quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Papai Real





Texto do Prof. Jean Carlos
Gestor de Inteligência da
San Martin Franchising




No imaginário das crianças há espaço para diversos personagens que podem ir desde os invencíveis guerreiros japoneses até o lendário velhinho barbudo da longínqua Lapônia.
Perguntado pelo meu amigão se Papai Noel existe, respondi prontamente, sem medo de magoá-lo: "Certamente, que não!"
Não escondo a decepção que assolou o menino, bastava ver seus olhos quase lacrimejantes e a expressão de espanto.
Qual a razão de expor o assunto de forma tão objetiva? Questões religiosas a parte, sempre encontramos motivos para comemorar datas que, geralmente, são importantes para humanidade.
Procurei, então, como qualquer educador, ensejo para administrar o que considerei uma excelente oportunidade para mais uma aprendizagem.
Comecei por fazê-lo compreender que a figura de Noel é meramente exploratória, ou seja, o verdadeiro objetivo é impulsionar as vendas de final de ano garantindo, dessa maneira, um faturamento maior para os comerciantes.
O garoto ficou intrigado, saiu por alguns instantes e voltou com uma nova dúvida. Dessa vez, queria saber o porque de meias na janela, cartas de pedido e, sobretudo, o esforço em passar de ano - leia-se ir para o ciclo seguinte -.
Tudo invento, lorota de adulto para ludibriar a criança. Diante de tanta frieza o garoto literalmente surtou:
- Então como surgem os brinquedos na noite de Natal?
- Quem trás amigão, respondi, é o Papai Real.
- E quem é ele, perguntou.
Não dá para esquecer seu semblante quando fez esta última pergunta: suas sobrancelhas se aproximaram, os braços se afastaram como quem necessitasse de uma explicação para toda aquela loucura.
Ora campeão! Passei a descrever... Papai Real é aquele que quando você nasceu passou noites a fio ao seu lado, às vezes com um olho fechado e o outro aberto para ficar alerta caso precisa-se de algum cuidado.
Esse homem o conhece mais que qualquer outro, pois o acompanha desde os primeiros passos cambaleantes e os ensaios das primeiras palavras.
Resumindo, não mede consequências para atender, na medida do possível, um desejoso presente de sua parte.
Ah, disse com um sorriso sorrateiro, mas esse é você!
Sim - respondi - e o que você acha disso?
Ele pensou… pensou… e, finalmente, pôde concluir:
Bom, pelo ou menos você não mentiu para mim.
Somos professores e insistimos em propagar aos nossos pupilos a imagem do Papai Noel. Enfeitamos as escolas com bolas e mais bolas, via de regra com cores que não combinam em nada com o clima tropical de nosso país e, absurdamente, colocamos Noel permeando uma bela árvore que, comumente, também, não condiz com a magnífica variedade de espécies que o Brasil oferece.
Sejamos mais originais, os verdadeiros papais são os reais que acompanham as crianças todos os dias deixando-as e buscando-as na escola, labutando para pagar o material didático e, quando podem, a mensalidade de uma instituição particular.
Se quisermos construir cidadãos honestos, conscientes da realidade que os cercam, sem ideias mágicas de entradas triunfantes pela lareira, aproveitemos melhor o natal. Bom, de repente alguém pode retrucar que a "verdadeira história" as crianças vão aprender conforme crescerem.  Sinto informar que aí já é tarde demais, pois, a essa altura, já aprenderam a mentir.


                                                                                                                           

