sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Desabafo

As pessoas do meu país estão cansadas.  Cansadas desta oposição irresponsável que após perder a eleição, vem trabalhando incansavelmente para a desestabilização política e econômica do Brasil.
Muitos resultados funestos deste vandalismo político já são perceptíveis.
Um ano se completou sob a convulsão provocada por políticos inoperantes, que não tendo sequer a competência de ganhar o pleito nos dois primeiros turnos, criaram um terceiro que não tem fim.
Enquanto distraem a população com seus gritos em “prol da moralidade”, estes imorais obnubilam a vista desta mesma população perante as canalhices cometidas em votações perigosas do Congresso.
Bradando pelo fim da corrupção, ao mesmo tempo blindam corruptos de carteirinha e comprovada falta de honestidade.
Desenterram intolerâncias já vencidas propagando o separatismo, o racismo, o fascismo, o nazismo e todas as demais bandeiras de ódio que o mundo já repudiou.
Celebrando a impunidade, jorram de “gozo” quando seus adversários são punidos, quase sempre com desigualdade de julgamentos e provas.
Destemperam os debates, maculam os movimentos de rua, distorcem julgamentos, criam notícias fantasiosas com o mais absoluto conluio e apoio dos mandatários midiáticos e promovem o caos, a insegurança, o desânimo, a descrença e sobretudo abatem a esperança.
Não percebem estes que seu mise-em-scéne, em que pese o talento indiscutível, já cansou?  Que seu lamuriar já não carreia unanimidade?  Que o que fazem de fato é prestar um desserviço à democracia?  Claro que percebem, mas são tolos demais para voltar atrás enquanto é tempo e salvar-se, ainda que em parte.
Deviam saber que o brasileiro de verdade quer trabalhar, suar a camisa, vencer a luta do dia a dia, construir sua vida como sempre fez, sem contar com a ajuda de ninguém e sobretudo, sobreviver ainda que com a pouca dignidade que, pelo menos os governos de Lula e Dilma lhe garantiram, coisa que antes era impensável.
Quem diz o contrário o faz porque está deslumbrado pela mobilização que encanta, ou então é oriundo de momentos idos em que as benesses eram reservadas apenas para alguns.  Pertencentes pois a uma certa faixa hoje decadente da sociedade.
São partidários do "quanto pior melhor", ou apenas arautos da terceirização de suas incapacidades, buscando culpados fora de si mesmos, por aquilo que não conquistaram.   Esquecem, talvez, que o Brasil somos todos nós.
Sempre houve quem idolatrasse os modos de vida europeu, americano e neste quesito, não dá mesmo para querer que joguem a favor do próprio país.  Mas, capitaneados por figuras de "certo prestígio" e muita lábia, são rapidamente cooptados pela ideia do "e se".
A somatória dos impropérios lançados nos palanques, TVs, jornais e internet, mesmo no parlamento e nas ruas, são por si só uma demonstração cabal de desinformação e manipulação.  Só tenho a lamentar que boa parte de nossa gente não tenha ainda  acordado e muitas vezes repita chavões que são instrumentos subliminares de domínio.
Ao gritarem “vão pra Cuba”, “bolivarianos”, comunistas e outras palavras de ordem, as pessoas estão na verdade fazendo o jogo dos que sonham e sempre sonharam em soterrar qualquer possibilidade de uma revolução verdadeiramente humana e promotora da igualdade.  Revolução esta, que o mundo ainda não conheceu e possivelmente nem conhecerá.  Não  enquanto a tirania e a gana por poder e riqueza permanecerem como objetivo primário dos vaidosos políticos do mundo que ocupam o lugar que os bons e justos lhes outorgaram.  
Caberia portanto aos herdeiros de mandato, no mínimo o compromisso com esta confiança, com a verdade e com a Constituição.
É preciso agora anotar à caneta os nomes destes “eloquentes opositores do governo”.  Nomes de quem tanto tem prejudicado nossa nação.  Desvalorizado as conquistas dos trabalhadores.  Jogado por terra tanta batalha vencida.  Sujado a imagem pujante do Brasil no exterior.  
Nomes de quem defende o entreguismo, o esvaziamento do Estado, o golpismo, a manutenção dos privilégios e principalmente a repressão na figura dos que pedem o retorno da ditadura.
Anotar para não esquecer.  Para que em momento oportuno, se faça a faxina completa, que por mais que esteja se verificando hoje, como nunca dantes, diga-se de passagem, ainda precisa alcançar os apaniguados do poder tradicional e secular que imperou por mais de 500 anos.  Conservadores empoeirados e cobertos de ranhuras e rugas do atraso.  Direitistas raivosos e sem folha de serviços prestados ao nosso Brasil.  


segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Tenho Tempo

Certa feita, quando participava do GRUPO GEAPOL – Grupo de Estudos e Atuação Politica, ligado à Igreja Católica em São José do Rio Preto, fizemos uma “Noite dos Talentos” onde cada um de nós iria mostrar seu lado artístico para os demais componentes.
Na oportunidade eu declamei um poema de Michel Quoist, chamado: Tenho Tempo, Senhor.
O primeiro parágrafo do poema diz: “Toda a gente se queixa de não ter tempo bastante. É que olham a vida, a sua vida, com olhos humanos demais. Há sempre tempo para fazer o que Deus nos dá a fazer. Mas é preciso estar totalmente presente em todos os instantes que Ele nos oferece”.
E a última estrofe do poema ilumina: “Peço-te a graça de fazer, conscienciosamente, no tempo que me dás, o que queres que eu faça”.
Parece incrível, mas hoje, se alguém me perguntar qual é o meu maior problema, eu responderei sem pestanejar que é a falta de tempo.
Já cheguei a comentar com minha mulher que tudo o que eu queria agora, era que o dia passasse a ter 36 horas, ou então que não sentíssemos a necessidade de dormir.
Acordo às 6h, preparo os filhos para a escola, alimento os nossos “pets”, me dedico à higiene pessoal, me atualizo nas notícias, faço um desjejum muito light e saio para o trabalho.  Às 7h30 já estou no escritório, de onde só saio às 12h15, mais ou menos, sem ter concluído um só assunto de minha agenda.  Almoço e quando não há mais novidades do tipo dentista dos filhos ou qualquer outro compromisso inesperado, volto ao escritório para adiar mais alguns compromissos da agenda.  Só quando volto para casa, consigo responder as mensagens de e-mail e tantas outras pendências que sobraram do dia. 
Quase nunca há tempo de partilhar a companhia dos filhos no sofá da sala e nos finais de semana, ritual parecido se repete.
Pra piorar, aquele sentimento de que há armários para se arrumar em casa, aquela torneira pingando para apertar, o carro para lavar e por aí vai.  E não dá tempo.  Nunca.  Pra nada.
Amo política e não tenho arrumado tempo de ir ao partido.  Gosto de militar em grupos ou pequenas “comunas”, mas não tenho tido tempo.
Preciso ler, cantar, sorrir, ver amigos, passear, FAZER EXERCÍCIOS e brincar com meus filhos.
Quando com 40 anos tive um AVC.  Um aviso do organismo para os perigos do estresse e uma segunda chance da vida.  Mas, passados sete anos, continua tudo igual.
Quando é que vou crescer?  Quando é que vou finalmente fazer o que é preciso dentro do tempo que disponho?
“...Assim correm todos os homens atrás do tempo, Senhor. Passam Correndo pela Terra. Apressados, atropelados, sobrecarregados, enlouquecidos, assoberbados.” – Diz Michel Quoist em seu poema. E vai além: “Nunca chegam, falta-lhes tempo. Apesar de todos os esforços, falta-lhes tempo. Falta-lhes mesmo muito tempo.”
Que doideira.  Queria ser jornalista, mas iniciei uma faculdade de direito.  Fiz o primeiro e segundo anos.  Abandonei e comecei de novo... Fiz o primeiro, o segundo e o terceiro de direito novamente... Abandonei de novo.  Só depois de velho me formei em Administração Pública.  Mas eu não queria jornalismo? Não foi falta de tempo, foi mau uso do tempo. 
Me tornei um “workaholic” pra correr atrás do atraso.  Mas deixei de lado toda a parte boa da vida.  É como alguém que devorando de forma sublime um osso, esqueceu-se da carne. 
Profissionalmente, financeiramente, agir assim fez a diferença.  Não dá nem pra aceitar que alguém chame de sorte, mas todas as oportunidades nos últimos seis anos foram agarradas à unha, com coragem, seriedade e comprometimento.  Mas e o restante?
Eu que não quero um outro aviso da vida, do corpo ou de quem quer que seja.  Quero por conta própria descobrir que o tempo foi feito para o Homem e não o Homem para o tempo.  
Quero definitivamente aprender que é preciso ter hora pra tudo e fazer tudo dentro da sua hora.
Preciso trabalhar nisso, dentro de mim.  
Quem sabe assim consigo concluir o poema como seu próprio autor.  
“Tenho tempo, Senhor.  Tenho todo o meu tempo.  Todo o tempo que me dás.  Os anos da minha vida, os dias dos meus anos, os minutos dos meus dias.  São todos meus, cabe-me a mim preenche-los, tranquilamente, calmamente... Mas preenche-los inteirinhos, até a borda.”





