sábado, 27 de fevereiro de 2010

Opiniões - A amizade Prevalece sobre as Diferenças de Opinião


Eu respeito demais os meus amigos. Espero que saibam disso. E tenho amigos que pensam muito diferente de mim. Discutir, debater é sempre salutar.
Hoje, por exemplo, comentei com um deles o quanto me aborrecia por certas atitudes de legisladores que fazem média com certos grupos, criando o dia disso, o dia daquilo ou então onerando aos cofres públicos com homenagens e gracejos.
Eu mesmo já fui homenageado na Câmara Municipal e embora agradeça, não acho muito justo que a população pague por isso, seja pela conta de luz ou pela placa linda e comovente que recebi e guardo com orgulho.
Ele me contava de um Deputado Estadual que instituia o Dia Estadual das Filhas de Jó. Dia desses, um Deputado Federal instituiu também o Dia Nacional do DeMolay. Eu que sou iniciado na Maçonaria e a ela cheguei pela Ordem DeMolay, devia ficar honrado, mas fico, ao contrário, pensando no que isso tem de relevante para aquela população que sofre o desgaste de tanto imposto e trabalho duro para sustentar este tipo de atitude.
Mas tudo bem. Continuo respeitando os amigos e os querendo sempre muito bem. Até porque a culpa disto não é deles.
Diariamente, recebo e-mails e mensagens falando isso ou aquilo, deste ou daquele ente político, até porque sou mesmo muito enfronhado nestas questões.
Ao invés de discutir e brigar, simplesmente "viro a página" para não perder a simpatia de um ou outro remetente, enquanto o sangue me fervilha na cabeça.
Contudo, estamos caminhando para as eleições e a partir de agora meu compromisso com os principios políticos que movem minha conduta, falarão mais alto.
Fico com medo até de abrir e-mails. Mas tenho que fazê-lo e defender meu ponto de vista. Talvez, como disse o grande imperador-filósofo Marco Aurélio, "mudar rápido de opinião quando provado meu erro ou equívoco". E tenho humildade necessária para isso.
Mas também tenho que batalhar naquilo que acredito e começo a fazer, desde já, uma grande reflexão neste sentido.
E pra encurtar e iniciar a mesma, deixo aqui apenas uma pergunta e prometo que continuo mais tarde: Por que alguns protagonistas da resistência anti-ditadura militar de nosso país são chamados de terroristas enquanto outros doutores? E porque estes últimos (doutores) têm mais legitimidade de governar do aqueles (terroristas)? Será que fui claro?
As próximas perguntas, juro, serão mais simples.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Filme de Terror


Os vereadores Marco Antônio Rillo e Pedro Roberto Gomes, com certeza os melhores desta legislatura, merecem os meus cumprimentos.
Em primeiro lugar pelo trabalho sério que realizam e pela marcação contundente em prol da ética no nosso Legislativo Municipal.
Por conta disso, são constantemente perseguidos e acusados por seus pares. Por si só, ao olharmos para os acusadores, fica mais nítida a certeza do bom comportamento destes dois edis que falam o que pensam sempre, sem medo, sem médias e sem barganhas.
O que ocorre no plenário constantemente, prova como funciona mal o Legislativo no município, em que se boicotam projetos por conta de pendengas pessoais ou simplesmente por serem oriundos de alguns desafetos e muito pouco pela iniciativa ou mérito dos mesmos.
O caso específico da CEI que investiga o caso do assessor de Pedro Roberto é talvez o mais nítido exemplo.
Nesta tarde, tive a oportunidade de presenciar a humilhação sofrida por um trabalhador reconhecidamente honesto como Francisco Eldes, exposto diante de todos para justificar seu estágio numa faculdade de direito, numa tentativa lutadora de crescer como pessoa e que contou com o apoio de seu "chefe" e vereador que o autorizou, contrariando a "ética" formal da Câmara Municipal, num acordo de compensação de horas.
Sempre que precisei de Francisco Eldes, o encontrei na Câmara. Acredito que os próprios colegas atestam em seu favor. Diferente de tantos outros assessores com quem tive amizade ao longo de anos de militância política e que sabidamente exerciam suas atividades em vários pontos da cidade. E se estivessem fazendo um estágio? Uma compra no supermercado para sua casa? Uma consulta médica sem atestado? Claro, estariam errados... mas quem o saberia?
Não quero justificar o erro de um, com os erros de outros, mas já houve casos gritantes na Câmara de funcionários fantasmas... que jamais compareciam e com conhecimento dos responsáveis.
Se eu fosse nosso Bispo, talvez não emitiria um manifesto, como fez Dom Paulo. Penso que "dar bola" para esse excesso de perseguição é ainda pior do que simplesmente ignorá-lo. Mas se até ele se sentiu incomodado, acredito que a opinião pública em geral saberá o que está acontecendo de verdade e fará, no final, um justo julgamento.
E de uma vez por todas, que não se confunda deslizes de formalidade com atos dolosos de má fé, mau uso do dinheiro público ou esperteza, o que sem dúvida, não foi o caso.
Eu que tantas vezes escrevi artigos, cartinhas a jornais... eu que tantas vezes participei de encontros sérios e debates provocadores enquanto membro do inesquecível GEAPOL, não poderia ficar calado diante deste trágico e cômico episódio.

