quinta-feira, 26 de março de 2020

A COVID e o covarde

Estarrecidos ficamos todos com o pronunciamento irresponsável do despreparado presidente do Brasil sobre a pandemia e as ações promovidas para minimizar o contágio.
Na verdade, ficaríamos mais estupefatos se ele realmente falasse coisa com coisa.  Não é de seu perfil, nem de sua capacidade intelectual.

Já até cansou ouvirmos críticas de toda parte, a respeito dessa desastrosa fala em rede nacional de rádio e televisão. 

Sinceramente só não sei como seus eleitores e alguns apoiadores não sentem vergonha cada vez que ele abre a boca. 

No mínimo devem ter vontade de repetir o velho personagem de Jô Soares que de quando em quando repreendia o sacristão no bordão: "Cale a boca, Batista”.

Mas calar é algo que nem ele e nem alguns de seus generais conseguem.

É bom salientar que nessa crítica não há, de minha parte, qualquer despeito por conta da não eleição de algum candidato que eu tenha preferido.  E olhe que eu preferia qualquer um dos outros, inclusive o Cabo Daciolo.  Mas escolheram votar naquela cadeira vazia dos debates... deu nisso.  

Já tive "n” candidatos não eleitos nas tantas eleições em que votei e só me restou sempre aceitar o resultado e respeitar a vontade da "maioria”. Diferente, por sinal dos eleitores e apoiadores do "bom mocinho” das Minas Gerais, o famigerado playboy Aécinho.

Ao perder as eleições, por meio da influência que detinha (até então), minaram o governo de Dilma impondo-lhe um sangramento diário que culminou no impeachment que prefiro chamar de golpe.

Muito menos ainda se pode dizer que eu não torça pelo meu país. 

Em que pese não ser caso de torcida, mas de se trabalhar incansavelmente para sobreviver, que é o que cada um de nós fazemos de fato e independente de quem é eleito, não torço contra.  Em política sou tudo, menos suicida.

Mas o cara consegue se superar a cada dia.

No episódio de agora, destoa de toda humanidade tentando agradar a uns e outros de seus amigos que, com certeza, estão cobrando-lhe uma posição contra o fechamento das empresas.

Estão incomodados com a quarentena.  Alguns até puseram a cara pra bater como o papagaio da Havan, o almofadinha Justus e os donos daqueles restaurantes que não me verão mais.

Também sou empresário.  Só faltava estar feliz com o fechamento dos negócios.  Colaboradores todos trabalhando em casa e as vendas lá no chão.

Acontece que sei entender as coisas porque não sou infantil.  

Não se trata só de quantidade de contaminados ou quantidade de mortos.  Sobretudo a preocupação é com a velocidade com que o vírus se espalha e causa as mortes.

Em alguns países são 600, 700 óbitos por dia.  E sem falar nas vítimas fatais, tem o volume já exorbitante de atendimentos nos hospitais que não será suportado caso a curva permaneça como prevista.

Com certeza Bolsonaro não se atentou para o fato de que a negligência em 1918 causou, só no Brasil, mais de 30 mil mortos pela Gripe Espanhola (que na verdade nasceu nos Estados Unidos).

O nosso "querido” chefe de Estado também não deve saber que aquela pandemia matou o presidente do Brasil que eleito, não tomou posse.

Será que sabia que os coveiros não davam conta?  Que os corpos ficavam defronte das casas, porque não havia tempo e pessoal suficiente para recolhe-los para os funerais? E estou falando do Rio de Janeiro.

No mundo foram mais de 500 milhões de infectados e se fala de 50 a 100 milhões de mortos, pois a divergência dos números se deve ao excesso de mortos sem registro.

Foi assim... se espalhando rapidamente e contaminando todo mundo, independente de classe social e idade. 

O que os governadores estão fazendo para achatar o avanço, bastante orientados por autoridades da saúde e repetindo o que fazem outros líderes mundiais, está correto.

Se preocupado com os micro e pequenos empresários, resta ao presidente saber que há mecanismos legais para que ele utilize cifras em auxilio como alguns de seus antecessores já fizeram para ajudar banqueiros e usineiros. Só pra ilustrar.

Aliás, há dinheiro suficiente para garantir a cada família uma renda mínima que lhes possibilite a subsistência durante esse processo de isolamento. E não precisa sair do salário de servidores.  Isso é balela e terrorismo barato. Quem disser o contrário está mentindo.
Não seria três vezes legal o representante da extrema direita promover distribuição de renda nesse país?

Vejo colegas do comércio caindo nessa conversinha mole do sr. taokey, sem qualquer objetividade, como se fosse simplesmente apertar um botão e botar a economia toda para rodar de uma vez.

Acabou. Esse ano já era.  Não tem crescimento e se o governo não agir da forma acima, vamos todos passar muito apuro.  E em paralelo, a pandemia estará dando sequência ao seu ciclo.

O que está em nossas mãos é fazer com que esse ciclo seja breve ou esticado.  Só isso.

Esse enfrentamento, no entanto, ficaria muito mais fácil com um líder de verdade, inteligente e CORAJOSO a nos conduzir. 

Mas não será dessa vez.

Texto publicado no DL NEWS - 26/03/2020

segunda-feira, 23 de março de 2020

Ainda sobre o agora e depois.

