sábado, 23 de janeiro de 2016

RUMO AS ESTRELAS - Antares, Centauros, Halley, Orion e tantas mais.

No início da noite desta sexta-feira de janeiro, meu tio materno Moacyr Antunes, construtor em São José do Rio Preto, viajou para a espiritualidade.
Tive a sorte de no dia 1º de janeiro último, para a recepção ao ano de 2016, almoçar com ele, minha tia e meus familiares (meus pais, meu irmão,  cunhada, sobrinha e minha mulher e filhos, além de meu outro tio, Juracy).
Quis detalhar este almoço, pois foi um encontro íntimo, sem muito barulho e regado a muita conversa boa.  Uma real despedida sem que a soubéssemos.
Filho de Antonio Antunes e Lídia Peloso Antunes, seguiu o pai como construtor, na carreira que abraçou e exerceu de forma exemplar na cidade, brindando-a com obras inesquecíveis e inigualáveis.
Sua grife de edifícios de alto padrão e casas de luxo, representam bom gosto, vanguarda e qualidade que ficarão eternizadas, lembrando sua participação no progresso de Rio Preto.
Se não estou enganado, ele foi nascido em Palestina, aqui pertinho.  Mas escolheu nossa cidade para construir sua família e edificar, literalmente, sua história.
Eu precisaria de ajuda se quisesse quantificar as construções que receberam sua assinatura, mas os edifícios que ganharam nomes de estrelas, com certeza, são a coroação de seu trabalho.
Do Antares, na Avenida Alberto Andaló até o Orion, atrás do Wall Mart, um sinal inequívoco de seu toque pessoal, marca um a um.
Nas reminiscências de minha vida, estão cenas da minha infância brincando nos montes de areia da Casa do Construtor, na Boa Vista, empresa que por muitos anos foi marco no comércio regional de materiais para construção, que reuniam ainda a Elétrica Nonaka, a Tamoan Pisos e Azulejos, dentre outros negócios que sequer tenho conhecimento.
Criações de destaque como o Augustus Hotel e o Cemitério Jardim da Paz, já demonstravam, nas épocas em que foram concebidos por ele, seu espírito avançado e visionário.
Lembro-me quando, por volta de 1986, seu sonho era trazer para nossa cidade o primeiro shopping com um hotel de luxo anexo.  Neste instante eu trabalhava com ele em sua empresa MA Construção Civil no arrojado prédio da Alberto Andaló, onde recentemente se estabelecia o Consórcio do Grupo Tarraf.
Desde a maquete até as plantas deste grande projeto, a palavra para a definição era: “espetacular”.
Infelizmente, forças contrárias jogaram pesadamente contra, atrasando não só a vinda de uma obra de tal envergadura, como permitindo que  mais tarde, outro modelo de shopping, que acabou vingando por outras mãos, chegasse timidamente, soterrando nele a vontade de prosseguir neste intento.  Afinal, dois a cidade de então não comportaria.
Felizmente o mesmo vigor que caracterizou suas últimas horas de vida, jamais permitiu que parasse de criar e trabalhar.  Com isso, seu legado só fez aumentar em quantidade e qualidade desde então.
Espero sinceramente que sua passagem se dê de forma tranquila, serena e que possa, com grande alegria, reunir-se a seus amigos idos, para edificar, quem sabe onde, moradas de galante conforto a esperar pelos seus que um dia hão de ir.

