sábado, 25 de abril de 2026

Entre o craque e o homem

 

Imagem UOL
Meu pai era corinthiano daqueles de raiz. Mas, mais do que isso, era apaixonado pelo futebol bem jogado. Não era só o clube, era o espetáculo, a arte, o improviso, a genialidade em campo. E nisso ele era generoso. Reconhecia talento onde ele estivesse.

Por isso, nossas discussões eram inevitáveis.

Ele defendia Pelé com a convicção de quem não aceitava comparação. Eu, teimoso, tentava levar Diego Maradona ao mesmo altar. E ali, entre argumentos e provocações, travávamos batalhas que, hoje vejo, eram menos sobre futebol e mais sobre amor.  Aquele amor que só se expressa assim, no calor das palavras.

Mas foi na última Copa, em 2022, que tivemos nossa conversa mais difícil.

Já próximo de sua partida, meu pai ainda tinha energia pra defender o jogo bonito e, naquele momento, ele enxergava isso em Neymar. Dizia que era um grande jogador, que merecia respeito, que minhas críticas eram duras demais.

E eram mesmo.

Porque eu nunca consegui separar o jogador do homem. Nunca consegui ver só o drible, ignorando o que estava fora de campo. Meu pai, não. Ele tinha essa sabedoria.  Enxergava o futebol na sua essência, quase como uma obra de arte que existe por si.

Discutimos. Elevamos o tom. Como sempre fizemos.

Hoje, isso me dói.

Não pelo que pensamos, porque pensar diferente sempre fez parte de nós, mas pela intensidade, pelo excesso, pelo tempo que já não volta.

Com o passar dos dias, fui entendendo que meu pai via algo que eu ainda estou aprendendo a ver.  O futebol como linguagem própria, como beleza autônoma, como expressão que não precisa carregar todo o peso do mundo.

Ele entendia mais. E eu reconheço isso com humildade.

Mas ainda carrego em mim essa dificuldade, essa insistência em misturar o campo com a vida, o craque com o cidadão. Talvez seja defeito. Talvez seja convicção. Talvez seja só o meu jeito de ver o mundo.

E é por isso que, mesmo hoje, não consigo lamentar a ausência de Neymar em uma convocação. Há em mim algo que ainda cobra mais do que talento.

Meu pai, provavelmente, discordaria.

E talvez sorrisse diante disso.

No fim, nossas discussões nunca foram sobre quem estava certo. Foram sobre estarmos juntos, vivendo o futebol com paixão, cada um à sua maneira.

E se hoje eu penso diferente, ainda assim carrego comigo o que ele me ensinou sem dizer que o futebol, como a vida, é feito de olhares.

E o dele… era mais bonito que o meu.


A mídia tem lado e isso precisa ser compreendido.

 

Imagem Carta Capital

A ideia de uma mídia completamente neutra é mais um ideal do que uma realidade concreta. Em um mundo atravessado por disputas econômicas, políticas e culturais, a informação também é parte desse jogo. O que vemos diariamente nos grandes veículos de comunicação não é apenas a descrição dos fatos, mas a construção de narrativas e toda narrativa carrega escolhas.

Basta observar a cobertura de temas internacionais para perceber esse fenômeno com clareza. Conflitos envolvendo países como o Irã costumam ser apresentados sob uma ótica específica, na qual determinados atores são rapidamente posicionados como vilões, enquanto outros, agressores de fato como os EUA ou Israel, têm suas ações relativizadas ou justificadas. Movimentos como o Hezbollah ou Hamas são frequentemente rotulados apenas como terroristas, desconsiderando sua dimensão política e social em seus territórios de atuação. Isso não significa ignorar práticas condenáveis, mas evidencia que a forma de narrar influencia diretamente a percepção pública.

O mesmo ocorre com lideranças políticas de países que não estão alinhados aos interesses das grandes potências ocidentais. Governantes de nações como Venezuela, Cuba ou Coreia do Norte são frequentemente enquadrados sob rótulos como “ditadores” ou “regimes”, enquanto aliados estratégicos recebem tratamentos mais moderados, mesmo diante de situações igualmente controversas, como a Arábia Saudita. A linguagem não é neutra, ela orienta o olhar.

No cenário interno, a lógica não é muito diferente. Figuras públicas que atuam simultaneamente como líderes religiosos e empresários de comunicação são muitas vezes, apresentadas apenas por seus títulos eclesiásticos (pastores, bispos), o que pode obscurecer sua atuação econômica e política. Isso revela como a mídia também simplifica ou enquadra personagens conforme determinadas convenções e interesses, deixando de lado nuances importantes.

Esse processo não decorre, necessariamente, de uma conspiração deliberada, mas de fatores estruturais. A concentração dos meios de comunicação em grandes grupos econômicos, a dependência de fontes oficiais, o alinhamento histórico com determinados centros de poder e a necessidade de simplificar temas complexos para consumo rápido. Tudo isso contribui para a reprodução de determinadas visões de mundo em detrimento de outras.

Diante desse cenário, o desafio não é rejeitar ou tentar transformar a mídia, mas aprender a lê-la criticamente. Isso significa buscar diferentes fontes, comparar versões, entender quem fala e de onde fala, e reconhecer que toda informação carrega contexto. A pluralidade de olhares é essencial para evitar uma compreensão limitada da realidade.

A mídia tem lado ou, mais precisamente, múltiplos lados em disputa. Ignorar isso é abrir mão da própria capacidade de interpretar o mundo. Compreender esse processo, por outro lado, é um passo fundamental para exercer cidadania com consciência e autonomia.

Deus salve os jornalistas livres que podem exercer suas profissões com verdade e fatos. 

quinta-feira, 23 de abril de 2026

O santo que não se curva diante da injustiça

 

Imagem - The Independent - UK

Celebrado em 23 de abril, São Jorge é muito mais do que um santo da tradição cristã. Ele é símbolo universal de coragem, resistência e justiça.  Um guerreiro que atravessou séculos e culturas, mantendo viva a chama da luta contra o mal.

