sábado, 3 de janeiro de 2026

Quando o império abandona o disfarce, a barbárie aparece

 

Caracas Essa Madrugada - Imagem G1
Se confirmadas as informações que circulam nesta madrugada, o mundo assiste a um dos atos mais graves das últimas décadas.  Uma ação militar direta dos Estados Unidos contra a Venezuela, com a captura forçada de seu presidente, realizada à margem do direito internacional, em desprezo absoluto às Nações Unidas e em afronta aberta à soberania dos povos.

Não há adjetivo elegante para isso. É agressão imperial. É sequestro de Estado. É terrorismo geopolítico.

Donald Trump não age como chefe de governo.  Age como senhor de guerra de um império em decadência, que já não consegue convencer, apenas intimidar. A velha retórica da “operação brilhante”, do “combate ao crime” e da “libertação” é o mesmo roteiro usado no Iraque, na Líbia, no Afeganistão e em tantos outros lugares onde a democracia nunca chegou, mas a destruição sim.

A América Latina conhece bem esse método. Golpes, bloqueios, sanções, assassinatos políticos, operações clandestinas. Nada disso é novo. O que assusta é o descaramento.  Agora sem intermediários, sem disfarce, sem vergonha. Tropas, ataques aéreos, captura de um chefe de Estado. Um precedente que, se naturalizado, implode qualquer noção de ordem internacional.

É preciso fazer autocrítica.  Durante anos, parte da comunidade internacional tolerou sanções criminosas, sabotagens econômicas e campanhas de desestabilização contra a Venezuela em nome de uma suposta “defesa da democracia”. O resultado está aí. Quando se aceita o estrangulamento de um povo, não se pode fingir surpresa quando vêm os bombardeios.

A reação internacional mostra o tamanho do risco. Rússia, China, Cuba, Irã e diversos países latino-americanos denunciam a agressão. Governos responsáveis falam em escalada, em crise regional, em guerra. Já a extrema direita comemora. Milei vibra. Parlamentares trumpistas aplaudem. O colonialismo nunca foi envergonhado, apenas espera ocasião.

E o Brasil? O Brasil não pode vacilar.

O governo Lula tem um papel histórico a cumprir. Não por afinidade ideológica com este ou aquele governo, mas por compromisso com princípios que sempre nortearam a diplomacia brasileira.  A autodeterminação dos povos, não intervenção, solução pacífica dos conflitos e defesa intransigente da soberania.

O silêncio, aqui, seria cumplicidade. A neutralidade, covardia.
Cabe ao Brasil liderar, junto a outros países do Sul Global, uma reação firme no âmbito da ONU, exigir provas, denunciar a ilegalidade da ação e trabalhar ativamente para impedir a escalada militar. A América do Sul não pode voltar a ser campo de batalha de interesses estrangeiros.

Não se trata de “defender Maduro”. Trata-se de defender algo muito maior.  O direito de qualquer povo escolher seu destino sem ser ameaçado por porta-aviões e drones. Hoje é a Venezuela. Amanhã pode ser qualquer país que ouse dizer não. O Brasil mesmo, por exemplo.

A história já julgou o imperialismo e sempre o condenou.
Resta saber quem, neste momento decisivo, estará do lado da legalidade, da paz e da dignidade dos povos. O Brasil precisa estar do lado certo da história.

2 comentários:

  1. Exatamente companheiro. A defesa da auto determinação dos povos, a defesa da Soberania Nacional exige posicionamento dos governos democrático popular.

    ResponderExcluir

Obrigado por contribuir com sua opinião. Nossos apontamentos só tem razão de existir se outros puderem participar.

Quando o samba vira memória, resistência e esperança

Imagem - Revista Veja A Avenida não é apenas um palco de espetáculo.   É também território simbólico do Brasil profundo. E quando uma escola...