quinta-feira, 3 de abril de 2025

Não... claro que não é nada engraçado.

Imagem: Brasil de Fato

Donald Trump acabou de dar um esperado tapa na cara do Brasil com sua nova política de taxar todos os nossos produtos em pelo menos 10% e o que era para ser uma crise diplomática virou um reality show de humilhação bolsonarista.

Enquanto exportadores brasileiros entram em pânico calculando prejuízos, a família Bolsonaro e seus seguidores, que posam orgulhosos com bandeiras estadunidenses, agora devem estar a morder a língua com força.

A cena é quase cômica: os mesmos “vira-latas” que chamavam Trump de "herói conservador" hoje engolem seco enquanto ele trata o Brasil como república de banana. O mais delicioso é ver a ginástica mental da extrema-direita tentando justificar o injustificável.

Enquanto o agronegócio, base eleitoral de Bolsonaro, se contorce com a taxação da soja, do café e da carne, por exemplo, os gurus bolsonaristas nas redes sociais inventam teorias mirabolantes.

A realidade, porém, é simples: Trump sempre enxergou o Brasil como um pária comercial, e os Bolsonaro(s) como úteis idiotas dispostos a vender o país por um retweet.

A cereja do bolo? Tarcísio de Freitas, o governador que vestiu o bonezinho de apoio a Trump, agora evita o assunto como diabo foge da cruz.

Enquanto isso, a esquerda brasileira, aquela mesma que os bolsonaristas chamam de "anti-EUA", está rachando o bico com essa aula prática de geopolítica. 

Afinal foi Lula quem realmente defendeu os interesses nacionais e  diversificou nossos parceiros comerciais, não os puxa-sacos de Washington.

No final, a lição é clara.  Patriotismo de hashtag não paga conta. E Trump, com seu tarifaço, acabou de entregar de bandeja o troféu de "Vira-Lata do Ano" para a turma que achava que selfie com gringo era política externa.


Entregadores de App Paralisam e Mostram a Força do Trabalho Invisível

 

Imagem: Terra
Os entregadores de aplicativo fizeram mais uma paralisação nacional nesta semana, mostrando que por trás da comodidade do delivery existe um sistema que explora quem pedala e dirige pelas cidades.

Durante dois dias, motoboys e ciclistas pararam entregas em shoppings e redes de fast-food, principalmente em São Paulo, onde fica a sede do iFood.

O motivo da greve é simples: os valores pagos pelas corridas estão cada vez mais baixos enquanto as plataformas faturam bilhões.

Os trabalhadores pedem aumento nas taxas, fim dos pedidos agrupados (que obrigam a fazer várias entregas pelo preço de uma) e limite de distância para quem trabalha de bicicleta.

O movimento revelou a dura realidade desses trabalhadores.

Nos grupos de WhatsApp, áudios mostravam a tensão: de um lado, quem defendia continuar a greve, de outro, os pressionados pelas contas.

Em alguns lugares, grevistas chegaram a confrontar colegas que continuavam trabalhando.

O iFood prometeu ouvir as reivindicações, mas não deu respostas concretas.

Por isso, as lideranças já avisam: se nada mudar, a próxima paralisação será maior e mais longa.

A mensagem é clara: os entregadores podem parar o país se quiserem, e as plataformas precisam entender que não há "entrega rápida" sem trabalho digno.

Enquanto isso, continua o paradoxo. Os apps chamam esses trabalhadores de "parceiros", mas não garantem direitos básicos como salário mínimo ou descanso.

A greve mostrou que, mais cedo ou mais tarde, toda flexibilidade tem seu preço e quem vai pagar são justamente as empresas que se recusam a negociar.

Cabe a nós, como consumidores e usuários desse sistema de entregas, sermos solidários e compreendermos as paralisações, apoiando-as de maneira a auxiliar esses trabalhadores.



Cassação não Apaga a Luta

 

Imagem - G1
A iminente cassação do deputado Glauber Braga, do PSOL do Rio de Janeiro, pelo Conselho de Ética da Câmara dos Deputados revela, mais uma vez, a "seletividade" do sistema político brasileiro.

O processo, movido pelo Partido Novo após um confronto físico entre Braga e um integrante do MBL em 2024, ignora o contexto de provocação sistemática e reduz a um ato isolado o que foi uma reação de anos de assédio político.

Enquanto parlamentares que incitaram violência em 8 de janeiro seguem impunes, a Casa gasta energia para punir um deputado que, em meio a um embate acalorado, reagiu a uma invasão de espaço e provocações.

A defesa de Braga alega legítima defesa, não apenas física, mas política.

Curiosamente, o relator do caso, deputado Paulo Magalhães, tem ligações comprovadas com Arthur Lira, alvo frequente das críticas de Braga ao orçamento secreto.

