terça-feira, 18 de março de 2025

DeMolay: Uma Jornada de Formação de Caráter e Reflexões sobre Contradições

 

Imagem: ARLS Louis Claude de Saint Martin

A adolescência é um período de descobertas, transformações e construção de identidade.

Para muitos jovens, é também uma fase de busca por referências e valores que possam guiá-los na vida adulta.

Foi nesse contexto que, no final da minha adolescência, tive a oportunidade de pertencer à Ordem DeMolay, uma organização juvenil patrocinada pela Maçonaria, fundada em 1919 por Frank Sherman Land, em Kansas City, nos Estados Unidos.

Hoje, olhando para trás, percebo o quanto essa experiência foi fundamental para moldar meu caráter e me preparar para os desafios da vida.

A Ordem DeMolay tem como objetivo principal formar bons cidadãos, jovens que respeitam as leis, convivem em harmonia com a sociedade e se dedicam a ajudar o próximo.

Durante meu tempo como membro, aprendi lições valiosas sobre integridade, respeito, patriotismo e reverência.

Esses valores, ensinados não apenas por palavras, mas também por meio de exemplos práticos e cerimônias simbólicas, tornaram-se pilares que carrego até hoje.

A frase do Primeiro Diácono na Cerimônia de Iniciação ecoa em minha mente: “O grande objetivo de nossa Ordem é ensinar e praticar as virtudes que nos levam a uma vida pura, reta, patriótica e reverente.” Essas palavras resumem o espírito da Ordem e o impacto que ela teve em minha vida.

É importante destacar que o nome da Ordem é uma homenagem a Jacques DeMolay, o último grão-mestre da Ordem dos Cavaleiros Templários, que foi executado em 18 de março de 1314.

Sua história de lealdade, coragem e sacrifício inspirou Frank Sherman Land a criar uma organização que carregasse esses mesmos valores.

O dia 18 de março, portanto, não apenas marca a data de seu falecimento, mas também simboliza a resistência e a perseverança que a Ordem DeMolay busca incutir em seus membros.

No entanto, ao longo dos anos, surgiu em mim uma reflexão que, à primeira vista, pode parecer uma contradição: como conciliar minha trajetória na Ordem DeMolay, ligada à Maçonaria, com minha identificação com o pensamento comunista?

Afinal, a Maçonaria é frequentemente associada a valores liberais e ao capitalismo, enquanto o comunismo propõe uma crítica radical a esse sistema.

Essa aparente incongruência me levou a questionar e aprofundar meu entendimento sobre ambos os universos.

A Maçonaria, assim como a Ordem DeMolay, prega valores universais como fraternidade, igualdade e justiça.

Esses princípios, embora muitas vezes interpretados sob uma ótica liberal, também são caros ao pensamento comunista. A diferença está, talvez, na forma como cada um enxerga o caminho para alcançar esses ideais.

Enquanto a Maçonaria enfatiza a transformação individual e o desenvolvimento pessoal como meio de melhorar a sociedade, o comunismo foca na transformação estrutural e coletiva.

No entanto, ambas as visões compartilham um objetivo comum: a busca por uma sociedade mais justa e igualitária.

Minha experiência na Ordem DeMolay me ensinou a valorizar a importância do diálogo, do respeito às diferenças e da construção de pontes entre ideias aparentemente opostas.

Acredito que é possível honrar os valores que aprendi na Ordem enquanto abraço uma visão crítica do sistema capitalista e defendo mudanças estruturais na sociedade. Afinal, a essência da Maçonaria e da Ordem DeMolay está na busca pela verdade e na constante evolução pessoal e coletiva.

Hoje, olhando para trás, vejo que a Ordem DeMolay foi mais do que uma organização juvenil; foi uma escola de vida.

Ela me ensinou a ser um cidadão consciente, a respeitar o próximo e a lutar por um mundo melhor. E, ao mesmo tempo, me mostrou que as aparentes contradições da vida podem ser fontes de crescimento e reflexão.

Pertencer à Ordem DeMolay não apenas contribuiu para meu caráter, mas também me preparou para entender que a complexidade do mundo não se resume a dualidades, mas a um constante processo de aprendizado e transformação.

Por tudo isso, sou profundamente grato à Ordem DeMolay e à Maçonaria por terem feito parte da minha jornada.

E sigo acreditando que, independentemente de nossas escolhas ideológicas, o que importa é o compromisso com os valores que nos tornam seres humanos melhores e mais conscientes do nosso papel na sociedade.


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