Salve o Corinthians


Meu time estreou na Libertadores.
E estreou bonito. Jogou direitinho e até ganhou de 2 a 1.
Eu não tinha como não ser corinthiano...
O primeiro motivo foi que, em sua reunião de fundação, um dos primeiros nomes cogitados para o time foi "Carlos Gomes", em homenagem ao compositor de "O Guarany". Aliás é também o meu nome e o nome de meu pai.
O outro importante motivo é a origem operária do time que nasceu de um grupo no Bom Retiro em São Paulo.
Junte-se a isso o fato ter o símbolo mais bonito do futebol, a torcida ser conhecida como "fiel", o símbolo da mesma ser um lindo "gavião", dentre tantas outras coisas relacionadas a esta verdadeira nação dentro da nação brasileira.
Espero que faça bonito neste centenário e que possamos comemorar com grande alegria esta data gloriosa do "timão".

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Avatar, o Imperialismo e o pauperismo no século XXI




“A expansão é tudo. Se eu pudesse, anexaria os planetas.” (Cecil Rhodes, 1895)

Falava o milionário Cecil Rhodes, em 1895, que para salvar os 40 milhões de habitantes do Reino Unido de uma mortífera guerra civil os políticos imperialistas deveriam apoderar-se de novos territórios para enviar o excedente da população. “O império, sempre tenho dito, é uma questão de estômago. Se quereis evitar a guerra civil, deveis tornar-vos imperialistas.” E assim de 1850 até a Primeira Guerra Mundial, mais de 40 milhões de pessoas foram “exportadas” da Europa, o que equivaleu mais de ¼ da força de trabalho. Hoje, esta solução, parece não ser mais possível. Quem assistiu ao filme Avatar percebeu como os EUA são cientes das suas ações imperialistas no mundo. Seria Pandora a região amazônica? Seriam Oaxaca e Chiapas no México? Na realidade, estamos, neste século, diante de novos desafios e de velhos dilemas. Ao velho dilema pauperismo a sociologia chama de “exclusão social”. Antes, na década de 1970, intelectuais brasileiros entendiam que a “exclusão social” constituía, de fato, um grande exército de reserva de força de trabalho. Este exército disponível era funcional e vital para o processo de acumulação de capital. Francisco de Oliveira (1976) e Lúcio Kowarick (1975), por exemplo, compreendiam a “marginalidade social” como uma forma peculiar de inserção da população na divisão social do trabalho. As economias pré-industriais da América Latina - em sua grande maioria- foram geradas pela expansão do capitalismo mundial. Constituíam uma espécie de reserva de "acumulação primitiva" do sistema econômico global. O "subdesenvolvimento", ou seja, o pauperismo era entendido como um problema histórico que estava diretamente relacionado com a dependência econômica e política, submissão dos países periféricos à acumulação imperialista do capital mundial. No Brasil, por exemplo, as lutas reformistas e desenvolvimentistas foram derrotadas. E o imperialismo - o processo de acumulação de capital por meio da expropriação da força de trabalho, destruição da terra e dos recursos naturais - avança no século XXI de uma forma avassaladora (Arrighi, G. 2008). Os 57% dos trabalhadores da América Latina, os 40% da Ásia e os 90% da África que estão no chamado "mercado informal" não podem ser chamados de exército de reserva; uma vez "excluídos" já não são reservas de nada, não há um sistema econômico capaz de absorver essa grandeza de desempregados (Davis, M. 2006). Esses seres humanos são “inúteis para o mundo” capitalista, são "inempregáveis"; a política de Renda Mínima de Inserção Social não é capaz de resolver o desemprego estrutural na França (Castel, Robert, 1998). E mesmo assim a generalização do progresso capitalista dos países centrais é impossível, a natureza seria destruída várias vezes. O Observatório Urbano das Nações Unidas (ONU) alerta que em 2020 a pobreza no mundo atingirá aproximadamente 45% do total dos habitantes das cidades. Os "Planos de Ajustes Estrutural", a acumulação financeira e a automação dos processos produtivos têm, de fato, jogado a maioria da força de trabalho mundial no desemprego, o que aumenta os seres humanos que vivem estagnados no "inferno da indigência". Como dizia K. Marx (1980), o pauperismo constitui o asilo dos inválidos da população ativa e o peso morto do exército industrial de reserva, as mesmas causas que aumentam a força expansiva do capital e a riqueza ampliam a força de trabalho excedente, esta é a "Lei Geral e Absoluta" da incessante acumulação capitalista. Portanto, como superar, no século XXI, o pauperismo mundial sem destruir o planeta terra? Será suficiente a gestão da pobreza via política compensatória “sócio-neoliberal”? A bolsa-família, a “ideologia do empreendorismo” e da “economia solidária” responderão, de fato, ao desemprego estrutural? Segundo a Organização Internacional do Trabalho a crise estrutural do capitalismo mundial adicionará 50 milhões de seres humanos aos 190 milhões de desempregados existentes. É possível construir no mundo a cidadania e realizar a fraternidade, igualdade e liberdade? O que fazer para superar o pauperismo?
Felipe Luiz Gomes e Silva

