sexta-feira, 22 de setembro de 2017

As peripécias de Baía - Remanescências de Carlos Alberto Gomes (Gomes de Castro)



As peripécias de Baía.
 
              "É desnecessário que se diga o porquê do apelido desse rapaz. Muito pouco crédito se deu ao que dizia “Baia”, porém pelas suas características físicas não há como discordar que fosse oriundo da “boa terra”. Tive o “prazer” de tê-lo como colega em 1950, na terceira série do antigo curso primário, hoje ensino fundamental. Na verdade, ele foi meu colega por apenas três semanas. Eu disse que tive prazer de tê-lo- como colega pelo fato de ele nos ter brindado com algumas atitudes dignas de serem relembradas. Nesse ano, não sei se estou certo, mas foi o último em que o Grupo Escolar funcionou lá, no bairro São Benedito, local da fundação de Nova Granada, e apesar de ainda existir o prédio, já naquela época ele se apresentava bastante desgastado e necessitando de reformas, que devem ter sido realizadas, pois eu lembro que em determinada época, ali funcionou a Escola de Comércio, a popular “Escola do Jucão”.
              Suas portas eram bem altas, com quase dois metros de altura e, de modelo antigo, possuía duas folhas de madeira. As janelas, como as portas, também eram maiores que as atuais, sendo venezianas compostas por duas folhas cujas trancas eram ferrolhos do tipo Cremona. Obviamente, as janelas eram de madeira.
Nosso diretor, se não me falha a memória chamava-se Nelson. Nossa professora era dona Olga, esposa do diretor. O servente – hoje denominado inspetor de alunos – era o senhor Guy. Para mim, todos saudosos!
              No primeiro dia de aulas, ao formarmos fila para adentrarmos à sala de aulas, nós tivemos a surpresa de saber que entre nossos colegas se encontrava o endiabrado maquiavélico “Baía”.
Nosso horário de aulas era o vespertino. Um belo dia nossa professora havia faltado e a substituta, apesar de que naquela idade não percebíamos, parecia estar insegura. Após o Hino Nacional, naquela época o cantávamos todos os dias antes de entrar em classe, fomos autorizados a entrar em sala de aulas. Cada qual procurou sua carteira e assentou-se. Minha carteira ficava junto à parede, mais ou menos no meio da sala. A carteira ocupada por Baía ficava na mesma fila que a minha, mas no final, junto à parede detrás da sala. Há alunos que adoram quando a professora é uma substituta, pois gostam de aprontar.
              Meia hora foi o suficiente para que acontecesse! A professora passava pelas carteiras a fim de corrigir os exercícios que nos passara. Ao chegar junto à carteira de Baía ela percebeu o espelhinho colocado estrategicamente por ele, no solo. Pisoteou o espelho fazendo-o em mil pedaços e, para complicar, deu um tremendo tapa na cara de Baía, solicitando em seguida que um dos alunos fosse chamar o servente. Esquecia-me de dizer que Baía era um garoto de físico avantajado em seus já doze, treze anos.
              Naquela época nossas canetas eram compostas de um pedaço de madeira roliço com um encaixe onde colocávamos a pena – de metal – e que para escrever, molhávamos no tinteiro. A lousa era de madeira pintada de preto, colocada bem à frente da sala.
              A professora, após ter dado o tapa nele, pegou um giz e foi à lousa, onde começou a escrever enquanto aguardava a vinda do servente. Baía pegou sua caneta e – acredito que ele poderia ficar mais dez anos jogando-a que não conseguiria a proeza que acabava de fazer – atirou-a em direção às costas da professora. Por sorte, não conseguiu seu intento, mas como disse acima, a caneta, por incrível que possa parecer, ficou cravada na lousa. Foi então que tanto o servente quanto o diretor entraram na classe, pois ambos foram atraídos pelo grito de terror da professora ao ver aquela caneta fincada na lousa, próxima a sua cabeça. Corre daqui, corre dali e Baía pulou pela janela, passando a ser o primeiro caso de aluno evadido que tive conhecimento em minha vida."


Mais um dos textos de meu pai em seu livro de remanescências.  
Desejo que publique em breve.  Vale à pena.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Pátria Amada, Idolatrada, Salve Salve...