Sua história remonta ao século III. Jorge foi um soldado romano que se recusou a negar sua fé cristã diante das perseguições do imperador. Por essa coragem, foi torturado e morto, tornando-se mártir.

A tradição conta que seus restos mortais foram enterrados em Lida, na antiga região da Palestina, local que até hoje recebe peregrinos.

Mas é na imagem que São Jorge ganha contornos ainda mais grandiosos. Em tempos difíceis, sua imagem montada no cavalo, enfrentando o dragão, nos lembra de algo essencial.  O mal pode ser grande, mas nunca é invencível.

Mais do que um combate físico, esse episódio simboliza a vitória da justiça sobre a opressão, da fé sobre o medo, da dignidade sobre a violência.

Não por acaso, São Jorge é padroeiro de diversos lugares e instituições ao redor do mundo. Dentre eles é padroeiro da Inglaterra, da Geórgia e de Portugal. Também é padroeiro de Moscou, capital da Rússia. 

No Brasil, sua devoção atravessa religiões e identidades. É venerado por católicos, celebrado com intensidade pelas religiões de matriz africana e na umbanda, é sincretizado com Ogum, o orixá guerreiro, abridor de caminhos, defensor dos que lutam.

Sua presença também está no coração do povo. É símbolo de luta para quem enfrenta dificuldades, para quem batalha diariamente por dignidade. Não à toa, até o futebol o abraça. O Sport Club Corinthians Paulista carrega São Jorge como padroeiro, representando a garra, a fé e a resistência de sua torcida.

São Jorge “se dói” com as injustiças. É o santo daqueles que não aceitam o mundo como ele está quando ele é desigual. Sua devoção é buscada por quem precisa de proteção, coragem, abertura de caminhos e força para enfrentar batalhas, visíveis ou invisíveis.

Salve São Jorge. Protetor dos que acreditam. Inspiração dos que resistem.

quarta-feira, 22 de abril de 2026

A vitória de Ana Paula foi popular ou sinal político?

 

Imagem  G1
A vitória de uma participante no Big Brother Brasil frequentemente desperta interpretações que vão além do entretenimento.

Em um país profundamente politizado como o Brasil atual, não é incomum que o público associe trajetórias individuais dentro do programa a posicionamentos ideológicos mais amplos.

No caso recente da vitória de Ana Paula Renaulta, a percepção de que a mesma tenha afinidade com pautas progressistas, especialmente ao demonstrar apoio a políticas sociais ou a lideranças políticas específicas, gerou um debate imediato.  Sua vitória representaria um sinal de maior consciência política da população?

É preciso cautela.

O BBB é, antes de tudo, um programa de grande alcance popular que mistura carisma, narrativa emocional, identificação do público e dinâmica de jogo. A escolha do vencedor raramente se dá por critérios exclusivamente políticos. Elementos como empatia, história de vida, conflitos vividos na casa e capacidade de comunicação costumam pesar mais diretamente no resultado.

Isso não significa, por outro lado, que aspectos políticos estejam ausentes. Em um ambiente social atravessado por debates intensos, como desigualdade, direitos sociais e papel do Estado, posicionamentos explícitos ou implícitos dos participantes podem influenciar parte do público. Especialmente nas redes sociais, esses elementos ganham amplitude e ajudam a moldar a imagem dos jogadores.

A eventual identificação da vencedora com pautas associadas ao campo progressista pode, sim, dialogar com parcelas da sociedade que valorizam essas agendas. Mas interpretar sua vitória como um indicador direto de apoio majoritário a um projeto político específico seria uma simplificação excessiva.

O resultado do BBB tende a refletir mais um consenso emocional momentâneo do que uma decisão política estruturada. Trata-se de uma escolha mediada por entretenimento, ainda que atravessada por valores sociais.

Por outro lado, não se pode ignorar que a televisão aberta, especialmente programas de grande audiência, continua sendo um espaço relevante de formação simbólica. Quando figuras públicas associadas a determinados valores ganham projeção positiva, isso contribui para normalizar e difundir certas visões de mundo.

Nesse sentido, a vitória pode ser lida menos como um “termômetro eleitoral” e mais como um sinal cultural.  A presença de discursos ligados à inclusão social, direitos e políticas públicas segue encontrando ressonância em parte significativa do público.

Em síntese, o fenômeno não autoriza conclusões definitivas sobre a orientação política da sociedade brasileira, mas indica que o debate sobre justiça social e papel do Estado permanece vivo, inclusive nos espaços de entretenimento.

Que o Congresso preste bem atenção nisso.

segunda-feira, 13 de abril de 2026

Quando o poder vira delírio.

 

Há momentos em que a política deixa de ser disputa de ideias e passa a revelar algo mais preocupante como a desconexão completa com qualquer senso de limite.

As recentes declarações e encenações de Donald Trump caminham perigosamente nessa direção.

Atacar uma liderança religiosa, como vem fazendo contra o Papa Leão XIV por defender a paz já seria, por si só, um gesto questionável. Mas ir além, simulando uma imagem messiânica como o próprio Cristo, colocando-se como figura divina, enquanto critica posições humanitárias, não é apenas arrogância. É sintoma de um poder que já não reconhece freios morais.

O mundo vive tensões reais, conflitos que custam vidas, especialmente no Oriente Médio. Nesse cenário, vozes que pedem diálogo, prudência e respeito à vida deveriam ser ouvidas e não ridicularizadas.

A tentativa de deslegitimar esse discurso revela uma lógica perigosa, qual seja a de que força e imposição valem mais do que qualquer construção coletiva de paz.

Trump insiste em transformar tudo em espetáculo, inclusive a política externa. Ao fazer isso, reduz temas complexos a slogans e ataques pessoais, mentiras absurdas, ignorando que decisões nesse campo não são bravatas de campanha, mas escolhas que afetam milhões de vidas.

E há algo ainda mais grave.  A construção de uma narrativa em que ele próprio se coloca acima das instituições, acima das críticas e agora, até acima de referências espirituais. Quando um líder político passa a se enxergar como incontestável, o problema deixa de ser ideológico e torna-se institucional e em certa medida, civilizatório.