Foram sem nunca ter sido...


Se eu fosse um dos "milionários" do bolão que não foi apostado, ou já teria enfartado ou neste momento estaria contratando o melhor advogado do Brasil para responsabilizar a Caixa Econômica que precisa selecionar melhor seus representantes ou assumir pela irresponsabilidade dos mesmos.
Alguém tem que arcar com esse prejuízo moral e emocional desta gente, sem contar no financeiro...
Pôxa... mas logo abaixo estou falando mal do acúmulo... Bem... Como eu disse: "Se eu fosse..." hehehe

Campanha da Fraternidade - Economia e Vida


Se eu pudesse cumprimentaria pessoalmente aos idealizadores ou pessoas que optaram pelo tema escolhido este ano para a Campanha da Fraternidade.
Não que não encontre importância na discussão sobre o problema das minorias, da ecologia ou outros já abordados. Mas a reflexão em cima da economia, fonte primeira de todos os problemas sociais e no Mundo todo, me parece ser mais eficaz.
No combate ao consumismo idiota e ao acúmulo irresponsável, um comprometimento dos cristãos.
Parabéns.

Argentina x Inglaterra


O Camarada Professor Felipe Silva enviou-me texto abaixo que acho interessante divulgar no Blog.
Aliás, vale dizer que eu era bastante jovem, se não me engano em torno de 1985, e houve uma grande discussão entre Argentina e Inglaterra quanto ao domínio das Ilhas.
Hoje, vemos o assunto voltar à pauta. Felizmente o Governo brasileiro toma uma posição e bastante adequada, diga-se de passagem.
Justifica que o imperialismo britânico continue a vigorar em pleno século XXI neste formato ultrapassado?
Segue o texto:



Colonialismo e soberania
Gilson Caroni Filho, Jornal do Brasil - 18.02.2010

RIO - A política internacional costuma ser uma estranha combinação de dramaticidade e de tédio, deslocando-se de uma excitante promessa de mudança para uma triste perspectiva de monotonia. De forma recorrente, trafega-se de conhecidas petições sobre “sinceros desejos de uma nova ordem mundial sustentável" para reiterações de hegemonismos e Destinos Manifestos. Enquanto analistas buscam fornecer conceitos atualizados de Estado e soberania, a realidade continua sendo moldada pelo antigo conceito de imperialismo: aquele que era definido como expressão de uma fase monopolista do capital.

