sábado, 20 de maio de 2017

Consultor ou Vendedor de Seguros?

Se eu fosse me lançar hoje, em qualquer negócio ou projeto novo, procuraria ouvir um pouco quem já trilhou alguma caminhada no respectivo ramo.
Claro, afinal pode-se evitar muita cabeçada, quando observamos exemplos e ficamos sabendo de caminhos mais fáceis para se alcançar resultados efetivos, ao invés de ficarmos testando ações que já foram experimentadas por alguém e não deram muito certo.
Por conta disso, também eu gosto de passar a outros, o pouco que vivi em minha jornada profissional.
Esta semana, inclusive, foi momento de dar minha contribuição no 22° Treinamento de Novos Franqueados da San Martin Corretora de Seguros, empresa da qual sou sócio e exerço o papel de diretor executivo.
Como corretor de seguros há um certo tempo, vinte e seis anos para ser exato, já tive que enfrentar dificuldades e situações inusitadas que, por terem representado grande diferença nos resultados na época, valem à pena serem partilhadas agora.
Mas antes disso, ao ser convidado para falar em ocasiões como estas, eu sempre começo destacando a pergunta sobre o que teria sido fundamental para a decisão de se participar do negócio "seguros".
Será que o entrante no ramo sabe que a lida neste campo é dura?  Estará ele ciente de que do conforto do escritório e apenas sob o frescor de um ar condicionado, nada acontece?
Daí reforço que os primeiros passos pra esta caminhada são: gerar motivos concretos para levantar da cama todo dia, ter um objetivo final a se alcançar nos instantes derradeiros da vida e realizar planejamento diário, afim de evitar surpresas.
No meu caso, por exemplo, tenho em minha família o fundamento e propósito que me faz enfrentar o dia a dia. Mesmo diante de adversidades momentâneas, saúde fragilizada ou contingências do clima, há o porquê de acordar, tomar banho e encarar o momento.  O sustento e proteção à esposa e filhos, representam impulso motivador suficiente para não nos importarmos com quaisquer obstáculos.
Já no quesito "final de vida", sonho com uma velhice tranquila, nas montanhas, diante de uma casinha simples, com chaminé, ouvindo uma boa música, lendo um bom livro e sorvendo um bom vinho, enquanto ao olhar pra trás, vislumbrarei um trabalho bem feito, uma vida levada a sério e sem jamais ter traído, roubado, enganado ou se beneficiado às custas de trapaças.  Consciência limpa, enfim.  Difícil, mas não impossível.
Esse objetivo de vida, baliza meus atos e evita que eu caia nas tentações e facilidades que a vida profissional nos possa oferecer nos menores atos.
Pronto, agora é só planejar o que fazer hoje e a cada nova data do calendário.  Penso sempre que, se não planejarmos o decorrer do dia, alguém o planeja por nós.  Um pneu furado, "trazer mistura pro almoço", filho no dentista e até aquela visita inesperada de um amigo no escritório, desviam-nos de compromissos fundamentais para o cumprimento de nossas metas.
Ter e seguir uma agenda nos protege, oferece desculpas aceitáveis e inclusive nos impede de desleixarmos ou adiarmos práticas e trabalhos necessários para outra hora.
Tem outra questão que não pode ficar sem ser dita e pra mim é tão importante quanto qualquer coisa para o bom desempenho no Mercado de Seguros. Aceitar-se e declarar-se um VENDEDOR de seguros.
Não são poucas as pessoas que acreditam que ser vendedor é resultado de tentativas infrutíferas em se fazer outra coisa.  É como se alguém dissesse: "Coitado, não deu certo em nada, acabou como vendedor".  E isso não é verdade.
Vendas é a única profissão na qual VOCÊ decide o QUANTO VAI LEVAR PRA CASA NO FIM DO MÊS.  Isso mesmo, você faz seu próprio salário, seu próprio ganho, baseado no esforço, dedicação e bom uso do seu tempo e habilidades.  Basta criar e medir, encontrar seu número.  Depois, aplicar esta medida para obter os resultados esperados.
Qual outra profissão permite isso a você e se houvesse, quantas faculdades ela exigiria antes de apresentar esta possibilidade?
Não que para ser vendedor não haja a necessidade de muito estudo e muito entendimento.  Pelo contrário.  O vendedor precisa ser bem informado.  Conhecer um pouco de tudo e um muito de relações humanas, só pra começar.
Saber o que se passa no entorno, ter assuntos para tirar o cliente da defensiva e sobretudo lhe inspirar confiança, não são talentos natos, mas requerem uma certa dedicação em pesquisar.
Ninguém também consegue ser um bom comunicador, outra qualidade de um grande vendedor, se não tiver o que comunicar, buscando estas informações em meios seguros e confiáveis pra não ficar falando bobagens a três por quatro.
Ter por isso um raciocínio rápido, inteligente e perspicaz, que orienta nas decisões e ancora suas afirmações em causas concretas.  Coisas que só a leitura abundante e constante pode garantir.
Um vendedor consciente e capacitado.  É disso que se trata o papel de quem busca ganhar a vida desta maneira.  E ao ver-se assim e orgulhar-se no papel que desempenha, o profissional estará pronto para fazer da venda, até aqui um desafio, seu hábito diário.
Sim, um hábito.  Pois a prática constante de algo o torna fácil, automático e perfeito.  Já pensou vender de forma fácil, automática e perfeita?  Sucesso absoluto.
Não são, afinal, ações importantes dirigir, tomar banho ou preencher um cheque?  E por serem hábitos diários, não são portanto fáceis, automáticos e perfeitos?  Já foram difíceis um dia, como andar também foi.  Com o tempo, faz-se tudo sem perceber e com total correção.
Eu gosto de olhar para a platéia enquanto falo essa parte e sentir que estão descrentes, até o momento que lhes pergunto isso.  Alguém logo sorri e solta um sussurrado: "É isso mesmo"!
Gosto do que faço e pronto.  E transmito isso.
E a conversa vai longe, mas é melhor parar por aqui.  Encurtar o texto.
O resto, fica pra outra vez.





domingo, 14 de maio de 2017

Fim dos Tempos... Dias Sombrios.

"Estamos vivendo dias sombrios no mundo."

Perdi as contas de quantas vezes li ou ouvi esta frase ao longo deste, ainda jovem, ano de 2017.
Será verdade?
Risco de uma guerra de padrões mundiais, aumento ou reflexos de uma crise econômica de grandes proporções, novas doenças aparecendo ou se metamorfoseando, desemprego em alta, principalmente no Brasil onde o recorde já foi até superado, além de outras tragédias previstas ou assinaladas pelos fãs do catastrofismo, são algumas das principais causas desta anônima avaliação.

