segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013


Esta semana apimentei bastante meus dias com algumas discussões inflamadas.

Costumo utilizar um grupo no Facebook para divulgar idéias políticas ou mesmo para proporcionar um espaço para debates mais acalorados sobre o tema.

Ele se chama autocrítica e seria um prazer receber quem desejasse participar.

O grupo pegou fogo e alguns integrantes brigaram entre si, saindo pra cá e pra lá.

Eu penso que é preciso saber falar e saber ouvir. 

Convencer pessoas ou discutir com elas é uma arte.  Isso, claro, se queremos convencer ou desafiar nossas convicções escutando argumentos para nos derrubar as certezas.

Jamais fugi ao debate e jamais derrubei alguém do grupo para evita-lo.

 

Mas também tive que debater em espaço aberto. 

Houve uma grande chuva de gente na defesa da blogueira Cubana Yoani Sanchez.

Descobriu um negócio lucrativo ao criticar o governo cubano.  Dizendo-se perseguida, se duvidar vira candidata ao Nobel da Paz.

O caso é que há uma nuvem de suspeitas escabrosas sobre a moça, mas a mídia e setores da política nacional resolveram pegar carona na “luminosidade” da “nova defensora da liberdade”.

Falta um pouco de espírito crítico e pesquisa das pessoas em geral.

 

O Papa está saindo e aos poucos outras questões vêm surgindo.  

Fico pensando em algumas coisas.  Por exemplo, pra quem rezarão os católicos nas missas quando se referem, na oração eucarística, ao sumo pontífice no período da Se Vacante?  Ao camerlengo?
 

 

A torcida do Corinthians foi suspensa dos jogos da Libertadores.

Não vejo injustiça nisso, afinal, o estrago foi grande. 

Mas a forma como as pessoas têm colocado o assunto, não corresponde totalmente ao que seria correto.

Alguns elementos maus ou nem tanto, exageraram ou foram irresponsáveis na comemoração inconsequente, violentos ao extremo, culminando com a morte do garoto boliviano.  Pra que sinalizadores...?

Lamento profundamente.  Não há como reverter ou consolar os familiares.

No entanto, a generalização e mesmo espírito de raiva que se criou em alguns meios por conta da forma como a imprensa abordou, chamou-me muito a atenção.

Será que fosse um jogo da Seleção Brasileira, se refeririam assim aos “brasileiros”?  Sim, pois não foram os corinthianos.  Foram elementos da torcida do Corinthians. 

Amigos respeitáveis não me interpretaram bem e penso que fique uma impressão ruim do que quis dizer.

Culpa aos culpados.  Responsabilidade aos responsáveis.

Mas a generalização é grave.  Aceito a punição generalizada (suspensão da torcia nos estádios).  Puniu-se a torcida e ao time como um todo, talvez até comprometendo os resultados do campeonato, mas a atitude se justifica perante a gravidade do caso.

O discurso é que precisa ser pensado, sobretudo pelos formadores da opinião geral.




Mas eita briga sem glória essa minha contra a mídia.

 




E Lula que lançou Dilma de novo?  Eu que votaria nele sem dó caso fosse candidato, vejo-me obrigado, mas com muita alegria a votar nela novamente.

 

Enquanto isso surpreendi-me com o Deputado Edinho Araujo que foi autor do substitutivo da Lei Seca.  Esta lei é realmente importante para educar, de forma definitiva, os abusadores do álcool no trânsito.
Espera-se, no entanto, que ela não se afrouxe como ocorreu com o cinto de segurança, por exemplo.

Assisti ao filme As Aventuras de PI que recebeu 11 indicações para o Oscar deste ano.
O filme tem uma série de curiosidades, que vão desde a escolha do autor, que foi acompanhar o irmão no teste e acabou aprovado no lugar daquele, até sua origem.
Baseado no livro do canadense Yann Martel, há fortes indícios de que a história fora plagiada do livro Max e os Felinos do escritor gaúcho Moacyr Scliar.
Moacyr que morreu em 2011, se dizia honrado e não incomodado com o caso.  Nunca quis processar o escritor.   
O filme é ótimo.  Vale à pena.


terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Renuncia


Eu jamais imaginaria, na madrugada de segunda-feira, dia 11, enquanto escrevia sobre as duvidosas circunstâncias da morte de João Paulo I, o Papa Sorriso, que no dia seguinte, leria nos jornais (on line) sobre a renúncia de Bento XVI.

Algo extremamente anormal, já que o último caso aconteceu há centenas de anos atrás (mais de 500 anos).

Também não fiquei muito convencido com os motivos “falta de forças físicas” do papa, pois já houve papas que levaram seus mandatos adiante com muito sacrifício, como o próprio João Paulo II que estava visivelmente abatido e cansado nos anos finais do seu papado ou Leão XIII que viveu até os 93 anos de idade.

Será que, a esta altura, não ocorrera nada diferente para provocar esta renúncia?  Não existe nenhuma especulação correndo solta por aí?

