domingo, 7 de junho de 2015

Humanidade

Numa conversa informal com minha mulher, veio aquela dúvida:  Será que em algum momento da humanidade, as pessoas foram menos cruéis?
Nos lembramos das eras mais antigas, das guerras entre os povos que precisavam se fixar em determinada terra.  Mulheres, crianças, anciãos eram todos mortos, escravizados em prol das conquistas.
Mais adiante, na chamada Idade Média, o tratamento em cima dos camponeses em detrimento das coroas e dos poderosos também revelava as crueldades sem tamanho das classes dominantes.
Não mudou muito durante os descobrimentos, quando os desbravadores liquidavam tribos inteiras de nativos em prol das bandeiras colonizadoras.
A escravidão, que achava normal submeter um homem pela sua cor ou por ter sido conquistado é outro período inesquecivelmente revelador de até onde pode chegar a maldade humana.
O Oeste Americano e sua destruição dos povos indígenas, não foi menos assassino que o início da revolução industrial da Europa, com seus trabalhos forçados, semi escravos, que submetia os operários, seguida das devastadoras grandes guerras.
O imperialismo Americano mostrou também no Vietnã, na Coréia e contra o Oriente Médio, até onde pode chegar a "benevolência humana", demonstração retribuída pelos terroristas espalhados por toda parte.
As ditaduras mundo afora, inclusive as militares na América do Sul, deixaram rastro de sangue e pavor.
Mas isto tudo não é obra dos governantes, políticos e donos do planeta?  Não estaria o resto da humanidade livre da culpa?
Há uma frase muito importante de Victor Hugo: "Quem poupa o lobo, sacrifica a ovelha".
Sempre que nos colocamos favoráveis ao culpado, estamos por certo sendo seus cúmplices.  Quando não combatemos o mal praticado por alguns, somos, sem dúvidas, coniventes ao seu pecado.
Alguns de nós, saem às ruas pedindo intervenção militar, apoiam invasões de alguns países sobre os outros, lutam pela liberação da pena de morte, pela redução da maioridade penal, judiam de idosos, crianças e mesmo de animais indefesos e ainda postam nas redes sociais com deslumbrado prazer.
Certos modelos de corrupção, mercado de órgãos, venda de cadáveres, difusão das drogas tornando-as mais acessíveis, fazer vistas grossas ao vício no álcool cada vez mais cedo nos jovens etc. são crueldade tão voraz como assassinatos em série.
À medida que tudo isso não nos incomoda, não nos causa qualquer espécie de lamento é o sinal de que achamos comum e portanto, apoiamos, ainda que por omissão, as barbáries, a justiça pelas próprias mãos, a política do olho por olho e assim por diante.
Não... tristemente minha conclusão da conversa com minha mulher foi que a humanidade não está se tornando mais dócil.  Apenas tem aperfeiçoado ou moldado a prática da maldade.

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