"Estamos vivendo dias sombrios no mundo."
Perdi as contas de quantas vezes li ou ouvi esta frase ao longo deste, ainda jovem, ano de 2017.
Será verdade?
Risco de uma guerra de padrões mundiais, aumento ou reflexos de uma crise econômica de grandes proporções, novas doenças aparecendo ou se metamorfoseando, desemprego em alta, principalmente no Brasil onde o recorde já foi até superado, além de outras tragédias previstas ou assinaladas pelos fãs do catastrofismo, são algumas das principais causas desta anônima avaliação.
Um fato no entanto e bastante concreto parece ser que o Mundo vem atingindo padrões de avanço tecnológico nunca dantes experimentados.
Já é real o carro que anda sozinho. Mercedes, Audi e outras marcas, até populares, já demonstraram e alavancam a produção em larga escala destes modelos.
Também é fato o carro partilhado, quebrando o paradigma da propriedade do automóvel.
E para não ficarmos só falando de veículos, não são raras as residências comandadas por voz nas suas mais ortodoxas funções como acender lâmpadas, ligar aparelhos, trancar portas e informar a previsão do tempo.
Autômatos nos atendem nas companhias para responderem questões básicas, fazerem reservas e promover avaliações.
E já é possível se visitar uma loja, experimentar a roupa e realizar a compra sem sair de casa.
Sinal dos tempos?
Pode ser. Mas modernidade e facilidade deveriam ser sinônimos de melhores dias.
No campo da espiritualidade ou filosofia dá pra viajar neste tema. Tudo bem também se ficarmos divagando com relação a visões de mundo que trafegam entre a Transição Planetária e a dimensão maior do desenvolvimento humano. Imagine pra mim que creio na espiritualidade e também em extraterrestres.
Mas se formos falar de negócios e economia, então teremos que ir um pouco além nesta conversa.
Devemos voltar nossos olhares para a relação negocial e funcional de todas as empresas, que começa e termina, evidentemente com a relação entre as pessoas.
O que me preocupa, em tudo isso, ainda fica sendo esta relação do Homem com seu semelhante.
Emprego e sucesso nos negócios, não podem abandonar este indispensável modelo de relacionamento por mais que hajam instrumentos de substituição.
As pessoas, encantadas ou distraídas pelos intermediários cibernéticos da comunicação, parecem ter se esquecido de algumas regras de comportamento que tornam viva e próxima a relação interpessoal.
Por exemplo, falar qualquer coisa fica mais fácil pelo WhatsApp ou pelo Facebook. Tudo parece doer menos se mandamos uma crítica ou agressão na forma de mensagem. Afinal, olhar nos olhos e ter um feedback imediato da reação do outro não é pra qualquer um.
Por isso aquele que mantiver o velho formato do contato humano, obterá as melhores vantagens em uma negociação, qualquer que seja ela.
Que tal o aperto de mão, o falar sem condenar e sem se queixar, só pra tornar o papo mais agradável? Avaliar e criticar podem ocorrer, desde que com apreciação honesta e sincera das partes boas em detrimento daquilo que não vai bem. Só pra variar.
Outro ponto importante é conseguir demonstrar afeição, sorrir e se interessar de fato pelo interlocutor, mesmo com todas as diferenças por resolver.
Em mensagens a se responder virtualmente isso é impraticável. São regras simples da boa comunicação ser bom ouvinte, chamar o interlocutor pelo nome, tocar-lhe a pele uma vez ou outra e permitir que fale um pouco sobre si, afinal é justo dar ao outro lado, espaço semelhante ao ataque, para sua defesa.
Pelos mecanismos indiretos, delegamos ao receptor da mensagem o dever da interpretação, quando nos cumpre, na verdade, bem explicar nossa ideia ou aquilo que desejamos que seja entendido.
E assim o diálogo vira só discussão.
Como se pode ganhar uma discussão onde ambos querem dar a última palavra? Discussão ganha é aquela que não ocorre no formato de uma briga.
Quase sempre e involuntariamente, quando sabemos de algo que nos agride, somos vítimas do impulso de responder com agilidade e justificativas. Já no diálogo direto e pessoal, surgem de imediato os pontos convergentes, que superam em muito as questões que distanciam antes mesmo daquilo virar uma pendenga.
Não há nenhum êxito em uma imposição. A vitória real é aquela que nasce da concordância dela própria. E eu por exemplo, sou muito mais desarmado diante do elogio que antecede a crítica, do que pela crítica que antecede o reconhecimento.
E pra saber a diferença entre uma e outra situação, só ao vivo e em cores.
Eis aqui pra mim o que torna realmente sombrios os dias de hoje. O afastamento do humano.
Claro que eu tenho desafetos. Pessoas que não gostam de mim, ou que não concordam com o que faço, com o que penso, com atitudes que tomo. Mas tudo é tratável e sobretudo, compreensível. Jamais vou levar para o lado pessoal e boa parte destes, sei que também não.
Já houve grandes embates entre mim e alguém que terminaram em "valeu então, fique com Deus" e por fim, "você também".
Não há porque ser diferente. Até porque não sou o dono da verdade, não sou perfeito e tenho muito mais condições de errar, do que acertar. E aprendi, na vida, que jamais devemos transportar isso para o relacionamento interpessoal onde ambos perdem sempre. Por isso, quase todos os dias, meus debatedores terminam nas minhas orações. Mesmo quando rebato com total veemência, evito pensar que saí vitorioso, pois na relação humana, se alguém vence é sinal que alguém perdeu. E se no relacionamento, alguém perdeu, perderam os dois.
Ainda que não se chegue a um denominador comum durante o embate, no final o tradicional "muito obrigado por se manifestar" ou ainda o "fique com Deus", serão mais fortes e melhores do que qualquer atitude de prejuízo moral, intelectual ou material.
Aos quase cinquenta anos, itens como memória, compreensão, além da audição e visão, já não me são tão bons quanto o foram no passado. E portanto, melhor eu confiar no interlocutor, que tem tudo isso mais aclarado, mais vibrante e vigoroso, do que nos meus já falhos sentidos.
Todos os dias eu vou pra cama sem a certeza da manhã seguinte, mas durmo com a convicção plena de que cresci bastante naquele dia e principalmente, ganhei ou recuperei a amizade e o respeito de alguém que antes estava triste, magoado, decepcionado ou injuriado comigo. Tudo porque conseguimos nos falar.
Pode ser que um dia eu perca tudo. Bens, negócios, até amizades, mas não perderei esta essência. Parece arrogante? Só quem convive comigo sabe o quanto é verdadeiro. Sou amante do bom debate e do bom entendimento. Sempre!
E enquanto eu pensar assim, pelo menos pra mim, meu mundo está bem distante do fim.
domingo, 14 de maio de 2017
sábado, 13 de maio de 2017
O Pilatos que não lavou as mãos.
Eu antes ficava bravo com o cara... Mas agora eu tenho até pena.Quem pode culpar Moro?
Imagina ser um juiz de primeira instância, com moderada competência jurídica (pelo menos é o que me dizem alguns amigos do Direito) e de repente receber nas mãos, caída do céu, a possibilidade de "julgar" uma figura como Lula.
Goste ou não de Lula, não há como não reconhecê-lo uma liderança sem precedentes neste país.
Um presidente que fez o que nenhum antecessor foi capaz. Um mobilizador de incontestável carisma. "O cara", como atestam até alguns "figurões" no exterior.
Quanta notoriedade este juiz pode angariar com um caso destes sob seus cuidados, ao passo que do contrário, ele ficaria nesta vidinha comum, em que pese o salário incomum, dependendo de um grande caso, um novo concurso ou a ajuda de alguém mais acima pra poder merecer algum destaque.
Da noite para o dia, ganhou manchetes, holofotes, seguidores, fãs... A "mosca azul" é implacável. Ao "picar" alguém, ela modifica sua vítima para todo o sempre.
Então, uma vez Moro tendo decidido aproveitar a oportunidade, não dava mais pra voltar atrás.
Agora tem que fazer tudo como "manda o figurino". Ou seja, sem decepcionar os "apoiadores da causa", os enchedores da bola.
Se julgasse Lula apenas do ponto de vista do "mais um", dentre tantos políticos a serem investigados, tudo passaria rápido, naturalmente. Sem Show. Melhor então separar as coisas. De um lado, Lula e de outro todo o resto dos políticos, acusados, delatados mas que não são interessantes. Perto de Lula, são só nada, mesmo sendo bandidos de grande vulto.
Colocar Lula na praça, exibi-lo antes da fogueira, era o que esperava a mídia, os "governantes do mundo" e a falsa elite brasileira que sonham rifar e dissolver o fenômeno PT desde que Lula assumiu em 2003.
Bom, alguns dizem que não é bem assim. Que as coisas não foram parar nas mãos de Moro por acaso. Mas eu não sei nada sobre os "boatos" de que ele colabora com a CIA, com os EUA, ou se trabalha para não sei mais quem. Tudo o que sei é que nunca tinha ouvido falar nele até há pouco tempo. Hoje, embora sinta apenas "pena" dele como comentei antes, o nome e foto do cara estão por toda parte. Nos jornais, nas revistas, na TV, na rádio, na "boca do povo" e até em portas de banheiro.
Pra quem gosta de "se ver" o tempo todo é um "prato cheio". Um banquete para narcisistas.
Para estes, não importa se falam bem ou mal. O importante é que falem sobre.
E com relação ao processo, ou aos processos, para Moro e outros que estão orbitando em torno de seu "sucesso", não tem importância nenhuma se não houverem provas. O que está em questão é que as delações sejam seletivamente organizadas, vazadas e editadas pela grande mídia, em especial por aquela que "já foi" algum dia, a mais "poderosa" de todas: o decadente Jornal Nacional. O que importa é não sair mais do centro das atenções. E de vez em quando, requentar alguma coisa.
Pena que são tão fracas as acusações contra Lula... São ridículas... inacreditáveis.
Os estrangeiros se riem ao ver que alguns delatados precisam se defender de milhões, enquanto Lula tem que explicar a hipotética posse de um triplex de classe média, ou um sítio de veraneio sobre os quais não há nada, nenhum bilhete sequer.