Essa coincidência expõe o caráter vingativo do processo que não se trata de defender a ética, mas de eliminar vozes incômodas.

Se a cassação for adiante, a Câmara enviará uma mensagem perigosa. A de que protestos golpistas são toleráveis, mas reagir a eles é "quebra de decoro".

O mesmo Congresso que engavetou 117 pedidos de cassação contra bolsonaristas agora se mobiliza para punir um único parlamentar de esquerda.

Os números comprovam a seletividade.  Em 2024, apenas 3% dos processos por decoro contra deputados da extrema direita prosperaram, contra 78% dos que visavam a esquerda.

O grupo envolvido no incidente tem histórico de ações agressivas em plenários, incluindo invasões e interrupções violentas de sessões (caso da CPI da Covid).

Mas há algo que seus perseguidores não entenderam: Glauber Braga não é um deputado qualquer. Foi o primeiro a denunciar Sergio Moro como "juiz ladrão" quando muitos ainda hesitavam. Tornou-se um dos principais opositores dos desmandos de Arthur Lira. E enfrenta, sem medo, adversários poderosos.

Sua possível cassação não o enfraquecerá, mas pelo contrário, transformará esse professor de história em símbolo da resistência democrática.

A democracia não pode ser um clube onde só alguns têm direito à defesa e menos ainda à indignação.

Se conseguirem cassá-lo, farão de Glauber o que sempre tentaram evitar: uma voz ainda mais potente, que ecoará além dos muros do Congresso, lembrando que há políticos que preferem perder o mandato a se calar diante da injustiça.



quarta-feira, 2 de abril de 2025

Apesar dos Desafios, o Governo Lula Ainda Tem Caminho para Percorrer


Imagem - QZH

Os números da última pesquisa Genial/Quaest trouxeram um dado que chamou atenção: 56% dos brasileiros desaprovam o governo Lula, contra 41% de aprovação.

À primeira vista, o cenário parece preocupante, mas uma análise mais cuidadosa revela que a situação atual ainda é significativamente melhor do que a enfrentada por Bolsonaro no mesmo período de seu mandato e que há espaço para uma virada nos próximos meses.

Quando olhamos para julho de 2020, no governo Bolsonaro, a aprovação era de apenas 34%, com o então presidente já enfrentando uma crise de imagem agravada pela gestão caótica da pandemia.

Lula, mesmo com os desafios atuais, mantém uma base de apoio mais sólida, especialmente no Nordeste, onde sua aprovação chega a 58%.

Essa diferença de 7 pontos percentuais em relação ao antecessor não é trivial, pois mostra que, apesar das dificuldades, o governo ainda conta com um capital político considerável para manobrar.

A economia apresenta sinais ambíguos, mas com pontos positivos que podem ser explorados.

A inflação acumulada em 12 meses está no menor patamar desde 2020, e o desemprego segue em queda, já bem abaixo dos 12% registrados no final do governo anterior.

Programas populares do governo têm potencial para aquecer setores importantes e melhorar a percepção popular, desde que comunicados de forma eficiente.

Historicamente, governos conseguiram se recuperar de momentos ainda mais difíceis.

Em 2005, Lula enfrentou o escândalo do Mensalão com aprovação em queda, mas conseguiu reverter o quadro relançando o Bolsa Família e investindo pesado em obras públicas.

FHC, em 1999, superou a crise do Real com uma combinação de medidas econômicas duras e programas sociais.

O atual governo tem a vantagem adicional de contar com um Congresso menos hostil do que o enfrentado por Dilma em 2015, quando ela registrava 38% de aprovação sem qualquer apoio parlamentar.

O caminho para a recuperação existe, mas exige ajustes.

O governo precisa evitar auto-sabotagem como declarações inflamadas que desviam a atenção de suas conquistas e focar em comunicar melhor os mais de 1,3 milhão de empregos formais gerados em 2024.

As eleições municipais serão um termômetro importante, mas não uma sentença definitiva. Com uma estratégia clara e menos dispersão, os 41% atuais podem sim se tornar a base para uma recuperação nos próximos meses.

A história política brasileira mostra que governos muitas vezes encontram seu momento de virada nos momentos mais desafiadores.

Para Lula, essa possibilidade ainda está aberta.  Resta saber se sua equipe saberá aproveitá-la.

O copo pode não estar cheio, mas certamente ainda está longe de estar vazio.


Darci, Uma Vida em Harmonia

 

Pelos corredores da memória, ainda ecoam as notas de "Le Lac de Côme" tocadas ao piano nas manhãs de minha infância.

Era assim que Darci Antunes Gomes anunciava o dia. Com música, elegância e aquela disciplina doce que só quem nasceu para ensinar consegue ter.