Para que não haja qualquer confusão ou equivoco com relação ao que escrevi anteriormente, preciso esclarecer alguns pontos.
O confinamento é tão desigual quanto o dia a dia normal das pessoas.  Claro, em uma sociedade desigual como a nossa.
Ou seja, há uma grande diferença entre ficar em uma casa de 400 metros quadrados e em um barraco de 70 metros.  Principalmente porque geralmente quem mora em barracos tem mais filhos que quem mora em casas grandes.
Outra diferença gritante consiste na despensa de uma e outra casa.  Os itens, as quantidades e a qualidade do conteúdo ou a inexistência desse.
Não falei em entretenimento, conforto ou o que o valha, ainda.
Até a distância entre vizinhos implica nos resultados do isolamento. 
Mas a mais cruel diferença está na receita mensal de cada cidadão.
Quem é rico tem poupança, patrimônio e por isso, findo o período de quarentena, continuará rico.  Já quem é pobre, assalariado, poderá perder seu emprego e alguns autônomos ou "se virantes" sequer terão o que comer já de imediato.
Assim, a minha preocupação não está no tédio, na falta de paciência em ficar em casa ou na invasão e esvaziamento dos supermercados.  Está sim na falta de ganho dessa gente toda agora e no porvir quando tudo terminar.
No meu texto, em que falo sim de algumas mudanças de conceitos, na adaptação da experiência de ficar em casa e não sair para a rua, encerro reivindicando a justa manutenção dos menos assistidos por uma "pensão", uma bolsa de sobrevivência fornecida pelo governo. 
Nada parecido, no entanto, com o medíocre "favor" mensal que tanto incomodava as elites e que batizaram de "bolsa família". 
É preciso realmente uma manutenção que dê para alimentar e acalmar essas pessoas sem cortar luz, água e gás.  Sem negar-lhes o acesso à saúde e ao socorro, ao mesmo tempo em que se cuida da fome.
Só faltava eu "achar" que é tudo igual.
Imagine a diferença entre a epidemia em um condomínio fechado e naquele morro onde as casas se confundem, as pessoas se trombam o tempo todo e onde não há entregadores de água ou "de pizza" e ainda que houvesse, não haveria dinheiro para pagar.
Portanto, não me falta sensibilidade, nem clareza da situação.  Mas uma coisa é falar sobre uma decisão governamental correta e necessária (confinamento) enquanto classe média ou rica e a outra é falar do mesmo tema enquanto assalariado, desempregado ou profissional informal.
A sociedade é interdependente.  Resguardar e proteger uns e não outros, tratar da manutenção social de uns e não de outros, respingará em todo mundo e isso é fato.
Espero ter esclarecido.

domingo, 22 de março de 2020

E durante? E depois?

Nesse domingo, enquanto computamos 25 mortos pelo novo vírus só no Brasil, um amigo me ligou, no horário do almoço, para me dizer uma porção de lindas palavras.
Segundo ele, escolhera o dia de hoje para fazer, enquanto na quarentena, contatos com velhos amigos a transmitir mensagens de paz, esperança e alegria.
Foi sensacional ouvi-lo.
Motivado, mas sem polianismo, o amigo cujo nome não mencionarei sob a preocupação de desagradá-lo, alertou-me para a necessidade de proliferar bons pensamentos, até para amenizar o impacto da solidão ou do isolamento a que alguns não estão acostumados.
Diante do caos da pandemia, não sei se é errado dizer que até de uma situação como essa, podemos tirar proveito.  O fato é que realmente há coisas que precisam ser levadas em conta.
Se por um lado não vamos a festas, velórios, casamentos ou encontros sociais, reuniões políticas ou de trabalho, por outro baixamos a poluição ao não emitirmos tanto CO2, seja pela utilização de veículos ou pelo uso exagerado do ar condicionado e luzes nas empresas.
Ainda, paramos de banalizar visitas a médicos, dentistas ou supermercados, deixando para irmos a esses lugares quando realmente precisamos. Economizamos combustíveis e ganhamos tempo para outras tarefas mais agradáveis e inclusivas. Também limitamos a visita a salões de beleza, farmácias, padarias ou docerias.  E se por um lado isso abala a economia, por outro preserva o consumo exagerado e muitas vezes supérfluo que nos tiraria o descanso logo mais, impondo-nos trabalhar em dobro para tapar os pequenos rombos no orçamento familiar que essas ações contínuas e irrefletidas ocasionam.
Ficar em casa por longo período, parecia ser o sonho de muitos.  Bastam, no entanto, dois ou três dias seguidos, para começarmos a reclamar do tédio e lamentarmos por não ter que ir trabalhar ou os filhos não irem para a escola.
É aí que precisamos reaprender algumas coisas.  Ou então, aprender novas.
Inventar programas incríveis em casa, estão a se tornar um novo aprendizado para nós.  Mães de família se voltam para a cozinha afim de caprichar mais e alguns pais passaram a explorar seus dotes culinários.
Jogos de tabuleiro, são a opção na hora de esfriar o vídeo game.
Fazer faxina também em grupo está a se tornar uma nova rotina.  Arrumar armários em disputa com os filhos, passou a ser um novo e interessante passatempo.
O WhatsApp tão usado para fechamento de negócios ou fofocas, passa a ser veículo também de transmissão de mensagens de esperança e os grupos de família, já dispensam os atuais "bom dia" e "boa noite" trocando-os por "se cuide" e em alguns casos, já se pode ler um "eu te amo".
Sim, preocupa-me o resultado econômico de tudo isso.  Se bem que não há que se pensar em outra coisa, no momento, que não na saúde e segurança de todos.
Porém, já se prevê a maior recessão de toda a história.
Comércio fechado, empresas sem receber e o que dizer dos diaristas e autônomos de toda espécie?
Temo pelo desemprego em massa, pela fome que essa paradeira pode legar e que talvez seja tão cruel quanto a própria epidemia.
Mas a "mão do Estado" precisa pousar sobre nós em momentos como esses.
E desta feita resta-nos, enquanto nos cuidamos obedientes às restrições impostas, exigir dos governantes que cuidem de todos.  Seja pelo fortalecimento de verbas para a área da saúde, seja pela adoção de medidas de contenção de falências, ajuda real e solidária aos trabalhadores em geral, no  que seria uma mesada que vá muito além do pífio donativo de programas sociais atuais, mas que realmente aplaquem a fome, permitam a manutenção do lar o que precisa incluir o perdão geral para contas de água, energia e gás.  Subvenção de aluguéis e cesta básica decente.
É o que qualquer país socialista faria e vai fazer. Ou o que qualquer governante decente, nem pensaria em não fazer por sua gente.

domingo, 15 de março de 2020

Portugal, turismo e corona vírus.