Não se trata de divergência política, mas de responsabilidade.

O mundo não precisa de líderes que se comportam como figuras absolutas. Precisa de equilíbrio, respeito e compromisso com a vida. E quando isso falta é dever de todos dizer com clareza que o “cara” passou dos limites.

sábado, 11 de abril de 2026

Do Brasil para o mundo: saúde como direito, não privilégio

 

Imagem - ICL Notícias
O que é bom se espalha, inspira, transforma. E o Sistema Único de Saúde é exatamente isso.  Uma das maiores expressões de inclusão social já construídas no Brasil.

Universal, gratuito e acessível, o SUS materializa um princípio civilizatório poderoso.  O de que saúde não é privilégio, é direito. Em um mundo onde boa parte dos países ainda trata o atendimento médico como mercadoria, o Brasil ousou fazer diferente. E fez certo.

Agora, esse exemplo começa a ecoar além das nossas fronteiras.

O México se prepara para implantar um sistema inspirado no modelo brasileiro, com início previsto para 2027. Sob a liderança da presidenta Claudia Sheinbaum, o país dá passos concretos rumo à universalização do acesso à saúde, apostando na integração de dados, na ampliação do atendimento e na construção de uma rede que alcance, sobretudo, os mais vulneráveis.

Não se trata de copiar por copiar. Trata-se de reconhecer que políticas públicas bem-sucedidas devem, sim, ser replicadas. O novo sistema mexicano aposta na unificação de prontuários, no uso de tecnologia para facilitar o acesso e na ampliação de serviços essenciais, de emergências a tratamentos contínuos, da saúde mental à prevenção.

É a ideia de que o Estado deve estar presente onde a vida mais precisa.

O SUS, tantas vezes atacado por quem não compreende sua grandeza, mostra mais uma vez sua força. Não apenas por atender milhões de brasileiros todos os dias, mas por se tornar referência internacional. Por provar, na prática, que é possível construir um sistema de saúde baseado na solidariedade, na eficiência e no compromisso com a vida.

Quando um país olha para o Brasil e decide seguir esse caminho, não está apenas adotando um modelo. Está fazendo uma escolha política e humana. Porque, no fim das contas, o que é bom mesmo foi feito para ser compartilhado.

 

quarta-feira, 8 de abril de 2026

O Tio Sam perdeu a pose. Quando o império blefa e o mundo não compra.

 

Há uma contradição histórica que atravessa a identidade dos Estados Unidos e que, mais uma vez, se escancara diante do mundo. O país que se autoproclama guardião da liberdade e da democracia segue sendo, também, um dos maiores promotores de intervenções militares, invasões e desestabilizações em nome desses mesmos valores. A retórica é nobre, mas a prática, desmente essa lógica.

O recente episódio envolvendo Trump e o conflito com o Irã expõe essa incoerência com clareza quase didática. Sob o argumento de defesa e combate a “tiranias”, assistimos a uma escalada agressiva que, no fim, não entregou aquilo que prometia. Nem vitória, nem estabilidade, nem liderança moral. O resultado concreto é outro. Um cessar-fogo que revela limites, um adversário ainda de pé e uma superpotência que sai menor do que entrou. Bem menor, por sinal.

E há um agravante que não pode ser ignorado. Os Estados Unidos não entraram nesse cenário apenas por cálculo estratégico abstrato, mas também para sustentar os interesses de um aliado cada vez mais questionado no cenário internacional. O governo de Benjamin Netanyahu. Ao se alinhar de forma quase incondicional a ações duramente criticadas contra o povo palestino, Washington não apenas reforça sua imagem de seletividade moral, como se associa diretamente a práticas que contradizem o próprio discurso que diz defender. A defesa da “democracia” torna-se, assim, um argumento conveniente, aplicado ou ignorado conforme o interesse geopolítico do momento.

A realidade impôs um freio à lógica simplista da “paz pela força”. Ficou evidente que poder militar, por mais vasto que seja, não resolve tudo. A geopolítica não se dobra apenas à força de bombas, especialmente quando enfrenta atores dispostos a resistir a qualquer custo. O controle estratégico do Estreito de Ormuz pelo Irã, por exemplo, demonstrou que há variáveis que nem o maior orçamento militar do planeta consegue neutralizar.

Mas talvez o dano mais profundo seja outro. O desgaste da credibilidade. Aliados tradicionais passaram a questionar não apenas decisões pontuais, mas o próprio valor da parceria com os EUA. A confiança, elemento central da liderança global, foi corroída por ameaças não cumpridas, discursos extremos e uma condução errática. Quando até setores conservadores começam a duvidar da coerência moral de um presidente, algo está claramente fora do lugar.

Esse episódio não é um ponto fora da curva. Ele é, na verdade, mais um capítulo de uma longa história em que os Estados Unidos oscilam entre o discurso de defensores da ordem internacional e a prática de agentes de instabilidade. A diferença agora é que o mundo mudou. Há mais atores, mais resistências, mais limites e menos disposição para aceitar, sem questionamento, a autoridade autoproclamada de uma potência.  Ou no caso, ex-potência.

No fim das contas, a pergunta que fica é inevitável. Que tipo de liderança global pode emergir de um país que insiste em resolver conflitos complexos com respostas simplistas e violentas? E mais. Até quando o discurso da liberdade continuará sendo utilizado como justificativa para práticas que, na essência, a negam?

Talvez estejamos assistindo não apenas a um revés pontual, mas a um sintoma de algo maior. O desgaste de um modelo de poder que já não se sustenta como antes. E, diante disso, o mundo começa, ainda que lentamente, a buscar outros caminhos.

Como bem sintetizou Jamil Chade, ao observar o impacto interno desse cenário: “O que as pesquisas revelam é que alguns daqueles indivíduos que usavam os bonés (Make America Great Again) já se deram conta de que foram feitos de trouxas. Bonés que, por sinal, são ‘Made in China’.”


segunda-feira, 6 de abril de 2026

Entre a pureza e a vitória

Imagem Carta Capital

 Existe um erro recorrente em setores da esquerda brasileira que precisa ser enfrentado com seriedade e urgência.

