terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Ubatuba. Lugar onde o tempo desacelera e a alma respira.

 

Praia do Lázaro

Há viagens que não são apenas deslocamentos no mapa. São travessias internas.
A nossa, em família, para Ubatuba, foi assim.  Um encontro entre mar, afeto e silêncio bom, daquele que fala mais do que palavras.

Com os anfitriões
Fomos eu, Bianca, meus filhos Gabriel, Rafael e Daniel, minha enteada Heloísa, atendendo ao convite generoso do meu irmão Marcelo e da minha sobrinha Annia Yeva.

Ficamos na Praia do Lázaro, em uma casa acolhedora, dessas que parecem já conhecer a gente antes mesmo da chegada.
Ali, o tempo decidiu andar descalço.

Entre idas e vindas, deixamos que os dias se organizassem sozinhos. Visitamos a Sununga, com seu mar intenso e misterioso, e a vizinha Domingas Dias, onde a água parece sempre convidar à contemplação.
Sununga ao entardecer

Em um desses dias, fomos à cidade.  Almoço simples, conversa boa e um encontro especial. Daniel conheceu, finalmente, um amigo que até então existia apenas pelas linhas invisíveis da internet. Um abraço que atravessou telas.


À tarde, a Praia Grande nos recebeu com ondas estonteantes, dessas que fazem o corpo lembrar que ainda é jovem e a alma, ousada. Rimos, nos desafiamos, nos deixamos cair e levantar, como se o mar estivesse, discretamente, nos ensinando algo sobre a vida.
Vista noturna da janela do quarto

Mas foi na Sununga que o extraordinário se apresentou sem pedir licença. Tartarugas surgiram próximas, serenas, permitindo que as tocássemos com o cuidado de quem sabe estar diante de algo sagrado. 

E, como se não bastasse, no entardecer dourado, golfinhos saltaram diante de nós. Não para um espetáculo, mas como quem compartilha um segredo antigo com quem sabe olhar.

Os amanheceres pediam oração. Não necessariamente palavras, mas gratidão. Os entardeceres pediam sonhos, desses que só nascem quando o coração está em paz.

Entre um e outro, experimentamos camarões, cervejas geladas, pastéis, conversas longas e até um churrasquinho improvisado, que sempre tem gosto de celebração.
Pneu furado do Marcelo na ida

E então veio o dia da volta. Meu aniversário. Um dia fantástico, vivido mais com presença do que com registros. Talvez por isso eu quase não tenha fotos desses dias, apenas fragmentos capturados por outros olhares durante o passeio.

E tudo bem. Há momentos que não pedem câmera, pedem memória viva.

Voltamos diferentes. Não por grandes acontecimentos, mas pelo acúmulo delicado de pequenas coisas.  Um riso à mesa, um mergulho inesperado, um silêncio compartilhado, um pôr do sol que parecia saber nosso nome e talvez alguma discussão mais acalorada, mas não menos amável ou digna.

Almoço no dia da volta - meu aniversário
Ubatuba nos ensinou, mais uma vez, que felicidade não é excesso. É encontro. É família. É mar. É estar junto quando o tempo resolve, generosamente, parar.
Mamãe e papai fizeram falta.  Ela menos, pois nos esperava pro domingo.  Mas ele, com certeza, de algum modo, deu um jeito de estar junto.


Enfim... obrigado Marcelo e Yeva. Obrigado filhos amados.  Obrigado Bianca e Helô. 

Vocês foram maravilhosas companhias. E os momentos, estão todos aqui, guardados pra sempre no meu coração envelhecido pelo tempo, mas renovado pela graça dessa doce viagem.
E isso, definitivamente, é o que fica.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

COMO FIZ PARA ABRIR A MENTE

 



Daniel Gouvêa Gomes
Estudante





Tudo que vem, um dia se vai.

A lembrarmos da pluralidade e mortalidade de nossas vidas nos acostumamos com a soberba existência material.  Vulgo, passamos a ver a vida como ela é não como será ou foi, por meio de escalas universais somos, poeira.

Dado o fato de sermos assim, podemos construir uma visão pobre e inerte, ou seja, intocável e imutável, para reconhecermos a vida, temos que passar pela morte, pois só há vida se existe a morte.

Temos passado, futuro e presente, só estamos vivos em um deles de verdade.  Passado é história.  Futuro é o que um dia foi presente e que virou passado.  Temos então a base “agora”.  Vamos à prática.

Todo meio de intervir é inútil, pois somos seres que não controlam tudo.  Pois bem, temos que entender que não somos tudo.  Ser nada é como viver bem por não termos que ser tudo.

Concluindo então, somos o que somos, mas não podemos mudar nossa natureza e vamos um dia deixar de estar nessa natureza.

sábado, 3 de janeiro de 2026

Quando o império abandona o disfarce, a barbárie aparece

 

Caracas Essa Madrugada - Imagem G1
Se confirmadas as informações que circulam nesta madrugada, o mundo assiste a um dos atos mais graves das últimas décadas.  Uma ação militar direta dos Estados Unidos contra a Venezuela, com a captura forçada de seu presidente, realizada à margem do direito internacional, em desprezo absoluto às Nações Unidas e em afronta aberta à soberania dos povos.

Não há adjetivo elegante para isso. É agressão imperial. É sequestro de Estado. É terrorismo geopolítico.

