sábado, 20 de maio de 2017

Consultor ou Vendedor de Seguros?

Se eu fosse me lançar hoje, em qualquer negócio ou projeto novo, procuraria ouvir um pouco quem já trilhou alguma caminhada no respectivo ramo.
Claro, afinal pode-se evitar muita cabeçada, quando observamos exemplos e ficamos sabendo de caminhos mais fáceis para se alcançar resultados efetivos, ao invés de ficarmos testando ações que já foram experimentadas por alguém e não deram muito certo.
Por conta disso, também eu gosto de passar a outros, o pouco que vivi em minha jornada profissional.
Esta semana, inclusive, foi momento de dar minha contribuição no 22° Treinamento de Novos Franqueados da San Martin Corretora de Seguros, empresa da qual sou sócio e exerço o papel de diretor executivo.
Como corretor de seguros há um certo tempo, vinte e seis anos para ser exato, já tive que enfrentar dificuldades e situações inusitadas que, por terem representado grande diferença nos resultados na época, valem à pena serem partilhadas agora.
Mas antes disso, ao ser convidado para falar em ocasiões como estas, eu sempre começo destacando a pergunta sobre o que teria sido fundamental para a decisão de se participar do negócio "seguros".
Será que o entrante no ramo sabe que a lida neste campo é dura?  Estará ele ciente de que do conforto do escritório e apenas sob o frescor de um ar condicionado, nada acontece?
Daí reforço que os primeiros passos pra esta caminhada são: gerar motivos concretos para levantar da cama todo dia, ter um objetivo final a se alcançar nos instantes derradeiros da vida e realizar planejamento diário, afim de evitar surpresas.
No meu caso, por exemplo, tenho em minha família o fundamento e propósito que me faz enfrentar o dia a dia. Mesmo diante de adversidades momentâneas, saúde fragilizada ou contingências do clima, há o porquê de acordar, tomar banho e encarar o momento.  O sustento e proteção à esposa e filhos, representam impulso motivador suficiente para não nos importarmos com quaisquer obstáculos.
Já no quesito "final de vida", sonho com uma velhice tranquila, nas montanhas, diante de uma casinha simples, com chaminé, ouvindo uma boa música, lendo um bom livro e sorvendo um bom vinho, enquanto ao olhar pra trás, vislumbrarei um trabalho bem feito, uma vida levada a sério e sem jamais ter traído, roubado, enganado ou se beneficiado às custas de trapaças.  Consciência limpa, enfim.  Difícil, mas não impossível.
Esse objetivo de vida, baliza meus atos e evita que eu caia nas tentações e facilidades que a vida profissional nos possa oferecer nos menores atos.
Pronto, agora é só planejar o que fazer hoje e a cada nova data do calendário.  Penso sempre que, se não planejarmos o decorrer do dia, alguém o planeja por nós.  Um pneu furado, "trazer mistura pro almoço", filho no dentista e até aquela visita inesperada de um amigo no escritório, desviam-nos de compromissos fundamentais para o cumprimento de nossas metas.
Ter e seguir uma agenda nos protege, oferece desculpas aceitáveis e inclusive nos impede de desleixarmos ou adiarmos práticas e trabalhos necessários para outra hora.
Tem outra questão que não pode ficar sem ser dita e pra mim é tão importante quanto qualquer coisa para o bom desempenho no Mercado de Seguros. Aceitar-se e declarar-se um VENDEDOR de seguros.
Não são poucas as pessoas que acreditam que ser vendedor é resultado de tentativas infrutíferas em se fazer outra coisa.  É como se alguém dissesse: "Coitado, não deu certo em nada, acabou como vendedor".  E isso não é verdade.
Vendas é a única profissão na qual VOCÊ decide o QUANTO VAI LEVAR PRA CASA NO FIM DO MÊS.  Isso mesmo, você faz seu próprio salário, seu próprio ganho, baseado no esforço, dedicação e bom uso do seu tempo e habilidades.  Basta criar e medir, encontrar seu número.  Depois, aplicar esta medida para obter os resultados esperados.
Qual outra profissão permite isso a você e se houvesse, quantas faculdades ela exigiria antes de apresentar esta possibilidade?
Não que para ser vendedor não haja a necessidade de muito estudo e muito entendimento.  Pelo contrário.  O vendedor precisa ser bem informado.  Conhecer um pouco de tudo e um muito de relações humanas, só pra começar.
Saber o que se passa no entorno, ter assuntos para tirar o cliente da defensiva e sobretudo lhe inspirar confiança, não são talentos natos, mas requerem uma certa dedicação em pesquisar.
Ninguém também consegue ser um bom comunicador, outra qualidade de um grande vendedor, se não tiver o que comunicar, buscando estas informações em meios seguros e confiáveis pra não ficar falando bobagens a três por quatro.
Ter por isso um raciocínio rápido, inteligente e perspicaz, que orienta nas decisões e ancora suas afirmações em causas concretas.  Coisas que só a leitura abundante e constante pode garantir.
Um vendedor consciente e capacitado.  É disso que se trata o papel de quem busca ganhar a vida desta maneira.  E ao ver-se assim e orgulhar-se no papel que desempenha, o profissional estará pronto para fazer da venda, até aqui um desafio, seu hábito diário.
Sim, um hábito.  Pois a prática constante de algo o torna fácil, automático e perfeito.  Já pensou vender de forma fácil, automática e perfeita?  Sucesso absoluto.
Não são, afinal, ações importantes dirigir, tomar banho ou preencher um cheque?  E por serem hábitos diários, não são portanto fáceis, automáticos e perfeitos?  Já foram difíceis um dia, como andar também foi.  Com o tempo, faz-se tudo sem perceber e com total correção.
Eu gosto de olhar para a platéia enquanto falo essa parte e sentir que estão descrentes, até o momento que lhes pergunto isso.  Alguém logo sorri e solta um sussurrado: "É isso mesmo"!
Gosto do que faço e pronto.  E transmito isso.
E a conversa vai longe, mas é melhor parar por aqui.  Encurtar o texto.
O resto, fica pra outra vez.