Enquanto o país ainda convive com a ameaça concreta do bolsonarismo, herdeiro direto de práticas e ideias de caráter fascista, parte da esquerda insiste em travar batalhas internas como se estivéssemos em tempos normais.

Não estamos.

A recente reação à filiação de Kátia Abreu ao Partido dos Trabalhadores é mais um exemplo desse problema. Setores do próprio partido, apoiados por articulistas e veículos identificados com o campo progressista, correram para levantar um tribunal moral, revisitando o passado da ex-senadora e suas contradições.

Mas a pergunta central é: isso ajuda ou atrapalha o campo democrático?

A política não é feita no laboratório da pureza ideológica. Ela é feita no terreno real, contraditório, complexo, onde alianças são não apenas desejáveis, mas necessárias.

Foi assim, inclusive, na vitória que interrompeu o ciclo autoritário recente. A construção da chapa entre Lula e Alckmin não foi um acidente. Foi uma escolha estratégica. Uma compreensão madura de que, diante de uma ameaça maior, era preciso ampliar, somar, dialogar com setores antes distantes.

E funcionou.

No entanto, o que vemos hoje é a repetição de um comportamento que já foi criticado na própria história da esquerda: o chamado “esquerdismo infantil”. Uma postura que, em nome de uma suposta coerência absoluta, acaba isolando o campo progressista e dificultando sua capacidade de disputar a sociedade.

Transformar divergências passadas em impedimentos absolutos para alianças no presente é, na prática, entregar terreno ao adversário.

Enquanto isso, o outro lado não tem qualquer constrangimento em se reorganizar, se articular internacionalmente e operar com foco total na retomada do poder.

A esquerda não pode se dar ao luxo de lutar contra si mesma.

Isso não significa abrir mão de princípios. Significa compreender prioridades. Significa saber diferenciar o que é contradição superável do que é incompatibilidade estrutural.

A construção de uma frente ampla, capaz de derrotar definitivamente o bolsonarismo e qualquer tentativa de regressão autoritária, exige maturidade política, generosidade estratégica e, sobretudo, compromisso com o povo brasileiro.

A história não será escrita pelos mais “puros”. Será escrita por aqueles que entenderem o tamanho do desafio e tiverem coragem de enfrentá-lo juntos.

sexta-feira, 3 de abril de 2026

D. Afonso Henriques - o Fundador de Portugal

D. Afonso Henriques, o primeiro rei
de Portugal, numa pintura a óleo
 de autor desconhecido do séc. XVIII

Se existe alguém em Portugal que virou quase um “super-herói medieval”, esse alguém é D. Afonso Henriques. O homem não só fundou um país, como ainda ganhou o título de “o Fundador”, o que, convenhamos, é um baita upgrade de currículo.

Mas a verdade é que, se a gente tirar a capa, a espada reluzente e o fundo épico com música de filme, sobra algo muito mais interessante. Um sujeito real, cheio de contradições, dúvidas e boas decisões estratégicas.

Pra começar, nem o básico a gente sabe direito.  Quando ele nasceu? Onde? Guimarães? Coimbra? Viseu? Ou fora de Portugal? Pois é. O fundador de Portugal talvez nem tenha nascido em Portugal. Já começa aí a ironia histórica.

E tem mais. Afonso não veio exatamente de uma família “100% portuguesa raiz”. Seu pai era da Borgonha (quase um francês medieval importado) e sua mãe, D. Teresa, filha de rei de Leão e Castela. Ou seja, o DNA do fundador já era mais internacional que um mochileiro europeu.

Aliás, sobre a mãe de Afonso, esquece aquela história simplista de vilã dominada por paixões. D. Teresa tinha projeto político, estratégia e ambição, coisa que incomodava muita gente. No fim das contas, Afonso acabou enfrentando a própria mãe numa disputa de poder que culminou na famosa Batalha de São Mamede, em 1128.

Sim, o sujeito basicamente começou a carreira “fundando o país” brigando em casa. Quem nunca?

Antes mesmo de existir como país, “Portugal” já era só o nome de um lugar. Tudo começou com Portus Cale, um antigo povoado às margens do rio Douro, na região onde hoje ficam o Porto e Vila Nova de Gaia. O nome vinha do latim “portus”, porto, e “Cale”, uma antiga povoação de origem Celta, que com o tempo virou “Portucale” e depois “Portugal”. Ou seja, antes de ser um país, Portugal era só um porto com nome estranho tentando virar alguma coisa maior.

Mas calma. Achar que ali “nasceu Portugal” num estalo é simplificar demais. Portugal não surgiu num dia mágico. Foi um processo longo, cheio de idas, vindas, alianças improváveis e muita improvisação política até porque aquele antigo Portucale ainda estava longe de ser um reino de verdade.

E aqui entra uma das partes mais curiosas. Afonso Henriques não era esse cavaleiro puro lutando contra um bloco inimigo homogêneo. Nada disso. Ele lutava contra muçulmanos, mas às vezes se aliava a eles. Lutava contra cristãos e também fazia acordos com eles. Ou seja. Menos “cruzada épica”, mais “xadrez político em nível hard”. 

A tal “Reconquista”, inclusive, não era essa guerra religiosa contínua que a gente aprendeu na escola. Na época, era mais sobre recuperar territórios e garantir poder do que sobre um embate ideológico total. A palavra “Reconquista” nem existia naquele tempo.

Afonso, no fundo, fazia o que todo governante pragmático faz. Negociava, guerreava, recuava, avançava e tentava sobreviver no meio de um mundo caótico. Parece até nosso presidente lidando aqui com o Centrão.

E não foi só na espada que ele jogou. O homem também entendia de marketing político medieval, claro. Foi lá em Roma, bateu na porta do Papa e disse, basicamente que queria ser rei “oficial”.

Demorou. O reconhecimento só veio décadas depois, em 1179. Ou seja, até pra virar rei “oficial”, o fundador teve que insistir.

