segunda-feira, 27 de abril de 2009

Sem educação, para aonde vamos?


Texto enviado pelo mais novo amigo, Prof. Antônio Cáprio de Tanabi. Para reflexão, análise e comentários dos visitantes e leitores do blog.

A Humanidade só existe em razão da educação transmitida, séculos a fio, de pessoa a pessoa, sejam quais forem os instrumentos ou ferramentas. A cultura é específica de cada povo, de cada agrupamento sociológico e se remonta de forma contínua na linha do tempo. Humanidade e cultura se associam de forma inseparável, parecendo paralelas geométricas onde desvios não são aceitos nem podem existir sem o perigo de se comprometer todo o sistema.
Educação é uma outra história. É uma atividade humana que necessita da cultura para se alçar e progredir, continuamente, não se admitindo curvas ou retrocessos. Deve ser uma linha perpétua, contínua, evolutiva, envolvente, cuidadosa e seletiva, embora não se destine a nenhuma pessoa isoladamente e ao mesmo tempo ao cidadão como exemplar único de um grupo social, seja ele diminuto ou todo o povo de um território, agregado e ligado à população do mundo.
Educação é, portanto, um legado, uma herança e como tal deve ser aprimorada, cuidada, trabalhada de forma a que as gerações futuras sejam parte integrante e ativa dos elos de ligação que há séculos se interligam e formam todo um processo evolutivo-educacional.
Cultura e educação se diferenciam em muitos aspectos. Um e outro podem se manifestar de forma separada, estanque e ao mesmo tempo podem se unir e, segundo a regra das paralelas, caminharem juntas com mais força, mais intensidade, mais resultados, e juntas, escreverem o futuro de um povo, de um pais.
Evoluímos, entendendo que a involução é impossível, em qualquer situação ou processo. E na educação, o que dizer da fase atual que atravessam nossas escolas brasileiras? O que dizer do aluno apático, sem propósitos ou sonhos, sem estímulos em buscar conhecer e cultivar a sua cultura, a cultura de seu povo e a educação como um legado que pode ajudá-lo a alcançar degraus significativos na sociedade humana onde ele está inserido? O que dizer fazer e pensar com relação a nossos professores, em todos os graus de ensino e mais diretamente aos militantes no ensino fundamental?
A China deposita basicamente no ensino fundamental toda sua força que advém de seu passado, de sua cultura, de seu respeito para com o conhecimento, mola propulsora do mundo moderno. O professor é o único que não precisa reverenciar o Imperador. O professor é o mestre, é o condutor das linhas da cultura e da educação. É o guardião do passado, o administrador do presente e o gerador do futuro.
O Brasil é um país ‘jovem’, mas velho o suficiente para pensar seriamente em sua cultura e na educação de seu povo. Fomos ‘descobertos’ em 1500. Os Estados Unidos formados em 1492. Tomados estes dados como exemplos, por que tanta diferença entre os dois povos. Não creio que as dificuldades de ambos sejam histórica, social e economicamente, muito diferentes embora com algumas variações.
Esta ação de dar migalhas para mitigar a fome sem ensinar a pescar vai acabar com o que de pouco temos no campo da cultura e transformar a educação num mero passatempo escolar cuja atração é, ainda, a merenda escolar e em breve um pólo de revoltas e agressões, como já se vê em inúmeros estabelecimentos escolares, onde os direitos são muitos e os deveres, poucos ou quase nenhum.
Houve tempo que bolsa era um equipamento para guardar livros e cadernos para estudo. Hoje, é sinônimo de pouco ou nada fazer. Alerta, brasileiros.

Tanabi, abril de 2009.

Professor Antonio Caprio
Analista político.

EFEITOS DO AQUECIMENTO GLOBAL

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sábado, 25 de abril de 2009

Indignação só vale com ação.


