sexta-feira, 4 de abril de 2025

Brasil Fazendo a Limpa

 

Imagem: Terra

Dois anos atrás, Lula pegou o Brasil parecendo aquela casa de filme de terror: portas arrancadas, infiltração no teto e até uns fantasmas do passado assombrando.

Mas olha só o plot twist: o país tá de cara nova, e até o fantasma da fome foi expulso com vassoura de políticas públicas!

O PIB virou atleta olímpico e o desemprego bateu recorde do tipo bom, com 6,6% (o menor em 12 anos!).

Salário mínimo? Subindo mais que inflação. Imposto de Renda? 10 milhões de pessoas isentas. E olha a reforma tributária, que finalmente saiu do papel depois de anos no "vou começar segunda-feira".

Milhões de brasileiros saíram do mapa da fome, isso é um universo de gente que agora janta sem medo. O Bolsa Família 2.0 virou o app mais baixado do país, com 20 milhões de famílias dizendo: "valeu, Lula!"

O Mais Médicos voltou com tudo e o SAMU tá com frota cinco vezes maior.  Agora dá pra chamar e realmente chegar a tempo.

Na educação, o Pé-de-Meia tá garantindo que os jovens fiquem na escola.

Rodovias, portos, escolas... O PAC tá ON. São milhares de obras rolando.

Lula resumiu bem: "A casa tava destruída, mas a gente reformou".

E olha só, até o fantasma da recessão fugiu!

Agora é seguir o lema: "Trabalhar sério, mas com alegria" (e torcer pra oposição não trazer outro exorcista).


Enquanto a Direita se Desfaz

 

Imagem: Brasil de Fato

A crise judicial de Bolsonaro e a guinada protecionista de Trump expõem a fragilidade da oposição, mas também revelam uma janela de oportunidade para o governo Lula.

Se há desorientação no campo bolsonarista, o Planalto não pode perder tempo: é hora de trocar a defensiva pela ofensiva e recolocar o Brasil nos trilhos.

Os recentes reveses do ex-presidente no STF e a contradição do bolsonarismo com as tarifas de Trump mostram uma direita sem rumo.

Seus aliados no Congresso insistem em pautas irrelevantes (como a anistia aos golpistas do 8/1), enquanto o país clama por soluções econômicas.

O governo deve explorar essa divisão, isolando os extremistas e negociando com o Congresso uma agenda realista e imediata.

A aprovação rápida de medidas contra as tarifas norte-americanas prova que, quando o foco é o interesse nacional, até oposicionistas colaboram.

A Câmara, no entanto, ainda emperra em birras bolsonaristas.

O Governo Federal e a Câmara dos Deputados têm a chance de enterrar pautas radicais e priorizar o que importa.

A queda de aprovação do Governo nas pesquisas reclama a falta de protagonismo, não falta de oportunidades.

Lula já mostrou que sabe articular crises internacionais a seu favor. E trabalha na virada de página das rixas ideológicas, para adotar um tom unificador.

Acelera projetos populares, como o aumento real do salário mínimo e crédito para pequenos negócios enquanto expõe a hipocrisia bolsonarista que apoiava Trump, mas agora sofre com suas tarifas.

A direita está enfraquecida, mas o governo não colherá frutos se ficar à espera.

A hora é de retomar a agenda econômica, pressionar o Congresso e mostrar à população que, enquanto bolsonaristas brigam por privilégios, Lula está trabalhando pelo Brasil.


quinta-feira, 3 de abril de 2025

Não... claro que não é nada engraçado.

Imagem: Brasil de Fato

Donald Trump acabou de dar um esperado tapa na cara do Brasil com sua nova política de taxar todos os nossos produtos em pelo menos 10% e o que era para ser uma crise diplomática virou um reality show de humilhação bolsonarista.

Enquanto exportadores brasileiros entram em pânico calculando prejuízos, a família Bolsonaro e seus seguidores, que posam orgulhosos com bandeiras estadunidenses, agora devem estar a morder a língua com força.

A cena é quase cômica: os mesmos “vira-latas” que chamavam Trump de "herói conservador" hoje engolem seco enquanto ele trata o Brasil como república de banana. O mais delicioso é ver a ginástica mental da extrema-direita tentando justificar o injustificável.

Enquanto o agronegócio, base eleitoral de Bolsonaro, se contorce com a taxação da soja, do café e da carne, por exemplo, os gurus bolsonaristas nas redes sociais inventam teorias mirabolantes.

