domingo, 16 de abril de 2017

Uma excelente Páscoa libertadora e renovadora pra toda a humanidade.

"Noite mil vezes feliz, o opressor foi despojado, os pobres enriquecidos, o céu à terra irmanado!"

(Proclamação da Páscoa)

A criação do mundo e do Homem pelas mãos de Deus, o dilúvio de Noé e o Sacrifício de Abraão, a passagem dos Hebreus pelo Mar Vermelho e a ressurreição do Cristo, são momentos lembrados e exaltados pelos cristãos na Páscoa, a maior festa da cristandade.  Maior mesmo que o Natal.
Há que se aceitar ou não estes episódios descritos na bíblia e transmitidos pela tradição, ou mesmo te-los por simbólicos, para quem dispensa a fé e se apega a fatos históricos de concretas comprovações. Por certo, céticos ou materialistas não deixam de pensar na manipulação destes contos que mantém, ou pelo menos deveriam manter, cordatos os seus crentes.
Mas ninguém pode negar que sua atualidade é assustadora.  Tanto no "ipsis litteris" quanto no sentido inverso ou figurado.
O mundo e o Homem, por exemplo, se recriam diariamente e com velocidade assustadora pela própria evolução. Buscando adquirir as forças e a sabedoria de um ser divinal, a humanidade não hesita em elevar-se acima da vida e dos próprios limites do conhecimento.  E claro, com a mesma voracidade que descobre a cura de doenças mortais, inventa armamentos de potencial destruição.  Enquanto caminhamos nesta senda evolutiva, há que se pagar um preço alto, cujo ponto principal é o distanciamento da natureza e da própria Terra em si e de suas benesses.
Deliberando sobre o que podemos ser, nos esquecemos do que fomos ou de quem somos.  Almejando chegar ao infinito, desleixamos do onde estamos.  E por aí vai.
Mas o pior de tudo é a contradição.  Na perseguição doentia pela abundância e pela qualidade, vamos deixando pra trás um rastro de escassez e fome, de mutilação e exclusão, semelhantes aos cenários descritos pelo gênesis na era da construção da arca ou escravidão no Egito.  No entanto, qual seria o grande evento libertador?  E quais seriam os "guias" a conduzir o "povo" pelo deserto ou pelas bravias águas da inundação?
Ah e ainda pra quem acha absurdo que um homem equilibrado ofereça seu filho em holocausto, basta atentarmos para a intimidade de nossos lares em que nossos filhos são entregues e submetidos diariamente a deuses os mais diversos, sem que lhes haja um anjo a segurar as mãos do carrasco evitando o sacrifício. Internet e jogos sem qualquer controle dos pais ou do bom senso, fabricam coisas como a baleia azul, a doentia sexualidade sem freios e o desapego à alma criativa.  Sem falar no abandono da família que presenteia a crueldade das drogas com vítimas aos borbotões.
E continuando na analogia, o calvário do redentor fica explícito nos noticiários em que pessoas de todas as idades, de diversas culturas e raças são submetidas à cruz das guerras, da exploração, da ignorância, da falta de cuidados, atenção e alimentos.
E enquanto o Homem, mesmo com toda a sua visão libertadora, a tecnologia conquistada e o alto e auto conhecimentos não realizar o "milagre" da vida nova, ainda a alguns de nós o que resta mesmo é o apego à crença de uma vida além, cujo resplandecer e aurora representem justiça, alegria e recompensa.
Poderia ser diferente e o agora vir a resolver todas as questões.  Mas o salvador da humanidade e maior revolucionário da história, creiam ou não os contemporâneos, de certa forma ensinou a prática revolucionária.  E se ele não renascer para nós, pelo menos na Páscoa, o que nos restará?
Pois a vontade revolucionária sem ação revolucionária, vale menos que a esperança.

domingo, 9 de abril de 2017

Na minha visão.

