sexta-feira, 6 de setembro de 2019

Aceiro


QUEM CONTA UM CONTO, AUMENTA UM PONTO.


Em tempos de redes sociais nos quais as notícias voam, sejam boas, sejam ruins, protagonizar qualquer tipo de situação pessoal ou profissional, pode ser perigoso caso não fique tudo muito bem claro.
A bem da verdade, nenhum ser humano deve satisfação de seus atos, nem mesmo palavras, salvo se pessoa pública.  Artistas e políticos, dado à influência que exercem, devem sim tomar certos cuidados e ser comedidos em atitudes e opiniões.
Quando se trata de pessoas simples como eu e minha família por exemplo, fica até feio querer dar qualquer tipo de esclarecimento sobre assuntos que somente nos dizem respeito.
Então por que escrever aqui sobre minha vida pessoal e a daqueles que me cercam?
Pelo simples motivo de que minha história pessoal escrita por mim, meus queridos filhos e mulher é bonita demais para correr o risco de sofrer rabiscos e rasuras.
Afinal é bem isso que as redes sociais podem provocar.  Deformações num cenário lindo e digno de muito respeito.
As famosas Fake News não respeitaram as eleições presidenciais, não respeitam celebridades e nem mesmo tem preservado a saúde pública, já que dicas de emagrecimento e outras interferências irresponsáveis já provocaram aumento de doenças e outras tragédias em menor ou maior grau de prejuízo.
Imaginem o que não pode fazer em vidas tranquilas e pacatas que simplesmente querem continuar sua trajetória natural.
Daí eu me adiantar escrevendo essas linhas sobre “nós”.  Isso mesmo. Sobre mim e os amores de minha vida. Um aceiro para evitar que chamas indesejáveis atinjam a plantação.

A FINITUDE DAS COISAS

Muita gente já compra um carro pensando no seu potencial de comércio na hora de se desfazer dele. 
O mesmo talvez aconteça quando pessoas com esse pensamento adquirem um bem imóvel.
Passagens aéreas de ida também são pensadas com relação às opções de retorno antes de serem confirmadas.
Também, ninguém quer assinar um contrato e ficar preso na hora de desfazê-lo ou transferi-lo para outro responsável, o que sugere pensar no seu final antes de subscrevê-lo.
Pois é. Em muitos casos, pensar no fim é importante antes da decisão inicial. Principalmente quando essa decisão é séria e seus efeitos vão perdurar por muito tempo.
No entanto, embora o número de divórcios seja enorme e a separação já não seja complicada do ponto de vista jurídico, eu acredito que pouquíssimas pessoas se casam pensando em quando ou como o casamento vai acabar.
O sim do matrimônio é algo profundo demais.  Há testemunhas, um ritual (civil ou religioso) e um componente que não há em qualquer outra relação de negócios como as expostas.  O amor.
Instituído num passado remoto, ainda pelas tribos nômades, o casamento é uma das tradições mais antigas da humanidade.
As mudanças históricas o marcaram e o transformaram ao longo do tempo.  A maior influência veio do cristianismo, mais particularmente do catolicismo, onde seus líderes visavam proteger os interesses das coroas aliadas à Igreja.
Os primeiros modelos de casamentos, contudo, surgiram bem lá atrás, nas comunidades tribais para impedir que os grupos familiares ou de afinidades se desfizessem, o que incluía mesmo o casamento entre irmãos ou primos.
Mais tarde, os anglo saxões passaram a utilizar desse expediente (o casamento) para estabelecer alianças importantes e relações diplomáticas entre seus países, reinos e terras, protegendo interesses econômicos ou políticos. 
O casal era então o que menos importava e quase todos os casamentos eram infelizes, sem amor ou fidelidade, alguns dos quais celebrados entre adultos já velhos com crianças inocentes.  Horrível e incrível, né?  Mas costumeiros e bem aceitos por toda a sociedade da época e sob as bençãos de Bispos e Papas.
Sua indissolubilidade era fundamental para evitar que esses casais infelizes se separassem pondo fim ao “pacto” entre coroas.  E de novo, a Igreja foi essencial para garantir isso, estabelecendo regras de alta condenação aos “infiéis” que decidissem pôr fim à essa avença consubstanciada na união conjugal. Uma “ofensa direta contra Deus”, pregavam.
Só no século 15 começou a discussão em torno da dissolução dos casamentos que passou a ser parcialmente “aceita”, ainda que com grande restrição e preconceito. 
Cerca de 300 anos depois, o casamento começou a deixar de ser ato exclusivamente religioso e independente de crenças ou inexistência dessas. A união civil passou a ser praticada em algumas sociedades, sem qualquer vínculo religioso.
Se formos avaliar, ainda hoje, a discussão em torno da instituição casamento, seus formatos e sua eficácia, persiste sem muito consenso.
Ninguém ignora o “bafafá” que gira em torno do casamento homoafetivo em algumas regiões do planeta e até de nosso próprio país.
E devemos sempre lembrar que a hipocrisia nunca deixou de estar presente na relação matrimonial, mesmo das melhores famílias ou coletivos de alto nível social.
Parece até que, quanto mais posses na família ou sobrenome de peso, menos feliz ou verdadeira é a união.
Sabemos muito bem que sempre houve grandes casamentos de fachada.  Seja para “encobrir a barriga” de uma gravidez não planejada, seja para ocultar a homossexualidade de um dos cônjuges.  Tudo para perpetuar um “bom” nome ou herança.
Por toda parte também há quem dê mais importância às músicas, decoração ou fotos, enfim à cerimônia, do que ao próprio futuro do casal e ao compromisso que estão assumindo. 
Não raro, esse tipo é mais presente entre gente de classe média que sempre sonhou em ascender a outra condição na escala social.  Por isso querem encenar a entrada triunfal rumo ao altar, como nobres se aproximando de um trono.  Mas quer saber?  Isso já está meio que caindo por terra.  Nem todo mundo pode mais se dar a esse luxo. Cerimônias de casamento costumam ficar caríssimas e quase inviáveis para grande parte das pessoas.
Graças a Deus, pois maior que esse teatro é a firme aliança entre noivos e seus familiares mesmo que celebrada em um quintalzinho simples da periferia.
Na minha opinião o que o casamente realmente tem de bom é a possibilidade de reunir duas almas que se querem bem, encontram lógica em construírem juntos um futuro e constituir uma família estruturada material e emocionalmente.
Assim, quem celebra em público ou intimamente essa decisão, na maioria das vezes, deve ter esse desejo e propósito e tão somente isso. 
Ao contrário de décadas passadas, ninguém se casa mais só pra fugir de um pai ou mãe repressores, morar junto com alguém que goste ou justificar qualquer outra questão.