Só que Moro não liga. Desde que haja uma fala qualquer, de um destes corruptos qualquer, que cite Lula, um parente, amigo, conhecido ou correligionário seu, faz-se um "auê" com ela.
Mas então, se penso tudo isso, o que me causa pena dele?
O que me causa dó é ver que alguém que poderia ter um futuro muito bonito pela frente, se deixar levar por esta correnteza aparentemente "sortuda", só que eivada de armadilhas.
Um dia, não muito longe, a história julgará este episódio de forma tão densa que não haverá mais como esta gente se desculpar. E ninguém mais virá a ser homônimo de Moro, pois basta ver como dificilmente alguém batiza o filho como Hitler, Judas, Nero, ou qualquer outro que a história tenha julgado como "algoz".
Pois é. Como falei em personagens conhecidos, vamos pensar em outra figura histórica, mas que ficou queimada.
Pilatos, um mero governador de provincia, entraria para a história apenas como um a mais dentre os diversos oficiais da Roma antiga. Contudo, foi "agraciado" com a responsabilidade sobre o julgamento de Jesus. Aquele carpinteiro que fez cegos verem, coxos andarem, leprosos serem limpos e mortos reviverem.
Pilatos teve suas palavras e gestos emoldurados pela "glória" momentânea e hoje é o grande escroque da cristandade. Ou seja, aquele que se apoderou de parte do prestígio de Cristo para se eternizar.
Mas a que custo? Rogam os cristãos aos milhões, que o Filho de Deus "padeceu" sob o julgo do "vilão" Pôncio Pilatos.
Será que a mãe do Poncinho, tem hoje no além, vergonha ou orgulho dele, quando ouve os anjos apontando e cochichando entre si no Paraíso: "Eis ali a mãe do que lavou as mãos" e deixou o filho do Senhor morrer?
Se eu fosse Moro, também talvez tivesse aproveitado esta chance. A de me tornar uma figura extremamente conhecida e pública, sem me preocupar "como".
Mas graças a Deus não sou. E como eu mesmo, na verdade, defendo que o bonito seria se ele, ao receber esta oportunidade na profissão, tivesse encarado tudo como algo tão grandioso quanto governar esta nação e cuidar para que o processo fosse completamente isento, acusando apenas sob provas concretas, averiguadas e não fruto de falação de criminosos que desejam diminuir sua pena em delações contraditórias e inconsistentes.
Eu gostaria de ser conhecido como o justo, o jurista respeitável.
Gostasse ou não de mim a Globo ou o Kataguiri (sei lá se é assim que se escreve o nome desse aí), minha preocupação seria a verdade, a história, o compromisso.
Condenando o culpado, ou absolvendo o inocente, teria meu nome nos anais da história como o correto.
Não sobraria ninguém... Nem amigos do PSDB, nem adversários do PT. Culpados, iriam em cana independente de suas cores. Inocentes, teriam a chance de limpar o nome, como convém aos injustiçados.
Como juiz com "j" maiúsculo, eu tomaria cuidado ao tirar fotos, ao frequentar estádios de futebol. Fugiria de entrevistas perigosas e me cercaria de isenção. Romperia com alguns amigos sem crédito moral. E enfim, depois de tudo, seria apontado nos livros do direito, como aquele que julgou poderosos e para tal seguiu os rigores da ritualística jurídica.
Por isso eu digo, quão lamentável é a pouca idade. A falta de velhice.
Se para uns a oportunidade de brilhar de fato chega muito tarde ou nunca chega, para alguns chega cedo demais, o que é infinitamente pior.
quarta-feira, 3 de maio de 2017
Brasa Viva. Ressurgirá a esperança.
Os números não são pequenos. Em uma empresa, ouvimos 22 mil. Em outra, eram 15 os milhares a serem
desligados até o final deste ano, segundo o RH.
Fico pensando no tamanho do desastre que tudo
isso vai causar na economia do país e em tão pouco tempo. E bem agora que se fala em recuperação da
crise.
Enquanto isso, frutificam pelo mundo e não só
pelo Brasil, os imbecis que defendem, em nome da “empregabilidade”, o
afrouxamento das leis trabalhistas, como se isto fosse a solução do problema do
desemprego.
No campo, quase que se implanta, novamente, a
escravidão ou o escambo da força de trabalho por um prato de comida e uma cama
desconfortável.
As guerras ocorrem pelo mundo afora em diversas
cores e formas diferentes. Umas com
bombas e atrocidades visíveis, outras com a penetração gradativa na consciência
das pessoas com vistas a leva-los a um suicídio moral irracional.
Claro que a finalidade sempre é a mesma: poder
financeiro. Nada de política, nada de fé
religiosa, nada de etnia, nada de combate a terroristas. Tudo disfarce em fantasia rota.
O segundo modelo de guerra, embora menos odioso
do ponto de vista humanista, chega a crueldade ainda pior, posto que o indivíduo
vira atroz de si mesmo e acreditando estar raciocinando por conta própria.
Eu pensava que o Brasil já estava livre
disso. Após anos de ditadura militar,
com ela vencida e soterrada, vivemos em uma frágil democracia onde ainda resta
vencer oligarquias e coronéis. Ocorreu
que acabamos por ser vítimas do excesso de liberdade. Deixamos muito livre, por exemplo, a mídia,
que operou o ideário de cada cidadão com ardil e astúcia.
A serviço dos grandes mandatários do mundo, os
donos da “informação” realizaram a doutrinação diária, pesada e mascarada que conduziu
o pensamento das massas para o lado que quis.
Está certo que estes grandes artífices da
desconstrução não contavam com a força da internet a combater-lhes o que ocorre
a olhos vistos. Mas este veículo de
alcance e controle popular ainda carece de aceitação por boa parte nesses
rincões de nosso Brasil. Sobretudo onde
a classe média mantém ligados seus aparelhos de televisão que servem de adorno
e companhia nas vidas vazias dos que foram contaminados pelo consumismo
alienante que esvazia neles, a própria alma.
Enquanto isso, corajosos, seguem plantando suas
sementinhas na web, os blogueiros, facebuqueiros e outros guerrilheiros da
modernidade.
Fico a fitar, nas ruas, as manifestações que a
mídia formal não mostra. Os avanços da
direita raivosa que não quer mais perder tempo na voracidade de resguardar sua
ilusória posição de topo da pirâmide. E
entre um lance e outro, vejo aquele mesmo resquício de esperança e luta que
vimos no passado próximo, quando o vermelho, que era apenas sangue sobre a
calçada, foi aos poucos tomando forma até tornar-se pendão das liberdades e do
alvorecer dos novos tempos.
Tombado pelo golpe e pelo descuido que a aparente
vitória de então trouxeram, jaz combalido, mas continua vivo e incandescente como
brasa que aguarda um simples sopro a plenos pulmões dos verdadeiros
brasileiros.
domingo, 16 de abril de 2017
Uma excelente Páscoa libertadora e renovadora pra toda a humanidade.
"Noite mil vezes feliz, o opressor foi despojado, os pobres enriquecidos, o céu à terra irmanado!"
(Proclamação da Páscoa)
A criação do mundo e do Homem pelas mãos de Deus, o dilúvio de Noé e o Sacrifício de Abraão, a passagem dos Hebreus pelo Mar Vermelho e a ressurreição do Cristo, são momentos lembrados e exaltados pelos cristãos na Páscoa, a maior festa da cristandade. Maior mesmo que o Natal.
Há que se aceitar ou não estes episódios descritos na bíblia e transmitidos pela tradição, ou mesmo te-los por simbólicos, para quem dispensa a fé e se apega a fatos históricos de concretas comprovações. Por certo, céticos ou materialistas não deixam de pensar na manipulação destes contos que mantém, ou pelo menos deveriam manter, cordatos os seus crentes.
Mas ninguém pode negar que sua atualidade é assustadora. Tanto no "ipsis litteris" quanto no sentido inverso ou figurado.
O mundo e o Homem, por exemplo, se recriam diariamente e com velocidade assustadora pela própria evolução. Buscando adquirir as forças e a sabedoria de um ser divinal, a humanidade não hesita em elevar-se acima da vida e dos próprios limites do conhecimento. E claro, com a mesma voracidade que descobre a cura de doenças mortais, inventa armamentos de potencial destruição. Enquanto caminhamos nesta senda evolutiva, há que se pagar um preço alto, cujo ponto principal é o distanciamento da natureza e da própria Terra em si e de suas benesses.
Deliberando sobre o que podemos ser, nos esquecemos do que fomos ou de quem somos. Almejando chegar ao infinito, desleixamos do onde estamos. E por aí vai.
Mas o pior de tudo é a contradição. Na perseguição doentia pela abundância e pela qualidade, vamos deixando pra trás um rastro de escassez e fome, de mutilação e exclusão, semelhantes aos cenários descritos pelo gênesis na era da construção da arca ou escravidão no Egito. No entanto, qual seria o grande evento libertador? E quais seriam os "guias" a conduzir o "povo" pelo deserto ou pelas bravias águas da inundação?
Ah e ainda pra quem acha absurdo que um homem equilibrado ofereça seu filho em holocausto, basta atentarmos para a intimidade de nossos lares em que nossos filhos são entregues e submetidos diariamente a deuses os mais diversos, sem que lhes haja um anjo a segurar as mãos do carrasco evitando o sacrifício. Internet e jogos sem qualquer controle dos pais ou do bom senso, fabricam coisas como a baleia azul, a doentia sexualidade sem freios e o desapego à alma criativa. Sem falar no abandono da família que presenteia a crueldade das drogas com vítimas aos borbotões.
E continuando na analogia, o calvário do redentor fica explícito nos noticiários em que pessoas de todas as idades, de diversas culturas e raças são submetidas à cruz das guerras, da exploração, da ignorância, da falta de cuidados, atenção e alimentos.
E enquanto o Homem, mesmo com toda a sua visão libertadora, a tecnologia conquistada e o alto e auto conhecimentos não realizar o "milagre" da vida nova, ainda a alguns de nós o que resta mesmo é o apego à crença de uma vida além, cujo resplandecer e aurora representem justiça, alegria e recompensa.
