domingo, 30 de novembro de 2008

Operação Satiagraha


Deflagrada em julho passado, a Operação Satiagraha coloca em evidência o nome do Delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz. Foi ele quem efetuou a prisão de Paulo Maluf, Law Chong (contrabandista), Daniel Dantas, Naji Nahas e Celso Pitta.
Aliás, vale lembrar que Dantas foi preso duas vezes por ordem do Juiz Federal Fausto de Sanctis e nas duas vezes liberado pelo presidente do Supremo, Gilmar Mendes.
Protógenes está enfrentando com bastante coragem o STF, a própria cúpula da Polícia Federal, o Ministro da Justiça e mesmo a falta de clareza com que o assunto é apresentado na "grande" mídia.
De investigador e acusador, Protógenes é agora investigado. Tudo isso sob alegação de métodos ilegais de investigação.
Como fica a cabeça do brasileiro que vê os envolvidos em caso de corrupção soltos e o delegado e juiz que determinaram sua prisão, perseguidos?
Para entender mais o caso, visite os seguintes links:
http://blogdoprotogenes.com.br/?page_id=3
http://www.estadao.com.br/nacional/not_nac273125,0.htm

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Impunidade


Esta semana termina com algumas coisas ruíns no campo da justiça. Um Secretário Municipal de São José do Rio Preto, aparentemente desviou materiais e funcionários públicos para a construção de uma obra em sua chácara particular. Um vereador da mesma cidade, há um bom tempo, vem mantendo um assessor "fantasma" em seu gabinete custeado com dinheiro público. Pra terminar com chave de ouro, um promotor que matou um rapaz com 12 tiros, julgado pelos seus, foi absolvido.
Ao mesmo tempo, depositários infiéis que precisaram salvar suas vidas, foram presos por quantias como R$ 150,00 e R$ 10.000,00 enquanto grandes empresários e banqueiros são ajudados com bilhões de dólares e reais no Brasil e exterior.
Em Santa Catarina, saqueadores famintos foram chamados de bandidos por um jornalista da TV em programa matutino.
Gente... é muito pra cabeça... Dá pra ficar calado?

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Socorro aos irmãos do sul...

Colabore com o querido povo de Santa Catarina.
Há uma conta para depósito de doações no Banco do Brasil - agência 3582-3 e cc. 8000-7.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Vigilante



Eu queria cumprimentar aqui o trabalho vigilante e sério daquele em quem votei para vereador nas últimas eleições.
Pedro Roberto tem feito um trabalho muito interessante e sou feliz por ter depositado minha confiança em um homem como ele.
Pedro e sua equipe, honram o eleitor consciente, mesmo aquele que não votando nele, espera compromisso e seriedade dos Homens públicos.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

As Verdades sobre a Classe Média

Este vídeo mostra com bastante objetividade, como se manifesta o pensamento da classe média brasileira. Igualmente, revela porque ela não contribui para as grandes lutas. A "pequena burguesia" que na verdade "deixa como tá, pra ver como é que fica"... Espero que gostem.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Salário contra dividendos



Michel Husson
do Golias Hebdo

As liquidações de hoje são as bolhas de amanhã e a recessão de depois de amanhã. Caso se queira romper esta engrenagem infernal, não há mais que uma solução: fechar as torneiras que alimentam o setor financeiro. O principal é o retrocesso salarial. Ele está no fundamento da crise, como explica Michel Aglieta: A evolução do salário real e da produtividade foram desconectados, provocando uma modificação da repartição do lucro. Como manter, nessas condições, o crescimento nos países ricos? Faltou separar a despesa e a renda, estimulando o consumo pelo crédito”. Essa tendência de baixa dos salários foi reforçada pela mundialização, como sublinha Frédéric Lordon, em seu último livro¹: “também a concorrência “rasteira” entre países de padrões sociais e ambientais totalmente disparatados entranha ajustes salariais por baixo, cujos termos são agora muito bem conhecidos: intensificação do trabalho, planos sociais em série e, sobretudo, pressão constante sobre os salários”.

Essa análise é compartilhada hoje, inclusive, pelos organismos internacionais como o FMI, a OCDE ou a Comissão Européia². Raros são aqueles que contestam tal entendimento. Mas é o caso de um editorialista do Echos que ousa afirmar: “Não, os assalariados não são sacrificados!” É suficiente lançar um golpe de vista sobre o gráfico abaixo, para verificar o que acontece. Na França, a parte relativa aos salários está quase estabilizada, depois de vários anos, mas a um nível historicamente muito baixo, inferior àqueles dos anos 1960. O jornalista procura justificar esta situação invocando o nível de investimentos: “as empresas renovam suas máquinas mais freqüentemente que antes (...) elas têm mais capital a amortizar”. Este argumento é completamente equivocado. Eis a questão.