Donald Trump não age como chefe de governo.  Age como senhor de guerra de um império em decadência, que já não consegue convencer, apenas intimidar. A velha retórica da “operação brilhante”, do “combate ao crime” e da “libertação” é o mesmo roteiro usado no Iraque, na Líbia, no Afeganistão e em tantos outros lugares onde a democracia nunca chegou, mas a destruição sim.

A América Latina conhece bem esse método. Golpes, bloqueios, sanções, assassinatos políticos, operações clandestinas. Nada disso é novo. O que assusta é o descaramento.  Agora sem intermediários, sem disfarce, sem vergonha. Tropas, ataques aéreos, captura de um chefe de Estado. Um precedente que, se naturalizado, implode qualquer noção de ordem internacional.

É preciso fazer autocrítica.  Durante anos, parte da comunidade internacional tolerou sanções criminosas, sabotagens econômicas e campanhas de desestabilização contra a Venezuela em nome de uma suposta “defesa da democracia”. O resultado está aí. Quando se aceita o estrangulamento de um povo, não se pode fingir surpresa quando vêm os bombardeios.

A reação internacional mostra o tamanho do risco. Rússia, China, Cuba, Irã e diversos países latino-americanos denunciam a agressão. Governos responsáveis falam em escalada, em crise regional, em guerra. Já a extrema direita comemora. Milei vibra. Parlamentares trumpistas aplaudem. O colonialismo nunca foi envergonhado, apenas espera ocasião.

E o Brasil? O Brasil não pode vacilar.

O governo Lula tem um papel histórico a cumprir. Não por afinidade ideológica com este ou aquele governo, mas por compromisso com princípios que sempre nortearam a diplomacia brasileira.  A autodeterminação dos povos, não intervenção, solução pacífica dos conflitos e defesa intransigente da soberania.

O silêncio, aqui, seria cumplicidade. A neutralidade, covardia.
Cabe ao Brasil liderar, junto a outros países do Sul Global, uma reação firme no âmbito da ONU, exigir provas, denunciar a ilegalidade da ação e trabalhar ativamente para impedir a escalada militar. A América do Sul não pode voltar a ser campo de batalha de interesses estrangeiros.

Não se trata de “defender Maduro”. Trata-se de defender algo muito maior.  O direito de qualquer povo escolher seu destino sem ser ameaçado por porta-aviões e drones. Hoje é a Venezuela. Amanhã pode ser qualquer país que ouse dizer não. O Brasil mesmo, por exemplo.

A história já julgou o imperialismo e sempre o condenou.
Resta saber quem, neste momento decisivo, estará do lado da legalidade, da paz e da dignidade dos povos. O Brasil precisa estar do lado certo da história.

domingo, 21 de dezembro de 2025

Soberania não se pede, se exerce

 

Imagem - ICL Notícias
Há uma palavra que assusta os impérios quando dita com serenidade: soberania. Ela não grita, não ameaça, não invade, mas resiste. É essa palavra que orienta a posição do presidente Lula diante da Venezuela e da América Latina como um todo. E é por ela que nos colocamos, sem rodeios, ao lado do direito dos povos de decidirem seus próprios destinos.

A Venezuela é um país soberano. Não é quintal, não é laboratório, não é peça de xadrez em tabuleiro alheio. Seus conflitos, contradições e escolhas pertencem antes de tudo ao povo venezuelano. Quando potências estrangeiras tentam “corrigir” nações por meio de sanções, bloqueios econômicos e chantagens diplomáticas, não estão defendendo democracia.  Estão punindo populações inteiras para preservar interesses geopolíticos.

A política externa dos Estados Unidos, especialmente na América Latina, insiste em uma lógica antiga, já gasta pelo tempo. A do imperialismo travestido de tutela moral. Uma lógica que não reconhece seu próprio esgotamento. O mundo mudou. O eixo do poder se desloca. A unipolaridade dá sinais claros de fadiga, enquanto novos centros de decisão emergem. Persistir em intervenções, cercos econômicos e desestabilização política é negar a realidade histórica e aprofundar o isolamento.

Lula compreende algo essencial: não há democracia imposta de fora, nem direitos humanos que sobrevivam à fome causada por sanções. Defender o diálogo com a Venezuela não é endossar governos, é respeitar nações. É apostar na diplomacia, na integração regional, na solução política construída entre iguais. É recusar a hipocrisia de quem fala em liberdade enquanto estrangula economias inteiras.

A América Latina já pagou caro demais por golpes, ingerências e “ajudas” interessadas. Cada país tem o direito de errar, corrigir, avançar e decidir sem bloqueios, sem ameaças, sem porta-aviões no horizonte. Apoiar a soberania venezuelana é, no fundo, defender a soberania de todos nós.

O imperialismo não percebeu, ou se recusa a aceitar, que o século XXI exige cooperação, não dominação.  Multipolaridade, não submissão. Respeito, não tutela. O declínio não está apenas no poder econômico ou militar, mas na incapacidade de ouvir o mundo como ele é.

Por isso, nossa posição é clara e sem hesitação. Repudiamos a política imperialista norte-americana e reafirmamos nosso apoio ao caminho defendido por Lula.  O caminho do diálogo, da soberania dos povos e da autodeterminação das nações. Porque a história não caminha para trás. E a América Latina já aprendeu a levantar a cabeça.

sábado, 22 de novembro de 2025

Fiat Iustitia - Bolsonaro Preso

 


Pois é, minha gente.  Acordamos neste sábado e o Brasil, finalmente, parece ter endireitado a coluna.

