domingo, 11 de junho de 2017

Um café por uma dica.

Domingo é interessante porque nos permite o encontro com pessoas amigas e a discussão de diversos assuntos de forma desarmada.
Foi assim, em um simples cafezinho, que aconteceu uma destas conversas com alguém que está iniciando suas atividades no Mercado como profissional de vendas.  Em meio ao bate-papo, surgiram alguns questionamentos para eu responder.
Fico lisonjeado quando alguém vê em mim um mínimo de possibilidade de exemplo.  Sou um vaidoso incurável.  Então exagero na contribuição.  A cada pergunta que recebo, devolvo um discurso completo.  E depois, pra piorar, adoro propagar.  Quem sabe, se ajudou a "Chico", ajude a "Francisco" também.

1. Quais são os primeiros passos que devo dar como vendedor de um determinado produto?

Insisto.  A capacidade de avaliar, com antecedência, o cliente a ser visitado ou abordado e qual produto lhe recomendar. E claro, ter a certeza sobre tudo dos produtos que representa.
Geralmente há uma gama de produtos disponíveis.  Mas quais são os benefícios de cada um e sua relação com o "prospect" escolhido?
Há uma forma simples de descobrir isso sem muito esforço.  Basta usar a estreita relação entre o vendedor e o produto com o qual trabalha, caso seja dele usuário. É sempre assim. Explicamos melhor um endereço, quando já estivemos no local.  Saberemos detalhes de um produto, quando fizermos uso do mesmo.
É o que recomendo sempre aos meus franqueados e parceiros no ramo de seguros.  "Utilizem nossos produtos.  Tenha seguro do seu automóvel, da sua casa, de vida, de previdência".  Quem usa, aprende tudo sobre o produto utilizado pra sempre e descobre sua relevância.  Se começam a trabalhar pensando que é uma despesa desnecessária, já não servem para vender tais produtos.
Quando cientes de seus benefícios, vantagens e importância real, estão prontos a convencer os outros.

2. O que eu preciso mostrar para o cliente em termos de "material de venda"?

Depende muito do ramo ou produto praticado.  Mas eu não sei abordar um cliente sem ter os mecanismos áudio-visuais-sinestésicos ao meu dispor.
Sou convicto de que as pessoas possuem percepção diferente do seu mundo exterior, umas das outras.
Há aqueles que vêem melhor, outros que escutam com precisão e ainda os que só tem sua atenção presa quando tocam em algo.
Desta feita, uniforme, cartão de visitas, "folders" e outros materiais como vídeos, por exemplo, demarcam a excelência de uma boa apresentação.  São ferramentas de apoio.  Instrumentos de trabalho tão importantes quanto tabelas e calculadoras.
Em meu ramo (seguros), poucos são os que utilizam estas ferramentas.  Quem as usa, faz toda a diferença.

3. O que pode me colocar para escanteio, logo na apresentação?

Hesitar.  O despreparo, a dúvida e a falta de conexão com o Mercado, são pecados capitais no mundo dos negócios.
Conhecer toda a tecnologia vigente, saber onde estão as respostas em caso de dúvidas inesperadas, saber passear pelo site da empresa e condições comerciais do produto, não é vantagem alguma, mas condição básica para merecer a confiança e a atenção do ouvinte.

4. Mas se eu devo saber tudo sobre os produtos, então nunca estarei pronto.

Claro que não é esperado de qualquer um o conhecimento pleno.  Mas peguemos os representantes de laboratório, por exemplo.  Precisam convencer médicos a usar este medicamente e não aquele.  Como farão isso sem conhecer a fundo a doença e a aplicabilidade do medicamento oferecido?
Se o representante está pronto para debater com o médico, presume-se que investigou, estudou ou minimamente fez uma boa leitura do caso antes da visita.
Há vendedores que confiam demais no seu "rolodex" de contatos, pensando que basta ter muitos nomes numa lista e terão bom desempenho como agentes de vendas.
Se não estiverem dispostos a pesquisar, estudar e se debruçar algumas horas sobre o que vão fazer, "morrerão" na próxima esquina.
Empresas sérias oferecem uma universidade corporativa ou material de consulta vasto, com orientação e atendimento auxiliar.

5. Em uma gama de muitos produtos, como saber quais estudar primeiro e que tipo de público abordar em primeiro lugar?

As perguntas se entrelaçam.  Melhor avaliar primeiro o público e identificar quais produtos lhes são mais adequados.
Imaginemos alguns pontos como região geográfica (prevalência de público ou Mercado), sazonalidade (melhor época para isso ou aquilo) ou ainda o perfil das pessoas.  O que é mais fácil para você?
Se for a região, quais as economias ali presentes?  Prevalência de algum comércio específico?
Imobiliárias, escolas, lojas, escritórios, consultórios médicos, residências... E quais são os produtos para este tipo mais presente?
Se é melhor avaliar a sazonalidade, de que momento estamos falando?  Inverno, início de aulas, visita de turistas etc.
E se formos avaliar pelo perfil, qual é o público em termos de classe social, formação acadêmica, faixa etária e assim vai.

Não há como terminar uma conversa destas sem dar o toque final.
Planejamento.  Tudo é planejamento.  O bom profissional de vendas dorme tarde.  Fica horas lendo artigos, avaliando o ambiente onde atua, imaginando como as pessoas diferentes reagiriam a sua conversa e traçando estratégias.
Não há como vencer na atuação comercial sem estudo e planejamento.  Mas claro e óbvio.  O planejamento sem a execução e reavaliação é tempo perdido.  Dispêndio irracional de energia.




4 comentários:

  1. Por mais que nos falte tempo para pesquisar sobre aquilo que desejamos adquirir nos levando até mesmo recorrer à internet, o contato humano será sempre bem vindo. Um bate papo informal que pode surgir após meia duzia de palavras trocadas, abre portas.
    Um sorriso, olhar no olho, demonstrar segurança e se colocar a disposição, anda meio escaço e por mais que não estejamos mais acostumados com gestos assim, é sembre bem vindo um "Olá, em que posso lhe ajudar".

    ResponderExcluir

Obrigado por deixar sua opinião. Assim que seu comentário for moderado, estará à disposição dos demais leitores.

A rainha caipira.

A partir de hoje, me dedicarei a publicar, de quando em quando, contos e crônicas escritos por meu pai, Carlos Alberto Gomes, que assina com...