Há momentos em que a política deixa de ser disputa
de ideias e passa a revelar algo mais preocupante como a desconexão completa
com qualquer senso de limite.
As recentes declarações e encenações de Donald
Trump caminham perigosamente nessa direção.
Atacar uma liderança religiosa, como vem fazendo contra o Papa Leão XIV por defender a paz
já seria, por si só, um gesto questionável. Mas ir além, simulando uma imagem
messiânica como o próprio Cristo, colocando-se como figura divina, enquanto
critica posições humanitárias, não é apenas arrogância. É sintoma de um poder
que já não reconhece freios morais.
O mundo vive tensões reais, conflitos que custam
vidas, especialmente no Oriente Médio. Nesse cenário, vozes que pedem diálogo,
prudência e respeito à vida deveriam ser ouvidas e não ridicularizadas.
A tentativa de deslegitimar esse discurso revela
uma lógica perigosa, qual seja a de que força e imposição valem mais do que
qualquer construção coletiva de paz.
Trump insiste em transformar tudo em espetáculo,
inclusive a política externa. Ao fazer isso, reduz temas complexos a slogans e
ataques pessoais, mentiras absurdas, ignorando que decisões nesse campo não são
bravatas de campanha, mas escolhas que afetam milhões de vidas.
E há algo ainda mais grave. A construção de uma narrativa em que ele
próprio se coloca acima das instituições, acima das críticas e agora, até acima
de referências espirituais. Quando um líder político passa a se enxergar como
incontestável, o problema deixa de ser ideológico e torna-se institucional e em
certa medida, civilizatório.
Não se trata de divergência política, mas de
responsabilidade.
O mundo não precisa de líderes que se comportam
como figuras absolutas. Precisa de equilíbrio, respeito e compromisso com a
vida. E quando isso falta é dever de todos dizer com clareza que o “cara”
passou dos limites.

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Obrigado por contribuir com sua opinião. Nossos apontamentos só tem razão de existir se outros puderem participar.