Meu respeito à Igreja na qual fui batizado e professo minha fé é imbatível.  Mas também clamo pelo direito de chamá-la santa e pecadora.

Lembro que alguns meses, o mordomo do papa Paolo Gabriele foi acusado de roubar (há um ano atrás) documentos secretos dos cofres do Vaticano, episódio que ficou humoristicamente conhecido como Vatileaks, em comparação ao escândalo WikiLeaks.

Não por coincidência, o jornalista Gian Nuzzi teria escrito um livro “Sua Santita” comentando estes documentos e revelando tramas da alta cúpula da Igreja.

Com a prisão do mordomo, ocorrida em seguida ao livro, o presidente do Banco do Vaticano (que não tem mais este nome) foi obrigado a renunciar ao cargo.

Enquanto tudo isso ocorria, o ex-secretário geral do Governo da Cidade do Vaticano, Carlo Vigano, Núncio nos Estados Unidos, fez ao papa Bento, denúncias de corrupção, má gestão e outros problemas na administração.  Entre estas denúncias, afirmava que os banqueiros do Comitê de Finanças se preocupavam mais com seus interesses pessoais que com os do Vaticano.

Estas pressões caíram fortes sobre o Papa que fora Chefe da Congregação para a Doutrina da Fé (nova versão do Tribunal da Inquisição) que lhe rendeu ao longo do tempo, muitos inimigos entre sacerdotes e bispos perseguidos e punidos.

O hoje simpático e carismático, Joseph Alois Ratzinger, carregava ainda uma marca ruím sobre si, a saber, a de ter sido membro, quando jovem, da Juventude Hitlerista na Alemanha.

Casos de pedofilia e relações homossexuais na Igreja, também minaram as energias do atual Sumo Pontífice e tudo isso somado, poderia sim aplacar seu ânimo e sua energia.  

Mas há algo grave acima de todos estes fatos.  A verdadeira causa da morte de João Paulo I, ocorrida em 1978.

Dentre as diversas versões é forte a que envolve um possível envenenamento do papa após o mesmo ter descoberto o envolvimento de membros do Banco Vaticano com a máfia.

Uma suposta quadrilha comandada por Roberto Calvi, do Banco Ambrosiano, estaria desviando dinheiro da Igreja.

Roberto Calvi foi encontrado morto em 1982 em Londres, na Inglaterra.

Raio atinge a cúpula da Basílica de Sâo Pedro
40 minutos após renúncia do Papa Bento XVI.
Além de Calvi, estariam envolvidos o Camerlengo Jean Villot, o mafioso Michele Sindona, Paul Marcinkus, então presidente do Banco do Vaticano, membros de uma Loja Maçônica italiana e a cúpula da Ópus Dei.

João Paulo I, ao contrário de seu antecessor Paulo VI que teve um relatório médico extremamente completo, teve seu corpo embalsamado imediatamente.

Como eu já disse na publicação anterior, o papa Albino Luciani teria dado mostras de um papado inovador, moderno e humilde desde a cerimônia de coroação quando recusou usar a coroa e ser carregado na liteira.

Estes fatos, ainda por serem esclarecidos, pesam até hoje sobre a alta cúpula da Igreja.

Bento XVI é claramente conservador.  Saber a extensão dos estragos que os documentos vazados no roubo do mordomo poderiam causar era uma questão muito importante.  Tanto que com a prisão do autor do crime, foi nomeada uma comissão com três cardeais para investigar tudo e a conclusão a que chegaram é que ainda restavam por serem reveladas muitas informações complicadas para este pontificado.

Ao renunciar em 28 de fevereiro próximo, o papa Bento irá para a clausura em Castelgandolfe e com seu isolamento, será blindado.

Os homens mais próximos do papa estão em situação bastante complicada, pois os documentos furtados pelo mordomo podem conter algumas questões que os envolvam.  Assim, as apostas para a sucessão de Ratzinger falam de algum cardeal diferenciado e que trará novos e modernos rumos à Igreja de Pedro.

Seja lá como for o mundo espera por esta transição e especialmente o Brasil, o maior país católico do mundo.

Os meus respeitos ao papa e votos de um repouso merecido, mas a lembrança de sua missão na Terra fica nas palavras do próprio Cristo: “Só a verdade vos libertará”.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013



Quero inaugurar hoje no blog, comentários a respeito de coisas curiosas.  Situações que ficaram sem solução ou mesmo que despertem interesse em pessoas que, como eu, às vezes ficam sem ter o que fazer ou pensar e por isso buscam no armário do tempo, situações que deviam ter sido melhor elucidadas.

Para abrir este ciclo, vou falar de Albino Luciani, nascido em Belluno, Itália, em 17 de outubro de 1912 e morto no Vaticano, aos 28 de setembro de 1978, apenas 30 dias após ter sido eleito papa, com o nome de João Paulo I, em homenagem aos seus antecessores João XXIII e Paulo VI.

Pela sua simpatia e carisma, ficou conhecido como “Papa Sorriso”.  Recusou uma coroação formal, comprovando que seu mandato seria bastante diferente.  Não aceitou, devida a sua humildade, ser carregado na liteira e foi o primeiro papa a adotar uma denominação dupla.