AS NOSSAS ESCOLHAS

Quando conheci Caroline, em final dos anos 80s, encontrei alguém com sonhos, ideias e pretensões muito próximas as minhas.  Por isso o namoro se prolongou.  E foi firme, diário e concreto até seu termo 10 anos depois quando decidimos nos casar de vez. Até então, uma única briga séria nos tinha afastado por 30 dias.
Era uma relação bem normal entre adolescentes.  Daquelas em que ambos se veem todos os dias, contrariando os pais e irritando os amigos num grude “insuportável” para quem não está apaixonado e divide o mesmo espaço.
Mesmo assim, sempre soubemos de nossas pretensões nada confluentes no futuro.  Que em algum momento nossas vidas tomariam rumos diferentes.  Caroline mesmo, sempre me contou seu sonho de morar no exterior e pasme, não em um lugar fixo.  Mas que lhe permitisse estar constantemente em trânsito, conhecer o mundo.  Se vai ou não fazer isso algum dia, não me pertence.
Isso só fez aumentar em mim uma grande admiração por aquela menininha.  E esse plano repito, ela nunca escondeu de mim e nem o perdeu com o passar dos anos.  Nem com as conquistas da última década, quando nossa vida se transformou bastante, colocando-nos mais confortáveis.
Eu, por outro lado, sempre ligado à política, nunca escondi meu apreço pela militância constante e dedicada.  Portanto, estava claro que após a família criada e constituída, começaríamos a dar nossos passos em direção, cada qual, ao seu projeto.
Realizá-los era e é secundário. Planejar e sonhar isso é que sempre foi legal.  Afinal de contas, o mais gostoso da viagem é o percurso.
Enquanto juntos, sob o mesmo teto, o que já perfaz 30 anos, eu e ela celebramos demais nossa união.  Vivemos a construção diária de nosso lar, morando em casas sempre agradáveis e calorosas, mesmo quando não luxuosas ou grandes, mas que nunca compramos por motivos óbvios. 
Geramos lindos filhos.  Por nós dois foram, são e serão sempre extremamente amados.
Os criamos com ótimos princípios, embora trouxessem, eles próprios, características e caráter lindos. 
Nunca deixamos de imprimir-lhes na personalidade o gosto pela busca contínua de conhecimentos, o apreço às artes e a ciência, as práticas da retidão e o amor incondicional à humanidade em todas as suas formas.
Sempre juntos, como pai e mãe que seremos eternamente, estaremos ao lado de cada um dos três, mesmo que distantes ou já donos de si por completo.
Ao mesmo tempo, fomos edificando um belo castelo. 
Erguemos com trabalho e afinco, tijolo a tijolo, sem esmorecimento e repletos de coragem, um sólido negócio.
Sempre com apoio de amigos, sócios e colaboradores ao longo do tempo, enfrentamos dias difíceis, situações assustadoras e momentos de grande provação, que incluíram até doenças.
Hoje, ao olharmos para traz, podemos nos dizer realizados quanto à vida profissional, ainda que pese não termos, nenhum dos dois, seguido de fato a intuição ou aptidão de cada um.  Ela a medicina, eu o jornalismo. Nos formamos juntos em Administração Pública, o que acabou por ajudar.
Como parceiros amalgamados nas ideias, Carol e eu permaneceremos à frente de cada uma das empresas que compõem o grupo, ao lado de Edinilson, cuja força tornou possíveis as maiores tacadas.
Ele aliás já era amigo de Caroline antes de eu a conhecer, sendo hoje, meu amigo especial, sócio e irmão que comigo e com ela, divide o peso e a alegria dessas realizações.

DIAS DE DECISÕES

Quando completei meus 50 anos, no ano passado e Caroline “sua idade atual” (nunca se revela a idade de uma mulher a ninguém), enfim nos pusemos a pensar e a projetar os próximos passos de nossas vidas.
Conforme planejado, conquistamos nossa cidadania portuguesa e por um ano inteiro, seguimos dando andamento aquilo que sabíamos não poder mais ser adiado.
Assim, fomos todos, nós e os filhos, novamente a uma viagem à Europa, dessa vez de 21 dias, para avaliarmos uma porção de detalhes.  Dentre eles a possibilidade ou não de manter um ponto de apoio e porque não dizer, um QG por lá.
Ficou bem certo que ela seria a precursora a levar para além do Atlântico, as marcas que nos sustentam hoje no Brasil.
Ora, nada mais correto que começar a jogar sementes de um negócio vitorioso aqui, para que continue seu crescimento também no exterior. Além de tudo é questão de reforçar a solidez, segurança e proteção aos nossos parceiros.  Eles, os franqueados, verdadeiros aliados e envolvidos em nossa odisseia.
A escolha do país se reforçou na nossa ancestralidade, no mesmo idioma que falamos e se baseou, sobretudo, a uma oportunidade gritante de Mercado a se explorar. 
Pesquisas demonstraram o quão propício está o Mercado português ao nosso formato de operação. 
Não nego, no entanto, que nossa escolha considera também o fato de sermos empurrados por uma política desinteressante praticada pelo atual governo brasileiro e que não nos representa.
Ainda que mude, o que sinceramente espero, poder dar a meus filhos as condições objetivas de viver em outra terra me alivia.
Uma vez decididos era então preciso explicitar, principalmente aos mais íntimos, pais, demais familiares e amigos, o que estava por vir.
Uma separação que ocorreria com data marcada, só que sem brigas entre nós, sem ódio, sem que nada de errado tenha sido feito por qualquer um dos protagonistas. E com a manutenção de uma parceria quase celestial.
Nem todos são capazes de compreender isso.  Fato.
Apesar de não precisar, seria bom também explicitar aos conhecidos, colaboradores, parceiros e outros, o porquê dessa decisão, até para não correr o risco da situação ficar à mercê das interpretações.
Interpretações essas que podem machucar ou macular uma comunhão maravilhosa de duas almas.
Se optamos no passado ao casamento público, sujeitar seu encerramento da mesma forma ao conhecimento geral é no mínimo adequado e respeitoso.
Principalmente quando marido e mulher partilharão o trabalho, os filhos e os projetos arrojados de uma internacionalização.  Sobretudo quando permanecem muito amigos, cumplices e solidários em todos os campos de suas vidas.
Sócios até mesmo em alguns projetos pessoais.
Não se pode permitir invasão da privacidade além do desejado e nem consentir que cizânias sejam plantadas, por quem quer que seja, para corroer a confiança que norteia nosso futuro.  Antecipar-se então parece ser a melhor maneira de evitar tudo isso.
Arrojada, Caroline organizou uma festa de despedida.  Seu “bota fora” para Portugal.  A princípio sem revelações mais íntimas.  Com explicações apenas sussurradas aqui ou ali. 
A festa contribuiria muito para os passos seguintes. Por isso o convite a familiares e amigos mais próximos.
Na sequência, a viagem sozinha e demorada de 30 dias para Portugal que visava preparar terreno e arquitetar o passo a passo para o início do plano.
No seu retorno, trouxe a lição de casa e juntos começamos a execução do projeto. Em sua bagagem de volta, análises, planos de negócios e o mais importante, contratos que deverão ter início de vigência imediato.
Agora, o desfecho.  Mudar-se para outro endereço e começar sua vida de peregrina, sem as amarras do casamento e permitindo aos meninos, um desapego, sem diminuir-lhes carinho e afeto.
Não há mais volta.  Sua rotina, bem como a minha e de meus filhos, estão violentamente transformadas.  Mas a solidez emocional de todos está assegurada, garantida pelo planejamento que traçamos todos juntos e as claras.
Carol agora viverá de maneira itinerante, lá e cá, além de buscar novos portos onde fincar nossas bandeiras.  Até chegar um momento, que não voltará mais, salvo para matar saudades de sua terra natal e daqueles que ficarem por aqui.
Mas por onde andar, fincará as bandeiras do grupo, de suas tão sonhadas marcas e caberá a nós segui-la nesse desafiador caminho, erigindo escritórios e sucursais mundo afora.  Deus assim o permita.
A mim, cumpriu o dever de ao lado de meu sócio e da estrutura matriz, reforçar a raiz e permitir esse crescimento consciente e sustentável mundo afora de nossas marcas.  Dois de meus filhos já estão comigo e até o pescoço nessa tarefa.
Como sempre quis, em paralelo, vou retomar minha atuação nas fraternidades e partidos políticos que nunca deixei de fato, mas atenuei por anos.  Vou recomeçar o mais audacioso projeto de crescimento cultural, intelectual e político que jamais ousei finalizar.
Não que a vida a dois o impedisse, mas sobrará ainda mais energia.  E que fique claro, o incentivo maior veio de minha companheira de sempre com quem manterei a mais estreita e leal amizade.

