Recebi do Prof. Dr. Nilson Dalledone - História Econômica da USP
O líder Muammar Qadafi foi capturado vivo e assassinado. Mas seria assassinado de qualquer maneira, tal como aconteceu com Saddan Hussein, Getúlio Vargas, João Goulart, Salvador Allende, V. I. Lênin (morto em razão de complicações resultantes de atentado, que teve por trás a ação de serviços de inteligência do Ocidente) e outros que ousaram contra o IMPERIALISMO. Mudam-se as formas, conforme a situação. Então, por mais que se lamente o fato em si, haverá muitos e muitos casos semelhantes nos próximos anos... Mais ainda, se se considerar que a resistência geral ao Imperialismo, está crescendo, inclusive, dentro de suas cidadelas, como Nova York e Londres e outros grandes centros metropolitanos.
Nos países semi-coloniais, como o Brasil, as atitudes variam, mas percebe-se que a pressão de empresários locais surte efeito, pois tentam não perder o que tinham antes divisão dos despojos de guerra, principalmente na área do petróleo, mas também em outras obras de engenharia... Sabe-se que uma parte dos militantes do Partido dos trabalhadores, com biografia revolucionária e intelectuais progressitas, assim como empresários nacionalistas não apóiam as posições do Ministério de Relações Exteriores e nem as declarações da Presidente Dilma Roussef, quanto à PARTILHA DA LÍBIA. Também, as posíções de diversos partidos da base de sustentação do governo atual não compartilham das atitudes vacilantes e, finalmente, anti-líbias, do Brasil atual.
Entretanto, avaliando, por outro lado, esse problema, é possível perceber que a atitude de governos de países que vêm resistindo muito ao Imperialismo, como Cuba, e outros que se têm esforçado, como é o caso da Venezuela e do Equador, cujos presidentes tiveram a firmeza de acusar o Imperialismo de CRIMINOSO, não conseguiram ir muito além do discurso. Mas apresentam uma vantagem de postura, pois quem prefere o caminho do PRAGMATISMO não é nem um pouco confiável. Em termos de confiabilidade, Rafael Correa (Equador) e Hugo Chavez (Venezuela) escolheram os PRINCÍPIOS e menos os interesses imediatos, a despeito de possíveis perdas momentâneas. Quem segue o caminho do pragmatismo não está muito interessado nas conseqüências para o OUTRO, mas apenas em suas próprias vantagens.
Por outro ângulo, uma enorme massa de artigos acusatórios foi publicada pela mídia marrom, "esquecendo-se" de que a Líbia foi vítima de TERRORISMO DE ESTADO, pois sofreu intervenção nada velada de outros Estados, no caso, dos países da OTAN, promovendo toda sorte de difamações contra Qadafi e sua família. Entre elas, encontram-se as matérias do juiz Walter Maierovitch (ex-desembargador no TJ-SP) que acusa Muamar Qadafi de "sanguinário", deixando de lado, propositalmente, o fato de que os chamados "rebeldes" foram treinados e armados pela CIA - um dos serviços secretos terroristas norte-americanos, com conhecimento e ordem do sanguinário Presidente Barack Obama, responsável direto ou indireto por matanças de civis no Afeganistão, no Iraque, no Iêmem, na Líbia e em muitos outros lugares...
Quem acompanha os meios informativos e conhece os métodos das Forças Armadas dos países da OTAN, sabe, automaticamente, como atuam os Comandos e os serviços de inteligência... desses países e de seus cúmplices... Se não bastasse isso, parte dos líbios que aceitaram a condição infame de TÍTERE (marionete) do Imperialismo, dispostos a entregar o petróleo de seu País ao imperialismo, são ex-membros do governo Qadafi... E, por fim, usam dos mesmos métodos que o povo de seu País costuma usar contra quem surja como adversário... Então, essa é mais uma pequena demonstração de que o fato de alguém ser "juiz", por exemplo, não garante qualquer "imparcialidade", isto a título de exemplo extremo, já que raro é o jornalista independente, mesmo nos jornais e revistas considerados de "esquerda", pois, nesse caso, o chefe do grupo tem poder de censura e altera os artigos ou não autoriza a publicação... Enfim!
Por fim, caberia ressaltar o discurso breve do sanguinário e assassino de crianças Barack Obama, um dos responsáveis pelas cerca de 25 mil (vinte e cinco mil) mortes estimadas de cidadãos líbios, além de Qadafi e parte de seus filhos e mais três netos com idades entre um e dois anos, ao anunciar que se tinha consumado uma "revolução" na Líbia.
Em realidade, foi exatamente o CONTRÁRIO. Nesse País árabe, ocorreu uma CONTRA-REVOLUÇÃO, pois perdeu-se a soberania nacional. Houve um processo de RECOLONIZAÇÃO IMPERIALISTA, exatamente dentro dos moldes do que se convencionou chamar de "GLOBALIZAÇÃO", isto é, dentro da lógica do reescalonamento neocolonial efetivado a partir dos centros. Assim, os países do mar Mediterrâneo, os mais próximos da Europa desenvolvida, inclusive, com base em acordos já antigos entre a União Européia e os países atrasados do Mediterrâneo, são considerados preferenciais por proximidade geográfica. O mesmo ocorre entre os EUA e Canadá (NAFTA) e México (NAFTA semi-colonial) e os "países" do Caribe ou, ainda, Japão e semi-colônias, como Coreia do Sul, Taiwan e outros tantos. É essa a razão da fúria francesa, inglesa e italiana diante dos despojos de guerra, pois consideram que os EUA devem surrupiar o México, América Central e Caribe e a América do Sul, enquanto eles devem assaltar o norte da África e oeste da Ásia, incluída a Síria e a Turquia...
Abaixo há um excelente artigo de Pedro Porfírio sobre os últimos acontecimentos na Líbia e sobre a execução de Qadafi. Essa também é uma maneira de se travarem debates. Ressalte-se que não se aceitam aqui posturas contrárias à democracia e nem pequenos ditadores de plantão. Todos são livres para expressarem seus pensamentos e livres para mudarem seu ponto de vista, caso se convençam de que existiriam posições melhores. Mas é preciso argumentar! Outro meio é a pergunta, o questionamento, no que, também, todos são livres. Aquelas pessoas que utilizam estas páginas de debate para pesquisa e, inclusive, para prepararem aulas, fiquem à vontade.
Vamos ao que nos une!
Nilson Dalledone
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