Antes de tudo, é preciso dizer com todas as letras que pessoas humanistas não se alegram com prisões, desgraça alheia ou punições como espetáculo. Não buscamos vingança, nem celebramos dor. Mas desejar e exigir a prisão de Bolsonaro é, paradoxalmente, também um gesto de humanidade. Porque sua ação e sua omissão produziram um nível de letalidade democrática, social e mental que o país não pode mais suportar. Proteger a democracia é, no fundo, proteger vidas.

Dito isso, o ministro Alexandre de Moraes decretou a prisão preventiva de Jair Messias Bolsonaro, condenado a mais de 27 anos de cadeia por tentar um golpe de Estado após perder as eleições de 2022. Não é gesto simbólico é responsabilização concreta.

Bolsonaro já está na Superintendência da Polícia Federal, enquanto seus últimos recursos expiram na segunda-feira. A prisão é preventiva, sim, mas o movimento institucional é claro.  O país não tolera mais atentados contra a democracia.

Por ora, só ele foi preso. Mas o processo segue, e quem atentou contra a ordem democrática sabe que o caminho natural é prestar contas. Tentativas de criar “vigílias”, espetáculos ou dramatizações se dissolvem diante da firmeza da Justiça.

Enquanto isso, Alexandre Ramagem, condenado pela trama golpista, fugiu para os EUA, mas também teve a prisão decretada. A lógica é direta.  Quem tentou romper as regras agora responde por isso, sem subterfúgios.

A defesa de Bolsonaro voltou a recorrer ao argumento de saúde frágil e risco de vida, mas isso não altera o essencial. O marco histórico deste sábado é claro.  A democracia brasileira mostra que não se curva à chantagem, ao caos ou à ameaça.

É um momento sério, grave, histórico.
Mas também é verdade que o país respira melhor.

O Brasil amanheceu com um pouco mais de chão,
um pouco mais de futuro e um bocado a menos de golpe.


domingo, 16 de novembro de 2025

Nossa Trincheira é o Interior

A noite de 14 de novembro ficará marcada na história recente do Partido dos Trabalhadores de São José do Rio Preto. A plenária “Nossa Trincheira é o Interior”, realizada no tradicional Centro Cultural Vasco, não foi apenas o reencontro de militantes, mas um sopro de vitalidade, coragem e direção política. Um ato que selou a volta do companheiro João Paulo Rillo ao PT, retorno carregado de simbolismo, de espírito de luta e de compromisso com a construção de uma esquerda programática, combativa e profundamente enraizada no território.

A presença de quatro ex-vereadores como Feitosa, Marco Rillo, Márcio Ladeia e Celi Regina, deu à plenária o peso da memória viva. Cada um deles, à sua maneira, trouxe para o ambiente a lembrança de mandatos transformadores, disputas políticas decisivas e a certeza de que nosso partido tem um legado que não pode ser apagado nem esquecido. Eles foram, todos, testemunhas e protagonistas de décadas de resistência e de construção democrática.

Também estavam presentes os ex-presidentes do Diretório Municipal do PT, uma demonstração rara de unidade orgânica e respeito às trajetórias que moldaram o partido na cidade.

Somou-se a isso a visita dos deputados Rui Falcão, ex-presidente nacional do PT, e Kiko Celeguim, atual presidente estadual, presenças que reforçam a importância estratégica de Rio Preto para o projeto do partido em São Paulo e no Brasil.

A noite ganhou ainda mais densidade política com a presença de José Dirceu, figura histórica e uma das vozes mais experientes da esquerda brasileira. Sua participação simbolizou o diálogo entre gerações e reafirmou o sentido coletivo da luta de que o PT é herdeiro e protagonista.

A plenária também reuniu presidentes de diretórios municipais de cidades vizinhas e contou com a participação do coordenador da macrorregião, Castrinho, fortalecendo o compromisso regional que dá rumo à reorganização do partido no interior paulista. E não poderia deixar de ser lembrada a emocionante homenagem ao companheiro Paulo Frateschi, falecido recentemente com um minuto de aplausos que comoveu todo o plenário e reafirmou nossa gratidão a quem dedicou a vida à construção do PT.

Outro ponto de grande importância foi a presença das vereadoras Taise Brás (Catanduva) e Raquel Auxiliadora (São Carlos), que vieram contribuir com os debates e fortalecer a agenda feminista, democrática e popular que atravessa o partido em todas as suas instâncias.

Também merece destaque o gesto generoso e fraterno dos companheiros do PSOL, que compreenderam a importância deste momento e contribuíram para a liberação do companheiro João Paulo, gesto que reforça a unidade da esquerda, o diálogo programático e o compromisso com uma Rio Preto mais justa e democrática.

A plenária explicitou o óbvio e o urgente.  A unidade da esquerda é condição essencial para derrotarmos o fascismo, defendermos a democracia, construirmos políticas públicas para o povo e garantirmos a reeleição do presidente Lula em 2026.

Não há espaço para sectarismos. Há espaço para militância, para inteligência política, para organização de base e para o compromisso com o futuro.

O Diretório Municipal do PT de Rio Preto demonstrou, com gestos e com prática, que está de portas e braços abertos. Novos filiados foram recebidos durante o evento, reafirmando o papel do partido como casa, acolhida e instrumento de luta.