Um fato no entanto e bastante concreto parece ser que o Mundo vem atingindo padrões de avanço tecnológico nunca dantes experimentados.
Já é real o carro que anda sozinho. Mercedes, Audi e outras marcas, até populares, já demonstraram e alavancam a produção em larga escala destes modelos.
Também é fato o carro partilhado, quebrando o paradigma da propriedade do automóvel.
E para não ficarmos só falando de veículos, não são raras as residências comandadas por voz nas suas mais ortodoxas funções como acender lâmpadas, ligar aparelhos, trancar portas e informar a previsão do tempo.
Autômatos nos atendem nas companhias para responderem questões básicas, fazerem reservas e promover avaliações.
E já é possível se visitar uma loja, experimentar a roupa e realizar a compra sem sair de casa.

Sinal dos tempos?
Pode ser.  Mas modernidade e facilidade deveriam ser sinônimos de melhores dias.

No campo da espiritualidade ou filosofia dá pra viajar neste tema.  Tudo bem também se ficarmos divagando com relação a visões de mundo que trafegam entre a Transição Planetária e a dimensão maior do desenvolvimento humano. Imagine pra mim que creio na espiritualidade e também em extraterrestres.

Mas se formos falar de negócios e economia, então teremos que ir um pouco além nesta conversa.
Devemos voltar nossos olhares para a relação negocial e funcional de todas as empresas, que começa e termina, evidentemente com a relação entre as pessoas.

O que me preocupa, em tudo isso, ainda fica sendo esta relação do Homem com seu semelhante.
Emprego e sucesso nos negócios, não podem abandonar este indispensável modelo de relacionamento por mais que hajam instrumentos de substituição.

As pessoas, encantadas ou distraídas pelos intermediários cibernéticos da comunicação, parecem ter se esquecido de algumas regras de comportamento que tornam viva e próxima a relação interpessoal.

Por exemplo, falar qualquer coisa fica mais fácil pelo WhatsApp ou pelo Facebook.  Tudo parece doer menos se mandamos uma crítica ou agressão na forma de mensagem.  Afinal, olhar nos olhos e ter um feedback imediato da reação do outro não é pra qualquer um.

Por isso aquele que mantiver o velho formato do contato humano, obterá as melhores vantagens em uma negociação, qualquer que seja ela.
Que tal o aperto de mão, o falar sem condenar e sem se queixar, só pra tornar o papo mais agradável?  Avaliar e criticar podem ocorrer, desde que com apreciação honesta e sincera das partes boas em detrimento daquilo que não vai bem.  Só pra variar.

Outro ponto importante é conseguir demonstrar afeição, sorrir e se interessar de fato pelo interlocutor, mesmo com todas as diferenças por resolver.
Em mensagens a se responder virtualmente isso é impraticável.  São regras simples da boa comunicação ser bom ouvinte, chamar o interlocutor pelo nome, tocar-lhe a pele uma vez ou outra e permitir que fale um pouco sobre si, afinal é justo dar ao outro lado, espaço semelhante ao ataque, para sua defesa.

Pelos mecanismos indiretos, delegamos ao receptor da mensagem o dever da interpretação, quando nos cumpre, na verdade, bem explicar nossa ideia ou aquilo que desejamos que seja entendido.
E assim o diálogo vira só discussão.
Como se pode ganhar uma discussão onde ambos querem dar a última palavra?  Discussão ganha é aquela que não ocorre no formato de uma briga.

Quase sempre e involuntariamente, quando sabemos de algo que nos agride, somos vítimas do impulso de responder com agilidade e justificativas.  Já no diálogo direto e pessoal, surgem de imediato os pontos convergentes, que superam em muito as questões que distanciam antes mesmo daquilo virar uma pendenga.

Não há nenhum êxito em uma imposição.  A vitória real é aquela que nasce da concordância dela própria.  E eu por exemplo, sou muito mais desarmado diante do elogio que antecede a crítica, do que pela crítica que antecede o reconhecimento.
E pra saber a diferença entre uma e outra situação, só ao vivo e em cores.

Eis aqui pra mim o que torna realmente sombrios os dias de hoje.  O afastamento do humano.

Claro que eu tenho desafetos.  Pessoas que não gostam de mim, ou que não concordam com o que faço, com o que penso, com atitudes que tomo.  Mas tudo é tratável e sobretudo, compreensível. Jamais vou levar para o lado pessoal e boa parte destes, sei que também não.
Já houve grandes embates entre mim e alguém que terminaram em "valeu então, fique com Deus" e por fim, "você também".

Não há porque ser diferente.  Até porque não sou o dono da verdade, não sou perfeito e tenho muito mais condições de errar, do que acertar.  E aprendi, na vida, que jamais devemos transportar isso para o relacionamento interpessoal onde ambos perdem sempre.  Por isso, quase todos os dias, meus debatedores terminam nas minhas orações.  Mesmo quando rebato com total veemência, evito pensar que saí vitorioso, pois na relação humana, se alguém vence é sinal que alguém perdeu.  E se no relacionamento, alguém perdeu, perderam os dois.

Ainda que não se chegue a um denominador comum durante o embate, no final o tradicional "muito obrigado por se manifestar" ou ainda o "fique com Deus", serão mais fortes e melhores do que qualquer atitude de prejuízo moral, intelectual ou material.

Aos quase cinquenta anos, itens como memória, compreensão, além da audição e visão, já não me são tão bons quanto o foram no passado.  E portanto, melhor eu confiar no interlocutor, que tem tudo isso mais aclarado, mais vibrante e vigoroso, do que nos meus já falhos sentidos.

Todos os dias eu vou pra cama sem a certeza da manhã seguinte, mas durmo com a convicção plena de que cresci bastante naquele dia e principalmente, ganhei ou recuperei a amizade e o respeito de alguém que antes estava triste, magoado, decepcionado ou injuriado comigo.  Tudo porque conseguimos nos falar.

Pode ser que um dia eu perca tudo.  Bens, negócios, até amizades, mas não perderei esta essência. Parece arrogante?  Só quem convive comigo sabe o quanto é verdadeiro.  Sou amante do bom debate e do bom entendimento.  Sempre!

E enquanto eu pensar assim, pelo menos pra mim, meu mundo está bem distante do fim.






sábado, 13 de maio de 2017

O Pilatos que não lavou as mãos.