Albino, filho do socialista Giovanni, foi ordenado padre em 1935.  João XXIII o nomeou Bispo e Paulo VI, Cardeal.  Participou do famoso Concilio Vaticano II em 1962.

Foi eleito papa com 65 anos, em terceira votação do conclave, superando um cardeal considerado ultraconservador que era o favorito ao trono, por 99 a 11.

João Paulo I morreu na madrugada entre onze e meia da noite e quatro e meia da madrugada após um mês de pontificado.  E é sua morte, precoce e misteriosa, o motivo de eu ter escolhido este texto para reflexão.

Segundo alguns, o papa teria confessado ao Bispo John Magee, um dia antes de sua morte, que sabia sobre ela.  A amigos teria afirmado também que alguém sentado diante dele no conclave, viria em seu lugar e que seria breve o seu mandato.

Um irmão do papa confirmaria mais tarde que a Irmã Lúcia, uma das pastoras portuguesas de Fátima, ao receber uma visita do então Patriarca de Veneza, teria lhe predito que seria escolhido papa, mas seu mandato seria extremamente curto.

Quem encontrou o papa morto foi uma freira que trabalhava para ele há muitos anos.  O Vaticano, no entanto, divulgou uma versão de que quem o encontrou foi o padre Diego Lorenzi, um dos secretários papais.  A causa morte foi dada como “enfarte do miocárdio”.

A freira que encontrou o papa, após sua morte, fez voto de silêncio.

 

Debaixo de uma chuva fortíssima, a Praça de São Pedro esteva lotada no seu funeral. 

 

O papa polonês, eleito após sua morte, em sua homenagem adotou o nome papal de João Paulo II.

 

Pelo mandato curto, a possível “previsão” de sua própria morte e os fatos desencontrados nas alegações do Vaticano, surgiram diversas teorias sobre um possível assassinato.

 

Segundo um escritor Inglês, o papa João Paulo I morreu por estar quase por descobrir fortes escândalos financeiros envolvendo o Vaticano.  Um outro escritor (John Cornwell) viria depois a desmestificar esta teoria, colocando-a como absurda, fato que seria tranquilamente acatado, não fosse por ele ser extremamente relacionado com autoridades do Vaticano.

 

O Vaticano ainda insiste que João Paulo I morreu de ataque cardiaco e que a autópsia não foi realizada porque a família não autorizou.  Mas a família afirmou que uma autópsia foi realizada.

 

Desde choques com as idéias da Opus Dei, até que sua saída de cena daria mais espaço a setores da Cúria empenhados em combater as tendências socialistas emergentes no clero, especuladores afirmam que elegendo João Paulo II, um papa conservador em relação a diversas questões como contracepção e política, alguns itens da tradição da Igreja seriam mantidos, pois o “Papa Sorriso”, de fato, desejava uma revisão em algumas posições da Igreja Católica.

 

Há ainda discussões sobre escândalos financeiros envolvendo o Banco Ambrosiano e o Banco do Vaticano em cumplicidade com a máfia, que teriam sido a causa de um planejamento envolvendo a alta hierarquia da Igreja.

Esta suposição já encontrou respaldo em livros e filmes, como o Poderoso Chefão III, que de certa forma, recria o cenário da morte do papa.

 

Seja por um ou outro motivo, seja por desejar a consagração da Rússia, ou por lembrar as lutas do pai socialista, são inúmeras as versões sobre um envenenamento que inclui uma Loja Maçônia Italiana que funcionava a despeito da Grande Loja da Itália, obtendo entre seus membros, alguns sacerdotes e pessoas importantes.

 

Enfim, nada esclarecido e muita coisa sem sequer merecer a atenção de jornalistas ou mesmo de membros da Igreja que simplesmente aceitaram o silêncio.

 

Um de seus líderes pode ter sido morto, replicando equívocos e desmandos da Igreja de outros tempos e os católicos de todo o mundo merecem, de forma clara e respeitosa, um mínimo de informação e da busca sensata que culmine com a comprovação de fatos que rondam o episódio de sua morte.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

As noites do verde e branco


Sou corinthiano até debaixo d’água.  Mas nunca me importei em usar qualquer cor de roupa.

Há algum tempo atrás, por exemplo, quando de minha mocidade, em noites como esta eu usaria com prazer e alegria uma roupa qualquer com a combinação verde e branca.

É que na região, o maior e melhor carnaval acontecia no Palestra Esporte Clube em São José do Rio Preto, disputadíssimo por sinal.

Sua abertura sempre era na sexta-feira e o traje obrigatório era esta combinação.  As cores do clube.

Era quando conheceríamos a banda que tocaria as cinco noites e seríamos apresentados à decoração que era sempre especial.

O Palestra foi um clube esplêndido.  Com sua sede no centro da cidade, o fácil acesso, grande estacionamento, equipada com o que havia de melhor (quadras, piscinas, sauna, judô, ping pong, campo gramado, restaurante, boate para casais e festas inesquecíveis).

