terça-feira, 8 de setembro de 2026

O perigo de não reconhecer a extrema direita

 

Imagem - Vermelho.org
Por que, quando a extrema direita avança na Alemanha, parte significativa da imprensa internacional imediatamente acende o alerta para os riscos de uma reabilitação do nazismo, do autoritarismo e da intolerância? E por que, no Brasil, grupos e lideranças que flertam com ataques às instituições, questionam eleições sem provas, relativizam a violência política e mantêm estreitas conexões ideológicas com movimentos autoritários internacionais (Trump) são, muitas vezes, apresentados simplesmente como “a oposição”?

Não se trata de negar a importância da oposição. Ao contrário: não existe democracia saudável sem oposição forte, legítima e responsável. O problema começa quando a linguagem utilizada para descrever os fatos suaviza comportamentos que deveriam preocupar toda a sociedade. Uma coisa é fazer oposição a um governo, outra, muito diferente, é atacar sistematicamente as regras do jogo democrático, desacreditar instituições e transformar adversários políticos em inimigos a serem eliminados.

A história alemã ensinou ao mundo que a democracia nem sempre desaparece de uma vez. Muitas vezes, ela é corroída aos poucos, pela normalização do discurso de ódio, pela mentira repetida até parecer verdade, pela perseguição às minorias e pelo enfraquecimento gradual das instituições. Por isso, é compreensível que os alemães e a Europa estejam especialmente atentos aos sinais da extrema direita.

E o Brasil? Será que aprendemos as mesmas lições?

Quando setores da extrema direita brasileira se alinham internacionalmente a projetos políticos que defendem o nacionalismo autoritário, atacam organismos multilaterais e alimentam uma permanente desconfiança contra a imprensa, a Justiça e o processo eleitoral, talvez seja necessário perguntar se o simples rótulo de “oposição” é suficiente para explicar o fenômeno.

Isso não significa que todo eleitor de direita seja extremista e essa distinção é fundamental. A direita democrática tem legitimidade, história e um papel indispensável na pluralidade política. Mas também não podemos permitir que o medo de parecer “polarizado” nos impeça de reconhecer a extrema direita quando ela ultrapassa os limites democráticos.

A pergunta que fica é simples.  Estamos usando critérios diferentes para analisar fenômenos semelhantes ou estamos, pouco a pouco, nos acostumando com aquilo que deveria nos alarmar?

A democracia não precisa de silêncio diante dos extremos. Precisa de debate, memória, responsabilidade e coragem para chamar cada coisa pelo seu verdadeiro nome.

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