Imagem: ARLS Louis Claude de Saint Martin |
A adolescência é um período de
descobertas, transformações e construção de identidade.
Para muitos jovens, é também uma
fase de busca por referências e valores que possam guiá-los na vida adulta.
Foi nesse contexto que, no final
da minha adolescência, tive a oportunidade de pertencer à Ordem DeMolay, uma
organização juvenil patrocinada pela Maçonaria, fundada em 1919 por Frank
Sherman Land, em Kansas City, nos Estados Unidos.
Hoje, olhando para trás, percebo o
quanto essa experiência foi fundamental para moldar meu caráter e me preparar
para os desafios da vida.
A Ordem DeMolay tem como objetivo
principal formar bons cidadãos, jovens que respeitam as leis, convivem em
harmonia com a sociedade e se dedicam a ajudar o próximo.
Durante meu tempo como membro,
aprendi lições valiosas sobre integridade, respeito, patriotismo e reverência.
Esses valores, ensinados não
apenas por palavras, mas também por meio de exemplos práticos e cerimônias
simbólicas, tornaram-se pilares que carrego até hoje.
A frase do Primeiro Diácono na
Cerimônia de Iniciação ecoa em minha mente: “O grande objetivo de nossa Ordem é
ensinar e praticar as virtudes que nos levam a uma vida pura, reta, patriótica
e reverente.” Essas palavras resumem o espírito da Ordem e o impacto que ela
teve em minha vida.
É importante destacar que o nome
da Ordem é uma homenagem a Jacques DeMolay, o último grão-mestre da Ordem dos
Cavaleiros Templários, que foi executado em 18 de março de 1314.
Sua história de lealdade, coragem
e sacrifício inspirou Frank Sherman Land a criar uma organização que carregasse
esses mesmos valores.
O dia 18 de março, portanto, não
apenas marca a data de seu falecimento, mas também simboliza a resistência e a
perseverança que a Ordem DeMolay busca incutir em seus membros.
No entanto, ao longo dos anos,
surgiu em mim uma reflexão que, à primeira vista, pode parecer uma contradição:
como conciliar minha trajetória na Ordem DeMolay, ligada à Maçonaria, com minha
identificação com o pensamento comunista?
Afinal, a Maçonaria é
frequentemente associada a valores liberais e ao capitalismo, enquanto o
comunismo propõe uma crítica radical a esse sistema.
Essa aparente incongruência me
levou a questionar e aprofundar meu entendimento sobre ambos os universos.
A Maçonaria, assim como a Ordem
DeMolay, prega valores universais como fraternidade, igualdade e justiça.
Esses princípios, embora muitas
vezes interpretados sob uma ótica liberal, também são caros ao pensamento
comunista. A diferença está, talvez, na forma como cada um enxerga o caminho
para alcançar esses ideais.
Enquanto a Maçonaria enfatiza a
transformação individual e o desenvolvimento pessoal como meio de melhorar a
sociedade, o comunismo foca na transformação estrutural e coletiva.
No entanto, ambas as visões
compartilham um objetivo comum: a busca por uma sociedade mais justa e
igualitária.
Minha experiência na Ordem DeMolay
me ensinou a valorizar a importância do diálogo, do respeito às diferenças e da
construção de pontes entre ideias aparentemente opostas.
Acredito que é possível honrar os
valores que aprendi na Ordem enquanto abraço uma visão crítica do sistema
capitalista e defendo mudanças estruturais na sociedade. Afinal, a essência da
Maçonaria e da Ordem DeMolay está na busca pela verdade e na constante evolução
pessoal e coletiva.
Hoje, olhando para trás, vejo que
a Ordem DeMolay foi mais do que uma organização juvenil; foi uma escola de
vida.
Ela me ensinou a ser um cidadão
consciente, a respeitar o próximo e a lutar por um mundo melhor. E, ao mesmo
tempo, me mostrou que as aparentes contradições da vida podem ser fontes de
crescimento e reflexão.
Pertencer à Ordem DeMolay não
apenas contribuiu para meu caráter, mas também me preparou para entender que a
complexidade do mundo não se resume a dualidades, mas a um constante processo
de aprendizado e transformação.
Por tudo isso, sou profundamente
grato à Ordem DeMolay e à Maçonaria por terem feito parte da minha jornada.
E sigo acreditando que,
independentemente de nossas escolhas ideológicas, o que importa é o compromisso
com os valores que nos tornam seres humanos melhores e mais conscientes do
nosso papel na sociedade.
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