Filha de um português de mão firme e uma italiana de coração ardente, novembro de 1946 trouxe ao mundo uma mulher que faria da arte seu legado.

Casou-se com Carlos Gomes, amor que durou 56 anos, e juntos escreveram uma história de três filhos: Marcelo, Denise (que partiu cedo, deixando saudades que doem como nota sustenida) e eu.

De seu pai, um construtor que ajudou a erguer São José do Rio Preto, Darci herdou o dom de construir sonhos. Primeiro, com as teclas do piano. Seu Conservatório Musical de Mirassol trouxe maestros internacionais e formou gerações. Lídia Alimonda, Joaquim Paulo do Espírito Santo e Araceli Chacon não eram apenas professores, eram artistas que ela convidava para compartilhar o palco da educação musical.

Depois, veio a Karmel Boutique, onde vestiu a cidade com a alta-costura de suas mãos.

Suas lojas no Rio Preto Shopping e em São Paulo eram mais que negócios.  Eram extensões de seu bom gosto impecável. Até que os ventos difíceis dos anos Collor a levaram a recomeçar, como sempre fez: com dignidade.

Aos 50 anos, trocou as vitrines pelas salas de aula, tornando-se professora de Português. Na Escola Ivete Atique, suas lições iam além da gramática.  Ensinavam resiliência.

Na aposentadoria, o artesanato.

Cada peça que criava nas feiras pela cidade carregava a mesma atenção aos detalhes que dedicava às sonatas de Chopin ou aos vestidos de linho.

Hoje, vive na chácara onde morou décadas ao lado de Carlos, entre plantas, livros e o silêncio aconchegante de quem sabe que cumpriu seu tempo com graça.

Mãe, empresária, professora, artesã.

Darci é como aquela música que acordava minha infância: complexa na técnica, mas simples na beleza que toca a alma.

E se perguntarem qual é seu maior feito, direi: "Fez da vida uma obra de arte, nem sempre perfeita, mas sempre cheia de significado".

(Homenagem a Darci Antunes Gomes, que transformou notas em sinfonias, tecidos em poesia, e desafios em versos de superação.)


Por que você precisa assistir "Mickey 17"? - Um filme que diverte, choca e faz pensar

 

Imagem - G1 - Cena do Filme Mikey 17

Assistir "Mickey 17" foi uma daquelas raras experiências cinematográficas que ficam gravadas na memória.

Em 2h30 que passaram voando, o filme conseguiu o equilíbrio perfeito entre entretenimento de alta qualidade e crítica social afiada.

Dirigido pelo genial Bong Joon-ho (de "Parasita"), essa obra mistura ficção científica, humor negro e uma sátira contundente ao nosso mundo atual de forma brilhante.

Robert Pattinson entrega uma atuação memorável como Mickey, o trabalhador descartável de uma colônia espacial que é substituído por clones cada vez que morre, até que sua 17ª versão decide se rebelar contra o sistema.

O que poderia ser apenas uma premissa criativa de ficção científica se transforma em uma reflexão poderosa sobre exploração trabalhista, culto ao poder e os absurdos do capitalismo moderno.

O filme faz uma sátira impiedosa de figuras como Elon Musk e sua obsessão por colonização espacial, mostrando como projetos megalomaníacos muitas vezes escondem estruturas de exploração desumanas.

As cenas que retratam a relação entre os trabalhadores descartáveis e seus patrões são ao mesmo tempo hilárias e perturbadoras, revelando como muitas vezes glorificamos aqueles que nos oprimem.

Bong Joon-ho mantém sua marca registrada. Consegue tratar de temas pesados com um humor inteligente que não diminui o impacto de sua mensagem.

A colônia espacial do filme funciona como um microcosmo da nossa sociedade, com suas hierarquias rígidas, burocracias absurdas e a desumanização do trabalho.

Para quem aprecia cinema que diverte mas também provoca reflexão, "Mickey 17" é obrigatório.

Fui ver com meus filhos e saímos do cinema encantados e cheios de assunto para debater.

É raro encontrar uma obra que equilibre tão bem ação, comédia e crítica social e que faça tudo isso sem perder o ritmo ou se levar muito a sério.

Se você é daqueles que acredita que cinema pode (e deve) ser tanto divertido quanto inteligente, não perca "Mickey 17".

É daqueles filmes que ficam ecoando na cabeça dias depois da sessão, e que certamente entrará para a lista de obras indispensáveis da ficção científica moderna.


terça-feira, 1 de abril de 2025

CPI na Câmara de Rio Preto - Investigar Gestão do Dinheiro Público é Obrigação do Legislativo

A instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar supostos gastos irregulares da gestão do ex-prefeito Edinho Araújo tem gerado barulho na Câmara Municipal de São José do Rio Preto e aparentemente entre alguns ex-integrantes do governo de então.