Poderia ser diferente e o agora vir a resolver todas as questões. Mas o salvador da humanidade e maior revolucionário da história, creiam ou não os contemporâneos, de certa forma ensinou a prática revolucionária. E se ele não renascer para nós, pelo menos na Páscoa, o que nos restará?
Pois a vontade revolucionária sem ação revolucionária, vale menos que a esperança.
(Proclamação da Páscoa)
A criação do mundo e do Homem pelas mãos de Deus, o dilúvio de Noé e o Sacrifício de Abraão, a passagem dos Hebreus pelo Mar Vermelho e a ressurreição do Cristo, são momentos lembrados e exaltados pelos cristãos na Páscoa, a maior festa da cristandade. Maior mesmo que o Natal.
Há que se aceitar ou não estes episódios descritos na bíblia e transmitidos pela tradição, ou mesmo te-los por simbólicos, para quem dispensa a fé e se apega a fatos históricos de concretas comprovações. Por certo, céticos ou materialistas não deixam de pensar na manipulação destes contos que mantém, ou pelo menos deveriam manter, cordatos os seus crentes.
Mas ninguém pode negar que sua atualidade é assustadora. Tanto no "ipsis litteris" quanto no sentido inverso ou figurado.
O mundo e o Homem, por exemplo, se recriam diariamente e com velocidade assustadora pela própria evolução. Buscando adquirir as forças e a sabedoria de um ser divinal, a humanidade não hesita em elevar-se acima da vida e dos próprios limites do conhecimento. E claro, com a mesma voracidade que descobre a cura de doenças mortais, inventa armamentos de potencial destruição. Enquanto caminhamos nesta senda evolutiva, há que se pagar um preço alto, cujo ponto principal é o distanciamento da natureza e da própria Terra em si e de suas benesses.
Deliberando sobre o que podemos ser, nos esquecemos do que fomos ou de quem somos. Almejando chegar ao infinito, desleixamos do onde estamos. E por aí vai.
Mas o pior de tudo é a contradição. Na perseguição doentia pela abundância e pela qualidade, vamos deixando pra trás um rastro de escassez e fome, de mutilação e exclusão, semelhantes aos cenários descritos pelo gênesis na era da construção da arca ou escravidão no Egito. No entanto, qual seria o grande evento libertador? E quais seriam os "guias" a conduzir o "povo" pelo deserto ou pelas bravias águas da inundação?
Ah e ainda pra quem acha absurdo que um homem equilibrado ofereça seu filho em holocausto, basta atentarmos para a intimidade de nossos lares em que nossos filhos são entregues e submetidos diariamente a deuses os mais diversos, sem que lhes haja um anjo a segurar as mãos do carrasco evitando o sacrifício. Internet e jogos sem qualquer controle dos pais ou do bom senso, fabricam coisas como a baleia azul, a doentia sexualidade sem freios e o desapego à alma criativa. Sem falar no abandono da família que presenteia a crueldade das drogas com vítimas aos borbotões.
E continuando na analogia, o calvário do redentor fica explícito nos noticiários em que pessoas de todas as idades, de diversas culturas e raças são submetidas à cruz das guerras, da exploração, da ignorância, da falta de cuidados, atenção e alimentos.
E enquanto o Homem, mesmo com toda a sua visão libertadora, a tecnologia conquistada e o alto e auto conhecimentos não realizar o "milagre" da vida nova, ainda a alguns de nós o que resta mesmo é o apego à crença de uma vida além, cujo resplandecer e aurora representem justiça, alegria e recompensa.
Poderia ser diferente e o agora vir a resolver todas as questões. Mas o salvador da humanidade e maior revolucionário da história, creiam ou não os contemporâneos, de certa forma ensinou a prática revolucionária. E se ele não renascer para nós, pelo menos na Páscoa, o que nos restará?
Pois a vontade revolucionária sem ação revolucionária, vale menos que a esperança.
domingo, 9 de abril de 2017
Na minha visão.
Eu sempre questionei sobre os motivos de Lula não
ter vindo, após o primeiro mandato de Dilma, para uma nova empreitada de 8
anos. Seria, ao meu entender, a
consolidação do projeto.
Mas é claro.
Esta é minha ótica. Os realmente
preparados e o próprio Lula sempre souberam que aqueles seriam dias complicados
e que alguma reação da direita se daria, o que acabou acontecendo.
Talvez Dilma, por ser mais fraca que ele e mesmo
estar, de algum modo, isolada por muitos companheiros, em virtude até das
porradas que aos poucos foram tomando conta do cenário, sucumbiu com rapidez. Afinal, Lula havia sobrevivido ao "mensalão", perdendo já naquele momento diversos braços.
Assim acredito que ele teria, talvez, aguentado mais o tranco. Mas poderia ter sido devidamente destruído se
estivesse lá, no governo, diretamente.
Agora, contudo, não há dúvidas de que sua volta é
esperada, desejada e muito, por diversos setores, não só os nordestinos, não só
os trabalhadores, mas mesmo outros que assistem ruir a imagem do país lá fora e
afastadas, até por conta disso, as chances de crescimento e reabilitação
verdadeira da nossa economia.
A resiliência do petista sempre foi seu
forte e agora, reforçada pela desastrosa atuação dos artífices do golpe que
tentaram trazer o controle geral ao PSDB e não conseguiram, sua imagem faz as chances de sua volta ainda melhores.
Mas é inocência da militância petista pensar que
tudo se dará tranquilamente. Que o
processo eleitoral seguirá seu fluxo natural.
Que os golpistas e reacionários de plantão entregarão os pontos assim,
na maciota.
Lula deve enfrentar porrada em cima de
porrada. Tentativas absurdas de
destruição da sua credibilidade e quem sabe até, atentados. Sei lá se estou exagerando.
E para barra-lo, os servidores do capital ainda
enfrentarão alguns outros problemas, como criaturas da sua própria laia que, estando do mesmo lado do balcão, seriam
muito beneficiadas com a volta do PT ao poder.
Um antagonismo muito complicado de explicar a quem quer que seja.
É como se o golpe tivesse passado um “cadinho” do
ponto. E agora, até aqueles obedientes
de sempre, como a Globo e a Veja, já entenderam que precisam dar uma freada,
recuar uns passos e principalmente, queimar aquelas figurinhas ruins nas quais
tinham se apoiado para realizar a retomada. E já começaram o descarte. Só que pra isso, vão precisar construir novos "ídolos". Eu arrisco aqui uns 2 ou 3 nomes. E você?
Só que, neste embalo, há o medo, mesmo de setores privados, de que
figuras folclóricas como aquele deputado “fascista”, cujo nome não pronuncio, acabe ganhando um pouco de
força e venha a dar trabalho no futuro.
Nacionalista, com clara certeza, esta figurinha atrapalharia os agentes do
capital estrangeiro que nunca deixaram de dar as cartas por aqui. É como o Trump lá nos EUA, guardadas as devidas proporções. Eu que antes tinha até um certo receio de que
um retrocesso desta monta pudesse nos atingir, já estou um pouco mais
tranquilo, pois não creio que o permitam, mesmo os capitalistas de fora.
Estas forças objetivamente acreditam ser melhor a condescendência do
próprio Lula, que convive com alguns “parceiros” indesejados da esquerda, do que a
truculência irracional da extrema direita, populista e cega.
Enquanto isso e por fora, se encontra aquele que
pode dar guarida ou mesmo alicerçar uma história mais duradoura da volta do
projeto petista mas que precisa da aceitação e da paixão menos “personalista”
dos militantes “lulistas”.
Ciro Gomes não é inimigo dos trabalhadores e tem
uma proposta voraz. Se atado à volta de
Lula numa dobrada irrefreável, complica as chances da direita emperrar a nossa retomada
do governo.
Mas Ciro e Lula são figuras demasiadamente vaidosas
e cercados de bajuladores não conseguem olhar para o lado. Neste instante delicado em que nos
encontramos, o apelo das bases precisa se voltar para esta união muito mais do
que para as pré-campanhas a que se propõem.
Um projeto de Lula e Ciro nos daria no mínimo uns
12 anos de fôlego, talvez ainda assim não suficientes para reconstruir a
devassada realizada pelos golpistas em tão pouco tempo.
Para isso, contratos precisarão ser revistos e projetos
aprovados, devem ser derrubados. O
Congresso deverá então, observar a força popular do novo executivo e “baixar a bola” no seu
apetite. E só a força popular de Lula não é suficiente.
A dobradinha pode fazer isso com mais competência. Os passos traçados pela Lava Jato que ora
gira para um lado, ora para outro, se atropelarão se dividirem o foco, permitindo que a queda de braços aconteça de forma menos bagunçada.
E neste contexto a esquerda dividida e com seu “centralismo”
confuso, precisará “tapar o nariz” e colaborar sem “purismo” irresponsável.
terça-feira, 4 de abril de 2017
Estabelecer um negócio próprio: ponderações.
Trabalhando no universo das franquias já me
deparei com gente vivendo muita situação complicada.
Vi pessoas que se lançaram a empreender sem
qualquer tipo de ajuda ou orientação preliminar. Resultado?
Frustração.
Se eu fosse consultado, não hesitaria em prevenir,
logo de cara, que não se deve empreender qualquer jornada no mundo dos negócios
sem antes avaliar uma série de posturas e condições objetivas.
O primeiro grande toque que eu daria é para que o
pretenso investidor avaliasse se gosta o suficiente de pessoas. Quem não gosta de gente, terá muita
dificuldade em lograr êxito em qualquer iniciativa. O componente número 1 de todo negócio é o
relacionamento. Por isso, pessoas
difíceis no trato enfrentarão muitos problemas.
Além de clientes, fornecedores e colaboradores, o
empresário deve lidar também com parceiros múltiplos de seu negócio. Um “gênio ruim” e antipatia, provocam desacordos
e uma má política de negociações que fazem perder dinheiro e coíbem o progresso
empresarial.
Mas este está longe de ser o único percalço. Será que quem deseja se embrenhar no mundo
empresarial fez uma análise rigorosa sobre suas condições financeiras?