No fim das contas, o que sobra de D. Afonso Henriques não é só o herói, mas algo melhor. Um líder que construiu um reino onde antes não havia um. Não reconquistou. Ele inventou.

E talvez essa seja a parte mais interessante de todas. Portugal não nasceu de um plano perfeito, nem de um destino inevitável. Nasceu de decisões difíceis, alianças improváveis e de um sujeito que, longe de ser perfeito, soube jogar o jogo do seu tempo.

Sem capa. Sem trilha sonora. Mas com um talento raro. Fazer história de verdade.


segunda-feira, 30 de março de 2026

O "viralatismo" criminoso de quem quer ser presidente.

 

Imagem - Folha de São Paulo
Em tempos de instabilidade global e desafios internos profundos, o Brasil precisa de lideranças comprometidas com sua soberania e com os interesses do seu povo. Por isso, causam indignação discursos que soam como verdadeira postura de subserviência a potências estrangeiras, especialmente aos Estados Unidos, como se o país não tivesse capacidade de enfrentar seus próprios problemas.

Declarações recentes do senador (pré-candidato à presidência) caminham nessa direção. Ao tratar temas complexos como segurança pública e combate ao narcotráfico com simplificações perigosas, flertando com a ideia de dependência externa, o que se vê não é liderança, mas uma visão que reduz o Brasil a uma posição de fragilidade e submissão.

Essa postura, frequentemente associada ao alinhamento automático com figuras como Donald Trump, revela mais do que afinidade ideológica.  Expõe uma concepção de política externa que abre mão da autonomia nacional em troca de aplausos fáceis e apoio nas eleições.

O Brasil não pode aceitar discursos entreguistas travestidos de solução. Combater o crime organizado exige inteligência, investimento e políticas públicas estruturadas, não atalhos retóricos que colocam em risco a soberania nacional.

Mais do que nunca, é preciso separar firmeza de irresponsabilidade. Força de entreguismo.  Discurso de traição.

Defender o país não é se ajoelhar diante de interesses externos, mas fortalecer nossas próprias instituições e nossa capacidade de decidir nossos rumos.

Soberania não se terceiriza. E muito menos se submete.

sexta-feira, 27 de março de 2026

Direita, esquerda e extrema-direita. Explicando política para quem nunca teve tempo (ou oportunidade) de entender


 Há dez anos, uma conversa com meu filho, suscitou um artigo que publiquei nesse mesmo espaço.  Outro dia, no entanto, numa conversa dessas despretensiosas, alguém me fez uma pergunta bem parecida com a dele e que, à primeira vista, parecia simples:

“Me explica uma coisa… qual a diferença entre direita, esquerda… e essa tal de extrema-direita que todo mundo fala?”

Já não era uma criança. Era um adulto, trabalhador, atento ao que acontece no país, mas como tantos outros, atravessado por um excesso de informação e uma escassez de explicação.

Na hora, percebi que aquela dúvida era maior do que parecia. Porque não era só dele. Era de milhões.

Durante muito tempo, se acreditou que todo mundo sabia o que era direita e esquerda. Mas o mundo mudou. Depois do fim da Guerra Fria, os discursos se misturaram, os partidos se adaptaram e a política passou a ser consumida mais como disputa de narrativas do que como debate de ideias.

E, mais recentemente, um novo elemento ganhou força: a extrema-direita.

Foi por aí que comecei.

Disse que, de forma direta, a esquerda é o campo político que entende que as desigualdades sociais, como a de renda, de oportunidade, de acesso são um problema central da sociedade. Por isso, defende que o Estado e as políticas públicas devem atuar para reduzir essas diferenças e garantir condições mais justas para todos.

Já a direita, embora também reconheça problemas sociais, tende a valorizar mais a liberdade individual, o mérito e a preservação das estruturas existentes, como o mercado, a propriedade privada e as tradições. Para esse campo, mudanças muito bruscas podem gerar mais problemas do que soluções.

Ele acompanhava com atenção. Até aqui, fazia sentido.

Então avancei para o ponto que mais gera confusão hoje em dia.  A extrema-direita.

Expliquei que a extrema-direita não é apenas uma “direita mais forte” ou mais enfática. Ela representa uma ruptura com algumas regras básicas da convivência democrática.

Enquanto a direita tradicional atua dentro das regras do jogo como eleições, instituições, respeito às leis, a extrema-direita tende a questionar essas próprias regras quando elas não lhe favorecem. Muitas vezes, aposta na desconfiança generalizada, no ataque a instituições, na criação de inimigos internos e na ideia de que só um grupo ou liderança representa “o povo de verdade”.

Além disso, costuma simplificar problemas complexos, oferecendo respostas rápidas e emocionais, quase sempre baseadas no medo, na raiva ou na exclusão.

Ele interrompeu:

“Então extrema-direita é a mesma coisa que ditadura?”

Respondi que não necessariamente, mas pode caminhar nessa direção se não houver limites. A história mostra que movimentos desse tipo, quando chegam ao poder sem freios, podem enfraquecer a democracia, concentrar poder e reduzir direitos.

Seguimos.

Disse que, na prática, essas três posições: esquerda, direita e extrema-direita, não são caixinhas perfeitas. Existem misturas, contradições e, muitas vezes, oportunismo político. No Brasil, não é raro ver discursos que mudam conforme a conveniência.

Ele riu. Porque isso é fácil de reconhecer.

A certa altura, veio a pergunta inevitável:

“E quem está certo nisso tudo?”

Respondi com honestidade que não existe resposta simples.

Se você acredita que o principal problema da sociedade é a desigualdade, tende a se aproximar da esquerda. Se valoriza mais o pensamento individual e a estabilidade das regras, pode se identificar com a direita. Mas se alguém começa a dizer que só um grupo tem legitimidade, que instituições não importam ou que regras podem ser ignoradas, é preciso acender o alerta, porque aí já não estamos mais falando apenas de posição política, mas de risco democrático.

Ele ficou em silêncio por alguns segundos, absorvendo.

Então veio outra pergunta:

“E os corruptos? Estão de que lado?”

A resposta, infelizmente, continuou a mesma.  De todos.