A realidade óbvia, entretanto, é diferente: a participação dos salários diminuiu e a dos lucros aumentou. Mas as empresas, nem por isso, passaram a investir. Comparando o período 2000-2006 aos dois decênios precedentes, um relatório da ONU mostra que num grande número de países, incluída a França, a taxa de investimento caiu, a despeito do aumento dos lucros no valor acrescentado.

A conclusão vem por si mesma. É preciso modificar o compartilhamento das riquezas: menos dividendos, mais salários e investimentos sociais. A margem de manobra é considerável, já que os dividendos gerados pelas sociedades não-financeiras representam, hoje, 12% de sua massa salarial, contra 4%, em 1982.

E será intolerável que, dentro do mês próximo, as empresas licenciem, alonguem a duração do trabalho e bloqueiem os salários, tudo isso, na medida em que continuariam a irrigar seus acionistas. Mesmo deixando de lado o benefício social de uma tal redistribuição, a economia, não se conduzirá pior. Isso não impedirá as empresas de investir. Sua sacrossanta competitividade não será abalada, porque a alta dos salários será compensada pela baixa dos dividendos. E as finanças serão, assim, descarregadas na direção da economia real.

Mas este é um esquema um pouco abstrato, porque implica uma redução drástica de privilégios da pequena esfera social que aproveitou bem o neoliberalismo. Os rentistas não se submeterão de bom grado à “eutanásia” que recomendava Keynes, no dia seguinte à crise de 29. A questão, no fundo, não é somente a repartição dos lucros, mas também a repartição do poder de decisão.

1 Frédéric Lordon, Jusqu’à quand ? Pour en finir avec les crises financières, Raisons d’agir 2008. Leitura imprescindível !
2: ver as referências em : http://tinyurl.com/parsal

Tradução do francês:
Nilson Dalledone, Prof. Dr.
São Paulo/São Paulo/Brasil
nielsennielsen@terra.com.br

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Consciência Negra - Uma Luta dos Negros


No próximo dia 20 de novembro, quinta-feira, celebraremos o Dia da Consciência Negra. Esta comemoração será marcada pelo feriado em cerca de 225 municípios brasileiros.
Escolhida como a data da provável execução de Zumbi dos Palmares em 1695, ela se contrapõe ao antigo dia 13 de maio, celebração anterior que homenageava a "generosidade de uma branca", Princesa Isabel, a Redentora.
A data de 20 de novembro, representa a própria luta do Povo Negro, numa conquista sua.
Acredito que a repetição desta maneira de agir faça muita falta perante os afrodescendentes de hoje, sobretudo em nosso país. Mais que feriados, os negros do Brasil precisam se envolver.
Não há um comprometimento dos mesmos perante o resgate da dívida social que nossos antepassados nos legaram e muitas vezes são os brancos que se preocupam mais com isso.
Um exemplo mais claro está na pergunta: Qual a proporção de negros na população e os reflexos desta proporção na formação do Congresso Nacional, nas Câmaras Municipais e outros órgãos representativos?
Acrescento outra pergunta:
Será que se Obama fosse candidato à presidência do Brasil, tería o mesmo recebido todos os votos de nossos negros?
Se a data é da Consciência Negra, além dos brancos, que muito negro também se conscientize dos seus direitos e do seu comprometimento pela causa.
Aqui não fica uma simples crítica, mas do meu jeito, um apoio.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008


"In every life we have some trouble"
<-> Em toda vida existem problemas.
"But when you worry you make it double"
<-> Mas enquanto se preocupa você os duplica.
"Don't worry, be happy"
<-> Não se preocupe, seja feliz.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

OBA... Obama!


Sim. Estamos todos felizes pela vitória do democrata americano Barak Obama, quase xará de Osama Bin Laden e xará de Sadan Hussein. Não só por ser democrata, ser negro, ter origem humilde ou pelos nomes que recebeu. Ele realmente tem um discurso diferente, traz uma áura de boas perspectivas e vai "balançar" as coisas no mundo do Tio Sam.
Contudo, não sendo muito pessimista, vale lembrar o que vem sendo tão comentado nestes dias.
Barak Obama é americano e foi eleito para a presidência dos EUA e não do Brasil, nem da América Latina ou da África.
Por melhores que sejam suas intenções, fica bastante claro por quem ou pelo quê ele vai brigar no cenário mundial.
Esperemos que toda esta "energia" que o mundo dispensou em alegria pela sua vitória, sirva como combustível de uma consciência voltada para uma política internacional mais justa, mais humana e nem de longe semelhante a do velho, ultrapassado e Graças a Deus, encerrado Bush.