E AGORA JOSÉ?
Como em todos os casos parecidos, os amigos bons torcerão favoravelmente, mesmo que pensem diferente.  Os que nos amam de verdade, darão sempre sua cota de contribuição em preces, ombros e mesmo presença constante em nossas vidas.
Já os curiosos, aqueles que existem por toda parte, mas que nem por isso são maus ou dispensáveis, ficarão pensando:
Será que vai dar tudo certo para vocês?
Será que seus caminhos (meu e de Caroline) vão permanecer entrelaçados para sempre?
Como ficarão seus filhos?
E com muito respeito e gratidão pela preocupação que sei ser sincera, respondo com tranquilidade, acreditando que Caroline concorde com cada palavra minha:
Tudo dá certo quando realizado com vontade, perseverança e competência, pilares que nunca faltaram a mim ou a ela em qualquer empreendimento de nossas vidas, sejam pessoais ou profissionais.
Nossos caminhos são irremediavelmente entrelaçados.  Somos almas gêmeas.  Amigos antiguíssimos na espiritualidade. A felicidade de um é o que mais interessa ao outro.  Nada e ninguém nos pode separar os corações.  Ainda que vivamos em continentes diversos, ou que um ou outro resolva unir-se a outro alguém em um novo relacionamento, a forma correta e sincera com que tudo se processou até aqui jamais implicará no final de um grande e verdadeiro amor.
Já nossos filhos ficarão onde sempre estiveram.  No centro, princípio e finalidade de tudo.  São os frutos muito amados de nosso amor incondicional.  O elo que nos une indissoluvelmente nessa e em qualquer outra dimensão.
Juntos e misturados, morando unidos ou em separado, somos e seremos uma linda família.
Quando o divorcio ocorre antes ou sem experimentar o fim do amor, evita que os deslizes, ódio ou decepções possam destruir as chances de uma história linda e que dure para sempre entre os dois.
Será que tudo ficou bastante claro?

quinta-feira, 4 de julho de 2019

Máster Franqueado

Não duvido que existam alguns formatos diferentes sendo praticados. Mas grosso modo, um máster franqueado tem atribuições e direitos bem delimitados. E claro, as especificidades podem variar de um contrato para outro.
Em geral, máster franqueado é aquele ou aquela que, enxergando na marca da qual faz parte, uma viabilidade de estar mais presente, investe em maior monta para dividir tarefas com a própria franqueadora e consequentemente colher mais frutos.
Imaginemos uma determina região ou país. Um estado da federação, por exemplo. A franqueadora, que opera a comercialização de unidades franqueadas, pode reservar aquela região específica para que seja atribuída a um franqueado máster que comprará os direitos sobre o montante daquelas unidades. Ou seja, se cabem ali, após análise e plano de negócios, a implantação de 35 unidades, esse é o número pelo qual o máster franqueado se responsabiliza e paga.
A partir de então, a venda dessas unidades com o acréscimo de valor ou mera comissão sobre as vendas, são creditadas a esse investidor. Em suma, de cada unidade vendida, uma parte do que é arrecadado com essa venda é creditada ao máster franqueado correspondente.
Mas a relação não para por aí. Responsável pela implantação e apoio a essas unidades, o máster franqueado também pode fazer jus de parte dos royalties arrecadados, ou de um percentual sobre a produção dos franqueados a quem emprestará suporte direto.
De proporções continentais, o Brasil pede a prática de máster franqueados como forma de aproximar a franqueadora dos franqueados.
No grupo Seleta, das marcas San Martin Corretora de Seguros, Banneg - Banco de Negócios e Samba, existe essa prática.
Mais que um franqueado especial, poder-se-ia dizer do máster que ele é um sócio ou diretor da marca. Que seu trabalho, de algum modo, lhe permite usufruir das vantagens do negócio sem te-lo montado ou participado dos riscos.
Hoje, a San Martin tem poucos espaços para serem negociados na condição máster franquia. Mas como a marca está consolidada após 5 anos no franchising, ser máster se torna bastante interessante. O Banneg, por ter iniciado como rede há pouco mais de um ano, ainda tem muitas áreas a serem negociadas, permitindo a investidores uma escolha mais tranquila e a seu gosto.
A duração de um contrato máster também varia. Mas essas marcas trabalham com 5 anos, renováveis sem custo por mais 5. E o principal. Pela própria condição de "modelo", cada máster franquia pode estabelecer uma unidade piloto em qualquer parte de seu território que servirá para a visitação e treinamento dos demais franqueados.
O Grupo Seleta é detentor de marcas próprias e sua contribuição no mercado de franquias do Brasil é indiscutível. Sua expertise no ramo já produziu muita coisa boa, Brasil afora e a partir desse ano, lança redes no cenário Europeu.
Vale à pena conferir.

quinta-feira, 13 de junho de 2019

Operação Lava Jato. De que lado da força ela está?