Eu antes ficava bravo com o cara... Mas agora eu tenho até pena.
Quem pode culpar Moro?
Imagina ser um juiz de primeira instância, com moderada competência jurídica (pelo menos é o que me dizem alguns amigos do Direito) e de repente receber nas mãos, caída do céu, a possibilidade de "julgar" uma figura como Lula.
Goste ou não de Lula, não há como não reconhecê-lo uma liderança sem precedentes neste país.
Um presidente que fez o que nenhum antecessor foi capaz.  Um mobilizador de incontestável carisma.  "O cara", como atestam até alguns "figurões" no exterior.
Quanta notoriedade este juiz pode angariar com um caso destes sob seus cuidados, ao passo que do contrário, ele ficaria nesta vidinha comum, em que pese o salário incomum, dependendo de um grande caso, um novo concurso ou a ajuda de alguém mais acima pra poder merecer algum destaque.
Da noite para o dia, ganhou manchetes, holofotes, seguidores, fãs... A "mosca azul" é implacável.  Ao "picar" alguém, ela modifica sua vítima para todo o sempre.
Então, uma vez Moro tendo decidido aproveitar a oportunidade, não dava mais pra voltar atrás.
Agora tem que fazer tudo como "manda o figurino".  Ou seja, sem decepcionar os "apoiadores da causa", os enchedores da bola.
Se julgasse Lula apenas do ponto de vista do "mais um", dentre tantos políticos a serem investigados, tudo passaria rápido, naturalmente. Sem Show.  Melhor então separar as coisas.  De um lado, Lula e de outro todo o resto dos políticos, acusados, delatados mas que não são interessantes.  Perto de Lula, são só nada, mesmo sendo bandidos de grande vulto.
Colocar Lula na praça, exibi-lo antes da fogueira, era o que esperava a mídia, os "governantes do mundo" e a falsa elite brasileira que sonham rifar e dissolver o fenômeno PT  desde que Lula assumiu em 2003.
Bom, alguns dizem que não é bem assim.  Que as coisas não foram parar nas mãos de Moro por acaso.  Mas eu não sei nada sobre os "boatos" de que ele colabora com a CIA, com os EUA, ou se trabalha para não sei mais quem.  Tudo o que sei é que nunca tinha ouvido falar nele até há pouco tempo.  Hoje, embora sinta apenas "pena" dele como comentei antes, o nome e foto do cara estão por toda parte.  Nos jornais, nas revistas, na TV, na rádio, na "boca do povo" e até em portas de banheiro.
Pra quem gosta de "se ver" o tempo todo é um "prato cheio".  Um banquete para narcisistas.
Para estes, não importa se falam bem ou mal.  O importante é que falem sobre.
E com relação ao processo, ou aos processos, para Moro e outros que estão orbitando em torno de seu "sucesso", não tem importância nenhuma se não houverem provas.  O que está em questão é que as delações sejam seletivamente organizadas, vazadas e editadas pela grande mídia, em especial por aquela que "já foi" algum dia, a mais "poderosa" de todas: o decadente Jornal Nacional.  O que importa é não sair mais do centro das atenções.  E de vez em quando, requentar alguma coisa.
Pena que são tão fracas as acusações contra Lula... São ridículas... inacreditáveis.
Os estrangeiros se riem ao ver que alguns delatados precisam se defender de milhões, enquanto Lula tem que explicar a hipotética posse de um triplex de classe média, ou um sítio de veraneio sobre os quais não há nada, nenhum bilhete sequer.
Só que Moro não liga.  Desde que haja uma fala qualquer, de um destes corruptos qualquer, que cite Lula, um parente, amigo, conhecido ou correligionário seu, faz-se um "auê" com ela.
Mas então, se penso tudo isso, o que me causa pena dele?
O que me causa dó é ver que alguém que poderia ter um futuro muito bonito pela frente, se deixar levar por esta correnteza aparentemente "sortuda", só que eivada de armadilhas.
Um dia, não muito longe, a história julgará este episódio de forma tão densa que não haverá mais como esta gente se desculpar. E ninguém mais virá a ser homônimo de Moro, pois basta ver como dificilmente alguém batiza o filho como Hitler, Judas, Nero, ou qualquer outro que a história tenha julgado como "algoz".
Pois é. Como falei em personagens conhecidos, vamos pensar em outra figura histórica, mas que ficou queimada.
Pilatos, um mero governador de provincia, entraria para a história apenas como um a mais dentre os diversos oficiais da Roma antiga.  Contudo, foi "agraciado" com a responsabilidade sobre o julgamento de Jesus.  Aquele carpinteiro que fez cegos verem, coxos andarem, leprosos serem limpos e mortos reviverem.
Pilatos teve suas palavras e gestos emoldurados pela "glória" momentânea e hoje é o grande escroque da cristandade. Ou seja, aquele que se apoderou de parte do prestígio de Cristo para se eternizar.
Mas a que custo?  Rogam os cristãos aos milhões, que o Filho de Deus "padeceu" sob o julgo do "vilão" Pôncio Pilatos.
Será que a mãe do Poncinho, tem hoje no além, vergonha ou orgulho dele, quando ouve os anjos apontando e cochichando entre si no Paraíso: "Eis ali a mãe do que lavou as mãos" e deixou o filho do Senhor morrer?
Se eu fosse Moro, também talvez tivesse aproveitado esta chance.  A de me tornar uma figura extremamente conhecida e pública, sem me preocupar "como".
Mas graças a Deus não sou.  E como eu mesmo, na verdade, defendo que o bonito seria se ele, ao receber esta oportunidade na profissão, tivesse encarado tudo como algo tão grandioso quanto governar esta nação e cuidar para que o processo fosse completamente isento, acusando apenas sob provas concretas, averiguadas e não fruto de falação de criminosos que desejam diminuir sua pena em delações contraditórias e inconsistentes.
Eu gostaria de ser conhecido como o justo, o jurista respeitável.
Gostasse ou não de mim a Globo ou o Kataguiri (sei lá se é assim que se escreve o nome desse aí), minha preocupação seria a verdade, a história, o compromisso.
Condenando o culpado, ou absolvendo o inocente, teria meu nome nos anais da história como o correto.
Não sobraria ninguém... Nem amigos do PSDB, nem adversários do PT. Culpados, iriam em cana independente de suas cores.  Inocentes, teriam a chance de limpar o nome, como convém aos injustiçados.
Como juiz com "j" maiúsculo, eu tomaria cuidado ao tirar fotos, ao frequentar estádios de futebol. Fugiria de entrevistas perigosas e me cercaria de isenção.  Romperia com alguns amigos sem crédito moral.  E enfim, depois de tudo, seria apontado nos livros do direito, como aquele que julgou poderosos e para tal seguiu os rigores da ritualística jurídica.
Por isso eu digo, quão lamentável é a pouca idade.  A falta de velhice.
Se para uns a oportunidade de brilhar de fato chega muito tarde ou nunca chega, para alguns chega cedo demais, o que é infinitamente pior.


quarta-feira, 3 de maio de 2017

Brasa Viva. Ressurgirá a esperança.