Que descanse em paz.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

O VELHO E TRADICIONAL "TBC" - Um bate papo rápido e despretensioso sobre a venda de serviços

Estou completando, no próximo mês de fevereiro, trinta e quatro anos no Mercado de Trabalho.
Comecei bem jovem, aos 14 anos, primeiro em uma empresa (financeira) que não me registrou e sequer me pagava com regularidade.  Eu levava os cheques ao banco para “visar”.  Pode?  Funcionava assim antigamente. 
Ia a pé e pegava filas imensas, voltando a seguir.
Graças a Deus, em pouco tempo, recebi um convite de meu tio Moacir Antunes, para trabalhar na sua empresa.  Uma construtora. 
Lá fui devidamente registrado, recebia em dia e sempre tratado com muito respeito.  E posso garantir que isso não tinha nada a ver com a relação familiar, pois lá este assunto ficava bem separado.
Aprendi muita coisa que utilizo até hoje.  Trabalhei com leões e meu tio, sempre um grande empresário, sério e visionário, marcou-me para sempre.
O fato é que, em dado momento, ele vendeu a empresa para investidores de fora, abrindo outra mais tarde.  Neste hiato, eu fui para o Mercado de Seguros, onde me encontro até hoje.  Comecei em uma seguradora e depois fui trabalhar na Corretora de meu pai.
Com ele, que se tornou meu grande professor de vendas, aprendi a negociar, conversar e oferecer meu produto.
Ser vendedor passou a ser uma paixão e nunca mais consegui trabalhar em nada que não oferecesse comissionamento e a possibilidade de fazer meu próprio ganho.
Habilitei-me como Corretor de Seguros aos vinte e três anos e hoje dirijo uma grande Corretora de Seguros que se transformou numa rede de franquias de muito sucesso.
Sou convidado, vez por outra, para manifestar em palestras ou mesmo em eventos empresariais, minha opinião de como incentivar empresários do ramo da prestação de serviços, a venderem.
Tenho visto, nestas passadas, muitos empresários que simplesmente se acomodaram com bonitos escritórios, modernos computadores e o conforto do ar condicionado. Claro que existe a venda por telefone, por e-mail e mesmo impulsionada pelas redes sociais.  Mas estas são ferramentas de apoio e não devem ser encaradas como principais.
O bom e velho método “TBC – tirar a bunda da cadeira” ainda me parece ser o melhor caminho.
Há pessoas que acreditam no poder da divulgação.  E devem mesmo.  Divulgar é fundamental e fazer sua marca e produtos conhecidos, com certeza, gera vendas e confiança.  Mas panfletar e ficar sentado no escritório esperando os resultados, não me parece muito inteligente.  Desperdiça material.  O mesmo ocorre com inserções na TV, rádios e jornais impressos.
Há que se fazer um “link” entre a divulgação massificada e o trabalho direto e pessoal do vendedor (especialista no produto).
Se isso serve para seguros, serve para todos os produtos e também para a venda de serviços.
Hoje, com uma experiência que reputo, sem falsa modéstia, bastante grande, recomendo que todos os vendedores abusem do WhatsApp, dos e-mails, do Skype, dos sites, das redes sociais, do telefone e de todo tipo de divulgação.  Mas não abro mão de exigir contato direto, visita e aparições.
Como exemplo, cito minha forma de panfletar.
Ao invés de simplesmente despejar folhetos nas ruas, entregando-os indiscriminadamente nos sinais ou mesmo encaixando-os nos limpadores de para-brisas, sugiro a confecção de uma pequena pesquisa que leve a conversa mínima, culminando com a entrega do panfleto e de uma bala.  Os resultados já se verificam nas ruas, onde após a ação, nenhum panfleto é encontrado no chão, diferente da simples distribuição, onde todos jogam fora imediatamente.
O mesmo deve acompanhar uma entrega de orçamento.  Posso mandar por e-mail, mas nada substitui um contato subsequente que explicará a peça enviada e ainda tirará as dúvidas na hora.