domingo, 14 de maio de 2017

Fim dos Tempos... Dias Sombrios.

"Estamos vivendo dias sombrios no mundo."

Perdi as contas de quantas vezes li ou ouvi esta frase ao longo deste, ainda jovem, ano de 2017.
Será verdade?
Risco de uma guerra de padrões mundiais, aumento ou reflexos de uma crise econômica de grandes proporções, novas doenças aparecendo ou se metamorfoseando, desemprego em alta, principalmente no Brasil onde o recorde já foi até superado, além de outras tragédias previstas ou assinaladas pelos fãs do catastrofismo, são algumas das principais causas desta anônima avaliação.

Um fato no entanto e bastante concreto parece ser que o Mundo vem atingindo padrões de avanço tecnológico nunca dantes experimentados.
Já é real o carro que anda sozinho. Mercedes, Audi e outras marcas, até populares, já demonstraram e alavancam a produção em larga escala destes modelos.
Também é fato o carro partilhado, quebrando o paradigma da propriedade do automóvel.
E para não ficarmos só falando de veículos, não são raras as residências comandadas por voz nas suas mais ortodoxas funções como acender lâmpadas, ligar aparelhos, trancar portas e informar a previsão do tempo.
Autômatos nos atendem nas companhias para responderem questões básicas, fazerem reservas e promover avaliações.
E já é possível se visitar uma loja, experimentar a roupa e realizar a compra sem sair de casa.

Sinal dos tempos?
Pode ser.  Mas modernidade e facilidade deveriam ser sinônimos de melhores dias.

No campo da espiritualidade ou filosofia dá pra viajar neste tema.  Tudo bem também se ficarmos divagando com relação a visões de mundo que trafegam entre a Transição Planetária e a dimensão maior do desenvolvimento humano. Imagine pra mim que creio na espiritualidade e também em extraterrestres.