Os números não são pequenos.  Em uma empresa, ouvimos 22 mil.  Em outra, eram 15 os milhares a serem desligados até o final deste ano, segundo o RH.
Fico pensando no tamanho do desastre que tudo isso vai causar na economia do país e em tão pouco tempo.  E bem agora que se fala em recuperação da crise.
Enquanto isso, frutificam pelo mundo e não só pelo Brasil, os imbecis que defendem, em nome da “empregabilidade”, o afrouxamento das leis trabalhistas, como se isto fosse a solução do problema do desemprego.
No campo, quase que se implanta, novamente, a escravidão ou o escambo da força de trabalho por um prato de comida e uma cama desconfortável.
As guerras ocorrem pelo mundo afora em diversas cores e formas diferentes.  Umas com bombas e atrocidades visíveis, outras com a penetração gradativa na consciência das pessoas com vistas a leva-los a um suicídio moral irracional.
Claro que a finalidade sempre é a mesma: poder financeiro.  Nada de política, nada de fé religiosa, nada de etnia, nada de combate a terroristas.  Tudo disfarce em fantasia rota.
O segundo modelo de guerra, embora menos odioso do ponto de vista humanista, chega a crueldade ainda pior, posto que o indivíduo vira atroz de si mesmo e acreditando estar raciocinando por conta própria.
Eu pensava que o Brasil já estava livre disso.  Após anos de ditadura militar, com ela vencida e soterrada, vivemos em uma frágil democracia onde ainda resta vencer oligarquias e coronéis.  Ocorreu que acabamos por ser vítimas do excesso de liberdade.  Deixamos muito livre, por exemplo, a mídia, que operou o ideário de cada cidadão com ardil e astúcia.
A serviço dos grandes mandatários do mundo, os donos da “informação” realizaram a doutrinação diária, pesada e mascarada que conduziu o pensamento das massas para o lado que quis.
Está certo que estes grandes artífices da desconstrução não contavam com a força da internet a combater-lhes o que ocorre a olhos vistos.  Mas este veículo de alcance e controle popular ainda carece de aceitação por boa parte nesses rincões de nosso Brasil.  Sobretudo onde a classe média mantém ligados seus aparelhos de televisão que servem de adorno e companhia nas vidas vazias dos que foram contaminados pelo consumismo alienante que esvazia neles, a própria alma.
Enquanto isso, corajosos, seguem plantando suas sementinhas na web, os blogueiros, facebuqueiros e outros guerrilheiros da modernidade.
Fico a fitar, nas ruas, as manifestações que a mídia formal não mostra.  Os avanços da direita raivosa que não quer mais perder tempo na voracidade de resguardar sua ilusória posição de topo da pirâmide.  E entre um lance e outro, vejo aquele mesmo resquício de esperança e luta que vimos no passado próximo, quando o vermelho, que era apenas sangue sobre a calçada, foi aos poucos tomando forma até tornar-se pendão das liberdades e do alvorecer dos novos tempos.

Tombado pelo golpe e pelo descuido que a aparente vitória de então trouxeram, jaz combalido, mas continua vivo e incandescente como brasa que aguarda um simples sopro a plenos pulmões dos verdadeiros brasileiros. 

domingo, 16 de abril de 2017

Uma excelente Páscoa libertadora e renovadora pra toda a humanidade.

"Noite mil vezes feliz, o opressor foi despojado, os pobres enriquecidos, o céu à terra irmanado!"

(Proclamação da Páscoa)

A criação do mundo e do Homem pelas mãos de Deus, o dilúvio de Noé e o Sacrifício de Abraão, a passagem dos Hebreus pelo Mar Vermelho e a ressurreição do Cristo, são momentos lembrados e exaltados pelos cristãos na Páscoa, a maior festa da cristandade.  Maior mesmo que o Natal.
Há que se aceitar ou não estes episódios descritos na bíblia e transmitidos pela tradição, ou mesmo te-los por simbólicos, para quem dispensa a fé e se apega a fatos históricos de concretas comprovações. Por certo, céticos ou materialistas não deixam de pensar na manipulação destes contos que mantém, ou pelo menos deveriam manter, cordatos os seus crentes.
Mas ninguém pode negar que sua atualidade é assustadora.  Tanto no "ipsis litteris" quanto no sentido inverso ou figurado.
O mundo e o Homem, por exemplo, se recriam diariamente e com velocidade assustadora pela própria evolução. Buscando adquirir as forças e a sabedoria de um ser divinal, a humanidade não hesita em elevar-se acima da vida e dos próprios limites do conhecimento.  E claro, com a mesma voracidade que descobre a cura de doenças mortais, inventa armamentos de potencial destruição.  Enquanto caminhamos nesta senda evolutiva, há que se pagar um preço alto, cujo ponto principal é o distanciamento da natureza e da própria Terra em si e de suas benesses.
Deliberando sobre o que podemos ser, nos esquecemos do que fomos ou de quem somos.  Almejando chegar ao infinito, desleixamos do onde estamos.  E por aí vai.
Mas o pior de tudo é a contradição.  Na perseguição doentia pela abundância e pela qualidade, vamos deixando pra trás um rastro de escassez e fome, de mutilação e exclusão, semelhantes aos cenários descritos pelo gênesis na era da construção da arca ou escravidão no Egito.  No entanto, qual seria o grande evento libertador?  E quais seriam os "guias" a conduzir o "povo" pelo deserto ou pelas bravias águas da inundação?
Ah e ainda pra quem acha absurdo que um homem equilibrado ofereça seu filho em holocausto, basta atentarmos para a intimidade de nossos lares em que nossos filhos são entregues e submetidos diariamente a deuses os mais diversos, sem que lhes haja um anjo a segurar as mãos do carrasco evitando o sacrifício. Internet e jogos sem qualquer controle dos pais ou do bom senso, fabricam coisas como a baleia azul, a doentia sexualidade sem freios e o desapego à alma criativa.  Sem falar no abandono da família que presenteia a crueldade das drogas com vítimas aos borbotões.
E continuando na analogia, o calvário do redentor fica explícito nos noticiários em que pessoas de todas as idades, de diversas culturas e raças são submetidas à cruz das guerras, da exploração, da ignorância, da falta de cuidados, atenção e alimentos.
E enquanto o Homem, mesmo com toda a sua visão libertadora, a tecnologia conquistada e o alto e auto conhecimentos não realizar o "milagre" da vida nova, ainda a alguns de nós o que resta mesmo é o apego à crença de uma vida além, cujo resplandecer e aurora representem justiça, alegria e recompensa.
Poderia ser diferente e o agora vir a resolver todas as questões.  Mas o salvador da humanidade e maior revolucionário da história, creiam ou não os contemporâneos, de certa forma ensinou a prática revolucionária.  E se ele não renascer para nós, pelo menos na Páscoa, o que nos restará?
Pois a vontade revolucionária sem ação revolucionária, vale menos que a esperança.

domingo, 9 de abril de 2017

Na minha visão.