Sinceramente eu estou muito preocupado com a vida de minha família, com os destinos das pessoas de bem que conheço e sobretudo, com meus negócios.
Pronto, eis aqui um egoísta.  Alguém que só pensa em si e no que tem relação com a própria vida.
Só que não.
Embora eu tivesse, se assim fosse, muito mais amigos, simpatizantes e clientes, este não sou eu.  Não sou tão umbilical assim.  Não penso só nos meus.  Penso em minha pátria.  Penso na minha gente e de um modo peculiar, penso nas pessoas mais fracas do mundo todo.  Trabalhadores, excluídos de toda sorte, marginalizados.
Santo?  Não, de forma alguma.  Não sou mais especial que ninguém.  Sou apenas humanista, como tantos outros que conheço.  Pessoas que gostam mais de gente do que de dinheiro, de carro, de iates ou até de viagens.  Que gostam mais de seres humanos do que de posição social ou prestígio.  Humanistas são assim.
E é por ser assim que vivo essa aflição.  Essa indignação com tudo o que está acontecendo nos cenários mundial, nacional e ameaçam homens e mulheres em geral.
Deixa ver se me faço entender. 
Por exemplo:
Pode um transloucado chefe de Estado norte coreano, ficar brincando de desafiar outros loucos, ainda mais destemperados que ele, sem que de algum modo, acabe sobrando pra todos nós?  Será que Kim Jong-un acha mesmo que não fará nenhuma diferença, para ele ou para o mundo, se algo acontecer em virtude de suas provocações irresponsáveis?  Ele não vê que Americanos e Russos, já-já vão estragar sua brincadeira e de quebra destruir o playground onde ele se diverte com seus brinquedinhos genocidas? 
E nós, em virtude desta ameaça real, como podemos acordar tranquilamente numa manhã de quarta-feira e pegar nossa condução para o trabalho, sem saber se psicopatas poderosos vão “ferrar” com tudo a qualquer momento?
Quem não pensa, pelo menos alguns minutos do dia em coisas como essa, padece de alienação grave.
Faz tempo, no entanto, que outras guerras verdadeiras já acontecem.  A da Síria, é um exemplo, que dizima inocentes crianças e civis de todas as idades, agora mesmo enquanto escrevo estas linhas.  Outra que dura anos e provoca o esmagamento continuado de palestinos, pelas forças de Israel, conta com a condescendência da ONU.  E se andarmos de traz para frente na história, iremos nos deparar com Bósnia, Iraque, Vietnã, Hiroshima, mais atrás a Armênia e assim vai. E enquanto isso, muitos eram os que pensavam somente na compra do carro novo ou daquele vestido lindo da vitrina.
Tudo bem.  Que ninguém se mate ou deixe de viver por que outros morrem.  Mas ignorar a gravidade disso tudo não é muito normal, é?
Guerras quase sempre, pra não dizer sempre, são conduzidas por nefastos gananciosos que usam desculpas as mais variadas.  Matam e trucidam alegando fé, liberdade, soberania e sabe-se lá mais o quê.  Mas tudo, na verdade, por conta de petróleo, ouro, diamantes, poder e dinheiro.
Ainda falando de humanismo o que dizer da fome que devasta, ainda hoje, boa parte da África?   Continente já tão judiado pelos imperialismos Francês, Português, Inglês e outros povos, como árabes que invadiram, dominaram, escravizaram e exploraram até secar.  Isso te incomoda ou também não?  Se não, você pode estar gravemente doente.  Ou então é daqueles que gostam mais de animais, de anéis, do que de crianças.  A gente não percebe, mas o mundo está cheio destes.  Uma tristeza.
Mas se quisermos falar só de Brasil, então lá vai.  Vamos começar do início.
Quinhentos anos de história.  Mas que história?  Aquela que conta como um iminente navegador português errou seu destino chegando na costa da Bahia?  Que teria, misteriosamente “descoberto” nossas terras que misteriosamente já eram habitadas por quem a “descobriu” primeiro?
Tudo já começa muito errado por aqui.  A invasão pelos portugueses, a forma com a qual eles tiveram que agir ao longo do tempo para garantir a posse das terras, tanto perante os nativos, quanto perante outros países em franca expansão marítima (espanhóis, ingleses, holandeses e franceses).
Como a coroa, a Igreja e a mídia daquela época mantinham tudo sob controle?  Com barganha e manipulação, trocas e privilégios.  Já era propina, em todas as suas formas.  Ah, a canalhice é antiga por aqui.
E de lá para cá, o que foi diferente? 
O filho do rei de Portugal declarou independência ao voltar de um passeio e pronto.  A poderosa coroa portuguesa abriu a guarda, deixando para trás episódios insanos como a “derrama” e a “inconfidência”.  E lá na frente, depois que tudo deu errado pro “playboy”, o ilustre filho volta pro colo do papai.  Quem acredita numa “novelinha tão simples destas”?
E quem não se lembra das capitanias “hereditárias” que, de certo modo, sobrevivem até hoje rincões afora?  Em outro formato, claro.  Sim, sobrenomes “sangue azul” que se sobrepõem ao esforço e talento de silvas e outros humildes de sangue avermelhado, também são comuns na história contemporânea.
Manipuladores que escrevinhavam cartas a “El Rei” já existiam e também já havia a prevalência da mídia, que se mudou de patrões, não mudou de donos.  Ainda hoje suas matérias estão incorporadas ao material didático distribuído nas escolas públicas a deseducar desde a tenra idade toda uma população de subservientes expectadores.
Pois é com este tom e mesmo sabor que diversos foram os governos que se sucederam.
Se a declaração da independência não foi assim, tão gloriosa, tampouco o foi a declaração da República, fruto de uma traição do próprio Marechal Deodoro ao amigo, depois de sucumbir a boatos, pondo fim a um governo que, de forma até razoável, se apresentava como “novo”, sob a visão avançada de Pedro II.
E o que dizer de Getúlio e um suicídio questionável, num emaranhado de farpas onde mais uma vez a mídia se esforçou para remodelar as cenas, depois é claro de exercer o papel de protagonista, em que pese disfarçado, culminando com a morte do presidente?
Poderíamos prosseguir.  Falar de JK e seus devaneios.  Mas esbarraríamos num papelão, pois então não se poderia deixar de dizer que ele, atacado com apoio geral, precisou voltar a Brasília, capital fruto destes seus sonhos, escondido, a noite e sob a chuva, para vislumbrar emocionado a materialização de seu visionário projeto.  Sua morte, ou a de Jango, até hoje ficaram como mero acaso do destino.  Ninguém jamais se ergueu para pedir “maiores esclarecimentos” ou para restituir-lhes o honrado lugar na história.
É... O Brasil é cheio de ingratidões.  De substituir seus ídolos ao sabor dos ventos... Mais precisamente ao sabor das “ondas” que transmitem som e imagem pelos canais de TV, Rádio e outros veículos.
Mas a fila anda.
Depois de tudo isso e uma briga demorada de anos sem fim, um trabalhador é finalmente içado ao governo.  Não foi fácil.  Teve que tomar um banho de marketing, “podar” a grande barba e vestir uns terninhos mais ajeitados para ser “engolido” pela classe média brasileira (grande colégio eleitoral).  O duro é que o comportamento mais contraditório de sua figura não foi a mudança de seu visual.  Para governar teve que sentar, negociar e conchavar com algumas figuras “de sempre”. 
Partidos costumeiramente “mandantes” como PMDB e outros, chefiados por oligarcas e “coronéis” do Nordeste, foram mantidos por perto, sob a graça e as luzes do palácio.  Com isso, os ranços destas legendas permaneceram e sua atuação historicamente criminosa, foi agora disfarçada sob a fantasia e a maquiagem de progressistas, quiçá de esquerda.
Mas coadjuvantes?  Jamais.  Essa gente não aceita.  Por um tempinho, tudo bem.  Mas começaram então a perceber que um mandato inteiro, pelo menos, iria durar este “governo do metalúrgico”.  O que fazer?
O primeiro passo era “quebrar as pernas” deste projeto.  E começaram ”cortando as cabeças” de toda a possível linha sucessória de Lula. Se valeram de um processo que desnudou o tradicional e galvanizado balcão de trocas entre legislativo e executivo, agora chamado de mensalão, dando fim a diversas carreiras políticas.  Pensadores, soldados de um partido inteiro, foram para presídios sentados nos mesmos camburões que tradicionais e contumazes, porém descartáveis picaretas do cenário político.
Aparentemente este ataque seria suficiente para barrar um projeto romântico criado por intelectuais, movimentos sociais e comunidades eclesiais de base.  Mas não.  Houve a reeleição.  E mesmo diante de uma chuva de denúncias envolvendo amigos e pessoas próximas do presidente, o mandato teve sequência. 
Novamente era necessário golpear e de maneira precisa as lideranças do PT.  Só que então, a cizânia começa a surgir.  Fruto talvez da decepção de alguns, ou da falta de espaço.  O resto dos eloquentes partidários do presidente foram saindo de fininho.  Uns, talvez com medo de que se lhes descobrissem algo.  Outros embalados pelo discurso comum que, lamentavelmente, pregava que o governo se desviara para a direita, fomentando a indústria e privilegiando banqueiros em detrimento a aposentados e a movimentos de apoio, como o MST, por exemplo.