Sou e sempre fui extremamente favorável a todo tipo de investigação.  Acredito ser esse o papel de um vereador vigilante e combativo, como é, de fato, o caso do vereador do PSOL.

João Paulo Rillo conseguiu as assinaturas necessárias para a criação da comissão.  Mas o MDB, partido do ex-prefeito, classifica a iniciativa como "cortina de fumaça" com objetivos eleitorais.

A alegação do partido é de que a CPI serviria mais como palanque para adversários do que como instrumento de fiscalização legítima. 

Essa acusação do MDB sim visa servir de cortina de fumaça às investigações.

Por outro lado, Rillo e os defensores da investigação argumentam que a comissão é necessária para trazer transparência aos cofres públicos.

Afinal, com já afirmei, apurar possíveis desvios e excesso no “esbanjo” do dinheiro público é obrigação do Legislativo.

O fato, no entanto é que a cidade merece e deve saber como foi usada, durante esses 8 anos de gestão Edinho, as chaves do cofre do município. 

O debate deve se intensificar nas próximas semanas, quando a CPI for oficialmente instalada e começar a ouvir testemunhas e analisar documentos.

Por mais víeis político que pudesse ter a proposta de uma CPI, espera-se que venha acompanhada de critérios técnicos que promovam uma investigação séria e comprometida com a cidade. E para isso sua composição, sob a presidência de Rillo será fundamental.

E, sobretudo, que a CPI não se torne instrumento para o atual prefeito justificar sua própria inação, atribuindo à falta de recursos ou a supostos problemas herdados a incapacidade de implementar políticas públicas efetivas. 

A população não aceita mais a velha narrativa de que 'os problemas do passado impedem as soluções do presente' como desculpa para a paralisia administrativa. 


1º DE ABRIL - Quando a Brincadeira Virou Ameaça

 

Imagem: Plano Critico

O Dia da Mentira, celebrado em 1º de abril, sempre foi uma data leve, marcada por pegadinhas inofensivas e notícias absurdas que terminavam em risadas.

No Brasil, a tradição começou em 1828, quando o jornal "A Mentira" anunciou a morte de Dom Pedro I apenas para provocar reações.

A graça estava no desfecho, quando todos descobriam que era apenas uma brincadeira.

Mas nos últimos anos, as mentiras deixaram de ter data marcada e passaram a circular diariamente, com consequências que vão muito além de uma simples zoeira.

As fake news, ou notícias falsas, são o lado sombrio dessa tradição.

Elas se aproveitam do mesmo mecanismo que torna as piadas do 1º de abril eficazes, o elemento surpresa, o absurdo que choca, mas com um objetivo muito diferente: manipular, dividir e até destruir.

Enquanto uma mentira de abril é feita para divertir, as fake news são feitas para causar dano. E o pior é muitas pessoas não percebem a diferença.

O poder das fake news está em sua capacidade de explorar emoções.

Elas não são projetadas para informar, mas para provocar reações imediatas como raiva, medo, indignação.

Foi assim com os boatos que levaram ao linchamento de uma mulher inocente em 2014, acusada de praticar magia negra. Foi assim durante a pandemia, quando mentiras sobre tratamentos ineficazes custaram vidas. E foi assim no 8 de janeiro, quando teorias da conspiração alimentaram um ataque às instituições democráticas.

Enquanto isso, as plataformas de redes sociais, que deveriam ser espaços de informação, muitas vezes funcionam como aceleradoras de mentiras.

O algoritmo privilegia conteúdo polêmico, independentemente de sua veracidade, porque reações, mesmo as negativas, significam engajamento. E engajamento significa lucro. Enquanto não houver responsabilização real, as fake news continuarão a ser um negócio rentável para alguns e um perigo para todos.

O desafio, então, é aprender a rir das mentiras do 1º de abril sem cair nas armadilhas das mentiras que circulam o ano inteiro.

Desconfiar de manchetes bombásticas, checar fontes e pensar antes de compartilhar são pequenos atos de resistência. Afinal, uma democracia saudável depende de cidadãos informados, não de marionetes emocionais.

Neste 1º de abril, a melhor brincadeira que podemos fazer é espalhar a verdade.

Porque, no fim das contas, a única mentira inofensiva é aquela que todo mundo sabe que é mentira. O resto é arma.



segunda-feira, 31 de março de 2025

Receita Federal suspende isenção tributária para pastores após decisão do TCU

 

Imagem: Brasil de Fato

Tá entendida a força de lideranças evangélicas na reeleição de Bolsonaro?

Medida concedida às pressas no governo Bolsonaro é revogada hoje por irregularidades.

O secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, determinou a suspensão imediata da isenção tributária para salários de ministros religiosos, benefício instituído às vésperas do segundo turno das eleições de 2022.

A decisão atende a determinação do Tribunal de Contas da União, que identificou irregularidades no processo.

O Ato Declaratório Interpretativo assinado pelo então secretário Julio César Vieira Gomes em 27 de outubro de 2022 três dias antes da eleição presidencial, isentava pastores e líderes religiosos do pagamento de Imposto de Renda sobre seus rendimentos.

A análise do TCU apontou que o benefício foi concedido sem análise técnica da Subsecretaria de Tributação. O processo ignorou pareceres contrários de órgãos de controle.

Especialistas em direito tributário destacam que a Constituição garante isenção apenas para templos religiosos, não para rendimentos individuais.

Pastores com salários altos pagarão alíquotas de até 27,5%, como outros trabalhadores.

A Receita estima que o impacto fiscal da medida irregular superaria R$ 500 milhões/ano.

O TCU mantém aberto processo para apurar possível uso eleitoral do benefício, irregularidades formais na concessão e a responsabilização dos envolvidos.

Enquanto a Receita anuncia ter cumprido as decisões do TCU a Frente Parlamentar Evangélica afirma: "Vamos analisar medidas legais contra o que consideramos perseguição religiosa"

O caso ocorre no mesmo momento em que o Congresso debate projeto que regulamenta a tributação de igrejas, com estimativa de arrecadar R$ 15 bilhões/ano se aprovado.


31 de Março de 2025 - Aniversário do Golpe, Memória e Resistência

 

Imagem: BBC

Hoje, 31 de março, marca os 61 anos do Golpe Militar de 1964 ,um período de trevas que rasgou a democracia brasileira, institucionalizou a tortura e calou vozes em nome da "ordem".

Seis décadas depois, a sombra do autoritarismo ainda ronda.

8 de janeiro de 2023 mostrou que a ameaça não é passado.

Foi o dia em que hordas fascistas, intoxicadas por negacionismo e ódio, invadiram Brasília para repetir o gesto golpista.  Atacar instituições, negar eleições e sonhar com tanques nas ruas.

A diferença? Desta vez, a resistência venceu.

Mas o perigo persiste.

Nas bancadas do Congresso, nas fake news que viralizam, nos discursos que banalizam a violência, ecoa o mesmo projeto.

Querem reescrever a história, apagar os crimes da ditadura e pavimentar um novo 1964.

Mas nós não esqueceremos.

Não houve "revolução" em 64 e sim houve um golpe.

Não houve "progresso", mas houve censura, desaparecidos e um país de ossos enterrados.

Não há "anistia" para quem tortura, há justiça.

Em 2025, a lição é clara: democracia não se defende com meias-palavras. Defende-se com memória, com luta e com a certeza de que fascismo não passa.

 

#DitaduraNuncaMais #8DeJaneiroNãoSeRepete


sábado, 29 de março de 2025

O Fórum de Associações de Moradores de São José do Rio Preto. Uma Revolução Silenciosa na Democracia Participativa.


Participação Popular
Imagem - Jus Navigandi

No início dos anos 2000, chegou à Prefeitura de São José do Rio Preto Edinho Araújo, que conquistou sua vitória graças a uma ampla coligação de partidos, denominada Frente Progressista, composta dentre outros, pelos partidos PT e PPS.

Inaugurando uma nova forma de trabalhar a interlocução com o legislativo, o prefeito então resolveu substituir a figura do Líder do Prefeito por um Secretário de Governo.

Para o cargo, convidou Carlos Feitosa, ex-vereador e hábil interlocutor.

Recém-criada, a Secretaria sob o comando de Feitosa deveria, no entanto, se ocupar de outras importantes tarefas, para o que fomos igualmente convidados, o Prof. Cleyton Romano e eu que ocupamos sua Assessoria.

Criamos a estrutura da Secretaria com a participação de outras figuras como Roberto Vasconcelos (Vasco), então Presidente de Honra do PCB local e João Paulo Rillo, hoje vereador pelo PSOL, como importantes conselheiros.

Juntos, passamos a desenhar o organograma da pasta e a avaliar a cidade que enfrentava um dilema comum a muitas metrópoles brasileiras: como garantir que as demandas dos bairros chegassem ao poder público de forma organizada, direta e legítima, sem precisar se desgastar em balcões ou trocar favores com vereadores.

A resposta surgiu com a criação do Fórum de Associações de Moradores, uma iniciativa pioneira que uniu gestão pública inovadora e participação popular efetiva.

Como assessor direto da Secretaria Municipal de Governo e co-idealizador do projeto, testemunhei como essa experiência não apenas modernizou a relação entre Estado e sociedade, mas revelou uma nova geração de lideranças comunitárias.