A realidade, porém, é simples: Trump sempre enxergou o Brasil como um pária comercial, e os Bolsonaro(s) como úteis idiotas dispostos a vender o país por um retweet.

A cereja do bolo? Tarcísio de Freitas, o governador que vestiu o bonezinho de apoio a Trump, agora evita o assunto como diabo foge da cruz.

Enquanto isso, a esquerda brasileira, aquela mesma que os bolsonaristas chamam de "anti-EUA", está rachando o bico com essa aula prática de geopolítica. 

Afinal foi Lula quem realmente defendeu os interesses nacionais e  diversificou nossos parceiros comerciais, não os puxa-sacos de Washington.

No final, a lição é clara.  Patriotismo de hashtag não paga conta. E Trump, com seu tarifaço, acabou de entregar de bandeja o troféu de "Vira-Lata do Ano" para a turma que achava que selfie com gringo era política externa.


Entregadores de App Paralisam e Mostram a Força do Trabalho Invisível

 

Imagem: Terra
Os entregadores de aplicativo fizeram mais uma paralisação nacional nesta semana, mostrando que por trás da comodidade do delivery existe um sistema que explora quem pedala e dirige pelas cidades.

Durante dois dias, motoboys e ciclistas pararam entregas em shoppings e redes de fast-food, principalmente em São Paulo, onde fica a sede do iFood.

O motivo da greve é simples: os valores pagos pelas corridas estão cada vez mais baixos enquanto as plataformas faturam bilhões.

Os trabalhadores pedem aumento nas taxas, fim dos pedidos agrupados (que obrigam a fazer várias entregas pelo preço de uma) e limite de distância para quem trabalha de bicicleta.

O movimento revelou a dura realidade desses trabalhadores.

Nos grupos de WhatsApp, áudios mostravam a tensão: de um lado, quem defendia continuar a greve, de outro, os pressionados pelas contas.

Em alguns lugares, grevistas chegaram a confrontar colegas que continuavam trabalhando.

O iFood prometeu ouvir as reivindicações, mas não deu respostas concretas.

Por isso, as lideranças já avisam: se nada mudar, a próxima paralisação será maior e mais longa.

A mensagem é clara: os entregadores podem parar o país se quiserem, e as plataformas precisam entender que não há "entrega rápida" sem trabalho digno.

Enquanto isso, continua o paradoxo. Os apps chamam esses trabalhadores de "parceiros", mas não garantem direitos básicos como salário mínimo ou descanso.

A greve mostrou que, mais cedo ou mais tarde, toda flexibilidade tem seu preço e quem vai pagar são justamente as empresas que se recusam a negociar.

Cabe a nós, como consumidores e usuários desse sistema de entregas, sermos solidários e compreendermos as paralisações, apoiando-as de maneira a auxiliar esses trabalhadores.



Cassação não Apaga a Luta

 

Imagem - G1
A iminente cassação do deputado Glauber Braga, do PSOL do Rio de Janeiro, pelo Conselho de Ética da Câmara dos Deputados revela, mais uma vez, a "seletividade" do sistema político brasileiro.

O processo, movido pelo Partido Novo após um confronto físico entre Braga e um integrante do MBL em 2024, ignora o contexto de provocação sistemática e reduz a um ato isolado o que foi uma reação de anos de assédio político.

Enquanto parlamentares que incitaram violência em 8 de janeiro seguem impunes, a Casa gasta energia para punir um deputado que, em meio a um embate acalorado, reagiu a uma invasão de espaço e provocações.

A defesa de Braga alega legítima defesa, não apenas física, mas política.

Curiosamente, o relator do caso, deputado Paulo Magalhães, tem ligações comprovadas com Arthur Lira, alvo frequente das críticas de Braga ao orçamento secreto.

Essa coincidência expõe o caráter vingativo do processo que não se trata de defender a ética, mas de eliminar vozes incômodas.

Se a cassação for adiante, a Câmara enviará uma mensagem perigosa. A de que protestos golpistas são toleráveis, mas reagir a eles é "quebra de decoro".

O mesmo Congresso que engavetou 117 pedidos de cassação contra bolsonaristas agora se mobiliza para punir um único parlamentar de esquerda.

Os números comprovam a seletividade.  Em 2024, apenas 3% dos processos por decoro contra deputados da extrema direita prosperaram, contra 78% dos que visavam a esquerda.