Fui um sócio que usou e abusou de tudo o que o clube oferecia. 

Não falei do Clube de Campo e sua área incrivelmente grande e bem organizada.  Era a coqueluche da minha infância e adolescência.

O Clube tinha, como disse, o melhor carnaval da região, sem dúvidas.

Como pessoas irresponsáveis e de competência questionável podem destruir o que levou anos, décadas para ser construído.  Como podem interesses mesquinhos, desmandos e disputas imbecis fazerem tantos perderem tanto.

O clube tem uma sede eternamente inacabada.  Está quebrado, segundo consta.  A área do clube de campo já foi diminuída uma porção de vezes.  Seu patrimônio vendido, leiloado, sei lá o que mais.

Não sou mais sócio.  Meus filhos, tão pouco conheceram o lugar onde eu e tantos de meu tempo passamos os melhores momentos de nossa fase de crescimento, socialização, prática esportiva etc.

Lamentável... Triste... Indesculpável...

Perdi a graça pelos bosques, piscinas e outras benfeitorias que lá existiram.  Perdi a graça pelas rodas de samba, pelas boates para casais e por tudo o mais que morreu com os carnavais do Palestra.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Texto atribuido a Tereza Collor -


A amiga Neuza Reis Simpson enviou-me este texto, atribuido a Tereza Collor e publicado por Mendonça Neto no Jornal Extra, no Rio de Janeiro.


Carta aberta ao Senador Renan Calheiros

"Vida de gado. Povo marcado. Povo feliz". As vacas de Renan dão cria 24 h, por dia. Haja capim e gente besta em Murici e em Alagoas!
Uma qualidade eu admiro em você: o conhecimento da alma humana. Você sabe manipular as pessoas, as ambições, os pecados e as fraquezas.

Do menino ingênuo que eu fui buscar em Murici para ser deputado estadual em 1978 - que acreditava na pureza necessária de uma política de oposição dentro da ditadura militar - você, Renan Calheiros, construiu uma trajetória de causar inveja a todos os homens de bem que se acovardam e não aprendem nunca a ousar como os bandidos.

Você é um homem ousado. Compreendeu, num determinado momento, que a vitória não pertence aos homens de bem, desarmados desta fúria do desatino, que é vencer a qualquer preço. E resolveu armar-se. Fosse qual fosse o preço,
Renan Calheiros nunca mais seria o filho do Olavo, a degladiar-se com os poderosos Omena, na Usina São Simeão, em desigualdade de forças e de dinheiros.

Decidiu que não iria combatê-los de peito aberto, descobriria um atalho, um mil artifícios para vencê-los, e, quem sabe, um dia derrotaria todos eles, os emplumados almofadinhas que tinham empregados cujo serviço exclusivo era abanar, durante horas, um leque imenso sobre a mesa dos usineiros, para que os mosquitos de Murici (em Murici, até os mosquitos são vorazes) não
mordessem a tez rósea de seus donos: Quem sabe, um dia, com a alavanca da política, não seria Renan Calheiros o dono único, coronel de porteira fechada, das terras e do engenho onde seu pai, humilde, costumava ir buscar o dinheiro da cana, para pagar a educação de seus filhos, e tirava o chapéu para os Omena, poderosos e perigosos.

Renan sonhava ser um big shot, a qualquer preço. Vendeu a alma, como o Fausto de Goethe, e pediu fama e riqueza, em troca.

Quando você e o então deputado Geraldo Bulhões, colegas de bancada de Fernando Collor, aproximaram-se dele e se aliaram, começou a ser Parido o novo Renan.

Há quem diga que você é um analfabeto de raro polimento, um intuitivo. Que nunca leu nenhum autor de economia, sociologia ou direito.
Os seus colegas de Universidade diziam isso. Longe de ser um demérito, essa sua espessa ignorância literária faz sobressair, ainda mais, o seu talento
De vencedor.
Creio que foi a casa pobre, numa rua descalça de Murici, que forneceu a você o combustível do ódio à pobreza e o ser pobre. E Renan Calheiros decidiu que, se a sua política não serviria ao povo em nada, a ele próprio serviria em tudo. Haveria de ser recebido em Palacios, em mansões de milionários, em Congressos estrangeiros, como um príncipe, e quando chegasse a esse ponto,
todos os seus traumas banhados no rio Mundaú, seriam rebatizados em Fausto e opulência; "Lá terei a mulher que quero, na cama que escolherei. Serei amigo
do Rei."

Machado de Assis, por ingênuo, disse na boca de um dos seus personagens: "A alma terá, como a terra, uma túnica incorruptível." Mais adiante, porém, diante da inexorabilidade do destino do desonesto, ele advertia: "Suje-se,
gordo! Quer sujar-se? Suje-se, gordo!"