A noite de 14 de novembro não foi um fim, mas um começo.
Um chamado à militância para o devir, para as batalhas que virão, para a reconstrução do Brasil a partir do interior, com coragem, afeto e unidade. Porque a nossa trincheira é o interior, e é daqui, desse chão, que seguimos construindo a esperança de um país mais justo para todas e todos.
 

sexta-feira, 31 de outubro de 2025

Sob o céu das favelas, a matança: quando a lei vira carnificina.

 

Imagem - ICL Notícias

Sob o céu carregado das favelas do Rio, o barulho dos gritos dos vivos se mistura ao silêncio dos mortos.

A mata ainda guarda o cheiro do medo e do sangue fresco. Documentos revelam que os policiais foram mortos antes mesmo do cerco se fechar, mas a operação seguiu, desgovernada, como se a fúria fosse método e a vingança, política de Estado.

Mais de cento e vinte corpos, número que já perdeu a exatidão, jazem como testemunhas de uma tragédia anunciada. É o eco repetido da guerra que o governo do irresponsável Cláudio Castro insiste em chamar de “sucesso”.

Enquanto o governador se apressa em buscar na Justiça a liberação de uma refinaria suspeita de ligação com o tráfico, as ruas do subúrbio são manchadas por lágrimas de mães e esposas que protestam diante do IML.

Elas não pedem apenas respostas, pedem respeito, pedem que seus mortos voltem a ser gente. A cena é a mesma de sempre: a dor coletiva de uma cidade partida ao meio, onde a parte pobre é sempre o campo de batalha e o Estado, o general distante.

Na Assembleia Legislativa, deputados pedem uma investigação federal. Querem entender como uma operação policial pode deixar um rastro de corpos que ultrapassa, em número e brutalidade, os piores episódios da nossa história recente.

O que se passou não foi segurança pública, foi execução em massa, travestida de política. E não é preciso ser militante para enxergar isso.  Até um deputado de direita, evangélico e conservador, ergueu a voz para dizer o que muitos tentam encobrir: “a finalidade foi executar”.

Mas o que se esconde por trás de tanta morte?

Há quem diga que é o preço do combate ao crime. Outros, que é o retrato de um poder que perdeu o rumo e agora só sabe usar o gatilho como resposta. A verdade, nua e dolorosa, é que a periferia continua a ser o laboratório onde o Estado experimenta sua impunidade. A cada operação, uma chacina.  A cada chacina, um discurso cínico de “vitória contra o mal” com uso eleitoral.

Os números, frios e impessoais, confirmam o que o povo sente na pele.  A letalidade policial no Rio cresceu mais de 30% neste ano. Cresceu junto com o medo, com o descrédito, com a sensação de que viver nas franjas da cidade é existir por empréstimo, à mercê de quem deveria proteger.

A guerra às drogas virou guerra aos pobres, e o inimigo, antes invisível, agora tem cor, endereço e CEP.

Entre as árvores da mata e as vielas da favela, há um país que se nega a morrer e insiste em lutar. As vozes dos que perderam filhos, irmãos e companheiros ecoam contra o barulho ensurdecedor da indiferença.

São as Marias, as Joanas, os Pedros e os Josés que empunham cartazes diante do IML e gritam que seus mortos têm nome, rosto, história. Gritam que a justiça não pode ser apenas a palavra fria de um boletim de ocorrência.

O massacre no Rio não é um caso isolado. É o retrato cruel de um projeto político que prefere exibir força a promover humanidade.

Um governo que chama de “acerto” o que, na verdade, é extermínio. Que confunde autoridade com autoritarismo e acha que o medo é forma legítima de governo.

Mas há uma esperança teimosa correndo no sangue desse povo. Há um país que não se curva ao som dos tiros. Há quem ainda creia, como nós, que segurança pública não se faz com morte, e que o papel do Estado é proteger a vida.  Toda ela, inclusive a vida pobre, preta, periférica, esquecida.

Sob o céu do Rio, entre as sirenes e os helicópteros, ainda há quem plante flores nas janelas. São elas, essas mãos calejadas e firmes, que nos lembram que enquanto houver gente disposta a chorar o outro, a indignar-se, a exigir justiça, o Brasil ainda tem conserto.


quarta-feira, 29 de outubro de 2025

Nem tudo que vem de fora é submissão e nem tudo que é nosso precisa viver isolado.

 

Todo ano é a mesma ladainha: quando chega o Halloween, surge gente dizendo que celebrar a data é “pagar pau pros Estados Unidos”.

Mas não é. É apenas celebrar. É brincar. É participar de uma tradição que atravessou fronteiras, assim como tantas outras atravessaram antes.

O Carnaval, orgulho brasileiro, nasceu em Veneza e chegou aqui pelas mãos dos colonizadores europeus. As festas juninas, que tanto amamos com fogueira e bandeirinha, são herança de Portugal e o boi-bumbá, mistura linda de tradições africanas e indígenas, também nasceu do encontro entre culturas. A própria Oktoberfest, que movimenta cidades do Sul, é uma festa alemã celebrada com chope e alegria brasileira.

Então por que o Halloween seria “traição à pátria”?

A cultura não tem fronteiras, ela é vento, é maré. O que chega de fora, a gente transforma. E é isso que o Brasil faz de melhor.  Mistura, reinventa, tropicaliza.

E mais: pra defender o Saci não é preciso atacar o Halloween.