Mais uma vez o cenário nacional nos deixa "alegres".
Primeiro o escândalo envolvendo o uso de passagens compradas aos parentes e familiares dos Deputados com dinheiro público. É de fazer tremer, não é? Na sequência, as palavras de baixo calão disparadas por um homem público como o ex-ministro Ciro Gomes, também demonstram que há mais coisas a serem alvo de nossa atenção.
Outra questão triste, diz respeito ao Supremo Tribunal e seus "semi-deuses". Um bate-boca desproporcional no que seria um ambiente "sagrado" da nossa Justiça.
Na verdade, verdadeira mesmo, nada de novo. Quem é que não tem visto na mídia escândalos atrás de escândalos no Congresso, Senado, Ministérios (lembra do uso dos cartões?) e as contradições do Supremo no Caso Satiagraha, dentre tantas outras.
Eu só queria ver a mesma inflamação popular, sobretudo de meus amigos, quando o assunto é nossa Câmara Municipal. Os desmandos e absurdos cometidos tão pertinho de nossas casas e que passam muitas vezes em silêncio.
Se não dá tempo nem dinheiro para irmos à Brasília gritar na orelha de um escomungado desses, dá tempo e não se gasta para irmos até nossas Câmaras Municipais a exemplo de uma pequena cidade no Pernambuco onde as galerias chegam a ficar lotadas.
Temos o hábito de desacreditar o político, mas deixamos que corram à solta, inclusive aqueles que foram premiados com nosso voto. E esta falta de acompanhamento, fiscalização e cobrança são o principal fator de "geração de corruptos".
Somos bons em reclamar, julgar e bradar, mas na hora do agir, somos os mesmos acomodados de sempre.
Essa minha observação não diminui o grau de erro que verificamos nestes eventos, mas estabelece um pouco de responsabilidade sobre os mesmos. É fácil fazer como eu faço aqui: reclamar, ainda que por escrito e em público, sem envolver-me de perto e dentro do próprio cenário no que seria uma atitude mais concreta de democracia e civilidade.
Ou seja... eu e você, vamos continuar reclamando, falando, escrevendo, julgando, analisando e divulgando nossa opinião, mas também, vamos juntos cobrar e de perto, aqueles que nós mesmos nomeamos para estarem lá.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Filas de Bancos


O vereador Pedro Roberto (PSoL), autor da Lei que determina tempo máximo de espera na fila dos bancos, me encaminhou nesta semana um e-mail que mostrou que apenas 6% das multas foram pagas.
Em 4 anos de existência da Lei, entraram R$ 413 mil nos cofres públicos do município dos quase R$ 7 milhões que foram apurados. Muitos desses processos ainda se encontrarm aguardando decisão e outros estão com recursos.
O vereador ressaltou o apoio do Diretor do Procon Sérgio Parada e de Edson Favaron, Diretor do Sindicato dos Bancários.
Pedro Roberto deverá fazer "blitz" nos bancos nos próximos dias, mas está claro que ainda somos nós os principais fiscais.
Os nossos sinceros cumprimentos ao vereador pelo seu sério trabalho.

Feriados e Facultativos


Recebi esta importante contribuição do amigo médico e ex-deputado federal Nelson Seixas.

Até o povo se aborreceu com tanta folga, até mesmo sem ter o que fazer. Desta feita até o empresariado chiou, pois está causando prejuizo econômico à nação.
Temos Feriados demais no país: religiosos, federais, estaduais e municipais. Além disso, criaram-se: pontes, recessos, semana do saco cheio. Agora, vem prefeitos, para fazer média demagógica com o funcionalismo público municipal, criando muitos pontos facultativos.
E como ficam os empregados privados, que não gozam dos benefícios dos pontos facultativos. Enquanto uns brincam nos dias de Carnaval, os outros têm que malhar. E olha que são os mais pobres, que ganham menos e que trabalham (e até sustentam) mais, num país em que o Art. 5º da sua Constituição diz que "todos são iguais perante a Lei". Eta mentira deslavada.
Ah! se todos trabalhassem nesse País, ele seria uma grande potência.
Como se não bastasse essa discriminação, até temos diferenças nos tempos de trabalho para aposentadoria, nas jornadas de trabalho, nos salários, nas aposentadorias (porque militares sobem de patente para se aposentar? e os funcionários do Senado sobem de referência?).
Porque os que fazem atividade meio (assessores, coordenadores, supervisores, e o diabo) pouco trabalham e ganham muito mais do que os que exercem atividade fim (os que põem a mão na massa: professores, profissionais de saúde, soldados rasos - são mal remunerados e pouco estimulados para o serviço)."