Em 2011 estive em casa de familiares em Portugal.
Durante um agradável almoço, ouvi dos amigos que estavam presentes à mesa que era um privilégio viver em um país que fora governado pelo senhor da Silva, um metalúrgico alçado ao principal cargo da república.
No último mês de janeiro, estive de volta à minha segunda pátria.
Em um chá da tarde, também cercado de familiares e amigos, ouvi que sofreram decepção por saber que o senhor da Silva havia cometido atos de corrupção, por final quedando preso até hoje.
Tentei explicar e falei do golpe.  Sugeri que os Estados Unidos, ao seu modo, sempre interferiram nos países latino-americanos, bem como naqueles que tem petróleo, independente do continente em que estejam. E que no caso do Brasil, eles haviam contado com ajuda de todos os poderes (legislativo, executivo e judiciário) para engendrar tal golpe.
Estava difícil convencer.  Valorizavam Moro, pois toda a imprensa mundial havia colocado o então juiz como figura heroica.  O homem que havia deixado desbaratinado um grande esquema de corrupção no Brasil.
Mas então, nos últimos dias, em virtude de um competente trabalho jornalístico do premiadíssimo Glenn Greenwald do Intercept, o Brasil e o mundo ficaram cara a cara com o “paladino” Sérgio Moro e seus “moretes”, expostos agora por atos ilícitos, meio que promíscuos, cometidos ao longo do processo. 

Uma situação feia, imoral, ilegal e inaceitável. Vergonhosa, enfim.
Que pôs completamente em cheque o judiciário como um todo.
Não tardou e recebi uma linda mensagem dos amigos lusitanos.
“Você estava certo mesmo, hein?  Devíamos ter ouvido você.  Seu país está uma tragédia com esse presidente despreparado, ministros complicados e agora isso.  Provas de que o processo eleitoral fora violado pela intenção de retirar do pleito o candidato naturalmente preferido do povo”.
Que legal.  Não tenho como estar mais satisfeito. Aquele gostinho de ter estado o tempo todo do lado certo é insubstituível.
É uma vitória ver que rapidamente, até no exterior, já estão acordando para aquilo que temos denunciado diariamente nas redes sociais.
Que vivemos um fortíssimo golpe, armado há alguns anos, para desacreditar pessoas e partidos.  Uma devassa que claro, encontrou em seu caminho muita coisa suja, errada e decepcionante.  Que, portanto, dava a oportunidade de promover uma faxina nunca antes realizada nesse país.  Mas que tinha, por sua vez, objetivos bem definidos de retirar do poder Dilma Roussef, afastar Lula de um possível retorno, desmantelar o PT e partidos coligados, além de desvalorizar empresas públicas para permitir um grande desmonte. Dentre elas e com grande preferência, a Petrobrás.
Tudo parece não ter passado de um “projeto” maligno encenado por tantos atores, dentre eles o Congresso, o Supremo e tudo, como proferiu um dos personagens da trama.
Por consequência, a Economia brasileira, já cambaleante por sofrer os reflexos da maior crise mundial do tempo recente, desabou de vez com o fim de contratos, parcerias, prisões e falências.
Desemprego aumentou, credibilidade foi a zero e começaram as reformas encomendadas pelos rentistas.  Trabalhista e previdenciária.
Uma eleição que instalou um governo sombrio, como se o próprio satanás estivesse à frente de uma conduta geradora de incertezas, misérias e retrocesso nos campos da Educação, Saúde e Cultura.
E na origem de tudo, a Operação Lava Jato.  Que tinha sim, em seu bojo, pessoas sérias, não duvido.  Mas arquitetada, orientada e acompanhada por exterminadores encomendados para ferrar com tudo.
Ação de hackers?  Eu realmente não sei. Só sei que nem os protagonistas da Lava Jato sonhavam que justamente pela tecnologia fosse concretizado o principal objetivo da operação: “fazer justiça”.

sexta-feira, 24 de maio de 2019

Fora Já!!!

Resultado de imagem para Fora BolsonaroNunca tive a pretensão de ser o dono da verdade.
Tampouco o de estar sempre com a razão.
Mas jamais me furtei ao direito de opinar e sobretudo, ter lado.

Já briguei com a direita, com a esquerda e com o centrão.
Sou daquele tipo insuportável que insiste em não ser gado ou influenciado.

Claro que ouço, contemporizo e sigo as determinações do partido no qual estou filiado, das leis a que estou submetido e dos códigos éticos que englobam meus procedimentos profissionais e pessoais.  Do contrário, desocupo lugar e vou pras trincheiras que me competem.

Mas daí a concordar com tudo ou simplesmente fingir que concordo, jamais. Por isso, aqui expresso a MINHA OPINIÃO e não a de qualquer coletivo do qual eu faço parte.

Um dos fatos mais atuais e concretos que confirmam isso é o "fora Bolsonaro".

Sim.  Eu sou plenamente favorável a que todo o povo brasileiro grite, em alto e bom som, para que o atual presidente seja devidamente defenestrado do Planalto e da história de nossa República.
E como, para tal, o mecanismo constitucional disponível é o impeachment, sou então favorável ao impeachment de Bolsonaro.  Claro, dele e de todo o seu governo.

Sei que companheiros e camaradas dirão que com sua saída toma posse o vice e que em comparação ao "fiasco" representado pelo capitão eleito, Mourão parece um "príncipe encantado".  Mas daí caso não se consiga evitar a saída de ambos, então a briga será outra. Afinal, com a queda de um, pode-se, por equívoco, legitimar todas as ações do outro que tomar a posse.

Anular a eleição? 
Há que se avaliar se o processo eleitoral não foi mesmo maculado pelas chamadas "fake news" disparadas pelos manipuladores ligados aos interesses escusos, ou se o resultado do pleito não foi alterado por um atentado fraudulento.  E caso nada disso se confirme, haverá sempre a pressão popular nas ruas para evitar que tragédias como a reforma previdenciária e a entrega gratuita de nossa nação continuem acontecendo, seja por meio de um ou com a posse do outro.

A esquerda, nas suas variadas formas, precisa estar coesa e entender que apostar nas eleições que ainda demorarão três anos, custará muito caro para todo o povo brasileiro, sobretudo indígenas, sem terra e sem teto, camponeses e ribeirinhos, trabalhadores e carentes do Estado brasileiro.

Será imprudência e egocentrismo de qualquer líder, seja Lula ou seja Ciro, Boulos ou Dino, usarem  de sua liderança para fazer qualquer menção em defender a permanência do "coiso" só porque foi eleito.