Podemos e devemos celebrar os dois.
O Saci representa a astúcia, a travessura e a sabedoria popular brasileira. O Halloween, o fascínio universal pelo mistério, pela vida e pela morte.

Um nasceu da mata, o outro do mito celta. Ambos falam sobre o medo e o encantamento.

Quem tem medo do Halloween, no fundo, teme o diálogo entre culturas. Mas o Brasil nunca teve medo disso.  O Brasil é filho do sincretismo.

Defender nossa soberania cultural não é fechar a janela, mas mantê-la aberta e escolher o que entra, do nosso jeito, com o nosso sotaque, com a nossa ginga.

O importante não é de onde vem a festa é o que fazemos dela. E se for pra celebrar a vida, a infância e a imaginação, que venham o Saci e o Halloween dançar juntos sob a mesma lua.

domingo, 26 de outubro de 2025

O improvável encontro e a lição aos que não sabem fazer política

 

Foto - AFP

Enquanto os arautos do ódio ainda digerem o fato de que o mundo não gira em torno das “fake News” do Telegram ou do WhatsAPP, Lula e Donald Trump se sentaram frente a frente na Malásia.

Dois homens que simbolizam projetos antagônicos, estilos de liderança opostos e, ainda assim, capazes de falar, negociar e buscar entendimento, algo que o bolsonarismo jamais compreenderá.

O encontro durou cerca de cinquenta minutos, e não houve troca de tapas nem ameaças de cadeia celestial. Houve diplomacia, essa arte esquecida pelos que acham que política se faz com gritos e ofensas.

O tema principal foi o tarifaço americano de 50% sobre produtos brasileiros, golpe que afetou nosso comércio e acendeu o alerta vermelho em Brasília. Mas que prejudicou sobretudo a economia estadunidense.

Lula, sereno, levou uma pauta ampla. Trump, pragmático, reconheceu a necessidade do diálogo.

Ao final, ambos sinalizaram negociações para rever as tarifas e o chanceler Mauro Vieira saiu satisfeito, descrevendo o encontro como “muito positivo”.

Pode parecer banal, mas há um símbolo poderoso aí, num cenário global tenso, dois líderes que já estiveram em campos opostos se dispuseram a conversar com civilidade.

E é isso que separa um estadista feito Lula de agitadores de WhatsApp.

Enquanto isso, por aqui, a extrema direita esperneia nas redes.

Alguns se dizem “decepcionados” porque Trump não beijou a foto de Bolsonaro. Outros juram que o encontro foi invenção da imprensa “globalista”. Há até os que dizem que foi “traição”, como se o presidente estadunidense devesse fidelidade a um ex-político brasileiro em condição de réu.

Mas a verdade é simples e, para eles, dolorosa: Trump fala com Lula porque Lula é o presidente do Brasil. O mundo respeita o presidente brasileiro e o respeito vem de onde nasce a política. Do diálogo.

Um país soberano não se constrói com idolatrias de porão nem com teorias conspiratórias. Constrói-se com governos que sentam à mesa, mesmo com os diferentes, para defender os interesses do seu povo.
E, nesse sentido, o encontro na Malásia foi mais que diplomático.  Foi pedagógico.

Foi a lembrança de que o Brasil voltou a ter voz, a ser ouvido, a participar do jogo mundial sem precisar bajular ninguém.

Lula saiu do isolamento que o bolsonarismo tentou impor e mostrou que quem governa com dignidade não teme apertar mãos, mesmo as que já o apontaram com desdém.

E aos que ainda berram nas esquinas virtuais, resta a lição mais dura. Na política real, o mundo gira e os adultos conversam.


domingo, 19 de outubro de 2025

A Revolução Silenciosa da Educação

 

Imagem - ICL Notícias
Quando um presidente se levanta diante de jovens estudantes e diz, sem rodeios, que a educação vale mais que o lucro dos banqueiros, algo profundo se move na alma de um país.

Foi isso que vimos neste sábado, em São Bernardo do Campo. Não era apenas um discurso, mas um chamado histórico, um gesto de rebeldia contra a desigualdade que por séculos negou aos filhos dos pobres o direito de sonhar em pé de igualdade com os filhos dos ricos.

Luiz Inácio Lula da Silva, Lula, um operário que se fez presidente, falou com a convicção de quem conhece a dor de ver portas fechadas. E, de novo, defendeu a educação como a mais poderosa arma de libertação coletiva, mesmo sabendo que “a Faria Lima vai brigar com a gente”.

Ao propor a universalização do Pé-de-Meia, Lula fala de justiça.  A de garantir que nenhuma menina precise abandonar a escola por falta de dinheiro, que nenhum jovem desista do futuro por causa de cinquenta centavos de diferença. E quando ele diz que a “filha da doméstica deve poder fazer o Enem ao lado do filho da patroa”, não é retórica e sim um tapa de dignidade num sistema que ainda insiste em reproduzir castas.

Mas Lula foi além.  Acenou para a América Latina com um sonho de soberania educacional. Uma doutrina própria, feita por latino-americanos e para latino-americanos, que liberte nosso continente do olhar submisso.

Não é bravata nacionalista. É estratégia de dignidade. Um povo educado não se ajoelha.  Dialoga de igual para igual.

Sim, os donos do dinheiro vão reclamar. Já começaram. Porque cada real investido num jovem que sonha é um real a menos no cofre dos que lucram com a ignorância.