Nelson de Carvalho Seixas

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Darwin explica...

Este vídeo vale à pena... O surpreendente empenho do passarinho para "fisgar". Abraços
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O importante é ter saúde...


Recebi do sempre presente e oportuno amigo Nelson Seixas, grande Homem de nossa cidade, o livreto: SESI - qualidade de vida para você.
A obra traz dicas, comentários e observações sobre diabetes, hipertensão, obesidade e outros males, sempre acompanhados de recomendações inclusive com relação a alimentos e exercícios.
Divertido, leve e muito útil, o pequeno livro pode ser retirado no SESI da Represa Municipal e com certeza deverá fazer parte do dia-a-dia das pessoas.
Viverá em minha pasta e desta para o porta-luvas do carro.
Muito bom.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Comentários...


Acabei de ler e recomendo... "O dia em que Jesus pilotou um avião" do jornalista Júlio Cezar Garcia. Suas prosas são um verdadeiro brinde.

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O texto do Marcelo sobre pedofilia, logo abaixo, está incrível, como aliás tudo o que ele produz. Peço que ninguém deixe de ler e divulgar.

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Lembro-me do João Herman, Deputado Federal por São Paulo quando entrei no PPS. Morreu neste final de semana em Campinas. Lembro-me também dos meus sonhos frente a um partido que parecia avançado, pelo menos em Rio Preto. Bons tempos idos.

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Gostei da piada do Simão na Folha este domingo. Ele falava de um menino que confundira Jesus como sendo o nome de um coelhinho da Páscoa. Assim como o Natal, a maior festa cristã parece ter dado lugar à farra do comércio. É como um amiguinho do meu filho que por estar com virose, não ia ter "páscoa" (ovo) este ano. Êta pais avançados...

