quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Soberania não se comunica com resignação

Imagem - Correio Brasiliense

 É evidente que nenhuma pessoa minimamente informada acredita que o Brasil tenha capacidade militar para enfrentar sozinho uma potência como os Estados Unidos em um conflito convencional. Essa constatação não é o problema. O problema é quando essa ideia é expressa pelo próprio ministro da Defesa em termos como "abrir o portão". Um ministro dessa área não representa apenas uma opinião pessoal.  Ele representa a postura institucional de um país soberano.

A função de um ministro da Defesa é transmitir confiança, capacidade de dissuasão e compromisso permanente com a proteção da integridade nacional. Mesmo quando defende a necessidade de ampliar investimentos nas Forças Armadas, sua comunicação deve reforçar que o Brasil trabalha para preservar sua soberania, fortalecer sua indústria de defesa e garantir condições para proteger seu território e seus interesses. É justamente esse o argumento que o próprio ministro vem apresentando ao defender um orçamento mais previsível para o setor.

Governos democráticos precisam conciliar transparência com responsabilidade institucional. Reconhecer limitações orçamentárias é legítimo. Transformá-las em uma metáfora de rendição pode transmitir uma mensagem muito diferente da pretendida. Em política internacional, palavras têm peso. Elas influenciam a percepção sobre a capacidade, a confiança e a determinação de um país.

Cabe ao presidente da República, como comandante supremo das Forças Armadas, definir a orientação política da área de Defesa e assegurar que a comunicação de seus ministros esteja alinhada aos interesses permanentes do Estado brasileiro. O Brasil deve investir em sua capacidade de defesa não para alimentar aventuras militares, mas para fortalecer a soberania, ampliar sua capacidade de dissuasão e demonstrar que a paz se constrói, também, pela credibilidade de suas instituições.


Soberania não se comunica com resignação

Imagem - Correio Brasiliense   É evidente que nenhuma pessoa minimamente informada acredita que o Brasil tenha capacidade militar para enfre...