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| Imagem - Correio Brasiliense |
É evidente que nenhuma pessoa minimamente informada acredita que o Brasil tenha capacidade militar para enfrentar sozinho uma potência como os Estados Unidos em um conflito convencional. Essa constatação não é o problema. O problema é quando essa ideia é expressa pelo próprio ministro da Defesa em termos como "abrir o portão". Um ministro dessa área não representa apenas uma opinião pessoal. Ele representa a postura institucional de um país soberano.
A função de um ministro da Defesa é transmitir
confiança, capacidade de dissuasão e compromisso permanente com a proteção da
integridade nacional. Mesmo quando defende a necessidade de ampliar
investimentos nas Forças Armadas, sua comunicação deve reforçar que o Brasil
trabalha para preservar sua soberania, fortalecer sua indústria de defesa e
garantir condições para proteger seu território e seus interesses. É justamente
esse o argumento que o próprio ministro vem apresentando ao defender um
orçamento mais previsível para o setor.
Governos democráticos precisam conciliar
transparência com responsabilidade institucional. Reconhecer limitações
orçamentárias é legítimo. Transformá-las em uma metáfora de rendição pode
transmitir uma mensagem muito diferente da pretendida. Em política internacional,
palavras têm peso. Elas influenciam a percepção sobre a capacidade, a confiança
e a determinação de um país.
Cabe ao presidente da República, como comandante supremo das Forças Armadas, definir a orientação política da área de Defesa e assegurar que a comunicação de seus ministros esteja alinhada aos interesses permanentes do Estado brasileiro. O Brasil deve investir em sua capacidade de defesa não para alimentar aventuras militares, mas para fortalecer a soberania, ampliar sua capacidade de dissuasão e demonstrar que a paz se constrói, também, pela credibilidade de suas instituições.

Parabéns pela pertinente reflexão. MATSUEL
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