Destes dissidentes surgiram novos partidos que, embora no mesmo campo, eram contrários ao governo.  Os poucos companheiros que restaram na base do PT, se dividiam então entre fiéis, militantes aguerridos e não se pode esquecer dos interesseiros, dos que viviam das sobras da mesa, dos carguinhos, chamados de os “da boquinha”.  Já as estrelas disputavam no palitinho a possível vaga de substituto na chapa majoritária.  Foi quando a oposição deu algum tempo de trégua.  Quem sabe eles se matam sozinhos, pensaram.
Por outro lado, não havendo “baluartes”, só restava a indicação de vultos opacos, ou “postes”, segundo alguns.  Foi quase que desafiando a este desafio dos adversários que Lula resolveu indicar uma de suas técnicas, a ministra Dilma Roussef.
De história intocável, iluminada pelos belos números alcançados pelos 8 anos de PT no governo, ela foi eleita.  Menos hábil e menos conciliadora, não demorou para caminhar com poucos amigos, deixando para trás os pouquíssimos aliados que sobraram.  Mas de enfrentamento em enfrentamento e contando com forte bancada, no início pelo menos, conseguiu mostrar que tinha “colhões”.
Seu primeiro mandato foi bom e de certo modo resultante de uma caminhada de sucesso, sobretudo na política externa, um dos grandes legados do governo de seu antecessor.
Só não se contava que, para os inimigos, tinha bastado.  Era preciso, para eles, retomar o controle.  A classe trabalhadora, em que pesem suas parcas conquistas, já tinha ficado bastante tempo no “mando do campo”.  Estava na hora de devolver o poder a quem ele sempre pertencera.  Os oligarcas, os donos dos canais de TV, Rádio e Jornais, além da elite suja (pois existe uma elite razoável), aquela que é submissa a Washington, mas mora em Miami.
Secando os apoios, fechando as gavetas, sangrando dia a dia, ameaçando e extorquindo a presidenta, se valeram de tudo.  Aproveitaram até dos movimentos juvenis contrários ao aumento de passagens.  Os oportunistas invadiram as ruas tomadas por estes jovens, tomaram-lhes os microfones e reescreveram sua pauta de reivindicações.  Como resultado, aplicaram o golpe.  Amplamente apoiados pelo povo, pela mídia e pela comoção incandescente.
Com panelaços, patos e camisas da seleção brasileira, implantaram um falsificado movimento patriótico que culminou na devolução do poder a quem ele sempre pertencera.
E para que?
Para que agora permanecessem.  Mesmo com um histórico de corrupção ainda maior, mais permanente e voraz que os que serviram de pretexto para o impeachment, estava bom.  Afinal, o PT saiu. 
O poder lhes foi devolvido para reintegrarem o inacabado desmonte do país pelos neoliberais tucanos que não conseguiram terminar sua missão, pois um mandato que previa 16 anos, durou apenas 8. 
Para destruir a CLT e minguar os direitos trabalhistas.  Abalar as estruturas da liberdade de manifestação.  Impedir o acesso dos mais pobres às faculdades, aeroportos, restaurantes e salões de beleza.  Ou seja, devolver-lhes aos guetos.  Ao servilismo.
Como resultados auxiliares, envergonharam o país perante o mundo.  Enojaram a opinião pública dos decentes com notícias pavorosas de desvios e por fim, dissolveram qualquer chance de um governo popular retomar na gestão do país.
Mesmo cometendo os mesmos crimes que denunciaram, em proporções até maiores e mais descaradas, nada lhes acontece.  Os três poderes nunca foram tão unidos e para o mesmo objetivo.  E o povo, sei lá do povo.  Desapareceu.
Hoje, quando nos encontramos com amigos em barzinhos ou na feira da rua, não é incomum ouvir desabafos, opiniões quase sempre “muito bem embasadas” sobre este ou aquele fato político.  Mas quanto desta opinião não está sob a mácula da deformação intelectual amalgamada aos pesados interesses de sempre, desde o Brasil colônia?  E é opinião apenas, não revolta.  De gente que depois volta para o sofá de casa afim de anestesiar-se diante da novela ou do futebol.
Ser humanista implica também em pensar nisso tudo.  Pois por trás disso tudo estão as pessoas.  As vítimas, que dirigidas como “gado” ou não, sofrem consequências diárias no preço do combustível, no desemprego crescente ou na perda da soberania do seu país.  Trabalhadores alijados de direitos e conquistas antigas, estudantes de universidades sem verbas, aposentados ameaçados por uma reforma previdenciária assassina e pacientes relegados a corredores de hospitais sucateados.
Eu sei que esta é uma discussão complicada.  Que muitos amigos, familiares, colaboradores e até mesmo parceiros de negócios divergem de minha ótica.  Mas ela não é só minha.  Ela acompanha a opinião de jornalistas estrangeiros, estrategistas políticos e muita gente séria, inclusive de militância sóbria e sensata.
Mas não há como eu não defender esta narrativa.  Não há como não assinar embaixo de textos que descrevem este roteiro.  Boa parte dele foi vivido de perto por mim.  Tenho 49 anos de idade e milito politicamente desde os 14.
Criei afeição muito grande pelo tema e com atuação prática no dia a dia de comunidades, aprendi um bocado.  Não é falácia de quem apenas viu algo pelas páginas da Veja ou ouviu pela voz de Willian Bonner. Tem estrada aqui.
Mas olha, também sei fazer autocrítica e examinar pontos contrários.  Também sei estar alerta e cobrar a verdade doa em quem doer.
É importante também valorizar conquistas.  E sobretudo comparar.  Sei olhar para outros tempos em que vivemos inflação de 80% ao mês, corrupção colorida, anões do orçamento, bloqueio de poupança e privataria criminosa.
Dá também para se avaliar o contexto.  Medir a força da lei e seus reflexos sobre aqueles a quem sobram provas concretas, enquanto se vê o que acontece sobre aqueles sobre quem só pesam delações.
Não fica claro, pra todo mundo, quando se vê que diante de um helicóptero recheado de drogas, malas cheias de dinheiro, contas na Suíça, fitas gravadas com a própria voz dos bandidos e outras tantas provas materiais, a perseguição incansável e implacável da justiça é só sobre alguns que foram apenas delatados?  E sempre os mesmos?
Posso até morder minha língua.  Ter que me humilhar ao vir declarar meu equívoco, caso algo seja finalmente provado contra Dilma e Lula.  Mas não dá pra “jogar a toalha” simplesmente por que um ex-aliado, ou um ex-capacho como Palocci fala isso ou aquilo. 
Pessoas de caráter fraco abundam na política onde quem não é vaidoso, quase sempre é ganancioso e portanto, de caráter frágil. 
A delação e a “entrega de comparsas” são típicas ações de quem pratica a infidelidade, a mentira e a covardia.  Delação é outra forma de pilantragem oportunista. Não que a polícia não deva usar deste expediente, mas dar crédito total e afrouxar a pena de quem comete mais este ato de “bandidagem” é demais.
Eu prefiro continuar minha busca pela verdade e enquanto isso, embalar meu canto na direção de minha intuição.  Repito, até que se me PROVE o contrário.
Não vale dizer que tenho “bandido de estimação”, pois assim como jamais me aproveitei de R$ 1 real alheio, não conseguiria respirar o mesmo ar de quem o faz. 
Mas conclamo aos que me contradizem a examinar também os julgadores e delatores para avaliar o crédito que se lhes impõem.  Quem são eles?  E sua história, qual é?  Ministros do Supremo e juízes de primeira instância, membros do Ministério Público, foram ou são avaliados na mesma medida de seus réus?  Pelo menos por você.  Faça isso, por favor.  Nome por nome.  Eu tenho tentado e não é difícil.
Por que digo isso?  Porque dei uma passada d’olhos sobre alguns julgamentos da história.  E agora sei que é tênue demais a fronteira entre justiça e injustiça.
Peguemos os julgamentos de Jesus, de Joana d’Arc, de Jacques De Molay, das bruxas de Salem.  O que eles tiveram em comum?
Os condenados foram bons por um tempo.  No início eram aclamados, seguidos e aplaudidos.  Até que provocaram poderosos, arranharam os interesses e privilégios destes.  Daí, foram acusados, presos e sofreram escárnio, descrédito e até o apoio do povo à sua condenação.  Povo este que, com a vista obnubilada e a cabeça atordoada pela falácia dos algozes, gritavam nas praças e tribunais pedindo-lhes a condenação e a morte.  Parte de seus julgadores, fora comprada, com dinheiro, cargos ou perdão de algum mal feito.  Por fim vieram as delações de seus parceiros e sobretudo, uma inocência improvável, só demonstrada após o cometimento da injustiça irreversível.  A condenação à morte.
Eu que não quero correr o risco de participar deste show.  Desta festa infame. E por isso permaneço firme nas minhas convicções até que fatos as destruam.
Temo pelo que está por vir.  Temo pelas sombras do nacionalismo, do militarismo, do fascismo, que já rondam os céus por conta do descrédito geral e da decepção que visitam os bem intencionados.   Mas creio e espero que esta gente toda de minha pátria, no final de todas as contas, abra bem os olhos, a garganta e grite novamente pela independência, agora verdadeira a nos libertar da manipulação, da servidão, da ignorância e a quebrar as correntes da apatia que nos mantém tolhidos de força e coragem revolucionárias.