Renan Calheiros, em 1986, foi eleito deputado federal pela segunda vez. Nesse mandato, nascia o Renan globalizado, gerente de resultados, ambição à larga, enterrando, pouco a pouco, todos os escrúpulos da consciência. No seu caso, nada sobrou do naufrágio das ilusões de moço!
Nem a vergonha na cara. O usineiro João Lyra patrocinou essa sua campanha com US1.000.000. O dinheiro era entregue, em parcelas, ao seu motorista Milton, enquanto você esperava, bebericando, no antigo Hotel Luxor, av. Assis Chateaubriand, hoje Tribunal do Trabalho.

E fez uma campanha rica e impressionante, porque entre seus eleitores havia pobres universitários comunistas e usineiros deslumbrados, a segui-lo nas estradas poeirentas das Alagoas, extasiados com a sua intrepidez em ganhar a qualquer preço. O destemor do alpinista, que ou chega ao topo da montanha -
e é tudo seu, montanha e glória - ou morre. Ou como o jogador de pôquer, que blefa e não treme, que blefa rindo, e cujos olhos indecifráveis Intimidam o adversário. E joga tudo. E vence. No blefe.

Você, Renan não tem alma, só apetites, dizem. E quem, na política
brasileira, a tem? Quem, neste Planalto, centro das grandes picaretagens nacionais, atende no seu comportamento a razões e objetivos de interesse público? ACM, que, na iminência de ser cassado, escorregou pela porta da renúncia e foi reeleito como o grande coronel de uma Bahia paradoxal, que exibe talentos com a mesma sem-cerimônia com que cultiva corruptos? José
Sarney, que tomou carona com Carlos Lacerda, com Juscelino, e, agora, depois de ter apanhado uma tunda de você, virou seu pai-velho, passando-lhe a alquimia de 50 anos de malandragem?

Quem tem autoridade moral para lhe cobrar coerência de princípios? O presidente Lula, que deu o golpe do operário, no dizer de Brizola, e hoje ospeda no seu Ministério um office boy do próprio Brizola?
Que taxou os aposentados, que não o eram, nem no Governo de Collor, e dobrou o Supremo Tribunal Federal?
No velho dizer dos canalhas, todos fazem isso, mentem, roubam, traem. Assim, senador, você é apenas o mais esperto de todos, que, mesmo com fatos gritantes de improbidade, de desvio de conduta pública e privada, tem a quase unanimidade deste Senado de Quasímodos morais para blinda-lo.

E um moço de aparência simplória, com um nome de pé de serra - Siba - é o camareiro de seu salvo-conduto para a impunidade, e fará de tudo para que a sua bandeira - absolver Renan no Conselho de Ética - consagre a sua carreira.
Não sei se este Siba é prefixo de sibarita, mas, como seu advogado in pectore, vida de rico ele terá garantida. Cabra bom de tarefa, olhem o jeito sestroso com que ele defende o chefe... É mais realista que o Rei. E do outro lado, o xerife da ditadura militar, que, desde logo, previne: quero absolver Renan.

Que Corregedor!... Que Senado!...Vou reproduzir aqui o que você declarou possuir de bens em 2002 ao TRE. Confira, tem a sua assinatura:

1) Casa em Brasília, Lago Sul, R$ 800 mil,
2) Apartamento no edifício Tartana, Ponta Verde, R$ 700 mil,
3) Apartamento no Flat Alvorada, DF, de R$ 100 mil,
4) Casa na Barra de S Miguel de R$ 350 mil ..

E SÒ.

Você não declarou nenhuma fazenda, nem uma cabeça de gado!!
Sem levar em conta que seu apartamento no Edifício Tartana vale, na realidade, mais de R$1 milhão, e sua casa na Barra de São Miguel, comprada de um comerciante farmacêutico, vale mais de R$ 2.000.000.Só aí, Renan, você DECLARA POSSUIR UM PATRIMONIO DE CERCA DE R$ 5.000.000.

Se você, em 24 anos de mandato, ganhou BRUTOS, R$ 2 milhoes, como comprou o resto? E as fazendas, e as rádios, tudo em nome de laranjas? Que herança moral você deixa para seus descendentes?.

Você vai entrar na história de Alagoas como um político desonesto, sem escrúpulos e que trai até a família. Tem certeza de que vale a pena? Uma vez, há poucos anos, perguntei a você como estava o maior latifundiário de Murici. E você respondeu: "Não tenho uma só tarefa de terra. A vocação de agricultor da família é o Olavinho." É verdade, especialmente no verde das mesas de pôquer!

O Brasil inteiro, em sua maioria, pede a sua cassação. Dificilmente você será condenado. Em Brasília, são quase todos cúmplices.
Mas olhe no rosto das pessoas na rua, leia direito o que elas pensam, sinta o desprezo que os alagoanos de bem sentem por você e seu comportamento desonesto e mentiroso. Hoje perguntado, o povo fecharia o Congresso. Por causa de gente como você!

Por favor, divulguem pro Brasil inteiro pra ver se o congresso cria vergonha na cara. Os alagoanos agradecem.

Thereza Collor
Enfim, fica aqui para averiguação de sua veracidade.

