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| Imagem - News Brasil |
Muito se tem dito sobre as contradições que envolvem o Dia das Mães. A história de Anna Jarvis é frequentemente resgatada para lembrar que a data nasceu de um gesto sincero de amor e reconhecimento e não de uma estratégia de mercado. De fato, ao idealizar a homenagem à sua mãe, Ann Reeves Jarvis, Anna desejava um dia de reflexão, afeto verdadeiro e valorização das mulheres, longe das vitrines, das campanhas publicitárias e do consumo desenfreado que, mais tarde, passariam a marcar a celebração.
Esse resgate histórico é importante
e merece respeito. No entanto, há um equívoco em transformar essa crítica em
negação do próprio valor que a data adquiriu ao longo do tempo. O fato de o Dia
das Mães ter sido incorporado à lógica comercial não anula, por si só, o seu
significado mais profundo. Afinal, vivemos em uma sociedade onde praticamente
todas as datas simbólicas convivem com o mercado. Ainda assim, isso não impede
que sejam, também, momentos legítimos de encontro, memória e expressão de
sentimentos.
Reduzir o Dia das Mães a uma “data
comercial” é, em certa medida, desconsiderar a experiência concreta de milhões
de pessoas que encontram nesse dia uma oportunidade, muitas vezes rara, de
expressar gratidão, carinho e reconhecimento.
Em meio à correria da vida
cotidiana, nem sempre conseguimos dizer o que sentimos. Há afetos que ficam
adiados, palavras que não encontram tempo. E nesse contexto, datas como essa
funcionam como um convite coletivo à pausa, à lembrança e ao gesto.
É preciso reconhecer que o valor de
uma data não está apenas na sua origem, mas naquilo que fazemos com ela. Se há
quem compre presentes por obrigação ou convenção, há também quem escreva
mensagens sinceras, quem abrace mais forte, quem relembre histórias, quem
agradeça. O comércio pode até cercar a data, mas não é capaz de esvaziar, por
completo, o sentido que cada pessoa decide atribuir a ela.
Além disso, o próprio conceito de
maternidade se ampliou. Hoje, celebramos não apenas as mães biológicas, mas
todas as formas de cuidado, dedicação e amor que se manifestam na experiência
de ser mãe, inclusive aquelas construídas por escolha, por vínculo e por afeto.
Isso torna a data ainda mais relevante, pois reconhece a diversidade das
relações humanas e a profundidade do papel que essas mulheres exercem na
formação de vidas.
Honrar o Dia das Mães, portanto, não
é ignorar sua história, mas dar continuidade ao seu propósito essencial. É
reconhecer que, mesmo em um mundo marcado por contradições, ainda somos capazes
de transformar uma data em algo significativo. Celebrar não é se render ao
consumo. É reafirmar valores.
Porque, no fim das contas, o que
sustenta o Dia das Mães não são as vitrines, mas os sentimentos. E enquanto
houver amor, memória e gratidão, sempre haverá motivo, legítimo e necessário, para
celebrar.