Muitas vezes se olha o valor a investir, sem
prestar a atenção no fato de que não é só colocar dinheiro no negócio, mas
manter-se equilibrado no dia a dia sem comprometer a família e o
patrimônio. Nem todos estão preparados
para alterar o padrão de vida para baixo desviando valores de sua rotina para aplica-los
nos necessários primeiros passos do negócio.
Todo resultado demora um pouco a chegar. Durante este prazo é preciso sobreviver e
manter as despesas novas que surgirão em função do estabelecimento da empresa.
Capital de giro é, sem dúvidas, essencial para
que um empreendedor sobreviva até atingir o chamado “ponto de equilíbrio”, o
que pode levar um tempo muito maior do que o imaginado.
Outro fato que passa desapercebido aos
investidores novatos é a falta de conhecimento na gestão de finanças. Saber lidar com contas não é saber pagá-las,
mas negociar bem, reduzindo sempre despesas, juros, multas e outros emolumentos
indesejados ao mesmo tempo em que se maximizam os resultados.
Não são poucos os que começam sua nova jornada no
mundo dos negócios com financiamentos e dívidas adquiridos no intuito de
empreender. Dependendo das condições
negociadas, cavou-se um buraco profundo que fará, lá na frente, o negócio não
andar ou afundar.
Quase todas as propostas de investimentos na
composição de uma empresa, pressupõem a formação de um estudo elaborado de
possibilidades a que chamamos “plano de negócios”. Este faz previsões com base em informações
juntadas por quem conhece um pouco deste emaranhado de armadilhas denominado “finanças”.
Mesmo com talento para tal, a única forma de se
garantir aproximação máxima do planejamento com a realidade é testando-o.
No sistema denominado franchising isso se dá mediante o estudo da unidade piloto, que é
aquele modelo que está sendo replicado pelo franqueador.
Comprar uma franquia sem visitar ou pelo menos
pesquisar a unidade piloto é correr um risco desnecessário.
Se alguém deseja empreender, mas tem medo de
abrir mão de algum tipo de receita que possua, pode, de repente, buscar um tipo
de negócio que lhe permita dividir seu tempo e atuar em dois canais. Só que é bastante arriscado caso faltem esforço
e dedicação em um dos negócios.
Ao menos durante boa parte do dia, os olhos,
ouvidos e mente devem estar voltados para o sucesso do empreendimento.
Empreendedores despreparados tentam dividir-se em
dois negócios e acabam perdendo ambos. Outros
há que nomeiam parentes ou amigos de muita confiança para cuidar de um dos
negócios. Acreditam que aquele “procurador”
irá se dedicar de maneira igual a que o proprietário faria. Mas, como dizem no interior “são os olhos do
dono que engordam a boiada”. Isso é
fato.
Suor, dedicação, avaliação permanente e
planejamento antecedendo as ações são componentes indispensáveis para o
êxito. Por melhor que seja o
empreendimento ou por mais estrutura de apoio que se consiga, tanto em
franqueadoras quanto em consultorias apropriadas, como o SEBRAE, por exemplo,
não estar focado sempre será um problema.
Claro que sócios, funcionários competentes, podem
sim representar uma saída, mas não vale alegar mais tarde de que não se sabia
da importância de estar presente “de corpo e alma” no projeto.
Existem negócios cuja dedicação pode se dar em apenas
parte do dia. Mesmo estes exigirão, na
sua hora, energia, disposição e cabeça fria para progredir.
Fique claro que não estou desmotivando
empreendedores múltiplos, mas alertando-os de que terão que se desdobrar muito
mais que imaginam para não se perderem com o tempo.
Há outras coisas ainda que um “sonhador” precisa
levar em conta. Por exemplo, que formato
adotar no negócio que irá abrir.
Será que dá pra trabalhar em casa e com isso
gastar menos para “montar” o negócio escolhido?
O chamado home-office pode ser sim uma grande
tacada para investidores novatos. Não tendo que adquirir móveis, custear um
aluguel e livrando-se de outros custos, parece ser mais garantido o retorno.
Mas trabalhar em casa pede muita disciplina. O simples fato de estar com os filhos e o
resto da família no mesmo ambiente, pode nos desfocar de uma ação contundente,
diminuindo os resultados a alcançar. No
fim, o que seria economia é na verdade, menos ganho.
O investidor pensará a certa altura: Será que
levo meu filho à escola, ou ligo para aquele prospect ? Será que faço
aquela visita importante agora, ou sirvo o almoço? Sem falar nas pessoas que frequentam a casa,
no cachorro latindo no quintal e na criança chorando durante aquela conversa
importante com o cliente.
O “home” está muito difundido e tem ganhado
terreno cada vez mais nos dias atuais.
Só que além das dificuldades de se manter uma atuação focada, há o
componente inverso, ou seja, de se trabalhar o tempo todo.
Trabalhando em casa, evitamos aquele outro e
importante cenário no qual ao fim do expediente, se chega da empresa externa
para o descanso no lar. Como sempre se está no ambiente de trabalho, quem optou
por este sistema para ficar perto da família, corre o risco é de ficar ainda
mais distante dela, mesmo estando no mesmo lugar, pois não sabe a hora de
desligar o computador e participar da vida familiar.
Há caminhos.
Se a finalidade for só economizar, sem esta configuração do trabalho
home, dependendo do ramo escolhido, pode-se optar por um destes escritórios “coworking”
nos quais se tem um lugar adequado para atender clientes, fazer reuniões e
divulgar o endereço com custo módico e partilhado. Muitas cidades oferecem esta opção.
Ainda, ao falar de formato, outra questão pode
vir à tona. Qual o regime tributário ou
categoria de empresa são os mais convenientes?
Neste quesito sou reservado. Vai sempre depender do ramo de negócios. Por isso, o correto mesmo é a consulta a um
bom profissional contábil. Esta
orientação faz muita diferença e este contabilista conhece melhor as leis
municipais e pode mais de perto avaliar as necessidades do empreendedor no que
tange a proteção de sua empresa.
Há uma lista de regimes que varia muito, composta
pelo Simples Nacional, pelo Lucro Real e outros, sob os quais regem regras de
tributação mais ou menos incidentes no produto ou serviço a ser trabalhado.
Na questão da categoria, o importante é avaliar
onde o empreendedor deseja chegar, pois pode escolher entre ser um microempreendedor
individual ou ter uma pequena empresa, que lhe permitirá boa renda e a
contratação de muitos colaboradores.
Mesmo se o investidor optar por uma franquia,
terá que abrir uma empresa e avaliar os melhores regime e categoria para
enquadrá-la.
Como estou no Mercado de Franquias, sei defender
o negócio ao afirmar, sem sombra de dúvidas, que uma franquia é sempre mais
garantida que uma empresa comum. Segundo
a ABF e o próprio SEBRAE, enquanto 10% das empresas em geral fecharam durante o
ano de 2015, no modelo de franquias o fechamento foi de apenas 4,5%.
E por que isso acontece?
Porque uma franquia é a réplica de um modelo
testado e experimentado. Porque o
investidor já inicia seu negócio com marca forte e formatada. Conta com o apoio de consultores da
franqueadora que orientam na condução do negócio e oferecem suporte em áreas
como marketing, TI, técnicas e outras.
Hoje a utilização de redes sociais, links
patrocinados ou formas de marketplaces podem garantir uma boa demanda e atrair
bastante cliente.
No sistema de franquias, tudo isso é muito mais comum.
Agora, seja abrindo uma empresa comum, seja
optando pelo modelo de franquias, algumas verdades são absolutas. Um bom site, marketing avançado, a manutenção
da reputação da marca e divulgação permanente são “de lei”.
Todo cuidado é pouco e toda análise saudável
quando o tema é empreender.
Claro que não consegui esgotar, neste discurso,
tudo aquilo no que acredito, deva o empreendedor refletir. Mas se considerarmos pelo menos o exposto,
acredito que já está posta uma importante contribuição para quem está “buscando”
ser seu próprio patrão.
sábado, 25 de março de 2017
Da invasão à invasão.
Conta a história que quando os europeus chegaram nas praias brasileiras (em 1500), os índios não reagiram agressivamente. Pelo contrário, um dia depois de os portugueses aportarem na hoje denominada Baía Cabrália, Nicolau Coelho pegou um bote e foi até a praia fazendo contato amigável com 18 nativos tupiniquins que lá estavam curiosos.
No dia 25, ou seja, 3 dias depois do descobrimento (invasão), Bartolomeu Dias e Nicolau Coelho, acompanhados de Pero Vaz de Caminha, desembarcaram em outra praia, 70 km acima para darem presentes (besteirinhas) aos índios dóceis e cordatos espalhados por lá.
Já no dia seguinte, só com 4 dias em nossas terras, o capitão da esquadra, Frei Henrique de Coimbra, celebrou a primeira missa em terra "com a presença de indígenas silenciosos.
Sem batalhas, sem tiros ou flechadas, as terras tinham novos donos.
Ou seja, está no nosso DNA esta condescendência.
Condescendência que acaba de assistir a mais uma interferência em nossa terra e em nossa liberdade, sem qualquer resistência.
Incomodadas com a ascensão dos mais pobres, que lhes dava acessos a faculdades, aeroportos e restaurantes, as elites, capitaneadas por parte da classe média que não conhece seu lugar na classificação social do Brasil, fez papel de "inocente útil" e bateu panelas, abrindo caminho para o "start" de uma guerra semelhante a invasão portuguesa. Sem qualquer tiro, o país foi novamente dominado e controlado.
Cumprindo ordens, a mídia, um pedaço do judiciário e outros polos obedientes na Câmara e Senado, formalizarem o golpe com o respaldo das ruas.
Em dois anos vimos, rapidamente, acontecer o estupro de nossas instituições, a detonação de nossa constituição e a desvalorização de nosso grande orgulho, a Petrobrás. Desvalorização provocada unicamente para permitir a invasão de acionistas por preço baixo.
Vimos ainda a retomada do governo por agentes ultrapassados, por meio de um golpe, que devolveu o controle da nação aos mandatários de sempre. E depois, em cascata, vimos e estamos vendo a aprovação dos ajustes que reduziram investimentos na saúde e educação e agora seguem, por largas passarelas, a reforma da previdência e a terceirização a acabar de vez com direitos já parcos da classe trabalhadora.