Chega de apostar "na sorte".  Chega de querer garantir a "vaga" aqui ou ali, único propósito de alguns.  Chega de burocratas dando as cartas.  O negócio agora é salvar o país.  Parar de entreguismo, submissão e desconstrução social.  E chega também de purismo, sobretudo daqueles que se acham revolucionários, mas não estão dispostos a seguir o famoso conselho de Lenin de "um passo pra trás, para que dois sejam dados a frente".

Um governo que despeja decretos e medidas provisórias a todo instante e da pior espécie, como as que temos assistido, precisa ser barrado sem delongas.

Urgente e sem qualquer sombra de dúvidas:
Fora Bolsonaro Já!!!

Dinheiro Misturado não faz Omelete


Sonho de todo trabalhador, ter seu próprio negócio pode não ser tudo aquilo o que ele imagina.
Conheço gente que se surpreendeu negativamente ao acreditar que, montando seu próprio negócio, passaria a ser dono de seu tempo e de sua vontade.
“Estou cheio de chefe”, pensam alguns se esquecendo de que, a partir do momento que tocar sozinho sua loja ou escritório, cria perante os clientes uma relação bem específica, na qual praticamente todos eles passam a ser um tipo de “patrão”.
E quanto ao horário de trabalho?  Cansado de “bater cartão”?  Ao inaugurar sua empresa, realmente não existirá mais horário a cumprir.  Afinal, qual empresário deixará de atender um cliente por que passou das 18h, é sábado ou devido a estar almoçando?
Mas o mais grave, com certeza, trata-se da confusão que novos empresários fazem ao “meter as mãos” no caixa da empresa para pagar contas particulares ou comprar isso e aquilo.
Estava um dia visitando um amigo em sua empresa.  Convidei-o para comer uma pizza e tomar um chope pois já era final de expediente.
Ele então ligou para a responsável do financeiro da empresa e perguntou: “Tem algum dinheiro no caixa”?
Eu tentei explicar a ele sem ser intrometido de que isso não faz bem ao negócio.
Se uso o dinheiro dessa maneira, não me aperto nas contas pessoais, mas como terei depois o que necessito para custear as operações da empresa?
Para tudo é preciso orçamento.  E um empresário precisa esquematizar um valor fixo de retirada, como um salário e viver sua vida pessoal dentro dos padrões desse salário.  E claro, não adiante achar que vai ganhar quanto quer.  O salário do empresário deve estar dentro do orçamento da empresa.
Num orçamento devem estar os custos, salários, impostos, giro para compras e manutenção, sem esquecer ainda de uma reserva para investimentos.  Equipamentos, campanhas de marketing, imprevistos... Tudo isso precisa estar protegido ou a empresa “quebra” rapidinho se ficar na dependência constante de capital externo (empréstimos).
Em minha empresa, por exemplo, lidamos com franqueados.  Sabendo de como funciona a “cabeça” da maioria dos empresários, principalmente os novatos, não poderíamos deixar de dar-lhes esse aviso “sagrado”.
Não misturar o dinheiro pessoal com o da empresa.
No treinamento inicial para novos franqueados a matéria é tão importante que eu mesmo faço questão de ministrar.  Afinal, a mistura de dinheiro na administração de uma empresa tem se confirmado como o principal motivo de sua falência.  E não queremos que nossos franqueados esmoreçam ou fechem suas portas.
O alerta serve pra muitos e até mesmo para os mais experientes que insistem em não ficar devendo na pessoa física e por isso desviam, o tempo todo, do caixa de suas empresas.

quinta-feira, 25 de abril de 2019

Afinal Vender é Arte?


Bato na tecla de que vender é uma arte.
A gente precisa saber o que dizer, como se comportar, como reagir e os melhores momentos para falar e calar durante a negociação.
Sobretudo vender pede bom caráter. 
Honestidade, seriedade, sinceridade... são todos quesitos fundamentais de uma boa venda.
O resto é embromação, enganação e golpe.
Não é à toa que faço uma amálgama entre a profissão e a vida pessoal de um vendedor.
O indivíduo que se proponha a vender precisa estar sempre muito motivado.  Despertar pela manhã com espírito preparado para esforços contínuos e muitas vezes, de baixo resultado imediato.
São “n” contatos e visitas, ligações e mensagens, para depois suscitar o início de uma venda.
Por isso a questão emocional fica tão importante.
Eu costumo dizer que o vendedor tem que ter fortes motivos para levantar da cama todas as manhãs e deve afixa-los no umbral de seu quarto de dormir.
Pra mim, não há motivação maior que a foto de minha família.
É olhando para a imagem de minha mulher e filhos, todos os dias em várias horas do dia, que eu realmente arrumo forças de onde não existem.
Escolher um bom motivo para ir à luta faz muita diferença ante a possibilidade de desanimar, desistir ou deixar de se dedicar com entusiasmo.
Mas isso não basta.  O bom profissional de vendas deve também vislumbrar um objetivo definitivo de vida.  Um local onde quer estar, uma forma de como quer estar, quando tudo se aquietar em sua vida.
Só pra ilustrar, desde muito tempo escolhi uma pequena casa, nas montanhas, onde eu possa estar aos 80 anos de idade, sentado diante de um vale, provando um bom vinho e lendo um bom livro COM A CABEÇA LIVRE de qualquer culpa.
Quero pensar que para chegar naquele instante, cumpri todas as missões de minha vida.  Executei cada projeto com dignidade. Nunca precisei trair, enganar, ou passar a rasteira em qualquer pessoa.
Pronto, com bons motivos para despertar pelas manhãs e com um objetivo definido... é só correr atrás.
Claro que ao oferecer um produto ou serviço a pessoa precisa exalar confiabilidade.  Suas palavras precisam ser credíveis.  E o portfólio a oferecer, seja da “mercadoria”, seja de quem a garante, devem ser impecáveis.
Mas a própria embalagem do profissional também conta.
Aqui vai a dica do básico.  Barba feita, ou maquiagem se mulher.  Vestir-se bem (não chique) e com elegância.  Portar-se com dignidade (cuidado com os gestos de coitadinho, não pegam bem), mas sem imponência.  E sobretudo, comunicar-se com correção, sem exageros que podem agredir ou mesmo permitir deslizes imperdoáveis de quem finge dominar a língua, sem consegui-lo de fato.
Quando possível, utilizar o produto ou serviço para conhece-lo.  Saber suas qualidades e falhas.  Ver que realmente são úteis ou bons.  Quando acreditamos, defendemos com vigor e paixão apropriados a quem quer convencer.
O resto, só o tempo, a perseverança e a dinâmica do dia a dia ensinarão.
E por fim, muitas vezes, a gente vende diretamente ou cria mecanismos, equipes e outros instrumentos para venderem por nós.
Foi assim que somo, em meu currículo, mais de 500 franquias vendidas em diversas marcas nas quais pus as mãos e reúno na carteira de clientes, mais de 70 mil entre segurados, consorciados e financiados.
Adoro vender.  Faço isso desde sempre.  Como aliás, você também.




domingo, 14 de abril de 2019

Eu não falei nada. Quem viu semelhanças foi você.