Aldeia de Óbidos  - Portugal
Tenho familiares e amigos em Portugal.  Agora mesmo, nesse instante.
As coisas não parecem muito bem por lá, justamente por conta da epidemia de vírus que assola o mundo e os noticiários com pessimismo e bastante alvoroço.
Com a Espanha, sua vizinha, Portugal já tem um acordo de fechamento de fronteiras antevendo a grande circulação por conta dos feriados da Páscoa.
Nos próximos dias, pode ser decretado o estado de emergência pelo qual aulas são suspensas e os trabalhadores que puderem são convidados a trabalhar de suas casas.
Mas o que castiga mesmo a Europa como um todo é a suspensão de viagens, fechamento de museus, o que atinge, diretamente, o turismo.
Itália fechada e lugares vazios em Portugal e Espanha, estão dando pena.
A linda terra lusitana, da qual sou cidadão também vinha atraindo turistas de toda parte, principalmente brasileiros.
O que consta é que em 2019 a terra de Cabral teria batido todos os recordes de visitantes.  Foram cerca de 26 milhões.
Só em Lisboa, lugares como Príncipe Real, o Chiado e Belém, são destino certo para nossa gente.
Do Bairro Alto, pode-se ter uma bela vista da cidade.
Mas visitar Portugal vai muito além de ver igrejas e museus.  A culinária é especial, os castelos são fantásticos e lugares como a Universidade de Coimbra e a livraria Lello na cidade do Porto, são roteiro obrigatório para quem atravessa o país de norte a sul.
Mas o que dizer dos que trabalham em Portugal?
Me lembro que em 2011 quando em plena crise, lá estive, vi lugares bastante apáticos.  Agora, 9 anos depois, já se tem notícias de restaurantes e outros comércios fechados, ainda que temporariamente, por conta da pandemia do COVID19.
E se continuar?  Haverá fechamento de vagas?
O que irá acontecer com o enorme público de brasileiros por lá?
Convém mesmo, nesse momento, torcermos para que tudo passe muito rapidamente.
Já está difícil demais conviver com diversos outros problemas sem termos que nos preocupar com um surto que pode inclusive matar, mas antes deixar marcas profundas na Economia de quase todos os povos.

quarta-feira, 11 de março de 2020

Louco varrido, varrendo o que?


O presidente desse país, em visita aos Estados Unidos, se manifestou perante o mundo afirmando que "está varrendo a esquerda do Brasil”.
A pergunta que me faço é quanto ao fato de ele ter que governar para todos os brasileiros.

Embora esse bocó não me represente, de maneira alguma, ele deve governar também para mim e para todos os demais cidadãos dessa nação.

Mas não. De forma bastante autoritária, beirando o pior de um ditador, afirma categoricamente que uma parcela da sociedade está sendo "varrida” do país.  Ou seja, não governa para esse grupo, não pensa nesse grupo e quer "exterminar” esse grupo.

E o mais cruel é assistir aos partidos ditos de esquerda se calarem para isso como que ocupados demais pensando nas chapas eleitorais para vereadores e prefeitos dos municípios.

Ninguém protocola um pedido de impeachment, ninguém se manifesta contra essa atrocidade. Não defendem sequer sua militância de base que sofre nas cidades, nos botequins e nos almoços dominicais em família.

Não se atentaram ainda para o fato de que um louco, esse sim varrido, está mandando e desmanando, fazendo chacotas, destruindo a economia, o meio ambiente, a educação e tudo o mais, quase que inviabilizando o futuro de nossa gente e ainda por cima se vangloriando por declarar-se inimigo das instituições nacionais.

Ou caso tenham percebido isso, o que é óbvio, estão noutra "vibe”, para garantir coeficientes e vagas.

Talvez eu esperasse muito. Romantismo era meu forte. Mas acabou. E não posso ser conivente com isso.

Deputados estaduais e federais, senadores e governadores, já deveriam ter feito o que podem com seus mandatos para mostrar que há limites até para a mediocridade. 
Senado, Câmara e Supremo precisavam estar de dedo em riste contra essa "volúpia” que o Bozo tem em menosprezar a democracia.

A defesa das instituições da República precisa sim ser feita pela população em geral, mas é anormal que as próprias instituições não se defendam.

Essa convocação para o dia 15 é uma afronta a todos nós.  À liberdade e ao próprio senso de brasilidade.

Compreender que alguns caiam na farofa que o bolsonarismo apregoa, tudo bem. Há gente e gosto para tudo.

Mas aceitar que os demais poderes se curvem a um só, que atualmente anda desatinado, já é demais.

Não dá para seguir em frente dessa forma.

Cansei das cenas do aloucado "babando ovos” ao chefe do império.  Será que só eu acho estranha e freudiana essa admiração toda de Bolsonaro por Trump?

Até aí dava para aceitar. Fazer o que?

Só que afirmar publicamente e diante do resto do planeta que ele está "varrendo” um certo montante da sociedade, não pode ficar impune.

Texto publicado no DL News em 11/03/2020

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Na vida pessoal ou nos negócios, tome cuidado! Quero falar sobre quedas ou rasteiras. Afinal, dá na mesma.