Corrupção não é ideologia. É desvio de caráter e de prática. Está onde há poder sem controle, seja à esquerda, à direita ou em qualquer outro espaço. Onde há seres humanos, há o risco de distorções, de egoísmo, de valorização individual ou de querer mais do que deve.

Já no fim da conversa, ele soltou uma frase que ficou na minha cabeça:

“Engraçado… parece que o problema não é entender. É que ninguém explica assim.”

Talvez seja isso.

Durante muito tempo, a política foi reduzida a rótulos, slogans e brigas superficiais. E, nesse vazio, cresceram certezas fáceis e confusões profundas.

Expliquei, então, que entender essas diferenças não é escolher um time, mas compreender como diferentes visões tentam responder às mesmas perguntas:

Quem deve ter mais? Quem decide as regras? E até onde essas regras devem ser respeitadas?

Quando a gente abandona essas perguntas, a política vira torcida. Quando enfrenta essas questões de frente, ela volta a ser escolha.

No fim, ele não disse de que lado estava. Nem eu perguntei.

Mas saí dali com a sensação de que algo importante tinha acontecido. Não porque ele passou a concordar comigo, que sou declaradamente um homem de esquerda, posto que sou humanista. Mas porque, talvez pela primeira vez, ele teve ferramentas para pensar por conta própria.

E, em tempos como os nossos, isso já é muita coisa.

O Dilema da Comunicação na Era da Extrema-Direita


 A política brasileira vive mais um momento decisivo, em que se desenham pré-candidaturas e se reorganizam projetos de país.

Nesse cenário, uma dúvida recorrente emerge entre militantes, comunicadores e lideranças.  Criticar duramente a extrema-direita ajuda a derrotá-la ou, ao contrário, contribui para fortalecê-la?

A experiência recente do Brasil sugere que a resposta exige cautela. A ascensão de Bolsonaro demonstrou que a visibilidade, mesmo quando carregada de rejeição, pode funcionar como combustível político. Ao se apresentar como alvo de ataques permanentes, ele consolidou uma narrativa de enfrentamento ao “sistema”, mobilizando afetos e fidelidades que extrapolam o debate racional. Não por acaso, movimentos de grande repercussão, como o “Ele Não”, embora legítimos e necessários, também ampliaram seu alcance e presença no debate público.

Esse fenômeno não é novo. Paulo Maluf já sintetizava essa lógica ao afirmar que não importa se falam bem ou mal, desde que falem. Em contextos de alta polarização e intensa circulação de conteúdos, a repetição de nomes e imagens, ainda que em tom negativo, pode reforçar reconhecimento e familiaridade junto ao eleitorado.

Diante disso, a tarefa colocada para o campo democrático e popular não é silenciar diante dos erros e ameaças da extrema-direita, mas qualificar a forma de intervenção política. A crítica precisa deixar de ser reativa e passar a ser estratégica. Em vez de apenas amplificar declarações polêmicas ou comportamentos grotescos, é necessário contextualizar, comparar e, sobretudo, apresentar alternativas concretas que dialoguem com a vida real das pessoas.

Nesse sentido, as pré-candidaturas de Lula e Haddad devem orientar a disputa para o terreno programático, onde a política pública, o desenvolvimento econômico e a melhoria das condições de vida possam ocupar o centro do debate. Mais do que reagir à agenda adversária, é preciso construir uma agenda própria, capaz de mobilizar esperança, confiança e pertencimento.

A comunicação política eficaz não se limita a denunciar.  Ela organiza sentidos. Criticar é necessário, mas insuficiente. É preciso disputar narrativas, valores e projetos de futuro. Quando a crítica se transforma em mera repetição do adversário, ainda que negativa, ela corre o risco de reforçar aquilo que pretende combater. Quando, ao contrário, se articula com proposta, identidade e direção, ela cumpre seu papel democrático de esclarecer e mobilizar.

O desafio, portanto, não está em falar menos sobre a extrema-direita, mas em falar melhor, com intencionalidade, inteligência e compromisso com o país que se deseja construir.

quarta-feira, 25 de março de 2026

O que está em jogo na prisão domiciliar de Bolsonaro

 

A concessão de prisão domiciliar ao ex-presidente Jair Bolsonaro, por decisão do ministro Alexandre de Moraes, abre um debate que vai muito além de um caso individual.

Não se trata apenas de discutir o direito à medida que, em situações específicas, pode ser legítima. Trata-se de questionar critérios, coerência e sobretudo, as consequências dessa decisão.

Em pouco tempo de cumprimento de pena desse cara, já houve mudanças nas condições de custódia, adaptações e agora o avanço para a prisão domiciliar. Só pra lembrar, ele tentou destruir a tornozeleira. 

É razoável perguntar quais fundamentos sustentam essa sequência de flexibilizações? Há, de fato, um quadro que justifique essa medida?

Mas há outro ponto, ainda mais sensível, que precisa ser enfrentado.

A questão da segurança.

No ambiente prisional, o Estado exerce controle direto.  Há vigilância permanente, protocolos definidos e no caso específico, acompanhamento médico contínuo. Ao transferir o cumprimento da pena para o ambiente doméstico, como se dará essa proteção? Haverá estrutura suficiente para garantir assistência médica adequada? Haverá controle efetivo para evitar riscos?

Essas perguntas não são secundárias.

Porque, no cenário político atual, não se pode ignorar que a construção de um “mártir” interessa a setores mais radicalizados. A exploração de uma eventual fragilidade, de um incidente ou de uma crise pode ser instrumentalizada politicamente. E claro, o efeito “facada” se repetindo em favor do filho, Flávio.

Por isso, mais do que nunca é responsabilidade do Estado assegurar não apenas o cumprimento da pena, mas também a integridade física e a saúde de quem está sob sua custódia, seja no cárcere, seja em casa.

Para quem defende a democracia, o interesse não é o colapso, nem o espetáculo. É o cumprimento rigoroso da lei até o fim.

E, ainda assim, permanece a questão da coerência.