Como os índios da obra de Victor Meirelles, a população brasileira, em especial o trabalhador em geral, parece estar em paz, vendo com atenção esta celebração de entrega de seus destinos ao algoz.
Será que, quase 520 anos depois, ainda não somos capazes de perder esta permissividade tupiniquim?
No dia 25, ou seja, 3 dias depois do descobrimento (invasão), Bartolomeu Dias e Nicolau Coelho, acompanhados de Pero Vaz de Caminha, desembarcaram em outra praia, 70 km acima para darem presentes (besteirinhas) aos índios dóceis e cordatos espalhados por lá.
Já no dia seguinte, só com 4 dias em nossas terras, o capitão da esquadra, Frei Henrique de Coimbra, celebrou a primeira missa em terra "com a presença de indígenas silenciosos.
Sem batalhas, sem tiros ou flechadas, as terras tinham novos donos.
Ou seja, está no nosso DNA esta condescendência.
Condescendência que acaba de assistir a mais uma interferência em nossa terra e em nossa liberdade, sem qualquer resistência.
Incomodadas com a ascensão dos mais pobres, que lhes dava acessos a faculdades, aeroportos e restaurantes, as elites, capitaneadas por parte da classe média que não conhece seu lugar na classificação social do Brasil, fez papel de "inocente útil" e bateu panelas, abrindo caminho para o "start" de uma guerra semelhante a invasão portuguesa. Sem qualquer tiro, o país foi novamente dominado e controlado.
Cumprindo ordens, a mídia, um pedaço do judiciário e outros polos obedientes na Câmara e Senado, formalizarem o golpe com o respaldo das ruas.
Em dois anos vimos, rapidamente, acontecer o estupro de nossas instituições, a detonação de nossa constituição e a desvalorização de nosso grande orgulho, a Petrobrás. Desvalorização provocada unicamente para permitir a invasão de acionistas por preço baixo.
Vimos ainda a retomada do governo por agentes ultrapassados, por meio de um golpe, que devolveu o controle da nação aos mandatários de sempre. E depois, em cascata, vimos e estamos vendo a aprovação dos ajustes que reduziram investimentos na saúde e educação e agora seguem, por largas passarelas, a reforma da previdência e a terceirização a acabar de vez com direitos já parcos da classe trabalhadora.
Como os índios da obra de Victor Meirelles, a população brasileira, em especial o trabalhador em geral, parece estar em paz, vendo com atenção esta celebração de entrega de seus destinos ao algoz.
Será que, quase 520 anos depois, ainda não somos capazes de perder esta permissividade tupiniquim?
domingo, 19 de março de 2017
De porta em porta.
Se é verdade que o vinho vai se tornando melhor com o seu
envelhecimento, também o é que os profissionais vão se aprimorando com as
dificuldades enfrentadas.
Eu me lembro, quando comecei minha carreira como "vendedor de
seguros", ainda não havia este tipo de negócio convertido ao modelo
de franquias. Portanto, era "cada um por si".
Bom, devo confessar que eu tive a sorte de ter aprendido com meu
pai, que era do ramo de seguros e em quem me espelhei para começar. Mas
aprender e fazer por conta própria são duas situações meio distantes.
E com isso, quantos foram os erros cometidos, tropeços e quão
grande foi a vontade de desistir várias vezes.
Hoje, decorridos 30 anos nesta profissão, celebro estas 3 décadas
me sentindo recompensado pela insistência que mantive e sobretudo grato para
com as pessoas com quem partilhei esta luta.
Seria injusto inclusive não mencionar e de forma extremamente
reverente, minha mulher, Caroline, que por tantos e tantos anos esteve ao meu
lado, sem deixar-me esmorecer e mais ainda, dirigindo o leme e segurando todas
as barras do negócio, quando, por diversos motivos, me ausentei ou adoeci.
Acredito que ela tenha se tornado, até em função disso, uma das melhores
profissionais que conheço. Melhor que
eu, com certeza.
O fato é que pareço ter aprendido e agora fica aquela obrigação de
transmitir alguma coisa.
E esta obrigação, no meu caso é inclusive "legal", já
que migramos, há 3 anos, para o franchising e
devo por força de contrato, transferir know
how aos franqueados que confiaram em nossa expertise e nosso modelo.
Essa transmissão de experiência, tem se
dado diariamente, seja pelo treinamento presencial obrigatório, no início da
vigência do contrato, seja pelos treinamentos permanentes na Universidade EAD
criada para facilitar o acesso e proporcionar condições objetivas de consulta
dos integrantes da rede.
Não bastasse, vez ou outra,
publicações, áudio-conferências e outras formas de contato, tem me permitido
aconselhar, ou contar “causos” que acabam virando referência a quem quer
acrescentar conhecimento na arte de vender seguros.
Recentemente, contratamos especialistas
na área comercial e criamos o que chamamos “apoio de vendas” para proporcionar
o acompanhamento e amparo direto aos franqueados que desejam aumentar suas
vendas e progredir no negócio.
Só não podemos fantasiar que o franqueador trabalhará pelo
franqueado. Apoio e suporte não são garantias, por si só, de êxito.
Principalmente no Mercado de Serviços, a realização dos próprios
franqueados é o fundamental.
E se o serviço é “vendas”, como no caso de uma Corretora de
Seguros, elas precisam acontecer de forma quantitativa e com qualidade para
fazer frente a concorrência em um dos Mercados mais competitivos que existe.
O jogo é claro: se o franqueado obtiver sucesso e ganhar muito, o
mérito é todo dele, em que pese o apoio da franqueadora. O mesmo ocorre com o fracasso. Se o franqueado não conseguir atingir números
e ganhar pouco ou nada, também será o responsável por isso. Matemática pura.
A franqueadora entra na história como uma ferramenta de apoio, um
recurso a mais e não como garantidora do sucesso.
Aparentemente radical, este é o grande segredo do negócio “franquia
de serviços”, em especial, “franquia de vendas”, modelo no qual o meu negócio
está inserido.
Se falamos de êxito e fracasso, destacamos também que não há uma regra
absoluta. Ou seja, em um momento podemos
estar conquistando muitos clientes e ganhando muito. Em outro, podemos estar parados no tempo, ou
perdendo todas. Estes altos e baixos
fazem parte de qualquer negócio, pois dependem de fatores externos e internos.
Para ajudar, o que fazemos é manter uma estante com bons produtos, trabalhar num preço flexível (que valha quanto ofereça) e sobretudo encontrar soluções para os problemas verdadeiros da clientela. Isso reunido é quase que um “tiro certeiro”.
Para ajudar, o que fazemos é manter uma estante com bons produtos, trabalhar num preço flexível (que valha quanto ofereça) e sobretudo encontrar soluções para os problemas verdadeiros da clientela. Isso reunido é quase que um “tiro certeiro”.
Com um portfólio que traz mais de 30 companhias seguradoras sólidas em atuação no país e
com uma pasta composta por mais de 120 produtos e variações de ramos em seguros, somos bastante
fortes. Ainda, um relacionamento de mais de 22 anos da marca com estas parceiras,
soma-se ao total de produção mensal de todas as unidades, criando um volume de peso a ser considerado
numa negociação.
É isso. Uma coisa é começar
sozinho e sair de porta em porta com uma pasta garimpando possíveis consumidores de seguros. A outra é ter toda uma estrutura por traz e
saber que a orientação e suporte estão disponíveis para quem quiser ou
precisar.
quarta-feira, 15 de março de 2017
Ah, minha mãe...
![]() |
| Ludwig Van Beethoven |
Esta era a decoração da sala, no sobrado onde eu morava aos sete anos de idade. Período em que despertava, todas as manhãs de sábado, com minha mãe tocando Le lac de come ou uma das obras primas quaisquer de Chopin, ao piano.
Como uma criança assim poderia ser normal no futuro?
![]() |
| Darci Antunes Gomes |
| Professora e Aluna no Conservatório de Mirassol - SP |
Mas esse paraíso cultural, raro a alguns de nossa idade, era apenas minha casa. Minha mãe, a esta altura, dirigia uma escola em uma cidade vizinha. O Conservatório Musical de Mirassol, onde se ensinava piano, acordeon, balé, violão, flauta, canto e outros instrumentos.
![]() |
| Araceli Chacon |
| Pianista Lydia Alimonda em diplomação de alunos no Conservatório de Mirassol |
Instrumentos esquisitos, eram objeto de decoração, sinalizando a evolução de alguns deles ao longo do tempo. Pianos os mais variados, tinham seus gabinetes onde alunas e alunos estudavam o tempo todo fechados.
Lembro-me nitidamente de algumas professoras da escola. Nomes que minha mãe repetia com carinho maternal. E também de alunas e alunos, até hoje amigos da nossa família, ou damas da sociedade mirassolense, rio-pretense e de outras paragens.
![]() |
| Maestro Joaquim Paulo do Espírito Santo |
Não me lembro exatamente do motivo pelo qual ela deixou tudo aquilo pra trás. Coincidência ou não, foi no ano da morte de meu avô, seu pai, em 1983. O fato é que, se com a cabeça de hoje, eu jamais o permitiria.
Darci Antunes Gomes, minha genial genitora, tem talento para as artes e continuaria a fazer sucesso. Como sei? Até hoje nos deleita quando senta ao piano. E também, para se ter uma ideia, depois da escola, pôs-se a desenhar e costurar, compondo uma confecção com fábrica e mais de quatro lojas, o que incluía três na capital paulista em conhecidos shoppings centers. Mas esta é outra história.
| O Conservatório em constante agito na cidade de Mirassol |
| Primeiras coleções para Mulheres de Meia Idade |
Não herdei estes talentos. Nem de minha mãe, nem de meu pai. Acho que ficaram todos para meu irmão, que tem ouvido absoluto, desenha e toca super bem e é capaz de escrever como ninguém.
Contudo, estas experiências, influenciaram sim minha capacidade de enxergar o mundo e desenvolver uma sensibilidade acima da média.
Convencimento? Não... apenas gratidão.
sexta-feira, 3 de março de 2017
De Pai pra Filho.