domingo, 11 de dezembro de 2016

Proteção que vale

Eu não estou bem certo de quando foi, mas sei que em meados de 2005 a 2006, por meio de nossa Corretora de Seguros, eu e Caroline, minha esposa e sócia, fizemos um levantamento junto as Polícias Militar e Civil, para sabermos a quantidade de residências invadidas em nossa cidade, São José do Rio Preto, durante um ano.
Ao chegar o resultado, nosso trabalho foi então dividir o total por 12 e depois novamente por 30, para termos real ideia de quantas residências, em média, eram invadidas por dia na cidade.
Faltam-me hoje detalhes para ser preciso, mas me lembro, se não estou muito enganado, que dava para apontar um registro aproximado de 3 a 4 ocorrências diárias.
Um verdadeiro susto, pois muito pouco ouvíamos notícias sobre isso.
Outra grande surpresa foi constatar que a maioria das invasões se davam durante o dia e nos dias de semana.  Isso indica que, enquanto as pessoas trabalhavam tranquilas, alguém que conhecia-lhes a rotina, aproveitava para furtar alguma coisa em suas casas desocupadas.
Fizemos então uma campanha de informação via panfletos e telefone e conseguimos alavancar a venda de muitos novos contratos de seguro residencial.
Claro, o seguro vai muito além de garantir a reposição dos prejuízos oriundos de um furto qualificado.  Há coberturas para incêndio, que também ocorrem.  Reparação de prejuízos por ocasião de vendavais, danos elétricos, queda de raio, desmoronamento, impacto de veículos e outros revezes.
Mas o apelo ao grandioso número de invasões, favoreceu bastante o convencimento das pessoas.
Hoje eu não tenho uma pesquisa destas nas mãos.  Uma pena.  Acho que devia voltar a faze-lo e talvez todos o devessem em suas respectivas cidades.  Mas não com objetivo meramente masoquista de se preocupar demasiadamente e sim como forma de fixar a importância de se ter um seguro completo para proteger o que temos dentro de nossas casas.
Gozado que o brasileiro não deixa de fazer o seguro do seu veículo, ou pelo menos consultar o preço, priorizando esse custo no próprio orçamento doméstico, o que está correto, mas deixando de lado algo muito mais importante que é sua residência.
Um seguro residencial fica extremamente barato, o que nem todo mundo sabe.
O valor a pagar é anual e se for dividido por 12 e depois por 30, veremos como moedinhas diárias podem garantir a reposição de grandes prejuízos.
Paralelas às coberturas básicas, o seguro residencial traz consigo as coberturas de Assistência Domiciliar que podem ainda garantir reparos elétricos, hidráulicos, serviços de chaveiro, conserto de eletrodomésticos das linhas branca e marrom, limpeza de caixa d'água e até atendimento aos "pets" do seu lar.
Esses serviços de assistência, por si só, valem o preço do seguro.  Eu mesmo não canso de sugerir aos meus clientes, logo após realizarem o seu contrato, para que peçam, assim que receberem a apólice, o serviço de limpeza da caixa d'água, que todo mundo devia repetir, no mínimo anualmente, mas que muitas vezes fica anos sem fazer.
Quando digo para alguém que é preciso pensar no seguro de residência, principalmente neste período de férias, no qual boa parte das casas ficam à mercê da sorte, costumo ouvir a resposta de que a casa tem alarme, cerca elétrica e cachorro bravo.
O fato é que, esses inibidores, além de deixarem o seguro mais barato, podem até evitar a invasão, mas caso ela ocorra, somente o seguro é capaz de recompor os prejuízos.
Pense nisso.


segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Meus 33 Motivos

O "olho que tudo vê"
Em 15 de dezembro de 2016 eu vou completar 27 anos desde minha iniciação na Maçonaria.
Estou, como dizem meus irmãos, "adormecido" desde 2003, mas sem descansar na minha busca constante pelo "desbaste da pedra bruta".
Estar adormecido, na linguagem maçônica, significa estar com a regularidade suspensa, ou seja, sem a obrigatoriedade da frequência às reuniões e o cumprimento de outras obrigações inerentes aos membros ativos.
Antes de ser iniciado numa das mais antigas fraternidades do mundo, eu fui iniciado na Ordem DeMolay e também na Rosacruz.  Logo mais vou detalhar um pouco cada uma destas "agremiações".
Acho pertinente fazer alguns comentários aqui até para me auto convencer dos verdadeiros motivos que me levaram a me filiar a estas "escolas herméticas".
O fato é que algumas coisas nos são natas e simplesmente não sabemos explicar como.
Eu vivi uma infância conturbada, com problemas para dormir e um terror que me visitava durante a noite.  Por conta disso, tornei a vida de meus pais e de meu irmão mais novo, um verdadeiro inferno, até perto dos 14 anos, acordando com gritos e muito pânico.
Isso me fazia enrolar o máximo para dormir e também a levantar, depois que todos se recolhiam para ficar acordado, com luz acesa, impedindo desta forma as surpresas horríveis de sempre.
Brasão do Clube do Fogo 
De positivo disso tudo, tiro minha paixão pela leitura, nascida em decorrência desta fuga.  Aos 12 anos, já tinha lido toda a coleção de Monteiro Lobato e muitos dos tomos da enciclopédia Trópico, que meu pai guardava em casa como troféu de sua antiga atuação como vendedor de livros.
Não foram raras as vezes que terminei as leituras, tomei banho e fui direto para a escola sem que ninguém em minha casa percebesse.
Uma outra estratégia que eu mantinha para combater o medo de dormir era convidar muitos amigos para pernoitarem em minha casa, costume que me acompanhou até a adolescência.  Com o quarto cheio de gente "viva", eu já não me assustava com minhas visões bizarras.
Desta feita, eu tinha muitos amigos e constantes em minha casa.
Aos 11 anos, eu e um deles, Alexandre Vítolo (não sei se ele me permite esta exposição tão grande), resolvemos criar um "clubinho" de crianças.
Juntando nossos demais amigos, o que incluía nossos irmãos, estabelecemos toda uma estrutura para o funcionamento do clube.  Ela era composta por uma certa ritualística.  Acendíamos uma vela, orávamos e abríamos os trabalhos.  A pauta era quase sempre a discussão de formas de aprender coisas novas conjuntamente, enfatizar em nós a prática de esportes e arrecadar fundos.  O clubinho, batizado de "clube do fogo", permaneceu ativo até por volta de nossos 14 anos.
Já nesta idade, a necessidade de arrumar trabalho, foi o ponto chave para o fim desta linda e saudável brincadeira de crianças que povoava nosso imaginário e arrebanhou muitos garotos nas diversas tarefas e eventos que realizamos.
Tínhamos um jornalzinho, uma tesouraria, uma secretaria, uma biblioteca e uma olimpíada (disputas esportivas) em todas as férias.  Trocávamos dicas literárias e nos ajudávamos mutuamente.
Jamais ouvira, até então, falar em maçonaria, rosacruz, demolay ou qualquer outra coisa parecida.
Anos mais tarde, esta necessidade de interagir me levou a participar ativamente em um grupo de jovens na Igreja Católica.  Esta foi uma experiência que recomendo a todos os jovens.  A vivência dentro de uma instituição religiosa com objetivos concretos ajuda muito na construção do caráter. Tive muita sorte, é verdade, pois a paróquia que frequentava era dirigida por missionários combonianos, bastante progressistas e de pensamento avançado. Foi lá que o "esquerdismo" começou a ser construído em mim e embora sofresse alguns baques no futuro, jamais perdi o princípio norteador do pensamento humanista que me é caro e precioso até hoje.
Jovem DeMolay realizando a cerimônia das luzes
Desencantado, mais adiante, pelas limitações da militância católica, fiquei sabendo, por um amigo, da existência da Ordem DeMolay.  Instituição paramaçônica para jovens, constituía-se em um grupo de estudos e alguma prática com vistas na formação do caráter.  Após me informar bem sobre ela, fui aceito e iniciado.  Pronto, misteriosamente, embora adolescente, eu estava agora envolto a um "clube do fogo" bastante melhorado.  As reuniões (cerimônias) ocorriam dentro de templos maçônicos, que eu jamais conhecera no passado, mas que incrivelmente me eram familiares.
Entre os meus irmãos DeMolay, aprendi a cultivar as 7 virtudes cardeais, compostas pelas luzes do Amor Filial, Reverência pelas Coisas Sagradas, Cortesia, Companheirismo, Fidelidade, Pureza e Patriotismo.  Éramos cobrados na manutenção de um comportamento que exaltasse estes "bons modos".  Fui o único a ser iniciado sem o consentimento da mãe, regra "sine qua non" para ser aceito.
Eu com vestimenta DeMolay
Exerci ali, nesta irmandade, o máximo que pude em termos de serviços, vindo a ocupar inclusive o cargo de Mestre Conselheiro (um tipo de dirigente) no meu capítulo (nome dado a um grupo determinado).  Mais tarde, a convite de outro amigo, Gláucio Sancho, uma autoridade na Ordem, passei a ser o primeiro secretário estadual para o Estado de São Paulo, cargo recém criado naquela altura.