São muitos, enfim, os meios para vender e vender bem alguma coisa.  Não seria um texto desses, curto e simples, que eliminaria dúvidas ou exauriria o tema.  Mas fica aqui, nestas curtas e rápidas palavras, a dica mais preciosa.  Nada ainda, desde que comecei a vender alguma coisa, quase 30 anos atrás, substitui a boa e competente relação interpessoal com o cliente.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

"Morra Odoricoooooo"

Acredito que muitos se lembram da célebre obra de Dias Gomes, intitulada "O Bem Amado", na qual uma cidade do interior da Bahia, apresentava um prefeito corrupto, dentro de um cenário pra lá de trágico, não fosse divertido.
Odorico Paraguaçu, interpretado pelo inesquecível Paulo Gracindo, era o prefeito da pequena cidade.
Me lembro que seus discursos eram inflamados e apesar do seu vocabulário próprio, o político fazia "tremer" os ouvintes, salvo os jornalistas, que lá eram comprometidos com a verdade e a seriedade no exercício da sua função.
Aqui nesta postagem, acrescento uma gravação extraída do Youtube e que mostra um pequeno trecho de seu discurso.
Ao final de cada comício, um bêbado, sempre presente junto ao público, gritava uma frase de agressivo protesto: "Morra Odorico".  Não raramente, acrescentava ao final um xingamento qualquer.
Diante disso o prefeito organizava, junto a seu fiel secretário, Dirceu Borboleta, papel do ator Emiliano Queiroz, um esquema para comprar o silêncio ou apoio do desaforado.
Odorico tinha amantes, se locupletava da coisa pública e bajulava poderosos.  Tudo aquilo que maus políticos praticam no dia a dia, nas grandes e pequenas cidades de nosso país.
Hilária e fictícia, a obra tinha sim um caráter crítico muito bom e ainda a podemos dizer atual, guardadas as devidas proporções.
Prefeitos e mesmo outros políticos em cargos executivos, ainda lutam por inaugurações e obras questionáveis, enfrentando o cerco, senão de uma imprensa bem articulada, de alguns oposicionistas de plantão.  Trabalham bem sua eloquência, não mais em palanques, mas em discursos ditados por marqueteiros e conselheiros nas redes sociais ou programas de TV.  Moralmente falando, muitos reprovam neste quesito perante a avaliação pública.
Mas claro... há exceções.  Eu sou um eterno otimista, mas mais que isto, observo e me interesso muito pela ação política de algumas figuras.  Isso me faz vigilante e me gabarita a afirmar que políticos honestos, trabalhadores e sensíveis aos anseios populares, não são tão raros como querem nos fazer acreditar.
Numa analogia concreta, atualmente temos assistido o esbravejar de parte das massas, tanto no Facebook, quanto nas ruas, exigindo o fim de um governo que se mostrou diferente em tudo e de maneira alguma se enquadra no perfil do personagem de Dias Gomes.  Parte da própria imprensa, também não economiza seu protesto quase parcial.
Seria quase um "morra Dilma", que mais do que precoce, tem nuances de irresponsabilidade.
Se a vontade é de que haja punições a criminosos e fim de roubalheiras, quem  nos garante que com sua saída do governo, as investigações, tão dinamicamente conduzidas, permanecerão na mesma toada?  Com os mesmos vigor e isenção?
Isto me preocupa, sobretudo comparando com a novela da década de 70, em que o mendigo embriagado dos comícios de Odorico, protestava mais pela folia de o fazer e pela chance de chamar a atenção do que pela consciência.  E justamente isso, tenho visto em parte dos clamores anti governo.
Enquanto as investigações correm, enquanto delações premiadas abundam, enquanto tantos criminosos de vários partidos e épocas se acumulam no processo denominado "LAVAJATO", não há que se tirar conclusões.
Esta manhã, passando por uma avenida em minha cidade, no interior paulista, vi um senhor, que não pela primeira vez, jazia num cruzamento carregando uma bandeira do Brasil e exibindo uma faixa que, em outras palavras, pedia pelo impeachment.  Foi este quadro que me fez lembrar da velha e saudosa Sucupira.

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A rainha caipira.

A partir de hoje, me dedicarei a publicar, de quando em quando, contos e crônicas escritos por meu pai, Carlos Alberto Gomes, que assina com...