quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Em meados de 1996 nascia em Rio Preto o Grupo de Estudos e Ação Política da Vila Maceno - GEAPOL, oriundo de reuniões que foram geradas em torno da Campanha da Fraternidade de então Justiça e Paz, na Paróquia de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento do Monte Serrat.
Dentre os objetivos do grupo, estavam a análise das ações políticas na cidade, o acompanhamento da Câmara Municipal e do Executivo, bem como a avaliação de questões sociais.
Apadrinhados pelos Padres Antônio Valdecir Dezidério e Jarbas Brandini Dutra, o grupo recebeu do então bispo D. Orani Tempesta a incumbência de dirigir na região as Semanas Sociais Brasileiras e as edições do Grito dos Excluídos.

Tragédia anunciada... e como.


Me incomoda muito a maneira  “sanguinária” como a mídia aborda tragédias, sejam elas grupais ou individuais.

Vejo os âncoras dos telejornais “empolgados” em dar notícias ruins, tentando disfarçar um misto de dor e de “prazer”.

Não quero dizer que se comprazam com as catástrofes, mortes, violência.  Mas não posso negar que há uma certa satisfação em seus rostos, talvez por saberem-se, naquele momento, alvos de todas as atenções. 

Com o ibope nas alturas preenchem toda a pauta dos telejornais ou programas matutinos e vespertinos com o depoimento deste ou daquele, opiniões deste ou daquele, enfim, substituem de imediato o entretenimento pelo sensacionalismo. 

E não fica uma emissora de fora desta briga ridícula.

Claro... só sabe o quanto dói, quem está vivendo o drama.  Mas cá entre nós, fica-se remoendo por dias a fio o caso, mostrando cenas e mais cenas, velhas e novas, do mesmo fato.

Produzem-se culpados de toda a ordem.  Condenam-se pessoas de todos os níveis, antes mesmo que a justiça possa se manifestar.  Transformam-se em jurados, as massas que acompanham os discursos (completamente sem embasamentos) dos “sensacionalistas de plantão”, que pra piorar não são só âncoras, mas apresentadores de programas questionáveis, dentre outros “fazedores” de opinião.

E da mesma maneira que estas manifestações ocorrem em casos coletivos como tragédias de alto grau de dor ou importância, são abordadas notícias sobre questões individuais, processos em discussão ou mesmo casos de interesse particular.

Disparates... O tempo todo.

Me lembro que vi nos jornais, anos atrás, num mesmo dia, a entrevista coletiva de um conhecidíssimo corrupto de nossa política nacional no Aeroporto de minha cidade e também uma cobertura completa de sua participação em uma reunião na Câmara Municipal repleta de partidários que ocorreu na sequencia.  Na página seguinte, o mesmo jornal anunciava a prisão de um pai de família que roubara um salame em um supermercado local. 

A diferença estava na abordagem. 

A reportagem sobre o político nada mencionava sobre os supostos dólares que o mesmo aplicara no exterior, sua conduta acompanhada por autoridades estrangeiras ou mesmo dezenas de fatos narrados por outros veículos que atestavam a má reputação deste político que incluía superfaturamento, desvio de divisas e outras “atrocidades”.  Mas a matéria sobre o “ladrão de salames” trazia até comentários de parentes que, entrevistados, diziam que ele já tinha uma conduta estranha e suspeita.  Moral da história, ninguém apurou o motivo pelo qual se rouba um salame e já se condenou o coitado às galés (ainda que não fosse preso, vá arrumar emprego com um barulho destes).  Enquanto isso, o do colarinho branco, foi ovacionado pela “opinião” pública.
 
Veja, não estou liberando o homem do supermercado, de suas responsabilidades.  Mas estou fazendo uma análise sobre a conduta do veículo de informação, que deixa passar "em branco" um já esclarecido caso de corrupção, mas não dá folga para um caso, talvez clássico, de roubo por necessidade.  Vai saber, né?

sábado, 12 de janeiro de 2013

Processo Político Municipal


Parece coisa de criança.

“Se não for nomeado, não brinco mais”...

O periférico cenário da política, sobretudo a municipal, envergonha quem tem o mínimo de vontade e tino para o assunto.

Em primeiro lugar caberia uma discussão pesada sobre a nomeação de pessoas que foram escolhidas pela população para cargos eletivos.