Capitalismo e as Bruxas de Salem


Por
Marcelo Gomes



Não é incomum vermos em nossos noticiários o aparente crescimento de casos de abusos sexuais contra crianças. A chamada pedofilia parece ter virado moda. Ou, se não virou, ao menos agora parece que as vítimas possuem mais coragem para denunciar seus agressores. Quem sabe até as autoridades estão mais ágeis e competentes. De qualquer forma, manchetes ganham tom de histeria e a mídia joga todo o foco de sua “iluminação” nestes delitos, promovendo uma atmosfera moralizante que se assemelha a caça às bruxas. A mais recente ocorrendo em Catanduva, uma cidadezinha insular cercada de canaviais por todos os lados como tantas outras aqui de nossa região. Este artigo se propõe, no entanto, fazer uma análise um tanto indigesta sobre tais fatos.
Primeiramente, como não poderia deixar de ser, façamos uma breve constatação a respeito do primeiro objeto. No caso, a pedofilia. Somente depois discutiremos o capitalismo. Etimologicamente a palavra tem sua raiz grega e não inspira tanta gravidade (a não ser pela carga negativa que adquiriu recentemente). Na Grécia não era um escândalo tão grande assim adultos terem desejos por crianças e adolescentes, inclusive do mesmo sexo. Alguns banquetes na antiguidade clássica acabavam geralmente com sobremesas orgíacas e não era raro que se considerasse uma honra ser iniciado pelo seu mestre (até mesmo mestres filósofos) na arte da concupiscência. Mas o mundo, aparentemente, vai mudando e se transformando para melhor (é o que dizem os positivistas e otimistas ingênuos). O monopólio da fé, quando o Estado se confundia com a igreja (hoje se confunde com as igrejas) na Idade Média, deve ter garantido aos clérigos outros tantos banquetes assim com jovens e crianças. O aliciador deixou de ser o mestre do logos para se tornar o mestre evangelista. Essa prática, ao que tudo indica, continua de forma renitente a imperar em seminários e congêneres religiosos. Sabe-se que religiosos são, em sua maioria, invariavelmente reprimidos e por isso as galerias e alcovas representam um ótimo e sigiloso lugar para que seu Id possa se manifestar. Crêem os otimistas que essas práticas vêm declinando com o proporcional declínio das religiões institucionalizadas. De qualquer forma, não é raro que tais práticas outrora recobertas com o manto da sabedoria (no caso da pedagogia grega) ou com o manto sagrado da fides (no caso dos seminários – nome inclusive sugestivo!) cederam lugar ao vulgar e rasteiro trapo da celebração da ignorância hedonista burguesa. Até cantores pop-stars acabam, ainda que desbotados, entrando nesse festival (desta vez não mais nas alcovas monásticas, mas nas alcovas da never-land). No entanto, isso se tornou algo muito feio.
Mas se isso sempre ocorreu, devemos voltar a nos perguntar: por que somente agora teria se abatido sobre nossa sociedade um senso moral resoluto? Teria sido a internet que, com suas chances de anonimato, alimentaria esse senso de impunidade por parte dos aliciadores? Ou, ao contrário, tornaria mais fácil a identificação destas “aberrações da natureza”? Num mundo paradoxal, não me espantaria ser um misto das duas coisas. Mas ainda fica a indagação de todo o alarde feito pela mídia e também da comoção pública sobre isso.
A história pode nos brindar com alguns ensinamentos. No caso, uma boa recordação é quanto ao episódio das bruxas de Salem, uma cidade estadunidense que ficou famosa e imortalizada num belo filme com Wynona Raider e Daniel Day-Lewis. Nesta ocorrência, um grupo de jovens buscava se safar do castigo para seus atos imorais jogando a culpa em cidadãos inocentes da localidade. Um prato cheio para o Santo Ofício na sua forma puritana e para os jovens alimentados por uma histeria coletiva que via bruxas por trás de qualquer cidadão. Assim, esse episódio nos ensina que muitas vezes a melhor defesa é o ataque e que quando se quer esconder os próprios pecados, busca “cisco nos olhos alheios”.
Contudo, fomos longe demais nesta ilação. Os atos destes aliciadores de menores estão muito além de serem meros “ciscos” e de forma alguma são “inocentes” como os cidadãos de Salem. Bem que a psicologia evolutiva poderia até amenizar este delito e a filosofia poderia até fazer uma consideração ética sobre a responsabilidade ou não destes atos cruéis. Sabemos que algumas correntes deterministas dentro da filosofia — particularmente aquelas oriundas da doutrina do barão de Holbach — buscavam provar que todas as coisas são fruto de uma determinação causal e que esta causalidade priva completamente a possibilidade do livre-arbítrio. Ora, se não há livre-arbítrio, não há responsabilidade alguma. Afinal, neste caso, ninguém é intencionalmente culpado pelos seus atos. O problema da fundamentação moral está longe de ter se resolvido. Só teremos responsabilidade moral se nossas ações forem fruto de uma vontade livre, ou seja, se não formos determinados por causas inelutáveis exteriores ou mesmo interiores. E é muito difícil argumentar contra a existência destas determinações. Gostaríamos muito de ser livres, mas para isso teremos que provar que o homem nem é determinado pelo seu meio e nem pela sua natureza. Quanto a esta última, a natureza, se somos fruto dela e temos uma descendência direta da linhagem primata, não é de se estranhar que herdemos algumas características destes nossos primos. Neste campo ainda