Em dias da Pátria, o único orgulho verde e amarelo que me resta é o de ser brasileiro apesar dos pesares. E do desfile cívico, o único cordão que faz sentido é o dos excluídos gritando por inclusão, pois esta sim, já longínqua, está quase condenada para sempre.

sábado, 12 de agosto de 2017

Sombras e Luz

Parece inacreditável, mas é real.
A futura Procuradora Geral da República, Raquel Dodge é uma das figuras que visitaram Michel Temer (o não eleito), fora da agenda oficial, às 22h no Palácio do Jaburu.
De fato é um hábito do sinistro ex-vice da república, receber pessoas na "penumbra" para algumas reuniões cujo teor só as sombras sabem.
Temer nomeou Raquel para antecipar publicamente a visão da saída de Janot, cujo mandato se encerra em setembro, com a finalidade clara de enfraquecer as denúncias apresentadas pelo atual procurador contra si.  Denúncias aliás que todos conhecemos, mas que o Congresso que não nos representa insiste em dizer que "não são consistentes".
Contrariando a tradição de nomear o mais votado na eleição interna do Ministério Público Federal, a indicação da nova Procuradora se justifica por este próprio encontro.
Acabou a vergonha e não existe decência, sequer há tentativa de esconder maus feitos.  Escancarou-se de vez, no Brasil, a falta de compromisso com a seriedade.
E o mais estranho é ver que aqueles que bradaram, gritaram, "rasgaram as roupas", encheram praças e avenidas, vestiram a "gloriosa" camisa verde e amarela, além de bater panelas e inflar um ridículo pato, não estão ligando pra mais nada.  Quietos e disfarçando qual "criança cagada".
O que queriam, óbvio, era tirar o PT do governo.  Agora, o resto é resto.  E este resto leva de arrasto o país, as instituições, os direitos trabalhistas e o bom nome que nossa nação amealhou no exterior.
Não consigo ficar silente vendo conhecidos, amigos e críticos vorazes, com postagens ridículas, insensatas, desviarem do foco principal e meio que esconder seu apreço pelo estrago realizado ou fingindo que "não votaram em ninguém".
Sim... boa parte composta por eleitores dos piores partidos como PSDB e PMDB, além de legendas satélites destes, que construíram sua história durante muitos e muitos anos se locupletando do poder.
Do outro lado, eu já fiz coro a alguns companheiros tentando explicar para alguns desentendidos da política como tudo isso começou.
Busquei mostrar que a direita, vendo a "viola em cacos", decidiu deixar que o PT tomasse posse em 2003 para logo em seguida retomar o governo diante da "quase certa" catastrófica gestão, pois assim estava previsto e encaminhado pela criminosa privataria.
O que não contavam é que Lula faria um bom governo e elevasse nossa economia e de brinde, a qualidade de vida das classes menos favorecidas.  Surgiu a preocupação primeira.  "Se estes caras do PT consertarem o país, perderemos nossa grande teta".
Realizou-se então a primeira tentativa de golpe e para impedir a reeleição de Lula, fez-se de tudo.
Nasceu o processo do mensalão, que ao mesmo tempo que evitaria a segunda eleição de Lula, quebraria as principais cabeças do PT eliminando sua possível linha sucessória.  Líderes como Dirceu, Palocci, Genoíno e outros, foram alijados de suas funções e tirados de cena.
Mas, para desgosto destes estrategistas anti-Lula, houve a reeleição e mais um mandato brilhante.  Sem nomes, no entanto, para dar sequencia a um governo "de uma única personalidade", tudo acabaria por ali, acreditaram.  E deixaram terminar os quatro anos.  Afinal, não seria permitida a reeleição.  Mas Lula elegeu sua sucessora.  "Um poste", segundo adversários.  Mas um poste que prosseguiu em grande parte na mesma linha e conseguiu ser reeleita no "mata mata" do segundo turno, quando os projetos são enfim confrontados sem os reflexos de uma oposição diversificada.  E o povo brasileiro escolheu o projeto que queria.  Não só o nordestino, como fez crer a mídia, mas um percentual importante de toda a população que, somado, entendeu o que era melhor para o nosso futuro.
Daí então, já era demais.
Não interromperam o primeiro mandato de Lula, não impediram sua reeleição e ainda por cima, embora desacreditados, assistiram sua sucessão.
"Agora chega" - devem ter gritado, em coro, Serra, Fernando Henrique e o quarto poder.
Por sorte, para eles, apareceu um protesto juvenil contra aumentos de tarifa de ônibus, que cresceu numa "comoção gigante".
Exato.  Sob medida.  Invadindo a "festa", estes abutres tomaram de assalto o microfone das mãos dos jovens.  Montaram uma pauta que foi rapidamente potencializada e injetada na sociedade com o apoio irrestrito da mídia serviçal.  As massas, cuja indefinição ideológica e de classes, não soube entender ou controlar, foram rapidamente envolvidas.
Mas faltava a cereja do bolo.  Viria rápido e na forma de um sangramento do governo, bem planejado e provocado por seus inimigos (deputados e senadores sem favores especiais ou não comprados) e pronto!  Eis o golpe.
Na pessoa do vice, um político medíocre, mas capaz de cumprir um ritual desfavorável pra si mesmo e sua popularidade, em nome sabe-se lá de que, fecharam geral e empoderaram, com ele, uma súcia. Esta, gananciosa e apressada em atingir sua meta, até com certa aflição, iniciou a "toque de caixa" o desmonte das conquistas populares, o distanciamento entre as classes e sobretudo a entrega de nossas riquezas, abrindo os cofres e "rasgando contratos".
Só não contavam, penso eu, que um dia a população começaria a sair do "torpor".
Já não cola mais o discurso da ética e da decência.
Vejo que alguns passam a se questionar e se perguntam: "Como estávamos há 5, 7 ou 9 anos atrás?  O que foi que fizemos?"
Resultado dessa dúvida, Lula volta vigoroso a despontar como grande solução, única saída, embora alguns ainda o odeiem vorazmente sem mesmo entender o por quê.
As forças ocultas se juntam, estudam, se reinventam, mas não conseguem enlameá-lo. Usando a história de um apartamento na praia e um sítio nas montanhas, escrevinham uma sentença primária, beirando roteiro de novelas, ridicularizada por juristas sérios do país e do mundo, no último suspiro para tentar impedir que Lula concorra às eleições de 2018.
Só que não.  Lula mal começou a percorrer o país e já movimenta montanhas.
Antes, no final dos anos 90, a caravana do petista enfrentava a febre do "medo", provocada pelo discurso anti-comunista das Reginas Duartes da vida, que diziam ao pobre, já quase sem nada, que os "vermelhos" dividiriam o pouco que possuíam.  Agora, a jornada de Lula pelo país enfrenta a febre da "corrupção", cujo maior combate da história, na verdade, ocorreu em seu governo, quando Polícia Federal e Ministério Público puderam atuar sem qualquer interferência.  E isso já está ficando claro pra todos.
Lula sempre foi inteligente.  Um político sem iguais.  E começou bem.  Já no ponta-pés inicial, soltou um discurso afiado e perfeito, inclusive super esperado pelos seus defensores.
"Vamos regular a imprensa" - afirmou ele em recente encontro na UFRJ.
A imprensa foi, sem dúvidas, não a causadora, mas a grande propagandista do golpe que arrebatou conquistas, afundou nossa imagem e está destruindo a esperança de nossa gente.
Sua regulação, que não é censura, precisa garantir que o papel da imprensa mantenha compromisso com a verdade, com os limites e com a ética.  Faltou essa coragem em Dilma e tudo teria sido bem diferente.
Estamos voltando a ver o despontar do sol.
Mesmo que eu acredite na força das ruas, como antídoto ao golpe, tenho que crer na capacidade eleitoral de Lula e na República enfim.
E parece que vou começar até a respirar aliviado, pois esta manhã já falei com gente que, até ontem irredutível, já foi capaz de afirmar:
"Sabe que Lula não é essa coisa feia que tanto pintam"?
Sorri, tomei meu café, bati nas costas do vizinho de balcão e silenciosamente retruquei (em pensamento): Demorou, hein?
Ganhei meu presente de dia dos pais.

sábado, 15 de julho de 2017

A rainha caipira.

A partir de hoje, me dedicarei a publicar, de quando em quando, contos e crônicas escritos por meu pai, Carlos Alberto Gomes, que assina com o pseudônimo de Gomes de Castro.
Estas remanescências que ele transcreveu em um caderno, são momentos bastante curiosos e que vale à pena partilhar.
                                                                                 
             

"Qualquer atividade que nos propusermos realizar, por mais simples que ela seja, nos apresenta determinado grau de dificuldade. Seja lá qual for. Dormir um neto, por exemplo. Não aquele que ainda é bebezinho e ao qual você oferece uma chupeta que, como todo bom ferrenho chuparino, fica horas a sugar. Também não vamos considerá-lo ou compará-lo a uma criança hiperativa, pois não há necessidade de chegar a tanto.              
Mas, foi pensando dessa maneira que tive minha atenção despertada por inúmeras atitudes de meus netos que, anotadas junto a atitudes ou expressões ditas por meus filhos, quando pequenos, formariam um extenso glossário de fatos correlatos.
Busquei então na memória, juntar o máximo possível e quando tive a atenção despertada por estes fatos, comecei anotá-los, a princípio com o título de “coisas de pirralhos”. Dei então início a uma coletânea do que ouvi de meus netos assim como os que recordei ter ouvido de meus filhos. 
Gostaria então de relatar um deles, acontecido há alguns anos atrás, quando meu neto mais velho estava com seis anos e seu irmão, com quatro.              
Em determinado dia, em que meu filho e minha nora precisaram viajar para São Paulo, pediram que eu e minha esposa ficássemos com os garotos. Isto, para nós era muito prazeroso, pois dificilmente nós tínhamos oportunidade de tê-los conosco. Geralmente, quando vinham, o faziam acompanhados dos pais e quando estes se iam, também se iam eles.
No dia seguinte, logo pela manhã, minha esposa já se pôs a fazer um bolo, procurando recheá-lo com guloseimas que os meninos gostavam: chocolate; castanhas; creme...
Durante todo o dia, assim que chegaram, eles brincaram pra valer, de tudo que pudéssemos imaginar. Como moramos em uma chácara de grande dimensão, eles puderam se “soltar” jogando futebol e correndo durante todo o dia. Até aí, a única dificuldade que encontrei foi adquirir fôlego para acompanha-los.
À tarde, quando a avó serviu-lhes café eles se esbaldaram ao comerem o bolo. Continuaram brincando até quase a hora do jantar quando a avó os encaminhou para o banheiro.
Ao anoitecer, após o jantar, assistimos alguns programas de TV e, tendo eles tomado leite e escovado os dentes, minha esposa pediu-me que os fizesse dormir. 
A princípio não gostei muito da ideia, pois não costumo deitar-me muito cedo e, analisando bem, a tarefa não era lá tão fácil assim. Afinal, para mim, essa tarefa cabia à avó e não ao avô.               
Mais de uma vez eu tentei me esquivar, porém ela insistia para que eu me incumbisse da missão, alegando que eu tinha boa capacidade imaginativa e poderia inventar alguma história que os faria dormir. Acabei por me curvar ante sua vontade.              
Fomos para o quarto e ainda a caminho, comecei a forçar a memória a fim de lembrar-me de alguma história que eu ouvira quando criança. 
De repente, ocorreu-me a história do “isqueiro mágico” que eu ouvira quando ainda menino. Apelei então com toda sofreguidão para minha mente e, por fim, comecei a crer que atingia meu objetivo. Não mais precisava apelar para invenção e nem promover a uma verdadeira miscelânea de fatos com a finalidade de forjar uma história na qual eles prestassem atenção. Foi assim que dei início a minha narrativa:              
Certo dia, um soldado voltava da guerra e caminhava pela estrada quando, próximo a um grande carvalho encontrou-se com uma velha toda vestida de preto e usando um avental quadriculado de preto e branco amarrado em sua cintura. Ao vê-lo, ela, toda vergada para frente, se dirigiu a ele dizendo...               
Bem! Por incrível que pareça acabei por lembrar-me da história do isqueiro mágico inteirinha. Só que as coisas se complicaram! Insatisfeitos, e ainda sem sono, eles pediram para que eu contasse outra. De nada valeram as minhas desculpas e tentativas de me escusar.              
Desta feita, não houve outra forma que não apelar verdadeiramente para a minha imaginação e, a miscelânea agora, se fez necessária na junção de minha criatividade com a história da Branca de Neve e os sete anões que, logo percebi terem ficado totalmente fora da história.
Em determinada altura de minha narração, simplesmente a Branca de Neve e os sete anõezinhos já não faziam parte do contexto de minha brilhante e inigualável história.  Eu agora falava sobre um diálogo entre um príncipe e sua mãe, a rainha.              
A certa altura de meu relato, o príncipe, educadamente se dirigia à mãe, com estes dizeres:              
__ Mamãe, - dizia o príncipe à rainha – eu vou viajar e percorrer outros reinos. Preciso conhecer novas pessoas, novos lugares e, quem sabe eu encontre uma bela princesa da qual eu possa me enamorar e até mesmo, me casar com ela. A senhora não acha que eu deva fazer isso?              
A rainha, concordando com o filho, lhe disse - (Sem que eu percebesse, minha fala saiu com termos bem próprios):
__ Vai sim meu fio, vai conhecê outros reinos e outras pessoas. Que Deus te ajude e assim, quem sabe ocê também...              
Nesse momento veio a bomba disparada pelo meu neto:             
 __ Uai, vô! A rainha era caipira?              
Minhas gargalhadas foram tão exageradas que acabaram por levá-los também a rir. Isto acabou por atrair minha mulher que agora, também ria sem sequer saber “do que” e “porque” nós estávamos rindo.              
Lembro-me que em outras ocasiões, como meus netos adoravam ouvir pequenos relatos, principalmente quando o agente fazia suas artes e era pego pelo pai que o castigava, eu lhes contava muitas artes que fiz em criança, narrando sempre na terceira pessoa, exceto, o final, quando o sujeito da façanha era pego. Daí em diante era narrado na primeira pessoa e, assim eu lhes contava o final das minhas histórias. Como no exemplo, abaixo:              
__ Aí, o pai do garoto chegou e sabendo que ele tinha quebrado a vidraça, o pegou pelo braço e, retirando a cinta, me deu uma surra que durante uma semana eu senti as dores dessa sova!              
Então, eles perguntavam:              
__ Uai, vô! Foi o senhor quem quebrou a vidraça? 
Daí, eles riam a valer..."