Na vida ou nos negócios, tudo o que fazemos é caminhar.
Tocar a marcha, como diz o poeta.
Contudo, nessa jornada, não é em todo o tempo que conseguimos manter a velocidade ou o equilíbrio desejados.
Vários fatores podem atrapalhar nosso desempenho, como as condições da estrada, a atenção, o clima, o relevo, o calçado e por aí vai.
Se seguindo em frente, você por ventura tropeça e cai, te deixo um conselho de amigo.  Levante-se imediatamente.
Ninguém perdoa quem está no chão.
Sempre se encontra gente que acha que quanto pior, melhor. Só que eles acham também que é mais divertido quando os outros estão na pior.
Pra reconhecer esse tipo é só prestar atenção.  São os mais barulhentos, agressivos e que menos colaboram em tudo. Há até certa crueldade em alguns.
Ao cair você vai logo sentir na pele, quem são esses.
A eles parece mais legal chutar quem já está prostrado, do que estender-lhe as mãos para voltarem juntos a seguir viagem.
E pisotear, você sabe é uma questão de alguém começar, que rapidinho os de menos personalidade vão atrás.
Numa outra ilustração, comparo gente assim com quem não liga se acabar a água pra todo mundo. Só quer ser o primeiro a lavar o carro, o cachorro ou tomar banho.
Não se engane.  Esse sujeito só pensa em si mesmo.
Tudo o que não é na vida é altruísta, companheiro e muito menos, generoso.
É só um líder frustrado, que não puxa pra cima, pois é mais fácil arrastar pra baixo.
Por que sei disso?  Porque cair é normal. Eu mesmo já "beijei a terra" algumas vezes.
Mesmo que seja um pequeno titubeio, com culpa ou sem, pra você vai ser um baque e tanto se não for valente.
Ah, ninguém perdoa um vacilo! Vai por mim.
Ainda que esse alguém tenha contribuído pra derrubar você, ou podendo, não o tenha evitado, vai fazê-lo se sentir muito mal e jamais assumirá sua parte de culpa no acidente.
Titubear pelo caminho ou mesmo falsear o passo na estrada, gera reação imediata de quem está ao largo. E desses, a reação raramente será de apoio, de ajuda ou de compreensão. Muito difícil.
O que mais se vê quando alguém tropica são risos, desprezo e no extremo da maldade, e como existe maldade, pode se chegar até a uma cuspidinha.
É que ninguém quer sair na foto ao lado de um "fracassado". Então pra não ser confundido, quer fazer-se distante, diferente, como se nunca fosse cúmplice ou se jamais tivesse dividido o mesmo guarda-chuvas.
É sempre assim. Na alta, você está rodeado, na baixa, escorraçado do grupo.
Na história da humanidade mesmo, foi sempre assim.
Pense em Cristo depois de preso, negado até pelos amigos.
Em alegorias mais próximas, pense num presidente deposto, em um atleta reprovado no doping ou no ator que de galã passa a embriagado.  Esses ídolos deixam de "prestar" imediatamente.
As turbas xingam, jogam pedras, acusam e escarneiam deles tão rápido quanto os aplaudiam.
Os bem feitos anteriores que produziram, se dissolvem como se nunca houvessem ocorrido.
Na memória ficarão só o erro, o descuido, os defeitos.
Parece até que dar mancadas seja algo que façamos "por querer".
A quem critica não importa se antes de tombar, aquela pessoa havia ajudado ou se dera alegrias. Se ofereceu aos demais parceria na jornada, se partilharam resultados, se buscaram tornar tudo mais confortável, além até do esperado. Julgamento e condenação é típico de quem não faz, não cria, vive apenas de reflexo ou ressonância.
Não. Ninguém perdoa um escorregão, mesmo se quem despencou, tiver sofrido uma rasteira.
Se cuida. Sei do que estou falando. Pedir ajuda ou balbuciar um "S.O.S." te fará ainda mais vulnerável.
Engraçado que quando você somava vitórias, crescimento, saúde e vicissitudes, era então pessoa respeitada, admirada e ovacionada. Todos queriam caminhar ao seu lado.  Seguir emparelhados. Copiar-lhe os passos. Se pudessem, lambiam-lhe.
Mas se perder o pé, por um instante sequer, apaga-se-lhe o brilho, desencantam-se de ti e você é logo desprezado ou desprovido do respeito que lhe devotavam nos áureos tempos de seu sucesso.
Receberá ataques ferozes, os mais diversos e de quem menos se espera.
Perderá de uma só vez, todo carinho e admiração que lhe rendiam.
Não importa o motivo do baque.  Se tropeçou é porque não enxerga direito, é imperfeito e sobretudo, desconhece o chão que pisa. "Bem feito, adorava andar de salto alto, né?" - Atiram-lhe logo na cara.
Tenha paciência. A zombaria e cobranças ocorrem devagar.  Os mais covardes, ficam esperando os mais atirados.  Aos poucos, muitos se juntam na "crucificação". Sabem que dá prazer fazer coro à maioria e é mais fácil do que se propor a estender as mãos em menor número.
Quer saber, talvez não façam por mal.  Quem sabe seja medo de cair junto, afinal eram tão dependentes do guia que seguiam.
Não eram tão valentes para caminhar sozinhos, pois precisaram seguir no encalço de quem "abriu a picada". De quem apontava uma direção. Não tenha raiva.  Confiavam em você.
O pior é não procurarem saber se houve uma passada de perna, se o piso ruiu de repente, ou se alguém que caminhava junto, derrubou ou jogou lixo pelas beiradas, causando a pequena tragédia.
Por isso repito.  Levante-se sem demora.
Mostre que pequenos tropeços são passageiros.  Que o ditado chinês do "cair sete vezes, levantar oito" é seu lema.
Mudanças ocorrem incessantemente e mais cedo ou mais tarde, quem está no chão logo se levanta.  Principalmente se já é acostumado a quedas constantes (doenças, acidentes, prejuízos, rasteiras, usurpações).
Prove que o levantar é sempre mais vigoroso. Agora, você vai caminhar com muito mais cuidado.  E por favor, escolha melhor as companhias pra viagem.
Sendo pessoa boa, não guardará as mágoas daqueles que te humilharam ou cobraram perfeição nessas horas difíceis.  Dos que murmuraram ou despejaram certa ingratidão.  Sendo gentil, se lembrará com mais carinho e devoção do Cirineu que o ajudou a se erguer da queda e dos bons samaritanos que como o personagem da parábola cristã, socorreram a vítima de assalto.
São esses, os que por certo, merecerão seu apreço, reconhecimento e gratidão.
É ou não?

terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

"Viu, sentiu compaixão e cuidou dele".

A Campanha da Fraternidade foi criada primeiro como campanha de arrecadação de fundos para as atividades assistenciais da Cáritas Brasileira, no ano de 1961, por três padres.
No ano seguinte ganhou corpo e adesão em toda Natal, capital do Rio Grande do Norte e recebeu enfim o nome que carrega até hoje.
Desde então se repete todos os anos durante o período da quaresma, com reflexos em todo o Brasil.
Por meio dela, os católicos são chamados a meditar seu tema e viver seu lema nos meios em que estão inseridos.
Esse ano, a campanha escolhe como tema: Fraternidade e vida: dom e compromisso.
Já o lema é baseado no Evangelho de Lucas, que trata da conhecida parábola do Bom Samaritano.
Um douto das leis judaicas, se levanta perante Jesus e pergunta-lhe o que é preciso para se alcançar a vida eterna.  A salvação da alma.
Jesus então lhe pergunta o que está escrito na lei, já que o homem é conhecedor profundo das leis dos judeus.
Esse então responde:
"Amarás ao Senhor teu Deus, de todo o teu coração e de toda a tua alma e de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento e ao teu próximo como a ti mesmo".
Jesus então o cumprimenta pela assertividade.  Mas o homem volta a inquiri-lo, perguntando quem é o "próximo".
É quando Jesus conta a linda história sobre o bom samaritano.
Vale lembrar que judeus e samaritanos não eram muito cordiais uns com os outros.  Na verdade os judeus consideravam samaritanos como "homens de segunda linha".
Na parábola o mestre fala que um homem havia sido assaltado e espancado por ladrões, deixado depois à margem da estrada.
Por ele passaram um sacerdote e um levita.  Ambos são religiosos.  Portanto estavam vindo ou voltando de cultos (adorações).  Mas por pressa, medo, preconceito ou qualquer outra coisa, não ajudaram ao ferido.
Um samaritano, no entanto, ao passar por ali, socorreu o homem e o levou para uma hospedaria, deixando inclusive dinheiro para pagar-lhe pela estadia até que estivesse bom para seguir viagem.
Terminada a história, Jesus perguntou ao "doutor" quem era, na opinião dele o próximo daquele que havida sido atacado. Sem qualquer dúvida o homem exclamou que fora o samaritano.
Jesus então disse: "Vai e faz o mesmo e será salvo".
Daí o lema da campanha da fraternidade desse ano: Viu, sentiu compaixão e cuidou dele".
Em tempos de ódio e divisão, de dificuldades, desemprego, miséria e problemas os mais diversos, agir com compaixão é tarefa muito difícil e por isso digna de toda recompensa de Deus.
O convite é para seguirmos irmanados nessa direção.  Católicos ou não, devemos lembrar que o amor deve ser inclusivo, abrangente, irremediável e incondicional.
Que assim Deus nos ajude.  Que assim seja.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

Rápida conversa sobre Fluxo de Caixa


Um dos principais instrumentos do planejamento financeiro, o fluxo de caixa é estratégico e seu descontrole pode comprometer seriamente os resultados de uma empresa.
Ele se compõe de um controle que analisa os recebimentos à vista e a prazo, permitindo atuar sobre a inadimplência afim de garantir um mapa tranquilo de pagamentos a serem realizados em determinado período.
É por meio desse controle que a direção da empresa pode tomar decisões quanto a comprar, investir, ousar, reduzir custos etc.
Deslizes causados por apontamentos irregulares, fora de sistema ou mesmo nebulosos (não identificados corretamente no lançamento), trazem consequências imediatas que vão do uso inadequado de contas, aplicação incorreta de índices, até mesmo pagamentos indevidos (a maior, a menor, em duplicidade ou não efetuados).
Há sistemas avançadíssimos que permitem o acompanhamento automático das contas.  Favorece a agilidade e a visibilidade plena de todas as operações financeiras.  Mas não é pequeno o número de pessoas que, embora qualificadas e experientes, resistem a utilização de tais ferramentas. Mesmo sendo disponibilizados pela empresa, se pode ver controles paralelos realizados por pessoas acostumadas com as velhas planilhas.  Pasme.
No controle “manual” ou precário de apontamentos financeiros, perdem-se dados, erram-se números e o pior de tudo, acumulam-se prejuízos decorrentes de uma visão turva para as decisões.
Bastará um aumento inesperado na inadimplência dos recebíveis ou o atraso de algum pagador, para que toda a cadeia seguinte provoque, em efeito cascata, o comprometimento das contas.
Há situações em que somente a pontual, rigorosa e diária conciliação, poderá devolver a segurança.  No entanto, quando o fluxo somar um certo tempo de convulsão, faz-se necessária a revisão retroativa, com conferências, acertos e outros procedimentos nada rápidos, muito menos fáceis.
É muito simples questionar a administração do setor financeiro.  Vitrine quase sempre, ali sentem-se os atrasos tanto pelo público externo, quanto interno da corporação.  A insatisfação sempre será imediata por parte de quem é prejudicado.  E a alta pressão sofrida pelos funcionários do setor, ao invés de apressar, atrasa ainda mais a solução.
Somente ao viver essa realidade, pode-se julgar com justiça e clareza quem dela padece.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Empreender não é doce. Doce é permanecer empreendedor.