Entender os múltiplos cenários da política é sempre muito complicado.  No Brasil então, nem me diga.
Eu sempre questionei sobre os motivos de Lula não ter vindo, após o primeiro mandato de Dilma, para uma nova empreitada de 8 anos.  Seria, ao meu entender, a consolidação do projeto.
Mas é claro.  Esta é minha ótica.  Os realmente preparados e o próprio Lula sempre souberam que aqueles seriam dias complicados e que alguma reação da direita se daria, o que acabou acontecendo.
Talvez Dilma, por ser mais fraca que ele e mesmo estar, de algum modo, isolada por muitos companheiros, em virtude até das porradas que aos poucos foram tomando conta do cenário, sucumbiu com rapidez.  Afinal, Lula havia sobrevivido ao "mensalão", perdendo já naquele momento diversos braços.
Assim acredito que ele teria, talvez, aguentado mais o tranco.  Mas poderia ter sido devidamente destruído se estivesse lá, no governo, diretamente.
Agora, contudo, não há dúvidas de que sua volta é esperada, desejada e muito, por diversos setores, não só os nordestinos, não só os trabalhadores, mas mesmo outros que assistem ruir a imagem do país lá fora e afastadas, até por conta disso, as chances de crescimento e reabilitação verdadeira da nossa economia.
A resiliência do petista sempre foi seu forte e agora, reforçada pela desastrosa atuação dos artífices do golpe que tentaram trazer o controle geral ao PSDB e não conseguiram, sua imagem faz as chances de sua volta ainda melhores.
Mas é inocência da militância petista pensar que tudo se dará tranquilamente.  Que o processo eleitoral seguirá seu fluxo natural.  Que os golpistas e reacionários de plantão entregarão os pontos assim, na maciota.
Lula deve enfrentar porrada em cima de porrada.  Tentativas absurdas de destruição da sua credibilidade e quem sabe até, atentados.  Sei lá se estou exagerando.
E para barra-lo, os servidores do capital ainda enfrentarão alguns outros problemas, como criaturas da sua própria laia que, estando do mesmo lado do balcão, seriam muito beneficiadas com a volta do PT ao poder.  Um antagonismo muito complicado de explicar a quem quer que seja.
É como se o golpe tivesse passado um “cadinho” do ponto.  E agora, até aqueles obedientes de sempre, como a Globo e a Veja, já entenderam que precisam dar uma freada, recuar uns passos e principalmente, queimar aquelas figurinhas ruins nas quais tinham se apoiado para realizar a retomada.  E já começaram o descarte. Só que pra isso, vão precisar construir novos "ídolos".  Eu arrisco aqui uns 2 ou 3 nomes.  E você?
Só que, neste embalo, há o medo, mesmo de setores privados, de que figuras folclóricas como aquele deputado “fascista”, cujo nome não pronuncio, acabe ganhando um pouco de força e venha a dar trabalho no futuro.  Nacionalista, com clara certeza, esta figurinha atrapalharia os agentes do capital estrangeiro que nunca deixaram de dar as cartas por aqui. É como o Trump lá nos EUA, guardadas as devidas proporções.  Eu que antes tinha até um certo receio de que um retrocesso desta monta pudesse nos atingir, já estou um pouco mais tranquilo, pois não creio que o permitam, mesmo os capitalistas de fora.  Estas forças objetivamente acreditam ser melhor a condescendência do próprio Lula, que convive com alguns “parceiros” indesejados da esquerda, do que a truculência irracional da extrema direita, populista e cega.
Enquanto isso e por fora, se encontra aquele que pode dar guarida ou mesmo alicerçar uma história mais duradoura da volta do projeto petista mas que precisa da aceitação e da paixão menos “personalista” dos militantes “lulistas”.
Ciro Gomes não é inimigo dos trabalhadores e tem uma proposta voraz.  Se atado à volta de Lula numa dobrada irrefreável, complica as chances da direita emperrar a nossa retomada do governo.
Mas Ciro e Lula são figuras demasiadamente vaidosas e cercados de bajuladores não conseguem olhar para o lado.  Neste instante delicado em que nos encontramos, o apelo das bases precisa se voltar para esta união muito mais do que para as pré-campanhas a que se propõem.
Um projeto de Lula e Ciro nos daria no mínimo uns 12 anos de fôlego, talvez ainda assim não suficientes para reconstruir a devassada realizada pelos golpistas em tão pouco tempo.
Para isso, contratos precisarão ser revistos e projetos aprovados, devem ser derrubados.  O Congresso deverá então, observar a força popular do novo executivo e “baixar a bola” no seu apetite. E só a força popular de Lula não é suficiente. 
A dobradinha pode fazer isso com mais competência.  Os passos traçados pela Lava Jato que ora gira para um lado, ora para outro, se atropelarão se dividirem o foco, permitindo que a queda de braços aconteça de forma menos bagunçada.
E neste contexto a esquerda dividida e com seu “centralismo” confuso, precisará “tapar o nariz” e colaborar sem “purismo” irresponsável.

terça-feira, 4 de abril de 2017

Estabelecer um negócio próprio: ponderações.

Trabalhando no universo das franquias já me deparei com gente vivendo muita situação complicada. 
Vi pessoas que se lançaram a empreender sem qualquer tipo de ajuda ou orientação preliminar.  Resultado?  Frustração.
Se eu fosse consultado, não hesitaria em prevenir, logo de cara, que não se deve empreender qualquer jornada no mundo dos negócios sem antes avaliar uma série de posturas e condições objetivas.
O primeiro grande toque que eu daria é para que o pretenso investidor avaliasse se gosta o suficiente de pessoas.  Quem não gosta de gente, terá muita dificuldade em lograr êxito em qualquer iniciativa.  O componente número 1 de todo negócio é o relacionamento.  Por isso, pessoas difíceis no trato enfrentarão muitos problemas.
Além de clientes, fornecedores e colaboradores, o empresário deve lidar também com parceiros múltiplos de seu negócio.  Um “gênio ruim” e antipatia, provocam desacordos e uma má política de negociações que fazem perder dinheiro e coíbem o progresso empresarial.
Mas este está longe de ser o único percalço.  Será que quem deseja se embrenhar no mundo empresarial fez uma análise rigorosa sobre suas condições financeiras?
Muitas vezes se olha o valor a investir, sem prestar a atenção no fato de que não é só colocar dinheiro no negócio, mas manter-se equilibrado no dia a dia sem comprometer a família e o patrimônio.  Nem todos estão preparados para alterar o padrão de vida para baixo desviando valores de sua rotina para aplica-los nos necessários primeiros passos do negócio.
Todo resultado demora um pouco a chegar.  Durante este prazo é preciso sobreviver e manter as despesas novas que surgirão em função do estabelecimento da empresa.
Capital de giro é, sem dúvidas, essencial para que um empreendedor sobreviva até atingir o chamado “ponto de equilíbrio”, o que pode levar um tempo muito maior do que o imaginado.
Outro fato que passa desapercebido aos investidores novatos é a falta de conhecimento na gestão de finanças.  Saber lidar com contas não é saber pagá-las, mas negociar bem, reduzindo sempre despesas, juros, multas e outros emolumentos indesejados ao mesmo tempo em que se maximizam os resultados.