Quero destacar algumas como o advogado Marcelo Henrique, primeiro presidente do Fórum, o advogado Paulo Dodi, ex-presidente da Associação Amigos de Rio Preto, Walter Fernandes da Associação do Mansur Daud, Wilma Goulart do Jd. Nazaré e o já vereador Pedro Roberto Gomes.

Todos eram presidentes de Associações de Moradores dos respectivos bairros e atuaram de maneira contundente no desenvolvimento e ações do Fórum.

Esse, por sua vez, devia congregar as Associações por meio de seus representantes e conduzir ao “nono andar”, sede da Secretaria de Governo, as principais reivindicações dos habitantes de cada bairro.

Muitas dessas associações eram informais ou controladas por lideranças vitalícias.

Criamos um marco regulatório com estatutos-padrão e eleições periódicas as quais eu acompanhava com a Assessoria de Damaris Iraê e Valéria Brandt, também assessoras.

Oferecíamos assessoria jurídica gratuita além de orientar a elaboração dos Estatutos e garantir as formalidades nas assembleias.

Depois ainda, participávamos das reuniões do Fórum que visavam apresentar problemas detectados nos bairros e oferecer soluções trabalhando para isso e quando necessário, o envolvimento das demais secretarias da Administração.

Coordenei a equipe que percorreu os bairros para convencer líderes da importância da formalização das Associações e ajudei na conexão do Fórum com o Orçamento Participativo, então presidido pela vice-prefeita Maureen Cury do PT.

Pela primeira vez, associações votavam diretamente em obras prioritárias garantindo a melhor aplicação das verbas orçamentárias.

Enquanto outras cidades tinham Orçamento Participativo apenas no papel, em Rio Preto ele funcionou porque tinha base organizada (o Fórum garantia representatividade real).

Durante nossa gestão, evitamos o clientelismo (as demandas eram técnicas, não políticas).

Na ocasião, também coordenamos o mesmo processo com bairros não regularizados, gerando fiscalização para coibir o nascimento de novos loteamentos irregulares e promover as diretrizes para o processo de regularização.

Nessa altura, conseguimos asfaltar e regularizar a Vila Miguelzinho (no coração do Eldorado) e entregar as escrituras de um grande loteamento de chácaras.

A força do Fórum era inegável, e mobilizado no próprio Paço Municipal era um peso para o Prefeito que já não tinha liberdade total nas suas decisões.

Talvez essa tenha sido a real causa da demissão do Secretário Feitosa, que foi exonerado após denunciar um incontável número de faltas abonadas por servidores sob o laudo de um mesmo médico (que era vereador). Estranho, já que a denúncia, na verdade, favorecia a Administração do Município.

Com seu desligamento, tornei-me o interino na Pasta e por cerca de 2 anos, segui fazendo o trabalho de interlocutor entre o Fórum e a Prefeitura.

O fato é que o Fórum mostrou que participação popular precisa de estrutura, que então garantimos, a partir da Secretaria.

Sua criação gerou importantes líderes, dos quais muitos ocupam cargos públicos.

Ainda, conseguimos provar que uma cidade média do interior pode ser laboratório de inovação democrática. Talvez a mais importante de todas as experiências das quais participei na vida.

Deixei a Secretaria me demitindo após a nomeação deu um outro secretário.

Mas o Fórum continuou incomodando e após minha saída da Secretaria, ele foi aos poucos sendo cooptado pelo governo municipal perdendo gradativamente sua força até desaparecer na gestão seguinte.

Resta dizer que o Fórum não foi um projeto de governo. Foi um pacto entre cidadãos e poder público e eu tive a honra de ajudar a costurá-lo.

O Brechó mais Punk da História.

 

Imagem: G1

Pense na cena:

Você está no deserto do Atacama, o lugar mais seco do planeta, onde até os cactos pedem água.

De repente, avista uma duna... de camisetas da Zara. Um mar de calças Levi’s nunca usadas. Montanhas de casacos da H&M com etiqueta!

Não, não é miragem. É o "lixão fashion" mais surreal do mundo, onde 39 mil toneladas de roupas de marca viram areia (literalmente).

E agora, uma ONG tá de "garimpeira de grife", distribuindo peças grátis pra virar o jogo.

Todo ano, 59 mil toneladas de roupas chegam ao Chile como refugiadas do consumo.

Peças não vendidas, devolvidas ou com defeito (tipo aquele botão que se solta antes mesmo da primeira lavagem).

Parte vira contrabando, outra vira lixo clandestino no Atacama.

E olha que o Chile já tem lei proibindo isso, porque tecido não é casca de banana: demora 200 anos pra sumir e ainda solta químicos que fazem o deserto pegar fogo (sim, o cenário pós-apocalíptico é real).