No bairro onde morei com a família, por mais de 10 anos, há uma capela em honra a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.
Não raramente, ainda a visito para matar a saudade de alguns amigos. Por ser pequena e atender somente ao bairro, quase todos se conhecem.
O lugar é acolhedor e agradável.  Abençoado mesmo.
No dia de hoje, o padre foi muito feliz em seu sermão.  Numa fala consistente, detalhou a passagem do evangelho do dia que trata da prisão, julgamento e morte de Cristo.
Após a cerimônia, do Domingo de Ramos, eu já ia me despedindo dos amigos quando uma velha amiga de meus pais, que estava à porta da saída, me perguntou indignada:
"Como é que aquela gente pôde ser tão burra? Conviveram com Jesus.  Experimentaram suas ações.  O viram de perto falando e fazendo maravilhas.  Muitos deles foram até beneficiados por seus milagres. Caíram nas intrigas dos sacerdotes e políticos da época. Acreditaram em mentiras toscas e sem fundamentos.  Renegaram Jesus sem pudor, sem piedade, sem justiça.  Como puderam o entregar para julgamento, escolhendo depois em seu lugar, para ser solto, um bandido, um homicida conhecido, alguém com mãos manchadas de sangue e de pensamentos agressivos?  Por sinal bem diferente dele, contra quem não havia nada de ruim. E ainda, no final, se agradaram de sua condenação.  Muitos até contribuíram para a sentença."
Pois é.  Eu também não soube responder à querida senhora.
Sabemos hoje, pela história, que Cristo percebeu, bem antes de acontecer, que o estavam querendo ver preso e condenado.  Por mais de uma vez ele havia escapado das muitas arapucas armadas para encrencá-lo.  Em vários episódios, livrou-se de armadilhas que visavam colocá-lo contra as leis daquela gente.
Jesus sempre foi hábil com as palavras. Formidável na sua comunicação com as massas. Um mestre das relações humanas.
Por que então ficou lá, no Jardim de Getsêmani, com seus amigos, só esperando que o prendessem?  Por que não se refugiou em alguma casa romana, já que tinha vários amigos poderosos? Por que não se abrigou no palácio de Herodes, fazendo com ele uma aliança, como aliás fazem tantos líderes da política de hoje quando precisam se safar de algo?  Igual como quando se refugiam em embaixadas ou pedem asilo em outros países. Não. Nem sequer se declarou inocente. Talvez porque esperava a justiça, já que teriam que provar seus crimes.  Pode ser ainda que acreditou que o povo que tanto ajudou não o deixasse só.Com seus discursos firmes e atitudes, Jesus mexeu, ao longo de sua caminhada, com a posição de muitos privilegiados.  Abalou as estruturas do poder dominante e mostrou que os mais humildes, os pequeninos, eram os preferidos de Deus.  Diminuiu o abuso de poderosos e deu aos pobres de seu tempo, a esperança de melhores dias.  Boas perspectivas de um futuro mais inclusivo e mais igual.
Foi demais para os fariseus.  Por isso, não bastava calá-lo ou desacreditá-lo.  Era preciso tirá-lo de combate. Afastá-lo do caminho. Matá-lo.
Jesus podia ter fugido.  Mudado sua rota.  Mas não. 
Mesmo cercado e protegido por seus amigos (os discípulos) que eram contra ele se entregar, simplesmente se entregou.  
Por ele, seus amigos enfrentariam os policiais. Não deixariam tão barato como foi. 
Só que Cristo não queria e eles, não insistiram. 
Foi a julgamento. O mais ágil de sua época. Inédito, feito na madrugada. Sem precedentes.  Pois é. Os tais, doutores da lei, modificaram a lei para condenar Jesus.
Sem como fazê-lo, foram escolhendo outras instâncias.  Mandaram para Pilatos, que o mandou para Herodes, que o devolveu a Pilatos que, com a desculpa de lavar as mãos, entregou Jesus aos abutres.Abutres que influenciaram o povo.  Falaram aos seus ouvidos implantando mentiras, palavras prontas. Distribuíram moedas e sabe-se lá mais o que em troca de apoio.  E assim, mesmo aqueles que até pouco tempo passaram a enxergar, andar e comer pelas obras de Cristo, agora o renegavam.
José de Arimatéia e outros apelaram por ele, mas não adiantou.  A turba, dominada e manipulada, resolveu que o queriam preso.  Depois morto. Optaram pelo criminoso de fato.  Por aquele que tinha as mãos cobertas de sangue.

Depois de tudo, seus acusadores, voltaram pra casa.  Felizes, realizados, com sua condição de privilegiados preservada.O povo que ajudou a condená-lo, enquanto não viu verter a última gota de sangue sagrado, não se satisfez.  Só depois abandonaram o calvário.  Voltaram enfim para sua peleja diária, a servir aos fariseus e romandos como bons e cordatos escravos.Já os amigos de Jesus, ficaram ali, plantados, em vigília constante.  Até o final.  
Mas claro. Ninguém se atreveu a atacar um só soldado, nem tentou trepar na cruz, a soltar o Cristo.  Sequer buscou impedir que batessem os pregos, lhe dessem vinagre. 
Ficar ali, não resolveu muito.  Talvez, ao invés de sentir solidariedade, Cristo pode ter questionado em silêncio sobre a apatia de seus seguidores, pelo silêncio e quietude, quase tão culpados quanto os que gritaram "crucifica-o".
É... era uma outra configuração da história.
Hoje nada parecido com isso aconteceria, mesmo que em outras proporções, né? 
As turbas dificilmente cairiam em conversa fiada ou na falácia manipuladora dos fariseus.


sábado, 13 de abril de 2019

Escola em casa. Da carteira pro sofá.