O mesmo Jair Bolsonaro e seu entorno político construíram sua trajetória defendendo um sistema penal implacável, sem concessões, sem “benefícios”, sustentando a ideia de que direitos deveriam ser reduzidos em nome do endurecimento.

Agora, diante de uma situação concreta, o que se vê é a aplicação de uma medida mais branda.

Direitos devem existir para todos, inclusive para quem sempre os negou. Mas isso não elimina a contradição evidente entre o discurso de ontem e a realidade de hoje.

No fim, ficam perguntas que não podem ser ignoradas.  Há coerência nas decisões? Há segurança nessa mudança? Há igualdade na aplicação da lei sendo essa medida concedida a outros presos na mesma situação?

Sem respostas claras, o que se impõe não é apenas a dúvida é a desconfiança.

E nenhuma democracia se sustenta sob desconfiança permanente.

terça-feira, 24 de março de 2026

Você vem com a gente?

 

O Brasil voltou a caminhar. Voltou a gerar oportunidades, a olhar para quem mais precisa e a reconstruir pontes que haviam sido destruídas. E isso tem nome, tem projeto e tem compromisso com o povo: o governo do presidente Lula.

Mas nenhuma conquista se sustenta sozinha. Nenhum avanço resiste sem gente disposta a defender, a dialogar e a construir.

É por isso que nasce o movimento Rio Preto com Lula.

Um chamado aberto, plural e corajoso a todos aqueles que acreditam em um Brasil mais justo. Um movimento que não pergunta de onde você vem, mas para onde você quer ajudar a levar o nosso país. Trabalhadores, empreendedores, jovens, aposentados, estudantes.  Todos cabem nessa construção.

Porque Lula representa, na prática, aquilo que muda a vida real das pessoas.  Comida na mesa, emprego, oportunidade, dignidade e redução das desigualdades. Representa o enfrentamento das dívidas sociais que por tanto tempo foram ignoradas.

E diante disso, não há espaço para omissão.

Vamos ocupar as ruas, as praças, os bairros e as redes. Vamos conversar, esclarecer, ouvir e mobilizar. Vamos levar a verdade para cada canto, enfrentando com firmeza as mentiras e as distorções que tentam confundir a população.

Vamos construir um verdadeiro exército de consciência e esperança.

Um movimento que se expressa em cada gesto.  Nas assinaturas de apoio, nas camisetas que vestiremos com orgulho, nas conversas com vizinhos, no engajamento coletivo. Um movimento vivo, presente, organizado.

Rio Preto tem história. Tem força. E tem gente que sabe a diferença entre abandono e cuidado, entre retrocesso e avanço.

Agora é a hora de transformar essa consciência em ação.

Se você acredita no Brasil que está sendo reconstruído, junte-se a nós.
Se você acredita que é possível avançar ainda mais, venha construir com a gente.

Porque o futuro não espera.
E Rio Preto não vai ficar para trás.

Rio Preto com Lula.
Um movimento do povo. Para o povo. Com o povo.

Aguarde novidades.


Lula rompe o silêncio e expõe a hipocrisia das potências mundiais

 

Imagem - MSN
O discurso do presidente Lula na Colômbia não foi apenas uma fala diplomática. Foi um grito necessário diante de um mundo cada vez mais desigual, violento e hipócrita.

É impossível não compartilhar da sua indignação.

Vivemos um tempo em que organismos internacionais como a ONU, criados para garantir a paz, se mostram incapazes de conter conflitos que se multiplicam. Pior ainda, assistimos, quase inertes, ao protagonismo das grandes potências justamente na produção dessas guerras.

A pergunta que ecoa é simples e perturbadora. Quem deu a alguns países o direito de decidir o destino de outros?

O que vemos hoje em regiões como Faixa de Gaza, Ucrânia, Irã e tantos outros cenários de conflito não é apenas geopolítica, mas a expressão brutal de um mundo onde a força ainda tenta se impor sobre o direito.

E enquanto isso, América Latina e África seguem sendo pressionadas, exploradas e tratadas como territórios de interesse, ontem pelas riquezas naturais tradicionais, hoje pelos chamados minerais críticos, essenciais para o futuro energético e tecnológico do planeta.

Não se trata mais de aceitar passivamente esse papel. O período de colonização terminou.

Há um chamado claro à soberania, à dignidade e à construção de um novo lugar no mundo para os países do Sul global. Um lugar que não seja de submissão, mas de protagonismo. Que não seja de exploração, mas de desenvolvimento com justiça.

Também é impossível ignorar a dimensão humana dessa crise global. As guerras encarecem alimentos, pressionam economias, ampliam desigualdades e atingem, como sempre, os mais vulneráveis.

Diante disso, o que Lula expressou foi mais do que indignação.   Foi responsabilidade histórica.

Responsabilidade de quem entende que não há futuro possível sem cooperação, sem respeito entre as nações e sem coragem para enfrentar estruturas de poder que insistem em perpetuar desigualdades.

O mundo não precisa de mais silêncio diplomático. Precisa de vozes firmes.

E, neste momento, a voz do Brasil cumpriu esse papel.

quinta-feira, 19 de março de 2026

Combustíveis em alta: a realidade global que desmonta a fake news contra Lula

 

Imagem Metrópoles
Nos últimos dias, voltou a circular com força nas redes sociais a narrativa de que o governo do presidente Lula seria responsável pela alta dos combustíveis no Brasil.

A afirmação, apesar de repetida à exaustão, ignora elementos básicos do funcionamento do mercado de energia e distorce deliberadamente os fatos.

Para compreender o que realmente acontece, é preciso começar pelo essencial. O preço dos combustíveis não é definido exclusivamente pelo governo federal. Ele sofre forte influência de dois fatores principais: o valor do petróleo no mercado internacional e a cotação do dólar. Quando há tensões geopolíticas, cortes de produção por países exportadores ou valorização da moeda americana, os preços tendem a subir em escala global.

Esse cenário se agravou de forma significativa com os conflitos recentes no Oriente Médio, incluindo a Guerra Irã-Israel-EUA, que têm provocado ataques a infraestruturas energéticas e instabilidade nos principais polos produtores de petróleo.

