domingo, 15 de fevereiro de 2026

Carnaval - fé, cultura e alegria do povo brasileiro

Bloco do Vasco - São José do Rio Preto 

Todos os anos, quando fevereiro se aproxima, o Brasil se transforma. Ruas ganham cores, ritmos ecoam nos bairros, famílias inteiras se reúnem e milhões de trabalhadores encontram no Carnaval não apenas uma festa, mas uma expressão legítima de cultura, identidade e pertencimento.

O Carnaval brasileiro é, antes de tudo, uma manifestação popular. Nasceu do encontro de tradições europeias, africanas e indígenas, foi moldado pela criatividade do povo e consolidou-se como patrimônio cultural reconhecido mundialmente. Reduzi-lo a estereótipos de exagero, descontrole ou promiscuidade é desconhecer sua história e ignorar a realidade da maioria que participa dele.

Quem frequenta blocos de rua sabe.  Ali estão famílias, crianças fantasiadas, idosos animados, trabalhadores que passaram o ano inteiro lutando e encontram alguns dias de descanso e celebração coletiva. É a costureira que preparou a fantasia do filho, o ambulante que reforça sua renda, o músico que vive de sua arte, o comerciante que aquece seu caixa. O Carnaval movimenta a economia, fortalece o turismo e sustenta milhares de empregos diretos e indiretos nas grandes cidades e no interior.

Os desfiles das escolas de samba, por sua vez, são verdadeiras obras de arte a céu aberto. Envolvem planejamento, investimento, geração de renda e, sobretudo, trabalho coletivo. São meses de dedicação de comunidades inteiras para entregar espetáculos que projetam o Brasil para o mundo.

É claro que, como em qualquer grande evento, podem ocorrer excessos individuais. Mas isso não define a essência da festa. Generalizar é injusto com milhões de brasileiros que celebram com responsabilidade e respeito.

Também é importante lembrar que fé e cultura popular nunca foram inimigas. O Brasil é um país de maioria cristã e profundamente festivo. Alegria, música e convivência comunitária não são sinônimos de pecado. O próprio calendário cristão situa o Carnaval como período anterior à Quaresma, dentro de uma tradição histórica que atravessa séculos.

Para muitos cristãos, participar do Carnaval não significa abandonar valores, mas viver a alegria de forma consciente, com responsabilidade e fraternidade. Demonizar a festa como algo “anticristão” ignora que ela é, sobretudo, encontro humano, arte e expressão cultural.

O Carnaval de rua contemporâneo é democrático. Não é espaço de elite restrita nem privilégio de poucos. É manifestação aberta, plural, onde o trabalhador ocupa o espaço público com música, criatividade e celebração. É o Brasil que canta, dança e resiste.

Defender o Carnaval é defender a cultura popular, a economia criativa, o turismo, o direito à cidade e a alegria coletiva. É reconhecer que um povo que trabalha duro também merece celebrar junto.

Porque, no fim das contas, o Carnaval é isso.  Gente simples, reunida, celebrando a vida.

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