Não são poucos os que começam sua nova jornada no mundo dos negócios com financiamentos e dívidas adquiridos no intuito de empreender.  Dependendo das condições negociadas, cavou-se um buraco profundo que fará, lá na frente, o negócio não andar ou afundar.
Quase todas as propostas de investimentos na composição de uma empresa, pressupõem a formação de um estudo elaborado de possibilidades a que chamamos “plano de negócios”.  Este faz previsões com base em informações juntadas por quem conhece um pouco deste emaranhado de armadilhas denominado “finanças”.
Mesmo com talento para tal, a única forma de se garantir aproximação máxima do planejamento com a realidade é testando-o. 
No sistema denominado franchising isso se dá mediante o estudo da unidade piloto, que é aquele modelo que está sendo replicado pelo franqueador.
Comprar uma franquia sem visitar ou pelo menos pesquisar a unidade piloto é correr um risco desnecessário.
Se alguém deseja empreender, mas tem medo de abrir mão de algum tipo de receita que possua, pode, de repente, buscar um tipo de negócio que lhe permita dividir seu tempo e atuar em dois canais.  Só que é bastante arriscado caso faltem esforço e dedicação em um dos negócios.
Ao menos durante boa parte do dia, os olhos, ouvidos e mente devem estar voltados para o sucesso do empreendimento. 
Empreendedores despreparados tentam dividir-se em dois negócios e acabam perdendo ambos.  Outros há que nomeiam parentes ou amigos de muita confiança para cuidar de um dos negócios.  Acreditam que aquele “procurador” irá se dedicar de maneira igual a que o proprietário faria.  Mas, como dizem no interior “são os olhos do dono que engordam a boiada”.  Isso é fato.
Suor, dedicação, avaliação permanente e planejamento antecedendo as ações são componentes indispensáveis para o êxito.  Por melhor que seja o empreendimento ou por mais estrutura de apoio que se consiga, tanto em franqueadoras quanto em consultorias apropriadas, como o SEBRAE, por exemplo, não estar focado sempre será um problema.
Claro que sócios, funcionários competentes, podem sim representar uma saída, mas não vale alegar mais tarde de que não se sabia da importância de estar presente “de corpo e alma” no projeto.
Existem negócios cuja dedicação pode se dar em apenas parte do dia.  Mesmo estes exigirão, na sua hora, energia, disposição e cabeça fria para progredir.
Fique claro que não estou desmotivando empreendedores múltiplos, mas alertando-os de que terão que se desdobrar muito mais que imaginam para não se perderem com o tempo.
Há outras coisas ainda que um “sonhador” precisa levar em conta.  Por exemplo, que formato adotar no negócio que irá abrir.
Será que dá pra trabalhar em casa e com isso gastar menos para “montar” o negócio escolhido?
O chamado home-office pode ser sim uma grande tacada para investidores novatos. Não tendo que adquirir móveis, custear um aluguel e livrando-se de outros custos, parece ser mais garantido o retorno.
Mas trabalhar em casa pede muita disciplina.  O simples fato de estar com os filhos e o resto da família no mesmo ambiente, pode nos desfocar de uma ação contundente, diminuindo os resultados a alcançar.  No fim, o que seria economia é na verdade, menos ganho.
O investidor pensará a certa altura: Será que levo meu filho à escola, ou ligo para aquele prospect ?  Será que faço aquela visita importante agora, ou sirvo o almoço?  Sem falar nas pessoas que frequentam a casa, no cachorro latindo no quintal e na criança chorando durante aquela conversa importante com o cliente.
O “home” está muito difundido e tem ganhado terreno cada vez mais nos dias atuais.  Só que além das dificuldades de se manter uma atuação focada, há o componente inverso, ou seja, de se trabalhar o tempo todo. 
Trabalhando em casa, evitamos aquele outro e importante cenário no qual ao fim do expediente, se chega da empresa externa para o descanso no lar. Como sempre se está no ambiente de trabalho, quem optou por este sistema para ficar perto da família, corre o risco é de ficar ainda mais distante dela, mesmo estando no mesmo lugar, pois não sabe a hora de desligar o computador e participar da vida familiar.
Há caminhos.  Se a finalidade for só economizar, sem esta configuração do trabalho home, dependendo do ramo escolhido, pode-se optar por um destes escritórios “coworking” nos quais se tem um lugar adequado para atender clientes, fazer reuniões e divulgar o endereço com custo módico e partilhado.  Muitas cidades oferecem esta opção.
Ainda, ao falar de formato, outra questão pode vir à tona.  Qual o regime tributário ou categoria de empresa são os mais convenientes?
Neste quesito sou reservado.  Vai sempre depender do ramo de negócios.  Por isso, o correto mesmo é a consulta a um bom profissional contábil.  Esta orientação faz muita diferença e este contabilista conhece melhor as leis municipais e pode mais de perto avaliar as necessidades do empreendedor no que tange a proteção de sua empresa.
Há uma lista de regimes que varia muito, composta pelo Simples Nacional, pelo Lucro Real e outros, sob os quais regem regras de tributação mais ou menos incidentes no produto ou serviço a ser trabalhado.
Na questão da categoria, o importante é avaliar onde o empreendedor deseja chegar, pois pode escolher entre ser um microempreendedor individual ou ter uma pequena empresa, que lhe permitirá boa renda e a contratação de muitos colaboradores.
Mesmo se o investidor optar por uma franquia, terá que abrir uma empresa e avaliar os melhores regime e categoria para enquadrá-la.
Como estou no Mercado de Franquias, sei defender o negócio ao afirmar, sem sombra de dúvidas, que uma franquia é sempre mais garantida que uma empresa comum.  Segundo a ABF e o próprio SEBRAE, enquanto 10% das empresas em geral fecharam durante o ano de 2015, no modelo de franquias o fechamento foi de apenas 4,5%.
E por que isso acontece?
Porque uma franquia é a réplica de um modelo testado e experimentado.  Porque o investidor já inicia seu negócio com marca forte e formatada.  Conta com o apoio de consultores da franqueadora que orientam na condução do negócio e oferecem suporte em áreas como marketing, TI, técnicas e outras.
Hoje a utilização de redes sociais, links patrocinados ou formas de marketplaces podem garantir uma boa demanda e atrair bastante cliente.
No sistema de franquias, tudo isso é muito mais comum.
Agora, seja abrindo uma empresa comum, seja optando pelo modelo de franquias, algumas verdades são absolutas.  Um bom site, marketing avançado, a manutenção da reputação da marca e divulgação permanente são “de lei”.
Todo cuidado é pouco e toda análise saudável quando o tema é empreender. 

Claro que não consegui esgotar, neste discurso, tudo aquilo no que acredito, deva o empreendedor refletir.  Mas se considerarmos pelo menos o exposto, acredito que já está posta uma importante contribuição para quem está “buscando” ser seu próprio patrão.

sábado, 25 de março de 2017

Da invasão à invasão.

