A política brasileira vive mais um momento decisivo, em que se desenham pré-candidaturas e se reorganizam projetos de país.
Nesse cenário, uma dúvida recorrente emerge entre
militantes, comunicadores e lideranças.
Criticar duramente a extrema-direita ajuda a derrotá-la ou, ao
contrário, contribui para fortalecê-la?
A experiência recente do Brasil sugere que a
resposta exige cautela. A ascensão de Bolsonaro demonstrou que a visibilidade,
mesmo quando carregada de rejeição, pode funcionar como combustível político.
Ao se apresentar como alvo de ataques permanentes, ele consolidou uma narrativa
de enfrentamento ao “sistema”, mobilizando afetos e fidelidades que extrapolam
o debate racional. Não por acaso, movimentos de grande repercussão, como o “Ele
Não”, embora legítimos e necessários, também ampliaram seu alcance e presença
no debate público.
Esse fenômeno não é novo. Paulo Maluf já
sintetizava essa lógica ao afirmar que não importa se falam bem ou mal, desde
que falem. Em contextos de alta polarização e intensa circulação de conteúdos,
a repetição de nomes e imagens, ainda que em tom negativo, pode reforçar
reconhecimento e familiaridade junto ao eleitorado.
Diante disso, a tarefa colocada para o campo
democrático e popular não é silenciar diante dos erros e ameaças da
extrema-direita, mas qualificar a forma de intervenção política. A crítica
precisa deixar de ser reativa e passar a ser estratégica. Em vez de apenas
amplificar declarações polêmicas ou comportamentos grotescos, é necessário
contextualizar, comparar e, sobretudo, apresentar alternativas concretas que
dialoguem com a vida real das pessoas.
Nesse sentido, as pré-candidaturas de Lula e Haddad
devem orientar a disputa para o terreno programático, onde a política pública,
o desenvolvimento econômico e a melhoria das condições de vida possam ocupar o
centro do debate. Mais do que reagir à agenda adversária, é preciso
construir uma agenda própria, capaz de mobilizar esperança, confiança e
pertencimento.
A comunicação política eficaz não se limita a
denunciar. Ela organiza sentidos.
Criticar é necessário, mas insuficiente. É preciso disputar narrativas, valores
e projetos de futuro. Quando a crítica se transforma em mera repetição do
adversário, ainda que negativa, ela corre o risco de reforçar aquilo que pretende
combater. Quando, ao contrário, se articula com proposta, identidade e direção,
ela cumpre seu papel democrático de esclarecer e mobilizar.
O desafio, portanto, não está em falar menos
sobre a extrema-direita, mas em falar melhor, com intencionalidade,
inteligência e compromisso com o país que se deseja construir.

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