![]() |
| Carlos Gomes da Rio Preto Corretora |
Eu me lembro quando meu pai me levou para o Mercado de Seguros
ao me chamar para trabalhar com ele, lá pelos idos de 1987. Dois
anos antes, ele havia aberto, em São José do Rio Preto a Rio Preto Corretora de
Seguros, que já começava com força total.
Meu pai, conhecido no ramo como Carlos Gomes, havia trabalhado
por um bom tempo em duas importantes seguradoras: a Itaú Seguradora e a
Companhia Internacional de Seguros (na qual também trabalhei mais tarde).
Alguns dos clientes da carteira atual da San Martin, minha
corretora, são oriundos de sua prospecção e vendas daquela época. Prova de que a confiança pode passar de pai
para filho.
Hoje em dia, quando preciso treinar meu faro ou minha capacidade
em vendas, penso em meu pai e em como me ensinou a vender.
Foi sublime!
Ele nunca se preocupou com o resultado da negociação. Queria explicar e fazer o cliente entender de verdade as coberturas e principalmente se eram adequados às suas necessidades. Se a venda não acontecesse, ele estranhava, pois estava convicto de que o cliente, como ele, enxergava a importância daquele contrato. Mas não se importava. Não se abalava com o não e seguia adiante. Mas como eram poucos os "nãos" que recebia.
Esta é então uma das primeiras lições que tirei. O vendedor que
se preocupa apenas com o resultado da venda, esquece de pensar em como está
vendendo de fato.Uma outra coisa que aprendi com ele é que ele não vendia marcas.
Não era a Porto Seguro, a Itaú ou a Sul América. Muito menos vendia pelo preço.
Ele se valorizava, pois vendia o Carlos Gomes. O profissional que ia junto ao
contrato. Sua atuação, seu profissionalismo, sua dedicação e outras virtudes
que ele fazia questão de ressaltar. E quando ameaçavam duvidar, ele insistia
que conferissem.
Naquele tempo, qualquer um podia ligar a um cliente seu que
ouviria as melhores referências.
"Já precisei do Carlos Gomes na madrugada e ele estava
lá."
"Faço seguro com o Carlos Gomes há N anos e nunca fiquei na
mão."
Estes testemunhos eram frequentes e eu os ouvia sempre.
Quando um cliente lhe perguntava: "Eu posso confiar nesta
companhia"? Ele então respondia com firmeza: "Nela você pode, pois eu
estarei junto a ela para garantir que cumpra cada item deste documento que você
está assinando".
Como trabalhava muito corretamente, as seguradoras também lhe
davam muito aval. Em épocas que o próprio corretor fazia a vistoria, as suas
eram aceitas independente do dia e do horário que as realizava.
Um vendedor com credibilidade de ambos os lados da negociação,
não tem dificuldades em fechar negócios.
Eu nunca desisto de pensar em seus exemplos. Afinal, se quero
fazer bem feito, devo me espelhar em quem já me provou sê-lo capaz.
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017
Escárnio
De alguns meses pra cá, como todo bom brasileiro, tenho ficado abalado, todos os dias, com as notícias.
Tá certo que elas não carregam toda a paixão dos âncoras dos telejornais, como aquelas que ouvíamos no tempo do governo anterior, quando opositores, que perderam nas urnas, resolveram parar (sangrar) o Brasil e contaram com apoio maciço da mídia formal e de certos setores da sociedade conservadora, até finalmente tirarem a presidenta de seu cargo e aniquilar seu partido.
Aliás, uma tentativa que vigorou por muito tempo, desde os primeiros anos do Governo de Lula. Já lá, estes mesmos atores, desencadearam o processo do Mensalão e outras tantas coisas mais, que foram se sucedendo, sem no entanto conseguirem arranhar de morte a gestão do Partido dos Trabalhadores. Gestão esta que se mostrou, para a vergonha dos intelectuais e nobres, muito mais competente que as suas jamais foram.
O que se noticia hoje é algo nunca dantes presenciado, pelo menos pelas pessoas da minha geração. A saber, uma coleção de escárnios. Uma piada sem graça de como ignorar o povo, o bom senso, a nossa inteligência.
Se eu for relacionar, demorarei uma noite e ainda me esquecerei de muita coisa.
E na verdade, nem preciso comentar, pois a discussão destas vergonhas está diariamente no Youtube, no Facebook e em diversas outras mídias sociais e portais de notícias livres e isentas.
Ontem mesmo pudemos assistir, em muitos veículos, pela internet, ao desmentido da falsa versão global de que o aumento da energia de agora é culpa do governo anterior.
Também ouvimos por estes dias, o desabafo de tantos que ao ver a nomeação de um tucano para ministro do Supremo e que irá julgar seus amigos, acharam no mínimo trágico. Como foi trágico ver que o crime de responsabilidade (pedaladas) que usaram para tirar Dilma da presidência, deixou de sê-lo no dia seguinte. Ver também que esse ministro foi aprovado pelo Senado Federal onde estão tantos dos que serão julgados (ou deveriam ser), assusta nossa convicção na democracia. Como assustou ao ouvirmos as declarações de cada um dos deputados que votou pelo impeachment em abril do ano passado.
Ridículo... Ridículo como a carta do vice à presidenta que "vazou" para a imprensa. Lembram?
Mas o que é tudo isso, comparado a todo um ministério composto por quase 100% de figuras delatadas, nomeado a seguir de um processo de impeachment que ocorreu para "limpar" o país da corrupção?
E tem mais. Fomos forçados a assistir que os "movimentos de renovação nacional" nada fizeram ou disseram diante da nomeação de um Ministro atolado até os dentes nas delações, coisa que não pôde acontecer com Lula, por exemplo, o que demonstrou como era frágil (ou falsa) a convicção de quem foi para as ruas pedir decência e honestidade.
Diante da morte de alguém, pudemos comprovar que ao invés de se indignar com o corporativismo dos corruptos, algumas pessoas ainda preferiram tripudiar sobre o caixão de uma ex-primeira dama. Chega a dar medo do tipo de gente com quem somos forçados a construir nosso futuro.
A lambuzeira e a roubalheira continuam impunes. E ninguém veste nada, infla nada, bate nada ou canta nada nas ruas. Prova inconteste de que as bravatas patrióticas eram mero "mise en scene" a serviço da Casa Grande.
Os mandatários de sempre, desde as capitanias hereditárias, estão de volta com fôlego e apetite total. Voraz. Não deve sobrar nada, nem para os gafanhotos.
E com todas as maquinações e empenho máximo, ainda não conseguiram a "culpa" de Lula e ao menos que um raio lhe caia sobre a cabeça, voltará nos braços do seu eleitorado, com força total em 2018.
Até onde será que seus adversários, incapazes de vencê-lo nos moldes democráticos, são capazes de chegar para barrá-lo? Será que pensam mesmo que uma certa gama de cidadãos vai deixar que o símbolo dos melhores anos deste país, seja alvejado ou impedido? Sabem que não. Por isso Lula não pega nem gripe. Até os inimigos rezam por sua saúde.
Só que enquanto isso, continuaremos assistindo ainda a valsa dos lordes. Semelhante aquele quadro no qual aristocratas jogam restos de comida aos famintos na rua, pela janela do palácio, para se divertirem com a humilhação popular. Será que esta súcia não se apercebe de que certas coisas não tem mais espaço na história?
Sei lá... tristes dias os que antecedem o novo triunfo da classe trabalhadora.
Tá certo que elas não carregam toda a paixão dos âncoras dos telejornais, como aquelas que ouvíamos no tempo do governo anterior, quando opositores, que perderam nas urnas, resolveram parar (sangrar) o Brasil e contaram com apoio maciço da mídia formal e de certos setores da sociedade conservadora, até finalmente tirarem a presidenta de seu cargo e aniquilar seu partido.
Aliás, uma tentativa que vigorou por muito tempo, desde os primeiros anos do Governo de Lula. Já lá, estes mesmos atores, desencadearam o processo do Mensalão e outras tantas coisas mais, que foram se sucedendo, sem no entanto conseguirem arranhar de morte a gestão do Partido dos Trabalhadores. Gestão esta que se mostrou, para a vergonha dos intelectuais e nobres, muito mais competente que as suas jamais foram.
O que se noticia hoje é algo nunca dantes presenciado, pelo menos pelas pessoas da minha geração. A saber, uma coleção de escárnios. Uma piada sem graça de como ignorar o povo, o bom senso, a nossa inteligência.
Se eu for relacionar, demorarei uma noite e ainda me esquecerei de muita coisa.
E na verdade, nem preciso comentar, pois a discussão destas vergonhas está diariamente no Youtube, no Facebook e em diversas outras mídias sociais e portais de notícias livres e isentas.
Ontem mesmo pudemos assistir, em muitos veículos, pela internet, ao desmentido da falsa versão global de que o aumento da energia de agora é culpa do governo anterior.
Também ouvimos por estes dias, o desabafo de tantos que ao ver a nomeação de um tucano para ministro do Supremo e que irá julgar seus amigos, acharam no mínimo trágico. Como foi trágico ver que o crime de responsabilidade (pedaladas) que usaram para tirar Dilma da presidência, deixou de sê-lo no dia seguinte. Ver também que esse ministro foi aprovado pelo Senado Federal onde estão tantos dos que serão julgados (ou deveriam ser), assusta nossa convicção na democracia. Como assustou ao ouvirmos as declarações de cada um dos deputados que votou pelo impeachment em abril do ano passado.
Ridículo... Ridículo como a carta do vice à presidenta que "vazou" para a imprensa. Lembram?
Mas o que é tudo isso, comparado a todo um ministério composto por quase 100% de figuras delatadas, nomeado a seguir de um processo de impeachment que ocorreu para "limpar" o país da corrupção?
E tem mais. Fomos forçados a assistir que os "movimentos de renovação nacional" nada fizeram ou disseram diante da nomeação de um Ministro atolado até os dentes nas delações, coisa que não pôde acontecer com Lula, por exemplo, o que demonstrou como era frágil (ou falsa) a convicção de quem foi para as ruas pedir decência e honestidade.