Mas se formos falar de negócios e economia, então teremos que ir um pouco além nesta conversa.
Devemos voltar nossos olhares para a relação negocial e funcional de todas as empresas, que começa e termina, evidentemente com a relação entre as pessoas.

O que me preocupa, em tudo isso, ainda fica sendo esta relação do Homem com seu semelhante.
Emprego e sucesso nos negócios, não podem abandonar este indispensável modelo de relacionamento por mais que hajam instrumentos de substituição.

As pessoas, encantadas ou distraídas pelos intermediários cibernéticos da comunicação, parecem ter se esquecido de algumas regras de comportamento que tornam viva e próxima a relação interpessoal.

Por exemplo, falar qualquer coisa fica mais fácil pelo WhatsApp ou pelo Facebook.  Tudo parece doer menos se mandamos uma crítica ou agressão na forma de mensagem.  Afinal, olhar nos olhos e ter um feedback imediato da reação do outro não é pra qualquer um.

Por isso aquele que mantiver o velho formato do contato humano, obterá as melhores vantagens em uma negociação, qualquer que seja ela.
Que tal o aperto de mão, o falar sem condenar e sem se queixar, só pra tornar o papo mais agradável?  Avaliar e criticar podem ocorrer, desde que com apreciação honesta e sincera das partes boas em detrimento daquilo que não vai bem.  Só pra variar.

Outro ponto importante é conseguir demonstrar afeição, sorrir e se interessar de fato pelo interlocutor, mesmo com todas as diferenças por resolver.
Em mensagens a se responder virtualmente isso é impraticável.  São regras simples da boa comunicação ser bom ouvinte, chamar o interlocutor pelo nome, tocar-lhe a pele uma vez ou outra e permitir que fale um pouco sobre si, afinal é justo dar ao outro lado, espaço semelhante ao ataque, para sua defesa.

Pelos mecanismos indiretos, delegamos ao receptor da mensagem o dever da interpretação, quando nos cumpre, na verdade, bem explicar nossa ideia ou aquilo que desejamos que seja entendido.
E assim o diálogo vira só discussão.
Como se pode ganhar uma discussão onde ambos querem dar a última palavra?  Discussão ganha é aquela que não ocorre no formato de uma briga.

Quase sempre e involuntariamente, quando sabemos de algo que nos agride, somos vítimas do impulso de responder com agilidade e justificativas.  Já no diálogo direto e pessoal, surgem de imediato os pontos convergentes, que superam em muito as questões que distanciam antes mesmo daquilo virar uma pendenga.

Não há nenhum êxito em uma imposição.  A vitória real é aquela que nasce da concordância dela própria.  E eu por exemplo, sou muito mais desarmado diante do elogio que antecede a crítica, do que pela crítica que antecede o reconhecimento.
E pra saber a diferença entre uma e outra situação, só ao vivo e em cores.

Eis aqui pra mim o que torna realmente sombrios os dias de hoje.  O afastamento do humano.

Claro que eu tenho desafetos.  Pessoas que não gostam de mim, ou que não concordam com o que faço, com o que penso, com atitudes que tomo.  Mas tudo é tratável e sobretudo, compreensível. Jamais vou levar para o lado pessoal e boa parte destes, sei que também não.
Já houve grandes embates entre mim e alguém que terminaram em "valeu então, fique com Deus" e por fim, "você também".

Não há porque ser diferente.  Até porque não sou o dono da verdade, não sou perfeito e tenho muito mais condições de errar, do que acertar.  E aprendi, na vida, que jamais devemos transportar isso para o relacionamento interpessoal onde ambos perdem sempre.  Por isso, quase todos os dias, meus debatedores terminam nas minhas orações.  Mesmo quando rebato com total veemência, evito pensar que saí vitorioso, pois na relação humana, se alguém vence é sinal que alguém perdeu.  E se no relacionamento, alguém perdeu, perderam os dois.