A decisão do governo britânico de explorar petróleo e gás nas Ilhas Malvinas, reavivando tensões entre a Argentina e o Reino Unido, 28 anos depois da guerra travada entre os dois países por esse arquipélago do Atlântico Sul, reafirma o léxico colonialista que faz tábua rasa das resoluções da ONU. A conhecida virulência do antigo império, sempre amparado no apoio dos Estados Unidos, não afronta apenas o povo argentino. Para além das fortes evidências de uma rica província de hidrocarbonetos na região, o que está em xeque é a soberania da América Latina. Elaborar estratégia para a defesa de suas riquezas energéticas, como o pré-sal brasileiro, é imperativo e inadiável.

Como denunciou a presidente Cristina Kirchner, “não é aceitável que as regras do mundo não sejam iguais para todos. As Nações Unidas podem tomar medidas, inclusive de força, contra países que não cumprem certas normas, mas quando são os poderosos que não as cumprem, nada acontece. A permanência de um enclave colonial não tem sentido". Afirmar que tudo não passa de “um assunto de política interna tanto para Cristina quanto para Gordon Brown" é jogar cortina de fumaça sobre questões mais profundas. Trata-se de, agindo com má-fé, estabelecer paralelos equivocados entre o passado e o presente.

Se, em 1982, o desespero foi o conselheiro que inspirou a ditadura militar a um salto no vazio, isto é, a ocupação das Malvinas, o que hoje move o governo argentino é a preservação de um espaço político soberano. Não há um general Galtieri tentando abrir um caminho para escapar do beco sem saída, mas uma presidente eleita reivindicando legítimos direitos nacionais. Um país renascido diante da recuperação de suas liberdades e consciente da importância da autodeterminação.

Não há solução de meio-termo quando a ofensiva imperialista não esconde mais seus objetivos. O golpe em Honduras, a ofensiva dos grandes proprietários na Argentina, a ação desestabilizadora da direita paraguaia, e as bases militares na Colômbia e no Panamá são fatos por demais suficientes para afastar a perigosa inércia analítica. Aquela que ignora, entre outras coisas, a crescente militarização das relações dos Estados Unidos com a América Latina.

As Ilhas Malvinas e suas adjacências são argentinas. Devem ser descolonizadas e reintegradas ao país. Têm que ser liberadas da ocupação estrangeira que se propõe a explorar suas riquezas e, provavelmente, instalar bases militares apontando para toda a América Latina e seu projeto de integração regional.

A luta deve prosseguir no plano político, diplomático, e em todos os terrenos apropriados, até a definitiva recuperação do arquipélago. È preciso afrontar todas as responsabilidades exigidas para o cumprimento de um programa de ação democrática e antiimperialista.

Não nos iludamos. Os piratas ingleses fazem parte de uma missão precursora no Atlântico Sul. A gravidade da situação obriga a coordenação no esforço de todos os partidos democráticos e populares para uma ação em conjunto com as correntes militares dispostas a não abdicar na luta contra o colonialismo.


Leia mais em nossa página na internet:
www.casadaamericalatina.org.br

Blog do Brizola Neto



Ultimamente eu tenho sido muito feliz nas coisas que encontro na net. Ao lado, aqui no blog, já criei uma coluna especial com o nome de "visite e acompanhe" para partilhar com os amigos e visitantes.
Hoje, acrescentei o blog Tijolaço do neto do inesquecível Leonel Brizola. Interessantes as dicussões ali veiculadas.
É legal visitar e conferir.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Opinião Oportuna


Recebi a opinião abaixo do amigo Airton Bueno...
Velho companheiro de lutas.


Os exemplos de malfeitorias cometidas por deputados federais, senadores, governadores e funcionários, bem como por deputados estaduais, prefeitos e vereadores de todo o país, desgastam a confiança do público em relação às instituições parlamentares. É crescente a quantidade de pessoas que perguntam para quê votar.



O Brasil já não é mais considerado país emergente, mas de economia estabilizada e forte...apesar dos políticos.