sábado, 17 de outubro de 2015

O Saber é pra ser saboreado.

O nobre governador do Estado de São Paulo está sendo foco de atenção por conta de uma lista de escolas a serem fechadas.
Isso me chamou muito a atenção.  Fui pesquisar a palavra SABER e descobri que sua origem é a mesma da palavra SABOR.  Daí pra frente foi fácil achar uma porção de opiniões sobre isso, inclusive refletir uma frase de alguém que afirma com correção insuperável: "O saber é para ser saboreado."
De imediato, o que fica são aqueles pensamentos que nos remetem para frases feitas, como "o saber é o alimento da alma" e por aí vai.
O fato mesmo é que se um governo não abre escolas durante sua gestão, isso é inadmissível.  Agora e fechar, seria o quê?
Em abandono constante, a Educação no Estado de São Paulo e ouso dizer, nos Estados onde governa o PSDB, está aos cacos.  Não se pode perdoar estes "tecnocratas" ou simplesmente inconsequentes.  Não têm e não terão meu voto jamais.
O que nossa gente precisa é se livrar de instrumentos manipuladores e alienadores.  E a melhor maneira de isso acontecer, com certeza, é fortalecer a base cultural e de saber da população.
Na vizinhança com o Dia dos Professores, o que desejo imprimir nesta página agora, nada mais é que minha indignação.
A Escola já é fraca.  Imagine o mesmo quadro negro, por vezes em má conservação, há mais de 200 anos.  As carteiras ruins e nada ergonômicas.  A iluminação precária e a climatização rara das salas de aula.  As paredes descascadas e se houver vasos, plantas mortas e machucadas.
Do ponto de vista humano, ainda mais precário.  Educadores e outros agentes relegados a aumentos tardios e defasados.  Sem aperfeiçoamento, "reciclagem" (esta palavra cabe mais ao lixo) ou proteção física.
E claro, nada supera a falta de inovação, de engenharias e tecnologias avançadas para as aulas prenderem a atenção dos alunos, cada ano mais exigentes e espertos.
Enquanto o mundo da informática avança a passos largos, os celulares se renovam a cada dia, os mecanismos de ensino permanecem estáticos há milênios.
Professores fazem mágica para obter a atenção dos alunos e sofrem agressões físicas, daqueles que estão agredidos definitivamente nas suas chances de um futuro melhor.
Ao invés de fazer esta discussão com responsabilidade, os governantes incompetentes e nada comprometidos com o progresso humano, preferem as louvações dos salões lotados que massageiam sua verdadeira vocação política, representada pela vaidade acima de qualquer limite.
Não haverá futuro para crianças e jovens, estas vítimas de um projeto que prevê o fim de 80% da sociedade.  E nós, que recorremos às ruas quando nos sentimos lesados (grevistas, anti-corrupção, em prol de alguma causa de vulto), quase sempre repudiamos estudantes e professores que, no mesmo sentido, pedem socorro do seu jeito, sendo barrados e agredidos por quem mais os devia proteger.
Um governo dos infernos, que faz o trabalho do mal, tendo por mal a condenação da humanidade à escuridão provocada pela falta do SABER, tirando-lhes completamente o SABOR pela vida e seus sonhos.

Contraditórios

I - Estes dias me deparei com uma pergunta muito cruel: "Não é incoerente um empresário se dizer comunista ou de esquerda?" ...