Roberto Vasconcelos

Transcrevo abaixo, texto sobre o velho amigo e camara "Vasco", eterno presidente do PCB de São José do Rio Preto.  Vasco manteve acesa a chama do partido na cidade, até que em 2003 um grupo reestruturasse o partido na cidade.


Em artigo escrito em 2007, o historiador Clayton Romano descreve assim a trajetória do camarada “Vasco”.

Nascido na cidade do Rio de Janeiro, em 20 de setembro de 1916, Antônio Roberto de Vasconcellos completa 91 anos na próxima quinta-feira. Nove décadas de vida, muitas delas dedicadas à construção de uma sociedade justa e igualitária. Recordar a trajetória deste bravo comunista é reviver os últimos 60 e poucos anos da história política do Brasil (e de Rio Preto) a partir de uma perspectiva monográfica e específica.

O fracasso do "levante comunista" (ou "intentona comunista", conforme a cartilha varguista), liderado por Luís Carlos Prestes, em 1935, impôs severa perseguição aos comunistas por todo o país. Prisões, torturas e mortes em série tornaram-se matéria cotidiana e levaram o então Partido Comunista do Brasil (PCB) à quase extinção nos anos seguintes; os comunistas experimentaram primeiro a fúria da coerção estadonovista.

Originais na organização de um partido nacional numa época de agremiações regionais, os comunistas viviam na ilegalidade desde 25 de julho de 1922, exatos quatro meses após a fundação do PCB, em Niterói/RJ. Situação agravada durante a vigência do Estado Novo (1937-1945), a clandestinidade dos comunistas permaneceria até a obtenção do registro legal do PCB, em 10 de novembro de 1945.

Nas eleições gerais ocorridas em 2 de dezembro daquele ano, o candidato à Presidência da República pelo PCB, o engenheiro Yedo Fiuza, recebeu 10% dos votos válidos e os comunistas elegeram um senador (Prestes) e 14 deputados para a Assembléia Constituinte [1]. O PCB deixava a clandestinidade e crescia a olhos vistos, uma situação que duraria pouco tempo (em 7 de maio de 1947, o Tribunal Superior Eleitoral reconduziu o PCB à ilegalidade, condição em que permaneceu até 1985).

Dirigente estadual do PCB em Mato Grosso, Antônio Roberto de Vasconcellos participou ativamente da reorganização dos comunistas no pós-1945 e presenciou o notável crescimento do partido: "as poucas centenas de militantes dispersos em 1942 tornam-se 50.000 em 1945 e chegam a 200.000 nos dois anos seguintes" (SEGATTO et alii, 1982, p. 67).

Portanto, "Vasco" pertence à seleta geração de comunistas presentes no instante em que aquele pequeno partido de quadros assumira contornos de um partido de massa, quando o PCB se tornara "Partidão".

Nessa época, os comunistas lançaram diários de massas em todo o Brasil. A partir da Tribuna Popular (RJ) [2], logo surgiram pelo país "outros jornais comunistas: Hoje (SP), Folha do Povo (PE), A Tribuna Gaúcha (RS), Folha Capixaba (ES), O Estado de Goiás (GO) e O Democrata (CE), entre muitos" (Ibidem, p. 77).

Vasco redigiu e editou a versão campo-grandense de O Democrata de 1945 à 1964, quando teve sua "prisão decretada pela Justiça da comarca do Estado do Mato Grosso cinco meses após a instalação da ditadura militar no país" (em 27 de outubro de 1965, por força do Ato Institucional n° 2, teve seus direitos políticos cassados por 10 anos). Antes, porém, havia sido vereador em Campo Grande, entre 1958 e 1962. Em 1963, esteve na União Soviética e "freqüentou a Universidade Patrice Lumumba onde participou de aulas sobre Karl Marx".

"Uma vez invadiram o jornal e peguei o (revólver calibre) 32. Disse que se dessem mais um passo pelo menos um eu levava comigo", relembra Vasco, em matéria recente assinada por Rodrigo Lima.

Ainda em 1963, "ao retirar a 2ª via da certeira de identidade", Antônio Roberto de Vasconcelos passa a ser monitorado pelos órgãos de intelegência do estado brasileiro. Conforme publicou o Diário, na série Rio Preto Fichada (Domingo, 12 de agosto de 2007, p. 6A), "uma certidão da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) revela com detalhes os passos do comunista desde 1963"; os registros nos arquivos sob custódia da Abim vão até 1989 (!).

O curioso é que tanto o primeiro registro ("visitou a Rússia"), em 1963, como o último ("eleito membro efetivo da nova CDRP do PCB"), em 1989, foram anotados sob a vigência de respectivos estados democráticos de direito, o que, em tese, retira a legitimidade de qualquer tipo de monitoramento. Contudo - e por mais paradoxal que seja -, os registros da Abin permitem refazer alguns dos passos dados pelo comunista em quase três décadas.

Com o Golpe Militar, em 1° de abril de 1964, Vasco "refugiou-se na cidade de Hosqueta, no Paraguai, onde passou a trabalhar como padeiro". Em setembro daquele ano, o comunista - também orinudo das fileiras do Exército - "foi proibido entrar nos quartéis e repartições da 9ª Região Militar (9ª RM)".