Se votei em alguém para vereador, era ali que o queria e não como secretário disso ou daquilo.  Sendo assim é bem mais sensato ao Prefeito nomear derrotados do que eleitos.

O eleito deveria recusar nomeações em respeito à votação que recebeu do seu eleitorado.

Um outro aspecto diz respeito à “escolha” do presidente da Câmara.  Seria muito mais sensato que o mais votado fosse automaticamente transportado a tal função, pelo menos no início da legislatura.  Ao invés disso, o que assistimos é um jogo incrível de negociações obscuras tanto entre os edis quanto perante o Executivo.

E destas brigas vão se formando os “apoiadores” e os “opositores”, como se os destinos das leis municipais dependessem das vaidades contrariadas de cada um.

Eu que sou militante político, membro de partidos e já concorri a eleições, fico com um enojamento insuportável destas coisas que leio na imprensa.  Imagino como não fica o eleitor ou o leigo que se vê como mero acidente na arrogância orgulhosa desta gente que, na maioria das vezes, compra o voto e por conta disso se apresenta como “iluminado”.

Se o processo político realmente não mudar, discussões acerca de corrupção e outras temáticas perdem o sentido se na base do sistema o que vemos é justamente esta patuscada.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Boa Reflexão




" Depois de 23 anos frequentando cadeias, não faz sentido especular como eu seria sem ter vivido essa experiência; o homem é o conjunto dos acontecimentos armazenados em sua memória e daqueles que relegou ao esquecimento. Apesar da ressalva, tenho certeza de que seria mais ingênuo e mais simplório. A maturidade talvez não me tivesse trazido com tanta clareza a percepção de que entre o bem e o mal existe uma zona cinzenta semelhante aquela que separa os bons dos maus, os generosos dos egocêntricos. Conheceria muito menos meu país e as grandezas e mesquinharias da sociedade em que vivo, teria aprendido menos medicina, perdido as demonstrações de solidariedade a que assisti, deixado de ver a que níveis pode chegar o sofrimento, a restrição de espaço, a dor física, a perversidade, a falta de caráter, a violência contra o mais fraco e o desprezo pela vida dos outros. Faria uma ideia muito mais rasa da complexidade da alma humana".

Drauzio Varella.

Visão privilegiada...


 
Podemos dizer que na vida, quase tudo é uma questão de ponto de vista.

As pessoas em geral dizem respeitar muito isso.  Não serem preconceituosas e tudo o mais.

Mas na verdade, quando alguém discorda de você ou simplesmente não concorda, a reação não é tão simples.

Recentemente, questões políticas fizeram “amigos” bloquearem meu perfil no facebook.  Quase sempre, um bom debate em família acaba virando uma pequena “guerra”.  A escolha por músicas provoca duelos no carro entre meus três filhos.  E assim vai.

Pois é.  Cada um quer fazer valer sua opinião a qualquer preço.

Não é errado isso.  Defender o tal ponto de vista com convicção é até salutar.  O que não se deve, no entanto, é desfazer da opinião alheia.  Tratá-la como ignorância ou erro só porque não condiz com o que sabemos ou aprendemos.

Mais que uma pessoa pode estar certa sobre algo, dependendo do prisma em que estão olhando.

O bairro onde moro, por exemplo.  Um condomínio de chácaras.  Um oásis de árvores, flores e pássaros nesta região já tão devastada. 

Nem todas as pessoas gostam.  Por conta disso, muitos são os que se mudam pra cá e detonam tudo.  Há alguns meses, terrenos inteiros sofreram a ação de máquinas que cortaram árvores, revolveram a terra e transformaram chácaras em terra limpa e lisa.

Outros cortaram os “excessos” e pequenos bosques viraram minicampos, gramados enfeitados etc.

Eu não quero ser o dono da verdade.  Mas por mais de uma vez eu tentei brigar pela manutenção das coisas por aqui.  Publiquei no blog, panfletei as caixas de correios dos moradores, tentei colaborar com integrantes da antiga diretoria da Associação de Moradores.  Tudo no sentido de dizer que alguns de nós temos direito de morar assim, no mato, cercados de natureza.  É uma opção de vida.

Desta feita, se a pessoa não o deseja, ao invés de vir para cá e transformar “campo em cidade”, fica por lá, nestes condomínios urbanos cheios de tudo o que há de melhor.

