Nilson Dalledone, Prof. Dr.
nilsondalledone@gmail.com
Você pensou que o Irã seria a Venezuela 2.0?
Numa reunião, na Casa Branca, diziam uns aos outros que esperavam encontrar no Irã uma Delcy Rodriguez (“presidente da Venezuela/representante de Donald Trump) que lhes entregassem, numa bandeja de prata, todo o petróleo... Mas o filho do Ayatollah Ali khamenei, Mojtaba Khamenei, o novo líder supremo do Irã, demonstrou ser um personagem que não favorece os interesses dos EUA. Donald Trump, textualmente, disse que “esperávamos encontrar uma Delcy Rodriguez e encontramos um jovem Kim Jon-Un...”
A guerra tomou um rumo que o imperialismo norte-americano e sua extensão “israelense” não esperavam... Distribuíram muito dinheiro no irã, para comprar o povo iraniano, mas, diferentemente da Venezuela, os líderes continuaram fiéis à causa da Revolução. E o ataque contra o Irã foi maciço... Esse argumento não ajuda os “chefes” militares venezuelanos e nem Delcy Rodriguez... A partir de agora, os imperialistas norte-americanos vão escalar na América Latina e Cuba, México e outros já estão na lista imediata... Se a Venezuela tivesse levado os norte-americanos para o pântano – e para isso foram ajudados pelo Irã, Rússia e China Popular – a situação seria outra...
Donald Trump blefou e está perdendo
As apostas, com blefe ou sem blefe, não estão a favor do inquilino da Casa Branca. Os mísseis iranianos continuam cruzando os céus. Os mísseis interceptores da coalização liderada pelos EUA se esgotam num ritmo inacreditável. Em Teerã, o novo Ayatollah não se rende e o Estreito de Ormuz promete transformar-se no Vietnam aquático de Donald Trump, enquanto o Irã empurra o preço do petróleo, literalmente, até as nuvens. A pergunta é como se chegou a essa situação. Como o petro-sonho e a petro-aventura de Donald Trump se transformaram num pesadelo militar, num grande desastre?
Tudo começou na madrugada de 28 de fevereiro de 2026, quando os EUA e “Israel” lançaram uma campanha de ataques massivos contra objetivos estratégicos no Irã. Os primeiros ataques incluíram bases de mísseis, instalações militares, centros de comando, infraestrutura naval e, claro, a residência do Ayatollah Ali Khamenei que, simplesmente decidiu continuar trabalhando em casa, sem qualquer proteção, por escolha própria, mesmo sabendo que criminosos da OTAN e de seus aliados poderiam assassiná-lo a qualquer momento. E, como previsto pelo Grande Guia Espiritual muçulmano, Ali Khamenei tombaria nos primeiros minutos da nova guerra imposta pelo imperialismo e pelo sionismo.
Os agressores tinham por objetivos iniciais degradar rapidamente a capacidade militar iraniana e forçar seu colapso operativo. Porém, ao invés de confrontar diretamente o poder aéreo norte-americano e “israelense”, Teerã optou por abrir múltiplas frentes simultâneas e responder de forma contundente. No Estreito de Ormuz, o Irã causou enormes danos aos petroleiros e às infraestruturas portuárias dos EUA e de seus aliados, provocando um efeito energético dominó que se tornou a principal preocupação dos norte-americanos.
Entretando, a situação atual não começou desse modo. De fato, o atual inquilino da Casa Branca, o pedófilo Donald Trump, mostrou-se inicialmente otimista sobre como poderia se desenvolver o conflito. Entre 03 e 06 de março de 2026, havia grande otimismo na Casa Branca. Durante a primeira semana de guerra, as mensagens de Donald Trump “informavam” que as defesas iranianas tinham sofrido danos devastadores e que estava colapsando. A guerra poderia terminar em alguns dias. A narrativa de Washington era muito clara. A guerra será curta e decisiva.
Mas, enquanto essa narrativa dominava os “meios informativos” norte-americanos, a situação no Golfo Pérsico não melhorava. Até o dia 08 e 09 de março, começou a verdadeira represália dos iranianos. Começaram a afundar petroleiros dos EUA e de seus aliados. A partir de 09 de março, ocorreram diversos incidentes marítimos, inclusive, obrigaram os iraquianos a fechar os terminais petrolíferos de Basra e o preço do barril de petróleo começou a disparar. Logo, nenhum navio petroleiro queria passar por essas águas.