Enquanto influencers pagam fortunas por um vintage "autêntico", marcas globais tratam roupas novas como se fossem restos de alface.

Motivo? É mais barato jogar fora do que reciclar ou doar (a matemática capitalista é um mistério, mas o planeta que se vire).

Imagem: G1
Aí entram os heróis: uma turma de brasileiros e chilenos tá catando essas peças abandonadas (com etiqueta, gente!) e distribuindo de graça.

A meta? Espalhar consciência e um look novo enquanto expõe o absurdo.

O setor têxtil é o 2º mais poluente do mundo, perdendo só pro petróleo.

Se o Atacama fosse um guarda-roupa, seria o do hoarder mais famoso do planeta.

Se fast fashion é ‘descarte rápido’, o Atacama virou o armário do fim do mundo.

Que tal um tour ecologicamente correto no Atacama?

Leve uma mochila vazia e volte com o outfit da próxima temporada, sem pagar um centavo e ainda salvando o planeta.

Porque, no fim, a moda sustentável não deveria ser luxo, mas obrigação.

E se as marcas não aprendem, o deserto vira o brechó mais punk da história.


sexta-feira, 28 de março de 2025

Lula reforça laços com Vietnã em visita estratégica para ampliar comércio e parcerias tecnológicas

 

Imagem: Carta Capital

A viagem marca uma nova fase na relação bilateral entre os dois países, com o Brasil buscando posicionar-se como parceiro estratégico no Sudeste Asiático.

Fontes da comitiva presidencial adiantam que os dois países trabalham para fechar novos entendimentos nas áreas de comércio agrícola (com foco na exportação de carne bovina e frango brasileiros), aviação (com possibilidade de parcerias com a Embraer) e energias limpas (biocombustíveis e energia solar).

Os principais produtos exportados pelo Brasil ao Vietnã atualmente são soja, carne bovina e celulose.

Segundo documentos discutidos durante a visita, a cooperação bilateral será aprofundada em áreas como:

  • Defesa, economia, comércio e investimentos;
  • Ciência, tecnologia e inovação;
  • Meio ambiente e sustentabilidade;
  • Agricultura e segurança alimentar;
  • Transição energética.

A visita ocorre em momento estratégico.

O Vietnã apresenta crescimento médio de 6,5% ao ano e busca diversificar parcerias, enquanto o Brasil pretende fortalecer sua presença na região como alternativa à influência chinesa.

Em coletiva, Lula destacou: "O Vietnã representa exatamente o tipo de parceria que buscamos: dinâmica, complementar e com potencial de crescimento mútuo".

O premiê vietnamita, Pham Minh Chinh, reforçou o interesse em "aprofundar a cooperação tecnológica" e confirmou a participação do Vietnã na cúpula do BRICS no Rio em julho – após ter comparecido como convidado em 2023.

Os ministérios das Relações Exteriores e da Agricultura dos dois países devem se reunir nas próximas semanas para detalhar os acordos. Analistas projetam que os avanços podem aumentar em 20% as exportações brasileiras para o Vietnã até 2026, além de abrir mercados para tecnologia e biocombustíveis.

A visita consolida o plano do governo brasileiro de diversificar parceiros e ampliar influência em mercados emergentes.

Com resultados concretos e a confirmação vietnamita no BRICS, Lula reforça sua agenda de reinserção internacional do Brasil.

VIRALATA NEWS & JORNALECOS S.A.

 

A imprensa brasileira é muito engraçada. Já reparou que quando falam de ricos, se é americano é “bilionário”; se é russo, é “oligarca”?

Olha como é divertido: o governo dos EUA é sempre chamado de “administração”, o governo da China é o ”regime”. Nas guerras é, no mínimo, curioso: o Hamas “assassina, executa os reféns prisioneiros”, mas Israel “elimina terroristas capturados”. Pela mesma lógica, a Rússia quer “invadir”, mas os EUA e Israel pretendem apenas “anexar”. 

Se estão falando da autoridade máxima do Irã ou da Venezuela, é “Ditador”. Mas quanto a países sem eleições como na Arábia Saudita ou na Ucrânia, são “líderes” e “Presidentes”. Muito estranho, né? Se a inflação na argentina foi de 200% em 2004, está sob controle. Aqui, a 5%, pronto: “disparou!” Se os cafeicultores e donos de granjas resolvem dirigir as vendas de seus produtos para o mercado externo e faturar café e ovo em dólar, o Lula “desabasteceu” o país! Se ele proíbe a jogada, é “intervencionista”.