Ainda que não se chegue a um denominador comum durante o embate, no final o tradicional "muito obrigado por se manifestar" ou ainda o "fique com Deus", serão mais fortes e melhores do que qualquer atitude de prejuízo moral, intelectual ou material.

Aos quase cinquenta anos, itens como memória, compreensão, além da audição e visão, já não me são tão bons quanto o foram no passado.  E portanto, melhor eu confiar no interlocutor, que tem tudo isso mais aclarado, mais vibrante e vigoroso, do que nos meus já falhos sentidos.

Todos os dias eu vou pra cama sem a certeza da manhã seguinte, mas durmo com a convicção plena de que cresci bastante naquele dia e principalmente, ganhei ou recuperei a amizade e o respeito de alguém que antes estava triste, magoado, decepcionado ou injuriado comigo.  Tudo porque conseguimos nos falar.

Pode ser que um dia eu perca tudo.  Bens, negócios, até amizades, mas não perderei esta essência. Parece arrogante?  Só quem convive comigo sabe o quanto é verdadeiro.  Sou amante do bom debate e do bom entendimento.  Sempre!

E enquanto eu pensar assim, pelo menos pra mim, meu mundo está bem distante do fim.






sábado, 13 de maio de 2017

O Pilatos que não lavou as mãos.

Eu antes ficava bravo com o cara... Mas agora eu tenho até pena.
Quem pode culpar Moro?
Imagina ser um juiz de primeira instância, com moderada competência jurídica (pelo menos é o que me dizem alguns amigos do Direito) e de repente receber nas mãos, caída do céu, a possibilidade de "julgar" uma figura como Lula.
Goste ou não de Lula, não há como não reconhecê-lo uma liderança sem precedentes neste país.
Um presidente que fez o que nenhum antecessor foi capaz.  Um mobilizador de incontestável carisma.  "O cara", como atestam até alguns "figurões" no exterior.
Quanta notoriedade este juiz pode angariar com um caso destes sob seus cuidados, ao passo que do contrário, ele ficaria nesta vidinha comum, em que pese o salário incomum, dependendo de um grande caso, um novo concurso ou a ajuda de alguém mais acima pra poder merecer algum destaque.
Da noite para o dia, ganhou manchetes, holofotes, seguidores, fãs... A "mosca azul" é implacável.  Ao "picar" alguém, ela modifica sua vítima para todo o sempre.
Então, uma vez Moro tendo decidido aproveitar a oportunidade, não dava mais pra voltar atrás.
Agora tem que fazer tudo como "manda o figurino".  Ou seja, sem decepcionar os "apoiadores da causa", os enchedores da bola.
Se julgasse Lula apenas do ponto de vista do "mais um", dentre tantos políticos a serem investigados, tudo passaria rápido, naturalmente. Sem Show.  Melhor então separar as coisas.  De um lado, Lula e de outro todo o resto dos políticos, acusados, delatados mas que não são interessantes.  Perto de Lula, são só nada, mesmo sendo bandidos de grande vulto.
Colocar Lula na praça, exibi-lo antes da fogueira, era o que esperava a mídia, os "governantes do mundo" e a falsa elite brasileira que sonham rifar e dissolver o fenômeno PT  desde que Lula assumiu em 2003.
Bom, alguns dizem que não é bem assim.  Que as coisas não foram parar nas mãos de Moro por acaso.  Mas eu não sei nada sobre os "boatos" de que ele colabora com a CIA, com os EUA, ou se trabalha para não sei mais quem.  Tudo o que sei é que nunca tinha ouvido falar nele até há pouco tempo.  Hoje, embora sinta apenas "pena" dele como comentei antes, o nome e foto do cara estão por toda parte.  Nos jornais, nas revistas, na TV, na rádio, na "boca do povo" e até em portas de banheiro.
Pra quem gosta de "se ver" o tempo todo é um "prato cheio".  Um banquete para narcisistas.
Para estes, não importa se falam bem ou mal.  O importante é que falem sobre.
E com relação ao processo, ou aos processos, para Moro e outros que estão orbitando em torno de seu "sucesso", não tem importância nenhuma se não houverem provas.  O que está em questão é que as delações sejam seletivamente organizadas, vazadas e editadas pela grande mídia, em especial por aquela que "já foi" algum dia, a mais "poderosa" de todas: o decadente Jornal Nacional.  O que importa é não sair mais do centro das atenções.  E de vez em quando, requentar alguma coisa.