Gomes de Castro
Contos e Crônicas

sábado, 1 de julho de 2017

República

Amigos, parentes, clientes e parceiros de negócios... Colegas de militância e fraternos companheiros... Permitam-me desabafar.
O político safado, bandido, corrupto, de algum modo assassino, sem pudor e sem caráter, inimigo público e sujo, não tem medo de povo. Aposta na memória curta do eleitor, que repete os mesmos erros a cada 4 anos, votando muitas vezes por conta da compra vil e pobre de votos a que é submetido.
Este servo da desordem e modelo vivo da decadência da espécie humana, não tem medo da justiça. Anda de braços dados com os mesmos amigos que seus julgadores cultivam. Quando não, juiz e julgado servem aos mesmos patrões.
Esse canalha não tem medo da mídia. Ela opera por força de poderes invisíveis aos olhos comuns, mas que reforçam o "status quo" que sustenta a classe política e a mão pecaminosa do Estado.
Nefasto e cruel, hipócrita e demagogo, o mal político se enfastia da indecência de empresários inescrupulosos que compram tudo à sua volta. Corruptores e sonegadores são estes senão iguais, até piores que suas crias, os políticos de "rabo preso".
Políticos degenerados, vendem a nação... Vendem nossas riquezas naturais... Entregam a preço de banana ou de graça, nossa soberania e nosso orgulho pátrio.
Parece não haver como combater este mal.
De quando em quando sucumbem diante um escândalo, uma gravação, um vídeo ou uma ligação rastreada, elevando-se logo em seguida com apoio irrefreável da classe média, desconhecedora de seu lugar na sociedade e portanto, confusa quanto à classe a que pertence, pois jaz iletrada e arrogante.
Fico cansado e lamento pelas gerações futuras. Que país lhes sobrará? Que moral ser-lhes-á legada?
Num tríduo de poderes corrompidos, sangra nossa constituição e soçobram seus preceitos.
Lamentável momento de nossa história em que notamos ao nosso redor o esvaziar das ruas, a inexistência do ideal revolucionário e sobretudo a condescendência de um povo que prefere tocar, na individualidade, sua vida pessoal sob o silêncio e prostrado.
Deixo ainda o alerta para quem só vê uma nuance, ou só repele um partido. Tudo está debulhado. As instituições falidas e os ideais cambaleantes. Só nos restaria a união entre nós, os ditos "de bem", mas esta já foi quebrada, cuidadosa e ardilosamente abatida com a desculpa de se "mudar o governo" que passou.
Que retrocesso... Que vergonha... Que tragédia.
O fora já não é mais pro Temer. Invade os três poderes. Resvala na mídia vendida, na indignação seletiva do cidadão e sobretudo a este monstruoso e ultrapassado formato de República.

domingo, 18 de junho de 2017

Desiderata

Vá placidamente por entre o barulho e a pressa e lembre-se da paz que pode haver no silêncio.
Tanto quanto possível, sem sacrificar seus princípios, conviva bem com todas as pessoas.
Diga a sua verdade calma e claramente e ouça os outros, mesmo os estúpidos e ignorantes, pois eles também têm sua história. Evite as pessoas vulgares e agressivas, elas são um tormento para o espírito.
Se você se comparar aos outros, pode tornar-se vaidoso ou amargo, porque sempre existirão pessoas superiores e inferiores a você.
Usufrua suas conquistas, assim como seus planos. Manter-se interessado em sua própria carreira, mesmo que humilde, é um bem verdadeiro na sorte incerta dos tempos.
Tenha cautela em seus negócios, pois o mundo é cheio de artifícios, mas não deixe isso te cegar à virtude que existe. Muitos lutam por ideais nobres e por toda parte a vida é cheia de heroísmo.
Seja você mesmo. Sobretudo, não finja afeições.
Não seja cínico sobre o amor, porque, apesar de toda aridez e desencantamento, ele é tão perene quanto a relva.
Aceite gentilmente o conselho dos anos, renunciando com benevolência às coisas da juventude.
Alimente a força do espírito para ter proteção em um súbito infortúnio. Mas não se torture com temores imaginários. Muitos medos nascem da solidão e do cansaço.
Adote uma disciplina sadia, mas não seja exigente demais. Seja gentil consigo mesmo.
Você é filho do Universo, assim como as árvores e as estrelas
Você é filho do Universo, assim como as árvores e as estrelas. Você tem o direito de estar aqui.

E mesmo que não lhe pareça claro, o Universo, com certeza, está evoluindo como deveria.
Portanto, esteja em paz com Deus, não importa como você O conceba.
E, quaisquer que sejam as suas lutas e aspirações no ruidoso tumulto da vida, mantenha a paz em sua alma.
Apesar de todas as falsidades, maldades e sonhos desfeitos, este ainda é um belo mundo. Alegre-se. Empenhe-se em ser feliz!

(Desiderata, do latim "coisas desejadas", é um poema que foi encontrado num livro da igreja de Saint Paul, em Baltimore, nos EUA. Muitos o atribuíram a um autor anônimo, e a data de sua publicação é igualmente considerada por muitos como o ano de 1692. Na realidade, se trata de um poema do escritor americano Max Ehrmann (1872–1945), e que foi escrito em 1927. O motivo da confusão é que em 1956 o poema foi inserido numa compilação de textos devocionais pelo reverendo que na época presidia a igreja de Saint Paul. 1692 é, em realidade, o ano de fundação desta igreja. Isso tudo, entretanto, não retira a grandiosidade e beleza do poema."

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Jubileu !!!

Dicas para meus amigos que já passaram dos 50 anos:

➖ Gaste o seu dinheiro com você, com seus gostos e caprichos.

➖ É hora de usar o dinheiro (pouco ou muito) que você conseguiu economizar . Use-o para você, não para guardá-lo e não para ser desfrutado por aqueles que não tem a menor noção do sacrifício que você fez para consegui-lo.

➖ Não é tempo para maravilhosos investimentos, por mais que possam parecer, eles só trazem problemas e é hora de ter muita paz e tranquilidade.

➖ PARE de PREOCUPAR-SE COM A SITUAÇÃO FINANCEIRA dos filhos e netos. Não se sinta culpado por gastar o seu dinheiro consigo mesmo. Você provavelmente já ofereceu o que foi possível na infância e juventude como uma boa educação. Agora, pois, a responsabilidade é deles. JÁ NÃO é época de sustentar qualquer pessoa de sua família.

➖ Seja um pouco egoísta.

➖ Tenha uma vida saudável, sem grande esforço físico. Faça ginástica moderada (por exemplo, andar regularmente) e coma bem.

➖ SEMPRE compre o melhor e mais bonito. Lembre-se que, neste momento, um objetivo fundamental é de gastar dinheiro com você, com seus gostos e caprichos e do seu parceiro. Após a morte o dinheiro só gera ódio e ressentimento.

 ➖ NADA de angustiar-se com pouca coisa. Na vida tudo passa, sejam bons momentos para serem lembrados, sejam os maus, que devem rapidamente ser esquecidos.

➖ Independente da idade, sempre mantenha vivo o amor. Ame o seu parceiro, ame a vida.

➖ LEMBRE-SE !! “Um homem nunca é velho enquanto se lhe reste a inteligência e o afeto”.

➖ Seja vaidoso. Cabeleireiro frequente, faça as unhas, vá ao dermatologista, dentista, e use perfumes e cremes com moderação.

➖ SEMPRE mantenha-se atualizado. Leia livros e jornais, ouça rádio, assista bons programas na TV, visite Internet.