Conta a história que quando os europeus chegaram nas praias brasileiras (em 1500), os índios não reagiram agressivamente.  Pelo contrário, um dia depois de os portugueses aportarem na hoje denominada Baía Cabrália, Nicolau Coelho pegou um bote e foi até a praia fazendo contato amigável com 18 nativos tupiniquins que lá estavam curiosos.
No dia 25, ou seja, 3 dias depois do descobrimento (invasão), Bartolomeu Dias e Nicolau Coelho, acompanhados de Pero Vaz de Caminha, desembarcaram em outra praia, 70 km acima para darem presentes (besteirinhas) aos índios dóceis e cordatos espalhados por lá.
Já no dia seguinte, só com 4 dias em nossas terras, o capitão da esquadra, Frei Henrique de Coimbra, celebrou a primeira missa em terra "com a presença de indígenas silenciosos.
Sem batalhas, sem tiros ou flechadas, as terras tinham novos donos.
Ou seja, está no nosso DNA esta condescendência.
Condescendência que acaba de assistir a mais uma interferência em nossa terra e em nossa liberdade, sem qualquer resistência.
Incomodadas com a ascensão dos mais pobres, que lhes dava acessos a faculdades, aeroportos e restaurantes, as elites, capitaneadas por parte da classe média que não conhece seu lugar na classificação social do Brasil, fez papel de "inocente útil" e bateu panelas, abrindo caminho para o "start" de uma guerra semelhante a invasão portuguesa.  Sem qualquer tiro, o país foi novamente dominado e controlado.
Cumprindo ordens, a mídia, um pedaço do judiciário e outros polos obedientes na Câmara e Senado, formalizarem o golpe com o respaldo das ruas.
Em dois anos vimos, rapidamente, acontecer o estupro de nossas instituições, a detonação de nossa constituição e a desvalorização de nosso grande orgulho, a Petrobrás.  Desvalorização provocada unicamente para permitir a invasão de acionistas por preço baixo.
Vimos ainda a retomada do governo por agentes ultrapassados, por meio de um golpe, que devolveu o controle da nação aos mandatários de sempre.  E depois, em cascata, vimos e estamos vendo a aprovação dos ajustes que reduziram investimentos na saúde e educação e agora seguem, por largas passarelas, a reforma da previdência e a terceirização a acabar de vez com direitos já parcos da classe trabalhadora.
Como os índios da obra de Victor Meirelles, a população brasileira, em especial o trabalhador em geral, parece estar em paz, vendo com atenção esta celebração de entrega de seus destinos ao algoz.
Será que, quase 520 anos depois, ainda não somos capazes de perder esta permissividade tupiniquim?   

domingo, 19 de março de 2017

De porta em porta.

Se é verdade que o vinho vai se tornando melhor com o seu envelhecimento, também o é que os profissionais vão se aprimorando com as dificuldades enfrentadas.
Eu me lembro, quando comecei minha carreira como "vendedor de seguros",  ainda não havia este tipo de negócio convertido ao modelo de franquias.  Portanto, era "cada um por si".
Bom, devo confessar que eu tive a sorte de ter aprendido com meu pai, que era do ramo de seguros e em quem me espelhei para começar. Mas aprender e fazer por conta própria são duas situações meio distantes.
E com isso, quantos foram os erros cometidos, tropeços e quão grande foi a vontade de desistir várias vezes.
Hoje, decorridos 30 anos nesta profissão, celebro estas 3 décadas me sentindo recompensado pela insistência que mantive e sobretudo grato para com as pessoas com quem partilhei esta luta.
Seria injusto inclusive não mencionar e de forma extremamente reverente, minha mulher, Caroline, que por tantos e tantos anos esteve ao meu lado, sem deixar-me esmorecer e mais ainda, dirigindo o leme e segurando todas as barras do negócio, quando, por diversos motivos, me ausentei ou adoeci.  Acredito que ela tenha se tornado, até em função disso, uma das melhores profissionais que conheço.  Melhor que eu, com certeza.
O fato é que pareço ter aprendido e agora fica aquela obrigação de transmitir alguma coisa.
E esta obrigação, no meu caso é inclusive "legal", já que migramos, há 3 anos, para o franchising e devo por força de contrato, transferir know how aos franqueados que confiaram em nossa expertise e nosso modelo.
Essa transmissão de experiência, tem se dado diariamente, seja pelo treinamento presencial obrigatório, no início da vigência do contrato, seja pelos treinamentos permanentes na Universidade EAD criada para facilitar o acesso e proporcionar condições objetivas de consulta dos integrantes da rede.
Não bastasse, vez ou outra, publicações, áudio-conferências e outras formas de contato, tem me permitido aconselhar, ou contar “causos” que acabam virando referência a quem quer acrescentar conhecimento na arte de vender seguros.
Recentemente, contratamos especialistas na área comercial e criamos o que chamamos “apoio de vendas” para proporcionar o acompanhamento e amparo direto aos franqueados que desejam aumentar suas vendas e progredir no negócio. 
Só não podemos fantasiar que o franqueador trabalhará pelo franqueado.  Apoio e suporte não são garantias, por si só, de êxito.  Principalmente no Mercado de Serviços, a realização dos próprios franqueados é o fundamental.
E se o serviço é “vendas”, como no caso de uma Corretora de Seguros, elas precisam acontecer de forma quantitativa e com qualidade para fazer frente a concorrência em um dos Mercados mais competitivos que existe.
O jogo é claro: se o franqueado obtiver sucesso e ganhar muito, o mérito é todo dele, em que pese o apoio da franqueadora.  O mesmo ocorre com o fracasso.  Se o franqueado não conseguir atingir números e ganhar pouco ou nada, também será o responsável por isso.  Matemática pura.
A franqueadora entra na história como uma ferramenta de apoio, um recurso a mais e não como garantidora do sucesso.
Aparentemente radical, este é o grande segredo do negócio “franquia de serviços”, em especial, “franquia de vendas”, modelo no qual o meu negócio está inserido.
Se falamos de êxito e fracasso, destacamos também que não há uma regra absoluta.  Ou seja, em um momento podemos estar conquistando muitos clientes e ganhando muito.  Em outro, podemos estar parados no tempo, ou perdendo todas.  Estes altos e baixos fazem parte de qualquer negócio, pois dependem de fatores externos e internos.
Para ajudar, o que fazemos é manter uma estante com bons produtos, trabalhar num preço flexível (que valha quanto ofereça) e sobretudo encontrar soluções para os problemas verdadeiros da clientela.  Isso reunido é quase que um “tiro certeiro”.
Com um portfólio que traz mais de 30 companhias seguradoras sólidas em atuação no país e com uma pasta composta por mais de 120 produtos e variações de ramos em seguros, somos bastante fortes.  Ainda, um relacionamento de mais de 22 anos da marca com estas parceiras, soma-se ao total de produção mensal de todas as unidades, criando um volume de peso a ser considerado numa negociação.
É isso.  Uma coisa é começar sozinho e sair de porta em porta com uma pasta garimpando possíveis consumidores de seguros.  A outra é ter toda uma estrutura por traz e saber que a orientação e suporte estão disponíveis para quem quiser ou precisar.

quarta-feira, 15 de março de 2017

Ah, minha mãe...