da psicologia evolutiva ter-se-ia que argumentar que o comportamento pedofílico propicia algum benefício seletivo, coisa muito difícil de ocorrer se o desejo por crianças e adolescentes se dirigir a indivíduos que não atingiram sua maturidade sexual. Explicando, que vantagem seletiva teria um indivíduo que se relaciona com outro incapaz de gerar descendentes? Se há um gene determinante para a pedofilia é bem difícil que ele tenha sobrevivido, uma vez que seu portador dirige sua atenção para indivíduos inférteis e, como tal, não lhe propiciam a reprodução de seu genótipo. Mas e quanto à homosexualidade? Não cairia na mesma “desgraça” evolucionária? Afinal, se há um gene para o homossexualismo, ele está fadado à impossibilidade de reprodução no tempo. Talvez então a causa destes comportamentos geneticamente suicidas esteja em outros fatores determinantes que nos escapam, mas que sejam igualmente limitadores da responsabilidade dos contraventores, como causas psicológicas oriundas da formação social e familiar.
Mas não levemos isso muito a sério. Do contrário, estaríamos derruindo todo um mundo de concepções jurídicas sobre a responsabilidade de cada ser humano dotado de faculdades racionais. O que importa, a fim de legitimidade, é continuar acreditando que o princípio racional de cada homem lhe fornece autonomia e discernimento para com seus atos. Só assim alguém poderá ser culpado por eles. Assim, se concordamos então, a fim de uma boa convivência social de que tais atrocidades devem ser punidas exemplarmente, por que o mesmo não é estimulado quando um sistema econômico visivelmente produz ainda mais atrocidades? Não importa se há ou não uma volição racional para tais atos. A maioria das pessoas de nossa sociedade condena estes atos individuais. A indignação da maioria acaba prevalecendo neste caso (eis o princípio jurídico incontestável). Mas se um pedófilo abusa de uma criança inocente, as relações capitalistas fundadas na propriedade privada dos meios de produção jogam, do mesmo modo, um número ainda muito maior de crianças inocentes nos braços de aliciadores. A prostituição infantil nas ruas das grandes cidades e — principalmente — cidades do nordeste é muito maior do que estes casos veiculados pela grande mídia para chamar a atenção para um problema individual. E esse é o fundamento da nossa questão. A caça às bruxas acontece hoje em dia porque busca-se desesperadamente encontrar o mal — que se aplaca sobre nós — nos casos individuais. Não se trata de sermos lenientes com estes crimes individuais, mas existe um criminoso que gera muito mais vítimas que jamais é denunciado com o mesmo empenho. Nós já nos acostumamos: a morte de um filhinho de papai na zona sul do Rio gera muito mais comoção do que as milhares de mortes nos hospitais públicos e na vida indigente de uma população favelada. E isso acontece tanto porque quem morreu não era “qualquer um” como também pelo fato de que o criminoso não era o Estado nem um sistema econômico. Quem mata um estudante de classe média é sempre um indivíduo, mas quem mata milhares de jovens e crianças diariamente em nosso país é um sistema econômico e seu suporte administrativo chamado Estado burguês. Daí que a mídia se farta com denúncias aos criminosos individuais, mas se “esquece” propositalmente do grande vilão de nossa sociedade. A atrocidade capitalista não ficou no passado. No início da industrialização mulheres e crianças de até 5 anos eram arrastadas para as fábricas a fim de servirem ao capitalista têxtil como mão de obra barata, mas também serviam com seus corpos aos gerenciadores e braços-direitos do patrão. Quando eram mandadas embora, mulheres e crianças já tinham aprendido nessa pedagogia de fábrica como usar seus atributos biológicos para angariarem alguns trocados.
Hoje em dia pouca coisa mudou, a não ser o fato de que o estágio da prostituição fabril já não é essencialmente necessário para a prostituição das ruas numa sociedade cujas taxas de desemprego são altíssimas. Agora, crianças vão direto para a prática das ruas, sem passar pelos feitores da burguesia. Possivelmente, deixaram com isso de serem iniciadas por estes feitores de fábrica para serem iniciadas diretamente pelos patrões. Infelizmente, ontem como hoje, em questões morais, a burguesia não tem moral para falar nada. Tanto moralismo em nossos telejornais, portanto, não é o que chama atenção. O que nos chama atenção é o fato de que este moralismo é hipócrita. O que nos chama a atenção é que a pedofilia é o próprio status quo capitalista. Assim, se é legítimo condenar no varejo tais atrocidades e criminosos, deve ser legítimo condenar também no atacado. Se a coletividade, em que pese as explicações para atos tão monstruosos, tem a legitimidade de encarcerar um aliciador de menores, esta mesma coletividade tem obrigação de encarcerar todos os outros e o sistema que abusa da massa da população. Se é legítima esta caça às bruxas (e bruxos, principalmente) que seja também legítimo a instalação de um novo tribunal coletivo para caçar nosso delinqüente atacadista.
Assim, se as alcovas monásticas cederam lugar aos gabinetes parlamentares, então nada mais justo que o tribunal judiciário burguês ceda lugar à ditadura do proletariado, para que o julgamento coletivo desta aberração social chamada capitalismo tenha seu lócus adequado e sua sentença de morte proferida em alto e bom som!