Diante da morte de alguém, pudemos comprovar que ao invés de se indignar com o corporativismo dos corruptos, algumas pessoas ainda preferiram tripudiar sobre o caixão de uma ex-primeira dama. Chega a dar medo do tipo de gente com quem somos forçados a construir nosso futuro.
A lambuzeira e a roubalheira continuam impunes. E ninguém veste nada, infla nada, bate nada ou canta nada nas ruas. Prova inconteste de que as bravatas patrióticas eram mero "mise en scene" a serviço da Casa Grande.
Os mandatários de sempre, desde as capitanias hereditárias, estão de volta com fôlego e apetite total. Voraz. Não deve sobrar nada, nem para os gafanhotos.
E com todas as maquinações e empenho máximo, ainda não conseguiram a "culpa" de Lula e ao menos que um raio lhe caia sobre a cabeça, voltará nos braços do seu eleitorado, com força total em 2018.
Até onde será que seus adversários, incapazes de vencê-lo nos moldes democráticos, são capazes de chegar para barrá-lo? Será que pensam mesmo que uma certa gama de cidadãos vai deixar que o símbolo dos melhores anos deste país, seja alvejado ou impedido? Sabem que não. Por isso Lula não pega nem gripe. Até os inimigos rezam por sua saúde.
Só que enquanto isso, continuaremos assistindo ainda a valsa dos lordes. Semelhante aquele quadro no qual aristocratas jogam restos de comida aos famintos na rua, pela janela do palácio, para se divertirem com a humilhação popular. Será que esta súcia não se apercebe de que certas coisas não tem mais espaço na história?
Sei lá... tristes dias os que antecedem o novo triunfo da classe trabalhadora.
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017
Falar de coisas boas... sempre.
Embora
cansado e cheio de birra, depois de um dia muito complicado, não resisti e atendi
ao celular na noite de ontem, já passadas as 20 horas.
Reconheci de
imediato o chamador, um colaborador que trabalha no setor comercial da empresa.
Aqui, para
não o melindrar, vou chama-lo de Renato (o que nasceu de novo).
Pois
bem. Ele disse que estava um pouco
preocupado, pois suas vendas, no último mês, não estavam correspondendo às suas
expectativas. Imagine às minhas.
Por isso,
queria alguma dica importante. O que
poderia fazer para dar uma “alavancada” em seus números.
Eu não sou
um mestre. Um professor de vendas. Na verdade, parto do pressuposto que, “quem
não sabe, ensina fazer”. Então, eu não
deveria palpitar muito.
Resolvi amenizar o tom.
Perguntei a ele como estava tudo, fora essa situação.
Sua resposta veio sob medida: “Tirando uma dor de dentes que me acompanha
há alguns dias, está tudo bem”, reclamou-me.
Pedi então
que ele me falasse sobre a dor. Ele disse
que já estava cuidando, que já tinha ido ao dentista e que teria que enfrentar
algumas sessões. Comentou que é um
problema novo, pois nunca ao longo da vida, tinha sofrido com a dentição etc.
Depois disso
eu resolvi perguntar-lhe sobre algo de bom que realmente estivesse acontecendo
com ele neste momento.
Hesitando,
me contou que seu irmão teria um filho.
Com problemas hormonais, sua cunhada fazia tratamento há um certo tempo
e agora, teve a confirmação de que estava esperando um bebê. Acrescentou que seria um primeiro sobrinho,
ou sobrinha, mas que isso não importava.
Queria mesmo era ver a alegria de seu irmão e seus pais com a chegada da
criança.
Após esta rápida conversa eu pedi ainda que me dissesse qual assunto o agradara mais.
Rapidamente
é claro, me falou que falaria a noite toda sobre o filho do irmão e com
alegria.
Foi nesta
hora que emendei e alertei. Os clientes
também gostam de falar sobre coisas boas.
Mas boa parte dos vendedores preferem falar sobre coisas ruins. Preço é ruim.
Concorrência é ruim. Crise é
ruim. Problemas são ruins. Devemos partir sempre de conversas
agradáveis, de situações de conforto e segurança. Que tal, após apresentar uma proposta
perguntar ao cliente: “O que mais lhe agradou nesta minha proposta”? Ou então: “Qual parte lhe atende mais”?
Ele falaria
com alegria sobre isso, mas com desanimo se a pergunta fosse: “Qual é o
problema de minha proposta”? Ou então: “O
que não lhe agradou”? E pior ainda: “Você
tem alguma coisa melhor”?
Eu senti que
ele se chocou. Foi quando me confessou que
faz sempre o contrário do que eu estava recomendando.
Depois de um
papo um pouco mais longo, me agradeceu e disse que “renasceria para as vendas”
esta manhã.
Sei lá se, para
ele, era novidade tudo aquilo. Mas vou
ficar aqui, só olhando no sistema, para acompanhar-lhe os resultados.
quinta-feira, 26 de janeiro de 2017
A culpa é das estrelas... Ou então, de qualquer outro.
Me lembro até hoje de um momento singular. Fui com um amigo visitar um colega de
trabalho que nos era comum.
Este colega acabara de sair de uma cirurgia na qual
havia extirpado um tumor “maligno” do intestino. Os próximos passos seriam um tratamento
pesado à base de fortíssimos remédios e outros procedimentos incômodos, mas que
serviriam de esperança para a solução definitiva de seu caso.
Meu amigo, não hesitou em dizer ao esperançoso
paciente, que conhecia casos semelhantes, em que o tratamento seria terrível de
suportar e não adiantaria nada.
Entre esconder-me debaixo da cama ou dar-lhe um soco
na cara, preferi o silêncio covarde. Mas
tentei depois devolver um pouco de esperança ao colega recém operado,
lembrando-o que também eu tirara um tumor anos atrás e conhecia centenas de
pessoas que ainda estavam tocando suas vidas com a maior naturalidade.
Em momentos de fragilidade, nada é pior que escutar a
palavra errada, principalmente de alguém que não é especialista no assunto,
tampouco interessado no nosso sucesso.
Para este meu amigo “agourento”, a visita ali era apenas o cumprimento
de um ritual.
Em atitude parecida, um incontável número de pessoas,
hoje em dia, se vale de jogar sua frustração pessoal nas costas de alguém. Incapazes ou inábeis em determinado tipo de desempenho,
estas pessoas preferem eleger um culpado pelo seu mal sucedimento e depois, o
ideal ainda é que esta culpa seja avalizada por todos os demais
infortunados. E se não houver infortunados
suficientes, gerar alguns sempre será vital para o fortalecimento desta prática
desonesta: a desmotivação.
Vele tudo.
Grupos de WhatsApp, e-mails, visitas, telefonemas, artigos no jornal,
publicações em sites de reclamações ou mesmo a proliferação de mentiras ou
potencialização de problemas em detrimento a uma correta busca por soluções e
respostas.
Falo isso com conhecimento de causa. Corretor de Seguros há 26 anos, estou também ligado ao Mercado de Franquias
há 17 anos.
Tenho visto em grandes redes e marcas, algumas famosas
e indiscutíveis do ponto de vista do sucesso, o desabafar de franqueados, quase
sempre “os que não estão dando certo”, em grupos de conversa e convenções. Geralmente, não se limitam a reclamar, mas
buscam atrair para a insatisfação, aqueles que mantém uma certa convicção no
negócio e promovem uma luta diária contra os desafios.
Dias atrás, reunido com alguns franqueadores, todos
pareciam concordar que deviam acrescentar em seu contrato de franquias, uma
cláusula mais dura afim de coibir esta prática negativa. Mas alguns acreditam que deixando “correr
frouxo”, acabamos por permitir uma seleção natural entre os mais fortes e
dedicados. Ainda não formei opinião
sobre, até porque enfrento este problema em menor grau do que outros que vi por
lá.
O fato é que precisa ficar sempre muito claro que o
sucesso ou fracasso nos negócios, não passa por Deus, pelo Governo ou pela
franqueadora, mas pelas mãos do próprio protagonista do negócio, ou seja, o
franqueado.
Há uma rede que afirma categoricamente que apenas
cumpre a lei. “Ao vender uma franquia,
dou direito ao uso da marca e um treinamento inicial. O resto é por conta do franqueado”. Segundo este gestor, as redes que mais sofrem
queixas são aquelas que se propõem a oferecer mais suportes.
De qualquer modo e voltando ao assunto que me levou a este
registro, a ação nociva de “trazer para as trevas” quem insiste em caminhar na
luz, também beira a um comportamento de mau caráter.
Quando não estou bem, devo procurar resolver o meu
problema e não arrastar outros para partilharem dele e me ajudarem a achar um
culpado.
Acho meio parecido isso com aquele cara que sempre
bebe nas festas e não fica feliz em se entupir de bebidas. Quer carregar meia dúzia com ele e fica
enchendo os copos alheios e brigando com quem não bebe.
É como o adolescente envolvido com drogas, que ao se
ver na lama, não sossegará até arrastar para lá seu melhor amigo.
Enquanto colegas do franchising estudam a
possibilidade de processar e incriminar os “urubus” de plantão, eu tenho
buscado fazer o contrário, mostrando nas mensagens oficiais e coletivas de que
há duas portas na vida. Uma que conduz
ao êxito e outra que conduz ao fracasso.
Um amigo franqueado me escreveu hoje e depois de
afirmar que não aguenta mais um grupinho de maus profissionais reclamando o tempo todo num grupo, me
emocionou afirmando: “Suas palavras nos e-mails são fortes e
animadoras, mas alguns insistem em olhar apenas para a mancha de tinta que
ficou no canto da mensagem. Fazer o que”?
Acho que é isso mesmo.
Só pra encerrar meus comentários, aquela visita ao hospital se deu há 11 anos e meu então colega (paciente), agora amigo, trabalha firme e sustenta 2 lindas filhas com energia de um touro e sequer se recorda das agruras que viveu naqueles dias de sua doença.
Acho que é isso mesmo.
Só pra encerrar meus comentários, aquela visita ao hospital se deu há 11 anos e meu então colega (paciente), agora amigo, trabalha firme e sustenta 2 lindas filhas com energia de um touro e sequer se recorda das agruras que viveu naqueles dias de sua doença.
sábado, 21 de janeiro de 2017
Indicação - Artigos Caros Amigos

Gostaria de recomendar alguns textos de meu irmão e minha cunhada na Revista Caros Amigos.
