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| Imagem - ICL Notícias |
Desde quando cabe a
um governo estrangeiro definir unilateralmente o enquadramento jurídico de
organizações que atuam em território brasileiro?
Desde quando a
soberania nacional virou mera sugestão diplomática?
O Brasil possui
legislação própria sobre terrorismo. E o próprio governo brasileiro, por meio
de especialistas em segurança pública, já afirmou anteriormente que PCC e CV
não se enquadram juridicamente na definição de terrorismo prevista em nossa
legislação, justamente porque não possuem motivação política, religiosa ou
ideológica. São organizações criminosas violentas? Evidentemente. Mas isso não
autoriza qualquer potência estrangeira a reclassificar juridicamente fenômenos
internos brasileiros conforme seus interesses geopolíticos.
Porque é disso que
se trata.
Os Estados Unidos
nunca agem apenas por princípios abstratos. A história mundial mostra
exatamente o contrário. Quando Washington decide transformar algo em “ameaça à
segurança nacional”, normalmente o passo seguinte envolve pressão diplomática,
sanções, interferência econômica, espionagem, cooperação militar assimétrica ou
tutela política.
É exatamente aí que
mora o perigo.
Hoje classificam
facções brasileiras. Amanhã alegam que existe ameaça regional. Depois dizem que
precisam “cooperar diretamente” no combate ao terrorismo dentro do território
nacional. E quando percebemos, parte da elite brasileira já está aplaudindo a relativização
da própria soberania em nome da submissão ideológica aos interesses americanos.
O mais
impressionante é ver setores que se dizem patrióticos comemorando isso.
Patriotas de
verdade defendem a autonomia nacional. Não entregam prerrogativas estratégicas
do país para governos estrangeiros. Não transformam o Brasil em quintal
geopolítico dos Estados Unidos. Não vibram quando autoridades estrangeiras
passam a reivindicar autoridade moral, política ou operacional sobre problemas
internos brasileiros.
O combate ao crime
organizado é obrigação do Estado brasileiro. Das instituições brasileiras. Da
inteligência brasileira. Das leis brasileiras.
Ou agora teremos
que pedir autorização em Washington para definir nossa política de segurança
pública?
E é inevitável a
pergunta: qual foi exatamente o papel da visita de Flávio Bolsonaro nessa
decisão?
Porque, se houve
participação direta de um senador brasileiro estimulando uma potência
estrangeira a endurecer mecanismos de pressão internacional sobre o próprio
país, o debate deixa de ser apenas diplomático e passa a envolver algo muito
mais profundo. A deterioração completa do conceito
de soberania entre setores da extrema-direita brasileira.
Existe uma
diferença brutal entre cooperação internacional e submissão política.
Uma coisa é trocar
informações, integrar inteligência e combater fluxos internacionais do crime
organizado. Outra, completamente diferente é celebrar a ampliação informal do
poder político estadunidense sobre assuntos internos brasileiros.
O Brasil não
precisa de tutela estrangeira. Precisa de instituições fortes, inteligência
estatal séria, investimento em investigação financeira, controle de fronteiras
e combate estrutural às organizações criminosas.
Mas talvez isso dê
menos likes do que posar sorridente ao lado de autoridades do norte enquanto se
terceiriza a própria soberania nacional.

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