que, cá entre nós, mereceu ser campeão.  E Nylmar será, em muito pouco tempo, reconhecido como o melhor jogador brasileiro de todos os tempos.  Não tenho dúvidas.

A surpresa ficou pela manchete que vi no jornal gaúcho em Porto Alegre, dando conta da mais nova, poderosa e barata droga, o óxi.
Aquela altura, o "mal" já tinha invadido a terra do laçador.
Que horror.  Mata rápido, destrói todo o organismo do indivíduo, custa 20% do valor de uma pedra de craque.  Parece que foi feito para tirar das ruas os nóias e acabar de vez com os viciados mais pobres...
É tipo veneno de formiga, que extermina de vez.

Falando em nóias, estive em São Paulo há duas semanas e fiquei em um hotel nos Campos Elíseos/Santa Cecilia.  Me lembrei de cenas em que alguns viciados pareciam os zumbis de Resident Evil.  Dá uma pena danada desta gente, vítimada por uma sociedade consumista que esqueceu-se de olhar para os lados.  Fazer o que... Agora vem o óxi e resolve tudo.

Curitiba está linda.  É uma cidade linda.  Todo mundo bem vestido, progresso no ar.  Vamos fazer um road show da empresa por aqui.  Estamos afinados.  A única coisa ruím é se entupir de batatas fritas nos aviões.  Passagem barata é bom, mas o lanchinho podia ser melhor.  Vai uma dica pra estas companhias aéreas... Pelo amor de Deus.

Enquanto tudo isso acontecia comigo, na minha pequena Guapiaçu, o grupo de petistas que conheço, admiro e com quem luto por uma cidade mais feliz, está agitado.  Vem verba pra cidade e o partido quer acompanhar sua aplicação.  A desmobilização do grupo pode acontecer se não ficarem atentos para os encantos do executivo.  E como o presidente está, temporariamente afastado, a secretária e os militantes assíduos não desgrudam das ocorrências.  Muito bem.

Encerrando meus comentários, estou finalizando minha cidadania portuguesa e pensando... jamais vou conseuir um visto para os EUA na vida.  Como posso diante de meus comentários como o que vou fazer agora.  O Tio Sam acha que continua com podendo "botar banca".  Invade um país, mata sem julgamento o Osama, liquida com o corpo e resolve mais uma vez seus problemas de baixo índice de aceitação perante a sua população.  Não é normal o que se vê por lá.  São os donos do mundo mesmo.  Líbia, Siria... não têm limites?


É isso aí.  Tudo não passa apenas de opinião pessoal, ok?  Obrigado por ler.

domingo, 1 de maio de 2011

A HUMANIDADE DE CRISTO

Carlos Feitosa, ex-vereador e ex-secretario de governo municipal, também um grande amigo e camarada das principais lutas políticas que travei, me visita com frequencia.  Somos quase vizinhos.
Ele é daqueles, como outras grandes figuras que conheço, que não deixam adormecidas em mim a capacidade da indignação e a verdadeira autocrítica.

Hoje mesmo nos vimos.  Falamos sobre a beatificação de Carol Wojtila, sobre a saúde de Dilma, sobre a Câmara de Rio Preto e abordamos também a pedagogia da fé.

No período pós Páscoa, fala-se muito da Divindade do Cristo.  Mas pouco de sua humanidade.  Hoje, nos evangelhos da Igreja (Católica), foi dia do texto do apóstolo João.  Aquele que fala da visita de Cristo aos apóstolos num momento em que Tomé não estava.  Depois, numa segunda entrada Sua ao cenáculo, com a presença deste discípulo, Jesus o provoca: "És feliz pois crê por ver.  Bem aventurado quem acreditar sem ter visto".

Não quero julgar a fé de cada um.  Tampouco colocar em cheque a filiação direta de Jesus para com Deus.  Mas não temos, nós os cristãos, o direito de desprezar sua humanidade e a lição que deixou. 

Cristo foi preso, torturado e morto em três dias porque mexeu com privilegiados, atacou de forma dura a elite (do império romano) e da cúpula Judaica.  Passaram por cima de regras, direitos e em curto espaço de tempo definiram por sua saída do cenário.

Jesus foi tirado do caminho por provocar a reflexão nas massas.  Por defender a liberdade, a igualdade e a partilha.  Por pedir que andassem de cabeça erguida.  Reflexões estas que hoje não observamos ao divulgar sua vinda.

Falamos das ressuscitações, das curas e dos milagres que realizou (parte Divina), mas não mencionamos sua luta política diária em prol de um povo oprimido, massacrado e explorado.

Seria muito conveniente, nestes dias de pregação da doutrina, uma analogia com a eterna agressividade da esfera política.

A rainha caipira.

A partir de hoje, me dedicarei a publicar, de quando em quando, contos e crônicas escritos por meu pai, Carlos Alberto Gomes, que assina com...