A dança das cadeiras

Quem não se lembra de ter brincado assim? Um número de cadeiras menor que o número de participantes da brincadeira era colocado no meio de uma sala. Uma música embalava uma dança meio bobinha enquanto a gente circulava em volta das cadeiras até que a música parasse. Todos então deviam sentar-se. Quem ficasse sem o lugar para sentar, estava fora.
Saudades das brincadeiras de outrora... Quão sadias, não? No entanto, elas parecem ressurgir em algumas pessoas, mesmo em idade adulta. E, claro, não há crime algum nisso. São os políticos no pós-eleitoral, tentando encontrar um lugar melhor para ficar e se preparar para o próximo pleito. Saem divulgadas algumas especulações e principalmente por parte daqueles que ainda podem gozar do que sobrou dos refletores. É uma maneira de “sentir o chão” por onde se quer pisar.
Na análise vale tudo. Analisar a potencialidade do partido, o grupo que acompanha este ou aquele, os vínculos com o governo recém eleito ou até com outras camadas e esferas de poder.
Repito. Não estou recriminando. Faz parte da sobrevivência política. É um jogo que, muitas vezes, precisa ser jogado. Felizmente para todos nós, não mais pelos agraciados com a vitória nas eleições. Graças ao bom senso da legislação vigente, uma vez eleito por um partido, cumpre-se o mandato todo naquele partido. Mas quem não venceu pode “repensar” sua militância. Analisar onde se “sente melhor”.
Neste contexto olhares se voltam para partidos como o PMDB, surgido em 1981 como herdeiro do MDB, partido de histórica oposição à ditadura militar e onde se encontravam a maioria dos integrantes da esquerda brasileira. Hoje, o partido detém a administração do maior pedaço de orçamento no país e de uma saudável soma de prefeituras. Em Rio Preto, um pouco abalado, mas nada irrecuperável. É sem dúvidas ainda um grande partido.
Um outro exemplo é o atualmente fragilizado e, no caso de Rio Preto, “dividido” PDT. O partido que foi criado por um grupo liderado por Brizola e que reivindicava a herança política de Vargas, tem muito a oferecer ainda à luta política brasileira.
O PV também entra na análise dos “buscadores”. Encontra-se bastante fortalecido em decorrência da campanha limpa e séria de Gabeira, frente à prefeitura do Rio de Janeiro. Defensor das questões ecológicas, o partido está “on line” com um dos principais problemas do mundo.
E por aí seguem as siglas, pequenas e grandes, cadeiras diante de dançarinos, uns indecisos e outros um tanto experientes, tentando aquilo que chamaríamos de “lugar ao sol” ou quem sabe “à sombra”.
Só não vale usar partido como legenda de aluguel, nem confundir a cabeça das pessoas saindo hoje de um extremo para o outro como se um homem público não devesse nenhuma satisfação a ninguém.
Brincar de dança das cadeiras “pode”, mas que seja brincadeira de adulto.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Matéria sobre os desdobramentos da Crise Financeira

A depressão: uma visão de longa duração
27-Out-2008
Começou uma depressão. Os jornalistas ainda estão timidamente a perguntar aos economistas se podemos ou não estar a entrar numa mera recessão. Não acreditem nem por um minuto. Já estamos no início de uma completa depressão mundial, com desemprego extensivo em quase todo o lado.
Pode assumir a forma de uma deflação nominal clássica, com todas as suas consequências negativas para as pessoas comuns. Ou pode tomar outra forma, um pouco menos provável, de inflação galopante, que é apenas uma outra forma de deflacionar valores, e que é ainda pior para as pessoas comuns.

Claro que todos estão a perguntar o que desencadeou esta depressão. Foram os derivados, que Warren Buffett chamou de "armas financeiras de destruição maciça"? Ou foram as hipotecas subprime? Ou são os especuladores do petróleo? Trata-se de um jogo sem qualquer importância real. É prestar atenção à poeira, como dizia Fernand Braudel acerca dos eventos de curta duração. Se queremos entender o que está a acontecer, é preciso olhar para duas outras temporalidades, que são muito mais reveladoras. Uma é a dos ciclos de média duração. E a outra é a das tendências estruturais de longa duração.