Aconselhar as pessoas sempre foi muito fácil.
Mas o ideal sempre é partilhar experiências, pois elas sim são um testemunho vivo do que a gente prega.
Fui chamado para falar de empreendedorismo a uma plateia em uma faculdade de Administração.  O que dizer a sequiosos estudantes prestes a começar suas vidas profissionais?
No mundo dos negócios, por exemplo, já fui uma pessoa de várias faces.
Já fui office boy, assistente de departamento pessoal, assistente de departamento financeiro, conciliador contábil, inspetor de produção de uma seguradora, corretor de seguros, gestor de uma loja de roupas femininas da família em shopping, proprietário de escolas profissionalizantes, professor de cursos, palestrante, consultor de franquias em empresas outras, dono e fundador de franqueadoras, além de viver uma intensa vida como militante político.
Fui casado, sou pai de 3 filhos e vi em 2019 muita coisa mudar na minha vida “de novo”.
O que esses 52 anos de existência me permitiram aprender até o momento?
Que é preciso dividir as coisas muito bem. Cada uma no seu lugar.
Os papéis, como dizem psicólogos, devem ser vividos individualmente.
Pai quando se é pai, filho quando se é filho, marido quando nessa condição, militante político nas lutas justas e empreendedor quando nos negócios.
Em cada papel, 100% de dedicação e foco.  Acho que consigo fazer isso.  Nunca tive problema de desvio de atenção quando estou mergulhado numa solução ou ideia.
No quesito negócios, por exemplo, posso me considerar um homem bem sucedido, embora tenha enfrentado diversos perrengues.
Mas foram justamente diante desses percalços que dei a volta por cima, encontrando ou criando soluções mirabolantes e definidoras para o “próximo capítulo”.
Sempre pude contar com a confiança de pessoas próximas e sobretudo, com a ajuda de cada um.
Trabalhar com família e amigos é importante.  É verdadeiramente bom.  Mas há que se considerar que amizades nascidas do dia a dia de um empreendimento são fortalecidas pelo objetivo comum de vencer, muito mais do que quando cerramos fileiras com algum querido.
Afinal, temos o hábito de exercer a complacência, exageramos no carinho, não só perdoando deslizes, como buscando não desagradar com atitudes que seriam drásticas em determinados cenários, mas fundamentais.
Para dar saltos, a compreensão dos outros nem sempre é manifestada. Como quando precisei desistir de sonhos que eram bons.  Abandonar projetos promissores e até simpáticos, para poder dedicar forças em coisas maiores, melhores ou com resultados mais interessantes.
Isso nunca foi problema para mim.
As constantes mudanças, substituições de pessoas ou ações, revitalizam.  Fortalecem.
Sou o cara que, quando muda de ambiente, roupa ou parceiros, também muda por dentro.
Afinal, tudo está em constante mudança no universo.  Nada é estático, desde a nuvem até os reflexos econômicos.  Se adequar ou se adaptar a essas variações são o que garante a sobrevivência do negócio.
Também não resisto a loucuras. Tão logo surge a oportunidade, me enfio em uma.
Investir quando a crise assusta, ousar quando todo mundo se segura, me dá adrenalina e vantagem perante a concorrência.
Variavelmente, sobretudo nessas condições de pressão, se pode fazer cálculos errados. O problema nunca será gastar muito, investir muito, mas sim ganhar pouco, faturar pouco.  Isso deve ser digno de atenção.
Em jogadas arriscadas, já ganhei muito dinheiro e fiz gente que estava ao meu lado, ganhar também.
“Em Roma, faça como os romanos”, alerta o dito popular.  Pois bem, num país capitalista, pense como um, mesmo que isso agrida um pouco sua ideologia política.  Afinal, antes de mudar o mundo é preciso estar vivo.
Nessa toada segui tentando fazer a diferença.  E foi assim, a cada virada de chave, a cada novo milagre nos negócios que angariei mais credibilidade e forças.  Pois quando desafiamos as impossibilidades, nos tornamos imbatíveis e somos respeitados até por quem não nos favorece.
Não tenho dúvidas que, vez ou outra, alguém pode ter pensado que eu não era “aquela coca cola toda”.  Sim.  Por certo já fui visto como “pouco esforçado”, ou no vulgo, “braço curto”.  O fato é que, quando estamos atolados de tarefas, pouco nos sobra para pensar, criar e montar boas estratégias.
Não foram poucas as vezes em que me recolhi.  Em uma chácara na qual morei, cavando a terra e plantando flores em meio a uma tarde normal de semana.  Não foram poucas as vezes que tirei o dia a passear ou ficar com os filhos.
Refrigérios para a mente.  Lenitivos para o coração. Energia para o espírito.
Egocêntrico, egoísta, vaidoso... já não sei mais qual o pior dos meus defeitos.  É que tenho a mania de pensar que nasci para algo muito especial.  Então, criar coisas, fatos, negócios e situações, parece ser obrigação e quando tudo está calmo ou perfeito demais, sinal que está na hora de agitar.
A luta, a batalha, a guerra, vai com certeza terminar um dia.  Seja porque acabou o motivo da briga, seja por alcançar o objetivo, sei lá.  No entanto, não será hoje ainda.  E perseverar na lida, na busca pelo sucesso empresarial, precisa ser a qualidade máxima de uma pessoa empreendedora.
Não temo repartir os louros, o comando, as decisões.  Por vezes me apresento arrogante, mas é típico de quem precisava ter “apanhado mais da vida”.  Acho que é melhor “comer pudim em grupo do que pão seco sozinho”.
Todas as boas ideias partilhei com sócios, outros empreendedores.  E ainda hoje, busco fazer isso.  Quem trabalha comigo, quem vem comigo, ou é sócio no contrato social ou fraqueado de alguma de minhas ideias.
Naufragamos juntos ou voamos juntos.  Voar é sempre melhor. E quem está na nave, não a quer ver despedaçada.  Diferente de quem assiste do lado de fora.
Gosto disso.  De pessoas que acreditam em mim.  Mas gosto mais de gente que acredita em si mesmo e que reúne praticamente as mesmas qualidades que eu. 
Nisso consiste o amálgama do sucesso.  Lutar junto. Até o fim e tendo por fim, a nova empreendida.  Costumo repetir os parceiros, salvo quando não querem, quando não são leais ou quando não estão dispostos a “entrar junto no lago”.
Cotidianamente acordo com ideias novas.  Com soluções novas para os problemas novos.  Muitas vezes seria mais fácil permanecer em inércia ou até, em situações mais sérias, desistir.  Mas não para mim.  Se a questão é grave ou séria, atitudes graves e sérias.  Isso fará toda a diferença.
Tenho que fazer isso.  Tenho que jogar limpo. 
Ninguém consegue vencer no mundo dos negócios sem ser e parecer honesto, corajoso, dinâmico. 
O leão ruge porque precisa mostrar que está vivo, no controle e ser temido, muitas vezes, pelo menos nesse campo, ainda é bem mais necessário que ser amado.