➖ Respeite a opinião dos JOVENS. Muitos deles estão melhor preparados para a vida, como nós quando estávamos a sua idade. Nunca use o termo “no meu tempo¨. Seu tempo é agora.

➖ NÃO caia em tentação de viver com filhos ou netos. Apesar de ocasionalmente ir alguns dias como hóspede, respeite a privacidade deles, mas especialmente a sua.

➖ Pode ser muito divertido conviver com pessoas de sua idade.

➖ Mantenha um hobby. Você pode viajar, caminhar, cozinhar, ler, dançar, cuidar de um gato, de um cachorro, cuidar de plantas, cartas de baralho...

➖ Faça o que você gosta e o que seus recursos permitem.

➖ ACEITE convites. Batizados, formaturas, aniversários, casamentos, conferências … Visite museus, vá para o campo … o importante é sair de casa por um tempo.

➖ Fale pouco e ouça mais. Sua vida e seu passado só importam para você mesmo. Se alguém lhe perguntar sobre esses assuntos, seja breve e tente falar sobre coisas boas e agradáveis. Jamais se lamente.

➖ Permaneça apegado à religião.

➖ Ria-se muito, ria-se de tudo. Você é um sortudo, você teve uma vida, uma vida longa.

➖ Não faça caso do que dizem a seu respeito, e menos do que pensam de você.

➖ Se alguém lhe diz que agora você não faz nada de importante, não se preocupe. A coisa mais importante já está feita: você e sua história.

➖"A vida é muito curta para beber vinho ruim”

(Texto de Gustavo Krause)

Um Brinde aos Amigos acima dos 50!

domingo, 11 de junho de 2017

Um café por uma dica.

Domingo é interessante porque nos permite o encontro com pessoas amigas e a discussão de diversos assuntos de forma desarmada.
Foi assim, em um simples cafezinho, que aconteceu uma destas conversas com alguém que está iniciando suas atividades no Mercado como profissional de vendas.  Em meio ao bate-papo, surgiram alguns questionamentos para eu responder.
Fico lisonjeado quando alguém vê em mim um mínimo de possibilidade de exemplo.  Sou um vaidoso incurável.  Então exagero na contribuição.  A cada pergunta que recebo, devolvo um discurso completo.  E depois, pra piorar, adoro propagar.  Quem sabe, se ajudou a "Chico", ajude a "Francisco" também.

1. Quais são os primeiros passos que devo dar como vendedor de um determinado produto?

Insisto.  A capacidade de avaliar, com antecedência, o cliente a ser visitado ou abordado e qual produto lhe recomendar. E claro, ter a certeza sobre tudo dos produtos que representa.
Geralmente há uma gama de produtos disponíveis.  Mas quais são os benefícios de cada um e sua relação com o "prospect" escolhido?
Há uma forma simples de descobrir isso sem muito esforço.  Basta usar a estreita relação entre o vendedor e o produto com o qual trabalha, caso seja dele usuário. É sempre assim. Explicamos melhor um endereço, quando já estivemos no local.  Saberemos detalhes de um produto, quando fizermos uso do mesmo.
É o que recomendo sempre aos meus franqueados e parceiros no ramo de seguros.  "Utilizem nossos produtos.  Tenha seguro do seu automóvel, da sua casa, de vida, de previdência".  Quem usa, aprende tudo sobre o produto utilizado pra sempre e descobre sua relevância.  Se começam a trabalhar pensando que é uma despesa desnecessária, já não servem para vender tais produtos.
Quando cientes de seus benefícios, vantagens e importância real, estão prontos a convencer os outros.

2. O que eu preciso mostrar para o cliente em termos de "material de venda"?

Depende muito do ramo ou produto praticado.  Mas eu não sei abordar um cliente sem ter os mecanismos áudio-visuais-sinestésicos ao meu dispor.
Sou convicto de que as pessoas possuem percepção diferente do seu mundo exterior, umas das outras.
Há aqueles que vêem melhor, outros que escutam com precisão e ainda os que só tem sua atenção presa quando tocam em algo.
Desta feita, uniforme, cartão de visitas, "folders" e outros materiais como vídeos, por exemplo, demarcam a excelência de uma boa apresentação.  São ferramentas de apoio.  Instrumentos de trabalho tão importantes quanto tabelas e calculadoras.
Em meu ramo (seguros), poucos são os que utilizam estas ferramentas.  Quem as usa, faz toda a diferença.

3. O que pode me colocar para escanteio, logo na apresentação?

Hesitar.  O despreparo, a dúvida e a falta de conexão com o Mercado, são pecados capitais no mundo dos negócios.
Conhecer toda a tecnologia vigente, saber onde estão as respostas em caso de dúvidas inesperadas, saber passear pelo site da empresa e condições comerciais do produto, não é vantagem alguma, mas condição básica para merecer a confiança e a atenção do ouvinte.

4. Mas se eu devo saber tudo sobre os produtos, então nunca estarei pronto.

Claro que não é esperado de qualquer um o conhecimento pleno.  Mas peguemos os representantes de laboratório, por exemplo.  Precisam convencer médicos a usar este medicamente e não aquele.  Como farão isso sem conhecer a fundo a doença e a aplicabilidade do medicamento oferecido?
Se o representante está pronto para debater com o médico, presume-se que investigou, estudou ou minimamente fez uma boa leitura do caso antes da visita.
Há vendedores que confiam demais no seu "rolodex" de contatos, pensando que basta ter muitos nomes numa lista e terão bom desempenho como agentes de vendas.
Se não estiverem dispostos a pesquisar, estudar e se debruçar algumas horas sobre o que vão fazer, "morrerão" na próxima esquina.
Empresas sérias oferecem uma universidade corporativa ou material de consulta vasto, com orientação e atendimento auxiliar.

5. Em uma gama de muitos produtos, como saber quais estudar primeiro e que tipo de público abordar em primeiro lugar?

As perguntas se entrelaçam.  Melhor avaliar primeiro o público e identificar quais produtos lhes são mais adequados.
Imaginemos alguns pontos como região geográfica (prevalência de público ou Mercado), sazonalidade (melhor época para isso ou aquilo) ou ainda o perfil das pessoas.  O que é mais fácil para você?
Se for a região, quais as economias ali presentes?  Prevalência de algum comércio específico?
Imobiliárias, escolas, lojas, escritórios, consultórios médicos, residências... E quais são os produtos para este tipo mais presente?
Se é melhor avaliar a sazonalidade, de que momento estamos falando?  Inverno, início de aulas, visita de turistas etc.
E se formos avaliar pelo perfil, qual é o público em termos de classe social, formação acadêmica, faixa etária e assim vai.

Não há como terminar uma conversa destas sem dar o toque final.
Planejamento.  Tudo é planejamento.  O bom profissional de vendas dorme tarde.  Fica horas lendo artigos, avaliando o ambiente onde atua, imaginando como as pessoas diferentes reagiriam a sua conversa e traçando estratégias.
Não há como vencer na atuação comercial sem estudo e planejamento.  Mas claro e óbvio.  O planejamento sem a execução e reavaliação é tempo perdido.  Dispêndio irracional de energia.




sábado, 20 de maio de 2017

Consultor ou Vendedor de Seguros?