Mas educação não é gasto.  É investimento em futuro, em liberdade, em soberania.

E quando ele alerta pra que não desanimem, para que “entrem para a política, porque o político bom está dentro de vocês”, Lula acerta na veia.

A transformação não será feita por anjos descendo dos céus, mas por jovens conscientes, críticos e mobilizados.

Essa é a revolução silenciosa que assusta os poderosos.   Um povo que pensa, questiona e vota com autonomia.

E é por isso que cada escola, cada cursinho popular, cada Pé-de-Meia entregue, cada menina que continua estudando é, na prática, um ato de resistência democrática.

O Brasil já aprendeu uma lição essencial. Que nenhum banqueiro é mais forte do que um povo educado.

E se a Faria Lima vai chiar, que chore de inveja ao ver o país aprender a voar.

sexta-feira, 17 de outubro de 2025

Uma História de Luta Compartilhada pela Democracia e pelo Brasil

Fotos: Murilo Nascimento
Nesta quinta-feira, em Brasília, o presidente nacional do Partido dos Trabalhadores, Edinho Silva, marcou presença no 16º Congresso do Partido Comunista do Brasil ao lado do presidente Lula e de lideranças históricas da esquerda brasileira.

Recebido com carinho pela presidenta comunista Luciana Santos, Edinho exaltou a longa caminhada conjunta entre PT e PCdoB, uma aliança forjada nas ruas, nas lutas mais duras e nas conquistas mais luminosas de nossa história recente.

Desde 1989, quando Lula disputou sua primeira eleição presidencial ao lado de PCdoB e PSB, a união entre petistas e comunistas vai muito além de cálculos eleitorais.  É uma aliança de projeto, sustentada por sonhos comuns de justiça social, soberania nacional e democracia popular. Como bem disse Edinho.

Sua fala, no entanto, foi mais do que uma celebração de laços. Foi também um chamado à lucidez e à resistência. Edinho destacou que este congresso ocorre num “momento crucial” em que crises globais e ameaças autoritárias tentam redesenhar o mapa do poder no mundo.

Lembrou que a crise de 2008 revelou as entranhas vorazes do capitalismo financeiro, aprofundando desigualdades e reacendendo forças reacionárias que muitos julgavam derrotadas no pós-guerra. Mencionou as ofensivas conservadoras que atravessam a América Latina, como as ações do governo Trump e as constantes agressões ao povo venezuelano, exemplos dolorosos de como a extrema direita internacional opera contra a soberania dos povos.

No cenário nacional, Edinho celebrou a derrota do fascismo nas urnas em 2022, quando o povo brasileiro reconduziu Lula à Presidência, mas advertiu que ainda não “impusemos a derrota final à extrema-direita.”

O episódio de 8 de janeiro de 2023 foi, como ele lembrou, um grito de alerta onde a democracia precisa ser defendida todos os dias, com coragem e organização.

Para Edinho, garantir a reeleição de Lula em 2026 não se trata apenas de disputar um pleito, mas de assegurar a continuidade de um projeto de país, um Brasil justo, igualitário e soberano, que não se curva ao ódio nem ao autoritarismo.

Entre as bandeiras que devem pulsar no coração da esquerda, destacou o enfrentamento à concentração de renda, o fim da jornada 6x1, a tarifa zero pro transporte público, a transição energética para o Brasil sustentável e políticas de segurança pública democráticas, rompendo com a lógica do autoritarismo.

Ao encerrar sua participação, Edinho reafirmou que o PCdoB segue sendo um aliado essencial nessa caminhada, que não é de um partido isolado, mas de um projeto de país.

quarta-feira, 15 de outubro de 2025

Guardiões da Palavra e Semeadores do Futuro

 

Hoje, 15 de outubro, celebramos o Dia dos Professores, uma data que carrega não apenas um feriado simbólico pra classe, mas um ato de reverência a todos aqueles que dedicam suas vidas à arte mais transformadora que existe, ou seja, ensinar.

A origem desta data no Brasil remonta a 1827, quando o imperador Dom Pedro I assinou a primeira lei que criou escolas de primeiras letras no país. Mas foi apenas em 1963, por meio de um decreto, que o 15 de outubro foi oficializado como o Dia do Professor, marcando a importância dessa profissão na construção da nossa história.

Ensinar sempre foi mais do que transmitir conhecimento é abrir caminhos, acender luzes, soprar ventos de liberdade no coração das pessoas.
Por isso, hoje, além de saudar cada educadora e educador deste país, quero lembrar com amor e gratidão meus pais, Carlos e Darci, professores que dedicaram suas vidas à nobre missão de ensinar. Foram eles que me mostraram, não apenas com palavras, mas com gestos cotidianos, que educar é um ato político, amoroso e profundamente humano.

Professores são tecelões de futuros, trabalham com matéria invisível. A esperança. Enquanto muitos plantam para colher amanhã, eles plantam para que outros colham, muitas vezes, quando já nem estão por perto.

Em um país que tantas vezes desvalorizou quem o sustenta de pé, é dever de todos nós lutar para que ser professor volte a ser sinônimo de respeito, dignidade e reconhecimento. Pois não há nação justa, livre e democrática sem educação pública forte e professores valorizados.