A economia-mundo capitalista teve, por pelo menos algumas centenas de anos, duas formas principais de ondas cíclicas. Uma é a dos chamados ciclos de Kondratieff, que historicamente tinham uma duração de 50-60 anos. E a outra é a dos ciclos hegemónicos, que são muito mais longos.

Em termos de ciclos hegemónicos, os Estados Unidos eram um ascendente candidato à hegemonia em 1873, conquistaram o pleno domínio hegemónico em 1945, e têm vindo a declinar lentamente desde os anos 70. As loucuras de George W. Bush transformaram um lento declínio numa queda precipitada. E, por agora, já estamos longe de qualquer aparência de hegemonia dos EUA. Entrámos, como normalmente acontece, num mundo multipolar. Os Estados Unidos permanecem uma forte potência, talvez ainda a mais forte, mas vão continuar o declínio relativo às outras potências nas próximas décadas. Não há muito o que se possa fazer para mudar isto.

Os ciclos Kondratieff têm uma periodicidade diferente. O mundo saiu da última fase B de Kondratieff em 1945, e entrou na mais forte subida de fase A da história do moderno sistema-mundo. Chegou ao seu ponto mais alto cerca de 1967-73 e começou a descer. Esta fase B durou muito mais tempo que todas as anteriores, e ainda estamos nela.

As características de uma fase B de Kondratieff são bem conhecidas e correspondem ao que a economia-mundo tem vindo a atravessar desde os anos 70. As taxas de lucro das actividades produtivas diminuem, especialmente nos tipos de produção que foram mais lucrativos. Consequentemente, os capitalistas que desejam obter realmente altos níveis de lucro, viram-se para a arena financeira, envolvendo-se no que basicamente é especulação. As actividades produtivas, para não se tornarem demasiado pouco lucrativas, tendem a transferir-se de zonas centrais para outras partes do sistema-mundo, trocando baixos custos de transacção por custos mais baixos com o pessoal. Este é o mecanismo que fez desaparecer os empregos de Detroit, de Essen e de Nagoya, ao mesmo tempo que se expandem as fábricas na China, na Índia e no Brasil.

Quanto às bolhas especulativas, sempre há quem faça muito dinheiro com elas. Mas as bolhas especulativas sempre estouram, mais tarde ou mais cedo. Se perguntarmos por que esta fase B de Kondratieff durou tanto tempo, é porque os poderes reais - o Tesouro dos EUA e a Reserva Federal, o Fundo Monetário Internacional e os seus colaboradores na Europa ocidental e no Japão - intervieram no mercado com regularidade e importância para sustentar a economia-mundo: 1987 (queda das bolsas), 1989 (colapso das poupanças e empréstimos nos Estados Unidos), 1997 (queda financeira da Ásia Oriental), 1998 (má gestão do Long Term Capital Management), 2001-2002 (Enron). Aprenderam as lições das anteriores fases B de Kondratieff, e os poderes reais pensaram que podiam derrotar o sistema. Mas há limites intrínsecos para fazê-lo. E atingimo-los agora, como estão a aprender Henry Paulson e Ben Bernanke, para seu desconsolo e provavelmente espanto. Desta vez não vai ser tão fácil, provavelmente impossível, evitar o pior.

No passado, quando uma depressão executava a sua devastação, a economia-mundo recuperava de novo, na base de inovações que podiam ser quase monopolizadas por algum tempo. Assim, quando se diz que a Bolsa de Valores vai-se levantar de novo, isto é o que se pensa que vai acontecer, desta vez, como no passado, depois de todos os estragos que foram feitos às populações mundiais. E talvez aconteça, dentro de alguns anos.

Há porém algo novo que pode interferir com este belo padrão cíclico que sustentou o sistema capitalista durante cerca de 500 anos. As tendências estruturais podem interferir com os padrões cíclicos. As características estruturais básicas do capitalismo como sistema-mundo operam de acordo com certas regras que podem ser desenhadas num gráfico como um equilíbrio ascendente. O problema, como em todos os equilíbrios estruturais de todos os sistemas, é que ao longo do tempo as curvas tendem a afastar-se do equilíbrio e torna-se impossível equilibrá-las de volta.

O que levou o sistema tão longe do equilíbrio? Muito brevemente, é porque durante 500 anos os três custos básicos da produção capitalista - pessoal, inputs e impostos - subiram constantemente como percentagem dos possíveis preços de venda, de tal forma que hoje tornam impossível obter os grandes lucros da produção quase monopolizada que sempre tem sido a base da acumulação significativa do capital. Não é porque o capitalismo esteja a falhar no que faz melhor. É precisamente porque fez tão bem, que acabou por minar a base da futura acumulação.