Entender os múltiplos cenários da política é sempre muito complicado.  No Brasil então, nem me diga.
Eu sempre questionei sobre os motivos de Lula não ter vindo, após o primeiro mandato de Dilma, para uma nova empreitada de 8 anos.  Seria, ao meu entender, a consolidação do projeto.
Mas é claro.  Esta é minha ótica.  Os realmente preparados e o próprio Lula sempre souberam que aqueles seriam dias complicados e que alguma reação da direita se daria, o que acabou acontecendo.
Talvez Dilma, por ser mais fraca que ele e mesmo estar, de algum modo, isolada por muitos companheiros, em virtude até das porradas que aos poucos foram tomando conta do cenário, sucumbiu com rapidez.  Afinal, Lula havia sobrevivido ao "mensalão", perdendo já naquele momento diversos braços.
Assim acredito que ele teria, talvez, aguentado mais o tranco.  Mas poderia ter sido devidamente destruído se estivesse lá, no governo, diretamente.
Agora, contudo, não há dúvidas de que sua volta é esperada, desejada e muito, por diversos setores, não só os nordestinos, não só os trabalhadores, mas mesmo outros que assistem ruir a imagem do país lá fora e afastadas, até por conta disso, as chances de crescimento e reabilitação verdadeira da nossa economia.
A resiliência do petista sempre foi seu forte e agora, reforçada pela desastrosa atuação dos artífices do golpe que tentaram trazer o controle geral ao PSDB e não conseguiram, sua imagem faz as chances de sua volta ainda melhores.
Mas é inocência da militância petista pensar que tudo se dará tranquilamente.  Que o processo eleitoral seguirá seu fluxo natural.  Que os golpistas e reacionários de plantão entregarão os pontos assim, na maciota.
Lula deve enfrentar porrada em cima de porrada.  Tentativas absurdas de destruição da sua credibilidade e quem sabe até, atentados.  Sei lá se estou exagerando.
E para barra-lo, os servidores do capital ainda enfrentarão alguns outros problemas, como criaturas da sua própria laia que, estando do mesmo lado do balcão, seriam muito beneficiadas com a volta do PT ao poder.  Um antagonismo muito complicado de explicar a quem quer que seja.
É como se o golpe tivesse passado um “cadinho” do ponto.  E agora, até aqueles obedientes de sempre, como a Globo e a Veja, já entenderam que precisam dar uma freada, recuar uns passos e principalmente, queimar aquelas figurinhas ruins nas quais tinham se apoiado para realizar a retomada.  E já começaram o descarte. Só que pra isso, vão precisar construir novos "ídolos".  Eu arrisco aqui uns 2 ou 3 nomes.  E você?
Só que, neste embalo, há o medo, mesmo de setores privados, de que figuras folclóricas como aquele deputado “fascista”, cujo nome não pronuncio, acabe ganhando um pouco de força e venha a dar trabalho no futuro.  Nacionalista, com clara certeza, esta figurinha atrapalharia os agentes do capital estrangeiro que nunca deixaram de dar as cartas por aqui. É como o Trump lá nos EUA, guardadas as devidas proporções.  Eu que antes tinha até um certo receio de que um retrocesso desta monta pudesse nos atingir, já estou um pouco mais tranquilo, pois não creio que o permitam, mesmo os capitalistas de fora.  Estas forças objetivamente acreditam ser melhor a condescendência do próprio Lula, que convive com alguns “parceiros” indesejados da esquerda, do que a truculência irracional da extrema direita, populista e cega.
Enquanto isso e por fora, se encontra aquele que pode dar guarida ou mesmo alicerçar uma história mais duradoura da volta do projeto petista mas que precisa da aceitação e da paixão menos “personalista” dos militantes “lulistas”.
Ciro Gomes não é inimigo dos trabalhadores e tem uma proposta voraz.  Se atado à volta de Lula numa dobrada irrefreável, complica as chances da direita emperrar a nossa retomada do governo.
Mas Ciro e Lula são figuras demasiadamente vaidosas e cercados de bajuladores não conseguem olhar para o lado.  Neste instante delicado em que nos encontramos, o apelo das bases precisa se voltar para esta união muito mais do que para as pré-campanhas a que se propõem.
Um projeto de Lula e Ciro nos daria no mínimo uns 12 anos de fôlego, talvez ainda assim não suficientes para reconstruir a devassada realizada pelos golpistas em tão pouco tempo.
Para isso, contratos precisarão ser revistos e projetos aprovados, devem ser derrubados.  O Congresso deverá então, observar a força popular do novo executivo e “baixar a bola” no seu apetite. E só a força popular de Lula não é suficiente. 
A dobradinha pode fazer isso com mais competência.  Os passos traçados pela Lava Jato que ora gira para um lado, ora para outro, se atropelarão se dividirem o foco, permitindo que a queda de braços aconteça de forma menos bagunçada.
E neste contexto a esquerda dividida e com seu “centralismo” confuso, precisará “tapar o nariz” e colaborar sem “purismo” irresponsável.

terça-feira, 4 de abril de 2017

Estabelecer um negócio próprio: ponderações.