Ludwig Van Beethoven
Sobre o piano, um busto em gesso de Bach.  Na estante ao lado, dois outros destes monstros sagrados se faziam de igual modo representados: Mozart e Beethoven.
Esta era a decoração da sala, no sobrado onde eu morava aos sete anos de idade.  Período em que despertava, todas as manhãs de sábado, com minha mãe tocando Le lac de come ou uma das obras primas quaisquer de Chopin, ao piano.
Como uma criança assim poderia ser normal no futuro?
Darci Antunes Gomes
Desde que eu era muito pequeno, minha alma fora sensibilizada.  Tocada pela música e pela literatura.  Tinha a mãe pianista e o pai,  vendedor de livros, que levava pra casa, mostruários incontáveis que me serviam de consolo noturno, para aliviar o terror infantil que me acometia durante o silêncio da madrugada.
Professora e Aluna no Conservatório
de Mirassol - SP
Eu e logo em seguida meu irmão mais novo, desfrutávamos deste ambiente por vezes acrescentado de alguma peça de artesanato que minha mãe sempre gostou de produzir (quadros, bolsas, sandálias e outras coisas mais) ou então, poesias escritas por meu pai em cadernos comuns.
Mas esse paraíso cultural, raro a alguns de nossa idade, era apenas minha casa.  Minha mãe, a esta altura, dirigia uma escola em uma cidade vizinha.  O Conservatório Musical de Mirassol, onde se ensinava piano, acordeon, balé, violão, flauta, canto e outros instrumentos.
Araceli Chacon
Pianista Lydia Alimonda em diplomação
de alunos no Conservatório de Mirassol
Quantas vezes eu e Marcelo fomos "forçados" a esperar por horas o término de algumas destas aulas, passeando pelas salas repletas de alegorias que remetiam aos grandes músicos de todos os tempos.
Instrumentos esquisitos, eram objeto de decoração, sinalizando a evolução de alguns deles ao longo do tempo.  Pianos os mais variados, tinham seus gabinetes onde alunas e alunos estudavam o tempo todo fechados.
Lembro-me nitidamente de algumas professoras da escola.  Nomes que minha mãe repetia com carinho maternal.  E também de alunas e alunos, até hoje amigos da nossa família, ou damas da sociedade mirassolense, rio-pretense e de outras paragens.
Maestro Joaquim Paulo do
Espírito Santo
Outros tantos passaram por lá e emprestaram seu talento ensinando ou deixando exemplos aos alunos e expectadores das audições públicas organizadas pelo Conservatório.  Dentre eles, destaco Araceli Chacon, Clodoaldo Canizza, Roberto Farah, Joaquim Paulo do Espírito Santo e Lydia Alimonda.   Pessoas de talento reconhecido no Brasil e no mundo, que pisaram no solo da pequena Mirassol por meio daquela escola e a convite de minha mãe.
Não me lembro exatamente do motivo pelo qual ela deixou tudo aquilo pra trás.  Coincidência ou não, foi no ano da morte de meu avô, seu pai, em 1983.  O fato é que, se com a cabeça de hoje, eu jamais o permitiria.
Darci Antunes Gomes, minha genial genitora, tem talento para as artes e continuaria a fazer sucesso. Como sei?  Até hoje nos deleita quando senta ao piano.  E também, para se ter uma ideia, depois da escola, pôs-se a desenhar e costurar, compondo uma confecção com fábrica e mais de quatro lojas, o que incluía três na capital paulista em conhecidos shoppings centers. Mas esta é outra história.
O Conservatório em constante
agito na cidade de Mirassol
Primeiras coleções para Mulheres de
Meia Idade
Durante anos sem fim, minha infância e parte da adolescência conviveram com timbres, sons, coros e cores inesquecíveis. Itens que moldaram meu caráter, minha personalidade e meu espírito.
Não herdei estes talentos.  Nem de minha mãe, nem de meu pai.  Acho que ficaram todos para meu irmão, que tem ouvido absoluto, desenha e toca super bem e é capaz de escrever como ninguém.
Contudo, estas experiências, influenciaram sim minha capacidade de enxergar o mundo e desenvolver uma sensibilidade acima da média.
Convencimento?  Não... apenas gratidão.


sexta-feira, 3 de março de 2017

De Pai pra Filho.

Carlos Gomes da Rio Preto Corretora

Eu me lembro quando meu pai me levou para o Mercado de Seguros ao me chamar para trabalhar com ele, lá pelos idos de 1987. Dois anos antes, ele havia aberto, em São José do Rio Preto a Rio Preto Corretora de Seguros, que já começava com força total.
Meu pai, conhecido no ramo como Carlos Gomes, havia trabalhado por um bom tempo em duas importantes seguradoras: a Itaú Seguradora e a Companhia Internacional de Seguros (na qual também trabalhei mais tarde).
Alguns dos clientes da carteira atual da San Martin, minha corretora, são oriundos de sua prospecção e vendas daquela época.   Prova de que a confiança pode passar de pai para filho.
Hoje em dia, quando preciso treinar meu faro ou minha capacidade em vendas, penso em meu pai e em como me ensinou a vender.
Foi sublime!  

Ele nunca se preocupou com o resultado da negociação. Queria explicar e fazer o cliente entender de verdade as coberturas e principalmente se eram adequados às suas necessidades. Se a venda não acontecesse, ele estranhava, pois estava convicto de que o cliente, como ele, enxergava a importância daquele contrato. Mas não se importava. Não se abalava com o não e seguia adiante. Mas como eram poucos os "nãos" que recebia.

Esta é então uma das primeiras lições que tirei. O vendedor que se preocupa apenas com o resultado da venda, esquece de pensar em como está vendendo de fato.Uma outra coisa que aprendi com ele é que ele não vendia marcas. Não era a Porto Seguro, a Itaú ou a Sul América. Muito menos vendia pelo preço. Ele se valorizava, pois vendia o Carlos Gomes. O profissional que ia junto ao contrato. Sua atuação, seu profissionalismo, sua dedicação e outras virtudes que ele fazia questão de ressaltar. E quando ameaçavam duvidar, ele insistia que conferissem.
Naquele tempo, qualquer um podia ligar a um cliente seu que ouviria as melhores referências.
"Já precisei do Carlos Gomes na madrugada e ele estava lá."
"Faço seguro com o Carlos Gomes há N anos e nunca fiquei na mão."
Estes testemunhos eram frequentes e eu os ouvia sempre.
Quando um cliente lhe perguntava: "Eu posso confiar nesta companhia"? Ele então respondia com firmeza: "Nela você pode, pois eu estarei junto a ela para garantir que cumpra cada item deste documento que você está assinando".
Como trabalhava muito corretamente, as seguradoras também lhe davam muito aval. Em épocas que o próprio corretor fazia a vistoria, as suas eram aceitas independente do dia e do horário que as realizava.
Um vendedor com credibilidade de ambos os lados da negociação, não tem dificuldades em fechar negócios.
Eu nunca desisto de pensar em seus exemplos. Afinal, se quero fazer bem feito, devo me espelhar em quem já me provou sê-lo capaz.

Consultor ou Vendedor de Seguros?

Se eu fosse me lançar hoje, em qualquer negócio ou projeto novo, procuraria ouvir um pouco quem já trilhou alguma caminhada no respectivo ...