Claro que me falta embasamento para declarar isso ou aquilo.
Longe de mim ser irresponsável como um desses ministros do atual governo que falam o que pensam, se é que pensam.  Mesmo o próprio presidente e seus filhos, que depois precisam ficar desdizendo as besteiras impensadas que se acumulam desde que estão em ascensão na mídia.
Mas dá, mesmo assim,  pra fazer algumas reflexões em voz alta.
Hoje, em especial, quero meter o bedelho na questão que diz respeito ao ensino em casa.
Em primeiro lugar, o que pregam é que as pessoas teriam a liberdade de tirar os filhos da escola para educá-los em casa e dentro do ritmo de aprendizado de cada um.
Há famílias que já o fazem.  Estima-se que cerca de 3 mil, em todo o Brasil. Eu realmente não sei se isso é verdade. Relato apenas o que registrei de alguma matéria que li sem muita profundidade.
Dentre os motivos que levariam as pessoas a tirarem seus filhos da escola e educá-los em casa, estariam aqueles relacionados as necessidades especiais da criança, dificuldade de adaptação em decorrência de regionalismo, língua, ou ainda a violência nas escolas, problemas religiosos e mesmo limitadores financeiros.  Nesse meio, há também quem afirme que não existe, na lei, qualquer  obrigatoriedade de matricular as crianças e por isso, simplesmente não o fazem.
Não se pode deixar de fora aqueles que defendem, de forma contundente, que o ambiente escolar está impregnado de maus exemplos, mau comportamento e influências nefastas.
Se por um lado conviver o dia todo com a família garante a consolidação dos ensinamentos recebidos dos pais, por outro ter acesso a outras crianças e ao mundo exterior (fora de casa) só contribui para o crescimento intelectual e racional do individuo. Escolhas, por exemplo.
Mesmo que se aprendam palavrões ou se conviva com padrões de comportamento diferentes daqueles pregados em casa, essa mistura tende a ampliar as opções de escolha e consequentemente contribuem para o pensamento e formação da personalidade e do caráter do indivíduo.
Além de tudo isso, quem garante que a família realizará a educação necessária ou suficiente para contribuir para o futuro de seus filhos, preparando-os para o Mercado de Trabalho, para a vida em comunidade e mesmo a integração?
E falando em integração, quem de nós não coleciona as melhores lembranças ou os mais prezados amigos, construídos e vivenciados durante a carreira escolar? Você consegue se imaginar, hoje, sem tudo isso que viveu na escola, arquivado na sua memória?
Eu acho mesmo que só a escola é capaz de fornecer as ferramentas necessárias à amplitude intelectual e mesmo moral de um cidadão adulto.
Livrar-se de encrencas, contribuir na lição dos amigos, dividir material e merenda, experimentar a disciplina das filas e dos horários, inclusive contrair as pequenas doenças que se transformarão em resistência e proteção.  Tudo isso fez de cada um o que somos hoje e privar nossos filhos dessa experiência me parece ser algo extremamente injusto.
Só pra terminar, nem citei o grave problema de que as crianças em geral já ficam quase o dia todo fechadas, em torno de vídeo-games, TVs ou mesmo na cama.  Uma vida virtual sem emoções, desafios ou conquistas.  Distantes de outras crianças e do mundo real.
Tirá-las da escola só fara agravar esse problema que já é causa de muitos danos emocionais.
Nem todos no entanto, irão usufruir desse projeto ou desse modo de educação.  Sempre haverá famílias de menor renda, que ainda precisarão de lugar para deixar seus filhos, alimentá-los e cuidá-los enquanto estão trabalhando fora.
Quem sabe então que, diante de uma multidão de pessoas menos letradas, menos cultas, oriundas desse "sistema" novo, não possa ser justamente entre os menos favorecidos, obrigados à frequência escolar, que surgirão os novos pensadores, cientistas, inventores ou os melhores engenheiros, técnicos e profissionais de sucesso?

sábado, 6 de abril de 2019

"Mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa..."

"Tudo isso acontecendo e eu aqui na praça, dando milho aos pombos."
A letra da música de Zé Geraldo é do início dos anos 80.  Mas muito atual.
Ela lembra do pouco que fazemos a despeito de tudo o que vemos no dia a dia, enquanto indignados, apenas observamos.

Amanhã, 7 de abril, completa 1 ano desde a prisão do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva.
Com as finanças em pandarecos, o instituto Lula teve que leiloar algumas coisas para arrecadar dinheiro e ajudar no pagamento da equipe de defesa de Lula.

Sim é verdade que o patrimônio da entidade está bloqueado, mas o próprio ex-presidente não tem recursos no Brasil ou no exterior para pagar devidamente sua defesa sem ajuda.
Diferentemente de outros acusados de corrupção no país, não há o que congelar ou tomar de Lula, seja no exterior e mesmo aqui no Brasil.  Não se pode tomar o triplex, pois não é dele e nem o sítio, que também não é.

Por isso é de se perguntar quais são as bases e provas de sua condenação. Até hoje esperamos a comprovação dessas acusações e praticamente TODO MUNDO sabe que sua prisão foi diferente.  Julgamento rápido, delações inconsistentes, acusação fraquíssima e muito holofote da mídia para evitar que descuidassem dos detalhes no papel de o condenar. 

Enquanto isso, dezenas de outros protagonistas da Lava Jato ou das sujeiras políticas que decoram o poder público dessa nação há centenas de anos, passam ilesos.  No mais recente cenário, sobretudo os tucanos, continuam livres, leves e soltos.  Alguns com verdadeiras fortunas liberadas para uso diário. 
Dentre esses tem uns, por sinal, bem quietinhos e miudinhos no seu canto, feito meninos "cagados"  depois que pingaram sobre eles algumas gotinhas de denúncias, delações, prisões de amiguinhos (comparsas) e outras farpas que sugiram isso ou aquilo. 
Com dinheiro livre, esses "sortudos" do crime podem pagar bons advogados e até viagens ao exterior para cônjuges e filhos, quando simplesmente não vão junto.

Dos poucos que estão presos, há alguns sobre os quais nem notícias temos mais. Será que...
Por exemplo, eu gostaria muito de saber a quantas anda e como está a vidinha do famigerado Eduardo Cunha, pivô do impeachment no Congresso e em cima de quem pesam fortíssimas acusações inclusive fortalecidas com dinheiro encontrados em contas na Suíça e tudo mais que COMPROVA sua situação. Julgamentos demorados os de gente como ele, né?

Como estão também outras figuras, como aqueles que carregaram malas de dinheiro pelas ruas, esconderam verdadeiras fortunas em apartamentos desocupados, ou tiveram vídeos e áudios gravados ameaçando a vida de primo, confessando propinas etc. e tal?
Como estão aqueles que, criminosos, mentiram durante as delações para diminuir suas penas ou liberar seu dinheiro bloqueado? E por fim, como estão aqueles outros que foram mencionados em suposto crime de venda de sentenças, fraudes em processos e outras coisas, sem que nem investigação fosse aberta e a imprensa jamais quisesse ouvir os denunciantes ou mencionasse o caso com o devido destaque?

Realmente fica a alguns de nós a impressão que quando a opinião pública cobrava a prisão para TODOS os criminosos, independente do partido ou do cargo exercido, o fazia com certa seletividade e exceções.  Ainda, que esse TODOS que eles queriam ver pagando pelos crimes, não eram tão TODOS assim.