domingo, 9 de fevereiro de 2020

Gotas

Em algumas gotas de picantes comentários, hoje resolvi partilhar opiniões em todas as redes sociais das quais faço parte.
Pra começar, vou direto na questão política elogiando uma figura que tem dado o que falar.
"O PCdoB tem hoje um líder nacional na pessoa do Governador do Maranhão, Flávio Dino.
Por sua atuação sempre voltada ao povo mais carente, dedicando-se a questões relevantes como saúde, educação e tudo o que envolva o social, Dino prova que dá pra fazer política pensando em gente acima de tudo. Que orgulho cerrar fileiras com essa liderança."
Na sequência lembrei que hoje é a festa do Oscar. Sei de todas as "americanidades" que são praticadas inclusive pela Academia, mas não podia deixar de enfatizar que a simples indicação e a "balbúrdia" gerada por ela, já foram uma vitória para nós e para nossa democracia.
"Já não me importa. Ganhando ou não a estatueta, Petra e seu Democracia em Vertigem já ganharam o mundo e consolidaram a verdade imutável.
Quem quiser que conte outra, mas essa é a versão dos fatos."
Apaixonado por ufologia, um amante da astrofísica e sobretudo um convicto na vida fora da Terra, aproveitei uma linda imagem recebida de um amigo para tascar comentários sobre ETs.  
Sem dúvidas, irmãos e com certeza, aqueles que são capazes de viajar até aqui, mais avançados.
"Ainda creio, que não muito tarde, teremos o privilégio de contatar "de vez" nossos irmãos de dimensões outras.
Representado no extraterrestre, está tudo aquilo que não vive no nosso cotidiano."
Por fim, a questão que envolveu o escandaloso caso do memorando de Rondônia que ordena a retirada de livros de bibliotecas escolares adequando não serem próprios para leitura infanto juvenil.
"A semana foi barulhenta por conta de um memorando da Secretaria de Educação de Rondônia que manda recolher obras de autores como Machado de Assis, Carlos Cony e Euclides da Cunha, além de estrangeiros como Franz Kafka e Edgard Alan Poe.
O governo de Rondônia é do PSL (antiga legenda do presidente), mas o governador já teria declarado que está indo para o Aliança, que é o atual.
Quem começa recolhendo livros, logo está recolhendo pessoas, hein?"

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

Abraham Weintraub

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Eu gostaria muito de ter o domínio sobre a palavra escrita. Filho de mãe professora de Português e de pai escritor e poeta, sempre tentei escrever para expressar meus sonhos, dúvidas, críticas e outros sentimentos.

Mas minha gramática não ajuda.  O pensamento parece não esperar as mãos formarem as letras e frases necessárias.
Fruto de falta de dom, ou quem sabe, resultado de uma educação escolar precária num país que nunca prestigiou o professor, o material escolar ou a própria instituição formadora de gente.

Me lembro dos vários governos estaduais de São Paulo a negligenciar o ensino público, a bater e perseguir professores grevistas, enquanto as escolas ficavam velhas, sucateadas e sem receber qualquer investimento que as deixassem migrar para um ambiente inovador que receberia crianças e jovens talhados para um novo tempo.
Uma exceção precisa ser feita por justiça e a faço na figura do então governador paulista André Franco Montoro, que me fez à época, me filiar a um partido, hoje bem distante do que ele sonhava e pregava então. 

Já não estou mais nesse partido, registre-se em tempo.

Mas nem ele foi suficiente para mudar a Educação sequer em nosso Estado.

Eu garanto com tristeza que, mesmo em momentos sombrios de nossa história, ou nas fases de perspectivas nulas de crescimento intelectual de nossa gente, jamais se imaginava que viveríamos um dia o que estamos passando hoje.