Que hoje não seja apenas um dia de flores e aplausos, mas um compromisso renovado com a valorização real da educação.
A todos os mestres, de ontem, de hoje e de sempre, o meu respeito mais profundo.

sábado, 11 de outubro de 2025

Apreensão máxima

 







Nilson Dalledone 
nilsondalledone@gmail.com



Cerca de 95% de Gaza (Palestina) estão destruídas. Multidões de palestinos surgem retornando para casa. Mas a pergunta é para que casa... Famintos, dilacerados, doentes, ainda que vitoriosos diante de um inimigo estrangeiro impostor, podem esperar o quê? Paz? Os sionistas, interessados em se apropriar de petróleo e gás do oeste da Ásia e de posições estratégicas, não desistiram de seus planos ou, melhor dito, o imperialismo norte-americano ou, mais exatamente, os setores mais agressivos da alta burguesia norte-americana (super ricos) não desistiram de continuar lançando mão da rapina e do roubo, não importa quantos sofram e morram. Para essa minoria canalha morte e sofrimento alheio não importam. Será, talvez, uma breve pausa, resultante de um acordo de cessar fogo efêmero...

A quadrilha de Benjamin Netanyahu, por meio da Rússia, solicitou que se avisasse o governo iraniano de que não planejam nenhuma agressão contra o Irã. Quem acredita? O Irã está aguardando os agressores e se preparando para o pior, porque não há muita diferença entre o que se diz em Washington e Tel-Aviv.

Ao mesmo tempo, a Venezuela está se fortalecendo ao máximo à espera do ataque norte-americano. Querem o petróleo, o ouro, as terras raras e tudo que puderem levar e até premiaram a chefe da quinta coluna com um prêmio Nobel...

Na Ucrânia, entretanto, o Império norte-americano está sofrendo uma derrota estratégica de grande magnitude, enquanto China Popular, Rússia, Irã, Coréia Democrática, BRICS, OSC e assim por diante cerram fileiras, para conter os acessos de loucura de um Império acuado.

Não há como prever a próxima hora...

Pode ser sempre a última e derradeira hora do planeta Terra...


quinta-feira, 9 de outubro de 2025

Entender a correlação de forças é lutar com inteligência

Imagem - O GLOBO


No Brasil de hoje, governar é muito mais do que ter a faixa presidencial.  É saber navegar num Congresso fragmentado, pragmático e repleto de interesses contraditórios. Por isso, é essencial que a militância e os setores progressistas compreendam com clareza quem são os aliados fiéis, os eventuais e os adversários declarados.

Na base mais sólida do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva estão Partido dos Trabalhadores (PT), Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). Essa é a coluna vertebral política da resistência democrática e popular. Esses partidos, com raríssimas exceções, não votam contra o povo e têm sido o núcleo de sustentação das pautas sociais e populares no Congresso.

Na sequência, vêm Partido Verde (PV), Rede Sustentabilidade (REDE) e Partido Socialista Brasileiro (PSB), aliados importantes, comprometidos com a agenda de governo, e que tendem, em momentos decisivos, a se alinhar ao núcleo fiel. A chance de transferência de votos desse campo para o campo mais sólido da base é alta.

Depois, há Partido Democrático Trabalhista (PDT) e Avante, que orbitam entre o apoio e o pragmatismo. São aliados intermitentes, que “viram Centrão de quando em quando”, mas que também podem migrar para o campo da base fiel em votações estratégicas, especialmente quando o governo mobiliza bem.

Solidariedade e Movimento Democrático Brasileiro (MDB) representam aquele Centrão clássico, que tem adversários internos, mas também muitos parlamentares eleitos com votos do eleitorado lulista. São aliados pouco confiáveis, mas sensíveis à pressão popular e à articulação política.

Na outra ponta, Partido Social Democrático (PSD), Cidadania e Podemos formam a ala mais pragmática do Centrão, com forte base no Centro-Sul.

Mais à direita, Republicanos, Progressistas e União Brasil são adversários do governo que, paradoxalmente, dominam o eleitorado lulista no Norte e Nordeste. Isso mostra que não basta ganhar votos.  É preciso politizar e disputar a representação popular.

E, por fim, há os inimigos políticos declarados: Partido Liberal (PL), Partido Renovador Democrático (PRD), Democracia Cristã (DC), Partido Novo (NOVO), Partido da Mulher Brasileira (PMB) e Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). Esses atuam de forma sistemática contra as pautas sociais e populares e constituem o núcleo ideológico da extrema direita e da velha direita neoliberal.

Entender essa arquitetura política é fundamental para agir com inteligência estratégica.

Não se trata apenas de saber quem vota a favor ou contra. Trata-se de mapear onde a pressão popular pode operar, onde se pode avançar com alianças táticas e onde é preciso endurecer o enfrentamento.

A governabilidade popular não se constrói com ingenuidade, mas com clareza política, mobilização social e capacidade de disputar corações e mentes, inclusive entre eleitores que hoje têm seus representantes em campos adversários.

O bolsonarismo pode dominar certas bancadas, mas é o povo que decide os rumos do país.

E quando o povo se levanta, até o Centrão balança.


domingo, 28 de setembro de 2025

Dia Mundial do Jornalismo – 28 de setembro.

 

Imagem - SEBRAE

Celebrado em sintonia com o Dia Universal da ONU para o Acesso à Informação, o Dia Mundial do Jornalismo, neste 28 de setembro, nos convida a refletir sobre a importância vital da imprensa livre.