O Guedes apenas “superou o teto de gastos”, mas o Haddad opera sempre uma “gastança” que “compromete o controle do Déficit Público”. Lula não cobra imposto, lula “taxa!”. Com Lula o dólar não sobe, com Lula o dólar “explode”, a bolsa não recua, ela sempre “despenca”. Os governadores da oposição não aumentam a dívida nem cortam serviços essenciais, muito menos entregam patrimônio público… não: eles “enxugam a máquina”.

Pudera: a ultrafinanceirização da economia desmontando o Estado e com ele todas as garantias sociais é chamada de "responsabilidade fiscal". É assim que a banda da mídia toca, e a tal Duailib é apenas o Sardemberg da vez, hipnotizando a turba de esfarrapados.

Dilma era “descontrolada”, “mão de ferro”. Temer era “firme”. 

A linguagem é tudo quando queremos colonizar uma nação. Tudo.

por Marcelo Godoy, em sua página no Facebook

A HISTÓRIA NA PRIMEIRA FILA

 

Imagem: Redes Sociais


Prof. 
Nilson Dalledone
nilsondalledone@gmail.com




No julgamento de Bolsonaro no STF, a História sentou na primeira fila.

Hoje (25/3) a Primeira Turma do Supremo iniciou o julgamento da denúncia contra o ex-presidente por tentativa de golpe. Mas o que realmente atraiu os olhares foi quem estava na plateia: Ivo Herzog, filho do jornalista assassinado Vladimir Herzog, e Hildegard Angel, filha da estilista Zuzu Angel e irmã de Stuart Angel, torturado e morto pela ditadura.

A presença deles não era simbólica - era histórica.

E os bolsonaristas tremeram. Acusaram o STF de “associar Bolsonaro à Ditadura Militar”. Ora, senhores: quem exalta torturadores, louva o AI-5 e conspira contra eleições livres não precisa ser associado - já está colado.

O incômodo da extrema direita expõe o nervo exposto: Bolsonaro sempre usou a estética, a retórica e o autoritarismo da ditadura como inspiração política. Agora, diante do Supremo, esse passado cobra a conta.

Enquanto parlamentares bolsonaristas tentavam entrar atrasados no plenário, os familiares das vítimas de 64 já estavam lá - pontuais como a memória e implacáveis como a verdade.

Hildegard resumiu tudo com uma frase lapidar: “Estamos aqui para que não se repita a anistia perversa de 1979.”

O Brasil de 2025 ainda está em disputa. Mas uma coisa é certa: o fantasma da ditadura não será normalizado - nem pelos gritos do porão, nem pelos memes do WhatsApp.

(Por Julio Benchimol Pinto) 

Nunca defenda nenhuma forma de fascismo ou nazismo. Trata-se do poder da alta burguesia, exercido por meio de métodos terroristas, geralmente, usando as mãos de pequeno-burgueses e trabalhadores incautos ou idiotizados por propaganda mentirosa.


Noite de Heróis, Drama e Alívio no Itaqueraço


O Corinthians fechou o Campeonato Paulista de 2025 com chave de ouro e um bom tanto de drama ao segurar um empate sofrido contra o Palmeiras na Neo Química Arena, garantindo o título graças à vitória por 1 a 0 no primeiro jogo da final.

Foi uma noite de heróis improváveis, decisões polêmicas e corações na boca, tudo aquilo que só o futebol e o Timão são capazes de proporcionar.

O grande nome da final foi Hugo Souza. O goleiro, que já havia sido decisivo na primeira fase ao defender um pênalti contra o mesmo Palmeiras, repetiu o feito na final ao espalmar a cobrança de Raphael Veiga no segundo tempo.

Foi uma defesa que valeu um título, consolidando o arqueiro como ídolo instantâneo da torcida.

Nem mesmo a expulsão de Félix Torres, que cometeu o pênalti e ainda levou o segundo amarelo pouco depois, foi capaz de frear o Corinthians.

Com um a menos, o time mostrou a raça característica e segurou o resultado, mesmo sob pressão alviverde.

Este título tem um gosto especial.

Depois de uma campanha irregular durante a temporada anterior, com altos e baixos, o Corinthians encontrou sua força quando mais importava.

Foi um campeonato que misturou momentos de qualidade técnica com aquela tradicional "garra corintiana".  Aquela que faz o torcedor sofrer, mas no final sempre vale a pena.

Para a torcida, fica a certeza: pode não ter sido perfeito, pode ter dado dez anos de vida a menos para os mais ansiosos, mas no final, o que importa é que o caneco está no Museu do Corinthians.

E agora, o grito é um só: "CAMPEÃO PAULISTA, PORRA!"



Não... claro que não é nada engraçado.

Imagem: Brasil de Fato Donald Trump acabou de dar um esperado tapa na cara do Brasil com sua nova política de taxar todos os nossos produtos...