Se eu fosse me lançar hoje, em qualquer negócio ou projeto novo, procuraria ouvir um pouco quem já trilhou alguma caminhada no respectivo ramo.
Claro, afinal pode-se evitar muita cabeçada, quando observamos exemplos e ficamos sabendo de caminhos mais fáceis para se alcançar resultados efetivos, ao invés de ficarmos testando ações que já foram experimentadas por alguém e não deram muito certo.
Por conta disso, também eu gosto de passar a outros, o pouco que vivi em minha jornada profissional.
Esta semana, inclusive, foi momento de dar minha contribuição no 22° Treinamento de Novos Franqueados da San Martin Corretora de Seguros, empresa da qual sou sócio e exerço o papel de diretor executivo.
Como corretor de seguros há um certo tempo, vinte e seis anos para ser exato, já tive que enfrentar dificuldades e situações inusitadas que, por terem representado grande diferença nos resultados na época, valem à pena serem partilhadas agora.
Mas antes disso, ao ser convidado para falar em ocasiões como estas, eu sempre começo destacando a pergunta sobre o que teria sido fundamental para a decisão de se participar do negócio "seguros".
Será que o entrante no ramo sabe que a lida neste campo é dura?  Estará ele ciente de que do conforto do escritório e apenas sob o frescor de um ar condicionado, nada acontece?
Daí reforço que os primeiros passos pra esta caminhada são: gerar motivos concretos para levantar da cama todo dia, ter um objetivo final a se alcançar nos instantes derradeiros da vida e realizar planejamento diário, afim de evitar surpresas.
No meu caso, por exemplo, tenho em minha família o fundamento e propósito que me faz enfrentar o dia a dia. Mesmo diante de adversidades momentâneas, saúde fragilizada ou contingências do clima, há o porquê de acordar, tomar banho e encarar o momento.  O sustento e proteção à esposa e filhos, representam impulso motivador suficiente para não nos importarmos com quaisquer obstáculos.
Já no quesito "final de vida", sonho com uma velhice tranquila, nas montanhas, diante de uma casinha simples, com chaminé, ouvindo uma boa música, lendo um bom livro e sorvendo um bom vinho, enquanto ao olhar pra trás, vislumbrarei um trabalho bem feito, uma vida levada a sério e sem jamais ter traído, roubado, enganado ou se beneficiado às custas de trapaças.  Consciência limpa, enfim.  Difícil, mas não impossível.
Esse objetivo de vida, baliza meus atos e evita que eu caia nas tentações e facilidades que a vida profissional nos possa oferecer nos menores atos.
Pronto, agora é só planejar o que fazer hoje e a cada nova data do calendário.  Penso sempre que, se não planejarmos o decorrer do dia, alguém o planeja por nós.  Um pneu furado, "trazer mistura pro almoço", filho no dentista e até aquela visita inesperada de um amigo no escritório, desviam-nos de compromissos fundamentais para o cumprimento de nossas metas.
Ter e seguir uma agenda nos protege, oferece desculpas aceitáveis e inclusive nos impede de desleixarmos ou adiarmos práticas e trabalhos necessários para outra hora.
Tem outra questão que não pode ficar sem ser dita e pra mim é tão importante quanto qualquer coisa para o bom desempenho no Mercado de Seguros. Aceitar-se e declarar-se um VENDEDOR de seguros.
Não são poucas as pessoas que acreditam que ser vendedor é resultado de tentativas infrutíferas em se fazer outra coisa.  É como se alguém dissesse: "Coitado, não deu certo em nada, acabou como vendedor".  E isso não é verdade.
Vendas é a única profissão na qual VOCÊ decide o QUANTO VAI LEVAR PRA CASA NO FIM DO MÊS.  Isso mesmo, você faz seu próprio salário, seu próprio ganho, baseado no esforço, dedicação e bom uso do seu tempo e habilidades.  Basta criar e medir, encontrar seu número.  Depois, aplicar esta medida para obter os resultados esperados.
Qual outra profissão permite isso a você e se houvesse, quantas faculdades ela exigiria antes de apresentar esta possibilidade?
Não que para ser vendedor não haja a necessidade de muito estudo e muito entendimento.  Pelo contrário.  O vendedor precisa ser bem informado.  Conhecer um pouco de tudo e um muito de relações humanas, só pra começar.
Saber o que se passa no entorno, ter assuntos para tirar o cliente da defensiva e sobretudo lhe inspirar confiança, não são talentos natos, mas requerem uma certa dedicação em pesquisar.
Ninguém também consegue ser um bom comunicador, outra qualidade de um grande vendedor, se não tiver o que comunicar, buscando estas informações em meios seguros e confiáveis pra não ficar falando bobagens a três por quatro.
Ter por isso um raciocínio rápido, inteligente e perspicaz, que orienta nas decisões e ancora suas afirmações em causas concretas.  Coisas que só a leitura abundante e constante pode garantir.
Um vendedor consciente e capacitado.  É disso que se trata o papel de quem busca ganhar a vida desta maneira.  E ao ver-se assim e orgulhar-se no papel que desempenha, o profissional estará pronto para fazer da venda, até aqui um desafio, seu hábito diário.
Sim, um hábito.  Pois a prática constante de algo o torna fácil, automático e perfeito.  Já pensou vender de forma fácil, automática e perfeita?  Sucesso absoluto.
Não são, afinal, ações importantes dirigir, tomar banho ou preencher um cheque?  E por serem hábitos diários, não são portanto fáceis, automáticos e perfeitos?  Já foram difíceis um dia, como andar também foi.  Com o tempo, faz-se tudo sem perceber e com total correção.
Eu gosto de olhar para a platéia enquanto falo essa parte e sentir que estão descrentes, até o momento que lhes pergunto isso.  Alguém logo sorri e solta um sussurrado: "É isso mesmo"!
Gosto do que faço e pronto.  E transmito isso.
E a conversa vai longe, mas é melhor parar por aqui.  Encurtar o texto.
O resto, fica pra outra vez.





domingo, 14 de maio de 2017

Fim dos Tempos... Dias Sombrios.

"Estamos vivendo dias sombrios no mundo."

Perdi as contas de quantas vezes li ou ouvi esta frase ao longo deste, ainda jovem, ano de 2017.
Será verdade?
Risco de uma guerra de padrões mundiais, aumento ou reflexos de uma crise econômica de grandes proporções, novas doenças aparecendo ou se metamorfoseando, desemprego em alta, principalmente no Brasil onde o recorde já foi até superado, além de outras tragédias previstas ou assinaladas pelos fãs do catastrofismo, são algumas das principais causas desta anônima avaliação.

Um fato no entanto e bastante concreto parece ser que o Mundo vem atingindo padrões de avanço tecnológico nunca dantes experimentados.
Já é real o carro que anda sozinho. Mercedes, Audi e outras marcas, até populares, já demonstraram e alavancam a produção em larga escala destes modelos.
Também é fato o carro partilhado, quebrando o paradigma da propriedade do automóvel.
E para não ficarmos só falando de veículos, não são raras as residências comandadas por voz nas suas mais ortodoxas funções como acender lâmpadas, ligar aparelhos, trancar portas e informar a previsão do tempo.
Autômatos nos atendem nas companhias para responderem questões básicas, fazerem reservas e promover avaliações.
E já é possível se visitar uma loja, experimentar a roupa e realizar a compra sem sair de casa.

Sinal dos tempos?
Pode ser.  Mas modernidade e facilidade deveriam ser sinônimos de melhores dias.

No campo da espiritualidade ou filosofia dá pra viajar neste tema.  Tudo bem também se ficarmos divagando com relação a visões de mundo que trafegam entre a Transição Planetária e a dimensão maior do desenvolvimento humano. Imagine pra mim que creio na espiritualidade e também em extraterrestres.

Mas se formos falar de negócios e economia, então teremos que ir um pouco além nesta conversa.
Devemos voltar nossos olhares para a relação negocial e funcional de todas as empresas, que começa e termina, evidentemente com a relação entre as pessoas.

O que me preocupa, em tudo isso, ainda fica sendo esta relação do Homem com seu semelhante.
Emprego e sucesso nos negócios, não podem abandonar este indispensável modelo de relacionamento por mais que hajam instrumentos de substituição.

As pessoas, encantadas ou distraídas pelos intermediários cibernéticos da comunicação, parecem ter se esquecido de algumas regras de comportamento que tornam viva e próxima a relação interpessoal.

Por exemplo, falar qualquer coisa fica mais fácil pelo WhatsApp ou pelo Facebook.  Tudo parece doer menos se mandamos uma crítica ou agressão na forma de mensagem.  Afinal, olhar nos olhos e ter um feedback imediato da reação do outro não é pra qualquer um.

Por isso aquele que mantiver o velho formato do contato humano, obterá as melhores vantagens em uma negociação, qualquer que seja ela.
Que tal o aperto de mão, o falar sem condenar e sem se queixar, só pra tornar o papo mais agradável?  Avaliar e criticar podem ocorrer, desde que com apreciação honesta e sincera das partes boas em detrimento daquilo que não vai bem.  Só pra variar.

Outro ponto importante é conseguir demonstrar afeição, sorrir e se interessar de fato pelo interlocutor, mesmo com todas as diferenças por resolver.
Em mensagens a se responder virtualmente isso é impraticável.  São regras simples da boa comunicação ser bom ouvinte, chamar o interlocutor pelo nome, tocar-lhe a pele uma vez ou outra e permitir que fale um pouco sobre si, afinal é justo dar ao outro lado, espaço semelhante ao ataque, para sua defesa.

Pelos mecanismos indiretos, delegamos ao receptor da mensagem o dever da interpretação, quando nos cumpre, na verdade, bem explicar nossa ideia ou aquilo que desejamos que seja entendido.
E assim o diálogo vira só discussão.
Como se pode ganhar uma discussão onde ambos querem dar a última palavra?  Discussão ganha é aquela que não ocorre no formato de uma briga.

Quase sempre e involuntariamente, quando sabemos de algo que nos agride, somos vítimas do impulso de responder com agilidade e justificativas.  Já no diálogo direto e pessoal, surgem de imediato os pontos convergentes, que superam em muito as questões que distanciam antes mesmo daquilo virar uma pendenga.

Não há nenhum êxito em uma imposição.  A vitória real é aquela que nasce da concordância dela própria.  E eu por exemplo, sou muito mais desarmado diante do elogio que antecede a crítica, do que pela crítica que antecede o reconhecimento.
E pra saber a diferença entre uma e outra situação, só ao vivo e em cores.

Eis aqui pra mim o que torna realmente sombrios os dias de hoje.  O afastamento do humano.