Que acontece quando chegamos a um tal ponto em que o sistema se bifurca (na linguagem dos estudos de complexidade)? As consequências imediatas são uma alta turbulência caótica, que pela qual o nosso sistema-mundo está a passar neste momento e que vai continuar a atravessar durante talvez outros 20-50 anos. À medida em que cada um empurra para qualquer direcção que considera ser aquela que é imediatamente melhor para ele, uma nova ordem vai emergir do caos, tomando um de dois caminhos alternativos e muito diferentes.

Podemos afirmar com confiança que o actual sistema não pode sobreviver. O que não podemos prever é que nova ordem será escolhida para substituir esta, porque será o resultado de uma infinidade de pressões individuais. Mas, mais tarde ou mais cedo, será instalado um novo sistema. Não será um sistema capitalista, mas pode ser muito pior (mesmo mais polarizador e hierarquizado), ou muito melhor (relativamente democrático e relativamente igualitário) que este sistema. A escolha de um novo sistema é a maior luta política mundial dos nossos tempos.

Quanto às nossas perspectivas imediatas e interinas de curta duração, é claro o que está a acontecer em todo o lado. Estamos a caminho de um mundo proteccionista (esqueçam a chamada globalização). Estamos no caminho de uma ingerência muito mais directa do governo na produção. Mesmo os Estados Unidos e a Grã-Bretanha estão a nacionalizar parcialmente os bancos e as grandes indústrias moribundas. Estamos a caminho de uma redistribuição populista, dirigida pelos governos, que pode assumir formas social-democratas de centro-esquerda ou autoritárias de extrema-direita. E estamos a caminho de conflitos sociais agudos no interior dos Estados, em que todos competem pela torta menor. Na curta duração, a imagem não é, nem de longe, bonita.

Immanuel Wallerstein

15/10/2008

Tradução de Luis Leiria

terça-feira, 4 de novembro de 2008

A volta dos que não foram

Gosto muito de escrever. Quisera escrever bem para merecer ser lido. Mas esta vaidade me conduz a continuar tentando. Assim, vou utilizar-me deste blog como instrumento de divulgação de minha opinião.
Sempre que eu escrever para algum jornal, folhetim ou o que o valha e não obtiver destes o interesse, após cerca de uns dez dias, transportarei o texto para cá a fim de merecer o julgamento dos amigos.
Começo com o texto abaixo, enviado ao Diário da Região, coluna de leitores, no dia seguinte ao segundo turno das eleições.

Para pessoas que militam minimamente na política, decepção não pode existir. Todas as alternativas são previsíveis e devem ser levadas em conta antes que se confirmem.
Mas há que se ressaltar que por vezes chegamos a acreditar em coisas que no final acabam se desmanchando como poeira.
Longe de dizer que a campanha “vitoriosa” de João Paulo Rillo, Manoel Antunes e outros companheiros tivesse terminado como poeira. Ela teve uma importância indiscutível. Restabeleceu laços históricos, fez justiça a algumas figuras e nos encheu de gás pra voltarmos à ativa. Foi propositiva, positiva e demonstra o surgimento de lideranças alternativas para futuro próximo.
O que se esvai ao vento é a crença de que Rio Preto estivesse abandonando sua tendência reacionária. É a suposição que união popular seja capaz de vencer a união de deputados que sempre estiveram cantando e andando pra cidade com seus projetos personalíssimos e sua força econômica e política.
Não bastasse, desmancha-se ainda em pó a idéia de que, pelo menos a população de Rio Preto quisesse caminhar rumo a um projeto avançado, quando na verdade quer voltar ao passado representado pelo fortalecimento do Governador Serra e seu PSDB. E os funcionários públicos estaduais da cidade, será que estão satisfeitos com suas vidas? Em quem votaram?
Pra acabar, fica registrado ainda o amargor da quantidade de abstenções, votos brancos e nulos, coisa de gente que quer sair ileso da história, pra depois dizer com a maior cara “deslavada” que não teve responsabilidade nenhuma com a eleição deste ou daquele indivíduo.
O que se assiste, na verdade, é a volta daqueles que nunca se foram sendo abençoada pelas urnas.
Tiremos novamente uma lição de tudo o que ficou. Há ainda um grande trabalho a ser feito na cidade. Coisa que só um grande movimento suprapartidário pode suportar. E a hora é a de sempre: agora.

Contraditórios

I - Estes dias me deparei com uma pergunta muito cruel: "Não é incoerente um empresário se dizer comunista ou de esquerda?" ...