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Explicação de Capitalismo com o uso da "vaca"


Contribuição do sempre bem humorado amigo Paulo Sevilhano. Eu não podia deixar de publicar aqui.


CAPITALISMO COMUM
Você tem duas vacas.
Vende uma e compra um touro.
Eles se multiplicam, e a economia cresce.
Você vende o rebanho e aposenta-se, rico.

CAPITALISMO AMERICANO
Você tem duas vacas.
Vende uma e força a outra a produzir o leite de quatro vacas.
Fica surpreso quando ela morre.

CAPITALISMO JAPONÊS
Você tem duas vacas.
Redesenha-as para que tenham um décimo do tamanho de uma vaca normal e produzam 20 vezes mais leite.
Depois cria desenhinhos de vacas chamados Vaquimon e os vende para o mundo inteiro.

CAPITALISMO BRITÂNICO
Você tem duas vacas.
As duas são loucas.

CAPITALISMO HOLANDÊS
Você tem duas vacas.
Elas vivem juntas, não gostam de touros e tudo bem.

CAPITALISMO ALEMÃO
Você tem duas vacas.
Elas produzem leite regularmente, segundo padrões de quantidade e horário previamente estabelecido, de forma precisa e lucrativa.
Mas o que você queria mesmo era criar porcos.

CAPITALISMO RUSSO
Você tem duas vacas.
Conta-as e vê que tem cinco.
Conta de novo e vê que tem 42.
Conta de novo e vê que tem 12 vacas.
Você pára de contar e abre outra garrafa de vodca.

CAPITALISMO SUÍÇO
Você tem 500 vacas, mas nenhuma é sua.
Você cobra para guardar a vaca dos outros.

CAPITALISMO ESPANHOL
Você tem muito orgulho de ter duas vacas.

CAPITALISMO PORTUGUÊS
Você tem duas vacas.
E reclama porque seu rebanho não cresce...

CAPITALISMO HINDU
Você tem duas vacas.
Ai de quem tocar nelas.

CAPITALISMO ARGENTINO
Você tem duas vacas.
Você se esforça para ensinar as vacas a mugirem em inglês.
As vacas morrem.
Você entrega a carne delas para o churrasco de fim de ano ao FMI.

CAPITALISMO BRASILEIRO
Você tem duas vacas.
Uma delas é roubada.
O governo cria a CCPV- Contribuição Compulsória pela Posse de Vaca.
Um fiscal vem e autua você, porque embora você tenha recolhido a CCPV, o valor era pelo número de vacas presumidas e não pelo de vacas reais.
A Receita Federal, por meio de dados também presumidos do seu consumo de leite, queijo, sapatos de couro, botões, presume que você tenha
200 vacas.
Para se livrar da encrenca, você dá a vaca restante para o fiscal deixar por isso mesmo

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Gomes de Castro


Ainda vamos ouvir falar deste escritor. Seus ensaios, poesias e romances já estão no forno e estou torcendo para que obtenha sucessos.
Vamos conferir.


Frustração...

Tristeza
Traz melancolia,
Nos faz meditar:
Na vida,
No amor,
Na sorte,
Na morte,
Nos sonhos e ideais...

Nos lembra a criança
Sem lar,
Sem nome,
Com fome,
Sem esperança,
Sem ninguém a lhe amar...