Formados em Ciências Sociais, ambos lecionam em Universidade no Estado do Paraná e sua capacidade de transmitir sua mensagem contribuem imensamente para a causa da emancipação humana.
http://www.carosamigos.com.br/index.php/artigos-e-debates/5487-o-menino-do-quadro-negro
http://www.carosamigos.com.br/index.php/180-outras-noticias/artigos-e-debates/4954-nota-de-repudio-aos-atos-criminosos-contra-o-povo-desprotegido
http://www.carosamigos.com.br/index.php/artigos-e-debates/8767-o-retorno-da-historia
http://www.carosamigos.com.br/index.php/artigos-e-debates/8652-da-excecao-do-estado-ao-estado-de-excecao
Leia e divulgue.
sexta-feira, 20 de janeiro de 2017
A tecnologia e o Homem.
Quando menino eu já esperava por grandes mudanças no mundo conhecido de então.
Sou de 68, o que fazia de mim um adolescente no início dos anos 80.
Imaginava, talvez incentivado pelos filmes de ficção ou desenhos animados, carros flutuando, objetos se movendo por conta própria e mesmo autômatos limpando a casa sem a intervenção humana.
Aliás, eu pensava na época que tudo isso aconteceria a partir do ano 2000. Bem antes, portanto, do ano em que já estamos. 2017 parecia um lugar tão distante que eu sequer conseguia me ver vivendo-o.
Talvez George Lucas tenha tido um pouco de culpa nisso, posto que ampliou tanto minha visão, no primeiro filme da saga Star Wars, em final da década de 70, que praticamente foi impossível me surpreender a partir dele com os grandes lançamentos que se seguiram no Mercado de consumo.
Usei e abusei, mesmo sendo filho de classe média, dos incríveis walkman, do telejogo (precursor dos vídeo games), do pocket game, do Atari e outros brinquedos "modernos".
Então surgiram o vidro elétrico em algumas marcas de carro, o interfone, a secretária eletrônica e por aí vai. Em menos de uma década depois, já podíamos encontrar coisas como fax, vídeo cassete, microondas e CDs rodando nas lojas e em alguns lares.
Mas nada disso se compararia aos grandes avanços tecnológicos que aconteceriam mais rápido ainda. O nascimento dos PCs (computadores pessoais) e em seguida da Internet trariam ao mundo um universo inimaginável e ao alcance de todos.
E o que dizer dos primeiros "tijolões", aqueles celulares que vieram para substituir os pagers? Rapidamente, os telefones móveis foram diminuindo em tamanho e ganhando diversas funções adicionais até chegarem no moderno Iphone ou S7.
Carros avançados, aeronaves fantásticas, TVs surpreendentes e equipamentos médicos precisos, não foram menos produzidos que poderosos armamentos de destruição individual ou coletiva.
As ilimitadas capacidades e alcances dos satélites, dentre tantas maravilhas que eles proporcionam como GPS e outras criações que se sucedem e se substituem hoje em dia, são meio que esperadas a todo instante.
O que nos causa espanto, nem é tanto o dinamismo dos novos lançamentos, mas a sua similaridade com modelos anteriores.
Pois é. E a mim, nada parecia espantar neste campo. Como ainda hoje, falar com um robô ao ligar para a Sky ou deixar o aspirador limpar sozinho a piscina de casa, não me surpreende em nada.
O que eu não pensava que aconteceria e portanto me surpreendeu assustadoramente, foi a dependência monstruosa que acompanhou a tecnologia vigente.
Com três filhos em casa, a comunicação está bastante rara. Ter deles alguma atenção é tarefa hercúlea. Fazer com que se interessem por qualquer outra coisa que não as conversas pelo WhatsApp com amigos ou estranhos, ou então youtubers gritando palavrões é tipo compor um TCC para o curso de mecânica quântica.
E a postura física? Estou praticamente convencido que as futuras gerações serão curvadas, míopes e meio surdas.
Se falo de meus filhos, que eu não lhes seja injusto. Nas empresas não é diferente. Funcionários e clientes, se digladiam diariamente, quase sempre defendendo a mesma coisa, mas incapazes de se falar, ficam no perigoso jogo da interpretação de textos mal escritos e mal digeridos. Se substituíssem o Skype, o e-mail, o WhatsApp por uma bela, rápida e precisa ligação, tudo se resolveria. Mas aceitam essa sugestão?
Viciadas e dependentes dos equipamentos eletrônicos, pessoas se esbarram nos coletivos, atrapalham filmes no cinema e cultos religiosos nas igrejas. Gravam e fotografam os pratos de comida e fazem questão de iniciar o dia enviando centenas de correntes, vídeos e mensagens sem sequer perceber o conteúdo completo ou o gosto do destinatário.
Claro que eu não vou ficar amaldiçoando o progresso. Este desfraldar de invenções facilitadoras e promotoras da emancipação são essenciais para o desempenho real e objetivo da humanidade neste mundo. Num ambiente que vislumbre justiça social, a elevação do ser no desempenho de atividades mais sensíveis, deixando às máquinas o trabalho pesado e repetitivo seria um sonho.
Mas assim como o Homem teve que aprender a utilizar o fogo, que mudou a história, precisa se educar para utilizar estes instrumentos de apoio tão incandescentes quanto.
Acredito que o grande desafio que nos cerca no momento é este. Ajudar meus filhos a dominarem e não serem dominados por seus equipamentos é tudo o que espero das escolas e dos meios de comunicação. Será que chegaremos a isso?
Talvez assim, definitivamente, eu então me surpreenda.
Sou de 68, o que fazia de mim um adolescente no início dos anos 80.
Imaginava, talvez incentivado pelos filmes de ficção ou desenhos animados, carros flutuando, objetos se movendo por conta própria e mesmo autômatos limpando a casa sem a intervenção humana.
Aliás, eu pensava na época que tudo isso aconteceria a partir do ano 2000. Bem antes, portanto, do ano em que já estamos. 2017 parecia um lugar tão distante que eu sequer conseguia me ver vivendo-o.
Talvez George Lucas tenha tido um pouco de culpa nisso, posto que ampliou tanto minha visão, no primeiro filme da saga Star Wars, em final da década de 70, que praticamente foi impossível me surpreender a partir dele com os grandes lançamentos que se seguiram no Mercado de consumo.
Usei e abusei, mesmo sendo filho de classe média, dos incríveis walkman, do telejogo (precursor dos vídeo games), do pocket game, do Atari e outros brinquedos "modernos".
Então surgiram o vidro elétrico em algumas marcas de carro, o interfone, a secretária eletrônica e por aí vai. Em menos de uma década depois, já podíamos encontrar coisas como fax, vídeo cassete, microondas e CDs rodando nas lojas e em alguns lares.
Mas nada disso se compararia aos grandes avanços tecnológicos que aconteceriam mais rápido ainda. O nascimento dos PCs (computadores pessoais) e em seguida da Internet trariam ao mundo um universo inimaginável e ao alcance de todos.
E o que dizer dos primeiros "tijolões", aqueles celulares que vieram para substituir os pagers? Rapidamente, os telefones móveis foram diminuindo em tamanho e ganhando diversas funções adicionais até chegarem no moderno Iphone ou S7.
Carros avançados, aeronaves fantásticas, TVs surpreendentes e equipamentos médicos precisos, não foram menos produzidos que poderosos armamentos de destruição individual ou coletiva.
As ilimitadas capacidades e alcances dos satélites, dentre tantas maravilhas que eles proporcionam como GPS e outras criações que se sucedem e se substituem hoje em dia, são meio que esperadas a todo instante.
O que nos causa espanto, nem é tanto o dinamismo dos novos lançamentos, mas a sua similaridade com modelos anteriores.
Pois é. E a mim, nada parecia espantar neste campo. Como ainda hoje, falar com um robô ao ligar para a Sky ou deixar o aspirador limpar sozinho a piscina de casa, não me surpreende em nada.
O que eu não pensava que aconteceria e portanto me surpreendeu assustadoramente, foi a dependência monstruosa que acompanhou a tecnologia vigente.
Com três filhos em casa, a comunicação está bastante rara. Ter deles alguma atenção é tarefa hercúlea. Fazer com que se interessem por qualquer outra coisa que não as conversas pelo WhatsApp com amigos ou estranhos, ou então youtubers gritando palavrões é tipo compor um TCC para o curso de mecânica quântica.
E a postura física? Estou praticamente convencido que as futuras gerações serão curvadas, míopes e meio surdas.
Se falo de meus filhos, que eu não lhes seja injusto. Nas empresas não é diferente. Funcionários e clientes, se digladiam diariamente, quase sempre defendendo a mesma coisa, mas incapazes de se falar, ficam no perigoso jogo da interpretação de textos mal escritos e mal digeridos. Se substituíssem o Skype, o e-mail, o WhatsApp por uma bela, rápida e precisa ligação, tudo se resolveria. Mas aceitam essa sugestão?
Viciadas e dependentes dos equipamentos eletrônicos, pessoas se esbarram nos coletivos, atrapalham filmes no cinema e cultos religiosos nas igrejas. Gravam e fotografam os pratos de comida e fazem questão de iniciar o dia enviando centenas de correntes, vídeos e mensagens sem sequer perceber o conteúdo completo ou o gosto do destinatário.
Claro que eu não vou ficar amaldiçoando o progresso. Este desfraldar de invenções facilitadoras e promotoras da emancipação são essenciais para o desempenho real e objetivo da humanidade neste mundo. Num ambiente que vislumbre justiça social, a elevação do ser no desempenho de atividades mais sensíveis, deixando às máquinas o trabalho pesado e repetitivo seria um sonho.
Mas assim como o Homem teve que aprender a utilizar o fogo, que mudou a história, precisa se educar para utilizar estes instrumentos de apoio tão incandescentes quanto.
Acredito que o grande desafio que nos cerca no momento é este. Ajudar meus filhos a dominarem e não serem dominados por seus equipamentos é tudo o que espero das escolas e dos meios de comunicação. Será que chegaremos a isso?
Talvez assim, definitivamente, eu então me surpreenda.
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