De acordo com a certidão da Abin, Vasco "foi indiciado em Inquérito Policial Militar (IPM), por ser considerado um dos chefes do Movimento Comunista no Estado do Mato Grosso, e ter posto em funcionamento, um partido dissolvido por força de dispositivo legal e, naquela situação, ter cometido atos enquadráveis em artigos diversos da Lei 1.802/53 - Lei de Segurança Nacional (LSN)".

"Em 1967, residiu em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia", segundo os registros, voltando a trabalhar "como padeiro". No ano seguinte, embora os arquivos não digam nada, Vasco recebeu uma "determinação do Partido" para deixar "o Estado do Mato Grosso rumo a São Paulo", desembarcando em Bauru:

"Foi em Jales que Vasconcellos identificou o simpatizante do partido na região, o ex-deputado federal Roberto Rollemberg. Vasco ainda se estabeleceria em Adolfo e Mendonça, onde militou politicamente com o seu filho Antônio Carlos Vasconcellos, que foi eleito vereador pelo MDB", em 1968, narra o Diário.

Em Rio Preto, ainda na condição de foragido, Vasco trabalhou como pintor e morou com Pedro Mendonça. Seu primeiro contato com os comunistas da cidade foi através de Aloysio Nunes Ferreira Filho. Nas palavras de Vasco:

"O Aloysinho, hoje chefe da Casa Civil do governador Serra, faz um discurso maravilhoso. Olhei a linha do discurso e pensei: esse cara é do meu partido". Após cumprimentá-lo, ele "olhou para um lado e para o outro e me perguntou: você é do partidão? Respondi: eu sou. Me disse que estava procurando uma pessoa com algumas características de comunistas. Só pode ser eu, respondi ao Aloysio, que me deu um papel com um número de telefone, dia e hora marcada para ligar".

Dias depois, Vasco seria "levado ao 'aparelho' do PCB na cidade, onde conheceu os comunistas locais". Tempos depois, "Aloysinho" seguiria o dissidente comunista Carlos Marighela (um dos 14 deputados constituintes do PCB) e ingressaria na Ação de Libertação Nacional (ALN), lançando-se na resistência armada ao Regime Militar [3].

Entretanto, Aloysio Filho (vulgo "Mateus") teria mais sorte que seu líder [4] e sobreviveria ao extermínio das organizações armadas de esquerda, durante a ditadura, para ser protagonista na Nova República e se tornar secretário de estado no governo de Orestes Quércia (1987-1990), vice do governador Luiz Antônio Fleury Filho (1991-1994), ministro da Casa Civil e da Justiça de FHC (1995-2002), até exercer a função de chefe da Casa Civil de José Serra (2007).

Mesmo tendo sido convidado por Aloysio e Marighela a aderir à ALN, Vasco permaneceu fiel à linha política do PCB aprovada em 1967, isto é, posicionou-se na resistência democrática, atuando no interior da frente antiditatorial em que se convertera o MDB (Movimento Democrático Brasileiro) [5]. Mas não teve jeito. Anos depois, Vasco seria preso em Rio Preto.

Diz o Diário: "Em 18 de outubro de 1972, o 2º Exército informou a Abin em São Paulo que o comunista estava preso no 37º Batalhão de Infantaria Motorizada, em Lins". Segundo o Dicionário Rio-pretense, Vasco foi "recambiado para Campo Grande, onde ficou sete meses na prisão" (ARANTES, 2001, p. 590).

"Tortura só houve moral", afirma o comunista.Importante frisar que, com o fim da caçada aos grupos guerrilheiros [6], as atenções dos órgãos repressivos voltaram-se ao único organismo de esquerda a lutar contra a ditadura seguindo os estreitos limites da democracia bipartidária; em resumo, com o fim da luta armada, o PCB - partidário da via democrática - tornou-se alvo e justificativa do terror praticado pelos assassinos à serviço do regime [7].

Vasco relembra ao Diário a dificuldade de atuação política dos comunistas em Rio Preto naquela época e a repressão sofrida: "Aqui na cidade a perseguição foi na faculdade. Aqui não era nenhum centro operário, não tinha indústrias, base política". Era na antiga Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (Fafi) onde se concentrava a maioria dos "simpatizantes do PCB ou comunistas na cidade".

Sobre a repressão aos intelectuais da Fafi, porém, o dirigente comunista faz a seguinte distintição: "Perda dos direitos políticos ninguém teve (na cidade). Não era aquela diligência política. Eram simpatizantes, moderados e diferentes de nós que éramos profissionais".

"Aqui era uma cidade pequena burguesa, reacionária e ultrapassada", provoca Vasco para sentenciar com ironia em seguida: "Hoje, tem muita gente mais aberta e que sabe que comunista não come criancinha e que não tem nariz na bunda. A humanidade evolui".