Então, nos leva ao passado
Distante,
Errante,
Frustrante,
Dificil de crer
Que ficou na saudade,
O pouco de bom
Que não volta jamais...

sexta-feira, 3 de abril de 2009

CONTADOR DE VISITAS

Recebo, quase que diariamente, alguns e-mails de amigos que visitam o blog com sugestões, críticas e outras opiniões importantes. Contudo, nunca tive uma idéia exata da quantidade de pessoas que visitam o blog. Assim, em fase experimental, a partir deste dia 03 de abril, estou registrando os visitantes por um contador instalado no fim da página. Isto me dará uma noção mais próxima do real e que servirá como incentivo para a continuidade.
Conto com seu apoio na divulgação aos amigos.
Abraços.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Todo mundo sabe, mas lembrar é sempre bom.



O Brasil é um país com área de 8,5 milhões de km2. Sua população em 2000 estava estimada na casa dos 170 milhões de habitantes. Como todo país capitalista, está dividido em duas classes típicas, a saber, capitalistas modernos e trabalhadores assalariados. Como se dizia no passado, burgueses e proletários.
Tem gente que não sabe como isso funciona. Ainda fica se perguntando a que classe pertence etc. e tal. Mas na verdade, quem não está numa das pontas, está sendo esmagado por ambas no que seria a “turma do meio”, que se tivesse que escolher um lado, melhor seria escolher o lado dos proletários pois “os do meio” também colaboram para o enriquecimento assombroso dos “burgueses”. Mas como eles conseguem enriquecer ainda mais enquanto outros ficam cada dia com menos dinheiro? Veja:
Há um esquema que distancia estas duas classes (burgueses e proletários) diariamente. Este esquema é conhecido por “mais valia”, descoberto por estudos realizados pelo filósofo Karl Marx.
A mais valia é calculada com base no seguinte processo:
Imagine um produto fabricado numa fábrica, que ao terminar é oferecido por 100%. Deste total, nós teríamos, por exemplo, 30% do valor deste produto utilizado para custear o que seria o “meio de produção”, composto pela matéria prima, energia utilizados e demais despesas da fábrica. Ainda, 10% do valor do produto seria destinado para custear a “força de trabalho”, ou o salário dos operários. Se ainda descontarmos impostos e outros custos que muito bem poderiam compor o “meio de produção”, não passaríamos de 10%. Assim, sobraria cerca de 50% ou mais do valor do produto, que é obtido, podemos dizer, sem divisão, ficando todinho para a fábrica, ou melhor, para os patrões (capitalistas modernos). Isto é chamado de “mais valia”.
Diariamente a mais valia distancia patrões de empregados. Mas olha, tudo isto é apenas ilustrativo. Há casos, aqui mesmo no Brasil, em que os meios de produção não passam de 20% e os salários mal chegam a 2% de um produto. Isso mesmo! Bastante pior, não é? E o que dizer dos especuladores? Aqueles cujo dinheiro só financia e não produz? Chega a dobrar ou triplicar em pouquíssimo espaço de tempo sem gerar empregos ou distribuição de renda. E de onde está saindo o dinheiro que aplicam?
Temos um capitalismo absurdo, que vive inescrupulosa e dependentemente quase que totalmente das políticas econômicas externas, principalmente dos Estados Unidos.
Nossa classe dominante é composta por membros da Grande Burguesia Brasileira (banqueiros, grandes industriais e donos de conglomerados da comunicação); grandes bancos e grupos empresariais estrangeiros estabelecidos aqui, latifundiários de toda sorte e pasme, membros do poder político que controlam o Estado para garantir o “status quo”.
Mas não vale ficar bravo. Quando falamos de grandes industriais, estamos falando daqueles que elaboram o esquema da mais valia e não do cara que tem uma serralheria no quintal. E quando falamos de latifundiários, estamos falando do 1% de proprietários de terra, que possui 47% da terra produzível do país.
Dá pra acreditar que isso ocorre hoje, em pleno Século Vinte e Um? E a crise? Qual o contexto que acabará deixando?
Estudar e criar debates é a função deste texto, que não tem intenção de brigar com ninguém, nem evidenciar a luta de classes, realidade inalienável do Capitalismo. Por isso sua opinião e participação é tão importante. Mande seus comentários e abramos as discussões. Sempre com muito respeito.

A rainha caipira.

A partir de hoje, me dedicarei a publicar, de quando em quando, contos e crônicas escritos por meu pai, Carlos Alberto Gomes, que assina com...