Pena que são tão fracas as acusações contra Lula... São ridículas... inacreditáveis.
Os estrangeiros se riem ao ver que alguns delatados precisam se defender de milhões, enquanto Lula tem que explicar a hipotética posse de um triplex de classe média, ou um sítio de veraneio sobre os quais não há nada, nenhum bilhete sequer.
Só que Moro não liga.  Desde que haja uma fala qualquer, de um destes corruptos qualquer, que cite Lula, um parente, amigo, conhecido ou correligionário seu, faz-se um "auê" com ela.
Mas então, se penso tudo isso, o que me causa pena dele?
O que me causa dó é ver que alguém que poderia ter um futuro muito bonito pela frente, se deixar levar por esta correnteza aparentemente "sortuda", só que eivada de armadilhas.
Um dia, não muito longe, a história julgará este episódio de forma tão densa que não haverá mais como esta gente se desculpar. E ninguém mais virá a ser homônimo de Moro, pois basta ver como dificilmente alguém batiza o filho como Hitler, Judas, Nero, ou qualquer outro que a história tenha julgado como "algoz".
Pois é. Como falei em personagens conhecidos, vamos pensar em outra figura histórica, mas que ficou queimada.
Pilatos, um mero governador de provincia, entraria para a história apenas como um a mais dentre os diversos oficiais da Roma antiga.  Contudo, foi "agraciado" com a responsabilidade sobre o julgamento de Jesus.  Aquele carpinteiro que fez cegos verem, coxos andarem, leprosos serem limpos e mortos reviverem.
Pilatos teve suas palavras e gestos emoldurados pela "glória" momentânea e hoje é o grande escroque da cristandade. Ou seja, aquele que se apoderou de parte do prestígio de Cristo para se eternizar.
Mas a que custo?  Rogam os cristãos aos milhões, que o Filho de Deus "padeceu" sob o julgo do "vilão" Pôncio Pilatos.
Será que a mãe do Poncinho, tem hoje no além, vergonha ou orgulho dele, quando ouve os anjos apontando e cochichando entre si no Paraíso: "Eis ali a mãe do que lavou as mãos" e deixou o filho do Senhor morrer?
Se eu fosse Moro, também talvez tivesse aproveitado esta chance.  A de me tornar uma figura extremamente conhecida e pública, sem me preocupar "como".
Mas graças a Deus não sou.  E como eu mesmo, na verdade, defendo que o bonito seria se ele, ao receber esta oportunidade na profissão, tivesse encarado tudo como algo tão grandioso quanto governar esta nação e cuidar para que o processo fosse completamente isento, acusando apenas sob provas concretas, averiguadas e não fruto de falação de criminosos que desejam diminuir sua pena em delações contraditórias e inconsistentes.
Eu gostaria de ser conhecido como o justo, o jurista respeitável.
Gostasse ou não de mim a Globo ou o Kataguiri (sei lá se é assim que se escreve o nome desse aí), minha preocupação seria a verdade, a história, o compromisso.
Condenando o culpado, ou absolvendo o inocente, teria meu nome nos anais da história como o correto.
Não sobraria ninguém... Nem amigos do PSDB, nem adversários do PT. Culpados, iriam em cana independente de suas cores.  Inocentes, teriam a chance de limpar o nome, como convém aos injustiçados.
Como juiz com "j" maiúsculo, eu tomaria cuidado ao tirar fotos, ao frequentar estádios de futebol. Fugiria de entrevistas perigosas e me cercaria de isenção.  Romperia com alguns amigos sem crédito moral.  E enfim, depois de tudo, seria apontado nos livros do direito, como aquele que julgou poderosos e para tal seguiu os rigores da ritualística jurídica.
Por isso eu digo, quão lamentável é a pouca idade.  A falta de velhice.
Se para uns a oportunidade de brilhar de fato chega muito tarde ou nunca chega, para alguns chega cedo demais, o que é infinitamente pior.


quarta-feira, 3 de maio de 2017

Brasa Viva. Ressurgirá a esperança.