Não menor no entanto, foi a justiça seletiva empregada pelos agentes do judiciário em suas várias esferas. Inclusive quando tiveram que mudar sua posição quanto à prisão em segunda instância só para garantir que Lula ficasse "detido".
Isso ficou bem claro pra mim à medida que bastou Lula ser preso pra ninguém mais pedir prisão para mais ninguém.

Meus vizinhos soltaram fogos no dia 7 de abril de 2018.  Que alegria radiante eu vi na minha cidade.  Diziam por aí que "então era só prender o resto"... mas nunca mais se pronunciaram. Nunca.  Nem diante de evidências pesadas sobre esse ou aquele. Nem agora, recente, como no caso Marielle. Ninguém de fato insistiu e presos os possíveis assassinos da moça e seu motorista, pra essa gente tá tudo resolvido e pronto.

Contrários ao PT e a Lula, aos amigos e familiares de petistas, festejaram nas ruas a prisão de Lula como se seu time de futebol tivesse vencido o campeonato interestelar, mas jamais voltaram a bater uma panela, vestir a desbotada camisa da CBF ou a "bradar" pela justiça contra outros personagens da política brasileira.
Era só pra tirar o PT.  Era só pra evitar que Lula voltasse. E muitos nem sabem por que queriam isso.  Talvez, só pra se sentirem parte da elite.

No processo eleitoral do final do ano, vi alguns morrendo de medo de Haddad e até de Ciro, como se por acaso a eleição deles fosse o estopim da "revolução bolchevique" no Brasil.
Umas conversas tontas sobre Cuba e Venezuela, como a inventar justificativas para votar num insonso projeto de governo sem plataforma, sem nada.  Deviam assumir, tipo dizer: voto por que quero! Mas não, com uma desculpa mais deslavada que a outra, puseram o cara na presidência e há quase 100 dias estamos vivendo o caos da política externa, do entreguismo e da inoperância de setores fundamentais como a saúde e educação.
Na época, só não vi a decadente Duarte afirmando que "tinha medo", como fez na eleição de Lula. De resto, voltávamos para o período pré luliano da política.
O discurso pobre de ideias e rico em impropérios deixava claro quem iria faturar o controle geral do país e sob a proteção e olhares de quem.

Pois é.  Passou-se um ano de  Lula encarcerado.
Como tantos outros que já estiveram presos ao longo da história do mundo dentre eles Mandela, Mojica, Luther King, Gandhi, lá está mais um líder do povo.
Presidente que foi eleito e reeleito e que deixou seu mandato explodindo de aprovação e reelegendo sucessora.  Presidente em cujo governo todos os índices positivos como crescimento, PIB, reservas, empregabilidade, alfabetização etc. subiram desmedidamente, enquanto índices negativas despencaram como dívida externa, famílias na linha da miséria, desemprego, mortalidade infantil etc.
A sensacional presença do Brasil no Mercado exterior e sua relação com TODAS as nações, era então o ponto alto de um governo progressista e avançado.
O atestam os índices oficiais e diversos opositores como se pode comprovar por todo o lado.

Preso Lula, nem sinal de justiça pra ele, que pelo menos deveria ter merecido um julgamento justo. E ainda que ele receba permanente apoio de toda a parte e esteja sob os olhares de grandes líderes e pessoas ligadas à arte e justiça mundo afora, a justiça brasileira e mesmo nós, nada fazemos para corrigir essa imensa contradição histórica.

Os incautos falam que alguns de nós mantemos "bandido de estimação".  Mas são eles que não se apressam em pedir os rigores da perseguição aos tão propalados bandidos que desfilam pelos noticiários. 
Algumas pessoas, quando debato, vão além e costumam querer me lembrar que já prenderam Temer, prenderam Richa, prenderam Paulo Preto, prenderam o... o... o...
É... tem uns que não tem jeito, né?  Se não prender, nem que for por um dia, pega muito mal mesmo.
Sem falar que boa parte dos presos já foi solta, como o foram os aliados de Temer que o acompanharam em prisão recente.
Pára.  Pra cima de mim, não. Chega!

Lula é preso político.  E assim permanecerá.

Somos uma nação cordata e formada por pessoas mansas.  
Também temos entre nós gente insensata que não se posiciona nem diante de fatos concretos como, repito, o assassinato de uma vereadora na rua.  Que diante de ameaças que fizeram fugir do país os que batem de frente com possíveis criminosos, ficam ainda contra os ameaçados.  
O resto de nós, mesmo os "nem tanto iludidos", seguimos tocando nossas vidas. Mesmo com direitos devassados, aposentadoria ameaçada, o país rifado e doado aos abutres do grande capital.
A não ser quando, muito valentes, resumimos, como eu mesmo faço, a militância e luta às redes sociais. 
Bela bosta.

Que triste.  Que pobre do ponto de vista do patriotismo real.

Mas também, como fazer diferente?  
As coisas são tão esfregadas na nossa cara que o efeito é atordoante. 
Imagine, por exemplo, que o julgador de Lula vira ministro logo a seguir do cumprimento da pena do seu executado ter garantido que, aquele que o nomeou para o cargo, fosse eleito. Pois sabemos, Lula venceria no primeiro turno.
Mas tá, vamos dar uma chance ao lado de lá.  Imagine um candidato à presidência ser esfaqueado às vésperas da eleição e ninguém apurar quem mandou, quem pagou, quem protegeu, quem abraçou, quem carregou, quem limpou o sangue da faca, quem fez isso ou aquilo. Pois talvez seja melhor mesmo não saber já que TUDO parece estar resolvido para quem interessa de fato.
E diante de tudo isso, somos minados diariamente por notícias que só fazem obstruir nossa razão.

Ficamos todos paralisados, olhando pro céu, sem saber o que está acontecendo.   
Sem notícias, no escuro, nas trevas, no vácuo. 
E com isso, foi um ano.  Em breve serão 5 e depois 10. Até que Lula desapareça fisicamente para se tornar, esse sim, um verdadeiro mito. 
Quando os livros de história resgatarem a verdade, e colocar as pessoas no seu devido lugar, toda essa geração terá passado e mais uma vez, teremos apenas assistido a "banda passar", de braços cruzados.  Coniventes e cúmplices.
Claro, tô agredindo ninguém, viu?  Eu também tenho culpa.  Culpa máxima.
O Brasil precisou de mim e falhei.  Critiquei, votei, mas foi só isso que fiz.


Aceiro

QUEM CONTA UM CONTO, AUMENTA UM PONTO. Em tempos de redes sociais nos quais as notícias voam, sejam boas, sejam ruins, protagoniza...