Trabalhando no universo das franquias já me deparei com gente vivendo muita situação complicada. 
Vi pessoas que se lançaram a empreender sem qualquer tipo de ajuda ou orientação preliminar.  Resultado?  Frustração.
Se eu fosse consultado, não hesitaria em prevenir, logo de cara, que não se deve empreender qualquer jornada no mundo dos negócios sem antes avaliar uma série de posturas e condições objetivas.
O primeiro grande toque que eu daria é para que o pretenso investidor avaliasse se gosta o suficiente de pessoas.  Quem não gosta de gente, terá muita dificuldade em lograr êxito em qualquer iniciativa.  O componente número 1 de todo negócio é o relacionamento.  Por isso, pessoas difíceis no trato enfrentarão muitos problemas.
Além de clientes, fornecedores e colaboradores, o empresário deve lidar também com parceiros múltiplos de seu negócio.  Um “gênio ruim” e antipatia, provocam desacordos e uma má política de negociações que fazem perder dinheiro e coíbem o progresso empresarial.
Mas este está longe de ser o único percalço.  Será que quem deseja se embrenhar no mundo empresarial fez uma análise rigorosa sobre suas condições financeiras?
Muitas vezes se olha o valor a investir, sem prestar a atenção no fato de que não é só colocar dinheiro no negócio, mas manter-se equilibrado no dia a dia sem comprometer a família e o patrimônio.  Nem todos estão preparados para alterar o padrão de vida para baixo desviando valores de sua rotina para aplica-los nos necessários primeiros passos do negócio.
Todo resultado demora um pouco a chegar.  Durante este prazo é preciso sobreviver e manter as despesas novas que surgirão em função do estabelecimento da empresa.
Capital de giro é, sem dúvidas, essencial para que um empreendedor sobreviva até atingir o chamado “ponto de equilíbrio”, o que pode levar um tempo muito maior do que o imaginado.
Outro fato que passa desapercebido aos investidores novatos é a falta de conhecimento na gestão de finanças.  Saber lidar com contas não é saber pagá-las, mas negociar bem, reduzindo sempre despesas, juros, multas e outros emolumentos indesejados ao mesmo tempo em que se maximizam os resultados.