O grupo envolvido no incidente tem histórico de ações agressivas em plenários, incluindo invasões e interrupções violentas de sessões (caso da CPI da Covid).

Mas há algo que seus perseguidores não entenderam: Glauber Braga não é um deputado qualquer. Foi o primeiro a denunciar Sergio Moro como "juiz ladrão" quando muitos ainda hesitavam. Tornou-se um dos principais opositores dos desmandos de Arthur Lira. E enfrenta, sem medo, adversários poderosos.

Sua possível cassação não o enfraquecerá, mas pelo contrário, transformará esse professor de história em símbolo da resistência democrática.

A democracia não pode ser um clube onde só alguns têm direito à defesa e menos ainda à indignação.

Se conseguirem cassá-lo, farão de Glauber o que sempre tentaram evitar: uma voz ainda mais potente, que ecoará além dos muros do Congresso, lembrando que há políticos que preferem perder o mandato a se calar diante da injustiça.



quarta-feira, 2 de abril de 2025

Apesar dos Desafios, o Governo Lula Ainda Tem Caminho para Percorrer


Imagem - QZH

Os números da última pesquisa Genial/Quaest trouxeram um dado que chamou atenção: 56% dos brasileiros desaprovam o governo Lula, contra 41% de aprovação.

À primeira vista, o cenário parece preocupante, mas uma análise mais cuidadosa revela que a situação atual ainda é significativamente melhor do que a enfrentada por Bolsonaro no mesmo período de seu mandato e que há espaço para uma virada nos próximos meses.

Quando olhamos para julho de 2020, no governo Bolsonaro, a aprovação era de apenas 34%, com o então presidente já enfrentando uma crise de imagem agravada pela gestão caótica da pandemia.

Lula, mesmo com os desafios atuais, mantém uma base de apoio mais sólida, especialmente no Nordeste, onde sua aprovação chega a 58%.

Essa diferença de 7 pontos percentuais em relação ao antecessor não é trivial, pois mostra que, apesar das dificuldades, o governo ainda conta com um capital político considerável para manobrar.

A economia apresenta sinais ambíguos, mas com pontos positivos que podem ser explorados.

A inflação acumulada em 12 meses está no menor patamar desde 2020, e o desemprego segue em queda, já bem abaixo dos 12% registrados no final do governo anterior.

Programas populares do governo têm potencial para aquecer setores importantes e melhorar a percepção popular, desde que comunicados de forma eficiente.

Historicamente, governos conseguiram se recuperar de momentos ainda mais difíceis.

Em 2005, Lula enfrentou o escândalo do Mensalão com aprovação em queda, mas conseguiu reverter o quadro relançando o Bolsa Família e investindo pesado em obras públicas.

FHC, em 1999, superou a crise do Real com uma combinação de medidas econômicas duras e programas sociais.

O atual governo tem a vantagem adicional de contar com um Congresso menos hostil do que o enfrentado por Dilma em 2015, quando ela registrava 38% de aprovação sem qualquer apoio parlamentar.

O caminho para a recuperação existe, mas exige ajustes.

O governo precisa evitar auto-sabotagem como declarações inflamadas que desviam a atenção de suas conquistas e focar em comunicar melhor os mais de 1,3 milhão de empregos formais gerados em 2024.

As eleições municipais serão um termômetro importante, mas não uma sentença definitiva. Com uma estratégia clara e menos dispersão, os 41% atuais podem sim se tornar a base para uma recuperação nos próximos meses.

A história política brasileira mostra que governos muitas vezes encontram seu momento de virada nos momentos mais desafiadores.

Para Lula, essa possibilidade ainda está aberta.  Resta saber se sua equipe saberá aproveitá-la.

O copo pode não estar cheio, mas certamente ainda está longe de estar vazio.


Darci, Uma Vida em Harmonia

 

Pelos corredores da memória, ainda ecoam as notas de "Le Lac de Côme" tocadas ao piano nas manhãs de minha infância.

Era assim que Darci Antunes Gomes anunciava o dia. Com música, elegância e aquela disciplina doce que só quem nasceu para ensinar consegue ter.

Filha de um português de mão firme e uma italiana de coração ardente, novembro de 1946 trouxe ao mundo uma mulher que faria da arte seu legado.

Casou-se com Carlos Gomes, amor que durou 56 anos, e juntos escreveram uma história de três filhos: Marcelo, Denise (que partiu cedo, deixando saudades que doem como nota sustenida) e eu.

