![]() |
| Bloco do Vasco - São José do Rio Preto |
Todos os anos, quando fevereiro se aproxima, o Brasil se transforma. Ruas ganham cores, ritmos ecoam nos bairros, famílias inteiras se reúnem e milhões de trabalhadores encontram no Carnaval não apenas uma festa, mas uma expressão legítima de cultura, identidade e pertencimento.
O Carnaval brasileiro é, antes de tudo, uma manifestação popular.
Nasceu do encontro de tradições europeias, africanas e indígenas, foi moldado
pela criatividade do povo e consolidou-se como patrimônio cultural reconhecido
mundialmente. Reduzi-lo a estereótipos de exagero, descontrole ou promiscuidade
é desconhecer sua história e ignorar a realidade da maioria que participa dele.
Quem frequenta blocos de rua sabe. Ali estão famílias, crianças
fantasiadas, idosos animados, trabalhadores que passaram o ano inteiro lutando
e encontram alguns dias de descanso e celebração coletiva. É a costureira que
preparou a fantasia do filho, o ambulante que reforça sua renda, o músico que
vive de sua arte, o comerciante que aquece seu caixa. O Carnaval movimenta a
economia, fortalece o turismo e sustenta milhares de empregos diretos e
indiretos nas grandes cidades e no interior.
Os desfiles das escolas de samba, por sua vez, são verdadeiras obras
de arte a céu aberto. Envolvem planejamento, investimento, geração de renda e,
sobretudo, trabalho coletivo. São meses de dedicação de comunidades inteiras
para entregar espetáculos que projetam o Brasil para o mundo.
É claro que, como em qualquer grande evento, podem ocorrer excessos
individuais. Mas isso não define a essência da festa. Generalizar é injusto com
milhões de brasileiros que celebram com responsabilidade e respeito.
Também é importante lembrar que fé e cultura popular nunca foram
inimigas. O Brasil é um país de maioria cristã e profundamente festivo.
Alegria, música e convivência comunitária não são sinônimos de pecado. O
próprio calendário cristão situa o Carnaval como período anterior à Quaresma,
dentro de uma tradição histórica que atravessa séculos.
Para muitos cristãos, participar do Carnaval não significa abandonar
valores, mas viver a alegria de forma consciente, com responsabilidade e
fraternidade. Demonizar a festa como algo “anticristão” ignora que ela é,
sobretudo, encontro humano, arte e expressão cultural.
O Carnaval de rua contemporâneo é democrático. Não é espaço de elite
restrita nem privilégio de poucos. É manifestação aberta, plural, onde o
trabalhador ocupa o espaço público com música, criatividade e celebração. É o
Brasil que canta, dança e resiste.
Defender o Carnaval é defender a cultura popular, a economia
criativa, o turismo, o direito à cidade e a alegria coletiva. É reconhecer que
um povo que trabalha duro também merece celebrar junto.
Porque, no fim das contas, o Carnaval é isso. Gente simples, reunida, celebrando a vida.

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Obrigado por contribuir com sua opinião. Nossos apontamentos só tem razão de existir se outros puderem participar.