Não são poucos os que começam sua nova jornada no mundo dos negócios com financiamentos e dívidas adquiridos no intuito de empreender.  Dependendo das condições negociadas, cavou-se um buraco profundo que fará, lá na frente, o negócio não andar ou afundar.
Quase todas as propostas de investimentos na composição de uma empresa, pressupõem a formação de um estudo elaborado de possibilidades a que chamamos “plano de negócios”.  Este faz previsões com base em informações juntadas por quem conhece um pouco deste emaranhado de armadilhas denominado “finanças”.
Mesmo com talento para tal, a única forma de se garantir aproximação máxima do planejamento com a realidade é testando-o. 
No sistema denominado franchising isso se dá mediante o estudo da unidade piloto, que é aquele modelo que está sendo replicado pelo franqueador.
Comprar uma franquia sem visitar ou pelo menos pesquisar a unidade piloto é correr um risco desnecessário.
Se alguém deseja empreender, mas tem medo de abrir mão de algum tipo de receita que possua, pode, de repente, buscar um tipo de negócio que lhe permita dividir seu tempo e atuar em dois canais.  Só que é bastante arriscado caso faltem esforço e dedicação em um dos negócios.
Ao menos durante boa parte do dia, os olhos, ouvidos e mente devem estar voltados para o sucesso do empreendimento. 
Empreendedores despreparados tentam dividir-se em dois negócios e acabam perdendo ambos.  Outros há que nomeiam parentes ou amigos de muita confiança para cuidar de um dos negócios.  Acreditam que aquele “procurador” irá se dedicar de maneira igual a que o proprietário faria.  Mas, como dizem no interior “são os olhos do dono que engordam a boiada”.  Isso é fato.
Suor, dedicação, avaliação permanente e planejamento antecedendo as ações são componentes indispensáveis para o êxito.  Por melhor que seja o empreendimento ou por mais estrutura de apoio que se consiga, tanto em franqueadoras quanto em consultorias apropriadas, como o SEBRAE, por exemplo, não estar focado sempre será um problema.
Claro que sócios, funcionários competentes, podem sim representar uma saída, mas não vale alegar mais tarde de que não se sabia da importância de estar presente “de corpo e alma” no projeto.
Existem negócios cuja dedicação pode se dar em apenas parte do dia.  Mesmo estes exigirão, na sua hora, energia, disposição e cabeça fria para progredir.
Fique claro que não estou desmotivando empreendedores múltiplos, mas alertando-os de que terão que se desdobrar muito mais que imaginam para não se perderem com o tempo.
Há outras coisas ainda que um “sonhador” precisa levar em conta.  Por exemplo, que formato adotar no negócio que irá abrir.
Será que dá pra trabalhar em casa e com isso gastar menos para “montar” o negócio escolhido?
O chamado home-office pode ser sim uma grande tacada para investidores novatos. Não tendo que adquirir móveis, custear um aluguel e livrando-se de outros custos, parece ser mais garantido o retorno.
Mas trabalhar em casa pede muita disciplina.  O simples fato de estar com os filhos e o resto da família no mesmo ambiente, pode nos desfocar de uma ação contundente, diminuindo os resultados a alcançar.  No fim, o que seria economia é na verdade, menos ganho.
O investidor pensará a certa altura: Será que levo meu filho à escola, ou ligo para aquele prospect ?  Será que faço aquela visita importante agora, ou sirvo o almoço?  Sem falar nas pessoas que frequentam a casa, no cachorro latindo no quintal e na criança chorando durante aquela conversa importante com o cliente.
O “home” está muito difundido e tem ganhado terreno cada vez mais nos dias atuais.  Só que além das dificuldades de se manter uma atuação focada, há o componente inverso, ou seja, de se trabalhar o tempo todo. 
Trabalhando em casa, evitamos aquele outro e importante cenário no qual ao fim do expediente, se chega da empresa externa para o descanso no lar. Como sempre se está no ambiente de trabalho, quem optou por este sistema para ficar perto da família, corre o risco é de ficar ainda mais distante dela, mesmo estando no mesmo lugar, pois não sabe a hora de desligar o computador e participar da vida familiar.
Há caminhos.  Se a finalidade for só economizar, sem esta configuração do trabalho home, dependendo do ramo escolhido, pode-se optar por um destes escritórios “coworking” nos quais se tem um lugar adequado para atender clientes, fazer reuniões e divulgar o endereço com custo módico e partilhado.  Muitas cidades oferecem esta opção.
Ainda, ao falar de formato, outra questão pode vir à tona.  Qual o regime tributário ou categoria de empresa são os mais convenientes?
Neste quesito sou reservado.  Vai sempre depender do ramo de negócios.  Por isso, o correto mesmo é a consulta a um bom profissional contábil.  Esta orientação faz muita diferença e este contabilista conhece melhor as leis municipais e pode mais de perto avaliar as necessidades do empreendedor no que tange a proteção de sua empresa.
Há uma lista de regimes que varia muito, composta pelo Simples Nacional, pelo Lucro Real e outros, sob os quais regem regras de tributação mais ou menos incidentes no produto ou serviço a ser trabalhado.
Na questão da categoria, o importante é avaliar onde o empreendedor deseja chegar, pois pode escolher entre ser um microempreendedor individual ou ter uma pequena empresa, que lhe permitirá boa renda e a contratação de muitos colaboradores.
Mesmo se o investidor optar por uma franquia, terá que abrir uma empresa e avaliar os melhores regime e categoria para enquadrá-la.
Como estou no Mercado de Franquias, sei defender o negócio ao afirmar, sem sombra de dúvidas, que uma franquia é sempre mais garantida que uma empresa comum.  Segundo a ABF e o próprio SEBRAE, enquanto 10% das empresas em geral fecharam durante o ano de 2015, no modelo de franquias o fechamento foi de apenas 4,5%.
E por que isso acontece?
Porque uma franquia é a réplica de um modelo testado e experimentado.  Porque o investidor já inicia seu negócio com marca forte e formatada.  Conta com o apoio de consultores da franqueadora que orientam na condução do negócio e oferecem suporte em áreas como marketing, TI, técnicas e outras.
Hoje a utilização de redes sociais, links patrocinados ou formas de marketplaces podem garantir uma boa demanda e atrair bastante cliente.
No sistema de franquias, tudo isso é muito mais comum.
Agora, seja abrindo uma empresa comum, seja optando pelo modelo de franquias, algumas verdades são absolutas.  Um bom site, marketing avançado, a manutenção da reputação da marca e divulgação permanente são “de lei”.
Todo cuidado é pouco e toda análise saudável quando o tema é empreender. 

Claro que não consegui esgotar, neste discurso, tudo aquilo no que acredito, deva o empreendedor refletir.  Mas se considerarmos pelo menos o exposto, acredito que já está posta uma importante contribuição para quem está “buscando” ser seu próprio patrão.

A rainha caipira.

A partir de hoje, me dedicarei a publicar, de quando em quando, contos e crônicas escritos por meu pai, Carlos Alberto Gomes, que assina com...