A ilustre e memorável figura do grande educador e orgulho brasileiro Paulo Freire tão arranhada por gente que sequer sabe ler ou interpretar um texto.  E não falo dos analfabetos vitimados pelo desleixo e descaso dos governos.  Falo daqueles que ocupam cargos nas gestões mais altas do país, sem nunca ter absorvido qualquer fundamento teórico decente.

Esse desrespeito a figura de nosso guia é apenas um dos problemas, pois o exemplo maior de desrespeito à Educação fica por conta do próprio dia-a-dia do Ministro da pasta, Abraham Weintraub, que já protagonizou dezenas de cenas ridículas, proferiu discursos risíveis e comprovou total despreparo, não só para a pasta, mas para qualquer outro cargo menor que o governo de Bolsonaro lhe quisesse destinar, sabe-se Deus por que motivo.

Desde o patético vídeo com guarda-chuva ou largando o microfone após um pronunciamento para lá de bobo, até recentemente detonar a credibilidade do ENEN, o homem por trás do MEC nos envergonha a todo instante. 

Não vou me apegar ao seu lapso recente de ter escrito errado, pois talvez o próprio Weintraub seja vítima de nosso sistema de ensino falho, dedicado quase sempre a formar homens e mulheres do pescoço para baixo, garantindo serem ótimos trabalhadores braçais, nada pensantes.

Poderia ficar só nisso, mas já passou da hora do Brasil avaliar o que quer para seu futuro e para seu povo.  

Ao escolher um presidente despreparado que nomeou um ministério indigno até de passar em visita por Brasília, meus compatriotas me assustam.
Será mesmo que ninguém nota ou percebe o que está se passando?

Esse ministro já deu o que tinha que dar.  O pior, que não tinha nada.

(Artigo Publicado no DL News - 03/02/2020)

quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Especial de Natal - Porta dos Fundos - O grupo terá passado da conta?

Um dos mais inteligentes grupos humorísticos do momento, o pessoal do Porta dos Fundos é indispensável em tempos atuais.

Dentre os componentes principais, destacam-se Gregório Duvivier, Antônio Tabet, Fábio Porchat, Karina Ramil, Rafael Portugal e Gabriel Totoro.
Tido como o sexto maior canal brasileiro no YouTube, o Porta dos Fundos surgiu a partir de influências do Monty Python e Gato Fedorento em 2012, no Rio de Janeiro.  Hoje são cerca de 16,2 milhões seus inscritos.
Com grande talento e um toque especial de irreverência, os criadores do canal negociaram, dias atrás, a maior parte do controle para a Viacom, empresa americana proprietária da MTV e Nickelodeon. Cada um dos cinco sócios do Canal ficou com cerca de R$ 8 milhões e ainda se livraram de Luciano Huck, também sócio, que cedeu seus 16% para compor os 51% adquiridos pela nova investidora.  O objetivo dessa negociação é expandir a marca e seus trabalhos para outros países.
São conhecidos e admirados os diversos episódios que divertem internautas de todas as idades e correntes políticas, quase sempre deixando evidente sua tendência para a esquerda.
Recentemente um de seus vídeos, lançado pela Netflix para o Especial de Natal do canal, denominado "A primeira tentação de Cristo”, decepciona.  Não só pelo teor inferior ao produzido para o ano passado, mas também pelo excesso de agressões aos que seguem a fé cristã.
Não há o que discutir do ponto de vista de nossa defesa à livre expressão, direito irretocável e indiscutível.  Mas, ao passar "um teco considerável” da curva, o programa escandaliza religiosos. Ao conferir, é necessária uma dose extra de paciência, pois a temática é fraca e as "brincadeiras” com figuras sagradas para os cristãos, ferem o bom gosto.
Se por um lado deve ser duro aos ateus terem que se defender, todo o tempo, daqueles que os afirmam "sem Deus no coração”, por outro os ataques exagerados aos religiosos demonstram o "ar de superioridade” que o pessoal do Porta adquiriu com o tempo e faz questão de ressaltar.
Tenho a impressão de que ateus conscientes de sua condição, por certo, não subscrevem o enredo e o texto que coloca a fé num humor que, em certos momentos, perde a graça, mesmo para quem não segue qualquer denominação cristã.
Imaginem algo semelhante feito contra a religião do Islã. Ou, em caso contrário, uma zombaria aos homens de pura ciência, desprendidos de dogmas ou qualquer proselitismo. Nada agregaria à fé, como seu inverso nada agrega para o desnudar dos dogmas.
Em suma, as piadas não justificam a defesa da livre expressão, sequer soam como crítica ao fundamentalismo religioso, hoje tão presente.
Tornam sim, desconfortável, mesmo aos mais ecléticos, o seguimento até o final do filme.
Se considerarmos a configuração atual de polaridade política, com todo um fundo religioso por trás, o grupo abre uma guerra declarada sem qualquer critério, fazendo com que ganhem vozes os mais evidentes defensores do governo atual com seu exacerbado reacionarismo.
Prova disso são as manifestações de gente como Marco Feliciano, Pastor e Deputado Federal, que acaba lucrando nessa guerra e juntando gente, que poderia ter ficado no "umbral” em que se encontrava.
Foi insensata e desnecessária a intensidade impressa pelo canal no último especial de natal, o que pode, inclusive, tirar dele muitos de seus seguidores e quem sabe, algumas vantagens no mundo corporativo.
(Artigo publicado no DL News de 09 de dezembro de 2019)

7 homens. 3 talentos. 1 propósito. Nasce um novo projeto: construir a melhor corretora de seguros do Brasil.

San Martin Corretora premiada com o título de Melhores do Seguro no ano 2019 Há momentos na vida em que a gente precisa parar, olhar para tr...