Para se manter e evoluir nessa condição, a saída será pela educação, quem sabe possamos ter no futuro cidadãos conscientes de seus direitos e de seus deveres, politicos voltados ao bem comum dando condições de levar o pobre à prosperidade, então, assimchegamos ao começo de uma nova nação.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Carnaval


Eu já gostei muito de carnaval. Jà até passei dos limites, um pouquinho.
Lembro de um, no qual bebi um pouco além da conta e provavelmente dei vexame no clube. Era muito novo, talvez uns vinte aninhos... Tudo era perdoável. Encontrei por lá alguns amigos de meus pais, maçons (eu era DeMolay), clientes do escritório onde trabalhava, pessoas da Igreja (eu ministrava catequese)...
Contradições que já carregamos desde a juventude.
Mas hoje não consigo mais gostar das festividades carnavalescas.
Talvez o excesso provocado pela propaganda da Globeleza que já começa no dia 2 de janeiro. As constantes apresentações das escolas de Samba na TV meses antes, dando um brinde do que será seu enredo.
Ou então e simplesmente, pelo aproveitamento das pessoas em empurrar tudo com a barriga para "depois do carnaval". Funciona assim com meus clientes: "Não Carlos, vamos deixar para depois do Carnaval".
Um outro e muito forte motivo para eu não gostar da festa de Momo, talvez ainda seja o fim das marchinhas. No último baile de carnaval que fui com minha mulher, há uns 6 ou 7 anos, não ouvimos uma sequer. Axé, pagodes e funks definitivamente não são música de carnaval. Admite-se o frevo, um pouco pelo menos, mas nunca todo o resto em substituição às velhas e tradicionais marchinhas que vão de "Oh jardineira..." à "Mamãe eu quero...".
Não bastasse isso, vi com outros associados, o fim de meu velho clube de adolescência. Meu pai tinha um título super antigo, cujo número pequeno me orgulhava. O Palestra, ícone dos carnavais que atraía meus primos da capital com ótimas bandas, também era o "tcham" de amigos do Automóvel e do Monte Líbano, que pelo menos uma das noites queriam "pular" comigo no "maior carnaval da cidade". Idos tempos... Quantos convites não ajudei a vender para permiti-lo.
Pode ser que eu esteja fantasiando tudo isso. Quando a gente envelhece, acaba por idealizar coisas que nunca existiram, como: os políticos de antes eram honestos, os alunos prestavam atenção às aulas, os jovens respeitavam os idosos, ninguém jogava papel nas ruas etc.
E é triste ver que a festa é popular, ganha as ruas e as multidões do mundo todo e eu, aqui mesmo, na capital do samba, sequer ligo a TV convencional para ver o desfile do que seriam minhas escolas preferidas, a Gaviões da Fiel em São Paulo e a Beija Flor do Rio que conheci quando menino em desfile quase exclusivo na cidade vizinha de Mirassol e mais tarde pude rever no Barra Shopping no próprio Rio de Janeiro, quando lá estive.
É quem sabe, gostar de novo, só no outro carnaval.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

De novo as Câmaras Municipais

Um amigo me informou ontem que está disposto a empenhar-se comigo na cobrança do legislativo municipal de uma pequena cidade da qual fazemos parte.
É que contei a ele sobre a "prestação de contas" que recebi e que levei a público no blog há alguns dias.
Ficou horrorizado, como aliás ficariam todos quantos fizessem uma avaliação crítica sobre o caso.
O fato é que há gente pregando a desnecessidade do legislativo no âmbito geral, o que me espanta, sendo este o poder mais importante ao meu ver.
Responsáveis pela maioria dos casos de corrupção levados a público, vereadores, deputados e senadores irresponsáveis e desonestos acabam por sujar a imagem destas instituições.
Como sempre sonhei em atuar no parlamento, este tipo de coisa me fere profundamente n'alma.
Enfim, gostaria de saber que todos os cidadãos acompanham suas Câmaras.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Caetano e Rita


O texto abaixo não me pertence, mas trouxe de um blog para levantar discussão:

http://blogdaamazonia.blog.terra.com.br/2010/01/31/caetano-veloso-e-rita-lee-ofenderam-o-povo-com-preconceito-a-lula-e-marina-silva/

AI MEU DEUS!/ O que foi que aconteceu/ Com a música popular brasileira”?

Há pouco, Caetano Veloso descartou do seu horizonte eleitoral o presidente Lula da Silva, justificando: “Lula é analfabeto”. Por isso, o cantor baiano aderiu à candidatura da senadora Marina da Silva, que tem diploma universitário. Agora, vem a roqueira Rita Lee dizendo que nem assim vota em Marina para presidente, “porque ela tem cara de quem está com fome”.

Os Silva não têm saída: se correr o Caetano pega, se ficar a Rita come.