Os números não são pequenos.  Em uma empresa, ouvimos 22 mil.  Em outra, eram 15 os milhares a serem desligados até o final deste ano, segundo o RH.
Fico pensando no tamanho do desastre que tudo isso vai causar na economia do país e em tão pouco tempo.  E bem agora que se fala em recuperação da crise.
Enquanto isso, frutificam pelo mundo e não só pelo Brasil, os imbecis que defendem, em nome da “empregabilidade”, o afrouxamento das leis trabalhistas, como se isto fosse a solução do problema do desemprego.
No campo, quase que se implanta, novamente, a escravidão ou o escambo da força de trabalho por um prato de comida e uma cama desconfortável.
As guerras ocorrem pelo mundo afora em diversas cores e formas diferentes.  Umas com bombas e atrocidades visíveis, outras com a penetração gradativa na consciência das pessoas com vistas a leva-los a um suicídio moral irracional.
Claro que a finalidade sempre é a mesma: poder financeiro.  Nada de política, nada de fé religiosa, nada de etnia, nada de combate a terroristas.  Tudo disfarce em fantasia rota.
O segundo modelo de guerra, embora menos odioso do ponto de vista humanista, chega a crueldade ainda pior, posto que o indivíduo vira atroz de si mesmo e acreditando estar raciocinando por conta própria.
Eu pensava que o Brasil já estava livre disso.  Após anos de ditadura militar, com ela vencida e soterrada, vivemos em uma frágil democracia onde ainda resta vencer oligarquias e coronéis.  Ocorreu que acabamos por ser vítimas do excesso de liberdade.  Deixamos muito livre, por exemplo, a mídia, que operou o ideário de cada cidadão com ardil e astúcia.
A serviço dos grandes mandatários do mundo, os donos da “informação” realizaram a doutrinação diária, pesada e mascarada que conduziu o pensamento das massas para o lado que quis.
Está certo que estes grandes artífices da desconstrução não contavam com a força da internet a combater-lhes o que ocorre a olhos vistos.  Mas este veículo de alcance e controle popular ainda carece de aceitação por boa parte nesses rincões de nosso Brasil.  Sobretudo onde a classe média mantém ligados seus aparelhos de televisão que servem de adorno e companhia nas vidas vazias dos que foram contaminados pelo consumismo alienante que esvazia neles, a própria alma.
Enquanto isso, corajosos, seguem plantando suas sementinhas na web, os blogueiros, facebuqueiros e outros guerrilheiros da modernidade.
Fico a fitar, nas ruas, as manifestações que a mídia formal não mostra.  Os avanços da direita raivosa que não quer mais perder tempo na voracidade de resguardar sua ilusória posição de topo da pirâmide.  E entre um lance e outro, vejo aquele mesmo resquício de esperança e luta que vimos no passado próximo, quando o vermelho, que era apenas sangue sobre a calçada, foi aos poucos tomando forma até tornar-se pendão das liberdades e do alvorecer dos novos tempos.

Tombado pelo golpe e pelo descuido que a aparente vitória de então trouxeram, jaz combalido, mas continua vivo e incandescente como brasa que aguarda um simples sopro a plenos pulmões dos verdadeiros brasileiros. 

A rainha caipira.

A partir de hoje, me dedicarei a publicar, de quando em quando, contos e crônicas escritos por meu pai, Carlos Alberto Gomes, que assina com...