Em 12 de março de 2026, o secretário de energia dos EUA, Chris Wright, em uma entrevista à imprensa, disse que a marinha dos EUA estava preparada para escoltar petroleiros através do Estreito de Ormuz. Entretanto, rapidamente, corrigiu-se e disse que “não estamos prontos, para escoltar esses navios”. Em decorrência, teve início uma tormenta mediática e foi obrigado a apagar seu twitter. Suas declarações foram negadas pela Casa Branca, por revelarem informações muito incômodas, envolvendo algo muito sério. A marinha mais poderosa do mundo tinha perdido completamente o controle sobre o Estreito de Ormuz.
Posteriormente, a Casa Branca declarou que os petroleiros seriam escoltados pela Marinha dos EUA, mas, mesmo assim, a volatilidade dos preços do petróleo disparou de novo. Surgiram muitas críticas sobre a estratégia de comunicação da Casa Branca. A gota que fez o copo transbordar foi o twitter do secretário de energia. O próprio Chris Wright publicou na rede X uma mensagem, afirmando que a Marinha dos EUA tinha escoltado, com êxito, navios petroleiros, através do Estreito de Ormuz. Mas era tudo falso. Teve de apagar suas declarações e, novamente, a Casa Branca teve de desmenti-lo. Se não bastasse, o secretário de defesa Pete Hegseth tentou esclarecer a situação com uma frase que provocou risos entre os aliados dos EUA, dizendo que “o Estreito de Ormuz não está fechado, mas o Irã está atacando barcos ali”, uma declaração que refletiu a realidade incômoda. Oficialmente, o Estreito de Ormuz continuava aberto, mas, na prática, nenhum navio petroleiro e sua carga podiam atravessá-lo, salvo se autorizado pela Guarda Revolucionária Iraniana. O tráfego foi paralisado e havia um bloqueio de fato.
Os aliados dos EUA, rapidamente, começaram a oferecer ajuda. Por exemplo, entre 13 e 14 de março de 2026, aconteceu o episódio do porta-aviões britânico... O Reino Unido se ofereceu, para enviar um de seus porta-aviões, equipado com caças F-35B, para apoiar as operações norte-americanas, no Golfo Pérsico. Tal oferta fortalecia a aliança anglo-saxônica, sendo vista dentro da OTAN como um alívio para os EUA, já que a proposta pretendia deslocar um grupo de ataque, apoiar os EUA, proteger o tráfico energético e demonstrar que havia unidade dentro da OTAN. Entretanto, Donald Trump que, ainda, estava, em estado de delírio, decidiu recusar tal oferta agressivamente, minimizando a importância dos navios britânicos e afirmando que não necessitava ajuda, porque a Marinha dos Estados Unidos é a mais forte do mundo. E assim continuou. Apenas um dia depois, os franceses, também, ofereceram o porta-aviões Charles De Gaule, à propulsão nuclear, equipado com caças Dassault Rafale. Mais uma vez, Trump recusou a oferta, sem dar-se conta de que muitos dos mísseis e armas de alta precisão já tinham sido presenteados à Ucrânia. Os franceses, muito discretamente, retiraram a oferta. Até o “tapete de Trump”, o “presidente” da Argentina, ofereceu apoio...
Em 14 e 15 de março, viu-se uma mudança radical na narrativa de Donald Trump. Agora, dizia que nenhum aliado estava disposto a ajudá-lo. A essa altura, já tinha feito uma série de declarações, afirmando que a guerra duraria algumas semanas; depois, meses; a seguir, que já tinham derrotado o Irã... Por fim, afirmou que o Irã é um tigre de papel, mas, ao mesmo tempo, pedia ajuda internacional, para reabrir o Estreito de Ormuz, o que seria o cúmulo do ridículo, já que os EUA dizem ter a marinha e o exército mais poderosos do mundo... E o autoproclamado super poder, que seriam os EUA, agora, está se retirando de Ormuz discretamente...