Tais declarações são espantosas, porque foram feitas não por pistoleiros truculentos, mas por dois artistas refinados, sensíveis e contestadores, cujas músicas nos embalam e nos ajudam a compreender a aventura da existência humana. Num país dominado durante cinco séculos por bacharéis cevados, roliços e enxudiosos, eles naturalizaram o canudo de papel e a banha como requisitos indispensáveis ao exercício de governar, para o qual os Silva, por serem iletrados e subnutridos, estariam despreparados.

Caetano Veloso e Rita Lee foram levianos, deselegantes e preconceituosos. Ofenderam o povo brasileiro, que abriga, afinal, uma multidão de silvas famélicos e desescolarizados. De um lado, reforçam a idéia burra e cartorial de que o saber só existe se for sacramentado pela escola e que tal saber é condição sine qua non para o exercício do poder. De outro, pecam querendo nos fazer acreditar que quem está com fome carece de qualidades para o exercício da representação política. A rainha do rock, debochada, irreverente e crítica, a quem todos admiramos, dessa vez pisou na bola. Feio.

“Venenosa! Êh êh êh êh êh!/ Erva venenosa, êh êh êh êh êh!/ É pior do que cobra cascavel/ O seu veneno é cruel…/ Deus do céu!/ Como ela é maldosa!”.

Nenhum dos dois - nem Caetano, nem Rita - têm tutano para entender esse Brasil profundo que os silvas representam.

A senadora Marina da Silva tem mesmo cara de quem está com fome? Ou se trata de um preconceito de roqueira, que só vê desnutrição ali onde nós vemos uma beleza frágil e sofrida de Frida Kahlo, com seu cabelo amarrado em um coque, seus vestidos longos e seu inevitável xale? Talvez Rita Lee tenha razão em ver fome na cara de Marina, mas se trata de uma fome plural, cuja geografia precisa ser delineada. Se for fome, é fome de quê?

O mapa da fome

A primeira fome de Marina é, efetivamente, fome de comida, fome que roeu sua infância de menina seringueira, quando comeu a macaxeira que o capiroto ralou. Traz em seu rosto as marcas da pobreza, de uma fome crônica que nasceu com ela na colocação de Breu Velho, dentro do Seringal Bagaço, no Acre. Órfã da mãe ainda menina, acordava de madrugada, andava quilômetros para cortar seringa, fazia roça, remava, carregava água, pescava e até caçava. Três de seus irmãos não agüentaram e acabaram aumentando o alto índice de mortalidade infantil.

Com seus 53 quilos atuais, a segunda fome de Marina é dos alimentos que, mesmo agora, com salário de senadora, não pode usufruir: carne vermelha, frutos do mar, lactose, condimentos e uma longa lista de uma rigorosa dieta prescrita pelos médicos, em razão de doenças contraídas quando cortava seringa no meio da floresta. Aos seis anos, ela teve o sangue contaminado por mercúrio. Contraiu cinco malárias, três hepatites e uma leishmaniose.

A fome de conhecimentos é a terceira fome de Marina. Não havia escolas no seringal. Ela adquiriu os saberes da floresta através da experiência e do mundo mágico da oralidade. Quando contraiu hepatite, aos 16 anos, foi para a cidade em busca de tratamento médico e aí mitigou o apetite por novos saberes nas aulas do Mobral e no curso de Educação Integrada, onde aprendeu a ler e escrever. Fez os supletivos de 1º e 2º graus e depois o vestibular para o Curso de História da Universidade Federal do Acre, trabalhando como empregada doméstica, lavando roupa, cozinhando, faxinando.

Fome e sede de justiça: essa é sua quarta fome. Para saciá-la, militou nas Comunidades Eclesiais de Base, na associação de moradores de seu bairro, no movimento estudantil e sindical. Junto com Chico Mendes, fundou a CUT no Acre e depois ajudou a construir o PT. Exerceu dois mandatos de vereadora em Rio Branco, quando devolveu o dinheiro das mordomias legais, mas escandalosas, forçando os demais vereadores a fazerem o mesmo. Elegeu-se deputada estadual e depois senadora, também por dois mandatos, defendendo os índios, os trabalhadores rurais e os povos da floresta.

José Bessa Freire, no Blog da Amazônia.


 

Contraditórios

I - Estes dias me deparei com uma pergunta muito cruel: "Não é incoerente um empresário se dizer comunista ou de esquerda?" ...