Voltando aos registros da Abin. Em 1977, Vasconcellos "foi relacionado no 'Plano Tarrafa', da Superintendência Regional do departamento de Polícia Federal de Mato Grosso do Sul (SR/DPF/MS), como indiciado em IPM, no âmbito da 9ª RM".

Nas primeiras eleições livres para cargos executivos (prefeito e governador) depois muito tempo, Vasco se candidata à prefeitura de Mendonça/SP pelo PMDB, com o conhecimento e o devido registro dos serviços de inteligência: "Em Set[embro de 19]82, quando candidato a Prefeito [...] providenciou a distribuição de um panfleto intitulado 'Não pague asfalto, a cobrança da taxa de asfalto é ilegal'".

Na mesma época e sem anotações dos arapongas, Vasconcellos fundou e dirigiu o jornal Participação (1981-1985). Também nesse período, liderou a Campanha da Legalidade do PCB em Rio Preto (ARANTES, Op. Cit, p. 590).

Novamente segundo a certidão da Abin, em 22 de outubro de 1985, Vasco "recebeu da Câmara Municipal de Campo Grande/MS, em sessão solene, um título honorífico em deferência do legislativo campograndense, conferida anualmente aos cidadãos, que de uma forma ou de outra contribuíram para a melhoria social, política e econômica do Estado"; com um detalhe: o Brasil vivia sob um governo civil - eleito indiretamente, é verdade - desde 15 de março daquele ano.

O registro seguinte dizia: "Ainda em 1986, esteve presente ao evento de encerramento de um curso de Cultura Política, promovido pela CDMP do PCB de São José do Rio Preto, da qual era membro. Na ocasião, era suplente do Comitê Executivo do PCB/SP". Em 1988, "seu nome figurou em uma relação de integrantes da CDRP do PCB/SP".

Por fim, às vésperas do primeiro turno da primeira eleição direta à Presidência da República em quase 30 anos, os registros informavam que "em Set[embro de 19]89, foi eleito membro efetivo da nova CDRP do PCB. [...] É o que consta nos arquivos sob custódia desta Agência Brasileira de Inteligência" (DIÁRIO DA REGIÃO. Rio Preto Fichada. Domingo, 12 de agosto, p. 6A).

Vasco ainda coordenou a campanha de Liberato Caboclo pelo PCB à prefeitura de Rio Preto, em 1988. Caboclo - que mais tarde seria eleito pelo PDT deputado federal, em 1990, e prefeito da cidade, em 1996 - terminou aquela disputa em 4° lugar, à frente das candidaturas de PT (Cacau Lopes) e PSDB (Carlos Feitosa), respectivamente.

Entre 1991 e 1992, Vasco foi "coordenador do Movimento Popular Prof. Manoel Antunes", além de ter destacada participação na organização de associações populares, isso desde a década de 1980. Hoje, Antônio Roberto de Vasconcellos "é nome de rua no bairro Fraternidade", na periferia de Rio Preto (ANTUNES, Op Cit, p. 590).

E por mais que as justas homenagens não exaltem devidamente, o fato é que a trajetória do velho e bom Vasco se constitui na história viva dos comunistas em Iboruna nos últimos 40 anos.

E por mais que seja absurdo narrar a biografia de um militante político a partir de registros dos serviços de inteligência e de inquéritos policiais - fato que dá a exata medida do nível de repressão praticado contra os comunistas brasileiros -, a vida de Antônio Roberto de Vasconcelos pode - e deve - ser vista como prova cabal da vinculação dos comunistas com a luta democrática.

Talvez menos pelo rigor das idéias e mais em razão das circunstâncias, o certo é que não há como negar as inúmeras ocasiões em que Vasco foi flagrado lutando em favor da democracia; uma democracia comunista, diga-se, pautada na unidade das forças democráticas e orientada pelos interesses da classe operária. Na maioria das vezes, a luta democrática significava a luta pela própria sobrevivência.

E este parece ser o exemplo maior legado por Vasco às novas gerações comunistas.Trata-se da questão democrática; questão que atravessou o século passado e permanece incógnita aos comunistas do 21.

Será possível lutar pela emancipação de todos explorados pelo capital e seu sistema, em meio à parafernália eletrônica e à individualização progressiva nas relações sociais, sem que os comunistas se dediquem efetivamente ao aprofundamento da democracia em todos os níveis da sociedade?

Será possível conquistar postos avançados na luta pela hegemonia política, bem como se empenhar na realização plena de interesses proletários - cuja finalidade, todos sabem, é a superação da própria condição de exploração entre homens e mulheres, entre capital e trabalho -, sem que os comunistas estejam integralmente envolvidos à agenda democrática do país (isto é, com sua práxis orientada para o fortalecimento da instituições da República, forçando seu alargamento até consolidar a presença das massas; para a reivindicação do acesso proletário ao mundo da cidadania, ao mundo dos direitos; para os embates eleitorais, vistos não como mera tática, mas utilizados como palcos privilegiados para o necessário e urgente diálogo dos comunistas com a sociedade; etc.)?

Parabéns, Vasco!

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