Em declarações recentes, o Presidente dos EUA, o pedófilo Donald Trump, deu a entender que não necessitam do petróleo que passa pelo Estreito de Ormuz, mas que são os aliados que têm essa debilidade e que eles deveriam abrir o Estreito com seus próprios recursos, com seus próprios navios. De fato, Donald Trump convocou os principais aliados com forças navais que poderiam ajudá-lo a reabrir o Estreito de Ormuz. Desse modo, Donald Trump fez ofertas explícitas para se unirem a sua guerra na Ásia Ocidental, chamando o Reino Unido, França, Japão, Coreia do Sul e todos os aliados da OTAN. Mas o mais ridículo é que, em sua última declaração, afirmou que se seus aliados da OTAN não o ajudassem, se seus aliados não enviassem seus navios de guerra, para reabrir o Estreito de Ormuz, sofreriam toda a fúria dos EUA. Assim, mesmo pedindo ajuda, mesmo solicitando apoio de seus aliados, Donald Trump não perde a oportunidade, para deixar claro que os EUA são incrivelmente poderosos... Porém, mesmo assim, necessitam da ajuda de seus aliados, para poder enfrentar o Irã, uma nação, segundo o próprio Donald Trump, que tinha sido totalmente devastada e que era um “tigre de papel”.
Assim, os norte-americanos chegam a um cenário totalmente absurdo. Depois de todas as declarações dos últimos dias e depois de todos os esforços, para reabrir o Estreito de Ormuz, solitariamente, a pergunta é qual será o próximo passo. O que se comenta, entre os aliados da OTAN, é que Donald Trump e suas forças navais não têm a capacidade de reabrir o Estreito de Ormuz, inclusive, reportou-se que, nas últimas horas, Donald Trump solicitou o apoio da China Popular e da Armada do Exército Popular da China, para reabrir o Estreito de Ormuz...
Enquanto isso, os iranianos continuam lançando seus ataques na região, o que não parará em breve. Mesmo Donald Trump tendo declarado que já tinha conseguido destruir toda a frota iraniana, descobriu, agora, que a maior parte dos ativos navais do Irã está oculta em túneis e bases subterrâneas, na costa do Golfo Pérsico, o que significa que o grosso do poder naval iraniano e o grosso de seu poder de ataque, sequer, foi tocado pelos ataques da coalizão, estando prontos, para tornar a vida dos norte-americanos muito difícil, se quiserem tentar reabrir as rotas de navegação, à força...
Entretanto e apesar de tudo, os iranianos ofereceram uma saída para as nações que não têm outra opção, a não ser transitar com seu petróleo por essa região.
Foram impostas “condições críticas”, para que certas nações possam transportar petróleo, através do Estreito de Ormuz. A primeira condição é que o petróleo seja transportado por navios russos ou chineses que são os principais aliados do Irã. Concedeu-se permissão, também, a alguns navios da Índia e da Turquia, mas sob a nova condição de que todos os pagamentos pelo petróleo sejam feitos em rublos russos ou yuans chineses. Desse modo, o Irã ataca diretamente o petrodólar norte-americano, causando perdas multimilionárias, não só porque há um bloqueio seletivo, mas também porque o pouco petróleo que transita, através dessa região, se fará a bordo de navios de países inimigos dos EUA. Por outro lado, comercializando-se em moedas dos rivais dos EUA, impulsiona-se a desdolarização da economia mundial, aproximando mais rapidamente o fim do petrodólar, sustentação dos EUA.
Os aliados do Irã estão aplaudindo tão brilhantes decisões iranianas que se alinham perfeitamente com os interesses dos BRICS. Enquanto tudo isso acontece, os EUA fizeram mais do mesmo... Ameaçaram o Ayatollah, ameaçaram com mais bombardeios e, agora, parecem querer realizar seu próprio Dia D, no Golfo Pérsico... Estão vindo com 2500 mariners para desembarcar na Ilha de Kharg... Mas segundo especialistas, precisaria de 80 mil e, ainda assim, seriam expulsos...
E você?
Não acredite em “informações” vindas de países e meios informativos dos países membros da OTAN e nem de seus vassalos.
Cuidado com supostos especialistas em Ásia Ocidental (ou em Oriente Médio) que, de repente, começaram a tratar do assunto. Nem muitas vidas inteiras são suficientes, para se entender essa região.
Declarar-se “progressista” ou “conservador” não adianta nada. É preciso saber de verdade. Estude!