terça-feira, 4 de abril de 2017

Estabelecer um negócio próprio: ponderações.

Trabalhando no universo das franquias já me deparei com gente vivendo muita situação complicada. 
Vi pessoas que se lançaram a empreender sem qualquer tipo de ajuda ou orientação preliminar.  Resultado?  Frustração.
Se eu fosse consultado, não hesitaria em prevenir, logo de cara, que não se deve empreender qualquer jornada no mundo dos negócios sem antes avaliar uma série de posturas e condições objetivas.
O primeiro grande toque que eu daria é para que o pretenso investidor avaliasse se gosta o suficiente de pessoas.  Quem não gosta de gente, terá muita dificuldade em lograr êxito em qualquer iniciativa.  O componente número 1 de todo negócio é o relacionamento.  Por isso, pessoas difíceis no trato enfrentarão muitos problemas.
Além de clientes, fornecedores e colaboradores, o empresário deve lidar também com parceiros múltiplos de seu negócio.  Um “gênio ruim” e antipatia, provocam desacordos e uma má política de negociações que fazem perder dinheiro e coíbem o progresso empresarial.
Mas este está longe de ser o único percalço.  Será que quem deseja se embrenhar no mundo empresarial fez uma análise rigorosa sobre suas condições financeiras?
Muitas vezes se olha o valor a investir, sem prestar a atenção no fato de que não é só colocar dinheiro no negócio, mas manter-se equilibrado no dia a dia sem comprometer a família e o patrimônio.  Nem todos estão preparados para alterar o padrão de vida para baixo desviando valores de sua rotina para aplica-los nos necessários primeiros passos do negócio.
Todo resultado demora um pouco a chegar.  Durante este prazo é preciso sobreviver e manter as despesas novas que surgirão em função do estabelecimento da empresa.
Capital de giro é, sem dúvidas, essencial para que um empreendedor sobreviva até atingir o chamado “ponto de equilíbrio”, o que pode levar um tempo muito maior do que o imaginado.
Outro fato que passa desapercebido aos investidores novatos é a falta de conhecimento na gestão de finanças.  Saber lidar com contas não é saber pagá-las, mas negociar bem, reduzindo sempre despesas, juros, multas e outros emolumentos indesejados ao mesmo tempo em que se maximizam os resultados.