Claro que eu tenho desafetos.  Pessoas que não gostam de mim, ou que não concordam com o que faço, com o que penso, com atitudes que tomo.  Mas tudo é tratável e sobretudo, compreensível. Jamais vou levar para o lado pessoal e boa parte destes, sei que também não.
Já houve grandes embates entre mim e alguém que terminaram em "valeu então, fique com Deus" e por fim, "você também".

Não há porque ser diferente.  Até porque não sou o dono da verdade, não sou perfeito e tenho muito mais condições de errar, do que acertar.  E aprendi, na vida, que jamais devemos transportar isso para o relacionamento interpessoal onde ambos perdem sempre.  Por isso, quase todos os dias, meus debatedores terminam nas minhas orações.  Mesmo quando rebato com total veemência, evito pensar que saí vitorioso, pois na relação humana, se alguém vence é sinal que alguém perdeu.  E se no relacionamento, alguém perdeu, perderam os dois.

Ainda que não se chegue a um denominador comum durante o embate, no final o tradicional "muito obrigado por se manifestar" ou ainda o "fique com Deus", serão mais fortes e melhores do que qualquer atitude de prejuízo moral, intelectual ou material.

Aos quase cinquenta anos, itens como memória, compreensão, além da audição e visão, já não me são tão bons quanto o foram no passado.  E portanto, melhor eu confiar no interlocutor, que tem tudo isso mais aclarado, mais vibrante e vigoroso, do que nos meus já falhos sentidos.

Todos os dias eu vou pra cama sem a certeza da manhã seguinte, mas durmo com a convicção plena de que cresci bastante naquele dia e principalmente, ganhei ou recuperei a amizade e o respeito de alguém que antes estava triste, magoado, decepcionado ou injuriado comigo.  Tudo porque conseguimos nos falar.

Pode ser que um dia eu perca tudo.  Bens, negócios, até amizades, mas não perderei esta essência. Parece arrogante?  Só quem convive comigo sabe o quanto é verdadeiro.  Sou amante do bom debate e do bom entendimento.  Sempre!

E enquanto eu pensar assim, pelo menos pra mim, meu mundo está bem distante do fim.






sábado, 13 de maio de 2017

O Pilatos que não lavou as mãos.

Eu antes ficava bravo com o cara... Mas agora eu tenho até pena.
Quem pode culpar Moro?
Imagina ser um juiz de primeira instância, com moderada competência jurídica (pelo menos é o que me dizem alguns amigos do Direito) e de repente receber nas mãos, caída do céu, a possibilidade de "julgar" uma figura como Lula.
Goste ou não de Lula, não há como não reconhecê-lo uma liderança sem precedentes neste país.
Um presidente que fez o que nenhum antecessor foi capaz.  Um mobilizador de incontestável carisma.  "O cara", como atestam até alguns "figurões" no exterior.
Quanta notoriedade este juiz pode angariar com um caso destes sob seus cuidados, ao passo que do contrário, ele ficaria nesta vidinha comum, em que pese o salário incomum, dependendo de um grande caso, um novo concurso ou a ajuda de alguém mais acima pra poder merecer algum destaque.
Da noite para o dia, ganhou manchetes, holofotes, seguidores, fãs... A "mosca azul" é implacável.  Ao "picar" alguém, ela modifica sua vítima para todo o sempre.
Então, uma vez Moro tendo decidido aproveitar a oportunidade, não dava mais pra voltar atrás.
Agora tem que fazer tudo como "manda o figurino".  Ou seja, sem decepcionar os "apoiadores da causa", os enchedores da bola.
Se julgasse Lula apenas do ponto de vista do "mais um", dentre tantos políticos a serem investigados, tudo passaria rápido, naturalmente. Sem Show.  Melhor então separar as coisas.  De um lado, Lula e de outro todo o resto dos políticos, acusados, delatados mas que não são interessantes.  Perto de Lula, são só nada, mesmo sendo bandidos de grande vulto.
Colocar Lula na praça, exibi-lo antes da fogueira, era o que esperava a mídia, os "governantes do mundo" e a falsa elite brasileira que sonham rifar e dissolver o fenômeno PT  desde que Lula assumiu em 2003.
Bom, alguns dizem que não é bem assim.  Que as coisas não foram parar nas mãos de Moro por acaso.  Mas eu não sei nada sobre os "boatos" de que ele colabora com a CIA, com os EUA, ou se trabalha para não sei mais quem.  Tudo o que sei é que nunca tinha ouvido falar nele até há pouco tempo.  Hoje, embora sinta apenas "pena" dele como comentei antes, o nome e foto do cara estão por toda parte.  Nos jornais, nas revistas, na TV, na rádio, na "boca do povo" e até em portas de banheiro.
Pra quem gosta de "se ver" o tempo todo é um "prato cheio".  Um banquete para narcisistas.
Para estes, não importa se falam bem ou mal.  O importante é que falem sobre.
E com relação ao processo, ou aos processos, para Moro e outros que estão orbitando em torno de seu "sucesso", não tem importância nenhuma se não houverem provas.  O que está em questão é que as delações sejam seletivamente organizadas, vazadas e editadas pela grande mídia, em especial por aquela que "já foi" algum dia, a mais "poderosa" de todas: o decadente Jornal Nacional.  O que importa é não sair mais do centro das atenções.  E de vez em quando, requentar alguma coisa.
Pena que são tão fracas as acusações contra Lula... São ridículas... inacreditáveis.
Os estrangeiros se riem ao ver que alguns delatados precisam se defender de milhões, enquanto Lula tem que explicar a hipotética posse de um triplex de classe média, ou um sítio de veraneio sobre os quais não há nada, nenhum bilhete sequer.
Só que Moro não liga.  Desde que haja uma fala qualquer, de um destes corruptos qualquer, que cite Lula, um parente, amigo, conhecido ou correligionário seu, faz-se um "auê" com ela.
Mas então, se penso tudo isso, o que me causa pena dele?
O que me causa dó é ver que alguém que poderia ter um futuro muito bonito pela frente, se deixar levar por esta correnteza aparentemente "sortuda", só que eivada de armadilhas.
Um dia, não muito longe, a história julgará este episódio de forma tão densa que não haverá mais como esta gente se desculpar. E ninguém mais virá a ser homônimo de Moro, pois basta ver como dificilmente alguém batiza o filho como Hitler, Judas, Nero, ou qualquer outro que a história tenha julgado como "algoz".
Pois é. Como falei em personagens conhecidos, vamos pensar em outra figura histórica, mas que ficou queimada.
Pilatos, um mero governador de provincia, entraria para a história apenas como um a mais dentre os diversos oficiais da Roma antiga.  Contudo, foi "agraciado" com a responsabilidade sobre o julgamento de Jesus.  Aquele carpinteiro que fez cegos verem, coxos andarem, leprosos serem limpos e mortos reviverem.
Pilatos teve suas palavras e gestos emoldurados pela "glória" momentânea e hoje é o grande escroque da cristandade. Ou seja, aquele que se apoderou de parte do prestígio de Cristo para se eternizar.
Mas a que custo?  Rogam os cristãos aos milhões, que o Filho de Deus "padeceu" sob o julgo do "vilão" Pôncio Pilatos.
Será que a mãe do Poncinho, tem hoje no além, vergonha ou orgulho dele, quando ouve os anjos apontando e cochichando entre si no Paraíso: "Eis ali a mãe do que lavou as mãos" e deixou o filho do Senhor morrer?
Se eu fosse Moro, também talvez tivesse aproveitado esta chance.  A de me tornar uma figura extremamente conhecida e pública, sem me preocupar "como".
Mas graças a Deus não sou.  E como eu mesmo, na verdade, defendo que o bonito seria se ele, ao receber esta oportunidade na profissão, tivesse encarado tudo como algo tão grandioso quanto governar esta nação e cuidar para que o processo fosse completamente isento, acusando apenas sob provas concretas, averiguadas e não fruto de falação de criminosos que desejam diminuir sua pena em delações contraditórias e inconsistentes.
Eu gostaria de ser conhecido como o justo, o jurista respeitável.
Gostasse ou não de mim a Globo ou o Kataguiri (sei lá se é assim que se escreve o nome desse aí), minha preocupação seria a verdade, a história, o compromisso.
Condenando o culpado, ou absolvendo o inocente, teria meu nome nos anais da história como o correto.
Não sobraria ninguém... Nem amigos do PSDB, nem adversários do PT. Culpados, iriam em cana independente de suas cores.  Inocentes, teriam a chance de limpar o nome, como convém aos injustiçados.
Como juiz com "j" maiúsculo, eu tomaria cuidado ao tirar fotos, ao frequentar estádios de futebol. Fugiria de entrevistas perigosas e me cercaria de isenção.  Romperia com alguns amigos sem crédito moral.  E enfim, depois de tudo, seria apontado nos livros do direito, como aquele que julgou poderosos e para tal seguiu os rigores da ritualística jurídica.
Por isso eu digo, quão lamentável é a pouca idade.  A falta de velhice.
Se para uns a oportunidade de brilhar de fato chega muito tarde ou nunca chega, para alguns chega cedo demais, o que é infinitamente pior.


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