Soma-se a isso o risco e as restrições no Estreito de Ormuz, uma das rotas mais importantes do mundo para o transporte de petróleo, por onde passa uma parcela significativa da produção global.

Além disso, bombardeios e ameaças a poços de petróleo e instalações estratégicas em países produtores ampliam ainda mais a incerteza e pressionam os preços internacionais.

Em um mercado sensível como o de energia, qualquer risco de interrupção na oferta global gera reação imediata e isso se reflete nos preços em todo o mundo.

Ou seja, trata-se de uma dinâmica que extrapola completamente as fronteiras brasileiras.

Durante anos, a Petrobras adotou uma política de preços conhecida como Paridade de Importação (PPI), que basicamente replicava no mercado interno as oscilações internacionais, como se o Brasil fosse integralmente dependente da importação de combustíveis.

Essa política, na prática, expunha o consumidor brasileiro às variações externas de forma quase automática, mesmo sendo o país um grande produtor de petróleo.

A partir de 2023, o governo Lula promoveu mudanças nessa lógica. Sem abandonar critérios de mercado, a Petrobras passou a considerar também fatores internos, como custos de produção nacional e condições do mercado doméstico.

O objetivo foi claro, o de reduzir a volatilidade e evitar repasses imediatos e bruscos ao consumidor.

Essa mudança não significa “controle artificial de preços”, como alguns críticos afirmam. Significa, na verdade, o uso de instrumentos de gestão para equilibrar interesses, garantindo a sustentabilidade da empresa e, ao mesmo tempo, protegendo a população de choques externos.

Além disso, o governo federal tem atuado em outras frentes complementares, como a reorganização da política tributária sobre combustíveis e o diálogo com estados para evitar distorções no ICMS. São medidas que não eliminam completamente as pressões de alta, mas ajudam a amortecer seus efeitos.

Nesse contexto, também é importante considerar o impacto social e econômico dessas variações. Movimentos de categorias estratégicas, como caminhoneiros, frequentemente surgem diante de aumentos no diesel, gerando preocupação com paralisações e seus efeitos sobre o abastecimento e a inflação.

O governo tem buscado diálogo constante para evitar rupturas e garantir estabilidade logística, ciente do papel central que o transporte rodoviário exerce no país.

Diante desse cenário, afirmar que o governo “quer aumentar o preço dos combustíveis” não apenas simplifica uma questão complexa é, essencialmente, uma distorção dos fatos. Uma fake News.

Trata-se de uma narrativa política que desconsidera o contexto internacional e ignora os esforços concretos para mitigar impactos sobre o consumidor.

O debate público precisa ser qualificado.

Combustíveis são um tema sensível, que afeta diretamente o custo de vida, a inflação e a atividade econômica.

Justamente por isso, exige responsabilidade na análise e honestidade na informação.

Em vez de repetir slogans ou compartilhar conteúdos duvidosos, é fundamental olhar para os dados, entender as variáveis envolvidas e reconhecer o que está, de fato, sendo feito.

Porque, no fim das contas, entre a realidade e a desinformação, a diferença custa caro e quem paga essa conta é sempre a população.

quarta-feira, 18 de março de 2026

San Martin - Ascensão e Queda de um Ótimo Negócio

Capa do Livro


Há histórias que não podem ser resumidas em números, contratos ou resultados financeiros. Há trajetórias que carregam, em cada decisão, o peso das escolhas humanas, das relações construídas, dos erros cometidos e das reviravoltas que só quem viveu pode compreender de verdade.

É nesse território, entre o êxito e o abismo, que nasce o livro sobre a história da San Martin Seguros.

Mais do que um relato empresarial, a obra que será lançada em breve se propõe a algo maior.  Fazer justiça a uma trajetória intensa, marcada por ousadia, crescimento acelerado, conflitos internos, perdas duras e, sobretudo, pela insistência em recomeçar.

Não se trata de uma narrativa confortável. Ao contrário, é um mergulho honesto nos bastidores de um projeto que ousou ocupar espaço no mercado de franquias e seguros no Brasil, enfrentando concorrência, muitas vezes desleal, crises e, claro, seus próprios limites.

Ao longo das páginas, o leitor encontrará não apenas a construção de uma empresa, mas a desconstrução de certezas. Verá como decisões estratégicas podem carregar custos invisíveis, como relações empresariais podem se transformar ao longo do tempo e como o sucesso, quando não bem administrado, pode abrir caminho para fragilidades profundas.

Tudo isso contado sem filtros, sem romantização e sem a tentativa de apagar os momentos difíceis.

O livro também cumpre um papel raro, qual seja o de assumir responsabilidades. Em vez de buscar culpados externos, a narrativa reconhece o peso da liderança, das escolhas feitas e das que deixaram de ser feitas.

Essa honestidade é, talvez, seu maior diferencial. Porque falar de vitórias é fácil. Difícil é expor os bastidores das derrotas e, ainda assim, seguir em frente.

Mais do que revisitar o passado, a obra aponta para algo essencial: a importância do aprendizado.

Cada capítulo carrega lições sobre gestão, cultura organizacional, expansão, conflitos e, principalmente, sobre o fator humano que sustenta, ou derruba, qualquer grande projeto.

Este não é apenas um livro sobre negócios. É um livro sobre coragem. Sobre pagar o preço das próprias decisões. Sobre cair, perder, recomeçar e continuar acreditando que vale a pena construir algo relevante, mesmo diante das adversidades.

Ao trazer à luz essa história, não apenas se registra uma trajetória. Reivindica-se o direito de narrá-la com verdade.

E, ao fazer isso, entrega-se ao leitor algo raro, não uma versão idealizada do sucesso, mas a realidade crua de quem viveu, errou, tentou novamente e seguiu.

O livro se chama SAN MARTIN – Ascensão e Queda de um Ótimo Negócio e em breve estará nas plataformas.

 

Entre o craque e o homem

  Imagem UOL Meu pai era corinthiano daqueles de raiz. Mas, mais do que isso, era apaixonado pelo futebol bem jogado. Não era só o clube, er...