Vivemos um tempo marcado por ataques à democracia, por ondas de desinformação em massa e pelo avanço de práticas e ideias autocráticas.
Nesse cenário, o jornalismo se torna ainda mais essencial. Ele é a luz que fura a névoa da mentira, o sopro que mantém acesa a chama da verdade e o instrumento que dá voz à sociedade diante dos poderosos.

É também na luta contra as “fake News” e contra a dissipação da mentira que os jornalistas assumem papel estratégico.

São eles que checam, confrontam, contextualizam e revelam aquilo que se esconde por trás da manipulação.

Sem jornalismo, a mentira se torna regime.  Com jornalismo, a verdade encontra caminho.

Homenagear o jornalismo é, portanto, reafirmar nosso compromisso com a democracia, com o direito do povo à informação e com a coragem de quem, diariamente, enfrenta pressões e riscos para noticiar os fatos.

Aos jornalistas, homens e mulheres que transformam a palavra em trincheira de liberdade, nosso respeito, reconhecimento e gratidão.


segunda-feira, 22 de setembro de 2025

Rio Preto também gritou pelo Brasil

 

Neste domingo, 21 de setembro, São José do Rio Preto reverberou, em uníssono, os gritos pela democracia e contra a corrupção que ecoaram de norte a sul do Brasil.
A manifestação, organizada por partidos de esquerda, movimentos populares, entidades de trabalhadores e, sobretudo, pela população trabalhadora da cidade, transformou a Câmara Municipal em um verdadeiro caldeirão de indignação e esperança.
As galerias lotadas pediam rua.

E o povo foi.
Após falas firmes e cheias de energia, a multidão saiu com bandeiras do Brasil e até da Palestina, denunciando a PEC da Bandidagem, rejeitando a anistia aos golpistas, exigindo a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e defendendo o fim da jornada exaustiva de 6x1.

Essa manifestação serviu pra ajudar a separar o joio do trigo.  De um lado, manifestações da direita que exaltam Trump, Israel e os EUA.  De outro, o povo nas ruas celebrando um Brasil soberano, pedindo prisão para golpistas e clamando por uma Palestina Livre.

Os partidos da esquerda estão unidos.  PT, PSOL, PCdoB, PCB, às juventudes e movimentos JPT, UJS, CUT, Nara, Comitê Popular de Luta, Arteiras pela Democracia e tantos coletivos, também.  Todos se juntaram em torno da democracia. E, sobretudo, à população de Rio Preto que gritou alto, ocupou a Casa do Povo, tomou a frente da Prefeitura e caminhou em torno do Mercadão Municipal, o coração político e social dos domingos de manhã na cidade.

A região também se fez representar com membros do PT e PSOL de Mirassol, que fortaleceram ainda mais este dia histórico de luta.

Foi um domingo em que Rio Preto levantou sua voz e mostrou que o Brasil é do povo, e o povo não se cala.



terça-feira, 16 de setembro de 2025

Anistia ou justiça social? O Congresso precisa escolher de que lado está.

 

Imagem - ICL Notícas
A ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, promessa feita ao povo trabalhador e compromisso central do governo Lula, virou campo de batalha em Brasília.

O governo enviou em março uma proposta clara de isentar do imposto quem ganha até R$ 5 mil. A medida beneficiaria 20 milhões de brasileiros, trazendo alívio imediato para famílias da classe média e das bases populares. Em julho, ela avançou na comissão especial da Câmara. Mas desde então, o projeto está congelado no plenário.

E por quê? Porque a pauta da anistia sequestrou a agenda do Congresso. Deputados decidiram priorizar a autoproteção de golpistas em vez de colocar o povo em primeiro lugar.

O resultado é grave. Se a isenção não for aprovada em 2025, só poderá valer em 2027. Ou seja, dois anos de atraso para o trabalhador, dois anos de aperto a mais no bolso da população, tudo porque a Câmara preferiu correr para salvar quem atentou contra a democracia.

Enquanto isso, o Senado tenta puxar o freio de mão dessa irresponsabilidade. Renan Calheiros anunciou que vai resgatar um projeto de 2019 para acelerar o processo e não deixar a promessa se perder na poeira da anistia. É um gesto político que escancara a contradição. Quando o assunto é cuidar do povo, tudo é lento, emperrado, cheio de desculpas. Mas quando é para salvar a pele de poderosos, a pressa aparece.

O povo brasileiro não pode aceitar essa chantagem silenciosa. Não é apenas uma disputa técnica entre Câmara e Senado, mas uma escolha política sobre quem merece prioridade: o trabalhador que sua para sobreviver ou os golpistas que tentaram calar a democracia.

Por isso, precisamos estar atentos e mobilizados. Precisamos gritar nas ruas, nas redes e nos espaços de luta.
Não à anistia dos golpistas.
Sim à isenção do Imposto de Renda já.

Não deixaremos que o direito do povo vire moeda de troca. Se não houver pressão popular, a promessa pode se transformar em mais um adiamento injusto. E quem paga essa conta é sempre o mesmo povo trabalhador.

A democracia não se protege com silêncio. Protege-se com voz, com luta e com mobilização. É hora de escolhermos entre a autoproteção de poucos, ou a justiça social para milhões.

Ubatuba. Lugar onde o tempo desacelera e a alma respira.

  Praia do Lázaro Há viagens que não são apenas deslocamen tos no mapa. São travessias internas. A nossa, em família, para Ubatuba, foi ass...