Há oito anos eu, minha mulher e filhos, moramos aqui.  Neste tempo já assistimos mudanças incríveis que praticamente deformaram o visual local.

Você não é obrigado a gostar daqui assim.  Mas nós que escolhemos aqui como era, temos o direito de deixar como está.

Por isso resolvi colorir este texto com estas fotos que, pra muitos é romantismo barato, falta do que fazer, ou qualquer outra coisa, mas pra mim é uma questão de ponto de vista e de escolha pessoal.

São momentos, pedaços pequenos, colhidos em apenas uma caminhada que fiz ao fim da tarde com meu irmão que está de passagem por aqui.

Enquanto a preocupação parece ser generalizada em consumir, comprar, ver carros, prédios, ruas entupidas de gente e objetos, placas e vitrinas, minha decisão foi virar a “objetiva” para estes raros e ao mesmo tempo simples presentes do Criador.

Quem sabe você me entende?

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Loteamentos Irregulares em São José do Rio Preto - Como está este assunto?


Em 2001 após ter recebido uma considerável votação para vereador em São José do Rio Preto, fui convidado pelo então prefeito eleito Edinho Araújo, hoje Deputado Federal pelo PMDB-SP, para integrar sua equipe de Assessores.

Acabei sendo nomeado Assessor Especial da Secretaria Municipal de Governo, então chefiada pelo ex-vereador Carlos Eduardo Feitosa, hoje PDT-SP.

Tive a honra de militar ali com todas as forças e aprender ainda mais os detalhes que a política traz em sua estrutura de forças.

O Prefeito Edinho, naquela oportunidade, lançou a Comissão Especial para Regularização de Loteamentos Irregulares que seria então presidida pelo Secretário de Governo, Carlos Feitosa e dentre outros, contava também com minha participação.

Ministério Público, OAB, IAB e outros órgãos importantes se fizeram representar neste processo e as reuniões que se seguiram foram incríveis.

Meu trabalho, especificamente, bem como dos demais integrantes da Secretaria, era cuidar da fiscalização para evitar o crescimento dos loteamentos e aparecimento de novos empreendimentos ilegais, bem como a organização popular daqueles moradores para que pudessem de forma oficial, estabelecer o mínimo de representatividade nas discussões e encaminhamentos que se fizessem necessários.

Mais tarde, com a saída de Carlos Feitosa, interinamente realizei e estive a frente de alguns procedimentos, sempre orientado por eficientes membros do quadro técnico da Prefeitura, com destaque ao Secretário de Obras do município, Israel Cestari, do então Secretário de Planejamento, Orlando Bolçone e do já falecido Secretário de Negócios Jurídicos, Adelício Teodoro.

Os 108 loteamentos herdados por desmandos e descuidos de governos anteriores, produzira um número inacreditável de pessoas sem a mínima estrutura necessária para uma vida digna.  Além da falta de asfalto, esgoto e outros componentes naturais de um bairro, esta população acabava tendo que usufruir de serviços precários de educação, saúde e abastecimento.

Quase sempre apadrinhados por um ou outro vereador, batiam permanentemente às portas das administrações do município, muitas vezes para contar com migalhas de atendimento a título de “favor”.

Nossa ação naquele instante, permitiu não só o estancamento do processo como a regularização de um dos bairros, a feitura do esgoto e asfaltamento de outro e na pior das hipóteses, a inclusão nas estatísticas daqueles moradores na prestação dos serviços públicos.

Me demiti da Secretaria de Governo em 2003, cargo que ocupei interinamente por duas vezes e ainda hoje não vi progresso no assunto, levado a crer que o atual governo nada produziu e se o fez, não deixa claro.

E fica em mim a pergunta sobre os diversos processos que se seguiam em que moradores organizados definiram associações de moradores, realizaram rateios de medições, recebimento de redes de energia, compra e doação de áreas comuns ao município etc.

Qual foi a sequencia e o respeito dedicado a esta gente que fez tudo conforme determinava a cartilha, corrigindo erros passados de loteadores irresponsáveis, corretores imobiliários incorretos e governantes displicentes.

Alguém é capaz de me dizer.

A rainha caipira.

A partir de hoje, me dedicarei a publicar, de quando em quando, contos e crônicas escritos por meu pai, Carlos Alberto Gomes, que assina com...