De seu pai, um construtor que ajudou a erguer São José do Rio Preto, Darci herdou o dom de construir sonhos. Primeiro, com as teclas do piano. Seu Conservatório Musical de Mirassol trouxe maestros internacionais e formou gerações. Lídia Alimonda, Joaquim Paulo do Espírito Santo e Araceli Chacon não eram apenas professores, eram artistas que ela convidava para compartilhar o palco da educação musical.

Depois, veio a Karmel Boutique, onde vestiu a cidade com a alta-costura de suas mãos.

Suas lojas no Rio Preto Shopping e em São Paulo eram mais que negócios.  Eram extensões de seu bom gosto impecável. Até que os ventos difíceis dos anos Collor a levaram a recomeçar, como sempre fez: com dignidade.

Aos 50 anos, trocou as vitrines pelas salas de aula, tornando-se professora de Português. Na Escola Ivete Atique, suas lições iam além da gramática.  Ensinavam resiliência.

Na aposentadoria, o artesanato.

Cada peça que criava nas feiras pela cidade carregava a mesma atenção aos detalhes que dedicava às sonatas de Chopin ou aos vestidos de linho.

Hoje, vive na chácara onde morou décadas ao lado de Carlos, entre plantas, livros e o silêncio aconchegante de quem sabe que cumpriu seu tempo com graça.

Mãe, empresária, professora, artesã.

Darci é como aquela música que acordava minha infância: complexa na técnica, mas simples na beleza que toca a alma.

E se perguntarem qual é seu maior feito, direi: "Fez da vida uma obra de arte, nem sempre perfeita, mas sempre cheia de significado".

(Homenagem a Darci Antunes Gomes, que transformou notas em sinfonias, tecidos em poesia, e desafios em versos de superação.)


Por que você precisa assistir "Mickey 17"? - Um filme que diverte, choca e faz pensar

 

Imagem - G1 - Cena do Filme Mikey 17

Assistir "Mickey 17" foi uma daquelas raras experiências cinematográficas que ficam gravadas na memória.

Em 2h30 que passaram voando, o filme conseguiu o equilíbrio perfeito entre entretenimento de alta qualidade e crítica social afiada.

Dirigido pelo genial Bong Joon-ho (de "Parasita"), essa obra mistura ficção científica, humor negro e uma sátira contundente ao nosso mundo atual de forma brilhante.

Robert Pattinson entrega uma atuação memorável como Mickey, o trabalhador descartável de uma colônia espacial que é substituído por clones cada vez que morre, até que sua 17ª versão decide se rebelar contra o sistema.

O que poderia ser apenas uma premissa criativa de ficção científica se transforma em uma reflexão poderosa sobre exploração trabalhista, culto ao poder e os absurdos do capitalismo moderno.

O filme faz uma sátira impiedosa de figuras como Elon Musk e sua obsessão por colonização espacial, mostrando como projetos megalomaníacos muitas vezes escondem estruturas de exploração desumanas.

As cenas que retratam a relação entre os trabalhadores descartáveis e seus patrões são ao mesmo tempo hilárias e perturbadoras, revelando como muitas vezes glorificamos aqueles que nos oprimem.

Bong Joon-ho mantém sua marca registrada. Consegue tratar de temas pesados com um humor inteligente que não diminui o impacto de sua mensagem.

A colônia espacial do filme funciona como um microcosmo da nossa sociedade, com suas hierarquias rígidas, burocracias absurdas e a desumanização do trabalho.

Para quem aprecia cinema que diverte mas também provoca reflexão, "Mickey 17" é obrigatório.

Fui ver com meus filhos e saímos do cinema encantados e cheios de assunto para debater.

É raro encontrar uma obra que equilibre tão bem ação, comédia e crítica social e que faça tudo isso sem perder o ritmo ou se levar muito a sério.

Se você é daqueles que acredita que cinema pode (e deve) ser tanto divertido quanto inteligente, não perca "Mickey 17".

É daqueles filmes que ficam ecoando na cabeça dias depois da sessão, e que certamente entrará para a lista de obras indispensáveis da ficção científica moderna.


terça-feira, 1 de abril de 2025

CPI na Câmara de Rio Preto - Investigar Gestão do Dinheiro Público é Obrigação do Legislativo

A instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar supostos gastos irregulares da gestão do ex-prefeito Edinho Araújo tem gerado barulho na Câmara Municipal de São José do Rio Preto e aparentemente entre alguns ex-integrantes do governo de então.