Não são poucos os que começam sua nova jornada no mundo dos negócios com financiamentos e dívidas adquiridos no intuito de empreender.  Dependendo das condições negociadas, cavou-se um buraco profundo que fará, lá na frente, o negócio não andar ou afundar.
Quase todas as propostas de investimentos na composição de uma empresa, pressupõem a formação de um estudo elaborado de possibilidades a que chamamos “plano de negócios”.  Este faz previsões com base em informações juntadas por quem conhece um pouco deste emaranhado de armadilhas denominado “finanças”.
Mesmo com talento para tal, a única forma de se garantir aproximação máxima do planejamento com a realidade é testando-o. 
No sistema denominado franchising isso se dá mediante o estudo da unidade piloto, que é aquele modelo que está sendo replicado pelo franqueador.
Comprar uma franquia sem visitar ou pelo menos pesquisar a unidade piloto é correr um risco desnecessário.
Se alguém deseja empreender, mas tem medo de abrir mão de algum tipo de receita que possua, pode, de repente, buscar um tipo de negócio que lhe permita dividir seu tempo e atuar em dois canais.  Só que é bastante arriscado caso faltem esforço e dedicação em um dos negócios.
Ao menos durante boa parte do dia, os olhos, ouvidos e mente devem estar voltados para o sucesso do empreendimento. 
Empreendedores despreparados tentam dividir-se em dois negócios e acabam perdendo ambos.  Outros há que nomeiam parentes ou amigos de muita confiança para cuidar de um dos negócios.  Acreditam que aquele “procurador” irá se dedicar de maneira igual a que o proprietário faria.  Mas, como dizem no interior “são os olhos do dono que engordam a boiada”.  Isso é fato.
Suor, dedicação, avaliação permanente e planejamento antecedendo as ações são componentes indispensáveis para o êxito.  Por melhor que seja o empreendimento ou por mais estrutura de apoio que se consiga, tanto em franqueadoras quanto em consultorias apropriadas, como o SEBRAE, por exemplo, não estar focado sempre será um problema.
Claro que sócios, funcionários competentes, podem sim representar uma saída, mas não vale alegar mais tarde de que não se sabia da importância de estar presente “de corpo e alma” no projeto.
Existem negócios cuja dedicação pode se dar em apenas parte do dia.  Mesmo estes exigirão, na sua hora, energia, disposição e cabeça fria para progredir.
Fique claro que não estou desmotivando empreendedores múltiplos, mas alertando-os de que terão que se desdobrar muito mais que imaginam para não se perderem com o tempo.
Há outras coisas ainda que um “sonhador” precisa levar em conta.  Por exemplo, que formato adotar no negócio que irá abrir.
Será que dá pra trabalhar em casa e com isso gastar menos para “montar” o negócio escolhido?
O chamado home-office pode ser sim uma grande tacada para investidores novatos. Não tendo que adquirir móveis, custear um aluguel e livrando-se de outros custos, parece ser mais garantido o retorno.
Mas trabalhar em casa pede muita disciplina.  O simples fato de estar com os filhos e o resto da família no mesmo ambiente, pode nos desfocar de uma ação contundente, diminuindo os resultados a alcançar.  No fim, o que seria economia é na verdade, menos ganho.
O investidor pensará a certa altura: Será que levo meu filho à escola, ou ligo para aquele prospect ?  Será que faço aquela visita importante agora, ou sirvo o almoço?  Sem falar nas pessoas que frequentam a casa, no cachorro latindo no quintal e na criança chorando durante aquela conversa importante com o cliente.
O “home” está muito difundido e tem ganhado terreno cada vez mais nos dias atuais.  Só que além das dificuldades de se manter uma atuação focada, há o componente inverso, ou seja, de se trabalhar o tempo todo. 
Trabalhando em casa, evitamos aquele outro e importante cenário no qual ao fim do expediente, se chega da empresa externa para o descanso no lar. Como sempre se está no ambiente de trabalho, quem optou por este sistema para ficar perto da família, corre o risco é de ficar ainda mais distante dela, mesmo estando no mesmo lugar, pois não sabe a hora de desligar o computador e participar da vida familiar.
Há caminhos.  Se a finalidade for só economizar, sem esta configuração do trabalho home, dependendo do ramo escolhido, pode-se optar por um destes escritórios “coworking” nos quais se tem um lugar adequado para atender clientes, fazer reuniões e divulgar o endereço com custo módico e partilhado.  Muitas cidades oferecem esta opção.
Ainda, ao falar de formato, outra questão pode vir à tona.  Qual o regime tributário ou categoria de empresa são os mais convenientes?
Neste quesito sou reservado.  Vai sempre depender do ramo de negócios.  Por isso, o correto mesmo é a consulta a um bom profissional contábil.  Esta orientação faz muita diferença e este contabilista conhece melhor as leis municipais e pode mais de perto avaliar as necessidades do empreendedor no que tange a proteção de sua empresa.
Há uma lista de regimes que varia muito, composta pelo Simples Nacional, pelo Lucro Real e outros, sob os quais regem regras de tributação mais ou menos incidentes no produto ou serviço a ser trabalhado.
Na questão da categoria, o importante é avaliar onde o empreendedor deseja chegar, pois pode escolher entre ser um microempreendedor individual ou ter uma pequena empresa, que lhe permitirá boa renda e a contratação de muitos colaboradores.
Mesmo se o investidor optar por uma franquia, terá que abrir uma empresa e avaliar os melhores regime e categoria para enquadrá-la.
Como estou no Mercado de Franquias, sei defender o negócio ao afirmar, sem sombra de dúvidas, que uma franquia é sempre mais garantida que uma empresa comum.  Segundo a ABF e o próprio SEBRAE, enquanto 10% das empresas em geral fecharam durante o ano de 2015, no modelo de franquias o fechamento foi de apenas 4,5%.
E por que isso acontece?
Porque uma franquia é a réplica de um modelo testado e experimentado.  Porque o investidor já inicia seu negócio com marca forte e formatada.  Conta com o apoio de consultores da franqueadora que orientam na condução do negócio e oferecem suporte em áreas como marketing, TI, técnicas e outras.
Hoje a utilização de redes sociais, links patrocinados ou formas de marketplaces podem garantir uma boa demanda e atrair bastante cliente.
No sistema de franquias, tudo isso é muito mais comum.
Agora, seja abrindo uma empresa comum, seja optando pelo modelo de franquias, algumas verdades são absolutas.  Um bom site, marketing avançado, a manutenção da reputação da marca e divulgação permanente são “de lei”.
Todo cuidado é pouco e toda análise saudável quando o tema é empreender. 

Claro que não consegui esgotar, neste discurso, tudo aquilo no que acredito, deva o empreendedor refletir.  Mas se considerarmos pelo menos o exposto, acredito que já está posta uma importante contribuição para quem está “buscando” ser seu próprio patrão.

2 comentários:

  1. Ótimo texto e que me leva a refletir no momento vivido por mim, pois estou pagando por não ter feito uma análise mais profunda de minhas condições financeiras para colocar em prática um projeto que parece pequeno mas que na verdade é tão grandioso quanto qualquer empresa e requer ações precisas para se obter algum sucesso. Na adianta entrar em um negócio se não tiver tempo para se dedicar e capital de giro para alavancar o negócio, com certeza não sobreviverá. Ainda não morri e nem vou, por mais árdua seja a minha caminhada tenho fé no meu sucesso, pois Deus me deu todas as ferramentas necessárias para isto e a maior delas minha família que me inspira a todo momento.

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  2. Belo conteúdo e uma análise perfeita sobre o empreendedorismo via "Franchsising". Boa Carlos Alexandre, continua o mesmo, sabedoria e inteligência para redigir com objetividade aquilo que pensa. Conteúdo suficiente para uma boa reflexão. PARABÉNS.

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