Fiquei espantado ao ver o tamanho desta fraternidade e sua abrangência por todo o globo.  Ligada à maçonaria, meu interesse começou a pender para lá.  Era preciso, contudo, ter 21 anos completos, o que não era meu caso.
Porém, em uma viagem ao Rio de Janeiro, a serviço da ordem DeMolay, fui apresentado ao mundo rosacruz por alguns meninos do capítulo da Capital Carioca.  A AMORC - Antiga e Mística Ordem Rosacruz era ainda mais intrigante.  Estudos mais profundos me fizeram aprender estranhas meditações, que mudaram, de certo modo, minha conduta com relação a visão de mundo.  Algo novo passou a me chamar a atenção: o universo das dimensões, do alcance da mente e da física em suas manifestações diversas.  Minha iniciação nesta Ordem mística se deu, a princípio, na condição de praticar "em casa" os ensinamentos.  Escondido de minha mãe, que jamais aprovara minha iniciação ao DeMolay, muitas vezes exagerei nas experiências, algumas das quais fantásticas.  Mas, jamais me arrependi do que aprendi nas monografias que recebia pelos correios.
Rosacruz - AMORC
Se a forma como conheci o DeMolay e a Rosacruz foram estranhamente coincidentes com minha "brincadeira de criança", o Clube do Fogo, as coincidências não parariam por aí.  Mais tarde eu abriria uma empresa, ativa até hoje, chamada de San Martin, de certa forma uma alusão a Luois-Claude de Saint-Martin que fundou, no século 18, a Tradicional Ordem Martinista (TOM), baseada no misticismo judaico-cristão.  Os martinistas são um braço forte da Rosacruz e estudam a relação entre o Homem, Deus e o Universo.  A finalidade deste grupo é a realização pessoal do seu membro e o transbordo desta realização para a humanidade.  A maneira e os motivos pelos quais escolhi o nome da empresa, o que relutei muito, surpreende. Mas esta é outra história.
Paralelamente ao tempo em que estive ativo na Rosacruz, fui iniciado na Loja Simbólica Doze de Novembro, afiliada à Grande Loja Maçônica do Estado de São Paulo.  Meu padrinho (aquele que nos apresenta e se compromete com nosso desenvolvimento na maçonaria) era um grande amigo, advogado e político cujo filho mais novo havia sido membro do Clube do Fogo durante a infância. Detalhe, jamais eu e ele falamos sobre maçonaria antes que eu o convidasse também a ser um DeMolay.  Até me tornar DeMolay eu não tinha ideia do que se fazia na maçonaria, ou sequer como era por dentro e por fora.
Templo Maçônico
Enquanto maçom, cursando a faculdade de direito e pagando-a com dificuldade, a frequência em loja (nome dado ao local onde os maçons se reúnem) estava impossível e após alcançar o grau de Mestre Maçom, pedi meu desligamento (quite placet) revertido em 1998 quando com alguns irmãos fundamos a loja Aprendizes do Terceiro Milênio, na mesma cidade.
Minha conduta em loja sempre foi muito polêmica, pois valorizava a discussão de assuntos que julgava pertinentes ao maçom, como protestar pelos testes nucleares da França no Atol Moruroa em 1996 além de discutir sobre os desmandos praticados por governantes federais, estaduais e municipais.  Militante político, eu era o terror nos instantes em que a palavra me era franqueada.
Hoje estou mais comedido, por acreditar que estes debates precisam ter foros mais qualificados.
Explicar a Maçonaria não é tão fácil, pois suas origens são discutíveis.  Há quem defenda seu surgimento entre os hebreus que mais tarde chegaram ao povo que participou da construção do Templo de Salomão.  Outros afirmam sem dúvidas o seu surgimento na Idade Média, como uma forma de auxiliar a instrução dos pedreiros, cuja filosofia, astronomia e outras artes eram inalcançáveis.  Independente de qual seja a verdade, o nome, pelo menos, proveio desta época. Mason é o termo inglês utilizado para o operário que trabalha na "masonry" (alvenaria) que envolve tijolos e argamassa.
Esquadro e Compasso - Simbolo Maçônico
Subdividida em potências e ritos, esta "escola exotérica" está espalhada por todo o planeta.  É dividida em graus, nos quais se medem as instruções dos seus membros nos conhecimentos ali partilhados. Os simbólicos são 3 e os filosóficos são 30.  Na soma, pode-se dizer que o final da escada é o grau 33.  Pelo menos no Rito Escocês, do qual minhas duas lojas fazem parte.
Seus símbolos servem para fixar os ensinamentos contidos em seu ritual, envolto em muita sabedoria e tradição.  O principal é a junção do esquadro e compasso que lembram o maçom de seu dever de controlar as paixões humanas, mantendo-as nos seus limites.
A maçonaria não é uma religião, tampouco eu a definiria como uma seita.  Mas é fundamental a crença num ser criador, que originou todas as coisas, chamado de GADU (Grande Arquiteto do Universo).
A todo instante, o maçom é lembrado da sua condição de mortal, ao mesmo tempo que exalta a imortalidade da alma.
A simbologia ainda está na arquitetura de seus templos, vestimentas de trabalho e outras alegorias utilizadas durante as reuniões secretas.
Ao mesmo tempo que se reputa aos maçons a defesa ardorosa das liberdades (principais artífices do fim da escravatura e das lutas pela independência de algumas nações), há quem acuse os maçons de satanistas, ou praticantes das artes das trevas.
O misticismo que a envolve foi o ponto alto de minha atenção que ali encontrou explicações e algum aconchego para o terror da infância insone.



As peripécias de Baía - Remanescências de Carlos Alberto Gomes (Gomes de Castro)

As peripécias de Baía.                 "É desnecessário que se diga o porquê do apelido desse rapaz. Muito pouco crédito se de...