Sou e sempre fui extremamente favorável a todo tipo de investigação.  Acredito ser esse o papel de um vereador vigilante e combativo, como é, de fato, o caso do vereador do PSOL.

João Paulo Rillo conseguiu as assinaturas necessárias para a criação da comissão.  Mas o MDB, partido do ex-prefeito, classifica a iniciativa como "cortina de fumaça" com objetivos eleitorais.

A alegação do partido é de que a CPI serviria mais como palanque para adversários do que como instrumento de fiscalização legítima. 

Essa acusação do MDB sim visa servir de cortina de fumaça às investigações.

Por outro lado, Rillo e os defensores da investigação argumentam que a comissão é necessária para trazer transparência aos cofres públicos.

Afinal, com já afirmei, apurar possíveis desvios e excesso no “esbanjo” do dinheiro público é obrigação do Legislativo.

O fato, no entanto é que a cidade merece e deve saber como foi usada, durante esses 8 anos de gestão Edinho, as chaves do cofre do município. 

O debate deve se intensificar nas próximas semanas, quando a CPI for oficialmente instalada e começar a ouvir testemunhas e analisar documentos.

Por mais víeis político que pudesse ter a proposta de uma CPI, espera-se que venha acompanhada de critérios técnicos que promovam uma investigação séria e comprometida com a cidade. E para isso sua composição, sob a presidência de Rillo será fundamental.

E, sobretudo, que a CPI não se torne instrumento para o atual prefeito justificar sua própria inação, atribuindo à falta de recursos ou a supostos problemas herdados a incapacidade de implementar políticas públicas efetivas. 

A população não aceita mais a velha narrativa de que 'os problemas do passado impedem as soluções do presente' como desculpa para a paralisia administrativa. 


1º DE ABRIL - Quando a Brincadeira Virou Ameaça

 

Imagem: Plano Critico

O Dia da Mentira, celebrado em 1º de abril, sempre foi uma data leve, marcada por pegadinhas inofensivas e notícias absurdas que terminavam em risadas.

No Brasil, a tradição começou em 1828, quando o jornal "A Mentira" anunciou a morte de Dom Pedro I apenas para provocar reações.

A graça estava no desfecho, quando todos descobriam que era apenas uma brincadeira.

Mas nos últimos anos, as mentiras deixaram de ter data marcada e passaram a circular diariamente, com consequências que vão muito além de uma simples zoeira.

As fake news, ou notícias falsas, são o lado sombrio dessa tradição.

Elas se aproveitam do mesmo mecanismo que torna as piadas do 1º de abril eficazes, o elemento surpresa, o absurdo que choca, mas com um objetivo muito diferente: manipular, dividir e até destruir.

Enquanto uma mentira de abril é feita para divertir, as fake news são feitas para causar dano. E o pior é muitas pessoas não percebem a diferença.

O poder das fake news está em sua capacidade de explorar emoções.

Elas não são projetadas para informar, mas para provocar reações imediatas como raiva, medo, indignação.

Foi assim com os boatos que levaram ao linchamento de uma mulher inocente em 2014, acusada de praticar magia negra. Foi assim durante a pandemia, quando mentiras sobre tratamentos ineficazes custaram vidas. E foi assim no 8 de janeiro, quando teorias da conspiração alimentaram um ataque às instituições democráticas.

Enquanto isso, as plataformas de redes sociais, que deveriam ser espaços de informação, muitas vezes funcionam como aceleradoras de mentiras.

O algoritmo privilegia conteúdo polêmico, independentemente de sua veracidade, porque reações, mesmo as negativas, significam engajamento. E engajamento significa lucro. Enquanto não houver responsabilização real, as fake news continuarão a ser um negócio rentável para alguns e um perigo para todos.

O desafio, então, é aprender a rir das mentiras do 1º de abril sem cair nas armadilhas das mentiras que circulam o ano inteiro.

Desconfiar de manchetes bombásticas, checar fontes e pensar antes de compartilhar são pequenos atos de resistência. Afinal, uma democracia saudável depende de cidadãos informados, não de marionetes emocionais.

Neste 1º de abril, a melhor brincadeira que podemos fazer é espalhar a verdade.

Porque, no fim das contas, a única mentira inofensiva é aquela que todo mundo sabe que é mentira. O resto é arma.



Brasil Fazendo a Limpa

  Imagem: Terra Dois anos atrás, Lula pegou o Brasil parecendo aquela casa de filme de terror: portas arrancadas, infiltração no teto e até ...